Desconfio dos altruístas: parecem-me egoístas disfarçados.
Desconfio dos egoístas: parecem-me manipuladores.
A paixão amorosa obedece a um discurso retórico comum, senão até universal; é repetitivo e emerge do desejo e do receio. O que surpreende e a sua sinceridade.
Acredito na compaixão como um sentimento comum e natural. Sentimos compaixão porque não nos queremos encontrar em idêntica situação. Sentimos uma compaixão ainda mais sincera quando não queremos que esse ser se encontre nessa situação.
Tanto o egoísmo como o altruísmo radicam na natureza humana- naturalmente social- em parte inscrita na espécie, noutra parte socialmente aprendida, recebendo e dando forma a um padrão singular de cada indivíduo: uns são mais naturalmente altruístas do que outros. Tenho como certo que o desenvolvimento tanto de um como do outro comportamento depende da estimulação social. A gratificação que recebemos com um ou com o outro comportamento é que decide em última instância. Se a comunidade não castiga o egoísmo, antes pelo contrário, seremos impunemente egoístas.
A decisão de uma vida em comum manifesta uma grande evolução da Espécie, e novo progresso se verificou quando o interesse económico ou exclusivamente reprodutivo já não predominam. Uma boa parte desta evolução deve-se às ideias modernas do «amor romântico». A taxa dos divórcios acompanha esta evolução.
terça-feira, 24 de março de 2009
POSTULADOS
AFORISMOS
Pintámos em cavernas, projectámos imagens num estúdio às escuras, para um público hipnotizado. Ainda lá estamos.
Quando os teus olhos são verdes, vejo planícies onde volto a correr como em criança. Quando os teus olhos são azuis, voo atrás das gaivotas, como quando sonhava nas aulas.
A verdade não é a luz que ilumina uma mente obscurecida. É uma ferramenta com que se abre uma porta e ou se deita abaixo um muro.
Nunca, ou quase nunca, vi, no teu olhar, qualquer brilho de maldade. Ironia sim, malvadez nunca. Estaria cego?
O combate não pode circunscrever-se à conquista -ou preservação – de uma identidade colectiva -ainda que também o seja – mas à construção -ou preservação- de uma identidade individual. Uma sem a outra não vale de nada; uma na outra, vale tudo.
A tua boca fala-me de deusas, lendas e mitos. Não mas relata, evoca-mas. Revejo-te nos símbolos, nos ritos, nos mitos. Escrava e serva, feiticeira e sacerdotisa. Vens do fundo dos tempos. A tua boca soa-me a murmúrios, códigos secretos, sugestões. Mas é quando danças, ou escreves, que tudo sobe à superfície.
«Torna-te no que és». Porém, eu sou o que pude ser, não o que desejava ser. Serei apenas o possível?
Amei os teus pés quando pela primeira vez os vi. E dessa visão brotou instantaneamente um calor que até hoje não arrefeceu.
«Vive de tal modo que queiras repetir a vida que levaste outra vez; na verdade, tu retornarás». Não, Nietzsche, não quereria repetir os mesmos erros, e seguramente não retornarei.
Somos um punhado de átomos que pensam por um mero acaso. Outros átomos por esse vasto universo também pensam certamente. E naquilo que for verdade, pensarão exactamente da mesma maneira. É essa verdade que a filosofia em mim busca. Sem jamais saber que a encontrou.
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