segunda-feira, 30 de novembro de 2015


Da glória à queda: Garcia Pereira, "anticomunista primário"





Na mais recente purga do MRPP, a polémica não se fica pelas querelas ideológicas: está em causa saber quem controla o dinheiro proveniente da lei de financiamento dos partidos
Um raro momento mediático da campanha do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP-MRPP) nas legislativas do passado dia 4 de outubro foi a polémica em torno da palavra de ordem "morte aos traidores". Quem diria então que, pouco mais de um mês depois das eleições, o principal rosto daquele partido seria obrigado a apresentar a sua demissão, acusado de... traidor.
Na sequência do desaire eleitoral (60 045 votos contra 62 610 em 2011) que, mais uma vez, deixou o PCTP-MRPP às portas de São Bento, Garcia Pereira foi suspenso, juntamente com os outros membros do comité permanente do comité central, acusados de "incompetência, oportunismo e anticomunismo primário". Nas últimas semanas, a luta entre a autoproclamada "linha marxista-leninista", do líder histórico Arnaldo Matos, e a "linha capitulacionista", assim batizada pelos opositores de Garcia Pereira, azedou no seio do partido maoista.
A violência verbal subiu de tom e chegou a ser dirigida à mulher e à filha do conhecido advogado lisboeta, que o tinham defendido no Facebook. Garcia Pereira, que ainda a 13 de outubro tweetava um link para um artigo de Arnaldo Matos, acabou por atirar a toalha ao chão: "Informo que, embora com uma enorme mágoa, mas também com a firme convicção de que a história não nos deixará de julgar a todos, me vi constrangido, como única alternativa com um mínimo de dignidade, a apresentar, no passado dia 18 de novembro, a minha demissão", lê-se no comunicado que enviou aos jornais.
A crise no PCTP-MRPP foi desencadeada por uma carta incendiária publicada no jornal online Luta Popular, logo no dia seguinte às eleições. Assinada "Espártaco", exigia a purga dos dirigentes que falharam a missão, apesar de terem "as melhores condições objetivas de sempre para alcançar os seus objetivos políticos imediatos: uma situação política geral de profundo repúdio pela política de austeridade governativa, cerca de 800 mil euros em dinheiro, provenientes da lei de financiamento dos partidos (12 euros por voto obtido nas eleições legislativas de 2011 e durante quatro anos), e um membro do comité permanente do comité central com um programa de televisão semanal na ETV [Garcia Pereira]".
Num tom imperativo, a carta exigia, além da suspensão do secretário-geral (Luís Franco) e dos membros do comité permanente, a formação de uma Comissão Política Especial, destinada a preparar um congresso extraordinário. A rematar, duas palavras de ordem: "Viva o partido comunista operário! Morte aos traidores!"
Ao mesmo tempo, multiplicaram-se no jornal online do partido os artigos assinados por Arnaldo Matos, de 76 anos, o líder histórico que abandonara formalmente o MRPP há quase quatro décadas. Ao longo dos últimos 30 anos, o advogado madeirense, que ficou conhecido em 1975 como o "grande educador da classe operária" (ver caixa), continuou a ser considerado pelos militantes como um mentor. Mas há muito que, para os media e para os eleitores, o rosto do PCTP-MRPP passara a ser outro advogado: Garcia Pereira.
Embora o cargo de secretário--geral fosse ultimamente ocupado por Luís Franco, sindicalista do metro, a figura mais conhecida daquela força política continuou a ser Garcia Pereira, habitual cabeça de lista às legislativas e à Câmara de Lisboa, além de candidato às presidenciais.
O litígio que agora opõe os antigos camaradas não se deve, unicamente, a divergências políticas. Logo na primeira carta, Espártaco ordenava: "Os atuais responsáveis pelas finanças do partido devem apresentar o relatório e contas de todo o tempo em que dirigiram financeiramente o partido, entregando a pasta à nova comissão no prazo de 15 dias, sem prejuízo de entregar imediatamente à Comissão Financeira as contas bancárias e os dinheiros do partido."
É neste clima de acusações que surge uma ex-secretária de Arnaldo Matos, Sandra Raimundo. Acusada no Luta Popular de "insultar pessoalmente o partido e alguns dos seus militantes nas chamadas redes sociais", é apresentada como sobrinha do dirigente suspenso Domingos Bulhão, "o responsável pelos dinheiros e contabilidade do partido, atualmente sob investigação". A visada escreveu um direito de resposta irreproduzível aqui, mas que foi publicado no blog Insurgente.
No meio da lavagem de muita roupa suja, Sandra Raimundo identifica Espártaco como um pseudónimo de Arnaldo Matos. E faz várias referências a questões financeiras, que terão afinal contribuído para tornar desavindos camaradas com mais de quatro décadas de militância em nome do proletariado.»
Jornal Diário de Notícias

The Ideology of Humanitarian Imperialism

Interview with distinguished Belgian Scholar Jean Bricmont

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Human Imperialism
Interview with distinguished Belgian Scholar Jean Bricmont. Interview with Àngel Ferrero for the Spanish newspaper, Publico.
English Translation courtesy of Counterpunch.
Àngel Ferrero: It has been 10 years since Humanitarian Imperialism appeared in Spanish. What made you write the book?
It started as a reaction to the attitude of the Left during the 1999 Kosovo war, which was largely accepted on humanitarian grounds and to the rather weak opposition of the peace movement before the 2003 invasion of Iraq: for example, many “pacifists” have accepted the policy of sanctions at the time of the 1991 first Gulf war and even after it, and were favorable to inspections in the run-up to the war, without realizing that this was just a maneuver to prepare the public to accept the war (this became even public knowledge through later leaks, like the Downing Street memos).
It seemed to me that the ideology of humanitarian intervention had totally destroyed, on the left, any notion of respect for international law, as well as any critical attitude with respect to the media.
Àngel Ferrero: What do you think it has changed in this last 10 years?
A lot of things have changed, although, I am afraid, not because of my book. It is rather reality that has asserted itself, first with the chaos in Iraq, then in Libya and now in Syria and Ukraine, leading to the refugee crisis and a near state of war with Russia, which would not be a “cakewalk”.
The humanitarian imperialists are still busy pushing us towards more wars, but there is now a substantial fraction of public opinion that is against such policies; that fraction is probably more important on the right than on the left.
Àngel Ferrero: The role of the intellectuals in legitimizing Western interventions and interferences is heavily criticized, as well as their symbolic actions (signing public letters or manifestos). Why?
The problem with “intellectuals” is that they love to pretend that they are critics of power, while in reality legitimizing it. For example, they will complain that Western governments do not do enough to promote “our values” (through interventions and subversions) which of course reinforces the notion that “our side” or “our governments” mean well, a highly dubious notion, as I try to explain in my book.
Those intellectuals are sometimes criticized, but by whom? In general, by marginal figures I think. They still dominate the media and the intellectual sphere.
Àngel Ferrero: Another of the preoccupations of your book is the degradation of the public discourse. Do you think that the situation worsened? How do you assess the impact of social media?
The public discourse goes from bad to worse, at least in France. This is related to the constant censorship, either through lawsuits or through campaigns of demonization, of politically incorrect speech, which includes all the questioning of the dominant discourse about the crimes of our enemies and the justifications for wars.
The social media is the only alternative left to “dissidents”, with the drawback that there, anything goes, including the wildest fantasies.
Àngel Ferrero: Some commentators point that Russia is now using their own version of the “human rights’ ideology” to justify their intervention in Crimea or the air campaign in Syria against the Islamic State. Is it fair?
I don’t think that Russia even claims to intervene on humanitarian grounds. In the case of Crimea, it bases itself on the right of self-determination of a people which is basically Russian, has been attached to Ukraine in an arbitrary fashion in 1954 (at a time when it did not matter too much, since Ukraine was part of the Soviet Union) and had every reason to be afraid of a fanatically anti-Russian government in Kiev.
For Syria, they respond to the request for help of the government of that country in order to fight foreign supported “terrorists”. I don’t see why it is less legitimate than the intervention of France in Mali (also requested by the government of that country) or of the more recent intervention of the U.S. in Iraq, against ISIS.
Of course, those Russian moves may prove to be unwise and maybe debatable from a “pacifist” point of view. But the fundamental question is: who started the total dismantling of the international order based on the U.N. Charter and the premise of equal sovereignty of all nations? The answer, obviously, is the U.S. and its “allies” (in the old days, one used to say “lackeys”). Russia is only responding to that disorder and does so in rather legalistic ways.
Àngel Ferrero: Let’s stay in Syria. Several European politicians demand a military intervention in Syria and Libya  to restore the order and stop the influx of refugees to the European Union. What do you think of this crisis and the solutions proposed by the EU?
They do not know how to solve the problem that they have created. By demanding the departure of Assad as a precondition to solving the Syrian crisis and by supporting so-called moderate rebels (the label moderate meaning in practice that they had been chosen by “us”), they prevented any possible solution in Syria. Indeed, a political solution should be based on diplomacy and the latter presupposes a realistic assessment of forces. In the case of Syria, realism means accepting the fact that Assad has the control of an army and has foreign allies, Iran and Russia. Ignoring this is just a way to deny reality, and to refuse to give diplomacy a chance.
Then came the refugee crisis: this was probably not expected, but occurred at a time when European citizens are increasingly hostile to immigration and to the “European construction”. Most European governments face what they call “populist movements”, i.e. movements that demand more sovereignty for their own countries. The flux of refugees could not come at a worst moment, from the European governments’ point of view.
So, they try to fix the problem as they can: having peripheral countries like Hungary build walls (that they denounce in public but are probably happy about in private), reinstall border controls, pay Turkey to keep the refugees etc.
There are of course also calls to intervene in Syria to solve the problem “at the source”. But what can they do now? More support for the rebels, trough a no-fly zone for example, and running the risk of a direct confrontation with the Russians? Help the Syrian army fight the rebels, as the Russian do? But that would mean reversing years of anti-Assad propaganda and policies.
In summary, they are hoisted by the own petard, which is always an unpleasant situation.
Àngel Ferrero: Why do you think that the Greens and the new left are so adamant in defending the humanitarian interventions?
Ultimately, one has to do a class analysis of the “new left”. While the old left was based on the working class and their leaders often came from that class, the new left is almost entirely dominated by petit-bourgeois intellectuals. Those intellectuals are neither the “bourgeoisie”, in the sense of the owners of the means of production not are they exploited by the latter.
Their social function is to provide an ideology that can serve as a lofty justification for an economic system and a set of international relations that are based ultimately on brute force. The human rights ideology is perfect from that point of view. It is sufficiently “idealistic” and impossible to put consistently into practice (if one had to wage war against every “violator of human rights”, one would quickly be at war with the entire world, including ourselves) to allow those defenders the opportunity to look critical of the governments (they don’t intervene enough). But, by deflecting attention from the real relations of forces in the world, the human rights ideology offers also to those who hold real power a moral justification for their actions. So, the petit-bourgeois intellectuals of the “new left” can both serve power and pretend to be subversive. What more can you ask from an ideology?
Àngel Ferrero: In the conclusions of your book you recommend a sort of pedagogy for the Western audience, so they accept the end of the Western hegemony and the emergence of a new order in the international relations. How can we contribute to this?
As I said above, it is reality that forces the Western audience to change. It was always a pure folly to think that human rights would be fostered by endless wars, but now we see the consequences of that folly with our own eyes. There should be a radical reorientation of the left’s priorities in international affairs: far from trying to fix problems in other countries through illegal interventions, it should demand strict respect of international law on the part of Western governments, peaceful cooperation with other countries, in particular Russia, Iran and China, and the dismantling of aggressive military alliances such as NATO.
Àngel Ferrero: I would like to ask you about  the other book that made you known to the general public, Fashionable Nonsense. This book, co-written with Alan Sokal, is a critique to postmodernism. What is the influence of postmodernism amongst scholars and the public opinion today? It fades away or is it still alive and kicking?
It is difficult for me to answer that question, because it would require a sociological study that I do not have the means to undertake. But I should say that postmodernism, like the turn towards humanitarian interventions, is another way that the left has self-destructed itself, although this aspect has had less dramatic consequences than the wars and the damage was limited to “elite” intellectual circles.
But if the left wants to create a more just society, it has to have a notion of justice; if it adopts a relativist attitude with respect to ethics, how can it justify its goals? And if it has to denounce the illusions and mystifications of the dominant discourse, it better rely on a notion of truth that is not purely a “social construction”. Postmodernism has largely contributed to the destruction of reason, objectivity and ethics on the left and that leads to its suicide.
This interview was conducted by Àngel Ferrero for the Spanish newspaper, Publico.
Jean Bricmont teaches physics at the University of Louvain in Belgium. He is author of Humanitarian Imperialism.  He can be reached at Jean.Bricmont@uclouvain.be
Da entrevista à vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Socialista vista e ouvida na RTP2 e Rádio Renascença hoje pela noite, fica-se com a impressão de que temos aí uma pessoa honesta e franca, com as suas convicções sociais-democratas, "moderadas" ou "centristas" como agora se usa dizer. A social-democracia desacreditada pelo seu apoio espúrio ao neoliberalismo entrou numa crise da qual quer sair, o que se compreende. A entrevistada foi clara em responder que o PS tentou acordos com o PSD antes de os aceitar fazer com a esquerda, tentativa gorada pela recusa do PSD em abdicar de determinadas políticas austeritárias. É uma informação que não fora até agora publicitada que eu saiba. E é reveladora.  Donde se deduz que quem teve a iniciativa de negociar entendimentos foi a esquerda, o BE num célebre debate com o secretário-geral do PS e a seguir pelo PCP na noite dos resultados eleitorais (informação pública prestada por Jerónimo de Sousa ao Expresso).
Informações que valem o que valem. Na minha opinião valem.

domingo, 29 de novembro de 2015

As trapalhices de uma certa esquerda

Uma certa esquerda continua atrapalhada nas questões internacionais. Apoiou a destruição da Líbia desprezando o aviso profético do coronel  Muammar Gaddafi algum tempo antes de ser assassinado brutalmente: “Agora ouçam bem, vocês da OTAN. Vocês estão bombardeando uma muralha, uma barreira que fica no caminho da migração africana para a Europa e no caminho dos terroristas da Al Qaeda. Esta muralha é a Líbia. Vocês estão destruindo-a. Vocês são estúpidos, e irão queimar no inferno por causa dos milhares de imigrantes africanos.”. Embarcou na propaganda astuta dos EUA durante e depois da ´guerra do golfo` classificava Sadham de um tirano que precisava de ser removido do poder. Calou-se quando Assad, da Síria, começou a ser alvo dos mesmos ataques. Putin é um ditador e o cliché volta a pegar. Uma certa esquerda enreda-se na teia da aranha das "democracias" e dos "direitos humanos". Assumiu sentimentos de culpa pelo colonialismo e pelo eurocentrismo. 
O imperialismo agradece.
"O que sabemos é que uma economia complexa de transporte de refugiados está gerando milhões e milhões de dólares em lucro. Quem está financiando isso? Tornando isso propício? Onde estão os serviços de inteligência europeus? Eles estão explorando esse submundo escuro? O fato de que os refugiados estão em uma situação desesperadora não exclui, de forma alguma, o fato de que seu fluxo para a Europa é parte de um projeto bem planejado."
Slavoj Žižek

sábado, 28 de novembro de 2015


"O Governo irá tão longe conforme faça uma opção por uma política com solução duradoura, que corresponda aos interesses e aspirações do povo português", disse Jerónimo de Sousa durante um jantar-comício na Figueira da Foz.
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"Aqui residirá o seu futuro, que com certeza poderá ser prolongado se essas respostas forem dadas", argumentou.
O líder comunista disse ainda que "não pode nem deve ser desperdiçada" a possibilidade agora aberta, com o novo Governo do Partido Socialista, de "dar passos limitados, é certo, mas nem por isso pouco importantes" na adoção de uma trajetória que inverta aquilo que disse ser o "rumo de declínio" seguido nos últimos quatro anos.
Jerónimo de Sousa defendeu a necessidade de uma política "patriótica e de esquerda" em oposição ao que disse ser a "política de mentira" da direita, e lembrou que o programa de governo que vai ser discutido, na quarta-feira, no parlamento "é um programa do PS, não um programa do PCP", mas que os comunistas o vão apoiar.
"Temos esta consciência da diferença e da divergência que existe em relação a matérias de fundo mas, no quadro de honrar a palavra dada, o que faremos na Assembleia da República é rejeitar qualquer moção de rejeição que venha do PSD e do CDS", permitindo que o Governo liderado por António Costa entre em funções.
Jerónimo de Sousa revelou ainda que nas reuniões com o PS para formalização do acordo de apoio parlamentar comunista a um futuro governo "o Partido Socialista nunca quis impor nada ao PCP" e que "ficou claro" que os comunistas mantêm a sua autonomia, independência e identidade, apesar do acordo alcançado.
Jerónimo de Sousa disse ainda que a situação do país "não prescinde, antes exige" que a luta dos trabalhadores seja colocada em primeiro plano, e embora assumindo divergências programáticas com o PS, frisou que o novo Governo representa uma "evolução positiva" para o país.
"Não nos pomos em bicos de pés. Mas se hoje este Governo [de coligação PSD/CDS] foi derrotado e se a solução alternativa foi encontrada, podemos dizer camaradas que muito se deve ao PCP", argumentou
Antes da intervenção do líder do PCP, Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF) e mandatário distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Edgar Silva, lembrou que vai estar no sábado em Lisboa, na manifestação convocada pela CGTP "para desejar que o governo do PS apoiado pelos partidos à sua esquerda tenha, de facto, políticas que não sejam de direita".
"Foi por isso que afastámos de lá o PSD e o CDS e agora o que é preciso é um governo que deixe de vez as políticas de direita", concluiu.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015





Portugal tem economia mais desigual dos países desenvolvidos

Segundo uma investigação da Morgan Stanley, Portugal é o país desenvolvido com maior desigualdade salarial e de riqueza.
http://www.esquerda.net/sites/default/files/styles/480y/public/3366786135_d2aec7877e_o_0.jpg?itok=RAEuCurT
Morgan Stanley, uma multinacional de serviços financeiros sediada em Nova Iorque, analisou a economia dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que tem 34 estados membros e 31 países parceiros) relativamente à igualdade salarial e de distribuição de riqueza. Os cinco países desenvolvidos mais desiguais, segundo o relatório, são, respetivamente, Portugal, Itália, Grécia, Estado Espanhol e Estados Unidos. Os cinco países com economias mais equilibradas são a Noruega, a Suécia, a Finlândia, os Países Baixos e a Bélgica. No relatório, foram estudados indicadores como a desigualdade salarial de acordo com o género, o emprego involuntário a tempo parcial e o acesso à internet, entre outros. A desigualdade persistente prejudica o crescimento económico a longo prazo, afirma o relatório, contrariando as políticas de austeridade que têm sido implementadas nos países do Sul da Europa, que estão nos quatro primeiros lugares das economias mais desiguais. De acordo com o relatório apresentado, “as gerações anteriores de famílias de classe média, no período posterior à Segunda Guerra Mundial, podiam aspirar a melhoras as suas condições de vida, a terem uma casa de tamanho razoável, uma boa educação para os seus filhos e reformas nas quais podiam confiar. Pelo contrário, as aspirações da classe média hoje em dia esbarram contra a insegurança laboral e das pensões”.A seguinte tabela resume os resultados do relatório:

http://www.esquerda.net/sites/default/files/styles/large/public/captura_de_ecra_2015-11-26_as_12.37.30.png?itok=W_4KLDOi


Quadro resumo dos resultados do relatório. A primeira coluna indica o lugar em que se posicionaram os países, com Portugal em primeiro. As variáveis avaliadas foram: os
coeficientes de Gini, a dispersão salarial (% de mudança nos coeficientes de Gini, % de crescimento salarial real, dispersão de rendimentos e diferença salarial entre géneros), balanço geral (riqueza líquida da média em relação à mediana e % da dívida mediana em relação ao rendimento), inclusão no local de trabalho (desemprego de quem completou o ensino secundário, trabalho parcial involuntário, Não Estudam Nem Trabalham - NEET, todos em em %), estado de saúde (intervalo no estado de saúde, em %) e acesso digital (acesso à internet, em %)

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Centro-esquerda:mais centro ou mais esquerda?

Comentadores da área do PS passaram desde hoje, dia da tomada de posse do novo governo, a fazer passar a mensagem segundo a qual este governo é do centro-esquerda. Não é que seja mentira (não existe verdade mais inequívoca) mas o que importa observar é que ela se dirige à Direita. Traduzindo: caríssimos confrades (com quem tantas vezes nos aliámos e com quem tantos negócios temos em comum), não se preocupem. Baixem as armas, tanto quanto pudermos a nossa estratégia, agora paralela, convergirá algures!
Só não se precavê quem é parvo. As lutas de classes não fecharam para férias. A manifestação pública agendada pela CGTP dará o mote.
A Direita prepara-se para desunir a Esquerda. Nesta altura congemina como fazê-lo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Pum!

Luandino Vieira acaba de lançar por cá, com os diários dos tempos que passou na prisão. Chama-se “Papéis da Prisão” e nele o escritor diz, por exemplo que “finda uma guerra de libertação, os povos deviam fuzilar os líderes”.

Conferência «Dívida Pública, Tratado Orçamental e Euro - Inevitabilidade ou constrangimento?» - 21 de Novembro de 2015 -

Consulte os nossos Sítios na net:
http://www.facebook.com/pages/Em-defesa-de-um-Portugal-soberano-e-desenvolvido/295243417207944
https://sites.google.com/site/emdefesadeumportugalsoberano/home
Pré-visualizar vídeo do YouTube Intervenção de Carlos Carvalhas - «Tratado orçamental - inevitabilidade ou constrangimento?»
Pré-visualizar vídeo do YouTube Intervenção de João Ferreira do Amaral - «Euro - inevitabilidade ou constrangimento?»

Sem lutas de massas não há mudanças

Há razões acrescidas para a mobilização das manifestações de 28 de Novembro

Imagem intercalada 1
A luta dos trabalhadores deu um importante contributo para forçar o Presidente da República a indicar um Governo resultante da nova maioria de deputados na Assembleia da República. Este é mais um exemplo de que valeu a pena lutar e dá ainda mais força aos objectivos e à mobilização dos trabalhadores e do povo para as Manifestações de 28 de Novembro em Lisboa (Belém), Porto (Pç. Batalha) e Braga (Arcada). A luta dos trabalhadores foi decisiva para o esvaziamento da base política, eleitoral e social do PSD-CDS e determinante para derrotar e remover estes dois partidos do Governo.
A CGTP-IN saúda os trabalhadores e o povo português e exorta-os a prosseguir e intensificar a luta por uma verdadeira mudança de política.
Atingido um dos objectivos da jornada de luta de 28 de Novembro, é indispensável que os restantes, nomeadamente o respeito pela Constituição da República, a mudança de política e a resposta às propostas e reivindicações da CGTP-IN e dos trabalhadores, sejam concretizados.
Tal facto implica uma intervenção activa do Movimento Sindical e dos trabalhadores no sentido de influenciar, agora, as políticas que queremos que sejam implementadas amanhã.
Neste contexto, a Comissão Executiva do Conselho Nacional considera fundamental que redobremos os esforços no envolvimento dos trabalhadores na acção nacional de luta, que se realiza no próximo sábado, dia 28 de Novembro.
Este é o dia certo para sairmos à rua, festejar em conjunto a queda definitiva do Governo do PSD-CDS e exigir uma mudança de políticas que correspondam às propostas e reivindicações da CGTP-IN e dos trabalhadores, nomeadamente:
A revogação das normas gravosas da legislação do trabalho nos sectores público e privado;
A revogação da caducidade das convenções colectivas e a reintrodução do princípio do tratamento mais favorável;
Um modelo de desenvolvimento que aposte na produção nacional, no emprego estável, seguro e com direitos, na valorização das profissões;
Uma justa distribuição da riqueza, que assegure o aumento geral dos salários, do SMN e das pensões;
Mais e melhores serviços públicos e funções sociais do Estado.
O momento que vivemos é crucial, exige acção e uma forte participação cívica de todos quantos lutam pela defesa e ampliação dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores! Tal como há 41 anos, naquele 1º de Maio que traçou definitivamente o rumo da Revolução de Abril, atravessamos um momento em que os trabalhadores e o povo têm de ser protagonistas da história e fazer da acção colectiva, organizada e em unidade, nos locais de trabalho e na rua, o instrumento que clarifique e potencie a concretização de uma política que respeite e valorize os direitos de Abril!
Vamos todos fazer do dia 28 de Novembro um dia histórico de luta dos trabalhadores, pelo progresso e justiça social, por um Portugal com Futuro!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O pior dos cenários

A "Espuma das Palavras" aguarda sempre, pela sua própria definição, o fim do dia, quando a coruja de Minerva ergue seu voo. Filosofa-se sobre o Resultado, um momento do processo histórico. Tal não impede, porém, que não se leiam os sinais, os sintomas, o trabalho da "pequena toupeira".
A guerra na Síria, o abate de um avião russo pelo governo turco, as divergências no teatro da guerra entre uma coligação improvável da NATO com a Rússia, faz prever o pior dos cenários. Somente a grandeza de estadistas, se os houver, e a diplomacia, poderá afastar um confronto de tremendas proporções.

O Presidente de alguns portugueses

O Presidente da República não detém competências para impor condições a uma solução de governo apoiada pela maioria do parlamento. As interrogações", chamemos-lhes assim, que colocou a António Costa foram para este fáceis de responder: constituem compromissos eleitorais e programáticas do PS. O compromisso de aprovação do 1º Orçamento não consta obviamente dos acordos, visto que ainda se desconhece qual seja. Contudo, está subjacente e implícito, desde que os acordos sejam cumpridos pelo governo. Ao contrário da opinião de Nicolau Santos, do Expresso, comentador sério e moderado, o BE e o PCP não precisam de "meter na gaveta" os seus programas relativamente à necessidade urgente de negociação da dívida e dos tratados orçamentais da UE. Acordos não são desistências e garrotes para os dois partidos da Esquerda. Era o que faltava!

25 de Novembro

Não comemoro o 25 de Novembro. data fatídica que equivale, salvaguardadas as diferenças, ao golpe militar que matou Allende. Equivale a todos os golpes contra-revolucionários, por mais distintos que hajam sido no decurso destes dois séculos de lutas de emancipação dos trabalhadores. No Chile um partido socialista aliou-se ao partido comunista e rasgou uma estrada de esperança; em Portugal, um partido socialista, liderado por Mário Soares, aliou-se à direita revanchista e golpeou o processo revolucionário. Não se deve a ele, mas a alguns dos mentores do 25 de Novembro, que a democracia política se conservasse. Abundam os documentos em que se prova que para os chefes de então (ainda vivos quase todos) do PS uma repressão violenta (sangrenta!) da Esquerda não era de descartar. A memória é curta quando os vencedores escrevem a história.
A ler hoje:  Jorge Sarabando “O 25 de Novembro a norte – o processo revolucionário no ano de 1975” (2ª edição).

sábado, 21 de novembro de 2015


PERFIL DE UM TERRORISTA DOS NOSSOS DIAS


http://3.bp.blogspot.com/-eXlVhxsQ8eo/VksseVBb6wI/AAAAAAAAAos/Cv9WGkWCOno/s1600/belhadjemaccain%2B01.jpgAs informações estão em poder da Interpol. Deitar-lhe a mão nestes tempos em que as leis e as fronteiras não são problema para assaltos a vidas, soberanias e privacidades, seria apenas uma questão de, digamos, “vontade política”, não é assim que costuma invocar-se? O seu paradeiro não é certamente segredo para a miríade de serviços secretos que apregoam defender “o nosso modo de vida”: é a Líbia, depois de tão bem democratizada pela NATO, onde ele exerce altos cargos políticos e operacionais no governo dominante, o mesmo que invoca para si próprio “o islamismo puro”.
Nome: Abdelhakim Belhadj. A história da sua vida dava um filme daqueles bem a gosto de Holywood, tanto mais que o seu currículo – em poder da Interpol, repito – corresponde às imagens dos rambos de séries A, B ou C cujos feitos heróicos coincidem com as vontades objectivas dos Estados Unidos e de Israel, países onde os fins e os agentes escolhidos para os executar justificam quaisquer meios e o recurso a psicopatas sanguinários.
Sabe a Interpol que Abdelhakim Belhadj é, no presente, o chefe do Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, no Magrebe e que, operacionalmente, criou e orienta Recebendo homenagens do senador McCain, dos amigos americanos
campos de treino de mercenários assassinos na Líbia, concretamente em Derna, Syrte e Sebrata, além de um escritório do ISIS em Djerba, na Tunísia.
Antes disto, Belhadj chefiou os terroristas do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL), que em 2007 mudou de nome para Al-Qaida, mais sintonizado com os tempos. Por quatro vezes, entre 1995 e 1998, tentou assassinar Khadaffi a mando do MI6, os serviços secretos ao serviço do terrorismo de Estado britânico. Perseguido na Líbia mudou-se para o Afeganistão, onde se instalou e agiu ao lado de Ussama bin-Laden, o qual dispensa apresentações.
Como a polícia espanhola suspeita de que foi um dos mandantes do atentado ferroviário em Madrid Atocha, em Março de 2004, foi detido logo a seguir na Malásia. Como se percebe, não terá sido difícil identificá-lo e prendê-lo, porque meia dúzia de dias e milhares de quilómetros mediaram entre crime e captura. Passou então maus bocados numa prisão secreta da CIA para onde foi transferido e onde ficou alojado para experimentar as famosas técnicas de tortura – “condicionamento de comportamento”, chamam-lhe nos Estados Unidos – do professor Seligman, métodos de cujas provas a CIA tentou desesperadamente impedir a divulgação.
Abdelhakim Belhadj restabeleceu-se depressa: para ele não se seguiram penas eternas no campo de concentração de Guantanamo, também ele eterno se a este Obama se sucederem outros obamas, coisa mais do que provável. É verdade que ainda foi extraditado para a Líbia, através de um acordo entre os Estados Unidos e o regime de Khadaffi, onde voltou a ser torturado, dessa feita às mãos do MI6 que antes servira. Nestas coisas, a CIA e a sua irmã MI6 são muito ciosas, separam as águas, cada uma quer fazer a sua tarefa ainda que repetindo-se.
Khadaffi libertou-o em 2010, no quadro de uma “reconciliação nacional”, e mal teve tempo para se arrepender. Abdelhakim Belhadj viajou para o Qatar e no ano seguinte estava à frente de grupos de mercenários que, ao lado e protegidos pelos bombardeamentos da NATO – França e Reino Unido, principalmente – derrubaram e assassinaram Khadaffi. Como recompensa pelos serviços prestados, e por recomendação na NATO, o Conselho de Transição nomeou-o governador militar de Tripoli, a capital.
Belhadj não aqueceu o lugar. Ainda teve tempo, porém, para exigir e obter desculpas dos Estados Unidos e do Reino Unido pelas sevícias sofridas noutros tempos, e o que lá ia lá foi. Outras tarefas estratégicas o aguardavam. Partiu em finais de 2011 para a Síria, onde foi um dos principais fundadores do Exército Livre da Síria, os famosos “moderados” tão queridos da senhora Clinton, da NATO, da União Europeia - com destaque para a França - e dos regimes fundamentalistas do Golfo, Arábia Saudita à cabeça. O objectivo era derrubar Assad, mas Assad resiste e já lá vão mais de 250 mil mortos, milhões de refugiados e um país destroçado, massacre cujas responsabilidades nenhum intervencionista ilegal e ilegítimo assume.
Sempre sem perder tempo, Abdelhakim Belhadj regressou à Líbia natal, onde fundou um partido governante, a maneira que encontrou, num cenário de caos, para instalar os terroristas islâmicos no poder em Tripoli.
Na qualidade de figura de proa na Líbia, provavelmente já na posição de chefe do Estado Islâmico no Magrebe, que a Interpol reconhece, Abdelhakim Belhadj foi recebido em 2 de Maio de 2014 no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris, tutelado por Laurent Fabius, ministro de Hollande e também um incondicional amigo de Israel.
Laurent Fabius, exactamente: que é ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hollande nestes dias em que continuam a sangrar as feridas abertas pelo assalto às vidas dos parisienses, ao que dizem cometido pela organização de que Abdelhakim Belhadj é um dos chefes máximos.
As informações sobre este terrorista-modelo dos nossos dias e o seu currículo estão nas mãos da Interpol. “Estamos em guerra”, proclama o presidente Hollande com os acenos concordantes do chefe da sua diplomacia. Vamos então esperar pelo que se segue, para ver o que acontece.
“A RÚSSIA QUER A GUERRA”
http://verslarevolution.hautetfort.com/images/Propagande%20poutinienne.jpeg

“VEJAM COMO COLOCAOU O SEU PAÍS PRÓXIMO DAS BASES AMERICANAS”
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A luta de classes à esquerda

Compreende-se que António Costa, secretário-geral do PS e futuro primeiro-ministro, se esfalfe a tranquilizar banqueiros, mercados e chefes da UE, em suma: o grande capital e seus testas-de-ferro. Não surpreende, nem outra coisa se esperava do PS. Tudo nos conformes.
O que vem demonstrar os termos e os objectivos correctos e conjunturais em que os acordos foram assinados e que hajam sido assinados separadamente.
O desconhecido é menos imprevisível do que parece.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Atentados e Estranhezas

Nos atentados terroristas sucedem coisas misteriosas. Um dos bombistas suicidas deixou à mão de semear o passaporte...Num automóvel foram encontrados documentos. Como é que assassinos bem treinados cometem faltas tão elementares como levar consigo documentos? Conta-se que nos atentados do 11 de Setembro foram encontrados documentos de um dos suicidas nos escombros de uma das Torres...Estranho.
O que é o ISIS?

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mundo Cão

A seita terrorista e sanguinária conhecida por “Estado Islâmico”, que também poderá designar-se Al-Qaida, Al-Nusra e Exército Livre da Síria – tiradas a limpo as consequências da existência deste – deixou de estar impune. Praticamente incólume desde que há um ano o todo-poderoso Pentágono anunciou que ia fazer-lhe guerra, bastaram-lhe agora uns dias sob fogo cerrado russo para entrar em pânico. Ou a aviação e a marinha da Rússia têm mais pontaria que as suas congéneres dos Estados Unidos da América e da NATO, o que é bastante improvável tendo em conta que não existem discrepâncias de fundo entre as tecnologias de ponta ao serviço destas potências, ou a diferença está simplesmente entre o que uns anunciam e os outros fazem. Diferença simples, mas de fundo, entre ser contra o terrorismo ou ser seu cúmplice.

De acordo com dados divulgados por fontes moscovitas, a Aviação e os mísseis de cruzeiro disparados de navios da Armada da Rússia destruíram já 112 alvos do Estado Islâmico instalados em território sírio ocupado, danos que incluem centros de comando, centrais de comunicação, bases de operações antiaéreas, além de estarem a provocar deserções em massa e um ambiente de pânico entre os terroristas. Propaganda de Moscovo, dirão muitos, mas sem razão. A desorientação entre os mercenários recrutados através do mundo e infiltrados na Síria a partir do Iraque, da Jordânia e, sobretudo, da Turquia está à vista de quem tem olhos para ver, principalmente os espiões atlantistas, bastando-lhe acompanhar a guerra em directo transmitida pelos satélites.

Esta realidade parece ser tão crua que, para surpresa de tantos que ainda acreditam em histórias da carochinha, induz os dirigentes norte-americanos, incluindo Obama himself, a esquecer-se das aparências e a deixarem escapar uma sentida indignação com tanta eficácia russa, capaz de numa simples semana ter mais êxito que os seus exércitos num ano inteiro.

Será mesmo isto que os preocupa? Talvez não. O que os responsáveis políticos e militares dos Estados Unidos alegam é que os russos, ao fazerem uma guerra tão certeira contra o terrorismo, estão a “ajudar o regime de Assad”. De onde pode deduzir-se que eles tratam o terrorismo com meiguice para não ajudar Assad, se possível para conseguir até que os bandos de assassinos a soldo derrubem Assad. Não é novidade, aliás, porque Julien Assange e Edward Snowden o revelaram através do WikiLeaks, que os Estados Unidos e os seus parceiros da NATO decretaram em 2006 o derrube do presidente sírio. Pelo que, imagine-se o atrevimento, os russos não estão a combater criminosos sanguinários mas sim a desobedecer a um decreto emanado há nove anos pelos que se olham como senhores do mundo – e dos mercados, claro está.

Quando seria de supor, levando a sério o discurso antiterrorista que se ouve de Washington a Paris, de Londres a Bruxelas, que a NATO iria conjugar esforços com Moscovo para liquidar de vez o Estado Islâmico tanto na Síria como no Iraque, o que acontece? A aviação norte-americana provoca um banho de sangue num hospital dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão, certamente um albergue dos mais fanáticos islamitas; as forças especiais de operações do Pentágono para a Síria (CJSOTF-S), que têm estado no Qatar, receberam ordem de transferência para a base da NATO de Incirlik, na Turquia, de modo a acompanhar de perto o treino de terroristas a infiltrar na Síria, terroristas “moderados”, claro, assim definidos depois de uma exaustiva avaliação pelos profilers de serviço; análise essa tão exaustiva e competente que todo o grupo de assassinos cujo treino acabou em 12 de Julho se transferiu logo depois, com bagagens e armas, para a Al-Qaida, percebendo-se agora a irritação de Washington com a eficácia russa: lá se foi o investimento em tão acarinhados terroristas, sem dúvida uns “moderados” acima de qualquer suspeita. Como se não bastasse, a NATO prepara-se para reforçar o contingente de agressão na Turquia a pretexto de supostas violações do espaço aéreo turco por aviões russos, apesar de não se lhe ouvir um pio quando caças turcos fazem operações quase diárias na Síria há vários anos. Fica assim claro que a mobilização da NATO em território turco é em defesa do terrorismo islâmico, e não para o combater.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita e o Qatar, aliados preferenciais da NATO, praticamente ao mesmo nível que Israel, perdem o amor a mais uns milhões de petrodólares para tentar rearmar o Estado Islâmico e outros do mesmo jaez, agora tornados vulneráveis pela ofensiva russa. Têm boas razões para isso, além de muitas cumplicidades: os grupos de mercenários activos na Síria e no Iraque gerem um mercado negro de petróleo através do qual se financiam e de que tiram chorudos lucros, como exportadores, não apenas as ditaduras do Golfo mas também Israel e a Turquia.

A ofensiva russa não acabou apenas com a impunidade do Estado Islâmico e outros bandos de mercenários; põe em causa a hipocrisia da guerra oficial “contra o terrorismo” proclamada pelos Estados Unidos e a NATO – que tem como exemplos mais trágicos as situações no Iraque, na Líbia e na Síria.

sábado, 14 de novembro de 2015

O legado do ateísmo

No contexto do lançamento do aguardado O absoluto frágil, ou, porque vale a pena lutar pelo legado cristão, de Slavoj Žižek, recuperamos este artigo do filósofo esloveno que procura reabilitar, da perversa ética multiculturalista do capitalismo contemporâneo, o núcleo emancipatório do ateísmo. Ao invés de se relacionar de forma exterior com a religião – sucumbindo assim à armadilha da “tolerância” –, Žižek subverte a abordagem e propõe levarmos a crença a sério e cobrar dos crentes a responsabilidade sobre aquilo em que creem. É esta perspectiva avessa ao lugar comum que anima também O absoluto frágil, um ensaio explosivo que defende uma aproximação entre o cristianismo e o marxismo num projeto político emancipatório renovado. Nas palavras do esloveno: “O primeiro paradoxo da crítica materialista da religião é este: às vezes é muito mais subversivo destruir a religião a partir de dentro, aceitando sua premissa básica para depois revelar suas consequências inesperadas, do que negar por completo a existência de Deus.” Confira!
* * *
Por séculos, nos foi dito que sem religião não somos mais do que animais egoístas lutando pelo nosso quinhão, nossa única moralidade a de uma matilha de lobos; apenas a religião, dizem, pode nos elevar a um nível espiritual mais alto. Hoje, quando a religião emerge como a fonte de violência homicida ao redor do mundo, garantias de que fundamentalistas cristãos ou muçulmanos ou hinduístas estão apenas abusando e pervertendo as nobres mensagens espirituais de seus credos soam cada vez mais vazias. Que tal restaurar a dignidade do ateísmo, um dos maiores legados da Europa e talvez nossa única chance de paz?
Mais de um século atrás, em Os Irmãos Karamazov e outras obras, Dostoiévski alertava sobre os perigos de um niilismo moral sem deus, defendendo essencialmente que, se Deus não existe, então tudo é permitido. O filósofo francês André Glucksmann até mesmo aplicou a crítica de Dostoiévski do niilismo sem deus ao 11 de setembro, como sugere o título de seu livro, Dostoiévski em Manhattan.
O argumento não poderia estar mais errado: A lição do terrorismo atual é que, se Deus existe, então tudo, incluindo explodir milhares de espectadores inocentes, é permitido – pelo menos àqueles que alegam agir diretamente em nome de Deus, já que, claramente, uma ligação direta com Deus justifica a violação de quaisquer refreamentos e considerações meramente humanos. Resumindo, os fundamentalistas não se tornaram diferentes dos comunistas Stalinistas “sem deus”, para os quais tudo foi permitido, já que viam a si mesmos como instrumentos diretos de sua divindade, a Necessidade Histórica do Progresso em Direção ao Comunismo.
Fundamentalistas fazem o que veem como boas ações de forma a satisfazer o desejo de Deus e ganhar a salvação; ateus o fazem simplesmente porque é a coisa certa a fazer. Não seria essa também nossa experiência mais elementar de moralidade? Quando faço uma boa ação, não a faço visando ganhar um favor de Deus; faço porque, se não fizesse, não poderia me olhar no espelho. Uma atitude moral é por definição sua própria recompensa. David Hume argumentou isso pungentemente quando escreveu que a única maneira de demonstrar verdadeiro respeito a Deus é agir moralmente ignorando sua existência.
Dez anos atrás, Europeus debatiam se o preâmbulo da Constituição Europeia deveria mencionar o cristianismo. Como de costume, um meio termo foi arranjado, uma referência em termos gerais à “herança religiosa” da Europa. Mas onde estava o legado mais precioso da Europa, o do ateísmo? O que faz da Europa moderna única é que ela é a primeira e única civilização em que o ateísmo é uma opção plenamente legítima, e não um obstáculo a qualquer posição pública.
O ateísmo é um legado europeu pelo qual vale a pena lutar, não menos por criar um espaço público seguro para os que creem. Considere o debate que inflamou-se em Ljubljana, a capital da Eslovênia, meu país natal, conforme a controvérsia constitucional fervia: muçulmanos (em sua maioria trabalhadores imigrantes das antigas repúblicas Iugoslavas) devem ter permissão para construir uma mesquita? Enquanto os conservadores opunham-se à mesquita por razões culturais, políticas e até arquitetônicas, a revista semanal liberal Mladina foi consistentemente explícita em seu apoio à mesquita, em continuar com suas preocupações pelos direitos daqueles que vinham de outras antigas repúblicas Iugoslavas.
Não surpreendentemente, dadas as atitudes liberais, Mladina também foi uma das poucas publicações eslovenas a republicar as caricaturas de Maomé. E, reciprocamente, aqueles que demonstraram maior “compreensão” pelos violentos protestos muçulmanos causados por aqueles cartuns foram também aqueles que regularmente expressavam sua preocupação com o futuro do cristianismo na Europa.
Estas alianças estranhas confrontam os muçulmanos da Europa com uma escolha difícil: A única força política que não os reduz a cidadãos de segunda classe e os concede o espaço para expressar sua identidade religiosa são liberais ateus “sem deus”, enquanto aqueles mais próximos a suas práticas religiosas sociais, seu reflexo cristão, são seus maiores inimigos políticos.
O paradoxo é que os únicos verdadeiros aliados dos muçulmanos não são aqueles que primeiramente publicaram as caricaturas para chocar, mas aqueles que, em defesa do ideal da liberdade de expressão, republicaram-nas.
Enquanto um verdadeiro ateu não tem necessidade de apoiar sua própria posição provocando crentes com blasfêmia, ele também se recusa a reduzir o problema das caricaturas de Maomé ao respeito às crenças de outras pessoas. O respeito às crenças dos outros como o valor maior só pode significar uma de duas coisas: Ou tratamos o outro de forma condescendente, evitando magoá-lo para não arruinar suas ilusões, ou adotamos a posição relativista de vários “regimes da verdade”, desqualificando como imposição violenta qualquer posição clara em relação à verdade.
Mas que tal submeter o Islã – junto com todas as outras religiões – a uma respeitosa, mas por isso mesmo não menos implacável, análise crítica? Essa, e apenas essa, é a maneira de mostrar verdadeiro respeito aos muçulmanos: tratá-los como adultos responsáveis por suas crenças.
* Publicado originalmente em inglês no The New York Times em 13 de março de 2006. A tradução, ligeiramente modificada, é de Ale GM para o Bule Voador.
absoluto frágil zizek
Cuba no enfrentamento Ao Ébola em Vários Países da África, Bem Como SEUS avanços na Ciência e na Educação.»
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PARIS.— A Unesco destacou a cooperação de Cuba no enfrentamento ao Ébola em vários países da África, bem como seus avanços na ciência e na educação.
No relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre a Ciência: para 2030, apresentado no contexto da 38ª Conferência Geral desta instituição, reconheceu-se que a Ilha enviou centenas de doutores e doentes, como expressão de solidariedade com o povo africano.
Os profissionais da saúde da nação caribenha cumpriram uma missão de honra nesse continente, salvando mais de 400 vidas e conseguindo que a taxa de letalidade geral não ultrapassasse 24,4%, precisou.
Nessa região, a epidemia do Ébola matou umas oito mil pessoas, de março a dezembro de 2014, indica a Prensa Latina.
O relatório destaca, ainda, que Cuba é o país da América Latina que dedica mais de 1% do Produto Interno Bruto ao Ensino Superior, com 4,47%, seguido da Bolívia com 1,61 pontos.
Ainda, continua sendo a nação de destino preferida pelos estudantes de outros países do continente. No quinquênio mais recente acolheu em seus centros de ensino superior a uns 17 mil, sublinhou.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Os Inteligentes 2

A Razão não é una nem única. Possui a suprema capacidade de se disfarçar, isto é, de disfarçar os seus interesses mundanos.
 Os argumentos segundo os quais o próximo governo do PS é ilegítimo é coxo: falta-lhe a sustentação da letra constitucional; baseia-se numa dita "tradição" lusa na qual não houve nunca governos de esquerda (abstraem o período revolucionário que, é claro, não lhes serve); as constituições e o Direito submetem-se, pois, a tradições. O argumento de que é ilegal  é maneta : falta-lhe a força dos factos: os eleitores elegem deputados e não primeiro-ministros; cabe à Assembleia da República formar um governo com apoio maioritário.
Sobra, porém, um argumento aos inteligentes: estes acordos não servem, pois que deviam acordar sobre matérias como o Orçamento (que ninguém soube, nem agora nem no passado, qual seja antes de o ser), o défice, a obediência aos tratados da UE, à NATO, etc., etc. Ou seja: as matérias divergentes entre os quatro partidos que assinaram acordos. Somente assim seria um governo "sólido, estável, consistente", que apaziguaria o presidente da República. Que significa? Significa que os inteligentes apelam (ou mais do que isto) ao dito cujo para não empossar António Costa. Como é que um acordo se faz sem que não haja matéria divergente? Teriam os partidos de esquerda de assinar por baixo do programa do PS??
Os inteligentes são assim: criticavam por vezes o governo ultra-liberal destes últimos quatro anos por "erros" e "desvios", personalizando aqui e acolá (como gostam de proceder os inteligentes), porém, na verdade, gostavam dele, como aqueles maridos ou esposas que chateiam mas no fundo até gostam.
Ora pôrra para os inteligentes!

Os inteligentes

João Miguel Tavares faz parte do elenco do "Governo Sombra", programa semanal da TVI, com o já célebre humorista Ricardo Araújo Pereira e o poeta Pedro Mexia. Inteligência não é coisa que ali falte. Um grande humorista e talentoso cronista de costumes, um crítico literário erudito e penetrante, um jornalista inteligente.
O problema é que, por vezes, a inteligência pisca o olho ao cinismo e disfarça sob o manto diáfano da crítica "independente" uma tremenda dependência ideológica. É o caso de João M. Tavares. Com um argumentário pretensamente diferente dos apelos ao golpe de estado que a coligação de direita anda por aí a exigir sem máscara, ataca um governo do PS, legítimo e legal, com apoio na Assembleia da República. “O acordo da esquerda não pode ser um Frankenstein keynesiano-leninista colado a cuspo. O acordo da esquerda não pode ser uma fraude intelectual. O acordo da esquerda não pode ser um discurso de Miss Universo, composto em exclusivo de suspiros por um mundo melhor.” Ora, o acordo de esquerda, que não é sequer um acordo mas três desacordos, é tudo isto, mas em pior. E só mesmo a carneirização da pátria e o nosso notável talento para ir atrás do primeiro flautista de Hamelin que se atravessa no caminho é que pode conduzir à suspensão, tanto à direita como à esquerda, dos mais básicos critérios de exigência intelectual e de honestidade política, e a uma espécie de aceitação conformada da inevitabilidade de António Costa ter de vir a ser indigitado primeiro-ministro.", "A opção de Cavaco não tem de ser um governo de gestão, nem de iniciativa presidencial. O que ele tem de fazer é ater-se aos critérios de solidez e estabilidade que enunciou e pedir a António Costa para parar de brincar connosco e assinar alguma coisa séria, se quer ser primeiro-ministro. Aceitar aqueles três desacordos daria uma grande felicidade à esquerda. Mas transformaria o presidente da República num triste notário, obrigado a carimbar qualquer papel que lhe pusessem à frente. A bem da salubridade do regime, não pode ser." O palavreado pretensamente irrefutável (o homem mostra-se arrogante e vaidoso no tal "Governo Sombra" e provoca permanentemente o Ricardo, querendo-se fazer passar por humorista também...Pobrezito!) resume-se ao mesmo que a direita trauliteira apregoa desesperada: Governo de esquerda nunca, jamais!
Nestes meandros sinuosos vão certos "liberais" desvelando a sua ideologia reaccionária. Anti-humanista se quisermos confrontá-la com as misérias que os trabalhadores têm sofrido nestes últimos quatro anos. O que é ser liberal hoje?

