sábado, 26 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
NÓMADAS E SEDENTÁRIOS
Primeiamente fomos caçadores e recolectores nómadas, depois sedentarizámo-nos. Somente depois descobrimos a domesticação e selecção das plantas e, a seguir, a domesticação dos animais. As cidades não surgiram daqui, vieram do antes, quando os sedentários as inventaram com pedras e, depois, lama cozida ao sol. A sedentarização veio para ficar, espalhar-se pelo pelo planeta, nuns continentes mais depressa, noutros mais lentamente. As bolsas nómadas foram reduzindo-se.
Tornámo-nos o que somos, sedentários, ao longo de dezenas de milhar de anos. Com a sedentarização criaram-se leis, regulamentos, para defender a propriedade comunal e a privada, dos inimigos externos e internos.
Sedentários insubmissos atravessaram as civilizações. O nomadismo como utopia da liberdade, da diferença.
Esta utopia atravessa as últimas obras de Gilles Deleuze.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
EXPLICAÇÃO
A fotografia sob o título deste blog foi tirada por mim e se ela consegue exprimir universalmente o sentimento que o título designa - «NOSTALGIA» -, independentemente do lugar concreto, é sorte minha. Na realidade, é uma escadaria que conduz à Praia do Guincho, em Santa Cruz, Torres Vedras, lugar carregado de simbolismo para mim. Que a minha NOSTALGIA se transmita àqueles que nunca lá foram, mas sentem e sabem o que significa.
A toupeira da História
Antecipando-me a objecções, claro que se pode dar, e deve, uma mão-cheia de exemplos que contrariam de algum modo as palavras do comentário «A Decisão». Por exemplo: a revolução operada por Darwin (a maior de todos os tempos) que germinou plenamente no século vinte com a Biologia; a segunda maior revolução, as teorias da relatividade de Einstein e, paralelamente, a Física Quântica, a astrofísica, a astroquímica; a terceira grande Revolução, realizada em 1917, na Rússia, cujo impacto marcou todo o século e ainda se faz e fará sentir. E muitos outros exemplos: na emancipação das mulheres, nos costumes, nas tecnologias...Antigas utopias transformaram-se em realidades. Inclusivamente dou mesmo como garantida a perda da maior absoluta pelo PS do Sócrates.
As duas teses não se excluem mutuamente. Creio que são até um exemplo vivo da unidade de contrários. Quem excluir uma, é um optimista; quem excluir a outra, um pessimista.
Tudo que parece sólido se dissolve no ar. Acredito que sob o solo mais duro, a toupeirinha (não a doninha, como erradamente lhe chamei) vai escavando incansável, porque é da sua estricta necessidade escavar. E esta metáfora de Hegel exprime bem as duas teses contrárias.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A DECISÂO
Vejo o gato repetir o mesmo comportamento que ficou registado e pronto para ser reactivado. Semelhante mecanismo noto-o no cão da minha vizinha, nas aves de gaiola e fora dela, nos macacos do zoo e nos outros animais que o National Geographique me mostra e me ensina; releio Darwin no duplo centenário do seu nascimento, na etologia e biologia contemporâneas. Vejo-o nos indivíduos humanos, com os nomes de condicionamento, hábito (ou esse habitus mais complexo e alargado, como queria Bourdieu). Vejo-o nos comportamentos colectivos do consumo e nas técnicas que o provocam. Vejo-o na influência dos meios de comunicação de massa, isto é nos noticiários, e nas sondagens. Vejo-o nas reacções dos populares aquando das campanhas eleitorais. A aptidão para o comportamento condicionado já lá está e sempre esteve, quando foi estudado cientificamente, converteu-se numa técnica mais eficiente e lucrativa do que jamais o fora. Esta indústria da política e da cultura é, assim, o traço mais forte dos séculos vinte e vinte e um.
O problema do livre arbítrio é um pseudo enigma.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Mário Benedetti
De que se ri?
(serei curioso?)
Numa perfeita
foto do jornal
senhor ministro
do impossível
vi enlevado
e eufórico
e perdido de riso
o seu rosto simples
serei curioso
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
da sua janela
vê-se a praia
mas ignoram-se
os bairros de lata
têm seus filhos
olhos de mando
mas outros têm
o olhar triste
aqui na rua
acontecem coisas
que nem sequer
se podem dizer
os estudantes
e os trabalhadores
põem os pontos
nos ís
por isso digo
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
O senhor conhece
melhor que ninguém
a lei amarga
de estes países
os senhores são duros
com a nossa gente
por quê com os outros
são todo servis?
porque alienam
o património
enquanto o gringo
nos cobra o triplo?
porque atraiçoam
os senhores e os outros
os bajuladores
e os senis?
por isso digo
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
aqui na rua
os seus guardas matam
e aqueles que morrem
são gente humilde
e os que ficam
chorando de raiva
por certo pensam
na desforra
algures na prisão
os seus homens fazem
sofrer o homem
e isso não serve
além do mais
o senhor é o mastro
principal de um barco
que vai a pique
serei curioso
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
(serei curioso?)
Numa perfeita
foto do jornal
senhor ministro
do impossível
vi enlevado
e eufórico
e perdido de riso
o seu rosto simples
serei curioso
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
da sua janela
vê-se a praia
mas ignoram-se
os bairros de lata
têm seus filhos
olhos de mando
mas outros têm
o olhar triste
aqui na rua
acontecem coisas
que nem sequer
se podem dizer
os estudantes
e os trabalhadores
põem os pontos
nos ís
por isso digo
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
O senhor conhece
melhor que ninguém
a lei amarga
de estes países
os senhores são duros
com a nossa gente
por quê com os outros
são todo servis?
porque alienam
o património
enquanto o gringo
nos cobra o triplo?
porque atraiçoam
os senhores e os outros
os bajuladores
e os senis?
por isso digo
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
aqui na rua
os seus guardas matam
e aqueles que morrem
são gente humilde
e os que ficam
chorando de raiva
por certo pensam
na desforra
algures na prisão
os seus homens fazem
sofrer o homem
e isso não serve
além do mais
o senhor é o mastro
principal de um barco
que vai a pique
serei curioso
senhor ministro
de que se ri?
de que se ri?
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Enviado por MEG,
trad. por CID SIMÕES
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