domingo, 6 de junho de 2010
Joana Vasconcelos e a pós-modernidade
A artista portuguesa Joana Vasconcelos exemplifica características fortes do que se convencionou designar como pós-modernidade em filosofia e pós-modernismo nas Artes. Exemplifica pelo lado bom da coisa e não pelo lado mau. É uma artista beneficiada pelos media mas que, apesar disso, faz jus à sua fama. Acessível ao gosto comum ou médio (na Era da Arte industrial ou, se preferirmos, comercial, mercantil) pelo seu estilo popular, aparentemente popular, que utiliza materiais que simulam a tradição e o artesanato popular (rendas, por exemplo), transmite, no entanto, uma crítica ao consumismo, ao império da imagem e do simulacro, desterritorilizando (termo usado pelo filósofo Gilles Deleuze, que exprime a perda de territórios fixos e o ganho de maior liberdade), deslocando dos contextos originais (garrafas de vidro, colheres de plástico, este modelo que aqui se expõe). Há, portanto, uma ironia propositada nas suas obras que impede uma leitura óbvia, ou seja, parece escolher o óbvio, mas não é assim de facto.
Quo vadis juventude?
Há jovens politizados, organizados em movimentos e partidos da Esquerda. São a nossa esperança. Porém, a grossa maioria dos jovens anda por aí alienada, domesticada, distraídos com concertos ao vivo, nos bares de Alfama, ou, nesta altura, na paranóia de exames para os quais eles não levam cultura nenhuma. Narcisismo, insegurança e infantilização. É preciso ser muito optimista para acreditar neles.
Trafulhices
As duas potências, Alemanha e França, ao mesmo tempo que emprestam à Grécia (com juros, é claro), vendem-lhes submarinos e aviões militares. Trafulhice, lucros e hipocrisia. O Governo grego é primo direito do nosso.
sábado, 5 de junho de 2010
O FADO
José Alberto Sardinha é um advogado de Torres Vedras, etnomusicólogo de categoria nacional e internacional, que não tem merecido um destaque mais amplo e justo porque em Portugal é costume o desprezo pela cultura nacional, sobretudo quando não move negócios e comove os media.
Publicou A Origem do Fado (ed. Tradisom), onde defende a tese de que o fado nasceu das canções populares portuguesas ( e não de músicas brasileiras), isto é, do canto narrativo tradicional, transportado, numa primeira fase, pelos jograis e, depois, numa última fase, pelos músicos ambulantes que andavam de terra em terra, cantando nas feiras. «Normalmente, eram músicos mendicantes, que incluíam muitos cegos, a que o povo chamava de «ceguinhos» e ao que eles cantavam «fado dos ceguinhos». É esse fado, a que chamamos pejorativamente, o da «desgraçadinha», ou de «faca e alguidar», que está na origem próxima do que nós conhecemos hoje como fado e que se transformou num género artístico», palavras dele.
O desenvolvimento da tese, a sua clareza, rigor e observação concreta, quase que não eram necessários pois que a sua ideia é tão intuitiva e iluminadora que nos faz aderir sem hesitações.
Ainda me lembro perfeitamente de escutar esses romances «de cordel», narrando ingenuamente tragédias tão intensas que me comoviam até às lágrimas (mais tarde faziam-me sorrir, mas sem desprezo, tal era o seu excesso). Ainda me lembro dos «ceguinhos». Só não sabia que estava ali o Fado. Essa idiossincracia portuguesa. Bem que o Miguel de Unamuno nos classificava de povo melancólico...
Tiro o chapéu ao José Alberto Sardinha.
Publicou A Origem do Fado (ed. Tradisom), onde defende a tese de que o fado nasceu das canções populares portuguesas ( e não de músicas brasileiras), isto é, do canto narrativo tradicional, transportado, numa primeira fase, pelos jograis e, depois, numa última fase, pelos músicos ambulantes que andavam de terra em terra, cantando nas feiras. «Normalmente, eram músicos mendicantes, que incluíam muitos cegos, a que o povo chamava de «ceguinhos» e ao que eles cantavam «fado dos ceguinhos». É esse fado, a que chamamos pejorativamente, o da «desgraçadinha», ou de «faca e alguidar», que está na origem próxima do que nós conhecemos hoje como fado e que se transformou num género artístico», palavras dele.
O desenvolvimento da tese, a sua clareza, rigor e observação concreta, quase que não eram necessários pois que a sua ideia é tão intuitiva e iluminadora que nos faz aderir sem hesitações.
Ainda me lembro perfeitamente de escutar esses romances «de cordel», narrando ingenuamente tragédias tão intensas que me comoviam até às lágrimas (mais tarde faziam-me sorrir, mas sem desprezo, tal era o seu excesso). Ainda me lembro dos «ceguinhos». Só não sabia que estava ali o Fado. Essa idiossincracia portuguesa. Bem que o Miguel de Unamuno nos classificava de povo melancólico...
Tiro o chapéu ao José Alberto Sardinha.
O encerramento compulsivo das escolas
A ministra da educação defende o encerramento de 200 escolas do 1º Ciclo com o argumento de que a mudança traz novas e melhores condições de aproveitamento escolar dos alunos. Ora, isto não sendo falso, não é inteiramente verdade. Todos os estudos científicos, até a simples observação empírica, estrangeiros e nacionais, têm demonstrado que a Escola reproduz as desigualdades sociais. Sugiro-lhe que leia, ao menos, Pierre Bourdieu. Se a colocação das crianças em outras escolas maiores e mais ou menos urbanas pode produzir melhores condições materiais e pedagógicas em algumas crianças, também ocorrem fenómenos de exclusão ou, pelo menos, de dificuldades de inclusão, pelo facto de serem oriundas de camadas sociais desfavorecidas. A Escola permite alguma mobilidade social, mas é grave ignorar-se que reproduz as classes sociais. Os próprios professores contribuem e é lamentável que não tenham consciência disso.
O quadro desenhado de substituição das modestas escolinhas de aldeia por Agrupamentos urbanos novos e bem dotados, é bonito, mas demasiado cor de rosa. Nas aldeias desertificadas protesta-se. As crianças deslocadas passam os dias fora de suas casas, longe dos ambientes naturais, perdem valores e referências e entram na uniformidade geral. Ignora-se o destino de centenas de professores «despedidos» das velhas escolas. Tudo isto dá para pensar.
O quadro desenhado de substituição das modestas escolinhas de aldeia por Agrupamentos urbanos novos e bem dotados, é bonito, mas demasiado cor de rosa. Nas aldeias desertificadas protesta-se. As crianças deslocadas passam os dias fora de suas casas, longe dos ambientes naturais, perdem valores e referências e entram na uniformidade geral. Ignora-se o destino de centenas de professores «despedidos» das velhas escolas. Tudo isto dá para pensar.
Os factos
Mais de 4 mil milhões de euros foi quanto o Governo gastou com o escândalo no BPN:
Mais de 16 mil milhões de euros de capitais portugueses estão sediados em «paraísos fiscais»;
Mais de 5,5 mil milhões de euros de lucros por dia para os cinco principais bancos nacionais:
Mais de 1,6 mil milhões de ruos de benefícios fiscais para o grande capital, foi aprovado no Orçamento de Estado para 2010 por PS, PSD e CDS;
Mais de 32 mil milhões de euros foi quanto os principais grupos económicos nacionais lucraram entre 2004-2009.
Entretanto a política do Governo é:
Ataque aos salários (com a retenção de 1 e 1,5 % de imposto) e aumento do IVA.
O pão, leite, medicamentos, água, electricidade, transportes soferrão um aumento significativo nos próximos meses. Um aumento de 20% nos bens essenciais.
Reducção do valor do subsídio de desemprego para 75% do salário líquido correspondendo a um corte no valor actual do subsídio;
Congelar os salários e até baixá-los e incentivar os despedimentos. Um trabalhador que seja despedido, vá para o desemprego poderá ser obrigado a aceitar um trabalho precário e com grande corte relativamente ao salário anterior, num processo que sucessivamente lhe poderá reduzir o salário até no Salário Mínimo Nacional.
Desinvestimentos públicos em obras que criem emprego e estimulem o resto da economia.
Cortes substanciais nas despesas dos Serviços Públicos essenciais (Saúde, Ensino, Cultura)
Mais de 16 mil milhões de euros de capitais portugueses estão sediados em «paraísos fiscais»;
Mais de 5,5 mil milhões de euros de lucros por dia para os cinco principais bancos nacionais:
Mais de 1,6 mil milhões de ruos de benefícios fiscais para o grande capital, foi aprovado no Orçamento de Estado para 2010 por PS, PSD e CDS;
Mais de 32 mil milhões de euros foi quanto os principais grupos económicos nacionais lucraram entre 2004-2009.
Entretanto a política do Governo é:
Ataque aos salários (com a retenção de 1 e 1,5 % de imposto) e aumento do IVA.
O pão, leite, medicamentos, água, electricidade, transportes soferrão um aumento significativo nos próximos meses. Um aumento de 20% nos bens essenciais.
Reducção do valor do subsídio de desemprego para 75% do salário líquido correspondendo a um corte no valor actual do subsídio;
Congelar os salários e até baixá-los e incentivar os despedimentos. Um trabalhador que seja despedido, vá para o desemprego poderá ser obrigado a aceitar um trabalho precário e com grande corte relativamente ao salário anterior, num processo que sucessivamente lhe poderá reduzir o salário até no Salário Mínimo Nacional.
Desinvestimentos públicos em obras que criem emprego e estimulem o resto da economia.
Cortes substanciais nas despesas dos Serviços Públicos essenciais (Saúde, Ensino, Cultura)
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