terça-feira, 31 de março de 2009

O POÇO

Existiu em tempos idos um homem que acreditava sinceramente que o mundo possuía um outro lado. O indivíduo não era nem analfabeto nem desinformado, bem pelo contrário, os livros eram tantos em casa dele que mal cabíamos, eu e a minha mulher, quando o visitávamos. Com pouca frequência de resto, pois que ele dissertava quase exclusivamente sobre o outro lado do mundo, o que tornava algo enfadonhos os serões.
Um belo dia desapareceu. Encontrámos a casa encerrada quando para lá nos dirigimos à pressa, depois de eu ler uma sms enviada por ele, do seu telemóvel, que dizia simplesmente: «Não me procurem».
A vida continuou e fui esquecendo o amigo, ou quase amigo. Vinte anos passaram, envelheci, agora reflectia mais vezes sobre a certeza elementar de que só tinha uma vida para viver.
Nos inícios de um Outono cada vez mais parecido com os outros, recebi uma carta remetida por alguém que já esquecera. Muito brevemente relatava a história seguinte:
«Sou aquele que ambicionava encontrar o outro lado do mundo. Tinha trinta anos então, tenho hoje cinquenta. Levei comigo apenas o que leva consigo um nómada: uma mochila. Dividi a viagem em etapas de quinhentos quilómetros. Durante a primeira encontrei gentes a fazerem o mesmo que aquelas que eu conhecera na minha terra natal, umas paupérrimas, outras riquíssimas. Na segunda, a diferença era mínima, se bem que melhor distribuída a riqueza e o conforto. Na terceira, fui assaltado. Na quarta, encarcerado. Na quinta, escravizado e sodomizado. Na sexta, receberam-me como mártir, converteram-me a uma religião e enviaram-me à força para uma missão suicida. Logo que pude libertei-me da carga explosiva e percorri mais quinhentos quilómetros. Para sobreviver ensinei cinco anos a fio matemática e literatura a rapazes e raparigas que não queriam saber disso para nada, as raparigas metiam-se comigo, os rapazes metiam-se com elas. Peguei na mochila e calcorreei mais quinhentos quilómetros. Como pouca gente se mostrava generosa e hospitaleira para com um desempregado vagabundo, tive de recorrer a pequenos biscates: aliciaram-me primeiro para um gang de narcotraficantes, a seguir para outro gang, este já internacional, que traficava «carne branca», na realidade, tanto branca como escura. Um ano depois evadi-me, tendo, para isso, de liquidar a tiro dois capangas. Percorri mais quinhentos quilómetros. Fiz-me cantor de jazz num bar de fraca reputação. Abandonei a via artística depois de uma linda mulher por quem me apaixonara me ter roubado o maço de dólares que eu guardava debaixo do colchão. Contudo, nunca desesperei.
Certo dia de primavera, deambulava eu num deserto, deparei-me com dois indivíduos e um poço. Um era muito idoso, o outro, muito jovem. Deixaram-me saciar a sede. Perguntaram-me para onde queria ir. Respondi-lhes: para o outro lado do mundo. Porquê? Questionaram sem surpresa nos rostos tisnados pelo sol. Porque é completamente diferente, para melhor evidentemente! Retorqui com aquela convicção que me conduzira durante anos e milhares de quilómetros. Pois então, disse o mais velho, basta subires aquela montanha e vê-lo-ás do outro lado! Eu nunca o fiz porque esperei demasiado e agora estou velho; este, aqui, ainda é novo demais… Então como sabeis que do outro lado é o outro lado do mundo? Porque acreditamos, dezenas de gerações sucessivas sempre nos garantiram tal facto, e o velho embrulhou umas tâmaras num lenço colorido e deu-mas.
Repousado e saciado, ataquei a montanha. No terceiro dia cheguei ao topo: Olhei para o outro lado. Vi ao longe, na base da montanha, uns pontos escuros sob o sol ardente. Desci quase a correr, um dia e uma noite bastaram-me para chegar quase ao sopé. A um quilómetro de distância os pontos pretos desenhavam-se nitidamente na paisagem.
Foi então que me vi a mim mesmo a conversar com um velho e um jovem, à sombra de um poço.
Eis a minha história. Já não possuo nem meios nem forças para regressar. Fico por aqui, deste lado do mundo, tanto vale aqui como acolá.»
PERGUNTAS FRENTE AOS MUROS DE TEBAS- I

1. Que mecanismos económicos, políticos, ideológicos, explicam porque os regimes democráticos ocidentais possibilitam a manutenção das alavancas do poder das classes sociais possidentes?
2. Dentro dos processos que permitem a reprodução do poder dominante das classes dominantes, qual o papel que cabe às escolas?
3. Neste caso que finalidades e competências são atribuídas aos professores pelos poderes dominantes?
4. É possível aos professores moverem-se contra ou nas margens destas finalidades? Quais os meios para os controlar a que recorrem os poderes dominantes?
5. Qual é a ideologia dominante que os professores inoculam nos estudantes, tanto nas disciplinas de ciências da natureza como nas disciplinas de letras e ciências humanas? E em que grau e por que formas a comunidade escolar (pela sua organização e actividades) colabora nesta tarefa tutelada, vigiada e imposta?
6. Perante a organização e orientação tecnológica do mundo vale a pena reformar a escola, ou destrui-la?
7. De que modo as escolas reproduzem o sistema desigualitário das classes sociais?

quinta-feira, 26 de março de 2009

A ESPUMA DAS PALAVRAS

Julguei que virias
sobre a terra ou sobre o mar:
vieste no vento
contra a dor a remar.

Com a espuma das palavras
Fiz um leito de luto
Ai que triste o lamento
Do vento
A chamar!

quarta-feira, 25 de março de 2009

O ACOSSADO

Nasceu algures numa aldeia. Visitava-a poucas vezes, apenas sabia que era medíocre, meia dúzia de casas de granito, um caminho de cabras a cortá-la em duas metades, um baldio que pegava fogo regularmente, um charco onde com os outros miúdos esmagava sapos à pedrada. Bom aluno na escola primária, atento, obsequioso para a professora, esperto mas não ladino. O padre António que dava a missa aos domingos vindo da vila num carro de praça, abençoou-o, «Meu filho, vais longe! Faz-te à vida!». E ele fez-se. Foi estudar para a vila, daí para a cidade, instalou-se numa residência universitária às custas de uma bolsita, poupava os tostões, pedia os cigarros aos colegas, emprestava-lhes os apontamentos, elegeu-se delegado de curso, carregava os livros do catedrático que lhe disse certa vez «Meu rapaz, vais longe, fia-te em ti e não te fies nos outros!». E ele assim fez. Arranjou um fiador e adquiriu um apartamento modesto com hipoteca. Amigou-se com a filha de um importante advogado e enfiou-se num ápice num grande consultório. Defendeu todas as causas, no entanto preferia as graúdas: licenciamentos, derrapagens, contra as Câmaras, a favor delas, contra o Estado, a favor dele, contra empresas, a favor delas. Ofereceram-lhe mordomias, começou por escusar pondo os olhos no céu. Insistiram, subiram a parada, aceitou com a cabeça a pensar no padre António. Temia que lhe tirassem o sono; pelo contrário, passou a dormir numa moradia em Cascais. Era ainda novo e o telemóvel não parava de tocar. - Mais um favor? Ora essa, paga-me depois! - Juntou favores, pagaram-lhos a seguir. Nomearam-no secretário de Estado. Competentíssimo. Mandava mais que o ministro. «Oiça, já me tratou daquilo?», «Daquilo? De quê?», «Ó homem, não se pode falar ao telefone, está uma pôrra!», «Ah, sim, já tratei! Fica-me a dever mais uma!». E o ministro ficou a dever. Nomeado administrador de uma poderosa empresa, tornou-se accionista do banco desta. Percebia de tudo, bem lhe dizia a professora da primária «Meu menino, tu és esperto, vais longe!». E ele foi. Meteu-se em negócios de um off-shore e viu dinheiros desaparecerem como um milagre e regressarem mais gordos com outro milagre. Lembrou-se do padre António «Meu filho, milagres só os santos os fazem!». Estivesse vivo e ele lhe explicaria como não é preciso ser santo. Mas aos olhos do bispo com quem jantou até se fez santinho. Grande homem! Fotografia nos jornais, nas revistas, menção nos telejornais, entrevistas. Empreendedor, investidor, administrador, gestor, político, coberto de adjectivos: zeloso, eficiente, talentoso, honrado, sagaz, audacioso.
Nomeado ministro, entrou na História. Fez-se lenda. Atirou-se aos incêndios que assolavam o país com um leão e uns aviões alugados, licenciou auto-estradas, mandou construir uma barragem que inundou meia província, a aldeia onde nascera incluída, o seu nome gravado no betão, reformou instituições limpando-as de parasitas, como ele dizia, apaziguou o chefe quando este se sobressaltava.
Braço-direito do primeiro-ministro substituiu-o quando este se exilou num ermitério. E voltou a dar que falar. Os meninos da Faculdade já aprendiam nas aulas os seus feitos. Um modelo. Os neo-liberais transformaram-no numa referência incontornável.
Veio a crise. O banco faliu, as empresas encerraram as portas para tomar fôlego, os milagres da bolsa e dos off-shores suspenderam-se por uns tempos, de repente tudo lhe caiu em cima, o mundo encolheu e o céu esbarrondou-se sobre a cabeça. Tornou-se cauteloso, discreto, olheiras fundas nalguma foto de jornal. Para uns a lenda esfarrapara-se, para outros, o exemplo perdurava como nas seitas que se agarram às crenças arruinadas. Não se atribuía ao homem a culpa, atribuía-se à crise, e a crise não tinha cara.
Morreu entalado por um camião TIR no seu carrito modesto que ele agora utilizava para não dar nas vistas.
Quem oficiou o funeral foi o padre António, velhíssimo, que se lembrava muito bem do moço da aldeia. E, baixinho, quase inaudível, falou para o caixão: «Meu filho, milagres só os santos!».

terça-feira, 24 de março de 2009

FÁBULAS (à maneira dos contos populares chineses)

I.
Um homem chamado Chu, oriundo do estado de Sung, era dono de uma pequena oficina. Ao fim de algum tempo, arranjou dinheiro bastante para adquirir mais duas, maiores, em locais diferentes. O mandarim nunca lhe perguntou, nem uma única vez, como conseguira um enriquecimento tão rápido, não o questionou sobre o montante da riqueza, nem porque motivo não pagava o imposto.
Um par de anos depois o mandarim foi punido com a forca por actos gravosos e repetidos de corrupção.
Chu encerrou apressadamente as oficinas e deslocalizou-as para o estado de Yueh.

II.
O príncipe de Wu ordenou que se construísse uma estrada ao longo de um bosque com dois mil anos de idade. Era imperioso, porque facilitava as viagens e fazia descer os custos aos mercadores. Foi muito amado por esse gesto.
O acto seguinte agradou muito do mesmo modo. Aproveitando uma cascata de água que estava em determinado local há dois milhões de anos, mandou desviar o curso das águas, inundando uma boa parte do vale, desalojando todas as espécies vivas que lá habitavam há um milhão de anos. Em seguida, no lugar seco da antiga cascata, mandou erguer uma represa. Os porqueiros agradeceram com mil vénias aos enviados do príncipe, pois assim os seus animais tinham sempre água.
Aconteceu que o príncipe foi acometido por uma súbita e irremediável doença. Sabendo-se às portas da morte, ordenou ao pintor da corte que lhe pintasse uma cascata e um bosque.
III.

Um mandarim que se tornou célebre descobriu que os cofres da província de Hu se encontravam falidos. Mandou chamar os funcionários, um a um, procurando saber quem fora o ladrão. Não tendo nenhum deles confessado, tendo-se todos eles, pelo contrário, lançado aos seus pés chorando e batendo no peito, mandou torturá-los, e que a ordem fosse cumprida numa cela comum. Os torcionários não arrancaram uma única confissão, apesar do seu extremoso zelo.
O mandarim, preocupado com as finanças, pediu conselho à mãe, uma antiga concubina do príncipe, tendo esta respondido deste modo: - Olha, meu filho, talvez não hajas procurado no sítio certo.
-Como assim?- Admirou-se o mandarim.
-Pois, o que te digo é que o dinheiro não está lá porque nunca chegou a entrar. Procura-o nos bolsos dos senhores de Sung. Nunca te surpreendeu a ostensiva abastança com que te recebem quando te convidam?

