sábado, 20 de outubro de 2012

LUCRÉCIO- fragmento do livro "De rerum natura" (Da natureza das coisas), uma das maiores obras do espírito humano.


Tanto assombram tamanhas maravilhas! .
Que saciados de as ver todos, apenas
Por uma ou outra vez os céos contemplam.
Bem que te maravilhe a novidade,
Não deixes  de attender-me, antes procura
Pezar minhas razões, e abraçal-as 
Com mór affinco, sendo verdadeiras,
Ou bem dar-lhes d'encontro, se são falsas.
Sendo,pois, do Universo immenso o espaço,
Transponho os seus limites, e examino
O que existe além d'elles, e até onde
O livre pensamento arroja o voo.
      Já mostrei ser infindo o grande  Todo:
Em baixo, em cima, á dextra, e á sinistra,
Limite algum não ha: a evidencia,
E a essencia do vacuo  o apregoam.
Se, pois,  é, como disse, infindo o espaço,
E se de germes a turba innumeravel,
Ab aeterno movidos variamente,
Nada no vacuo sob  várias  fórmas,
Póde crer-se, que só  fosse creado
Este universo mundo  e firmamento,
E que em inacão fossem   tantos atomos?
Mórmente,  sendo pela  natyreza
Creado este universo, e sendo  os atomos
Em  um contínuo moto, e encontrando-se
Ao acaso,  e debalde por mil modos.
Emfim coadunados produziram
Essas massas, que  foram o principio
Da terra, e mar, de todo o ser vivente. [1063]
Pelo que é forçoso, que confesses,
Que outros ajunctamentos de materia
Deveram conjunctar-se, como aquelle,
Que ávido abraça o ar no espaço immenso.
Havendo, pois, materia em cópia tanta,
E espaçoso logar sem obstaculo,
Seres por certo houveram de gerar-se.
Se dos germes é tanta a cópia immensa,
Que dos animaes todos as edades,
Para contal-os, bem não abastaram;
Se têm para adunar-se a mesma força,
E a mesma natureza de aggregar-se,
Que os mais atomos têm d'este universo,
Confessar é forçoso, que no espaço
Outros mundos existem, outros homens,
E de outros animaes especies varias.
      Accresce, não haver na natureza
Individuo algum, que nasça e cresça
Unico em sua especie, e que não seja
Pertença de uma classe innumeravel.
Se os animaes primeiro considerares,
D'esta arte os acharás em toda a especie,
Relés de errantes feras montezinhas, 
Immensa turba de homens; e cardumes
De peixes escamosos, de volateis.
Corre a mesma razão, para assentarmos,
Que a terra, lua, e sol e mais cousas
Não são sós, mas em numero sem conto;
Pois sua duração é limitada,
E dá-se em todos elles nascimento, (...)


Tradução de Agostinho Mendonça de Falcão (1890)
[mantém-se a ortografia original bem como o verso]

Titus Lucretius Carus (ou Tito Lucrécio Caro, na forma portuguesa; ca. 99 a.C. – ca. 55 a.C.) foi poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C..



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