segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

Fala da princesa Branca
(Fragmento de «Die weisse Fürstin»)

Olha: a morte está na vida; ambas seguem
Tão entrançadas, como num tapete
os fios seguem; e daqui se forma
para nós, que passamos, uma imagem.
Quando se morre, nem só isto é morte.
Morte, é viver sem saber que se vive;
morte, é ainda não saber morrer.
Muitas coisas são morte; sem o enterro.
O morrer e o nascer andam connosco
e isto sentimos como a natureza,
que dura simplesmente, sem pesar
e sem partido. A dor ou a alegria
são cores para os estranhos que nos vêem.
Por isso nos importa mais que tudo
achar o espectador que ao contemplar-nos
bem fundo nos abrange em seu olhar
e apenas diz: vejo isto ou vejo aquilo,
onde outros adivinham só ou mentem.»

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tolerâncias

No Irão a condenação à morte por apedrejamento da mulher por cometeu adultério é quase certa agora que confessou em plena tv que assassinou o marido e denunciou o cúmplice. Intolerável que ainda se coene à morte seja quem for; intolerável que o seja por meio de lapidação; intolerável uma confissão em directo e muito provavelmente obtida através de tortura (a menos que não fosse por tortura por acordo em troca da condenação à morte, de modo a que o Regime ceda assim airosamente às pressões internacionais e aos interesses políticos do momento). As insistentes práticas absolutamente crueis do Regime e de outros que obedecem aos mesmos rituais sacrificais ancestrais e primitivos, apenas voltam contra eles e contra essas interpretações religiosas a opinião pública civilizada. Trata-se, na verdade, de civilização versus barbárie. Condenamos a barbárie do imperialismo capitalista, condenamos a barbárie dos seus opositores. Nenhuma concepção relativista "pós-moderna" da Cultura é defensável quando tolera a preservação de práticas desumanas em nome da liberdade e diversidade das culturas. Sou pela Modernidade, que nos legou os códigos civis, as liberdades e os direitos, o constitucionalismo democrático. Se não temos que exportá-los à força (para dissimular interesses neo-colonialistas), não podemos, porém, ser tolerantes.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Hiroxima e Nagasáqui

Fez 65 anos que, em 6 e nove de Agosto, os norte-americanos lançaram duas bombas atómicas nas duas cidades japonesas, matando 150 mil pessoas nos primeiros instantes e mais 250 mil nos quatro meses seguintes. Quando o imperialismo japonês já se tinha praticamente rendido. No Norte, na Manchúria, o Exército Vermelho da URSS havia infligido uma pesada derrota aos exércitos nipónicos. Um horror que em pouco se diferencia do holocausto perpetrado pelas SS de Hitler. Israel já teria lançado alguma sobre o Irão se não fosse a reacção da opinião pública internacional (até ver).

Desemprego para os jovens

A crise fez disparar a taxa de desemprego dos jovens portugueses para 22,7%, acima do dobro da taxa global. Os mais novos foram, assim, atingidos com particular força pela recessão, em Portugal e no resto do mundo, diz a OIT, que avisa para consequências sociais.




Boa parte das conclusões da Organização Internacional de Trabalho, num estudo sobre o desemprego jovem, é comum à generalidade dos países, incluindo Portugal: durante a crise, os jovens até aos 25 anos de idade foram os mais afectados pela falta de trabalho, ficaram sujeitos a piores condições laborais e, mesmo que tenham mantido o emprego, viram aumentar a probabilidade de ficarem pobres. A organização internacional prevê, ainda, que a recuperação do emprego, por parte dos jovens, demore mais tempo do que entre os adultos.



Em Portugal, o número de jovens desempregados disparou, de 84 mil para 100 mil, desde o início de 2008 até ao primeiro trimestre deste ano (só na terça-feira o INE divulgará dados para o segundo semestre). Em consequência, a taxa de desemprego entre as pessoas com menos de 25 anos de idade passou de 16,4% para 22,7% - mais do dobro da taxa global de desemprego (10,6%).

No mundo inteiro, já 7,8 milhões de jovens ficam sem trabalho desde o início da crise, o maior aumento anual desde 1991, quando começaram os registos, diz a OIT. A altura em que se impacto se fez sentir é que variou, consoante o local do mundo. Os países mais desenvolvidos, como os europeus, começaram a sentir os efeitos da crise em 2007 e 2008, enquanto que, no resto do mundo, só um ano depois é que o desemprego entre os mais jovens começou a crescer.



As mulheres são mais afectadas pela falta de trabalho do que os homens, mas enquanto que nos países desenvolvidos essa diferença se esbateu, nos mais pobres ela tornou-se ainda maior. Em paralelo, a falta de empregos disponíveis desencorajou jovens de sequer procurar trabalho, deixando assim de figurar nas listas do desemprego, conclui a Organização Internacional de Trabalho.

O fenómeno leva a OIT a falar de uma "geração perdida", sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. "Entrar no mercado de trabalho durante uma recessão pode deixar cicatrizes permanentes na geração de jovens afectados", que podem simplesmente desligar-se do mundo de trabalho.

(JN, 12.08.2010, A. Ferreira)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

AVATAR e a utopia

Uma leitora amiga teve a inteligência de me lembrar o significado de «Avatar», a propósito de um post no qual eu relacionava o filme com a utopia. De facto, «avatar» que remonta ao sânscrito, é um termo essencial na mitologia hindú e significa a encarnação de Krishna. O deus Vixnu desce à Terra em onze (ou vinte e duas) encarnações, sendo uma delas em Krishna.
Obtenho, assim, uma outra perspectiva para relacionar o filme com utopias contemporâneas (ou anquíssimas, porém em formas actuais). Avatar exprime o desejo de trocar de identidade, trocar de corpo (no sentido literal), substiutir o corpo «velho», «doente», ou «feio», por um outro, puro, belo e bom; emanação da natureza, este corpo novo é a encarnação desta, ou seja, está em perfeita harmonia com a natureza (os «avatares» escutam a fala da natureza). Não vem a despropósito evocar a filosofia de Gilles Deleuze, nos seus conceitos de «corpo sem órgãos» -capaz de ser «todos os nomes» - e de «rizoma». A utopia de uma longevidade prolongada da vida do corpo, com aparência jovem (utopia máxima), sem recurso a tecnologias (implantes), que o filme premiado exprime com clareza, cruza-se com uma das maiores filosofias do nosso tempo. Daqui partir-se-ia para a questão da «Identidade», tema recorrente do questionamento contemporâneo.
O filme afasta-se da utopia da troca de identidades, entre o indivíduo prisioneiro das convenções e, por isso, desejoso de exprimir as emoções e realizar livremente os seus desejos, que a literatura havia celebrado no século XIX e o cinema no século vinte (o médico cientista que descobre a droga, o elixir, do prazer sem culpa). No entanto, no fundo, talvez a utopia seja a mesma. O que mudou foi o paradigma cultural.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA