quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A ditadura militar egípcia coopera com Israel

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
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Publicado em 2014/07/29, em: http://electronicintifada.net/content/egypts-propagandists-and-gazamassacre/
13662
Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2014/08/04

Os propagandistas do Egito e o
massacre de Gaza
A Intifada eletrónica

Joseph Massad*

Enquanto a máquina assassina de Israel inflige terror e morte ao povo palestino, com
a colaboração do governo dos EUA e dos seus principais aliados árabes – o não
menos importante dos quais é o clã saudita, formado por 20.000 príncipes e
princesas –, lançou-se no Egito, ao nível oficial e não oficial, uma descomunal
campanha de ódio.
O regime do Egito é um dos dois principais carcereiros dos palestinos de Gaza, no
maior campo de concentração do mundo.
O herdeiro de Hosni Mubarak no trono egípcio, o general Abdulfattah al-Sisi,
expressou bem as mentiras que a egípcia classe dirigente de ladrões foi propagando
no Egito, desde as campanhas antiárabes e antipalestinas de meados dos anos 1970,
sob o presidente Anwar Sadat.
O nada carismático Sisi, cujas habilidades oratórias rivalizam com as de Yasser
Arafat, anunciou com muita pompa, no seu discurso de 23 de julho, para marcar o
aniversário do derrube da monarquia, em 1952, que o Egito já tinha sacrificado
"100.000 mártires egípcios" pela causa palestina.
Embora poucas pessoas duvidem dos sacrifícios que os soldados egípcios fizeram
para defender o Egito, nos últimos 67 anos, proclamar que esses sacrifícios foram
feitos em nome da Palestina e dos palestinos é o cúmulo da hipocrisia.
É uma linha de argumentação que a egípcia classe dirigente de ladrões foi
propagando, para poder proclamar que a terrível economia do Egito e o estado de
pobreza não são o produto da descarada pilhagem deste país por parte desta classe,
com a ajuda de seus patrocinadores americanos e sauditas, desde a década de 1970,
mas que se deve à alegada defesa da Palestina e dos palestinos pelo Egito e ao alegado
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compromisso do presidente Gamal Abdel Nasser de libertar os palestinos da
ocupação colonial de Israel.
Classe sórdida e saqueadora
Desde 1970, os palestinos têm estado expostos a estas mentiras e à vacuidade e total
baixeza desta classe egípcia de ignorantes e analfabetos. A falta de educação e de
multiculturalismo desta classe tornou-se evidente durante os últimos três anos de
propaganda contrarrevolucionária e agitação nas suas estações de televisão e
imprensa.
A forma e o conteúdo desta produção teórica constrangeria e escandalizaria qualquer
comunidade de intelectuais, jornalistas e artistas que se autorrespeitasse, mas não a
maioria dos intelectuais, jornalistas e artistas egípcios, quer tenham sido recrutados
quer totalmente comprados no exterior para defender os interesses desta classe
(embora, mais recentemente, alguns dos recrutados para apoiarem o regime,
especialmente académicos, tenham começado a recuar e a reescrever a sua história
negando terem-no apoiado).
A degradação das culturas e produtos intelectuais e estéticos egípcios nas últimas
quatro décadas é um resultado direto desta classe governante tirânica. Basta
sentarmo-nos com estes homens e mulheres de negócios, ou visitar as suas casas, ou
atentar na sua representação nos folhetins e filmes egípcios e na cultura que, por seu
intermédio, querem impor, ou ouvir as suas conversas nos bares e restaurantes do
hotel de cinco estrelas no Cairo, ou assistir às suas entrevistas nas escandalosamente
desclassificadas estações de televisão do Egito, para compreender a sua absoluta
mediocridade em todos os níveis do pensamento económico e político e do gosto
estético, para não mencionar a sua ignorância sobre a literatura e a arte egípcia, árabe
e mundial, e, também, o seu total desprezo pelos pobres do Egito, que constituem
mais de oitenta por cento da população.
Que esta invejosa e ciumenta classe de super-ricos fique ressentida e cobice aos mais
pobres dos pobres os seus escassos bens, especialmente aos palestinos de Gaza,
ilustra o tipo de orientação moral que guia as suas ações.
Ainda lembro o horror que senti quando jantei no Cairo, em outubro de 2010, com o
bilionário Nassef Sawiris, o homem mais rico do país, quando ele anunciou
orgulhosamente ao pequeno grupo de sete pessoas que estavam no jantar, que tem
três ecrâs de TV abertos em simultâneo, no seu escritório, em casa e enquanto viaja, e
ligados, ao mesmo tempo, a três diferentes canais de notícias dos EUA (se a memória
não me falha, ele nomeou a CNN, a CNBC e a Fox news) que funcionam claramente
como as suas principais fontes de educação.
Sawiris, que é muito menos exibicionista do que qualquer um dos seus dois irmãos
mais velhos, parecia não acreditar quando o informei de que eu me opunha às
políticas de direita do presidente dos EUA, Barack Obama, tanto nacionais como
estrangeiras, assim como parecia incapaz de conceber uma posição política à
esquerda de Obama.
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Numa entrevista recentemente publicada no jornal pró-Sisi Al-Masry Al-Youm,
Sawiris elogiou Sisi por suprimir os subsídios aos combustíveis aos pobres (enquanto
mantinha baixo para os ricos o preço da gasolina dos carros de luxo), e fez uma série
de recomendações neoliberais, incluindo a de desvalorizar ainda mais a libra egípcia;
privatizar os transportes públicos; remover impostos sobre os ricos (que, segundo
afirma, o governo do deposto presidente Muhammad Morsi tinha imposto
ilegalmente na sua empresa); blindar os ministros e funcionários do governo de
procedimentos legais e permitir que o carvão seja utilizado nas fábricas de cimento,
apesar da oposição massiva de ativistas da saúde e ambientais.
Tais medidas continuarão de certeza a enriquecer os ricos, um por cento, e a
empobrecer os pobres (Naguib, o mais extravagante, mais velho, mas mais pobre
irmão de Nassef, começou agora a escrever uma coluna semanal para o Al-Akhbar do
Egito, na qual ele reitera as recomendações neoliberais de seu irmão. Também apela
a Sisi, numa entrevista à TV, para conceder uma amnistia a Mubarak e libertá-lo da
prisão).
"Ficção e fabricação"
O que Sisi e esta classe com a qual ele está aliado querem afirmar é que todas as
guerras do Egito com Israel foram lançadas para defender a Palestina e os palestinos
e tiveram um custo enorme para o Egito, tanto financeiro como em vidas de soldados.
Mas nada disso é verdade.
Em 1956, Israel invadiu o Egito e ocupou o Sinai e os soldados egípcios que foram
mortos estavam empenhados em defender o seu país e a sua terra; em 1967, Israel
invadiu de novo o Egito e ocupou o Sinai, e os soldados egípcios foram mortos em
defesa do seu país contra a invasão estrangeira; entre 1968 e 1970, Israel e o Egito
lutaram na "Guerra de Desgaste", na qual os soldados egípcios foram mortos em
defesa do seu país e contra a continuação da agressão israelita e da ocupação
permanente do Sinai por Israel – uma guerra que foi travada no solo egípcio; e em
1973, o Egito iniciou uma guerra para libertar o Sinai, não a Palestina, e os soldados
egípcios foram de novo mortos a defender o seu país contra a ocupação estrangeira.
Isto leva-nos à guerra de 1948, na qual, dependendo das fontes, foram mortos mil ou
dois mil soldados e voluntários egípcios. Não foi Nasser, que é responsabilizado pelo
seu apoio retórico aos palestinos, mas sim o Rei Farouq, que lançou esta intervenção
militar egípcia, para parar a expulsão sionista dos palestinos e o roubo sionista das
suas terras.
Como a maioria dos estudos atestam, os motivos que levaram Farouq e o seu governo
a intervir na Palestina foram a sua preocupação sobre o papel de liderança regional
do Egito e o medo da rivalidade iraquiana, e menos qualquer forma de nacionalismo
ou solidariedade árabe.
À margem destes motivos, a maioria dos palestinos não tem dúvidas de que os
soldados e combatentes voluntários egípcios que morreram, morreram efetivamente
defendendo a Palestina e os palestinos, mesmo que estivessem a combater na base de
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ordens que procuravam defender a hegemonia regional egípcia. Mas esta continua a
ser a única guerra em que os soldados e voluntários egípcios morreram defendendo a
Palestina, e aos quais o povo palestino e seu movimento nacional expressaram toda a
sua gratidão.
Mas a forma como estes mil a dois mil soldados e voluntários se multiplicam com a
melodia dos "100.000 mártires", como Sisi falsamente afirmou, é do âmbito da ficção
e fabricação, que a egípcia classe dirigente de ladrões e os seus intelectuais a soldo e
os propagandistas da imprensa pagos inventaram, no seguimento dos Acordos de
Camp David de Sadat, de 1978, que sacrificaram os direitos do povo palestino,
incluindo dos palestinos de Gaza, em troca de um controle policial parcial do Sinai
que foge da sobernia egípcia.
Isto não é para sugerir que milhões de egípcios, civis e soldados, não queiram ou não
quererão apoiar a Palestina e os palestinos, ou que não lutariam pela Palestina e pelos
palestinos, como muitas vezes, aliás, o confessam e declaram; isto quer dizer que
apesar das batalhas de 1948, nunca lhes foi dada a oportunidade de defender os
palestinos no campo de batalha. Isto é precisamente o que irrita a egípcia classe
dirigente de ladrões e o que impulsiona a propaganda antipalestina em curso e o
discurso de ódio das emissoras de televisão pertencentes a esta classe.
Ouvindo esta propaganda, poderíamos supor que foram os palestinos que ocuparam
o Sinai, e não o Egito, que governou Gaza de 1948 a 1967 e que desde então impõe um
assédio de forma intermitente, sendo que nos últimos oito anos este cerco é imposto
completa e continuamente.
Apesar das campanhas massivas dos meios de comunicação social, os egípcios não
deixaram de apoiar os palestinos, seja através de manifestações contra a
cumplicidade do regime de Sisi nos massacres, como tem vindo a acontecer nas
últimas duas semanas, seja através do envio de comboios de ajuda médica para Gaza,
os quais os soldados de Sisi obrigam a voltar para trás, recusando-lhes a passagem.
Suicídio intelectual em massa
Neste contexto, é fundamental perceber que esta classe dirigente egípcia de ladrões é
o inimigo principal, não do povo palestino, mas da maioria dos egípcios que aquela
oprime, explora, rouba e humilha diariamente. O papel desempenhado pelos líderes
que apoiam o regime de Sissi tem ocultado o fato de os inimigos dos palestinos no
Egito serem também os inimigos da maioria dos egípcios.
O suicídio intelectual massivo que a maioria dos intelectuais e artistas egípcios
(nasseristas, marxistas, liberais e salafistas) cometeram, ao abdicarem das suas
faculdades críticas, apoiando ou mantendo-se em silêncio sobre os massacres e a
repressão do novo regime, já para não falar do seu silêncio nas campanhas contra os
egípcio pobres e os palestinos, recorda o suicídio cometido pelos comunistas egípcios
quando desfizeram o seu partido, em 1964, para se juntarem à União Socialista de
Nasser.
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Essa classe estende-se desde o economista marxista e incansável defensor de Sisi,
Samir Amin, até figuras muito menos ilustres, como o romancista e crítico de
Mubarak, Alaa al-Aswany, e todas aquelas figuras que se situam entre ambos,
incluindo o economista Galal Amin, e escritores e poetas como Sonallah Ibrahim, Abd
al-Rahman al-Abnudi, Bahaa Taher, e muitos outros.
O suicídio dos comunistas egípcios em 1964 deveu-se, no entanto, à compreensão
daqueles de que a repressão de Nasser, apesar de indesejável e lamentável, destinavase,
em última instância, a servir o projeto comum de nacionalização e socialização da
propriedade, a fim de erradicar a pobreza egípcia. Ainda não está, contudo, claro por
que razão os intelectuais egípcios contemporâneos cometem suicídio, a fim de apoiar
a classe dirigente de ladrões egípcia.
O massacre de Gaza é o "plano B"
O facto de Sisi ter superado as políticas de Mubarak, ao ter-se aliado e coordenado
com Israel, contra os palestinos sitiados, não é surpreendente, uma vez que ele serve
a mesma classe e interesses que Mubarak havia servido. O que difere, porém, é a
submissão e conformidade do Hamas ao diktat de Mubarak, que, a partir de então,
abandonou.
Torna-se, agora, claro que o massacre dos palestinos encetado por Israel faz parte de
um plano B, tendo sido o plano A uma possível invasão terrestre egípcia de Gaza - que
o governo de Sisi ameaçou realizar há alguns meses, depois de ter destruído os túneis
que servem de tábua de salvação a Gaza (isto foi antes das eleições fraudulentas de
Sisi), presumivelmente com a ajuda de Israel, com o propósito ostensivo de reinstalar
o caudilhismo de Muhammad Dahlan em Gaza e de se livrar do Hamas e da
resistência palestina.
O facto de o chefe da inteligência egípcia ter estado em visita a Israel, alguns dias
antes de os massacres de Israel terem sido lançados, e o facto de três funcionários da
inteligência israelita terem visitado o Egito, alguns dias depois daqueles, são apenas
pequenos indicadores do elevado nível de coordenação entre os dois países.
O sadismo e o narcisismo, que são traços da corrente dominante da cultura colonial
judaica israelense, manifestam-se em mobilizações de rua penetrantes que clamam
"morte aos árabes" e que levam segmentos da população judaica colonial do país a
assistir e a ovacionar, a partir das colinas, o massacre dos palestinos nativos. Isto
apenas pode ser comparado com a propaganda sádica e odiosa dos meios de
comunicação do regime de Sisi e da classe dirigente de ladrões egípcia.
Com efeito, enquanto a matança dos palestinos de Gaza, por Israel, continua, o
exército egípcio anunciou, a 27 de julho, que tinha destruído mais treze túneis entre
Gaza e o Egito, presumivelmente como parte da sua contribuição heróica à contínua
opressão israelita dos palestinos.
O "cessar-fogo" que Sisi ofereceu, e que lhe foi ditado pelos seus aliados israelitas,
foi devidamente rejeitado pelo povo palestino, a favor de uma valente resistência

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