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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

David Harvey - o geógrafo marxista mais citado no mundo


Em "O Enigma do Capital", David Harvey parte da análise da crise de 2008 para demonstrar que ela não difere de outras ocorridas no passado. Segundo o autor, são riscos criados pelo livre mercado, um problema nunca solucionado pelos economistas. Harvey, o geógrafo acadêmico mais citado do mundo, é um pensador das teorias marxistas aplicadas às crises do século 20 e 21. Entre outros livros, também assina "O Novo Imperialismo", "Espaços de Esperança", "A Produção Capitalista do Espaço" e "Condição Pós-Moderna".
Divulgação

"Wall Street teve seu tempo e falhou miseravelmente", diz David Harvey
O capital é o sangue que flui através do corpo político de todas as sociedades que chamamos de capitalistas, espalhando-se, às vezes como um filete e outras vezes como uma inundação, em cada canto e recanto do mundo habitado. É graças a esse fluxo que nós, que vivemos no capitalismo, adquirimos nosso pão de cada dia, assim como nossas casas, carros, telefones celulares, camisas, sapatos e todos os outros bens necessários para garantir nossa vida no dia a dia. A riqueza a partir da qual muitos dos serviços que nos apoiam, entretêm, educam, ressuscitam ou purificam são fornecidos é criada por meio desses fluxos. Ao tributar esse fluxo os Estados aumentam seu poder, sua força militar e sua capacidade de assegurar um padrão de vida adequado a seus cidadãos. Se interrompemos, retardamos ou, pior, suspendemos o fluxo, deparamo-nos com uma crise do capitalismo em que o cotidiano não pode mais continuar no estilo a que estamos acostumados.
Ao longo dos últimos quarenta anos os quadros institucionais organizados de tal resistência à descivilização do capital foram destruídos, deixando para trás uma estranha mistura de velhas e novas instituições, que tem dificuldades em articular uma oposição coesa e um programa alternativo coerente. Esta é uma situação que prenuncia uma situação de dificuldades tanto para o capital quanto para o povo. Isso leva a uma política de après moi le déluge, em que os ricos fantasiam que podem flutuar com segurança em suas arcas bem armadas e bem aprovisionadas (é isso o que a aquisição de terras globais significa?), deixando o resto de nós com o dilúvio. Mas o rico não pode ter a esperança de flutuar sobre o mundo que o capital fez porque agora literalmente não há lugar algum para se esconder.
in Folha de São Paulo, Livraria da Folha, on-line

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