O ministro do ensino superior e da ciência pede aos portugueses para estudarem mais, que é preciso duplicar o número dos licenciados (de um milhão para dois milhões), que é urgente aumentar-se a produtividade. Este axioma mais qualificação=mais produtividade é um velho lamento e uma velha receita. Não é falsa, mas porque não é «falsificável» como diria o falecido Popper. Primeiro importa escolher: é déficit e o endividamento que constituem a doença principal ou a produtividade? Segundo - Aumentar as receitas do Estado sem aplicar políticas de crescimento é aumentar a produtividade? Bastam boas qualificações com baixos salários e emprego precário para aumentar a produtividade? Qualificação mais baixos salários menos serviços sociais a cargo do Estado fazem melhorar a produtividade? Não é o salário aquilo que corresponde às despesas necessárias à reprodução da força de trabalho do trabalhador? Não é o emprego garatido e na ocupação em que se qualificou o trabalhador um estímulo para a produtividade? Estão as empresas preparadas e interessadas em empregos qualificados, portanto, mais caros?
O ministro fala para um lado, o ministro das finanças fala para outro.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Encerrem-se as escolas! Juntem-se as crianças em mega-agrupamentos!A pirâmide é o símbolo da teocracia.
O encerramento de escolas é uma medida questionável. O Governo pretende fechar 900 até 2011, segundo o critério de, no mínimo, 21 alunos. Um jornal diário (hoje) faz as contas a uma pequena amostra: dezenas de milhões de euros desperdiçados em escolas encerradas ou a encerrar nas quais se procedeu a obras de requalificação (cumprimento das Cartas Educativas concelhias). Nas regiões do Norte interior e do Alentejo. O nº como critério é verdadeiramente obscuro, apenas burocratas o podem inventar, sem avaliarem as diferenças dos lugares a qualidade do ensino prestado nessas escolas. No Alentejo considera-se razoavelmente que escolas com 11 alunos é muito bom, por exemplo. Poupar despesas no ensino (de crianças!) ou na saúde (das populações igualmente pobres) é controverso sempre, para não dizer pior, mas fazê-lo de modo discricionário e administrativo, é realmente estúpido. Não sei como qualificar esta ministra da educação, com um curricula tão inteligente e criador, que embarca nesta e noutras medidas tão imbecis. É o ministro das finanças que manda??
sábado, 26 de junho de 2010
O papel histórico dos «esquerdistas»
Os mass media noticiaram o atentado bombista na Grécia que não atingiu o ministro do interior que era o alvo mas matou um seu colaborador. Envolvem este acontecimento com a mensagem segundo a qual já não é o primeiro atentado cometido pela «extrema esquerda» (sic) na Grécia, por causa das políticas de austeridade prosseguidas pelo governo (sic). Eis um aocntecimento real e uma mensagem ideológica (política) clara como água cristalina, que nos faz imediatamente lembrar duas coisas já muito velhas e muito conhecidas: a propaganda da "guerra fria" inculcada pelos media contra a Esquerda (comunistas por regra e alvo) e a actividade cúmplice dos «esquerdistas» (designados agora por anarquistas), isto é, sempre que as massas populares encetam grandes e vitoriosas lutas surgem grupúsculos extremistas (que se faziam passar por comunistas) que fazem o jogo das polícias e dos governos. As «Brigadas Vermelhas» italianas dos anos 70 assassinaram o 1º ministro Aldo Moro quando ( e porque) ele preparava um entendimento com o PCI a nível de governo. Preparemo-nos para o que possa aparecer agora em Portugal. Não conhecemos nós o papel desempenhado pelos moístas do MRPP e daquele partideco "AOC" organizado pelo Mário Soares para dividir a esquerda revolucionária e confundir os eleitores?
Idealismo, o que é?
O que é o idealismo em filosofia? É, estritamente falando, idealizar a realidade. O contrário, portanto, de realismo. Há idealismos extremos, como o defendido pelo bispo Berkeley que negava a existência objectiva do mundo fora das suas (dele) sensações, «ser é ser percebido». Há idealismos moderados, como o de I. Kant, que defendia que somente os fenómenos são cognoscíveis, o que está "por detrás deles", os númenos, é incognoscível (admite-se a sua existência apenas como crença), à semelhança de D. Hume que considerava meras "crenças" todas as nossas convicções (habituamo-nos a acreditar por conveniência). Deste modo, há idealismos que negam verdadeira realidade independente ao mundo fora da intervenção dos sentidos ou dos significados que lhe atribuímos, isto é, o sujeito é que fornece realidade às coisas. Sem a consciência, ideias ou intervenção humana, nada existe, ou existe apenas o nada. Se existe algo não sabemos o que seja, somente quando digo «isto é vermelho» esta coisa vermelha existe.
A filosofia distingue realidade, de existência. E faz outra distinção: entre Ser (ontos) e entes.
O materialismo toma uma posição completamente contrária aos idealismos.
A filosofia distingue realidade, de existência. E faz outra distinção: entre Ser (ontos) e entes.
O materialismo toma uma posição completamente contrária aos idealismos.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Conspirações
Vemos filmes norte-americanos contarem histórias de conspirações envolvendo multinacionais (corporações) com sede ou não nos EU, a CIA, serviços de contraespionagem de outras potências, e ficamos a pensar se o cinema imita a vida ou o contrário. Lemos em livros ou na net explicações sobre a invasão do Iraque envolvendo "esquemas" com petrodólares, teorias sobre quem realmente lançou os aviões contra as Torres Gêmeas, teses sobre as mãos visíveis que manipulam a "mão invisível" dos mercados financeiros, os verdadeiros propósitos da política externa dos EU e da UE, as esondidas combinações entre a Alemanha e a França, o imperialismo dos Bancos, os off-schores e a lavagem de dinheiro, as máfias com tentáculos que chegam aos governos e até se introduzem em gabinetes obscuros do Vaticano...
Lemos e vemos. Onde acaba a diversão e começa a verdade? Será a realidade ainda pior que a ficção? Serão apenas anti-utopias como o foi o livro de Georges Orwell? Avisos? O que poderá vir a ser se permitirmos que seja? Histórias veridicas, teorias que descrevem a trama dos acontecimentos mundiais?
Numa época da comunicação global, da informação super-abundante, quanta informação nos falta, quanta nos é sonegada? Como é possível enganar e manipular biliões de seres humanos? Não disse milhões, disse biliões.
Distinguir as más teorias da conspiração das boas, os bons livros dos medíocres, os bons filmes dos maus, descobrir quem são de facto os maus da fita, eis um duro trabalho. Que só cada um pode fazer por si e para si. A História caminha sempre, mas pelo mau.
Lemos e vemos. Onde acaba a diversão e começa a verdade? Será a realidade ainda pior que a ficção? Serão apenas anti-utopias como o foi o livro de Georges Orwell? Avisos? O que poderá vir a ser se permitirmos que seja? Histórias veridicas, teorias que descrevem a trama dos acontecimentos mundiais?
Numa época da comunicação global, da informação super-abundante, quanta informação nos falta, quanta nos é sonegada? Como é possível enganar e manipular biliões de seres humanos? Não disse milhões, disse biliões.
Distinguir as más teorias da conspiração das boas, os bons livros dos medíocres, os bons filmes dos maus, descobrir quem são de facto os maus da fita, eis um duro trabalho. Que só cada um pode fazer por si e para si. A História caminha sempre, mas pelo mau.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ainda sobre a "educação sexual" pelas escolas
A «educação sexual» a cargo da escola não é uma questão moral, é uma questão, sobretudo, de saúde pública. Mas não só (no sentido restricto, pelo menos): é também uma medida para civilizar as relações humanas, sociais, entre dois amigos ou parceiros, entre os "pares" (os iguais), entre os géneros, para tornar mais consciente aquilo que é inconsciente (a sexualidade), para explicar que o amor é uma "astúcia" da natureza para melhor juntar dois parceiros, mas uma astúcia que pode ser governada pela consciência humana, um acto que o grau de afecto pode conter ou libertar. Se lhe atribuirmos o seu sentido mais elevado, ela serve a emancipação do homem e da mulher, principalmente da mulher (quem oprimiu não foi a mulher, foi o homem, a "masculinidade"), não subtrái à igualdade, acrescenta-a, dá-lhe mais substância concreta. O que se deve transmitir na «educação sexual» aos adolescentes é a igualdade dos géneros (dos sexos), direitos e deveres iguais. Quem mais sofre na pele os efeitos de uma má educação sexual são os mais desprotegidos; não me refiro apenas aos púberes e adolescentes, mas àqueles que vivem na miséria (ou no seu limiar) económica e cultural, que somam às dificuldades que já têm, uma gravidez indesejada, inoportuna. A maior parte das famílias numerosas pertencem a essa camadas sociais. Certamente que a má educação sexual (os comportamentos irresponsáveis de risco) é transversal a todas as classes sociais, mas, pela evidência dos números, é menos evitável nas classes mais pobres, por via de factores que vão para além dos rendimentos mas que começam pelo nível da pobreza. Pode-se ensinar melhor ou pior a educação sexual nas escolas, contudo é sempre melhor do que aquela que é prestada pelos avós ou pelos progenitores (por razões psicanalíticas e psicológicas, pelo facto de que a família é uma instituição mais ou menos fechada, hierárquica). Recusar a educação sexual pelas escolas por motivos moralistas só pode provir de elites (económicas, não culturais), de partes ou do todo das classes dominantes, quer seja escudadas sob a capa de um catolicismo serôdio e hipócrita (mas milenar), quer seja para proteger os seus "direitos de progenitura", ou seja, dinásticos.
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