domingo, 1 de junho de 2014

Perry Andersen, um dos maiores filósofos contemporâneos

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ANÁLISE E COMENTÁRIO DO TEXTO “BALANÇO DO NEOLIBERALISMO”, DE PERRY ANDERSON

     Em primeiro lugar, devemos definir o neoliberalismo como sendo um fenômeno distinto do simples liberalismo clássico, (ANDERSON, p. 9). A origem do pensamento neoliberal nasce no contexto do pós-guerra, (1945) onde o capitalismo se impunha como forma de pensamento, principalmente na América do Norte e na Europa. Trata-se de uma reação de cunho teórico e político que iria contra ao Estado intervencionista de bem-estar social. Em 1944, Friedrich Hayek escreve seu texto de origem, O Caminho da Servidão, onde busca veementemente romper com qualquer limitação dos mecanismos de mercado, principalmente por parte do Estado. Hayek tem como objetivo impedir que o Partido Trabalhista inglês assuma o poder através de eleições em 1945 na Inglaterra. Com isso,  está convencido de que o projeto social-democrata moderado inglês propõe uma espécie de servidão moderna.
      Hayek, três anos mais tarde faz uma reunião na estação de Mont Pèlerin, na Suíça, junto com alguns adversários do Estado e da política norte-americana conhecida como New Deal[1]. Alguns desses personagens incluía, Milton Friedman, Karl Popper, Lionel Robbins, entre outros. Tinha como objetivo combater o keinesianismo, o solidarismo, preparando terreno para um outro tipo de capitalismo, onde não se admitia mais a intervenção do Estado, livre das regras e pronto para o futuro.
       Esse era o grande problema enfrentado pelos economistas desse período: (década de 50 e 60) a não regulação do Estado na economia criara uma lacuna muito grande entre o trabalho e as condições de trabalho. Constantemente era empregada a idéia de que a desigualdade social era um fator extremamente importante para o desenvolvimento da economia, pois possibilitava uma busca incansável pelo crescimento econômico através da competitividade.
      Já em meados de 1973, a crise do modelo econômico do pós-guerra, atinge seu grau máximo de problematização onde as baixas taxas de crescimento somado com altas taxas de inflação muda o cenário econômico e social desse momento. Hayek através de seu modelo neoliberal de pensamento passa a atacar o poder excessivo – segundo ele – dos sindicatos e do movimento operário em geral, acusando e culpando os trabalhadores  pelos gastos do Estado para com as bases sociais.
       Afirmava Hayek que as empresas tinham obtido prejuízos incalculáveis e que os lucros dessas empresas – que eram, segundo ele, necessárias para alavancar a economia de mercado – tinham sido devorados pelos direitos adquiridos pelos sindicatos e pela organização trabalhista. Estava então pronto o modelo neoliberal de economia do Estado: restrição do poder dos sindicatos e dos operários de maneia generalizada, manutenção de um Estado forte apenas para regulamentação da moeda, pouca ou quase nenhuma participação do Estado quanto a investimentos em políticas sociais, forte disciplina orçamentária, restauração das taxas de lucros das empresas, que de contra partida assumiria a postura de assistencialista da sociedade.
         Não podemos nos esquecer que essa política econômica encontrou terreno fértil e seu desenvolvimento aconteceu de maneira quase perfeita nos governos de Reagan e Tatcher. Esse processo de direitização se torna então hegemônico, atingindo grande parte da Europa e EUA e portanto, ideológico por excelência. Existe um ponto que não podemos deixar de tocar nessa questão; é que no fim das contas a política neoliberal se mostrou realista e pior, obteve êxito. O arrocho salarial promovido pelas empresas multinacionais alcançaram a maior renda dessas mesmas empresas, obtendo as mesmas lucros nababescos e exorbitantes, principalmente o capital investido em bolsas de valores.
     Nossa realidade não foi diferente. As ideias da Sociedade de Mont Pèlerin haviam triunfado também aqui em solo tupiniquin. Nas décadas de 80 e principalmente no auge da política FHC nas décadas de 90 o discurso da globalização, assumido pela bandeira neoliberal, privatizou tudo, desde industrias de base, como por exemplo metalurgia, até prestadoras de serviço. Contudo, o tiro acabou saindo pela culatra. O capital que antes circulava pelo território nacional passa a assumir uma postura mais especulativa do que produtiva. A onda de desempregos estruturais de novo bate a porta dos aposentos do governo FHC, a divida publica aumenta exponencialmente e assume o papel de senhor dos nossos destinos.
          A grande pergunta é se o neoliberalismo encontrará algum horizonte ainda favorável a seus olhos, visto que a América Latina já se encontra em pleno colapso econômico e social. Tudo o que podemos dizer até agora é que o neoliberalismo é sem dúvida nenhuma um movimento radicalmente ideológico, com um sistema doutrinário extremamente coerente e que está decidido a assumir as rédeas do controle econômico internacional. Seja como for, qualquer balanço do neoliberalismo só Pode ser encarado como provisório, ou seja, uma forma ideológica ainda não acabada.
                                                                     Aurius Reginaldo de Freitas Gonçalves

[1] Política norte-americana de intervenção implementada no governo de Franklin Roosevelt que tinha como objetivo uma intervenção maior do Estado na economia americana, sem abandonar os princípios democráticos. O mesmo não ocorreu em outros países, como Alemanha (nazismo), e Itália (fascismo).
in Aurius e a Filosofia, blog

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