quarta-feira, 27 de maio de 2009

DICIONÁRIO FILOSÓFICO

RELIGIÃO

Crença na existência de um deus único ou de diversos deuses

Três argumentos :
1º - Da Experiência: Mediante a experiência nas suas três modalidades: sensível, prática, científica, demonstra-se que o conteúdo dessa crença é inverídico.
2º- Da existência do Mal: A existência de males, quer por causas naturais, quer por causas humanas, demonstra que a existência de um deus omnipotente, omnisciente e misericordioso, é inverídica. O argumento, sobrante, de que existe um deus sem essas qualidades (sobre)humanas, não torna crível que tal seja dotado de um Plano, ou desígnio, para o universo (de resto, tal Plano oriundo de uma mente inteligente, seria sempre incognoscível e, portanto, sem utilidade.
3º- Os ateus não são, por causa disso, piores moralmente ou mais infelizes do que os crentes.


ESTÉTICA

A experiência do Belo

1º- A experiência estética tanto é composta de emoção como de conhecimento. A obra de arte sente-se (sensibilidade, emoção) num determinado contexto pessoal e social.
2º- Um europeu sente um objecto artístico de modo diferente de um indígena da Amazónia, conforme a sua cultura; não há dúvidas de que o segundo também produz, frui e possui necessidades artísticas e estéticas.
3º- A música «pura», isto é, que não possui tema algum, porém belíssima, ou a pintura «abstracta», demonstram que tanto a forma como o conteúdo (a arte que fala de algo) valem igualmente, em si mesmas, ou em conjunto.
4º- Tanto vale um objecto artístico «desinteressado», como um objecto perante o qual não é possível ficarmos «distanciados». A utilidade não se exclui necessariamente das qualidades de um objecto artístico, ainda que não seja obrigatória.

terça-feira, 19 de maio de 2009

LIVROS QUE LI RECENTEMENTE E QUE AMEI

Mil Sóis Resplandescentes, de Khaled Hossein (o autor do comovente O Menino de Cabul, do qual fizeram um excelente filme), Ed. Presença.
Sefarad, de Antonio Munhoz Molina, Ed. Notícias.
A Grande Guerra Pela Civilização, A conquista do Médio Oriente, de Robert Fisk, Ed. 70.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

PROPOSIÇÕES

I.
Desde, sobretudo, a queda do muro de Berlim, assistimos a dois fenómenos concomitantes: ao livre desenvolvimento do Capital, isto é, às suas manifestações mais despóticas, exploradoras e violentas, por um lado e, por outro, à «desinfestação» universal, sistemática e programada da Teoria Crítica, quer-se dizer, dos marxismos. Marx e seus seguidores, mesmo os mais tímidos ou moderados, foram irradiados, silenciados, remetidos para a pré-história, para um passado que o presente superou, venceu.
Duas consequências: no lugar da Teoria Crítica, isto é, de ciências sociais críticas, alojou-se a ideologia, a negatividade do particular sem a dialéctica com o universal, o ensino e a investigação subordinadas aos interesses imediatos da Empresa, os estudos do Mercado, ou seja, ao livre jogo da «mão oculta» dos mercados; entretanto, et pour cause, o capitalismo parecia florescer com aquele belo aspecto das papoilas que fornecem o ópio.
II.
A ideologia conservadora, obscurantista, manipuladora, fundamentalista, lançou gasolina (literalmente:petróleo) na fogueira do fundamentalismo reactivo (que os capitalistas haviam alimentado contra a URSS).
III.
A acumulação desenfreada capitalista ameaça rebentar como uma bolha gigantesca, potenciando ao limite a sua pulsão destrutiva. Qual a filosofia, qual a teoria crítica, que faz falta? Aquela que tem vindo a resistir, malgré tout, ou uma nova, ou renovada, que conquiste as massas para uma alternativa esperançosa? Tal projecto de uma Filosofia Do Futuro ainda pertence à Filosofia?

domingo, 17 de maio de 2009

COMENTÁRIO

«A Razão Pura nunca existiu.»,«Falta inventar um novo imperativo categórico.»
Existiu na Filosofia e com que força e tradição! Continua a subsistir, latente, em certos idealismos do século passado (e Husserl não está isento de modo algum). De resto, as metafísicas não morreram. embora se disfarcem de «espiritualismos» (e P. Ricoeur não está isento), de neo-teologias, de aflorações místicas. Se algum materialismo (no sentido filosófico) tende para reducionismos biologistas ou, inversamente, sociologistas, não pouco idealismo (no sentido filosófico) padece da tentação da 'transcendência', seja de um 'Ser' oculto, seja de uma divindade sobrenatural.
Quanto ao «imperativo categórico» ele depende da clarificação das condições que possibilitam o conhecimento objectivo, pois que a racionalidade não só é necessária como é possível; contudo, e ao invés do que afirmam certos cientistas que se scudam na «neutralidade», esse(s) imperativo(s) remetem para o domínio da acção (pessoal, colectiva), para a ética, para a política e para a estética. Os chamados «valores» não valem nada se não emergirem das e imergirem nas condições concretas (forças e relações de produção; habitus, status, 'capital simbólico' e ideologias), conhecendo objectivamente e agindo subjectivamente.
A estética é uma forma de acção humana, não poucas vezes de um indivíduo solitário que comunica e co-move um público, a ética não está ausente, nem mesmo uma determinada forma de intervenção política. De Nietzsche a Deleuze sabemos isso. Nem o Heidegger da 'segunda fase' consegue convencer-nos do contrário, apesar dos seus esforços de uma 'interpretação do sentido', depurado de imperativos éticos...Cabe normalmente (ou por definição?) ao filósofo formular conceitos, proposições e imperativos; não o exigimos ao artista; porém, quer este fale do amor, da solidão na grande cidade, quer fale da guerra, fala-nos ao coração...da mente. Mobiliza-nos. Nesses instantes intensos em que um B. Brecht, ou um Artaut, nos interpelam, ou F. Bacon, L. Freud, não esquecendo nunca Picasso, ou a fotografia de S. Salgado, sentimos que uma força externa nos sacode e desassossega. Não é esse estado que origina o filosofar?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

PARADOXOS

I.
Não existe uma Ideia Pura ou Modelo com mais realidade que os seres determinados, ou fenómenos. Toda a doutrina que se apoia nessa crença é uma religião qualquer e, ao mesmo tempo, uma justificação do poder qualquer que ele seja (Um Poder Absoluto sobre poderes relativos); portanto, justificação da submissão, da inferioridade. É o império da Moral. Os «modelos» (que são sempre abstractos) são modos de classificação indispensáveis quando utilizados para essa finalidade.
II.
A crença numa racionalidade pura, superior, único meio de alcançar a Verdade, é uma variante dessa crença religiosa. Não existe Verdade Absoluta, o verdadeiro é um dispositivo do discurso, o resultado de um processo operado por uma colecção de subjectividades que recorrem ao método dedutivo e à experiência. É o Diálogo, a Análise e a Síntese. E é também uma «guerra», com e sem comas, entre ideias e interesses, e o seu resultado.
III.
A Razão não é uma «faculdade», é uma competência, uma aptidão. Um mecanismo cortical. Um instrumento operativo que se revelou há muito tempo mais vantajoso no confronto com a Natureza e entre os homens organizados em sociedades de qualquer tipo. Os progressos do Ocidente nos últimos séculos devem-se em boa parte a uma racionalidade lógica, técnica e científica, que forjou em condições concretas e singulares.
IV.
O que é racional não virá a ser real mais tarde ou mais cedo só porque o é. Depende, entre outras condições, da correlação de forças, pois que a própria vontade de tornar real o que é racional depende do poder que se tem.
V.
Se o que é racional é, em parte embora não no todo, relativo e circunstancial, então o que é racional é uma opção entre outras. O que é hoje racional pode deixar de sê-lo amanhã. A racionalidade que se soube impor como dominante numa determinada sociedade não tem que ser, por isso, a mais justa e necessária, e não se adequar a outro tipo de sociedade.

domingo, 10 de maio de 2009

AUTORES DE DESTAQUE

SLAVOJ ŽIŽEK (Psicanalista e filósofo, investigador de Sociologia)
J.L. PIO ABREU (Psiquiatra do Hospital da U. de Coimbra)

