segunda-feira, 31 de março de 2014

Estadista, orador e filósofo romano

Marco Túlio Cícero

13 de janeiro de 106 a.C., Arpino (Itália)
7 de dezembro de 43 a.C., Formia (Itália)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
[creditofoto]
Marco Túlio Cícero, estadista, orador e filósofo romano
Estadista, orador e filósofo romano, Marco Túlio Cícero nasceu a 13 de janeiro do ano 106 a.C. em Arpino, Itália, e morreu em 7 de dezembro de 43 a.C. em Formia, Itália. Recebeu aprimorada educação, com os maiores oradores e jurisconsultos de sua época.

Seu primeiro triunfo no Fórum de Romaocorreu em 80 a.C., quando defendeu Sextio Róscio Amerino, num processo que assumiu importância política, pois contra o acusado estava o ditador Sila. Para escapar à vingança, Cícero viajou para a Grécia, onde se dedicou ao estudo da filosofia. Voltou a Roma depois da morte de Sila, já com grande prestígio.

Em 76 a.C. foi eleito questor para servir na Sicília, fazendo-se respeitar pelo povo como administrador justo. Sua reputação cresceu em 70 a.C., com a acusação ao ex-governador da Sicília, Caio Licínio Verres, por extorsões. Pouco depois foi eleito edil (69 a.C.) e pretor (66 a.C.).

Como pretor, Cícero fez seu primeiro pronunciamento político importante ao reivindicar para Pompeu o comando das tropas romanas, com o apoio dos "optimates" (elementos conservadores do Senado). Em 63 a.C., eleito cônsul, tem duas vitórias expressivas: defende, com êxito, o senador Caio Rabírio contra a acusação de traição lançada por Júlio César, e denuncia a conspiração do anarquista Catilina, pronunciando as quatro célebres "Catilinárias".

Ainda contra a vontade de César, pede ao Senado a morte dos conspiradores, sem julgamento, o que é aprovado. A ameaça de Catilina havia unido todos os conservadores, e Cícero, no auge da sua carreira, aclamado como salvador da república, pretende estabelecer a política do "acordo entre as classes".

Para realizar seu propósito, necessitava de forte apoio político e pensou encontrá-lo em Pompeu, mas este se uniu no primeiro triunvirato a César e Crasso, permitindo a eleição de Clódio, inimigo político de Cícero, para o tribunato. Ameaçado por Clódio, que substituía César em Roma durante a guerra na Gália, Cícero exilou-se.

Um ano mais tarde, volta em triunfo a Roma, chamado por Pompeu, mas evita os compromissos políticos, dedicando-se a escrever livros. O assassino de Clódio deu-lhe oportunidade de defender o criminoso, mas, tendo que se submeter às novas regras processuais, não conseguiu ler o elaborado discurso que havia preparado, o que provocou a condenação do réu, Milone.

No ano seguinte, Cícero foi designado como procônsul, para o governo da Cilícia. Ao regressar, no final do ano 50 a.C., encontra Roma mergulhada na guerra civil entre as tropas de Pompeu e César. Ligado ao primeiro, abandonou-o, contudo, após a derrota de Farsália, mas, tornando-se suspeito tanto aos olhos dos vencidos como aos dos vencedores, teve de esperar pelo perdão de César para voltar a Roma.

Cícero permaneceu afastado da política por quase dois anos, elaborando suas obras filosóficas. Em 44 a.C., contudo, o assassinato de César permite a ascensão de Marco Antônio, cujas ambições ditatoriais Cícero denuncia nas veementes "Filípicas". Na última das "Filípicas", ele exalta a vitória de Otávio, filho adotivo de César, cujas reivindicações estimulara contra Marco Antônio.

Otávio, no entanto, vencedor na guerra, constitui com Marco Antônio e Lépido o segundo triunvirato. Seguem-se as execuções dos oposicionistas, e Cícero é um dos primeiros a cair, em dezembro de 43. Sua cabeça e suas mãos decepadas são expostas ao povo nas tribunas dos oradores no fórum romano.

Para entender a organização do governo em Roma, pode-se ler um interessante texto, escrito pelo historiador grego Políbio, que foi testemunha ocular da vida na república romana.

Cícero teve um caráter indeciso, além de exagerada vaidade, e cometeu numerosos erros políticos. Sempre subestimou seus oponentes e exagerou as virtudes dos amigos. Parecia não compreender a debilidade fundamental da administração da república romana: ausência de mecanismos asseguradores da lei e da ordem e o controle dos exércitos. Mas sua honestidade, patriotismo e dons intelectuais são incontestáveis. De temperamento moderado e oportunista, soube mostrar grande energia ao debelar a conspiração de Catilina e opor-se a Marco Antônio, no fim da vida.
 

Filósofo eclético

Grande intelectual, nos anos de ócio forçado pela ditadura produziu verdadeira biblioteca de escritos filosóficos. Como filósofo, Cícero foi eclético, divulgador do pensamento grego. A ele devemos o conhecimento de muitas doutrinas que, de outro modo, estariam perdidas. Dotou, primeiro Roma, depois a Europa, de um vocabulário filosófico. Conceitos como "qualidade", "individual", "indução", "elemento", "definição", "noção", "infinidade", etc. foram por ele introduzidos na língua latina.

