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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PIRÓMANOS

Pelo Socialismo 
Questões político-ideológicas com atualidade 
http://www.pelosocialismo.net 
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Publicado no ‘Avante!’ n.º 2133, em 2014/10/16 e em: http://www.avante.pt/pt/2133/opiniao/132497/
Colocado em linha em: 2014/10/20 

Pirómanos 
Jorge Cadima

Há quase um mês, Obama anunciou ataques aéreos no Iraque e Síria, alegadamente 
para «atacar alvos do ISIL», o movimento terrorista também conhecido pela sigla 
ISIS. O saldo é relatado pelo jornalista P. Cockburn no Independent(12.10.14): «Os 
jihadistas estão prestes a tomar [a cidade de] Kobani, na Síria, e a parte ocidental 
de Bagdade está em sério perigo». E acrescenta: «Numa ofensiva [...] desencadeada 
a 2 de Outubro, mas pouco noticiada no resto do mundo, o ISIS capturou quase 
todas as cidades e vilas que ainda não controlava na província de Anbar, uma vasta 
região do Iraque ocidental que cobre quase um quarto do país». No vizinho Líbano 
os jihadistas do ISIL atacaram a importante cidade de Baalbeck (Independent, 
6.10.14). Tudo isto, apesar dos bombardeamentos norte-americanos (com numerosas 
vítimas civis) e do regresso ao Iraque de 1600 soldados dos EUA e «dezenas de 
soldados das forças especiais» do Canadá (Al Jazeera, 3.10.14). Pouco admira que 
«no Iraque, [haja] profundas suspeitas de que a CIA e o Estado Islâmico estão 
unidos», como titulava um artigo noNew York Times (20.9.14). 
Se dúvidas houvesse sobre as origens do ISIL, o vice-presidente dos EUA Joseph 
Biden, trouxe uma confissão de peso ao falar na Universidade de Harvard a 2 de 
Outubro: «Os nossos aliados da região têm sido o nosso maior problema na Síria. 
Os turcos [… e] os sauditas, os dos Emirados, etc. [...] Estavam tão decididos a 
abater Assad […] que despejaram centenas de milhões de dólares e dezenas de 
toneladas de armas nas mãos de quem quer que lutasse contra Assad – só que as 
pessoas que estavam a ser abastecidas eram a [Frente] al-Nusra, e a Al-Qaeda, e os 
elementos extremistas do jihadismo que vinham de todas as partes do mundo. 
Pensam que estou a exagerar? Olhem bem. Onde foi tudo isto parar? [...] esta 
organização chamada ISIL, que era a Al-Qaeda no Iraque, quando foi expulsa do 
Iraque encontrou espaço e território aberto na Síria oriental […]. E nós não 
conseguimos convencer os nossos aliados a parar de os abastecer» (Washington 
Post, 6.10.14). A confissão de Biden, que o Washington Post considera 
«surpreendente», não pelo seu conteúdo, mas por «ter sido expressa em público», é 
duma falsa inocência. Biden culpa os serventuários. Mas é preciso muita ingenuidade 
para acreditar que a todo-poderosa superpotência mundial, sempre pronta a castigar 
recalcitrantes países ou dirigentes em qualquer parte do globo, «não conseguia 
convencer» os seus aliados. A realidade – que o planeta inteiro conhece bem – é que desde há três anos os EUA e as potências imperialistas europeias – e não só os seus 
aliados da região – estão empenhados em financiar e armar o jihadismo para abater 
Assad. Criaram o ISIL, tal como criaram Bin Laden. Agora mostram-nos vídeos de 
cidadãos ocidentais decapitados. Mas durante anos ignoraram todos os vídeos que os 
próprios «rebeldes» colocavam na Internet, vangloriando-se de decapitar soldados, 
civis, padres cristãos. Pior: a BBC (5.7.13) deu-se ao trabalho de entrevistar um 
«rebelde» que pôs na Internet o vídeo em que, não contente com esfolar vivo um 
soldado sírio, comia os seus órgãos. E até arranjou motivos para «compreender» o 
canibalismo. A culpa, claro, era de Assad. 
É inteiramente legítima a suspeita de se estar perante uma manobra que, longe de 
querer combater o ISIL, visa elevar o patamar de intervenção imperialista. 
O Independent (12.10.14) levanta uma ponta do véu (de novo apontando o dedo a 
outros): «A Turquia está a exigir [...] uma zona tampão […], dentro da Síria, onde 
viveriam refugiados sírios e seriam treinados os rebeldes anti-Assad. O Sr. Erdogan 
quer uma zona de interdição aérea que também seria dirigida contra o governo de 
Damasco, uma vez que o ISIL não tem força aérea. Se concretizado, este plano 
significaria que a Turquia entraria na guerra civil síria, ao lado dos rebeldes». Os 
pretextos vão variando e tornam-se cada vez mais delirantes. Mas o imperialismo 
continua a atear fogo ao planeta, no seu afã de dominação. 

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