terça-feira, 28 de setembro de 2010
A caverna
A OCDE representa os mais altos interesses coligados do grande capital internacional, isto é imperialista. Que as grandes potências e as multinacionais falam pela boca desses especialistas em extorsão e exploração mundiais, todos sabem ou deviam saber. Vieram a Portugal dar a mão ao governo, o que demonstra que interesses defende e que política pretende prosseguir. Todos estão de acordo: Presidente da República, governo, oposição de direita, confederação dos patrões, UGT, mais todos esses comentadores de serviço, catedráticos ou administradores da Banca e dos grupos económicos lusitanos. Assim se dividisse o país: entre essa minoria e a imensa maioria dos trabalhadores assalariados, dos pequenos empresários, dos reformados e pensionistas. Se assim fosse, ou um dia vier a ser, esta pandilha havia de ser obrigada a dar ao povo aquilo que é do povo. Já se viram mudanças dessas, o que prova que não são impossíveis. Tal como nos ensinou Platão na sua imortal história da caverna, há que acreditar que, com esforço e esperança, a libertação das grilhetas e do buraco negro onde nos mantêm agrilhoados há de chegar. Quer eu ainda esteja vivo ou não.
domingo, 26 de setembro de 2010
José Carlos Ary dos Santos
Soneto presente
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra donde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.
Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra donde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.
Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Do poeta Miguel Hernández uma quadra, um fragmento apenas de uma obra imensa, a ler urgentemente. Nos cem anos do seu nascimento. Poeta, animador cultural, militante comunista, soldado da guerra civil, preso e condenado a 30 anos de prisão pelos fascistas aqui ao lado.
"Soy una abierta ventana que escucha,
por donde ver tenebrosa la vida.
Pero hay un rayo de sol en la lucha
que siempre deja la sombra vencida."
http://bonstemposhein-jrd.blogspot.com/search/label/Miguel%20Hernandez
por donde ver tenebrosa la vida.
Pero hay un rayo de sol en la lucha
que siempre deja la sombra vencida."
http://bonstemposhein-jrd.blogspot.com/search/label/Miguel%20Hernandez
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Agradeço a JRD
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
PAUL ELUARD (1895-1952)
O Espelho de um instante
Ele dissipa o dia,
Ele mostra aos homens as imagens livres de aparências,
Ele rouba aos homens a possibilidade de se distraírem,
É duro como a pedra,
A pedra informe,
A pedra do movimento e da vista,
E o seu brilho é tal que as armaduras e as máscaras são falsificadas.
O que a mão pegou despreza assumir a forma da mão,
O que foi compreendido não mais existe,
O pássaro confundiu-se com o vento,
O céu com a sua verdade,
O homem com a sua realidade.
«Ta chevelure d'oranges»
A tua cabeleira de laranjas no vazio do mundo
No vazio dos vidros densos de silêncio
E de sombra onde as minhas mãos nuas te procuram os reflexos.
A forma do teu coração é quimérica
E o teu amor parece-se com o meu desejo perdido.
Ó suspiros de âmbar, sonhos, olhares.
Mas tu sempre estiveste comigo. A memória
Obscurece-se-me porque te vi chegar
E partir. O tempo serve-se de palavras como o amor.
Ele dissipa o dia,
Ele mostra aos homens as imagens livres de aparências,
Ele rouba aos homens a possibilidade de se distraírem,
É duro como a pedra,
A pedra informe,
A pedra do movimento e da vista,
E o seu brilho é tal que as armaduras e as máscaras são falsificadas.
O que a mão pegou despreza assumir a forma da mão,
O que foi compreendido não mais existe,
O pássaro confundiu-se com o vento,
O céu com a sua verdade,
O homem com a sua realidade.
«Ta chevelure d'oranges»
A tua cabeleira de laranjas no vazio do mundo
No vazio dos vidros densos de silêncio
E de sombra onde as minhas mãos nuas te procuram os reflexos.
A forma do teu coração é quimérica
E o teu amor parece-se com o meu desejo perdido.
Ó suspiros de âmbar, sonhos, olhares.
Mas tu sempre estiveste comigo. A memória
Obscurece-se-me porque te vi chegar
E partir. O tempo serve-se de palavras como o amor.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Mais uma!
A Santa Sé anda em maré de azar. Foram (ou são?) os crimes de pedofilia praticados sobre centenas (milhares?) de crianças órfãs, paupérrimas, infelizes. Agora é o seu Banco que está a ser investigado sob a suspeita de lavagem de dinheiro (sujo, pois claro; aquele que costuma acompanhar os negócios do tráfico de droga, prosituição, contrabando de armas). Quem tem a memória curta não se recorda do escândalo da bancarrota do mesmo Banco (claro, com outro registo) saqueado por administradores ligados à Máfia, um deles apareceu morto sob uma ponte do rio Tamisa, há uns anos atrás, eu cá lembro-me muito bem. E lembro-me inclusivamente das ligações espúrias do Banco ou do Vaticano com a Democracia Cristã, o tal partido italiano casado com as máfias.
No meu tempo de petiz o sr. padre-confessor obrigava-nos a rezar uma dúzia de padre-nossos e outra dúzia de avé-marias para nos salvarmos do fogo do inferno por causa de uns pequeninos pensamentos impuros. Que área do inferno está reservada para esses padres pedófilos e para os sacripantas do Banco? Um mosteiro nas Antilhas?
No meu tempo de petiz o sr. padre-confessor obrigava-nos a rezar uma dúzia de padre-nossos e outra dúzia de avé-marias para nos salvarmos do fogo do inferno por causa de uns pequeninos pensamentos impuros. Que área do inferno está reservada para esses padres pedófilos e para os sacripantas do Banco? Um mosteiro nas Antilhas?
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Soberanias
O diktat da Comissão europeia do visto para fazer passar o Orçamento nacional obriga a uma reflexão aprofundada sobre a situação das soberanias nacionais. A título imediato provoca justamente a revolta e a indignação. É preocupante que as forças políticas dominantes baixem a cerviz e aceitem tamanha intrusão. Demonstram o servilismo que reina por cá e noutros governos europeus endividados, e quem efectivamente domina a União Europeia. A reflexão mais aprofundada passa pela controvérsia contemporânea sobre se a soberania se eclipsa ou não no quadro das transformações provocadas pela chamada «globalização». Anda por aí a correr a tese, dada como adquirida, segundo a qual as novas sociedades em-rede (M. Castells) substituem as entidades nacionais (o mercado mundial, as comunicações, os organismos internacionais) ou a tese similar que considera inútil, ou mesmo reaccionária, a luta por objectivos nacionais (A. Negri).
Ora, se é certo que a soberania tem vindo a decair face aos condicionalismos internacionais contemporâneos (quer se queira, quer não, estamos todos no mercado mundial), tais tendências contêm uma forte componente neo-imperialista, e os interesses das grandes potências e das multinacionais são bem visíveis. Em termos grossos poder-se-á conluir que a soberania dos países periféricos, mais pequenos ou mais pobres (da Europa ou do Sul), já não interessa, mas para as grandes potências (E.U., Japão, Alemanha, Inglaterra, França, China) ainda interessa-lhes e muito.
Ora, se é certo que a soberania tem vindo a decair face aos condicionalismos internacionais contemporâneos (quer se queira, quer não, estamos todos no mercado mundial), tais tendências contêm uma forte componente neo-imperialista, e os interesses das grandes potências e das multinacionais são bem visíveis. Em termos grossos poder-se-á conluir que a soberania dos países periféricos, mais pequenos ou mais pobres (da Europa ou do Sul), já não interessa, mas para as grandes potências (E.U., Japão, Alemanha, Inglaterra, França, China) ainda interessa-lhes e muito.
domingo, 19 de setembro de 2010
Bum!
Crise sistémica global
Primavera de 2011: Benvindo ao United States of Austerity
– Rumo ao grande descalabro do sistema económico e financeiro mundial
«O segundo trimestre de 2010 é bem caracterizado por um agravamento brutal da crise assinalado pelo fim da ilusão da retomada que foi alimentada pelos dirigentes ocidentais e pelos milhões de milhões engolidos pelos bancos e planos económicos de "estímulo" sem eficácia duradoura. Os próximos meses vão revelar uma realidade simples mas particularmente dolorosa: a economia ocidental e, em particular, a dos Estados Unidos , nunca saiu verdadeiramente da recessão . Os sobressaltos estatísticos registados desde o Verão de 2009 não foram senão as consequências passageiras de uma injecção maciça de liquidez num sistema tornado fundamentalmente insolvente, tal como o consumidor americano . No cerne da crise sistémica global desde a sua origem, os Estados Unidos vão portanto demonstrar nos próximos meses que estão novamente em vias de arrastar as economias e as finanças mundiais para o "coração das trevas" pois não chegaram a sair desta "Muito Grande Depressão estado-unidense" . Assim, no momento da saída dos sobressaltos políticos das eleições americanas de Novembro próximo, sobre o pano de fundo de taxas de crescimento tornadas negativas, o mundo vai ter de enfrentar a "Muito Grande Avaria" do sistema económico e financeiro mundial fundado há mais de 60 anos sobre a necessidade absoluta de a economia americana jamais se encontrar em recessão duradoura. Ora, o primeiro semestre de 2011 vai impor à economia americana uma cura de austeridade sem precedentes, mergulhando o planeta num novo caos financeiro, monetário, económico e social . Os próximos trimestre vão ser particularmente perigosos para o sistema económico e financeiro mundial. O patrão do Fed, Ben Bernanke, fez igualmente passar a mensagem tão diplomaticamente quanto possível aquando da recente reunião dos banqueiros centrais mundiais em Jackson Hole, no Wyoming: Apesar de a política de relançamento da economia americana ter fracassado, que seja o resto do mundo a continuar a financiar em perda os défices estado-unidenses e espera que num dado momento esta aposta venha a ser compensadora pois terá evitado um afundamento do sistema global, ou seja, os Estados Unidos vão monetizar a sua dívida e transformar em moeda de macacos o conjunto dos dólares e Títulos do Tesouro dos EUA possuídos pelo resto do planeta. Tal como toda potência acuada, os Estados Unidos doravante são obrigados a juntar a ameaça à pressão para poderem obter o que querem. Há apenas pouco mais de um ano, os dirigentes e responsáveis financeiros do resto do mundo dispuseram-se voluntariamente a "recolocar a flutuar o navio USA". Hoje contudo as coisas mudaram muito pois a bela garantia de Washington (tanto a do Fed como a da administração Obama) verificou-se não ser senão pura arrogância fundamentada sobre a pretensão de ter compreendido a natureza da crise e a ilusão de possuir os meios de dominá-la. Ora, o crescimento americano evapora-se trimestre após trimestre e tornar-se-á negativo a partir do fim de 2010, o desemprego não pára de crescer a estabilidade dos números oficiais e a saída em seis meses de mais de dois milhões de americanos do mercado do emprego (para o LEAP/E2020, o número real do desemprego doravante é de pelo menos 20%) , o mercado imobiliário americano continua deprimido a níveis historicamente baixos e vai retomar a sua queda a partir do 4º trimestre de 2010; enfim, como se pode facilmente imaginar nestas condições, o consumidor estado-unidense permanece e permanecerá ausente por longo tempo uma vez que a sua insolvência perdura e mesmo se agrava pois um americano em cada cinco não tem trabalho. Em primeiro lugar, há uma realidade popular muito sombria, uma verdadeira viagem "ao coração das trevas", que é a de dezenas de milhões de americanos (cerca de 60 milhões dependem agora de selos de alimentação) que doravante não têm mais emprego, nem casa, nem poupanças e que se perguntam como vão sobreviver nos próximos anos . Jovens , reformados, negros, operários, empregados administrativos , ... eles constituem esta massa de cidadãos em cólera que em Novembro próximo se vai exprimir brutalmente e mergulhar Washington num impasse político trágico. Apoiantes do movimento "Tea-Party" , novos secessionistas , ... eles querem "partir a máquina washingtoniana" (e por extensão a da Wall Street) sem entretanto ter propostas realizáveis para resolver a multidão de problemas do país . Assim, as eleições de Novembro de 2010 vão ser a primeira ocasião para esta "América que sofre" exprimir-se sobre a crise e suas consequências. E, recuperados ou não pelos republicanos ou pelos extremos, estes votos vão contribuir para paralisar ainda mais a administração Obama e o Congresso (que provavelmente oscilará para o lado republicano), não fazendo senão afundar o país num imobilismo trágico no momento em que todos os indicadores passam novamente para o vermelho. Esta expressão da cólera popular vai igualmente entrar em choque a partir de Dezembro com a publicação do relatório da comissão sobre o défice estabelecido pelo presidente Obama, que automaticamente vai colocar a questão dos défices no cerne do debate público do princípio de 2011 .
A título de exemplo, já se pode ver uma expressão bem particular desta cólera popular contra a Wall Street no facto de que os americanos desertaram da bolsa . A cada mês, são sempre mais os "pequenos accionistas" que deixam a Wall Street e os mercados financeiros deixando hoje mais de 70% das transacções nas mãos das grandes instituições e outros "high frequency traders" . Se se recorda a imagem tradicional de que a bolsa seria o tempo moderno do capitalismo, assiste-se então a um fenómeno de perda de fé que poderia ser comparável ao desgosto com grandes manifestações populares que o sistema comunista experimentou antes da sua queda.»
15 Setembro 2010
(in http:// resistir.info/.)
(cortes e adaptações da minha responsabilidade - N.P.)
Primavera de 2011: Benvindo ao United States of Austerity
– Rumo ao grande descalabro do sistema económico e financeiro mundial
«O segundo trimestre de 2010 é bem caracterizado por um agravamento brutal da crise assinalado pelo fim da ilusão da retomada que foi alimentada pelos dirigentes ocidentais e pelos milhões de milhões engolidos pelos bancos e planos económicos de "estímulo" sem eficácia duradoura. Os próximos meses vão revelar uma realidade simples mas particularmente dolorosa: a economia ocidental e, em particular, a dos Estados Unidos , nunca saiu verdadeiramente da recessão . Os sobressaltos estatísticos registados desde o Verão de 2009 não foram senão as consequências passageiras de uma injecção maciça de liquidez num sistema tornado fundamentalmente insolvente, tal como o consumidor americano . No cerne da crise sistémica global desde a sua origem, os Estados Unidos vão portanto demonstrar nos próximos meses que estão novamente em vias de arrastar as economias e as finanças mundiais para o "coração das trevas" pois não chegaram a sair desta "Muito Grande Depressão estado-unidense" . Assim, no momento da saída dos sobressaltos políticos das eleições americanas de Novembro próximo, sobre o pano de fundo de taxas de crescimento tornadas negativas, o mundo vai ter de enfrentar a "Muito Grande Avaria" do sistema económico e financeiro mundial fundado há mais de 60 anos sobre a necessidade absoluta de a economia americana jamais se encontrar em recessão duradoura. Ora, o primeiro semestre de 2011 vai impor à economia americana uma cura de austeridade sem precedentes, mergulhando o planeta num novo caos financeiro, monetário, económico e social . Os próximos trimestre vão ser particularmente perigosos para o sistema económico e financeiro mundial. O patrão do Fed, Ben Bernanke, fez igualmente passar a mensagem tão diplomaticamente quanto possível aquando da recente reunião dos banqueiros centrais mundiais em Jackson Hole, no Wyoming: Apesar de a política de relançamento da economia americana ter fracassado, que seja o resto do mundo a continuar a financiar em perda os défices estado-unidenses e espera que num dado momento esta aposta venha a ser compensadora pois terá evitado um afundamento do sistema global, ou seja, os Estados Unidos vão monetizar a sua dívida e transformar em moeda de macacos o conjunto dos dólares e Títulos do Tesouro dos EUA possuídos pelo resto do planeta. Tal como toda potência acuada, os Estados Unidos doravante são obrigados a juntar a ameaça à pressão para poderem obter o que querem. Há apenas pouco mais de um ano, os dirigentes e responsáveis financeiros do resto do mundo dispuseram-se voluntariamente a "recolocar a flutuar o navio USA". Hoje contudo as coisas mudaram muito pois a bela garantia de Washington (tanto a do Fed como a da administração Obama) verificou-se não ser senão pura arrogância fundamentada sobre a pretensão de ter compreendido a natureza da crise e a ilusão de possuir os meios de dominá-la. Ora, o crescimento americano evapora-se trimestre após trimestre e tornar-se-á negativo a partir do fim de 2010, o desemprego não pára de crescer a estabilidade dos números oficiais e a saída em seis meses de mais de dois milhões de americanos do mercado do emprego (para o LEAP/E2020, o número real do desemprego doravante é de pelo menos 20%) , o mercado imobiliário americano continua deprimido a níveis historicamente baixos e vai retomar a sua queda a partir do 4º trimestre de 2010; enfim, como se pode facilmente imaginar nestas condições, o consumidor estado-unidense permanece e permanecerá ausente por longo tempo uma vez que a sua insolvência perdura e mesmo se agrava pois um americano em cada cinco não tem trabalho. Em primeiro lugar, há uma realidade popular muito sombria, uma verdadeira viagem "ao coração das trevas", que é a de dezenas de milhões de americanos (cerca de 60 milhões dependem agora de selos de alimentação) que doravante não têm mais emprego, nem casa, nem poupanças e que se perguntam como vão sobreviver nos próximos anos . Jovens , reformados, negros, operários, empregados administrativos , ... eles constituem esta massa de cidadãos em cólera que em Novembro próximo se vai exprimir brutalmente e mergulhar Washington num impasse político trágico. Apoiantes do movimento "Tea-Party" , novos secessionistas , ... eles querem "partir a máquina washingtoniana" (e por extensão a da Wall Street) sem entretanto ter propostas realizáveis para resolver a multidão de problemas do país . Assim, as eleições de Novembro de 2010 vão ser a primeira ocasião para esta "América que sofre" exprimir-se sobre a crise e suas consequências. E, recuperados ou não pelos republicanos ou pelos extremos, estes votos vão contribuir para paralisar ainda mais a administração Obama e o Congresso (que provavelmente oscilará para o lado republicano), não fazendo senão afundar o país num imobilismo trágico no momento em que todos os indicadores passam novamente para o vermelho. Esta expressão da cólera popular vai igualmente entrar em choque a partir de Dezembro com a publicação do relatório da comissão sobre o défice estabelecido pelo presidente Obama, que automaticamente vai colocar a questão dos défices no cerne do debate público do princípio de 2011 .
A título de exemplo, já se pode ver uma expressão bem particular desta cólera popular contra a Wall Street no facto de que os americanos desertaram da bolsa . A cada mês, são sempre mais os "pequenos accionistas" que deixam a Wall Street e os mercados financeiros deixando hoje mais de 70% das transacções nas mãos das grandes instituições e outros "high frequency traders" . Se se recorda a imagem tradicional de que a bolsa seria o tempo moderno do capitalismo, assiste-se então a um fenómeno de perda de fé que poderia ser comparável ao desgosto com grandes manifestações populares que o sistema comunista experimentou antes da sua queda.»
15 Setembro 2010
(in http:// resistir.info/.)
(cortes e adaptações da minha responsabilidade - N.P.)
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