quinta-feira, 8 de julho de 2010
Manuel Maria Barbosa Du Bocage (1765-1805)
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh! Venha...Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh! Venha...Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Pinóquio
Eis que o PS vira subitamente à esquerda! Nestas suas Jornadas Parlamentares o discurso para dentro e para fora (sobretudo para fora) enaltece a ideologia e os valores. E os Princípios, não esqueçamos os princípios! Desconhecia-se que o PS, dirigido pelo eng. Sócrates e seus acólitos, possuisse ideologia (o Programa é coisa que todo o mundo ignora e não lhe dá importância nenhuma), excepto os objetivos do neo-liberalismo em voga. Sabia-se que o Dr. Mário Soares anda a escrever de há uns tempos para cá sobre os «valores da Esquerda», mas já há muito tempo que não se dá importância nenhuma ao Dr. Mário Soares. Sabia-se que no Governo há lá um senhor que escreveu uns livros de sociologia o que lhe permitiu alcandorar-se por mérito próprio a ideólogo do Regime ( como aqueles a quem Bonaparte chamava pejorativamente «ideólogos»). Sabia-se que Manuel Alegre dá sempre umas "dicas" sobre a Esquerda, embora vote regularmente na política da Direita. Sabia-se que eles têm uma "ala esquerda" cuja grande diferença com a "ala direita" é aconselhar esta a explicar melhor ao povinho as políticas do Governo. Agora o que não se sabia era que o eng. Sócrates tinha uma doutrina...ainda por cima de esquerda, ou dito de outra forma: acredita nos princípios, valores e objectivos da Social-Democracia (assim, com maiúsculas). Ou ainda por palavras mais simples: defende o Estado- Social (ou Estado Providência como acrescentou, com aquele sabor antigo com que se exprimiam as sociais-democracias nórdicas). Ainda bem, ficamos todos mais tranquilos: vai com certeza interromper de chofre, com a coragem que o caracteriza (dizem), as medidas do PEC, inverter o rumo da Economia nacional, promover o emprego e combater a precariedade, fortelecer o SNS, aumentar as prestações sociais, etc. Viva! Vamos todos votar outra vez no PS. Nunca no Sr. Pedro Passos Coelho (é este o nome?) que é todo ultra-liberal (segundo nos informaram as Jornadas Parlamentares do PS), vade retro satanás!
Se bem me lembro o primeiro filme que vi, tinha eu sete aninhos, foi o «Pinóquio», de Walt Disney. Não sei porquê, veio-me à memória.
Se bem me lembro o primeiro filme que vi, tinha eu sete aninhos, foi o «Pinóquio», de Walt Disney. Não sei porquê, veio-me à memória.
terça-feira, 6 de julho de 2010
A arte
Não é obrigatório que um artista transmita uma mensagem política propositada. O artista não produz doutrinas. Não é obrigatória a figuração -qualquer forma de realismo - para se sentir e compreender uma ideia. Nem é necessário existir sequer a ideia. Bastam as cores e as impressões que elas nos provocam, os sentimentos, as recordações que evocamos, tal como a música de Chopin ou de Mahler. Contudo, também não é obrigatório que o não faça, se for verdadeiro naquilo que faz. Júlio Pomar, entre os vivos, é o meu pintor preferido. Nas suas telas, tanto as mais antigas como as mais recentes, transmite tudo aquilo que eu gosto de sentir, imaginar: um campo de flores com crianças felizes a brincarem. Todas as crianças. E isso é uma boa utopia.
domingo, 4 de julho de 2010
Quem espera nem sempre alcança
Quando escrevi aqui que até no futebol se poderá, eventualmente, descortinar alguma utopia, ou esperança, referia-me a uma aspiração popular portuguesa ao amor-próprio numa altura emque o sentimento geral é de desânimo, medo e insegurança, baixa auto-estima. Os Jogos Olímpicos entre os gregos serviam essas funções, nomeadamente para fortalecer os laços que uniam as cidades gregas, o mundo helénico, a identidade que então se sobrepunha às suas divisões e conflitos.Ora, a população portuguesa, o povo se preferirmos, atravessa um péssimo presente e não vê a luz ao fundo do túnel.
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