quinta-feira, 11 de maio de 2017

ORIGENS

E o Homo naledi surpreendeu-nos de novo, agora terá coexistido connosco

Mais ossos encontrados num local de difícil acesso, numa gruta na África do Sul, reforçam a hipótese de que estes humanos já seguiam ritos funerários como nós.
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Foi revelado ao mundo em 2015 e agora a mesma equipa que tinha descoberto o Homo naledi na África do Sul voltou a trazer de uma assentada um punhado de novidades sobre esta espécie de humanos mais primitivos do que nós. A mais surpreendente é que o Homo naledi, a que inicialmente tinha sido atribuída uma idade de 2,5 milhões de anos, poderá ter sobrevivido muito mais tempo e, por isso, há cerca de 330 a 230 mil anos ainda andaria pelas paisagens do Sul de África. A ser mesmo assim, a história da evolução humana ganha contornos ainda mais interessantes – porque significaria que o Homo naledi e os primeiríssimos representantes da nossa espécie, o Homo sapiens, poderão, afinal, ainda ter-se encontrado.
A nova espécie de humanos foi-nos apresentada em dois artigos científicos na revista online de acesso livre eLife, em Setembro de 2015, pela equipa de Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand (Wits), em Joanesburgo, África do Sul. Ossos de 15 indivíduos tinham sido encontrados durante duas expedições, em 2013 e 2014, a uma das câmaras da Gruta Estrela Ascendente, a 40 quilómetros de Joanesburgo. Era a Câmara Dinaledi (que significa “as estrelas” em sesoto, uma das línguas oficiais da África do Sul) e daí viria o nome científico da nova espécie.
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O investigador sul-africano Lee Berger Universidade de Wits
Além de se lhe atribuir uma idade que poderia andar à volta dos 2,5 milhões de anos, já se dizia que os seus fósseis reuniam uma mistura de características mais primitivas e mais evoluídas. Um cérebro pequeno e uma forma do corpo mais próximos do grupo de pré-humanos, como os australopitecos. Mas as mãos,os pulsos e pés tinham semelhanças com os da nossa espécie, o homem moderno. No caso das mãos, tinham já características que lhe permitiam manipular objectos, mas, ao mesmo tempo, os dedos curvos e polegares grandes possibilitavam que trepasse às árvores.
Ainda em 2013, à medida que o trabalho de campo decorria na Câmara Dinaledi, a equipa coordenada por Lee Berger encontrou uma segunda câmara, a cerca de cem metros de distância. Na Câmara Lesedi (ou “luz”, na língua tsuana, também falada na África do Sul), os cientistas depararam-se com cerca de 130 fósseis de mais três indivíduos do Homo naledi — ossos da cabeça e do corpo de uma criança que deveria ter menos de cinco anos, uma mandíbula e ossos das pernas de um adulto e, por fim, um esqueleto parcial de um outro adulto, incluindo o seu crânio quase completo extraordinariamente bem preservado.
Graças ao crânio, este último adulto do sexo masculino teve direito a alcunha: “Neo”, ou “uma prenda”, em sesoto. “Finalmente, pudemos olhar para a cara do Homo naledi”, resume Peter Schmid, das universidades de Wits e de Zurique (Suíça), que passou horas a tratar dos ossos do crânio.
No total, há agora pelo menos 18 indivíduos atribuídos à espécie Homo naledi, perfazendo cerca de 2000 fósseis.
É a descoberta de mais fósseis na nova câmara da gruta que os cientistas relatam num dos três artigos científicos publicados, de novo, na revista eLife e que são assinados por uma vasta equipa internacional. Num dos outros dois artigos é esmiuçada a datação dos sedimentos e fósseis da Câmara Dinaledi, enquanto no terceiro se faz uma reflexão sobre as implicações para a história da evolução humana e a interpretação de achados arqueológicos, como ferramentas, da descoberta deste novo humano.
Ora os trabalhos de datação foram muito complicados, como nota Paul Dirks, das universidades de Wits e James Cook (na Austrália), que trabalhou nesta questão com mais 19 cientistas de vários laboratórios a volta do mundo. “A datação do naledi foi extremamente desafiante”, diz Paul Dirks, segundo um comunicado da universidade sul-africana. “Por fim, seis métodos de datação independentes permitiram-nos restringir a idade desta população de Homo naledi a um período conhecido como Pleistoceno Médio.”
Estas populações terão assim vivido até há cerca de algumas centenas de milhares de anos — há apenas 335 a 236 mil anos —, de acordo com a datação directa de sedimentos e de dentes, bem como a reconstituição geológica dos depósitos na Câmara Dinaledi, que foi aquela que, por ora, foi datada.
Se de facto estas datações estiverem correctas, então há todo um outro mundo de possibilidades que se levanta na história da evolução humana. Por essa altura, o Homo sapiens estava a começar a surgir em África, o que significa que não só o Homo naledi sobreviveu mais dois milhões de anos do que se pensava, ao lado de outras espécies de humanos, como o Homo erectus ou o Homo habilis, mas também que se terá chegado a encontrar connosco. Mesmo que por escassos momentos, em termos evolutivos.
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O crânio de um Homo sapiens arcaico da Zâmbia e do Homo naledi John Hawks/Universidade de Wisconsin-Madison
Ao ter uma idade mais jovem do que a inicialmente avançada, e não tendo estado o Homo sapiens sozinho em África, também se põe a questão de saber quem é que fez as ferramentas de pedra atribuídas à nossa espécie no continente africano. “No registo arqueológico de África, já não podemos presumir que sabemos que espécie fez as ferramentas ou até que o homem moderno foi o inventor de algumas destas tecnologias críticas e avanços comportamentais”, resumiu Lee Berger. “Se havia uma outra espécie por aí que partilhou o mundo com os humanos modernos em África, é muito provável que haja ainda outras. Só temos de as encontrar.”
Contextualizando um pouco, diga-se então que os primeiros humanos — ou seja, os primeiros membros do género Homo — surgiram muito antes, há 2,8 milhões de anos, em África. Também recentes, do início de 2015, estes resultados, de uma outra equipa, basearam-se na análise de uma mandíbula descoberta na região de Afar, na Etiópia, atribuída já ao Homo habilis, o que fez recuar em cerca de 400 mil anos o aparecimento dos primeiros humanos. Igualmente em 2015, foi anunciada a descoberta no Quénia, por uma outra equipa, das primeiras ferramentas (de pedra) fabricadas já por pré-humanos. Têm 3,3 milhões de anos, por isso só podiam ter sido fabricadas antes do aparecimento dos primeiros humanos. Até então, considerava-se que as espécies de hominíneos — os nossos antepassados depois da separação do ramo dos chimpanzés, há cerca de oito milhões de anos — existentes antes dos humanos não tinham tal capacidade de talhe da pedra. Para esta equipa, estes artefactos demonstravam que esses hominíneos que sabiam talhar a pedra já tinham capacidades de planeamento, destreza manual e selecção de materiais.
Portanto, o Homo naledi não faz parte dos primeiros humanos mas ainda surgiu cedo na árvore humana.

Preocupação pelos outros após a sua morte

Um outro aspecto é apresentado agora como um reforço de provas do que a equipa de Lee Berger já tinha aflorado nos trabalhos anteriores sobre o Homo naledi. Até que ponto estes humanos não terão praticado ritos funerários? Afinal de contas, não era nada fácil chegar ao interior daquela gruta. A passagem mais estreita da Câmara Dinaledi tem 18 centímetros e da Câmara Lesedi, 25.
Por isso, os cientistas dizem que era preciso o Homo naledi ter-se esforçado muito para chegar ao interior da gruta, o que os leva a pôr a hipótese de que aqueles corpos foram ali depositados de propósito. Ou seja, seguindo ritos funerários, que associamos já a comportamentos mais complexos do homem moderno (outro desses comportamentos é relativo aos adornos pessoais). Agora existe uma segunda câmara, longe da primeira, também com vários esqueletos.
“Isto dá peso à hipótese de que o Homo naledi usava locais escuros e remotos para esconder os seus mortos. Quais são as hipóteses de uma segunda ocorrência, quase idêntica, se repetir por acaso?”, frisa John Hawks, da Universidade do Wisconsin, em Madison (EUA), também envolvido neste trabalho, que acrescenta num comunicado desta instituição: “O Homo naledi parece partilhar aspectos profundos de um comportamento reconhecido por nós, uma preocupação duradoura por outros indivíduos que continua depois da sua morte. Deslumbra-me que possamos estar a ver as raízes profundas de práticas culturais humanas.”

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