O PACIENTE



Dispa-se!, ordenou o médico. O paciente despiu-se pacientemente. Um tórax enfezado, uma barriga desmesurada, umas pernitas de barro. Auscultou-o, examinou-lhe ouvidos, olhos, boca, língua, fígado, intestinos, dói-lhe aqui? Sim, e aqui? Sim, senhor doutor.
O médico voltou a sentar-se, mandou-o vestir-se, escrevinhou longo tempo. O paciente impacientava-se. Por fim, passou-lhe a receita para as mãos e disse: Hum…
O paciente tossiu, limpou as mãos suadas às calças e interrogou docilmente: É mau, senhor doutor? Recebeu como resposta o monossílabo rouco e profundo: Hum…
Na receita figuravam exames, muitos exames: de engenharia financeira, de Economia produtiva, de créditos malparados, de endividamento insolvente, de retórica e propaganda.
Consultou um psiquiatra tal como fora prescrito. Ao fim de três horas penosas foi-lhe diagnosticada Ansiedade Geral crónica, psicose maníaco-depressiva, originada por uma debilidade hereditária , agravada por alterações metabólicas e endócrinas. Na fase maníaca o paciente mostrava desinibição extralimite da vontade compulsiva de rapinar e na fase melancólica a inibição atingiu as áreas produtivas da economia real. Manifestava igualmente uma fraqueza patológica do Eu dos outros, sobretudo árabes, chineses e revolucionários, a quem dirige um ódio visceral. Incapaz de contacto social pacífico e tolerante, desenvolve rapidamente comportamentos de agressividade, investindo e encomendando Ao Complexo industrial militar instrumentos sofisticados de matança. Ainda há pouco tempo este, o tal Complexo, gastava por ano um milhão de milhões de dólares. Um sinal inquietante da evolução da doença apresentava-se nas duas guerras coloniais sustentadas no Médio Oriente, que ajudam a afundar o Império, isto é, o paciente.
Os resultados dos exames foram definitivos: eminência de um colapso geral do sistema, depressão crónica, quedas produtivas e financeiras, impotência para entender e prever, ineficácia para enfrentar a realidade com os instrumentos normais ou já aplicados pelo célebre médico Keynes, o estado social arruinado propositadamente (sintoma alarmante de paixão patológica pelo sector privado).
O corpo já ostentava bolhas especulativas, o ventre inchara com as injecções de dinheiros do Estado, isto é, dos cidadãos contribuintes, o comportamento tornara-se parasitário, acumulando lucros gigantescos por meios especulativos e, por sua vez, os parasitas afogavam o corpo, intoxicando-o, com sinais de apodrecimento imparáveis.
Consultou um psicólogo, à força, obrigado pelos confrades, grandes ratazanas que esperavam o momento para saltarem do navio e salvarem o coiro. No termo de vinte consultas o especialista conseguiu levá-lo a entender de uma vez por todas que o problema residia numa crise cíclica de superprodução, sobrecapacidade produtiva face a uma procura global que foi decrescendo. A droga financeira de que o paciente abusou, se foi a salvação antes, envenenou-lhe o corpo.
Não se suicidou: mandou matar mais umas centenas de milhar, exigiu do Estado mais uns biliões que este, solícito, logo pagou, subtraiu para si uma dose e fez um cruzeiro pelos mares do sul.
Quando regressou, quase podre, envenenado, coberto de parasitas, mas tisnado pelo sol, ordenou que os jornalistas lhe viessem beijar os pés e proferiu um discurso sobre a salvação do mundo, escutado devotamente por milhões de crentes. Conquistou a maioria e a presidência.
Nesta altura ignora-se quanto tempo de vida sobra ao Sistema. Digo: corpo.

O CANTO DA FORMIGUINHA

O mundo é grande
e, no entanto, apenas um
dentre biliões de mundos possíveis.
Eu, somente um,
dentre biliões de seres tão reais quanto eu.
Viemos não se sabe como nem porquê:
outros já humanos existiram dezenas de milhões
de anos antes de nós. Melhor adaptados. Como se o mundo,
a vida, fosse feita para eles. E desapareceram.
Cada um de nós é um «sou» com pronúncia mal definida.
Uma combinação atómica que se desfaz por entropia,
tal como esta papoila tão frágil e tão teimosa.
Imperadores, reis, príncipes, magnatas poderosos,
todos imensamente poderosos,
volatilizaram-se no estômago de minúsculas mas insaciáveis criaturas.
Escreveram seus nomes na pedra ou no aço,
porém, nem como múmias ficaram vivos.
Somos filhos das estrelas,
que é um eufemismo para a palavra Inferno.
Deus não é nada,
a menos que seja um buraco negro,
ou aquela coisa estranha que não atrai nem emite luz
e que, todavia, preenche 95 por cento do espaço sideral.
O universo está cheio de deuses
tantos quantos forem os mundos habitados.
No entanto suspeito que o universo
tem por companheiro o inverso.
Como se o nosso fosse apenas uma ferida aberta
na infinita consciência de um Outro
inatingível mas vigilante.
«Evolução» é um nome que inventámos
para não admitirmos que a barata está mais adaptada do que nós
e, porém, não evolui há milhões de anos.
«Progresso» é outro nome que damos
à mesma ilusão pertinaz.
Por baixo dos progressos materiais
subjazem os mesmos erros e tendências.
Na verdade, não se verificariam progressos
se já não existissem os mesmos erros e tendências.
O maior desafio para a consciência humana
é construir um rumo de progressos
liberto desses erros e tendências,
já que nada garante essa possibilidade.
Os mitos e religiões localizaram o Paraíso nos Começos.
Nós, modernos, para o Fim o deslocámos .

POSTULADOS


  • Desconfio dos altruístas: parecem-me egoístas disfarçados.

  • Desconfio dos egoístas: parecem-me manipuladores.

  • A paixão amorosa obedece a um discurso retórico comum, senão até universal; é repetitivo e emerge do desejo e do receio. O que surpreende e a sua sinceridade.

  • Acredito na compaixão como um sentimento comum e natural. Sentimos compaixão porque não nos queremos encontrar em idêntica situação. Sentimos uma compaixão ainda mais sincera quando não queremos que esse ser se encontre nessa situação.

  • Tanto o egoísmo como o altruísmo radicam na natureza humana- naturalmente social- em parte inscrita na espécie, noutra parte socialmente aprendida, recebendo e dando forma a um padrão singular de cada indivíduo: uns são mais naturalmente altruístas do que outros. Tenho como certo que o desenvolvimento tanto de um como do outro comportamento depende da estimulação social. A gratificação que recebemos com um ou com o outro comportamento é que decide em última instância. Se a comunidade não castiga o egoísmo, antes pelo contrário, seremos impunemente egoístas.

  • A decisão de uma vida em comum manifesta uma grande evolução da Espécie, e novo progresso se verificou quando o interesse económico ou exclusivamente reprodutivo já não predominam. Uma boa parte desta evolução deve-se às ideias modernas do «amor romântico». A taxa dos divórcios acompanha esta evolução.

AFORISMOS


  • Pintámos em cavernas, projectámos imagens num estúdio às escuras, para um público hipnotizado. Ainda lá estamos.

  • Quando os teus olhos são verdes, vejo planícies onde volto a correr como em criança. Quando os teus olhos são azuis, voo atrás das gaivotas, como quando sonhava nas aulas.

  • A verdade não é a luz que ilumina uma mente obscurecida. É uma ferramenta com que se abre uma porta e ou se deita abaixo um muro.

  • Nunca, ou quase nunca, vi, no teu olhar, qualquer brilho de maldade. Ironia sim, malvadez nunca. Estaria cego?

  • O combate não pode circunscrever-se à conquista -ou preservação – de uma identidade colectiva -ainda que também o seja – mas à construção -ou preservação- de uma identidade individual. Uma sem a outra não vale de nada; uma na outra, vale tudo.

  • A tua boca fala-me de deusas, lendas e mitos. Não mas relata, evoca-mas. Revejo-te nos símbolos, nos ritos, nos mitos. Escrava e serva, feiticeira e sacerdotisa. Vens do fundo dos tempos. A tua boca soa-me a murmúrios, códigos secretos, sugestões. Mas é quando danças, ou escreves, que tudo sobe à superfície.

  • «Torna-te no que és». Porém, eu sou o que pude ser, não o que desejava ser. Serei apenas o possível?

  • Amei os teus pés quando pela primeira vez os vi. E dessa visão brotou instantaneamente um calor que até hoje não arrefeceu.

  • «Vive de tal modo que queiras repetir a vida que levaste outra vez; na verdade, tu retornarás». Não, Nietzsche, não quereria repetir os mesmos erros, e seguramente não retornarei.

  • Somos um punhado de átomos que pensam por um mero acaso. Outros átomos por esse vasto universo também pensam certamente. E naquilo que for verdade, pensarão exactamente da mesma maneira. É essa verdade que a filosofia em mim busca. Sem jamais saber que a encontrou.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA