quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O HORROR

Hoje é um dia de silêncio e morte. Pobre povo do Haiti, esquecido por Deus, explorado pelos norte-americanos, bordel dos milionários, coutada dos nativos facínoras, varrido pelos tufões, pela miséria, pelo terramoto!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

NA HORA DA NOSSA MORTE (novela, cont.)

(Resumo dos episódios anteriores: O arquitecto Carlos vê erguer-se, finalmente, a ponte que projectou. Marta continua a esforçar-se por fazer o luto pela filha desaparecida, visita a mãe e ganha forças para seguir em frente. Decide visitar o seu antigo professor, o dr. Ramos, que fora de Carlos também.)

DIÁRIO DE CARLOS -12




Há três meses atrás a minha ponte era apenas uma pedra e uma cerimónia, hoje erguem-se os pilares altaneiros cuja brancura pinta de sol a paisagem. Operários e máquinas em constante labor. Se ela demorou a iniciar-se, a nascer, tanto a mim se deve como à burocracia. Que não me culpe somente a mim o meu chefe, esse lambe-botas que mete cunhas por tudo e por nada. Enfim, provavelmente desta vez agiu com eficácia. Julga que lhe estou devedor, mas não estou. Admito que não me apressei a entregar o projecto, que fosse bom é o que importa.

Assisto à construção da ponte como se ela fosse uma ilha num mar encapelado de contestação social. A desordem continua. Outros chamam-lhe sublevação, ou desejariam que fosse, eu chamo-lhe desordem social. O mundo em que fui formado estremece até aos alicerces. Seguros parecem ser os alicerces da minha ponte. Violento contraste entre os seus e os da sociedade, entre o seu levantamento elegante e seguro e o abatimento geral da sociedade, entre um futuro e um presente que já é passado.

Vivo dias de alguma euforia. As revoltas nas ruas não me inquietam, nem me tiram o sono. Entretanto, os novos projectos realizo-os por mera rotina. A crise instalou-se, as encomendas são escassas, excepto as moradias espaventosas, as recuperações principescas de mansões, quanto mais miséria, mais luxo. A minha classe média de outros tempos está a desaparecer, o meu pai não haveria de sentir-se nada bem se fosse vivo. Não tenciono alienar a sua herança, refiro-me à casa porque o resto já o gastei. Tudo voou nesses anos loucos de juventude. Viajei, comi e bebi, frequentei os melhores hotéis, comprei um barco que já não tenho e equipamento para pesca submarina que pouco utilizei, esbanjei dinheiro com mulheres de boa e má sorte, emprestei a amigos que nunca me devolveram. Enfim, estou reduzido a uma moradia que herdei onde raramente vou, a um apartamento e a um ordenado razoável. O suficiente para com isso haver seduzido mulheres cobiçosas. Às vezes pergunto-me se a Clara não foi atrás disso também. Sucede naqueles dias em que a desconfiança ou o pessimismo me atacam logo pela manhã. Talvez não, talvez ela se encantasse com outros dotes meus. Quais serão é que não sei. Foi nos tempos em que trabalhou sob a minha chefia, chamemos-lhe assim, isto é, no gabinete, tudo se modificou quando decidiu terminar o curso superior em exclusividade (ou será que trabalha em part-time nalgum sítio? Ou arranjou uma bolsa de estudos?), novos colegas, novas amigas e amigos, e por lá anda com algum. Se me ajudou a fazer o luto pela esposa falecida, ninguém me ajudou ainda a fazer o luto pela perda dela mesma. Se já não padeço, ainda recordo, o que é uma forma de sofrimento. Nenhuma mulher substitui outra, provavelmente as mulheres dirão o mesmo dos homens. Ninguém é igual a outrem. Nem os acontecimentos, os momentos que se viveram nessa comunhão física que faz o amor apaixonado.

E nestas meditações avulsas acabo de evocar a Marta. Tão perto de mim e não dei ainda um passo para a descobrir! Como é meu hábito, ou defeito, aguardo que me conquistem. A bem dizer sei lá qual é o seu estado: casada, e bem casada, com filhos?

Rainer Maria Rilke e Auguste Rodin



Uma e outra vez do vidro espelhado
voltas a buscar-te de novo até ti;
ordenas em ti, como numa jarra,
as imagens tuas. Chamas-lhe Tu,

a esse despontar dos teus reflexos
que por momentos ao de leve estudas
antes de, vencida pela felicidade deles,
voltares a ofertá-los ao teu corpo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

PERGUNTAS

Porque é que o Congresso norte-americano aprovou 400 milhões de dólares destinados a operações visando o desmembramento do Irão? Porque é que o grupo sunita «soldados de deus» que tem executado numerosos atentados na região fronteiriça com o Afeganistão se encontra na lista de financiamento da CIA, como outrora os talibãs? Benazir Butho, ex-primeira ministra do Paquistão, assassinada em Dezembro de 2007, revelou que «a ideia dos Talibãs era inglesa, a gestão norte-americana, o financiamento saudita e a organização paquistanesa» (Le Monde, 30.10.2001)

TACHOS

A ex-ministra da Educação foi nomeada pelo Sr. Sócrates presidente da Fundação Luso-Americana. A senhorita que foi apelidada de todos os qualificativos pejorativos safou-se e saíu pela porta grande. A senhorita a quem o Sr. Sócrates deve ter perdido uns bons milhares de votos e a maioria absoluta, recebeu um grande tacho. Vai trabalhar com os amigos americanos e abandonou um ministério com quem abandona um navio em pleno naufrágio. Quem são as primeiras a saltar borda fora?
Assim se premeia quem mal governa. Assim se safam os governantes sem arcar responsabilidades nenhumas. Essa senhorita devia ser julgada, avaliada pelo modelo que tentou impôr com brutalidade. Uma lição, ao menos, se retira: sem lutas não há vitórias. Os professores venceram, os sindicatos venceram. O que era justíssimo era colocar a senhorita numa escola daquelas onde alunos andam com facas no bolso. Um raio que...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Casamentos

Saúdo a Assembleia da República por haver aprovado o diploma que consagra a união jurídica entre pessoas do mesmo sexo. Saúdo com reservas: essas pessoas mereciam o casamento normal, a Constituição proibe todas as discriminações. Se essas pessoas querem casar, pois que o possam fazer sem que o seja por essa via enviesada e limitativa que é a «união». Foi preciso deitar mão desta «manobra» do PSD para este votar a favor, e o PS gostou do recuo. O PS canta agora de galo (não passo o «machismo» voluntário) e o Sr. Sócrates e acólitos aproveitam a «vitória» para ganhar uns votos, enquanto adiam ou mesmo afastam medidas urgentíssimas, essas sim, para combater o flagelo do desemprego e aliviar a humilhação e a indecência (expressões muito glosadas no Parlamento a propósito dos homossexuais) em que são obrigados a sobreviver (ou a morrer?) as centenas de milhar de desempregados.

Os meus livros



Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA