sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Tolerâncias
No Irão a condenação à morte por apedrejamento da mulher por cometeu adultério é quase certa agora que confessou em plena tv que assassinou o marido e denunciou o cúmplice. Intolerável que ainda se coene à morte seja quem for; intolerável que o seja por meio de lapidação; intolerável uma confissão em directo e muito provavelmente obtida através de tortura (a menos que não fosse por tortura por acordo em troca da condenação à morte, de modo a que o Regime ceda assim airosamente às pressões internacionais e aos interesses políticos do momento). As insistentes práticas absolutamente crueis do Regime e de outros que obedecem aos mesmos rituais sacrificais ancestrais e primitivos, apenas voltam contra eles e contra essas interpretações religiosas a opinião pública civilizada. Trata-se, na verdade, de civilização versus barbárie. Condenamos a barbárie do imperialismo capitalista, condenamos a barbárie dos seus opositores. Nenhuma concepção relativista "pós-moderna" da Cultura é defensável quando tolera a preservação de práticas desumanas em nome da liberdade e diversidade das culturas. Sou pela Modernidade, que nos legou os códigos civis, as liberdades e os direitos, o constitucionalismo democrático. Se não temos que exportá-los à força (para dissimular interesses neo-colonialistas), não podemos, porém, ser tolerantes.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Hiroxima e Nagasáqui
Fez 65 anos que, em 6 e nove de Agosto, os norte-americanos lançaram duas bombas atómicas nas duas cidades japonesas, matando 150 mil pessoas nos primeiros instantes e mais 250 mil nos quatro meses seguintes. Quando o imperialismo japonês já se tinha praticamente rendido. No Norte, na Manchúria, o Exército Vermelho da URSS havia infligido uma pesada derrota aos exércitos nipónicos. Um horror que em pouco se diferencia do holocausto perpetrado pelas SS de Hitler. Israel já teria lançado alguma sobre o Irão se não fosse a reacção da opinião pública internacional (até ver).
Desemprego para os jovens
A crise fez disparar a taxa de desemprego dos jovens portugueses para 22,7%, acima do dobro da taxa global. Os mais novos foram, assim, atingidos com particular força pela recessão, em Portugal e no resto do mundo, diz a OIT, que avisa para consequências sociais.
Boa parte das conclusões da Organização Internacional de Trabalho, num estudo sobre o desemprego jovem, é comum à generalidade dos países, incluindo Portugal: durante a crise, os jovens até aos 25 anos de idade foram os mais afectados pela falta de trabalho, ficaram sujeitos a piores condições laborais e, mesmo que tenham mantido o emprego, viram aumentar a probabilidade de ficarem pobres. A organização internacional prevê, ainda, que a recuperação do emprego, por parte dos jovens, demore mais tempo do que entre os adultos.
Em Portugal, o número de jovens desempregados disparou, de 84 mil para 100 mil, desde o início de 2008 até ao primeiro trimestre deste ano (só na terça-feira o INE divulgará dados para o segundo semestre). Em consequência, a taxa de desemprego entre as pessoas com menos de 25 anos de idade passou de 16,4% para 22,7% - mais do dobro da taxa global de desemprego (10,6%).
No mundo inteiro, já 7,8 milhões de jovens ficam sem trabalho desde o início da crise, o maior aumento anual desde 1991, quando começaram os registos, diz a OIT. A altura em que se impacto se fez sentir é que variou, consoante o local do mundo. Os países mais desenvolvidos, como os europeus, começaram a sentir os efeitos da crise em 2007 e 2008, enquanto que, no resto do mundo, só um ano depois é que o desemprego entre os mais jovens começou a crescer.
As mulheres são mais afectadas pela falta de trabalho do que os homens, mas enquanto que nos países desenvolvidos essa diferença se esbateu, nos mais pobres ela tornou-se ainda maior. Em paralelo, a falta de empregos disponíveis desencorajou jovens de sequer procurar trabalho, deixando assim de figurar nas listas do desemprego, conclui a Organização Internacional de Trabalho.
O fenómeno leva a OIT a falar de uma "geração perdida", sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. "Entrar no mercado de trabalho durante uma recessão pode deixar cicatrizes permanentes na geração de jovens afectados", que podem simplesmente desligar-se do mundo de trabalho.
(JN, 12.08.2010, A. Ferreira)
Boa parte das conclusões da Organização Internacional de Trabalho, num estudo sobre o desemprego jovem, é comum à generalidade dos países, incluindo Portugal: durante a crise, os jovens até aos 25 anos de idade foram os mais afectados pela falta de trabalho, ficaram sujeitos a piores condições laborais e, mesmo que tenham mantido o emprego, viram aumentar a probabilidade de ficarem pobres. A organização internacional prevê, ainda, que a recuperação do emprego, por parte dos jovens, demore mais tempo do que entre os adultos.
Em Portugal, o número de jovens desempregados disparou, de 84 mil para 100 mil, desde o início de 2008 até ao primeiro trimestre deste ano (só na terça-feira o INE divulgará dados para o segundo semestre). Em consequência, a taxa de desemprego entre as pessoas com menos de 25 anos de idade passou de 16,4% para 22,7% - mais do dobro da taxa global de desemprego (10,6%).
No mundo inteiro, já 7,8 milhões de jovens ficam sem trabalho desde o início da crise, o maior aumento anual desde 1991, quando começaram os registos, diz a OIT. A altura em que se impacto se fez sentir é que variou, consoante o local do mundo. Os países mais desenvolvidos, como os europeus, começaram a sentir os efeitos da crise em 2007 e 2008, enquanto que, no resto do mundo, só um ano depois é que o desemprego entre os mais jovens começou a crescer.
As mulheres são mais afectadas pela falta de trabalho do que os homens, mas enquanto que nos países desenvolvidos essa diferença se esbateu, nos mais pobres ela tornou-se ainda maior. Em paralelo, a falta de empregos disponíveis desencorajou jovens de sequer procurar trabalho, deixando assim de figurar nas listas do desemprego, conclui a Organização Internacional de Trabalho.
O fenómeno leva a OIT a falar de uma "geração perdida", sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. "Entrar no mercado de trabalho durante uma recessão pode deixar cicatrizes permanentes na geração de jovens afectados", que podem simplesmente desligar-se do mundo de trabalho.
(JN, 12.08.2010, A. Ferreira)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
AVATAR e a utopia
Uma leitora amiga teve a inteligência de me lembrar o significado de «Avatar», a propósito de um post no qual eu relacionava o filme com a utopia. De facto, «avatar» que remonta ao sânscrito, é um termo essencial na mitologia hindú e significa a encarnação de Krishna. O deus Vixnu desce à Terra em onze (ou vinte e duas) encarnações, sendo uma delas em Krishna.
Obtenho, assim, uma outra perspectiva para relacionar o filme com utopias contemporâneas (ou anquíssimas, porém em formas actuais). Avatar exprime o desejo de trocar de identidade, trocar de corpo (no sentido literal), substiutir o corpo «velho», «doente», ou «feio», por um outro, puro, belo e bom; emanação da natureza, este corpo novo é a encarnação desta, ou seja, está em perfeita harmonia com a natureza (os «avatares» escutam a fala da natureza). Não vem a despropósito evocar a filosofia de Gilles Deleuze, nos seus conceitos de «corpo sem órgãos» -capaz de ser «todos os nomes» - e de «rizoma». A utopia de uma longevidade prolongada da vida do corpo, com aparência jovem (utopia máxima), sem recurso a tecnologias (implantes), que o filme premiado exprime com clareza, cruza-se com uma das maiores filosofias do nosso tempo. Daqui partir-se-ia para a questão da «Identidade», tema recorrente do questionamento contemporâneo.
O filme afasta-se da utopia da troca de identidades, entre o indivíduo prisioneiro das convenções e, por isso, desejoso de exprimir as emoções e realizar livremente os seus desejos, que a literatura havia celebrado no século XIX e o cinema no século vinte (o médico cientista que descobre a droga, o elixir, do prazer sem culpa). No entanto, no fundo, talvez a utopia seja a mesma. O que mudou foi o paradigma cultural.
Obtenho, assim, uma outra perspectiva para relacionar o filme com utopias contemporâneas (ou anquíssimas, porém em formas actuais). Avatar exprime o desejo de trocar de identidade, trocar de corpo (no sentido literal), substiutir o corpo «velho», «doente», ou «feio», por um outro, puro, belo e bom; emanação da natureza, este corpo novo é a encarnação desta, ou seja, está em perfeita harmonia com a natureza (os «avatares» escutam a fala da natureza). Não vem a despropósito evocar a filosofia de Gilles Deleuze, nos seus conceitos de «corpo sem órgãos» -capaz de ser «todos os nomes» - e de «rizoma». A utopia de uma longevidade prolongada da vida do corpo, com aparência jovem (utopia máxima), sem recurso a tecnologias (implantes), que o filme premiado exprime com clareza, cruza-se com uma das maiores filosofias do nosso tempo. Daqui partir-se-ia para a questão da «Identidade», tema recorrente do questionamento contemporâneo.
O filme afasta-se da utopia da troca de identidades, entre o indivíduo prisioneiro das convenções e, por isso, desejoso de exprimir as emoções e realizar livremente os seus desejos, que a literatura havia celebrado no século XIX e o cinema no século vinte (o médico cientista que descobre a droga, o elixir, do prazer sem culpa). No entanto, no fundo, talvez a utopia seja a mesma. O que mudou foi o paradigma cultural.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
António Dias Lourenço morreu
"Um homem decente"
Manuel António Pina
Li num blogue insuspeito de simpatias ideológicas pelo PCP a expressão "um homem decente" para caracterizar o desaparecido dirigente comunista António Dias Lourenço, e vi depois a mesma expressão repetida mais do que uma vez em outros dispersos lugares. Caracterizar é distinguir. Numa sociedade minimamente saudável do ponto de vista moral, em que a decência, e não a falta de escrúpulos, fosse a regra, a expressão "um homem decente" não distinguiria. Só em sociedades moralmente doentes como aquela em que hoje vivemos a decência se torna uma característica distintiva e expressões como "um homem decente" têm conteúdo informativo. Dias Lourenço dedicou toda a vida (17 anos dela passados nas prisões de Salazar, outros tantos na clandestinidade) a bater-se por ideias e valores e não por interesses pessoais. Quase 40 anos depois do 25 de Abril, em tempos, como estes, de recém-chegados e de oportunistas, isso é certamente motivo de escândalo. De quantas das notoriedades que abundam hoje na nossa vida política e económica poderemos dizer "um homem decente" sem abastardar a própria noção de decência?
Manuel António Pina
Li num blogue insuspeito de simpatias ideológicas pelo PCP a expressão "um homem decente" para caracterizar o desaparecido dirigente comunista António Dias Lourenço, e vi depois a mesma expressão repetida mais do que uma vez em outros dispersos lugares. Caracterizar é distinguir. Numa sociedade minimamente saudável do ponto de vista moral, em que a decência, e não a falta de escrúpulos, fosse a regra, a expressão "um homem decente" não distinguiria. Só em sociedades moralmente doentes como aquela em que hoje vivemos a decência se torna uma característica distintiva e expressões como "um homem decente" têm conteúdo informativo. Dias Lourenço dedicou toda a vida (17 anos dela passados nas prisões de Salazar, outros tantos na clandestinidade) a bater-se por ideias e valores e não por interesses pessoais. Quase 40 anos depois do 25 de Abril, em tempos, como estes, de recém-chegados e de oportunistas, isso é certamente motivo de escândalo. De quantas das notoriedades que abundam hoje na nossa vida política e económica poderemos dizer "um homem decente" sem abastardar a própria noção de decência?
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Com a devida vénia ao autor
BERTOLT BRECHT (1896-1956)
Um trabalhador, ao ler, pergunta
Quem construíu a heptápila Tebas?
Nos livros há só nomes de reis.
Foram os reis quem transportou as pedras?
E a tantas vezes destruída Babilónia -
Quem tantas vezes a reconstruíu? E em que casas
de Lima, a cintilante de ouro, os construtores moraram?
Para onde foram, na tarde em que acabaram a Muralha da China,
os alvanéis? A grande Roma
Está cheia de arcos triunfais. Quem os ergueu? E sobre quem
Triunfaram os Césares? Tinha a celebrada Bizâncio
Só palácios para os habitantes? Até na Atlândida fantástica
Gritava, na noite em que o mar a engolia,
Quem se afogava, pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias.
Sozinho?
César bateu as Gálias.
Não tinha com ele sequer um cozinheiro?
Filipe de Espanha chorou, quando a Armada
Foi ao fundo. Mais ninguém chorou?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos. Quem a ganhou para ele?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete triunfal?
Cada dez anos um grande Homem.
Quem pagou a conta?
Tantas histórias.
Outras tantas perguntas.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
SEXO
«Foi a coisa mais divertida que fiz sem rir.»
W. Allen (escritor e cineasta norte-americano, nascido em 1935)
O sexo é um acidente: o que dele recebemos é momentâneo e casual; visamos a algo mais secreto e misterioso do qual o sexo é apenas um sinal, um símbolo.»
C. Pavese (escritor italiano, 1908-1950)
«Sexo é indecente? Somente se é bem feito.»
W. Allen, Tudo o que você queria saber sobre sexo e não teve coragem de perguntar.
W. Allen (escritor e cineasta norte-americano, nascido em 1935)
O sexo é um acidente: o que dele recebemos é momentâneo e casual; visamos a algo mais secreto e misterioso do qual o sexo é apenas um sinal, um símbolo.»
C. Pavese (escritor italiano, 1908-1950)
«Sexo é indecente? Somente se é bem feito.»
W. Allen, Tudo o que você queria saber sobre sexo e não teve coragem de perguntar.
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