A maior parte de seus trabalhos filosóficos foi escrita entre 45 e 44 a.C.. Anteriores a essa data são: "Sobre a república" e "Sobre as leis", em que tenta interpretar a história romana em termos da teoria política grega. Outras obras são: "Sobre a consolação" e "Sobre os objetivos da ética", exposição e refutação do epicurismo e do estoicismo; "Discussões em Túsculo", diálogos sobre a dor, a morte e a virtude; "Sobre a natureza dos deuses", "Catão o velho ou sobre a velhice", "Sobre a adivinhação", "Sobre a amizade" e "Sobre os deveres".

Representante da latinidade clássica, Cícero teve através dos séculos uma influência enorme. Na Idade Média - e até o século 18 - os homens cultos da Europa inteira falaram e escreveram a língua de Cícero, que, quando não precisa de efeitos retumbantes - como nas cartas particulares -, tem estilo elegante e coloquial.

Sob a égide de Cícero criou-se o tipo do "homem de letras": sob esse aspecto, sua inconstância política é a do intelectual, inconformado com a disciplina partidária e por isso sempre alvo de apreciações divergentes. Algumas de suas obras nos deram grande parte do atual conhecimento da filosofia grega, enquanto outras influenciaram profundamente a ética cristã e a moral leiga moderna, pela sua compreensiva sabedoria humana.

O filósofo e escritor grego Plutarco escreveu uma instigante biografia sobre Cícero.
 
Enciclopédia Mirador Internacional
Samir Amin

Economista egípcio, nascido em 1931, é um dos principais representantes da nova geração de economistasafricanos. Ex-diretor do Instituto de Desenvolvimento e Planificação da ONU, dirige atualmente o InstitutoAfricano de Desenvolvimento Económico e Planeamento, em Dakar. Especialista em subdesenvolvimento,defende um projeto de socialismo global baseado na constatação de que a lógica dominante do sistemacapitalista perpetua as diferenças entre o centro e a periferia. Assim, a principal tarefa é a construção deum sistema político global que, não estando ao serviço do mercado global, define os seus parâmetros. Paramodelar este sistema mundial alternativo, Amin coloca duas condições gerais: por um lado o sistemamundial deve ser genuinamente democrático, por outro lado deve ser policêntrico, isto é, o mundo deve serreorganizado com base em grandes regiões (por exemplo, Europa, África, etc.).


