Hoje já se levantam vozes contra a entrada de Portugal na zona euro. As consequências oferecem sempre as melhores lições. Não foram poucos os que alertaram a seu devido tempo para estas e outras consequências, eram uma minoria política, apelidada de «velhos do Restelo» (insulto de ignorantes porque no Poema de Camões os «velhos do Restelo» desempenham um papel crítico que o Poeta não despreza), sistematicamente silenciada.
Na zona euro ficámos desarmados face às crises criadas pelos mercados financeiros, importámos muito e exportámos pouco.
Países ricos e estáveis como a Dinamarca recusaram o euro em referendo. Em Portugal a opinião pública vale o que vale, isto é, os partidos dominantes fazem-na valer o que quiserem.
Com o euro temos vivido permanentemente em déficit. O que, aliás, é sempre um óptimo pretexto para impôr salários baixos, cortes nos serviços sociais do Estado, «flexibilização» do emprego e privatizações.
Vozes sensatas haviam alertado, aquando da entrada para a ex-CEE (hoje UE), que Portugal devia mpôr as suas próprias regras; tal como deveria ter procedido assim quando entrámos para a zona euro. Em vez disso, submetemo-nos servilmente.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
O optimista
Está provado, dizia, que as coisas não podem ser diferentes: pois, uma vez que tudo é feito tendo-se em vista um objectivo, tudo é necessariamente feito tendo-se em vista o melhor objectivo. Notai que os narizes foram feitos para carregar óculos; sendo assim, usamos óculos. As pernas são visivelmente criadas para serem vestidas com culotes, e nós usamos culotes. As pedras foram formadas para serem cortadas e com elas serem construídos castelos; e assim o monsenhor tem um belíssimo castelo: o maior barão da província deve ser o mais bem alojado; e os porcos tendo sido feitos para serem comidos, nós os comemos durante todo o ano. Consequentemente, aqueles que proferiram que tudo está bem, disseram uma estupidez: era preciso dizer que tudo está o melhor possível.
Voltaire (escritor e filósofo francês, 1694-1778), Cândido ou O optimismo.
Voltaire (escritor e filósofo francês, 1694-1778), Cândido ou O optimismo.
domingo, 23 de maio de 2010
Passagem
Percorri os corredores da vida tantos lanços
Com os pés nus que jovem eu era
Em cada patamar te via sempre outra
Nunca o mesmo teu olhar me fixava.
Vinham os Outonos e outro inverno se anunciava.
Tão breves as horas tão fugazes os instantes
Das auroras.
«Como vais?» perguntavam, «Menos mal» respondia
Nenhum bem perdura, isso aprende-se depressa.
Que bom que era, contudo, um longo dia de espera
E tu chegando, a mesma d´outrora
E eu todo me transfigurava no outro que sou eu mesmo.
Tão curta a vida para um corredor tão estreito.
De cada vez que eu subia
Mais longe eu ficava
Do outro que eu era.
Quem me roubou os sonhos?
«Ninguém mais senão tu!»
Com os pés nus que jovem eu era
Em cada patamar te via sempre outra
Nunca o mesmo teu olhar me fixava.
Vinham os Outonos e outro inverno se anunciava.
Tão breves as horas tão fugazes os instantes
Das auroras.
«Como vais?» perguntavam, «Menos mal» respondia
Nenhum bem perdura, isso aprende-se depressa.
Que bom que era, contudo, um longo dia de espera
E tu chegando, a mesma d´outrora
E eu todo me transfigurava no outro que sou eu mesmo.
Tão curta a vida para um corredor tão estreito.
De cada vez que eu subia
Mais longe eu ficava
Do outro que eu era.
Quem me roubou os sonhos?
«Ninguém mais senão tu!»
Hino
Portugal, Portugal
Da beira-mar arrancado
Para a Europa teu fado
Outro já foi
Navegante, conquistador
Dobra o Cabo
Adamastor
Não vás naufragar.
Voltas à açorda
Qual Papa
Qual carapuça
Torce o destino
E puxa
Puxa
Que pôrra!
Portugal, Portugal
Fia-te na Virgem e não corras
Levanta-te do chão insubmisso
Contra os ladrões marchar, marchar!
Varre-os a todos, ó pátria minha
Para as profundezas do mar.
Da beira-mar arrancado
Para a Europa teu fado
Outro já foi
Navegante, conquistador
Dobra o Cabo
Adamastor
Não vás naufragar.
Voltas à açorda
Qual Papa
Qual carapuça
Torce o destino
E puxa
Puxa
Que pôrra!
Portugal, Portugal
Fia-te na Virgem e não corras
Levanta-te do chão insubmisso
Contra os ladrões marchar, marchar!
Varre-os a todos, ó pátria minha
Para as profundezas do mar.
A JUSTIÇA
Tais são os preceitos do direito: viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence.
Ulpiano (jurista romano, séc. II d.C. -228)
Excesso de direito, excesso de injustiça.
Cicero (Escritor e político romano, 106-43 a.C.)
Se temes a solidão, não tentes ser justo.
J. Renard (escritor francês, 1864-1910)
Quem critica a injustiça o faz não porque teme cometer acções injustas, mas porque teme sofrê-las.
Platão (filósofo grego, 427-347 a.C. , A república.)
Ulpiano (jurista romano, séc. II d.C. -228)
Excesso de direito, excesso de injustiça.
Cicero (Escritor e político romano, 106-43 a.C.)
Se temes a solidão, não tentes ser justo.
J. Renard (escritor francês, 1864-1910)
Quem critica a injustiça o faz não porque teme cometer acções injustas, mas porque teme sofrê-las.
Platão (filósofo grego, 427-347 a.C. , A república.)
sábado, 22 de maio de 2010
Fado para um amor ausente
Meu amor disse que eu tinha
Uns olhos como gaivotas
E uma boca onde começa
O mar de todas as rotas
Meu amor disse que eu tinha
Uns olhos como gaivotas
Assim falou meu amor
Assim me disse ele um dia
E desde então vivo à espera
Que volte como dizia
Assim falou meu amor
Assim me disse ele um dia
Sei que ele um dia virá
Assim muito de repente
Como se o mar e o vento
Nascessem dentro da gente
(de Manuel Alegre?)
Uns olhos como gaivotas
E uma boca onde começa
O mar de todas as rotas
Meu amor disse que eu tinha
Uns olhos como gaivotas
Assim falou meu amor
Assim me disse ele um dia
E desde então vivo à espera
Que volte como dizia
Assim falou meu amor
Assim me disse ele um dia
Sei que ele um dia virá
Assim muito de repente
Como se o mar e o vento
Nascessem dentro da gente
(de Manuel Alegre?)
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