LEITURAS ACONSELHÁVEIS EM CIÊNCIAS SOCIAIS

ŽIŽEK, Slavoj, A Subjectividade Por Vir, Ed.Relógio D’Água; Lacrimae Rerum, Ed. Orfeu Negro
Van DIJK, Teun A., Discurso, Notícia e Ideologia, Estudos na Análise Crítica do Discurso, Ed.Campo das Letras.
CASTORIADIS, Cornelius, O Mundo Fragmentado, As encruzilhadas do Labirinto, Ed. Campo da Comunicação
VAKALOULIS, Michel, O Capitalismo Pós-Moderno, Elementos para uma análise sociológica, Ed. Campo da Comunicação
AMIN, Samir, O Vírus Liberal, A guerra permanente e a americanização do mundo, Campo das Letras.
ESTANQUE, Elísio e Mendes, José Manuel, Classes e Desigualdades Sociais em Portugal, Um estudo comparativo, Edições Afrontamento, 1997.
ADORNO, Theodor W., Lições de Sociologia, Edições 70.
Bourdieu, Pierre, Meditações Pascalianas, Ed.Celta; Contrafogos, Celta.
DELEUZE, Gilles e Guattari, Félix, O Anti-Édipo, Capitalismo e Esquizofrenia 1, Ed.Assírio & Alvim.
ABREU, J.L. Pio, Como tornar-se doente mental, Ed. Dom Quixote.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A ESCOLA DE FRANKFURT : TEORIA CRÍTICA E FILOSOFIA DA COMUNICAÇÃO

A primeira Escola de Frankfurt- A crítica do pensamento instrumental e das sociedades burocráticas.
Horkheimer, Adorno
Marcuse (A crítica da sociedade tecnológica; o pensamento unidimensional)
A segunda Escola-
Karl-Otto Apel
J. Habermas: os três interesses do conhecimento e a Ética da Discussão.

Tema actual: A crítica da racionalidade ocidental dominante.

BEETHOVEN (1770-1827)

Algumas sugestões para quem conhece e ama Beethoven pelas suas sinfonias, nomeadamente a EROICA (sinfonia nº3), as sinfonias nº 5, 6 (Pastoral), 7 e 9:
Sonata para piano nº2, Op. 27 (Sonata ao luar), Sonata para piano em dó menor, Op. 13 (Patética), Sonata para piano e violino em lá maior Op. 47 (Kreutzer)
Sonata para piano nº2 em ré menor Op.31, Concerto para piano nº4 em sol maior Op.58, Concerto para violino em ré maior Op. 61,
E o extraordinário Quarteto Op. 59, em fá maior, mi menor e dó maior
Sonata para piano em si bemol maior Op. 106
Quartetos: Op. 127, 132, 130 e Op. 133 (Fuga Final)
Quarteto em dó sustenido menor Op. 131 e Quarteto em fá maior Op. 135 (últimos)- Absolutamente imperdíveis
!

Ainda ANTONIO MACHADO (1875-1939)

Caminante,son tus huellas
El camino, y nada más;
Caminante,no hay camino,
Se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se há de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
Sino estelas en la mar
.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ANTONIO MACHADO (nasceu em Sevilha em 26 de julho de 1875)

El ojo que ves no es
Ojo porque tú lo veas;
Es ojo porque te ve.

Para dialogar,
Perguntad primero;
Después…escuchad.

Todo narcisismo
Es un vicio feo,
Y ya viejo vicio.

Mas busca en tu espejo al outro,
Al outro que va contigo.
Entre el vivir y el soňar
Hay una tercera cosa.
Adivínala.

Esse tu Narciso
Ya no se ve en el espejo
Porque es el espejo mismo.

Busca a tu complementario,
Que marcha siempre contigo,
Y suele ser tu contrario.

- Mas el arte?...
- Es puro juego,
Que es igual a pura vida,
Que es igual a puro fuego.
Veréis el ascua encendida.

terça-feira, 5 de maio de 2009

EPICURO de Samos

"A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, não existe a morte; e quando existe a morte, já não existo."
- Variante: "A morte, temida como o mais horrível dos males, não é, na realidade, nada, pois enquanto nós somos, a morte não é, e quando esta chega, nós não somos."
- Fonte: Carta a Meneceo, 125.


"Faz tudo como se estivesses a ser contemplado."

"Verdade é que o homem sensato não evita o prazer, e quando finalmente as circunstâncias o obrigam a deixar a vida, ele não se comporta como se esta ainda lhe devesse algo para a suprema existência."

"A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade."

"Dentre os desejos, alguns são dependentes da natureza e necessários; outros são dependentes da natureza, porém não necessários; outros, ainda, nem são dependentes da natureza nem necessários, mas oriundos duma vã ilusão."

"Se não podemos ver-nos, trocar ideias, nem estar em companhia um do outro, o sentimento do amor evaporar-se-á em pouco tempo."

"Se não podemos ver-nos, trocar ideias, nem estar em companhia um do outro, o sentimento do amor evaporar-se-á em pouco tempo."

"Quem exige ajuda constante, e, do mesmo modo, quem nunca a presta, não é amigo. O primeiro quer comprar o nosso esforço com o seu afecto; o segundo nos rouba, para todo o futuro, a esperança consoladora."


"Devemos indagar por ocasião de todos os desejos: o que há de acontecer quando o meu apetite for satisfeito, e o que acontecerá se ele não o for?"

"As leis existem para os sábios, não para que não pratiquem injustiças, mas para que não as sofram."

"Não podemos viver felizes se não formos justos, sensatos e bons; e não podemos ser justos, sensatos e bons sem sermos felizes."

"Nenhum prazer é em si um mal, porém certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior número de males que de prazeres."

"O impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam."

EPICURO

«Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é omnipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malévolo. É capaz e deseja? Então porque existe o mal? Não é capaz nem deseja? Então porque chamamos Deus?»
Máxima atribuída a EPICURO

sexta-feira, 1 de maio de 2009

DIÁRIO -1

Que falta de razão leva incontáveis seres humanos, ao longo de incontáveis gerações, de tantas e diversas culturas, a acreditarem que depois da morte há vida, que possuem uma alma e,esta, imortal, que existe um mundo ou infernal ou paradisíaco, que existem seres sobrenaturais?
O medo. A recusa de admitirem a nossa absoluta finitude (a de cada um em particular).
E a esperança, irmã do medo. Para aqueles cujas vidas foram e são um permanente sofrimento.
Esta absurda crença é o pão e o chicote com que os poderosos acenam ou ameaçam os ignorantes;é o catecismo que, com histórias da carochinha, grudam na mente das crianças; é o prémio que, com retóricas e valores inúteis, convencem o desesperado a tornar-se mártir.
A religião exprime, melhor do que outra coisa, a miséria do género humano.

O ENCONTRO

Era um dia chuvoso e frio de Abril, sexta-feira. Gastara duas horas no interior do ‘Monumental’, vi um filme, não era mau, engolira um café lenta e pausadamente, olhando sem ver pessoas andando para trás e para diante, vinha-me à memória não a história do filme mas o livro que acabara de ler no serão de domingo passado, isolado no meu covil confortável, Quando Nietzsche chorou, de Irvin Yalom, um autor para mim desconhecido, um nome claramente judaico, Freud também o foi, e talvez Breuer, narrando com extrema perícia as improváveis entrevistas do filósofo com o médico ilustre, Breuer. Não me apercebi do olhar fixo em mim. Concentrado na minha solidão, na solidão de Nietzsche, na paixão de Breuer pela sua paciente Ana O., não via que estava sendo visto. De súbito, como às vezes sucede por uma misteriosa interpelação, senti que devia olhar para trás. E vi-o. Era eu! Não, pois que é impossível que fosse eu, era eu sem ser eu. Não vestia como eu, tinha menos quarenta anos, pelo menos, que eu. Mas eu reconhecia-me nele, abriu-se na memória uma fotografia de mim próprio com essa idade, estudante universitário, cabelo negro, olhos escuros e densos de melancolia, a barba negra que mal deixava despontar. Não afastou os olhos quando eu o encarei, apenas sorriu quase imperceptivelmente ao notar com certeza a minha profunda perturbação. Depois ergueu-se com aquele jeito de se movimentar que eu tinha naquela idade. Estremeci, dirigia-se para mim. «Posso?», e sentou-se. Eu, naquela idade, era mais tímido (ou orgulhoso, não fosse receber uma recusa). Comecei eu (engasguei-me):
-Estou a sonhar? Terei um irmão sem o saber? Um filho varão?
-Não serás tu o meu sonho?
-Ou alguém sonha-nos…
-Talvez. Eu sinto-me bem real, e tu? Notas em ti sinais de que sonhas? Tu, que ensinas Psicologia…
-Como sabes??
-Se eu apenas for um sonho que estás sonhando, sei tudo sobre ti…
-Bem se vê que és novato…se sonhamos é precisamente porque algo não sabemos de nós mesmos. Alguma coisa nos impede. Mas ponhamo-nos à prova a ver qual de nós sonha dormindo…
-Ou sonha acordado. Bem vês, não eras tão noviço com a minha idade quanto dizes. Bem, põe-me à prova!
- Quem faleceu primeiro: o meu pai ou a minha mãe? Quantos irmãos tive, estão ainda vivos todos eles? Qual foi o nome da minha primeira namorada, um amor que jamais esqueci?
-Pára por um momento, é de rajada! Eu respondo.
(E acertou em todas as perguntas. A primeira perturbação que me deixara extremamente nervoso, dava agora lugar ao espanto e ao fascínio irreprimível da curiosidade. Os acasos, naquilo que têm de misterioso, sempre me conduziram tanto para largos caminhos como para abismos. E lancei-lhe mais umas perguntas.)
- Que idade tens?
-22 anos. Fazemos anos em Agosto.
-Estudas?
-Claro. Na Universidade. O mesmo que tu estudaste. Um grande mestre influenciou-me tal como te aconteceu.
-Que ensinava ele? Professor no Liceu?
-Sim, do 6º ano no teu caso, o que equivale hoje, mais ou menos, ao 11º ano. Professor de Filosofia. Falava-nos à mente e ao coração, bem humorado mas não divertido, escrevia bem, dedicava-se à fotografia nos tempos livres, fez-me gostar de música clássica, tinha uma especial predilecção por Freud e Marx, mas reservava a exploração desses temas e de outros para os nossos encontros no café…
-Na esplanada…observando e comentando as pessoas que passavam…
-Exacto. E namorei uma colega da turma, tal como tu.
-E deixaste-a, abandonaste-a miseravelmente…
-Tal como tu. Uma imensa paixão que arrefeceu subitamente.
-És, ou eras então, muito novito. Perdoa-te a ti mesmo.
- E tu? Perdoaste-te?
(Silêncio.)
- Tenho 22 anos. O que me espera?
- Alegrias e sofrimentos, na mesma proporção, mas por esta ordem: primeiro uma intensa alegria, depois uma dolorosa agonia. Porém, sobreviverás.
- Aprenderei o sentido da vida?
-Questão mal formulada: o sentido da tua vida. Provavelmente não aprenderás. Retirarás somente conclusões, lições não.
- A vida, a minha ou doutrem, não é um projecto?
- Sê-lo-á sim se quiseres e preferires. Mais do que um. E sempre corrigível.
-Sei tudo sobre ti, o que fizeste, o que não fizeste, o que sonhaste, o que perdeste. Vou vivê-la. Repetirei a tua vida.
-Se és eu, não te resta outra alternativa. Torna-te no que és, escreveu alguém muito sábio que viveu a solidão como forma de vida. Não a solidão do eremita, mas daquele que, convivendo, agindo, amando, nunca desesperou.
- «Percebo que a chave para viver bem é primeiro desejar aquilo que é necessário e, depois, amar aquilo que é desejado.»
(Encarei-o com surpresa redobrada: acabara de citar uma frase do livro Quando Nietzsche chorou…)
Saímos juntos. Perguntei-lhe onde morava, respondeu-me ‘numa residência de estudantes’.
- Ver-nos-emos algum dia? Se vais repetir a minha vida…
(Fixou-me um olhar com um subtil brilho matreiro)
- Se alguém estiver, afinal de contas, a sonhar-nos, a vida de ambos é apenas um sonho…
(E partiu, apressado, para o Metro. Durante toda a viagem de regresso a minha casa, esfreguei os olhos várias vezes. Não notava em mim sinal algum de que estava, ou estivera, dormindo.)

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA