sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Gilles Deleuze (1925-1995)

Obras: Mil Platôs, Capitalismo e Esquizofrenia (vol. 1,2,3,4 e 5), Editora 34, São Paulo, Brasil, 1997, 2002; Na mesma colecção (colecção Trans): Conversações; Crítica e Clínica; Bergosonismo; Empirismo e subjectividade. Na Editora Fim de Século, Portugal: Conversações, col. Entre Vistas. Na Relógio d´Água : Diferença e Repetição, prefácio de José Gil,2000; na Ed. Perspectivas: Lógica do Sentido, col. Estudos, Brasil, 2003.

Gilles Deleuze

«a filosofia nunca foi domínio reservado dos professores de filosofia. É filósofo aquele que se torna filósofo, quer dizer aquele que se interessa por essas criações muito especiais, na ordem dos conceitos.»
«...seria preciso saber o que se passa no domínio dos livros, na actualidade. Vivemos desde há alguns anos um período de reacção em todos os domínios. Não há razão para que a reacção poupe os livros. Estão em vias de nos fabricar um espaço literário, bem como um espaço judicial, um espaço económico, político, completamente reaccionários, pré-fabricados e esmagadores. (...) Os media têm nesse empreendimento um papel essencial, mas não exclusivo.(...) Como resistir a este espaço literário europeu em vias de constituição? Qual seria o papel da filosofia nesta resistência a um novo conformismo terrível?(...) Agora, o que me parece difícil é a situação  dos filósofos jovens, mas também de todos os escritores jovens, que estão a tentar criar alguma coisa. Correm o risco de ser antecipadamente asfixiados .»- G. Deleuze, in jornal Libération, 23.10.1980.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MARCO AURÉLIO- Pensamentos

«Lembra-te há quanto tempo andas a adiar para mais tarde e quantas vezes os deuses te concederam prorrogas de que não aproveitas.
Cumpre-te compreender desde agora de que universo fazes parte, de que ser, condutor do mundo, és uma emanação e que a tua vida estás estreitamente circunscrita pelo tempo.
Se não aproveitas este momento para ganhares serenidade, o momento passará, tu irás com ele e não terás outra oportunidade.»

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Na Hora da Nossa Morte (cont.)-

Diário de Carlos 4

Morreu na cama, durante o sono. Ninguém ao seu lado para pedir socorro. E como saber, se a pessoa ao nosso lado aparenta simplesmente dormir? Ninguém sabe se teve um sobressalto, se pediu ajuda, se teve a noção de que ia morrer. A única doença - os diabetes - que quase não o incomodavam, matou-o. A mulher, minha mãe, fora levada numa ambulância nesse dia para Coimbra, julgando que era ela que ia morrer. Provavelmente a aflição matou-o. Alguém deu-me a notícia pelo telefone, o traço com que desenhava uma vivenda para um cliente saiu subitamente torto, pousei o telefone e fixei demoradamente a chuva que fustigava a janela ampla do gabinete. Avisei os colegas, a Carla de olhos claros abraçou-me com insuspeitado carinho, o Vasco de brinco na orelha e esguio como um cipreste pôs ambas as mãos nos meus ombros, não senti vontade de chorar mas, antes, uma desconcentração, atrapalhei-me a encontrar o caminho para a saída, deixei ir abaixo o automóvel, estacionei em frente de casa amolgando a porta de outro carro, fiz um saco de viagem com meia dúzia de roupas sem nexo e já em plena viagem é que informei a Sofia do que sucedera e para onde eu ia. A vila onde meu pai falecera e ia ser enterrado ficava a mais de duas centenas de quilómetros. Cinquenta quilómetros andados voltei para trás, dirigi-me ao local de trabalho da Sofia, abracei-me a ela e foi então que chorei. Partimos juntos depois dela preparar a sua maleta com mais demora.

O meu pai havia sido um bom pai para mim, talvez duro demais com os outros filhos, comigo fora sempre compreensivo, mesmo quando reprovei um ano escolar naquela idade em que só fazemos parvoíces. Fui dos meus irmãos o único a querer seguir os estudos e ele apoiou-me, apesar de não existirem meios para mos sustentar. Foi por ele que aprendi muito cedo a apreciar a grande literatura, foi por ele que comecei muito cedo a gostar dos jogos com as palavras. Então, via nelas as ondas ora bravas, ora mansas, do mar. Hoje, vejo apenas a espuma.

Ontem fui jantar com a Carla. Devia dizer: levei-a a jantar? Na verdade já não se leva mulher alguma a jantar, a não ser que ela viva naquele sertanejo onde está sepultado o meu pai. Convencemo-nos ambos que poderia surgir algo da nossa longa camaradagem de trabalho. Divorciada, solteira, os olhos vivos, o andar tímido, miúda, Carla é a fragilidade em pessoa. Sempre a pedir desculpa por existir, por estar ali ou acolá. Todavia, por detrás daquela mansidão natural, não há submissão consentida. Se fomos para o seu apartamento fingir que íamos beber um último copo, foi porque ela o quis. De resto, ela não bebe qualquer espécie de álcool. Se fizemos amor foi porque ela me pediu para dançarmos ao som do cd que colocou, e ela saberá porque o escolheu, Prophesy, de Gilio Sawhney. Versos graves e quase tristes sobre um ritmo erotizante. Desprendeu-se (porque não fiquei surpreendido?) soltou a sua natureza feminina, maneou as ancas estreitas, primeiro com alguma timidez, depois foi crescendo no espaço, libertou-se no tempo, a Carla, afinal, mostrava experiência de discotecas, e porque não havia de ser assim? Não olhava para mim quando ritmou os movimentos preliminares, depois olhava-me cada vez mais longa e fixamente, a Carla exibiu uma perfomance magnífica, um corpito fino e juvenil, as mamitas sem volume, aquele tipo de mulher-rapariguita que os jovens não reparam , excepto cara a cara, porque são claríssimos os seus olhos azuis, vistosa a sua abundante cabeleira de cores quentes, calculadas as suas palavras. Dela se pode dizer que vai à fonte insegura mas formosa.

Hoje penso nela assim: um pequeno vulcão adormecido, a metáfora gasta serve muito bem. Penso nela e desisto dela. A diferença brutal de idades não me permite alimentar ilusões. Não se trata de paixão (em ambos a paixão seria recíproca e fulminante), ou melhor: porque se tratam de paixões é que não posso, não devo, permitir que Cupido faça de mim um alvo fácil, é comum a sabedoria de que a mulher jovem é ciumenta e, eu, se o não for de início, tornar-me-ei logo que lhe dê a conhecer os primeiros sinais da velhice que avança inexorável. Antevejo o sofrimento que virá, um dia não muito longínquo, quando ela se vir cortejada por um rapaz da sua idade ou pouco mais, um amigo, um colega da universidade onde ela tenta alcançar o mestrado (trabalha connosco em part-time). Inevitável. A Carla só pode ser um episódio na minha vida, um anúncio apenas de felicidade, de rejuvenescimento, dessa potência activa, alegre, de existir, de que tanto necessito. Somente isto: um clarão na noite escura.

Amanhã é sexta feira, não vou produzir, não vou criar nada. Vou conduzir duzentos quilómetros, rever a campa onde meu pai foi sepultado há vinte anos, quando eu era tão jovem que acreditava no amor apaixonado.

Mercedes Sosa morreu! Conheci a canção «Gracias a la vida» na voz da sua criadora, Violeta Parra, e, depois, pela interpretação lindíssima de Mercedes Sosa.Através delas, através de Vitor Jara (assassinado pela ditadura militar fascista de Pinochet e sus muchachos ianques), eduquei-me.

Gracias a la vida


(Texto y música de Violeta Parra)



Canción-sirilla

Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me dio dos luceros

que cuando los abro

perfecto distingo

lo negro del blanco,

y en el alto cielo

su fondo estrellado,

y en las multitudes

al hombre que yo amo.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me ha dado el sonido

y el abecedario.

Con él, las palabras

que pienso y declaro:

"padre", "amigo", "hermano",

y "luz", alumbrando

la ruta del alma

del que estoy amando.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me ha dado el oído

que en todo su ancho

graba, noche y día,

grillos y canarios,

martillos, turbinas,

ladridos, chubascos.

y la voz tan tierna

de mi bienamado.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me dio el corazón,

que agita su marco

cuando miro el fruto

del cerebro humano,

cuando miro al bueno

tan lejos del malo,

cuando miro el fondo

te tus ojos claros.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me ha dado la marcha

de mis pies cansados.

Con ellos anduve

ciudades y charcos,

playas y desiertos,

montañas y llanos,

y la casa tuya,

tu calle y tu patio.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto;

me ha dado la risa

y me ha dado el llanto.

Con ellos distingo

dicha de quebranto,

los dos materiales

que forman mi canto;

y el canto de ustedes,

que es el mismo canto;

y el canto de todos,

que es mi propio canto.



Gracias a la vida,

que me ha dado tanto.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

5 de Outubro

Quem organizou a Revolução foram oficiais de pequena patente, soldados, marinheiros, trabalhadores da capital. Deram a vida para plantarem a liberdade e a justiça social. Quem dela e deles se aproveitou foram os burgueses.
Quem organizou a Revolução do 25 de Abril foram os capitães, soldados, marinheiros, operários, camponeses, estudantes. Quem dela e deles se aproveitou foi o Capital.
Até quando?

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Mercedes Sosa - Gracias a la vida!

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA