sábado, 31 de outubro de 2009

Porquê?

O post sobre Espinosa justifica-se neste blog. Primeiro, porque dedico particular atenção à filosofia; segundo, porque Espinosa é o filósofo que mais amo, o maior e melhor de todos na minha opinião, que nenhum grande pensador ignorou (desde Hegel a Deleuze, passando por Einstein); terceiro, porque o livro de José saramago, CAIM, vem destapar velhas querelas que deviam ser sempre novas. O último livro de Saramago é para mim dos melhores, se não for o melhor de todos, pela sua concisão, rigor filosófico, estrutura narrativa empolgante. Confirma a sua posição insuperável de o melhor romancista português de todos os tempos e o maior actualmente do mundo. O seu estilo inimitável, único e pioneiro, expressa temas clássicos que há muito tempo não viamos ser tratados. Saramago é escritor e é filósofo, porque o filosofar não é alheio à boa literatura, pode ser mesmo esta uma das suas formas de se exprimir. A grande literatura trouxe-nos sempre profundas reflexões sobre os temas que interessam à filosofia, desde a ética e a política à religião.
Espinosa inaugurou o moderno método de crítica aos textos bíblicos. Somente séculos depois outros métodos, especialmente científicos, como a arqueologia e outros ramos da História, a antropologia cultural, etc., têm vindo a explicar muito do que na Bíblia era considerado inquestionável e verdadeiro. De resto, lembremos que a Igreja ensinou e obrigou a acreditar-se que era o sol que rodava à volta da Terra, baseando-se em histórias bíblicas, tal como obrigava ( e ainda obriga em certos países) a acreditar que Adão e Eva existiram, criados por Deus, apesar de Darwin. Ter fé é uma coisa, negar a evidência é outra coisa bem diferente. Dificilmente encontrariamos uma prova mais irrefutável da estupidez do que a proibição do uso do preservativo.
Contudo, fulgura (e fulmina) no romance de saramago outra questão candente, que Espinosa tratou no século dezassete: a natureza de Deus, isto é, do Deus da Bíblia (o Deus verdadeiro para três religiões). E leva-nos a reflectir, indirectamente, sobre o Alcorão, ou seja, sobre a natureza de Maomé. O Antigo Testamento é um livro repleto de crueldades, sectarismo violento, sanguinário, e rígida obediência. E o Alcorão? E a epopeia sanguinária das Igrejas Reformadas, de Lutero, Calvino, Mórmons, etc.? Ceramente que há bons conselhos na Bíblia e no Alcorão, sobretudo no Novo Testamento, e, por via deles, actos de nobreza moral praticados por crentes, em todas as religiões. São esses bons crentes que devem separar o trigo do joio.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bento de Espinosa


Bento de Espinoza
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Bento de Espinoza
ברוך שפינוזה

Nascimento 24 de Novembro de 1632
Amsterdão, Países Baixos
Morte 21 de Fevereiro de 1677
Haia, Países Baixos
Nacionalidade neerlandês
Ocupação artesão, teólogo, filósofo
Magnum opus Ética
Escola/tradição Espinozismo (fundador), racionalismo, eudemonismo, cartesianismo
Principais interesses Ética, Metafísica, Teoria do Conhecimento, Teologia, Lógica
Idéias notáveis Monismo, Panteísmo, Conatus, interpretação metafórica da Bíblia
Influências Zenão de Cítio, Maimónides, Ibn Ezra, Gersónides, Descartes, Giordano Bruno, Maquiavel, Hobbes
Influenciados Leibniz, Diderot, Kant, Schelling, Fichte, Hegel, Goethe, Karl Marx, Schopenhauer, Nietzsche, Walter Benjamin, Bergson, Albert Einstein, Deleuze, Antonio Negri

Bento de Espinoza[1] (também Benedito Espinoza; em hebraico: ברוך שפינוזה, transl. Baruch de Spinoza) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu nos Países Baixos em uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.


Vida
Nasceu em Amsterdã no seio da família judaica, de portugueses foragidos da perseguição pela Inquisição.

Foi profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como Maimónides, Ben Gherson, Ibn Reza, Hasdai Crescas, Ibn Gebirol, Moisés de Córdoba e outros. Também se dedicou ao estudo de Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito, Epicuro, Lucrécio e também de Giordano Bruno;

Ganhou a fama pelas suas posições do panteísmo (Deus, natureza naturante) e do monismo neutro, e ainda devido ao fato da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.

Excomunhão
No verão de 1656, foi excomungado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdã pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo, e a Bíblia uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não exprime a verdade sobre Deus.

Conforme Will Durant, sua Excomunhão pelos judeus de Amesterdã, tal como ocorrera com as atitudes que levaram à retração e posterior suicídio de Uriel da Costa em 1647, fora como que um gesto de "gratidão" por parte dos judeus com o povo holandês.

Embora os pensamentos de Spinoza e da Costa não fossem totalmente estranhos ao judaísmo, vinham contra os pilares da crença cristã. Os judeus, perseguidos por toda Europa na época, haviam recebido abrigo, proteção e tolerância dos protestantes dos Países Baixos e, assim, não poderiam permitir no seio de sua comunidade um pensador tido como herege.

Pós excomunhão
Após a sua excomunhão adotou o primeiro nome Benedictus ("Bendito", a tradução do seu nome original - Baruch - para o latim).

Para sua subsistência chegou a trabalhar com polimento de lentes, durante os períodos em que viveu em casas de famílias em Outerdek (próximo a Amsterdã) e em Rhynsburg. Nesta última localidade escreveu suas principais obras.

Uma vez que as reações públicas ao seu Tratado Teológico-Político não lhe eram favoráveis, absteve-se de publicar seus trabalhos. A Ética foi publicada após sua morte, na Opera Postuma editada por seus amigos.

Morte
Morreu num domingo, 21 de fevereiro de 1677, aos quarenta e quatro anos, vitimado pela tuberculose. Morava então com a família Van den Spyck, em Haia. A família havia ido à igreja e o deixara com o amigo Dr. Meyer. Ao voltarem, encontraram-no morto.

Traços físicos
Conforme Colerus que o conheceu em Rhynsburg, Spinoza "era de mediana estatura, feições regulares, pele morena, cabelos pretos e crespos, sobrancelhas negras e bastas, denunciando claramente a descendência de judeus Sefaradim ou sefaraditas(Originalmente naturais da Espanha). No trajar muito descuidado, a ponto de quase se confundir com os cidadãos da mais baixa classe".

Reconhecimento

Estátua de Spinoza em Haia.Suas obras o fizeram reconhecido em vida, recebeu cartas de figuras proeminentes como Henry Oldenburg da Royal Society of England, do jovem nobre alemão, o inventor Von Tschirnhaus, do cientista holandês Huygens, de Leibnitz, do médico Louis Meyer de Haia, do rico mercador De Vries de Amsterdã.

Luís XIV lhe ofereceu uma larga pensão para que Spinoza lhe dedicasse um livro. O filósofo recusou polidamente.

O príncipe de Condé, na chefia do exército da França que invadira a Holanda novamente convidou-o a aceitar uma pensão do rei da França e ser apresentado a vários admiradores. Spinoza desta vez aceitou a honraria, mas se viu em dificuldades ao retornar a Haia, por causa dessa suposta "traição". Porém, logo o povo, ao perceber que se tratava de um filósofo, um inofensivo, se acalmou.

O monumento feito em homenagem a Spinoza, em Haia foi assim comentado por Renan em 1882:

"Maldição sobre o passante que insultar essa suave cabeça pensativa. Será punido como todas as almas vulgares são punidas – pela sua própria vulgaridade e pela incapacidade de conceber o que é divino. Este homem, do seu pedestal de granito, apontará a todos o caminho da bem-aventurança por ele encontrado; e por todos os tempos o homem culto que por aqui passar dirá em seu coração: Foi quem teve a mais profunda visão de Deus"

O retrato de Spinoza foi impresso nas antigas notas de 1000 florins dos Países Baixos, até a introdução do euro, em 2002.

Obra
Livros
a) Publicados "post mortem":

Escritos em Latim:

Ética demonstrada à maneira dos geômetras (Ethica Ordine Geometrico Demonstrata) - escrito em Rhynsburg; Conteúdo:
A natureza de Deus
Matéria e Espírito
Inteligência e Moral
Religião e Imortalidade
Tratado Político (Tractatus Politicus)
Tratado Político (depois incluído na Ética;
Tratado do Arco-íris
Escritos em Holandês:

Um breve Tratado sobre Deus e o Homem (foi um esboço da Ética);
b) Publicados em vida:

Melhoramento do Intelecto (De Intellectus Emendatione) - Ensaio
Príncípios da Filosofia Cartesiana
Tratado sobre a Religião e o Estado (Tractatus theologico politicus)
[editar] Conteúdo filosófico
Spinoza defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo e do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que Deus sive Natura ("Deus ou Natureza" em latim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e o pensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

A sua visão da natureza da realidade, então, fez tratar os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Esta formulação é uma solução pampsíquica relacionada à particular concepção panteísta de Spinoza. Pampsiquismo ou fenômeno psicofísico é, segundo Umberto Padovani, a influência recíproca entre alma e o corpo, concepção historicamente ligada ao monismo.

Spinoza também propunha uma espécie de determinismo, segundo o qual absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade, e nunca da contingência. Para ele, até mesmo o comportamento humano seria totalmente determinado, sendo então a liberdade a nossa capacidade de saber que somos determinados e compreender por que agimos como agimos. Deste modo, a liberdade para Spinoza não é a possibilidade de dizer "não" àquilo que nos acontece, mas sim a possibilidade de dizer "sim" e compreender completamente por que as coisas deverão acontecer de determinada maneira.

A filosofia de Spinoza tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estóicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar a emoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior. A distinção crucial era, para ele, entre as emoções activas e passivas, sendo as primeiras aquelas que são compreendidas racionalmente e as outras as que não o são.

Substância
Para Spinoza, a substância não possui causa fora de si, ela é uma causa não-causada, ou seja, uma causa em si. Ela é singular a ponto de não poder ser concebida por outra coisa que não ela mesma. Por não ser causada por nada, a substância é totalmente independente, livre de qualquer outra coisa, pois sua existência basta-se em si mesma.Ou seja, a substância, para que o entendimento possa formar seu conceito, não precisa do conceito de outra coisa. A substância é absolutamente infinita, pois se não o fosse, precisaria ser limitada por outra substância da mesma natureza.

Pela proposição V da Parte I da Ética, ele afirma: "Uma substância não pode ser produzida por outra substância", portanto, não existe nada que limite a substância, sendo ela, então, infinita. Da mesma forma, a substância é indivisível, pois, do contrário, ao ser dividida ela, ou conservaria a natureza da substância primeira, ou não. Se conservasse, então uma substância formaria outra, o que é impossível de acordo com a proposição VI; se não conservasse, então a substância primeira perderia sua natureza, logo, deixaria de existir, o que é impossível pela proposição 7, a saber: "à natureza de uma substância pertence o existir". Assim, a substância é indivisível.

Assim, sendo da natureza da substância absolutamente infinita existir e não podendo ser dividida, ela é única, ou seja, só há uma única substância absolutamente infinita ou Deus.

A influência
Spinoza ficou considerado como maldito por muitos anos após sua morte. Quem recuperou sua reputação foi o crítico Lessing em seus diálogos com Jacobi em 1784. Na seqüência, o filósofo foi citado, elogiado e inspirou pessoas como os teólogos liberais Herder e Schleiermacher, o poeta católico Novalis, o grande Goethe;

Da combinação da epistemologia de Kant saíram os "panteísmos" de Fichte, Schelling e de Hegel. Influenciou os conceitos de Schopenhauer, Nietzsche e Bergson em seus "vontade de vencer", "vontade de poder" e "élan vital", respectivamente. Inspirou o pensador inglês Coleridge, ainda os conterrâneos, poeta Wordsworth e também Shelley.