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Rosa Luxemburgo - O Filme

Os produtos com que a Monsanto contamina o planeta

O envenenamento do meio ambiente e de populações com PCB's, a aplicação massiva de Agente Laranja no Vietname, os perigos para a saúde pública causados pela hormona de crescimento bovino, a contaminação de culturas pelos OGM ou os efeitos do herbicida Roundup nas células humanas são algumas das matérias que a Monsanto procura branquear a todo o custo.
Foto eco-logical photography/Flickr (recortada)
Sendo, atualmente, uma empresa mundial de biotecnologia agrícola especializada em sementes transgénicas e herbicidas, que tem vindo a mudar a face da agricultura e a ditar a alteração dos nossos hábitos alimentares, a Monsanto começou como um fornecedor de produtos químicos.
Tentando, por todos os meios - manipulação de estudos, técnicas de marketing agressivas, entre outros -, limpar a sua imagem, a Monsanto auto intitula-se como “uma companhia de agricultura sustentável”i com o objetivo "produzir melhores alimentos para os consumidores e uma melhor alimentação para os animais".
A empresa oculta da sua históriaii “pequenos pormenores”, como as consequências profundamente dramáticas para o meio ambiente e a saúde pública da produção de PCB's, a contaminação de vietnamitas e veteranos de guerra com o Agente Laranja ou a toxicidade do Roundup, o herbicida que se transformou numa mina de ouro.
PCB's: Consequências dramáticas para o meio ambiente e a saúde pública
Cerca de 99% dos PCB'siii utilizados nos EUA foram produzidos pela Monsanto na sua fábrica de Sauget, em Illinois - que apresenta a taxa mais elevada de morte fetal e de nascimentos prematuros do estadoiv -, até terem sido totalmente proibidos pelo Congresso norte americano em 1976.
Estes compostos, produzidos desde 1930 e utilizados como refrigerantes e lubrificantes em equipamentos elétricos, são cancerígenos, e têm efeitos prejudiciais para o fígado, sistema endócrino, sistema imunológico, sistema reprodutor, sistema de desenvolvimento, pele, olhos e cérebrov.
Em janeiro de 2002, o jornalista Michael Grunwald, do Washington Post, descrevia no seu artigo, intitulado “Monsanto Hid Decades of Pollution”, a forma como, durante cerca de quatro décadas, a Monsanto envenenou a população de Anniston, despejando regularmente lixo tóxico num riacho na zona Oeste desta pequena cidade americana.
Em 1966, os administradores da Monsanto aperceberam-se que os peixes do riacho estavam a morrer. Três anos depois, encontraram peixes noutro riacho com 7.500 vezes os níveis legais de PCB's. Em 1975, um estudo verificou que os PCB's causavam tumores em ratos. Os responsáveis da Monsanto ordenaram a alteração dos resultados.
Vários memorandos internos, classificados como “confidenciais” comprovam que a Monsanto sabia quais as consequências das suas práticas, mas isso não a impediu de lucrar durante quatro décadas com a produção de PCB's. "Nós não nos podemos dar ao luxo de perder um dólar de negócios", frisava um dos documentos.
As indemnizações pagas décadas depois representaram somente uma pequena fração dos lucros, demonstrando que, de facto, o crime compensou.
Quase 30 anos depois de os PCB's serem proibidos nos EUA, continuam a aparecer no sangue de mulheres grávidas, conforme avança um estudo de 2011 da Universidade da Califórnia, em San Francisco. Outras pesquisas apontam um paralelo entre PCB's e autismo.
DDT: O inseticida proibido nos EUA em 1972
Em 1944, a Monsanto tornou-se num dos primeiros fabricantes do pesticida DDT, utilizado para combater os mosquitos transmissores da malária e do tifo e que foi massivamente utilizado na agricultura.
Ainda que durante décadas a Monsanto tenha assegurado veementemente que o DDT era seguro, em 1972, o inseticida foi proibido em todo os EUA, após terem ficado provados os verdadeiros efeitos da toxicidade do produto.
No livro Silent Spring a bióloga norte Americana Rachel Carson demonstra como o DDT pode provocar cancro em seres humanos e interfere com a vida animal, causando, por exemplo, o aumento de mortalidade entre os pássaros. Carson chegou a comparar o efeito das pulverizações massivas de DDT ao de uma nova bomba atómica. Vários estudos assinalaram que o DDT estava a matar vários insetos inofensivos essenciais para os ecossistemas e o pesticida chegou a ser responsabilizado pela quase extinção de, pelo menos, uma ave, o falcão-peregrino.
Em 23 de maio de 2001, 122 países assinaram a Convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persistentes (POPs), com o objetivo de eliminar uma lista inicial de 12 substâncias tóxicas, na qual se incluía o DDT.
Desenvolvimento das primeiras armas nucleares
Pouco depois de adquirir, em 1936, a Thomas e Hochwalt Laboratories, em Dayton , Ohio, a Monsanto transformou esta divisão no seu Departamento de Investigação Central, que, entre 1943 e 1945, teve uma participação significativa no Projeto Manhattan, cujo objetivo era desenvolver a primeira bomba atómica.
O Dr. Charles Thomas, que veio a assumir a presidência da Monsanto, era responsável pela purificação final do plutónio e esteve presente no primeiro teste de explosão da bomba atómica.
Utilização do Agente Laranja aos EUA durante a Guerra do Vietname
Entre 1961 e 1971, a Monsanto forneceu Agente Laranjavi, resultante da combinação entre os herbicidas 2,4-D e 2, 4, 5-T, ao exército norte americano, que o utilizou para desfolhar as árvores da selva tropical do Vietname durante a guerra. Os cerca de 80 milhões de litros deste desfolhante despejados no país pela Força Aérea dos EUA foram contaminados com dioxina, uma substância altamente tóxica e cancerígena criada como um subproduto do processo de fabrico do Agente Laranjavii.
Até hoje, a utilização do desfolhante durante a Guerra do Vietname traduz-se em consequências devastadoras para a população vietnamita e para os veteranos de guerra norte americanos, que vieram a processar a Monsanto.
Os Veteranos do Vietname da América identificaram pelo menos 50 doenças associadas à exposição ao Agente Laranja, bem como 20 tipos de defeitos de nascençaviii.
Segundo a Rede de Agricultura Sustentável (RAS)ix, algumas estimativas dão conta da existência de mais de 500 mil crianças nascidas no Vietname desde os anos 60 com deformidades relacionadas à dioxina contida no Agente Laranja.
A RAS refere ainda que uma ação judicial, originada pela denuncia de trabalhadores ferroviários expostos a dioxinas em consequência de um descarrilamento, evidenciou a manipulação de estudos para apoiar a posição da Monsanto. Um funcionário da Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) chegou à conclusão que os estudos foram manipulados por forma a levarem a crer que os efeitos da dioxina se limitava à cloroacne - uma enfermidade da pele. A Monsanto acabou por ser multada em 16 milhões de dólares, verificando-se ainda que muito dos produtos da empresa estavam contaminados por dioxina.
No artigo “A Obscura História da Monsanto”x, publicado pela RAS, é também citado um memorando da Dra. Cate Jenkins, da EPA, de 1990, onde se pode ler que "a Monsanto remeteu informações falsas à EPA”. “A empresa adulterou amostras de herbicida que remeteram ao Departamento do Ministério da Agricultura dos EUA para registar o 2,4-D e vários clorofenóis; ocultou provas sobre a contaminação do Lysol, além de excluir centenas dos seus antigos trabalhadores doentes dos seus estudos comparados de saúde”, avança a RAS.
BST: Degradação da saúde dos animais e perigo para a saúde pública
Em 1993, a Monsanto conseguiu a aprovação, por parte da Food and Drug Administration (FDA), da comercialização da BST, uma substância com efeito hormonal utilizada para fazer aumentar, entre 10% a 20%, a lactação nas vacas.
Em 1994, o Government Accountability Office (GAO) chegou a promover uma investigação a três funcionários da FDA envolvidos na aprovação da BST, por existirem suspeitas de conflito de interesses. Michael Taylor, Margaret Miller e Suzanne Sechen estiveram envolvidos nos estudos iniciais da Monsanto sobre a BST, tendo mais tarde vindo a integrar a FDA e a avaliar esses mesmos estudos. Ainda que tenham ficado perfeitamente demonstradas as inúmeras ligações entre a Monsanto e a FDA, o GAO acabou por concluir que nenhum destes funcionários tinha violado qualquer regra sobre conflito de interesses, defendendo não existir base legal para qualquer processoxi.
Um estudo da comissão científica da União Europeia veio, entretanto, a concluir que a utilização da BST aumenta substancialmente a incidência de problemas de saúde nos animais, entre os quais problemas nas patas, processos infecciosos agudos das glândulas mamárias (mastite) e doenças do aparelho reprodutor. No caso das vacas com mastite, o leite produzido apresenta pus, sendo que são administrados antibióticos que trazem problemas para os animais e enormes perigos sobre os seres humanosxii.
Por outro lado, quando se administra BST na vaca é estimulada a produção de outra hormona, o Fator de Crescimento 1 (IGF1). Em 1996, um estudo da Universidade de Illinois, Chicago, mostrou que as concentrações de IGF1 que se verificam no leite das vacas tratadas com a BST multiplicam por quatro o risco de cancro da próstata nos homens e por sete o risco de cancro da mama nas mulheresxiii.
A partir de 1999, a BST começou a ser proibida em vários países: primeiro no Canadá, depois na Austrália, na Nova Zelândia, no Japão, em Israel e em toda a União Europeia.
Em 2000, a BST já se tinha tornado no produto farmacêutico mais vendido na história da indústria de laticíniosxiv.
Sacarina: Um produto cancerígeno?
No início da sua atividade, a Monsanto dedicou-se à produção do adoçante sacarina. Em pouco tempo, a empresa tornou-se na principal fornecedora de matérias primas da Coca-Cola.
Em 1977, a Food and Drug Administration (FDA) tentou retirar a sacarina do mercado após Arnold D.L. e outros autores terem assinalado que este produto induzia cancro da bexiga. Esta mesma conclusão foi corroborada, em 1980, num estudo do National Cancer Institute, que assinalou ainda que a sacarina produzia também vários outros tipos de tumores em ratos. Em 1981, a sacarina foi, inclusive, incluída na lista de substâncias carcinogénicas em humanos da NTP National Toxicology Program (NTP).
A sacarina continuou, contudo, a ser comercializada, mediante a pressão da indústria de alimentos dietéticos e dos próprios consumidores exibindo, contudo, e até ao final da década de 90, uma advertência com a indicação de que tinha apresentado sinais cancerígenos.
Posteriormente, alguns estudos revelaram que os resultados dos estudos apenas se aplicavam a ratos, na medida em que os tumores nestes animais se deviam a um mecanismo não relevante em humanos. Em 2000, esta substância foi retirada da lista de substâncias carcinogénicas.
Vários cientistas desaconselharam a retirada da sacarina desta lista. O documento oficial tem, até à data, a seguinte redação: "embora seja impossível concluir com certeza que não representa uma ameaça para a saúde humana, não se pode afirmar razoavelmente que a sacarina sódica é um carcinógeno humano em condições de uso geral como um adoçante artificial”.
OGM: Contaminação de culturas e perseguição aos agricultores
Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) são organismos cujo material genético foi manipulado de modo a favorecer alguma característica desejada. No caso das sementes produzidas pela Monsanto, as mesmas foram geneticamente modificadas por forma a repelirem pragas ou a resistirem exclusivamente aos herbicidas comercializados pela empresa.
O milho transgénico, por exemplo, liberta um forte inseticida que não só aniquila os insetos passíveis de destruir as colheitas como também aqueles que lhes são benéficos, e essenciais para os ecossistemas, como borboletas e abelhas.
Uma das preocupações no que se refere ao cultivo de plantas transgénicas prende-se com a polinização cruzada entre estas espécies e as espécies nativas ou as culturas que não foram manipuladas geneticamente. O pólen transportado por insetos ou pelo vento pode implicar a contaminação de campos situados até dezenas de quilómetros, dependendo da distância percorrida pelo mesmo e da própria planta em causa.
Esta contaminação pode ter consequências bastante preocupantes. Em meados dos anos 90, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) descobriu que o milho Starlink, da empresa Aventis, era alergénico, interditando a sua comercialização para consumo humano. Contudo, entre 2000 e 2001, foram recolhidos mais de 300 produtos alimentares que continham traços do produto e 44 pessoas queixaram-se de reações alérgicas como consequência do consumo desses alimentosxv.
Por forma a espalhar a sua tecnologia por todo o mercado de fornecimento de sementes, a Monsanto não só comercializa as suas próprias sementes patenteadas, como também, tal como refere o Food & Water Watchxvi, utiliza acordos de licenciamento com outras empresas e distribuidores permitindo, nomeadamente, que a concorrência utilize características genéticas desenvolvidas pela Monsanto nos seus produtos.
Em documentários como "Food, Inc." e "The Future of Food" é abordada a perseguição da Monsanto contra os agricultores. A Monsanto não se coíbe de processar pequenos agricultores por quebrarem o acordo de licenciamento da tecnologia da empresa ao qual se vinculam quando, tão simplesmente, adquirem um saco de sementes da multinacional.
Este acordo estipula, por exemplo, que os agricultores não podem guardar e replantar as sementes e são responsáveis pelo acompanhamento de todos os procedimentos incluídos no Guia de Utilização da Tecnologia da Monsanto, bem como que a Monsanto pode investigar as plantações dos agricultores e aceder aos seus registos na USDA Farm Service Agency. A Monsanto criou, inclusive, uma linha gratuita para que qualquer cidadão possa denunciar os agricultores que utilizam a tecnologia da Monsanto sem licençaxvii.
Não só os agricultores que adquiriram produtos da Monsanto são alvo de processos como também aqueles que, inadvertidamente, acabam por encontrar características genéticas desenvolvidas pela empresa nas suas culturas graças à polinização cruzada.
As mais valias tão propaladas do cultivo de OGM, como aumentar a produtividade ou diminuir a necessidade da aplicação de pesticidas e herbicidas, têm vindo a ser desmentidas pela comunidade científica. Ao invés de "produzir melhores alimentos para os consumidores e uma melhor alimentação para os animais", a Monsanto procura encher os seus cofres impondo uma alteração radical dos sistemas agrícolas a nível mundial e dos hábitos alimentares das populações.
Em 2009, os produtos da Monsanto cresciam em 282 hectares a nível mundial e em 40% da área cultivada nos EUA. Perto de 93% de toda a plantação de soja e 80% da plantação do milho nos EUA foram cultivadas com sementes contendo material genético patenteado pela Monsantoxviii. A Monsanto controla mais de 90 por cento da produção de OGM no mundo.
A expansão da utilização de OGM traduz-se na perda permanente de biodiversidade e numa ameaça à soberania e segurança alimentar, principalmente nos países mais pobres, onde as populações sobrevivem à custa da conservação de sementes.
Roundup: O veneno que se transformou numa mina de ouro
Criando sementes transgénicas que resistem unicamente a este herbicida, a Monsanto obriga os agricultores a adquirir o Roundup, tornando a sua comercialização numa verdadeira mina de ouro. Em 2011, as vendas do Roundup e de outros herbicidas representaram 27 por cento do total das vendas líquidas da Monsanto.
No documentário “O Mundo Segundo a Monsanto”, Marie-Monique Robin reproduz a peça publicitária na qual a Monsanto apresenta o Roundup, como um produto “biodegradável, (que) deixa o solo limpo e respeita o meio ambiente”. “O glifosfato é menos tóxico para os ratos do que o sal de mesa ingerido em grande quantidade” , acrescenta a Monsanto, esquecendo-se de referir que o Roundap é muito mais tóxico na sua fórmula global.
Na realidade, os estudos que justificaram a homologação do Roundup foram produzidos somente com base na análise do princípio ativo, não sendo tidas em conta as características da fórmula final.
O professor Robert Bellé, do Centro Nacional de Investigação Científica francês, citado por Robin, concluiu que o Roundap desencadeia a primeira etapa que pode conduzir a situações de cancro 30 a 40 anos mais tarde. “O Roundap é um assassino de embriões e em concentrações mais fracas é um perturbador endócrino para os fetos”, escreveu.
Gilles-Eric Seralini, professor de biologia molecular na Universidad de Caen (Francia), que desenvolveu várias investigações para a Comissão Europeia sobre os efeitos dos alimentos transgénicos na saúde, foi taxativo quanto aos efeitos do Roundup nas células humanas: “mata-as diretamente”xix.
Vários estudosxx têm associado ainda a utilização do Roundup ao desenvolvimento de problemas do sistema reprodutor.
 

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

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Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

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Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

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Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

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Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

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Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

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Roma-Fonte Trévis

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Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

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Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Acrópole

Grécia

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Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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