in Infopédia

quarta-feira, 26 de março de 2014

“Revolução é processo, não evento”, afirma David Harvey

15/3/2014 1:15
Por André Antunes, no Blog da Editora Boitempo - de São Paulo

Harvey é um dos maiores pensadores marxistas da atualidade
Harvey é um dos maiores pensadores marxistas da atualidade
Um dos mais influentes pensadores marxistas da atualidade, o geógrafo britânico David Harvey esteve no Brasil para divulgar o lançamento de seu livro Os limites do capital. Escrita há mais de 30 anos, a obra ganhou sua primeira versão em português, mas, segundo Harvey, isso não significa que tenha ficado ultrapassada – ao contrário. Pioneiro em sua análise geográfica da dinâmica de acumulação capitalista descrita por Marx, o livro, assim como grande parte da obra de Harvey, tornou-se mais relevante para entender os efeitos da exploração econômica dos espaços urbanos e suas consequências para os trabalhadores, ainda mais numa conjuntura marcada pela eclosão de protestos contra as condições de vida nas cidades, não só no Brasil, mas também na Europa, América do Norte e África. Nesta entrevista, Harvey faz uma análise dos levantes urbanos que ocorrem em todo mundo, aponta que não será possível atender às reivindicações por meio de uma reforma do capitalismo, e defende: é preciso começar a pensar em uma sociedade pós-capitalista.
– Os limites do capital foi escrito há mais de 30 anos. Desde então o capitalismo sofreu mudanças profundas. Qual é a atualidade dessa obra para entender o modelo de acumulação capitalista hoje?
– O livro explora a teoria de Marx sobre acumulação de capital para entender as práticas de urbanização ao redor do mundo em vários lugares e momentos históricos diferentes. Minha investigação sobre as ideias de Marx se estenderam para uma análise de coisas como a renda fundiária, preços de propriedades, sistemas de crédito.
Uma coisa curiosa aconteceu: a análise de Marx era sobre o capitalismo praticado no século XIX. Na época em que comecei a escrever Os limites do capital, havia muitos aspectos do mundo ao meu redor que não se encaixavam com a descrição de Marx: tínhamos um Estado de Bem-estar Social, os Estados estavam envolvidos na economia de diferentes formas, havia arranjos de seguridade social e movimentos sindicais fortes em muitos países. Mas aí veio a chamada contrarrevolução neoliberal depois dos anos 1970, com Margareth Thatcher, Ronald Reagan, as ditaduras na América Latina, e o capitalismo regrediu para sua forma do século XIX. Por exemplo, houve o desmantelamento de muito da rede de seguridade social em boa parte da Europa e América do Norte; o capital se tornou muito mais feroz em sua relação com movimentos trabalhistas; as proteções que vinham de Estados que eram em algum grau influenciados por movimentos políticos de esquerda foram desmanteladas em boa parte do mundo. O que vimos desde os anos 1970 é um aumento da desigualdade social, que é precisamente o que Marx disse que aconteceria caso adotássemos um sistema de livre mercado. Adam Smith postulava que se tivéssemos um livre mercado seria melhor para todos. O que Marx mostra no O Capital é que quanto mais perto de um livre mercado mais provável é que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. E essa tem sido a tendência por grande parte do mundo desde os anos 1970 por conta do neoliberalismo.
De uma maneira curiosa, por essa razão, Marx se tornou mais relevante para entender o mundo hoje do que era na época em que escrevi o livro. Ao mesmo tempo, muitas das lutas que vemos ao nosso redor agora são lutas urbanas em vez de lutas baseadas em unidades fabris, de modo que ligar a dinâmica do que Marx descrevia com a dinâmica da urbanização se tornou mais relevante.
– E o papel dos centros urbanos na dinâmica de acumulação capitalista, como mudou ao longo desse período?
– O capital produz constantemente excedentes, e uma das coisas que aconteceu é que a cidade se tornou um local para a absorção de capital excedente. Muito desse dinheiro foi para construção de estruturas, em alguns casos para a construção de megaprojetos. O capital adora esses megaprojetos, como os envolvidos em Copas do Mundo e Olimpíadas, porque são uma ótima oportunidade para gastar muito dinheiro na construção de novas infraestruturas, o que levanta uma questão interessante: essas novas infraestruturas acrescentam algo à produtividade do país? Se você for para a Grécia, vai ver um país essencialmente falido, com esses estádios vazios ao redor, que foram construídos para um evento que durou algumas semanas. A maioria dos lugares que sediam esses eventos tem problemas financeiros sérios depois mas, no processo, as empreiteiras, construtoras e financiadoras ganham muito dinheiro. Ao longo dos últimos 40 anos, o capital excedente foi cada vez mais canalizado para mercados de ativos, como os direitos de propriedade intelectual, em que você investe no controle de patentes e vive da renda, sem fazer nada. E, da mesma forma, as cidades, as propriedades urbanas, se tornaram ativos muito lucrativos. O que vemos hoje nos mercados imobiliários é que é quase impossível para a maioria da população encontrar um lugar para viver que não absorva mais da metade de sua renda. Esse é um processo mundial: tivemos uma crise na habitação nos Estados Unidos, na qual o mercado de propriedade entrou em colapso. Em Nova York, Los Angeles e São Francisco os preços estão subindo, e vemos o mesmo fenômeno na Europa: tente achar um lugar para morar em Londres, em Paris. Mais e mais dinheiro está sendo extraído das pessoas na forma de aluguel. Isso é interessante, porque há um deslocamento da exploração do trabalho e da produção para explorar as pessoas em termos de extração de aluguel de seu local de moradia. O capital consegue inclusive fazer concessões aos trabalhadores e recapturar esse dinheiro que o trabalhador ganha aumentando o valor do aluguel.
– Você trabalha atualmente em um livro que lista 17 contradições do capital: pode falar um pouco sobre elas a partir da crise de 2008?
– A forma como as contradições funcionam é que elas estão interconectadas. O que houve em 2008 foi uma serie de contradições: entre valor de uso e de troca, entre a forma do dinheiro e o valor que ele deveria representar e entre aspectos da propriedade privada e o poder do Estado. Todas essas contradições se juntaram para criar um ambiente propício ao acontecimento da crise na habitação. Por exemplo: você olha uma casa, e há uma contradição entre encará-la em termos de valor de uso e valor de troca. Em algum ponto a casa se torna uma forma dupla de valor de troca, porque as pessoas que compram a casa a veem como uma forma de poupança. E mais tarde eles compram uma casa como uma forma de investimento, uma forma de ganhar dinheiro. Em vez de comprar uma casa para morar, as pessoas compram casas para reformá-las e vendê-las, para ganhar dinheiro em cima disso. Então se o mercado imobiliário está em alta, é possível ganhar muito dinheiro muito rápido com esse processo, e o resultado disso é que as vizinhanças se tornaram instáveis, porque ninguém mora e cuida do local, só usam a casa para ganhar dinheiro. E ao mesmo tempo, há muita especulação para tentar elevar o valor da casa por meio de ajustes superficiais, o que não é um problema em si, até que o mercado imobiliário despenque, porque as coisas não podem subir para sempre. Se começa a cair, todo mundo vende rapidamente e você tem o crash que vimos nos Estados Unidos em 2007-2008, e também na Espanha, Irlanda e em muitas partes do mundo. Essa tensão entre valor de troca e de uso é importante, mas é importante olharmos também para a forma como tudo é monetarizado. Há uma forma interessante com que o dinheiro começa a gerar mais dinheiro, esse aspecto especulativo do dinheiro. Eu poderia ter uma casa em Nova York sem a menor ideia de quem é o proprietário porque as hipotecas são divididas em pedacinhos e uma parte dela está na Alemanha, outra em Hong Kong e ninguém consegue descobrir de quem é a dívida. Isso é uma ficção que aconteceu por causa da maneira como o sistema monetário evoluiu.
A outra contradição é entre o Estado e a propriedade privada. O que vemos é que, em países como os Estados Unidos, o Estado vem incentivando a compra de casa própria nos últimos 40 anos, criando novas instituições financeiras para apoiar a aquisição da casa própria, dando isenções de impostos se você é proprietário, a um ponto que todo mundo tem que se tornar um proprietário, quando isso não é economicamente racional em mercados especulativos desse tipo. Entre 4 e 6 milhões de pessoas foram despossuídas de suas casas nos Estados Unidos através dessa crise de execução de hipotecas. Quando perguntaram para as pessoas por que elas achavam que isso tinha acontecido, quem elas culparam? Elas mesmas. É exatamente o que os neoliberais dizem que você deve fazer. Vivemos num mundo em que o modo de pensar neoliberal se tornou profundamente arraigado: essa ideia de que nós como indivíduos somos responsáveis por sermos pobres. Como dizer para as pessoas que não é culpa delas, que é um problema sistêmico? É como o capital funciona, especialmente na sua forma de livre mercado, e se você é pobre você é um produto deste sistema. A única maneira de solucionar isso é mudando o sistema, o que quer dizer que é preciso tornar-se anticapitalista.
– Na sua avaliação, as manifestações que acontecem no Brasil apontam uma insatisfação da população brasileira aos efeitos concretos dessas contradições?
– Em vários lugares do mundo, atualmente, você vai encontrar um sentimento de profunda insatisfação. Há um grande descontentamento, mas acho que em nenhum desses lugares emergiu um movimento consolidado em termos de um entendimento de para onde esse descontentamento deve ser canalizado e o que deve ser feito para mudar esse quadro. Como resultado, o que você vê são essas erupções contínuas ao redor do mundo. Eu vejo que há um sentimento de descontentamento mundial que não está sintetizado, mas é interessante notar como ele entra em erupção e ninguém espera.
Ninguém esperava o que aconteceu no Brasil, foi uma surpresa. Ninguém esperava o que aconteceu na Praça Taksim, em Istambul, em Estocolmo, em Londres. O que se vê é um padrão global de expressões de descontentamento, que não localizaram o problema central, mas que são indicações de um descontentamento profundo com a maneira como o mundo caminha. Para mim, a melhor forma de se analisar isso é olhar quão bem o capital está indo. A maneira mais simples de ilustrar isso é olhando para a desigualdade de renda. Dados de vários países ao redor do mundo mostram que os 2% de maior renda entre a população saíram da crise muito bem e na verdade ganharam muito dinheiro com ela, enquanto o padrão de vida do resto encolheu.
Isso varia de um país para outro, mas dados da Oxfam apontam que os 100 maiores bilionários do mundo aumentaram sua riqueza em US$ 240 bilhões só em 2012. O número de bilionários aumentou dramaticamente nos últimos cinco anos, não só nos Estados Unidos: esse número dobrou na Índia nos últimos três anos, há muitos bilionários no Brasil, o mais rico do mundo é Carlos Slim, do México, há bilionários surgindo na Rússia, na China. Os dados mostram que o capital está indo extremamente bem.
– É possível atender às reivindicações das ruas com uma reforma no capitalismo?
– As opiniões variam na questão de o quanto podemos extrair das dificuldades atuais e ainda termos um capitalismo dinâmico. Minha análise é que será muito difícil desta vez. Certamente é possível acabar com alguns dos excessos do capitalismo neoliberal e certamente podemos ter um tipo de capitalismo mais socialmente justo, com redistribuição modesta de riqueza das classes abastadas para as classes médias e baixas. Há possibilidades de reforma do sistema e eu obviamente as apoiaria. Mas não acho que elas vão resolver o problema. Acho que a quantidade de riqueza que pode ser redistribuída é relativamente limitada. Em segundo lugar, falta poder político para fazê-lo. Temos uma situação agora em que essencialmente o poder político, a mídia, estão completamente capturados pelo grande capital, e a barreira política para fazer algo além de medidas pontuais é imensa. Temos uma oligarquia global que controla essencialmente toda a riqueza mundial, a mídia, os partidos políticos, o processo político.
Vivemos hoje no que eu chamaria de democracias totalitárias, e acho que é muito difícil quebrar isso porque a oligarquia não está interessada em abrir mão desse poder. Então há uma barreira política e há também uma barreira econômica, porque se você realmente começa a redistribuir riqueza no modo que precisaríamos para resolver esses problemas e ter educação, saúde e transporte público decente para todos, se realmente fôssemos fazer isso, teríamos que tirar muito do dinheiro que hoje vai para os projetos que interessam ao grande capital.
– Por que você acha que vai ser difícil sair da crise atual?
– O capital tem que crescer, e crescer a uma taxa composta, que tem uma curva de crescimento exponencial. Isso significa que cada vez mais somos empurrados a encontrar oportunidades de investimento lucrativas, mais e mais. Meu cálculo, de maneira grosseira, é que nos anos 1970, globalmente, era preciso achar oportunidades de investimento lucrativas para algo em torno de US$ 600 bilhões. Hoje é preciso encontrar canais lucrativos para investimentos na ordem de US$ 3 trilhões. Em 20 anos, falaremos em canais lucrativos de investimento para US$ 6 trilhões e assim por diante. Acho que manter o capital ativo tornou-se um sério problema, e se houver um crescimento zero, há uma crise. O crescimento composto se torna cada vez mais problemático. Temos tido esse problema desde os anos 1970 e é por isso que mais e mais capitalistas estão vivendo de renda ao invés de procurar oportunidades de investimento lucrativas produzindo coisas materiais, que já não é tão lucrativo. E se todo mundo investe no rentismo, ninguém produz nada, o que também é um problema.
– Você fala da importância de uma imaginação pós-capitalista. Fale sobre a sua visão do que seria uma sociedade pós-capitalista.
– É preciso haver uma revolução nas percepções, nas práticas, nas instituições. E essas revoluções levam muito tempo para se concretizarem. Quando você pensa na história do neoliberalismo, vê que foi uma transformação revolucionária que aconteceu num período de 30, 40 anos. Se foi possível mudar daquilo para isso, por que não podemos mudar do que vemos hoje para outra coisa? Mas temos que pensar não simplesmente em termos de fazermos barricadas, mudarmos governos. Temos que pensar nisso como um processo de 40 anos de mudança de mentalidades, concepções. Por exemplo, como as pessoas pensam a solidariedade social com seus vizinhos. Nos anos 1970 havia muito mais solidariedade social, e hoje o mundo se tornou muito mais individualista. Uma revolução é um processo, não um evento, estamos falando de transformações de longo prazo, e isso requer que as pessoas comecem a formular ideias sobre como mudar o mundo. Há muitos elementos que estão sendo praticados atualmente, o problema é que a maioria em pequena escala. Por exemplo, economias solidárias sendo praticadas ao redor do mundo, no Brasil, nos Estados Unidos. Há grupos tentando desenvolver modos de vida alternativos, ambientalistas, por exemplo, o movimento de recuperação de fábricas por trabalhadores na Argentina, há muitos movimentos desse tipo acontecendo, alguns em meio à crise. Na Grécia vemos o desenvolvimento de sistemas monetários alternativos e por aí vai. Há muitas coisas acontecendo atualmente que podem ser consideradas experimentos-piloto. Acho importante olhá-las e analisar quais são os elementos para se pensar um tipo diferente de sociedade no futuro.

terça-feira, 25 de março de 2014

Opiniões

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
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Publicado em 2014/03/10, em: http://www.odiario.info/?p=3208&print=1
Colocado em linha em: 2014/03/24

Social-chauvinismo e euro-esquerda
ou tão amigos que eles são

João Vilela

A resposta à agudização da crise ucraniana e à ofensiva imperialista que
desencadeou a grave situação actual será certamente muito complexa do
ponto de vista político. Para as forças políticas que se reclamam da
representação dos interesses dos trabalhadores só pode existir um critério
seguro: o critério de classe, o critério do interesse do povo contra a exploração
interna e a dependência e a dominação exterior.
O Partido da Esquerda Europeia publicou um comunicado em que se pronuncia sobre
a questão da Ucrânia. Desse documento consta um elogio rasgado ao Partido
Comunista Ucraniano. Considerando que o Partido da Esquerda Europeia constitui a
agremiação política das forças euro-esquerdistas do nosso tempo, ver um partido
comunista ser elogiado por eles, até prova em contrário, depõe contra o partido
elogiado. Tanto mais quando, na espinha dorsal do PEE, estão partidos que de
comunistas só têm o nome (alguns já nem mesmo a foice e o martelo…). Examinemos
qual é a postura do Partido Comunista Ucraniano e quais os motivos que podem, nela,
torná-lo objecto de admiração do Partido da Esquerda Europeia, ao ponto de este sair
a terreiro apoiando publicamente as suas posições.
No comunicado citado acima, o PEE afirma que o PCU terá proposto como saída para
a crise política que a Ucrânia vive «um referendo que especifique o caminho a seguir
pelas relações exteriores» daquele país. Vim a verificar que tal proposta está
noticiada, com data de Setembro passado, aqui, num jornal ucraniano. Um
documento com uma proposta de igual teor, aparentemente produzido pela estrutura
do PCU, surge traduzido neste blogue progressista, a 25 de Janeiro deste ano. Mas,
salvo possível erro crasso na tradução, que não foi possível cotejar com os
documentos do PCU em língua ucraniana ou russa, o que é dito neste documento é,
pura e simplesmente, mau demais para ser verdade.
O conjunto de «propostas concretas» que o PCU aventa como possível solução para
algum problema é, em meu entender, inquinado à partida pela insólita proposta de
uma consulta popular para decidir qual das duas potências imperialistas, a Rússia ou
a Alemanha, é do agrado da população. O PCU aparenta considerar que não é uma
questão de princípio impedir por todos os meios que uma qualquer potência
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imperialista se imiscua na vida política, económica, e social do seu país. Pondo a
coisa em termos metafóricos e sem querer brincar com coisas sérias, a defesa de um
referendo para decidir desta questão equivale a, numa tétrica situação em que
houvesse que discutir as opções de os trabalhadores ucranianos serem guilhotinados
ou serem enforcados, suscitar a discussão sobre se serão eles, com a sua caneta, numa
urna fechada, a depositar um voto dobrado em quatro do qual conste a sua opção
livre e sem constrangimentos ora pela forca, ora pela guilhotina. Por este caminho
abre-se a porta a uma lógica que concebe que os procedimentos são tudo, o conteúdo
não é nada. A discussão sobre qual a potência imperialista a cujos pés se arremessa as
massas trabalhadoras passa a ser uma discussão como outra qualquer, e não uma
discussão inadmissível por princípio, como surge como evidência aos olhos de
qualquer revolucionário. O anti-imperialismo vê-se conduzido à condição de um
bonito slogan que fica bem nos documentos, mas que, na hora da verdade, não é
defendido com a firmeza exigível. O PCU como que se conforma a ir defendendo o
que há, o que der, o que for possível, o que já está ganho, fechando-se numa posição
defensiva que em última instância pode ser a sua própria cela, se não mesmo a sua
sepultura. Mais tarde, lá mais para diante, um dia destes, um dia que há-de vir não se
sabe em que dia nem em que hora, como o dia do Juízo Final dos crentes, faremos a
revolução e derrotaremos a burguesia. Por ora, cumpre negociar com alguém e
escolher quem bater com menos força, ou quem já estamos habituados que bata.
Lenine defrontou situações desta mesma ordem no seu tempo, precisamente no
âmbito do combate ao social-chauvinismo dos Kautsky & Cª. As suas palavras no O
Oportunismo e a Falência da II Internacional devem fazer-nos pensar, detidamente,
no que tem vindo a ser a postura do PCU: «Tal como em 1912, Axelrod [nome de um
defensor russo das teses de Kautsky] está disposto, em nome de um futuro muito,
muito distante, a proferir as frases mais revolucionárias, se a futura Internacional
«actuar (contra os governos, em caso de guerra) e levantar uma tempestade
revolucionária». Vejam lá como nós somos corajosos! Mas quando se trata de
apoiar e desenvolver agora a efervescência revolucionária que começa entre as
massas, então Axelrod responde que essa táctica das acções revolucionárias de
massas «ainda teria alguma justificação se estivéssemos imediatamente em
vésperas de uma revolução social, como aconteceu, por exemplo, na Rússia, onde as
manifestações estudantis de 1901 anunciavam a aproximação de batalhas decisivas
contra o absolutismo». Mas no presente momento tudo isso é uma «utopia»,
«bakuninismo», etc.». Lenine não era um aventureirista: tinha a consciência plena de
que não é porque se decreta o assalto final contra a burguesia que as massas se
tornam necessariamente conscientes da necessidade desse assalto final. Mas, do
mesmo modo, entendia que as situações em que as contradições entre os interesses
de classe da burguesia e do proletariado se tornam mais agudas são precisamente
aquelas em que a possibilidade de expor com total clareza os objectivos que se
colocam ao proletariado e a necessidade imperiosa de derrubar a burguesia para os
obter é maior e mais fértil. Ora, no quadro de uma disputa inter-imperialista violenta,
feita à custa da desestabilização, do golpismo, do fomento da xenofobia, do antisemitismo,
e do anticomunismo por um lado; e da invasão e exploração das divisões
étnicas e linguísticas dentro de um mesmo Estado por outro, tudo com vista a obter
os recursos, a mão-de-obra, o acesso aos gasodutos e ao mercado de escoamento da
Ucrânia – oferece-se o quadro mais esclarecedor possível para as massas
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trabalhadoras compreenderem os intentos das potências imperialistas e o
posicionamento perante eles das diversas fracções da burguesia nacional que a
dominam. As condições objectivas são plenamente criadas pela disputa interimperialista
só por si: as condições subjectivas dependem, única e exclusivamente, do
apego da vanguarda do proletariado à linha justa e da sua vontade de desenvolver a
estratégia revolucionária adequada para dotar as massas da organização e da elevação
da consciência política que lhe possibilite levar de vencida os imperialismos em
disputa e a burguesia do seu próprio país. Isto, é certo, não determina só por si a
vitória da revolução: mas é isto que, numa situação desta natureza, cumpre fazer a
um partido comunista.
Descrever isto é descrever, sumariamente, nada menos que o processo da revolução
russa, que o próprio Lenine dirigiu superiormente. Descrever isto é dizer todo o
oposto do que tem sido o trabalho do PCU, que enquanto os nazi-fascistas do
Svoboda invadem as suas sedes, queimam a sua bandeira, achincalham, espancam,
matam os seus militantes (e de caminho judeus, russos, e imigrantes), sobe a um
caixote, enche os pulmões de ar, e grita «façamos um referendo para saber se o povo
quer a continuação da violência fascista ou prefere o retorno a um Governo burguês
pró-russo!».
O que leva um partido comunista a desenvolver uma linha política deste cariz?
Alguns poderão opinar pelo impreparo, as dificuldades da própria direcção do
partido. Outros, pela inexistência de condições para fazer mais do que se fez até aqui.
Admitindo as duas situações, não deixam de me matraquear na cabeça as palavras
que, no mesmo documento, Lenine apresenta para caracterizar o social-chauvinismo:
«um pequeno círculo da burocracia operária, da aristocracia operária e de
companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos
grandes lucros da burguesia. A causa de classe profunda do social-chauvinismo e
do oportunismo é a mesma: a aliança de uma pequena camada de operários
privilegiados com a «sua» burguesia nacional contra as massas da classe operária,
a aliança dos lacaios da burguesia com esta última contra a classe por ela
explorada. O conteúdo político do oportunismo e do social-chauvinismo é o mesmo:
a colaboração das classes, a renúncia à ditadura do proletariado, a renúncia às
acções revolucionárias, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a
falta de confiança no proletariado, a confiança na burguesia.».
Posso correr o risco de, por imprudência, atirar sobre o PCU uma acusação que não
lhe assenta, o que não quero de todo fazer: mas a verdade é que há na sua postura um
número tão grande de erros tão graves que o desvio na direcção do socialchauvinismo
– enquanto ideologia da aliança aristocracia operária/fracções da
pequena burguesia, com vista à obtenção de migalhas do poder burguês à custa da
continuação da exploração do proletariado – pode, mesmo inconscientemente, estar
neste momento a ser descrito por aqueles que o dirigem – e a sê-lo, vemo-lo bem,
perante a atenção e a solicitude daqueles que praticam aberta, despudorada, e
desavergonhadamente a política social-chauvinista do séc. XXI – a dita euroesquerda,
arregimentada no PEE, que veio aplaudir sem demora a atitude do PCU.
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Perante tal situação, que posição importa adoptar? Tive ocasião de traduzir
recentemente uma Declaração do Gabinete de Imprensa do CC do PC Grego em que é
dito que o proletariado ucraniano «deve organizar a sua luta de forma independente,
com os seus interesses e critérios, e não com os critérios do imperialista escolhido
por uma ou por outra secção da plutocracia ucraniana». Estou sinceramente
convencido de que é nesta direcção que devem ser expressas, sem pretensões à
ingerência nos assuntos internos do PCU mas com base naquilo que a história do
movimento operário ensina aos comunistas, as demonstrações de solidariedade
internacionalista que se apresentem aos camaradas ucranianos em luta. Fundo esta
opinião, quanto mais não seja, num critério que tem a sua razoabilidade: o de não ser
o critério dos inimigos, o critério dos eurocomunistas, o critério dos que querem um
capitalismo menos abusivo, mas não o fim do capitalismo. E ainda no critério de ser
esta, a meu ver, a única solução que assegurará ao povo ucraniano uma saída desta
grave situação que não signifique nem o retorno à esfera de influência da Rússia dos
oligarcas, que nunca lhe assegurou qualquer forma de prosperidade, nem na da
Alemanha imperialista, cujos efeitos devastadores da sua política de subjugação e
dominação o povo português, desgraçadamente, tão bem conhece.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Economistas Notables: Karl Gunnar Myrdal


Dentro de nuestra serie de Economistas Notables, hoy les presentamos a Gunnar Myrdal, economista sueco impulsador de los elementos más amplios en el estudio de las economícas, como pueden ser la pobreza, la distribución de riqueza y los aspectos sociales de la economía.

Biografía

Karl Gunnar Myrdal nació el 6 de diciembre de 1898 en Gustafs, Dalarna, en Suecia, de padre Karl Adolf Pettersson, un trabajador en el ferrocarril, y madre Anna Sofia Karlsson. Tomó el nombre de Myrdal en 1914. En 1923, se graduó en derecho y, en 1927, completó su doctorado en económicas de la universidad de Estocolmo. Su tésis doctoral trató elimpacto de las expectativas sobre la fijación de precios. Este análisis influyó de forma importante a la Escuela de Estocolmo.
Entre 1925 y 1929, estudió en Reino Unido y Alemania, entre 1929 y 1930 en Estados Unidos, como Rockefeller Fellow y trabajó durante un año, entre 1930 y 1931, como profesor asociado en laGraduate Institute of International Studies, en Ginebra, suiza. Posteriormente, en 1933, tomó el relevo de su profesor Gustav Cassel como profesor de economía en la universidad de Estocolmo
Desarrolló un interés en los nuevos modelos económicos, basados en las matemáticas, que tuvieron auge en los años 1920 y fue uno de los fundadores de la Econometric Society, que publica la prestigiosa revista técnica, Econometrica, basado en Londres. Posteriormente tuvo problemas con sus compañeros por sus críticas de que los modelos económicos no tenían en cuenta la distribución de la riqueza en su afán por tratar el crecimiento económico.
Profesor Myrdal fue uno de los simpatizantes de las teorías de John Maynard Keynes, sobre el uso de los ajustes a los presupuestos nacionales para ajustar la velocidad de la economías, aunque el profesor Myrdal decía que fueron sus ideas, ya que las elaboró en su libro, Monetary Economics, que publicó en 1932, dos años antes de que salió la obra célebre del economista de Cambridge.
Fue miembro del parlamento Sueco, como social demócrata a partir del año 1933 y de 1945 a 1947, fue Ministro de Comercio. Alternando su trabajo como miembro del parlamento, entre 1933 y 1950 fué profesor de política económica y entre 1960 y 1967, profesor de Económicas Internacionales de la universidad de Estocolmo.
Durante un tiempo en estos años, trabajó como Secretario Ejecutivo de la Comisión Económica para Europa de las Naciones Unidos y, posteriormente, en 1957, lideró para la Twentieth Century Fund un estudio exhaustivo sobre las tendencias y políticas económicas de los países asiáticos.
Durante 1973-1974, trabajó en el Center for the Study of Democratic Institutions en la universidad de California, en Santa Barbara, y durante 1974-1975, como profesor visitante en la universidad de Nueva York.
En el año 1974, el profesor Myrdal ganó el Premio Nobel de Economía, junto con el economista austriaco, Friedrich August von Hayek, por su trabajo pionero en los estudios de la teoría del dinero y las fluctuaciones económicas y sobre su análisis profundo sobre la interdependencia de los fenómenos económicos, sociales e institucionales.
Ha sido Presidente del Consejo de la Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) y delLatin American Institute en Estocolmo. Ha sido miembro de la British Academy, la American Academy of Arts and Sciences, la Vetenskapsakademien (la Royal Swedish Academy of Sciences), la Econometric Society y la American Economic Association.
Karl Gunnar Myrdal falleció en en la ciudad sueca de Estocolmo el el 17 de mayo de 1987.

Principales trabajos y contribuciones

Desde comienzos de su carrera, profesor Myrdal trabajó en la combinación entre los estudios económicos y su impacto social y sociológico extendiendo su análisis económico a los aspectos políticos, institucionales, demográficos, educacionales y aspectos de salud pública. Analizando modelos económicos incluyendo los impactos y el análisis dinámico de las distintas influencias de todos estos elementos en su impacto y de los procesos cumulativos experimentados por las economías. Además, este enfoque también lo extendió a los países menos desarrollados, incluyendo su trabajo sobre las clases más pobres en las economías más desarrolladas.
Aparte de la publicación de numerosos artículos académicos, destacamos las siguientes publicaciones del profesor Myrdal:
  • The Political Element in the Development of Economic Theory (El elemento político en la teoría del desarrollo económico), 1930
  • Monetary Economics (Las económicas monetarias), 1932
  • The Cost of Living in Sweden, 1830-1930 (El costo de la vida en Suecia, 1830-1930), 1933
  • Crisis in the Population Question (La crisis de la cuestión de la población), 1934
  • Monetary Equilibrium (El equilibrio monetario), 1939
  • Population, a Problem for Democracy (Población, un problema para la democracia), 1940
  • An American Dilemma: The Negro Problem and Modern Democracy (Un dilema americano: el problema de los negros y la democracia moderna), 1942, como resultado de su tiempo como Rockerfeller Fellow en Estados Unidos.
  • An International Economy, Problems and Prospects (La economía internacional, problemas y perspectivas), 1956
  • Rich Lands and Poor (Tierras ricas y pobres), 1957
  • Beyond the Welfare State: Economic Planning and Its International Implications (Mas allá del Estado de Bienestar: la planificación económica y sus implicaciones internacionales), 1960
  • Challenge to Affluence (Desafío a la riqueza), 1963
  • Asian Drama: An Inquiry into the Poverty of Nations (El drama asiático: una investigación sobre la pobreza de las naciones), 1968
  • The Challenge of World Poverty: A World Anti-Poverty Program in Outline (El reto de la pobreza mundial: un programa mundial anti-pobreza), 1970
  • Against the Stream: Critical Essays on Economics (Contra la corriente: ensayos críticos sobre la economía), 1972
  • Increasing Interdependence between States but Failure of International Cooperation (La creciente interdependencia entre los Estados, pero el fracaso de la cooperación internacional), 1977

El impacto de Karl Gunnar Myrdal hoy en día

El trabajo del profesor Myrdal fue fundamental en el impulso para situar la economía en varios temas, incluyendo su análisis de la economía en un contexto más amplio, incluyendo el social y político. Adicionalmente, en sus estudios, tenía en cuenta la distribución de la riqueza en su análisis del crecimiento económico, algo del que se habla mucho hoy en día, trabajo muy importante queimpactó la forma y estructura de las ayudas a los países pobres.
También impactó mucho en los estudios sobre los cambios económicos internacionales y su impacto sobre la situación de las economías más pobres.
En sus estudios económicos, el profesor Myrdal integró influencias más amplias sobre el desarrollo económico, elementos como el nivel de la educación, la salud, las condiciones de vida, la satisfacción laboral, y las rivalidades entre empresarios y sindicatos. Estos factores no se tenían en cuenta anteriormente en los estudios academicos y los modelos económicos que fueron abiertos y modernizados para tener elementos más amplios en cuenta.
in El Blog Salmón

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