Referências
1.↑ A forma Espinosa também é utilizada.
Bibliografia
Sobre Espinoza
Gabriel Albiac, 1987. La sinagoga vacía: un estudio de las fuentes marranas del espinosismo. Madrid: Hiperión D.L. ISBN 84-7517-214-8
Etienne Balibar, 1985. Spinoza et la politique ("Spinoza and politics") Paris: PUF.
Boucher, Wayne I., 1999. Spinoza in English: A Bibliography from the Seventeenth Century to the Present. 2nd edn. Thoemmes Press.
Boucher, Wayne I., ed., 1999. Spinoza: Eighteenth and Nineteenth-Century Discussions. 6 vols. Thommes Press.
Damásio, António 2003. Looking for Spinoza: Joy, Sorrow, and the Feeling Brain, Harvest Books,ISBN 978-0-15-602871-4
Gilles Deleuze, 1968. Spinoza et le problème de l'expression. Trans. "Expressionism in Philosophy: Spinoza".
———, 1970. Spinoza - Philosophie pratique. Transl. "Spinoza: Practical Philosophy".
Della Rocca, Michael. 1996. Representation and the Mind-Body Problem in Spinoza. Oxford University Press. ISBN 0-19-509562-6
Will Durant. 1955 História da Filosofia - 10a Edição
Garrett, Don, ed., 1995. The Cambridge Companion to Spinoza. Cambridge Uni. Press.
Gatens, Moira, and Lloyd, Genevieve, 1999. Collective imaginings: Spinoza, past and present. Routledge. ISBN 0-415-16570-9, ISBN 0-415-16571-7
Gullan-Whur, Margaret, 1998. Within Reason: A Life of Spinoza. Jonathan Cape. ISBN 0-224-05046-X
Hampshire, Stuart 1951. Spinoza and Spinozism, OUP, 2005 ISBN 978-0-19-927954-8
Lloyd, Genevieve, 1996. Spinoza and the Ethics. Routledge. ISBN 0-415-10781-4, ISBN 0-415-10782-2
Kasher, Asa, and Shlomo Biderman. "Why Was Baruch de Spinoza Excommunicated?"
Arthur O. Lovejoy, 1936. "Plenitude and Sufficient Reason in Leibniz and Spinoza" in his The Great Chain of Being. Harvard University Press: 144-82 (ISBN 0-674-36153-9). Reprinted in Frankfurt, H. G., ed., 1972. Leibniz: A Collection of Critical Essays. Anchor Books.
Pierre Macherey, 1977. Hegel ou Spinoza, Maspéro (2nd ed. La Découverte, 2004).
———, 1994-98. Introduction à l'Ethique de Spinoza. Paris: PUF.
Matheron, Alexandre, 1969. Individu et communauté chez Spinoza, Paris: Minuit.
Nadler, Steven, 1999. Spinoza: A Life. Cambridge Uni. Press. ISBN 0-521-55210-9
Antonio Negri, 1991. The Savage Anomaly: The Power of Spinoza's Metaphysics and Politics.
———, 2004. Subversive Spinoza: (Un)Contemporary Variations).
Michael Hardt, trans., University of Minnesota Press. Preface, in French, by Gilles Deleuze, available here.
Pierre-Francois Moreau, 2003, Spinoza et le spinozisme, PUF (Presses Universitaires de France)
Goce Smilevski: Conversation with SPINOZA. Chicago: Northwestern University Press, 2006.
Stoltze, Ted and Warren Montag (eds.), The New Spinoza Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997.
Yovel, Yirmiyahu, "Spinoza and Other Heretics", Princeton, Princeton University Press, 1989.
Marilena Chaui, "Espinoza, uma filosofia da liberdade", São Paulo, Moderna, 1995.
Marilena Chaui, "A Nervura do real. Imanência e liberdade em Espinoza", São Paulo, Cia. das Letras, 1999.
Marilena Chaui, "Política em Espinoza", São Paulo, Cia. das Letras, 2003.
[editar] Traduções
Para o português
Ética. Tradução de Thomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
Victor Civita. Editor. Os Pensadores: Espinoza. São Paulo: Abril Cultural, 1983, 3a edição.
Inclui as seguintes obras: Pensamentos Metafísicos, Tratado da Correção do Intelecto, Ética, Tratado Político, Correspondência. Inclui também "Espinoza: Vida e Obra", de Marilena de Souza Chauí.
Para o francês
Spinoza. Oeuvres III: Éthique. Paris: GF-Flammarion, 1965. Tradução Charles Appuhn.
Estudos introdutórios
Sobre a filosofia de Spinoza
Stuart Hampshire. 1951. London: Penguin Books, 1953, reimpressão.
Sobre a Ética
Charles Appuhn. "Notice sur l'Éthique". Em: Spinoza, Oeuvres III: Éthique. Paris: GF-Flammarion, 1965.
Tópicos spinozanos
Subjetividade, intersubjetividade e individualidade
Martial Gueroult. 1974. Spinoza II: L'Âme. Millau: Aubier, 2001.
Alexandre Matheron. 1969. Individu et Communauté chez Spinoza. Paris: Les Editions de Minuit, 1988, V+647 páginas.
Nova edição da obra original à qual foi acrescida uma advertência na qual o autor diz que nada modifica no texto e remete aos seus outros trabalhos para maiores desenvolvimentos dos estudos spinozanos presentes no livro.
Alexandre Matheron. 1986. Anthropologie et Politique au 17e siècle. Vrin.
Liberdade
Robert Sleigh Jr., Vere Chappell e Michael Della Rocca. "Determinism and human freedom." Em Daniel Garber e Michael Ayers, editores, The Cambridge history of seventeenth-century philosophy, volume II, capítulo 33. Cambridge, New York e Melbourne: Cambridge University Press, 1998.
O trecho sobre liberdade em Spinosa vai da página 1226 à página 1236.
Sabedoria
Alexandre Matheron. 1971. Le Christ et le Salut des Ignorants chez Spinoza. Aubier-Montaigne.
Ver também
O Wikimedia Commons possui multimedia sobre Bento de EspinozaO Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Baruch de Espinoza.Sinagoga Portuguesa de Amsterdão
Beth Haim
Ligações externas
A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia

Spinoza e a Filosofia (em português)
Museu Casa de Espinoza (em neerlandês)
Substância, Liberdade e existência, Revista Sens Public
Refutation of Spinoza by Leibniz In full at Google Books
The Ethics An easily readable version.
Vereniging Het Spinozahuis
The Spinoza Net
Spinoza and Spinozism - BDSweb
Theologico-Political%20Treatise A Theologico-Political Treatise -English Translation
HyperSpinoza
Internet Encyclopedia of Philosophy - Spinoza
Immortality in Spinoza
The Rationalists : Life, bibliography, links on Spinoza.
Biography of Spinoza
An Interview With Rebecca Goldstein, Author of "Betraying Spinoza: The Renegade Jew Who Gave Us Modernity" California Literary Review
Spinoza Mind of the Modern. Audio from Radio Opensource
Stanford Encyclopedia of Philosophy:
Spinoza
Spinoza's Psychological Theory
Dutch Spinoza Museum in Rijnsburg
Obras de Baruch Spinoza no Projeto Gutenberg
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_de_Espinoza"
Categorias: Epistemólogos | Filósofos políticos | Judeus dos Países Baixos | Judeus de Portugal | MetafísicosVistas

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ESPINOSA - "ÉTICA"

Definições
III. Por substância entendo o que existe em si e por si é concebido, isto é, aquilo cujo conceito não carece do conceito de outra coisa do qual deva ser formado.
IV. Por atributo entendo o que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela.
V. Por modo entendo as afecções da substância, isto é, o que existe noutra coisa pela qual também é concebido.
VI. Por Deus entendo o ente absolutamente infinito, isto é, uma substância que consta de infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Proposição V
Na Natureza não podem ser dadas duas ou mais substâncias com a mesma propriedade ou atributo.
Proposição XIV
Afora Deus, não pode ser dada nem ser concebida nenhuma substância.
Proposição XV
Tudo o que existe, existe em Deus, e sem Deus nada pode existir nem ser concebido.
Escólio da Demonstração da Proposição XXIX
Antes de prosseguir, quero explicar, ou melhor advertir, o que deve entender-se por Natureza naturante e por Natureza naturada. Do já exposto até aqui, penso estar estabelecido que deve entender-se por Natureza naturante o que existe em si e é concebido por si, ou por outras palavras, aqueles atributos da substância que exprimem uma essência eterna e infinita, isto é (…), Deus, enquanto é considerado como causa livre.
Por Natureza naturada, porém, entendo tudo aquilo que resulta da necessidade da natureza de deus, ou por outras palavras, de qualquer dos atributos de Deus, isto é, todos os modos dos atributos de Deus, enquanto são considerados como coisas que existem em Deus e não podem existir nem ser concebidas sem Deus.
………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
Deus sive Natura. Deus é a única substância e tudo o que se dá na realidade existe nele e não pode existir nem conceber-se fora dele (I, Prop. XIV e XV). Deus é o mesmo que dizer Natureza. Natureza onde tudo é determinado segundo causas e efeitos, isto é, uma ordem, mas uma ordem inteligível (a que a razão humana pode aceder, virá a aceder gradualmente). A racionalidade não tem limites, excepto a infinitude do Universo. Tudo se pode deduzir, explicar e compreender, servindo-nos de um método adequado, sem recurso a profetas e dogmas, pela nossa cabeça, pelo nosso próprio pensar. É o que fez Espinosa: demonstra a natureza de Deus (Natureza) à maneira dos geómetras (pela lógica). Ao pensar assim, pensa como Deus pensa, isto é, cientificamente, ou, se se preferir, filosoficamente. Livro algum diz melhor o que Deus (Natureza) é do que o Método racional. Se tudo é determinado conforme a causalidade, se tudo é Natureza e nada mais existe fora dela, os milagres não podem existir. A Bíblia (Antigo Testamento)é tão somente o Livro de um povo que se diz eleito: os hebreus, e o seu Deus ordena uma coisa principal: a obediência. Obediência à Lei (inventada por um povo particular para seu uso particular).

Bem a propósito

Vale a pena recordar Guerra Junqueiro, poeta do século passado, célebre e polémico em vida, silenciado pela ditadura fascista-clerical, esquecido agora nas escolas e livrarias. O autor do inesquecível poema «O Melro».

Guerra Junqueiro

Tenho uma crença firme, uma crença robusta,
Num Deus que há-de guardar por sua própria mão
Numa jaula de ferro a alma de Locusta,
Num relicário d'ouro a alma de Platão.

Mas também acredito, embora isso vos pese,
E me julgueis talvez o maior dos ateus,
Que no Universo inteiro ha uma só diocese
E uma só catedral com um só bispo - Deus.

E muito embora a vossa igreja se contriste
E a excomunhão papal nos abrase e destrua,
A análise é feroz como uma lança em riste
E a verdade cruel como uma espada nua,

Cultos, religiões, bíblias, dogmas, assombros,
São como a cinza vã que sepultou Pompeia.
Exumemos a fé desse montão de escombros,
Desentulhemos Deus dessa aluvião de areia.

E um dia a humanidade inteira, oceano em calma,
Há-de fazer, na mesma aspiração reunida,
Da razão e da fé os dois olhos da alma,
Da verdade e da crença os dois pólos da vida.

A crença é como o luar que nas trevas flutua;
A razão é do Céu o esplêndido farol:
Para a noite da morte é que Deus nos deu Lua
Para o dia da vida é que Deus fez o Sol.

ESPINOSA

Baruch de Espinosa nasceu em Amsterdão a 24 de Novembro de 1632 de uma família hebraica que foi expulsa de Portugal no século XVI e que emigrou para a Holanda. Frequentou as aulas da escola talmúdica de Amsterdão, deu-se com os círculos dos cristão liberais e dos livres-pensadores, trabalhou no negócio do pai, após a morte deste oferecer a sua parte da herança à sua irmã e tornou-se polidor de lentes até à sua morte em 1677 (com 44 anos, de tuberculose). Publicou, entre outras, as seguintes obras: Tratado da Reforma do Entendimento (1661); Tratado Teológico-Político (1670); Tratado Político (inacabado) (1677). A Ética (1661-1671) que não será publicada em vida por decisão do seu autor, para não acirrar demasiado os seus inimigos e detractores, é a sua obra máxima, do mais puro recorte filosófico que fará dele para os séculos vindouros o «Príncipe dos filósofos», no dizer de Deleuze. O seu Tratado Teológico-Político valeu-lhe a excomunhão da igreja judaica e a Ética foi alvo desde a primeira edição até aos nossos dias dos mais violentos insultos («cão judeu, «miserável»), ou dos mais intolerantes silêncios (não ser ensinado nas Universidades ou então reduzido a clichés grosseiros, o que é igual ou pior).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As igrejas

Li a entrevista, publicada pelo Expresso, de Saramago com um professor da U. Católica. Encerra com as condescendentes palavras de Saramago de que dois homens de boa fé podem entender-se. Certamente que sim, certamente que muitos de nós tivemos amigos entre os padres e bastantes mais entre os crentes. É estulto negar que sempre houve sacerdotes cheios de sinceridade e bondade. Entre os crentes, mais numerosos ainda o são. Porém a questão não é, nem era, essa. O tema é a Igreja, as igrejas. Convencer um crente da não existência de deus é, quase sempre, tão inútil como convencer um ateu da existência de deus. Mas já não é tão difícil e inútil convencer um crente de que o seu deus não pode ser igual àquele que pintam na Bíblia. De que o seu deus não pode (não poderia) nunca comprazer-se com as igrejas que falam e mandam em nome dele.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA