Os bufões eram personagens das óperas-bufas. Há os comediantes, que personificam qualquer papel e há oscómicos que se esforçam por fazer rir. Há os oportunistas, os que se aproveitam de uma boa oportunidade para obterem qualquer ganho. Há os fantoches e os trauliteiros.
O presidente do Chile aproveitou a oportunidade de um drama que poderia ter sido uma horrível tragédia, para viajar à Europa alcandorando-se em herói. Os media fizeram-lhe o favor. Os mineiros, sem o saberem e provavelmente sem o quererem, deixaram-se "palmar" pelo seu presidente, um obscuro personagem da extrema-direita que se apresentou ao eleitorado como liberal. Na verdade foi um apoiante da ditadura do Pinochet assassino e tem um irmão que colaborou com a repressão sangrenta. Deste presidente (e provavelmente de anteriores) se deve a falta de segurança nas minas e a reabertura de minas que tinham sido desactivadas, da mesma maneira que à sua política neo-liberal se deve a exploração desenfreada dos operários chilenos.
Levou uma pedra da mina que abateu com 33 mineiros dentro, para oferecer ao primeiro-ministro britânico, que lhe deve fazer bom uso, embora não se vislumbre qual.
O verdadeiro herói, o mineiro chefe-de-turno que liderou admiravelmente os seus camaradas soterrados, não acompanhou o seu presidente nesta viagem gloriosa.
Não sei se deva rir com tamanho comediante. A comoção que me provocou o drama dos mineiros e das suas famílias (explorada ate à exaustão pelos media, que se esqueciam sistematicamente de descrever as condições de trabalho no Chile) impede-me. Um bom bufão faz-me rir. Este farsante mete-me asco.
domingo, 17 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Viagem ao Parque Natural de Donhana
O Parque Nacional de Doñana situa-se na parte mais oriental da Província de Huelva, e estende-se por três províncias: Huelva na sua maior parte, mas também Sevilha e Cádiz. Doñana é a maior reserva biológica de Espanha, contando com a maior extensão de área protegida, com mais de 50000 hectares.
O Parque Nacional de Doñana engloba um total de 80000 hectares, entre os mais de 50000 hectares do próprio parque e os quase 30000 hectares dos arredores. Tal facto torna-o na área protegida mais importante de Espanha e numa das mais importantes da Europa. É uma zona uma enorme beleza, um dos mais importantes conjuntos de dunas da Europa e é o lugar onde se refugiam muitas espécies que se encontram em perigo de extinção.
Doñana é actualmente uma paragem obrigatória para milhares de aves migratórias que anualmente cruzam o Estreito de Gibraltar. Espécies que chegam vindas de todos os pontos da Europa e da Ásia, que por aqui passam e que continuam os seu caminho: flamingos, falcões, cegonhas negras ... bem como espécies que vivem nesta zona, tal como a Águia Imperial ou o Lince Ibérico ... Doñana dá abrigo a centenas e centenas de espécies, sejam elas terrestres ou marinhas, quer se trate ou não de aves, todas elas espécies que convivem no seio de um ecossistema único que há que preservar.
O Parque Nacional de Doñana é um tesouro não só devido à sua fauna, mas também devido à sua flora, às suas zonas litorais, às espécies autóctones e aos 30 quilómetros de praias selvagens que existem entre o Rio Guadalquivir e Matalascañas.
Para ir até ao Parque de Doñana, também conhecido como Coto de Doñana, pode aceder-se de barco, cruzando o Rio Guadalquivir.
O único sinal da presença do Homem dentro dos limites do Parque em mais de 30 km de praia é Torre Carboneras, uma pequena torre de vigilância, datada do século XVI. Deste ponto até ao interior do parque apenas se consegue chegar atravessando grandes dunas de areia e pinhais.
Antigamente, no local onde hoje é o coto, as famílias que aí habitavam viviam da pesca e do fabrico de carvão. Doñana é uma viagem pelo passado, pela Natureza, um passeio que chega até Matalascañas, onde começam as urbanizações.
O Parque Nacional de Doñana engloba um total de 80000 hectares, entre os mais de 50000 hectares do próprio parque e os quase 30000 hectares dos arredores. Tal facto torna-o na área protegida mais importante de Espanha e numa das mais importantes da Europa. É uma zona uma enorme beleza, um dos mais importantes conjuntos de dunas da Europa e é o lugar onde se refugiam muitas espécies que se encontram em perigo de extinção.
Doñana é actualmente uma paragem obrigatória para milhares de aves migratórias que anualmente cruzam o Estreito de Gibraltar. Espécies que chegam vindas de todos os pontos da Europa e da Ásia, que por aqui passam e que continuam os seu caminho: flamingos, falcões, cegonhas negras ... bem como espécies que vivem nesta zona, tal como a Águia Imperial ou o Lince Ibérico ... Doñana dá abrigo a centenas e centenas de espécies, sejam elas terrestres ou marinhas, quer se trate ou não de aves, todas elas espécies que convivem no seio de um ecossistema único que há que preservar.
O Parque Nacional de Doñana é um tesouro não só devido à sua fauna, mas também devido à sua flora, às suas zonas litorais, às espécies autóctones e aos 30 quilómetros de praias selvagens que existem entre o Rio Guadalquivir e Matalascañas.
Para ir até ao Parque de Doñana, também conhecido como Coto de Doñana, pode aceder-se de barco, cruzando o Rio Guadalquivir.
O único sinal da presença do Homem dentro dos limites do Parque em mais de 30 km de praia é Torre Carboneras, uma pequena torre de vigilância, datada do século XVI. Deste ponto até ao interior do parque apenas se consegue chegar atravessando grandes dunas de areia e pinhais.
Antigamente, no local onde hoje é o coto, as famílias que aí habitavam viviam da pesca e do fabrico de carvão. Doñana é uma viagem pelo passado, pela Natureza, um passeio que chega até Matalascañas, onde começam as urbanizações.
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Fotos: Nozes Pires
terça-feira, 12 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
O medo
O medo suporta o lucro
como as ondas ruins suportam o navio
O medo é uma pistola apontada
à cabeça pelo próprio
O medo é uma receita
que se avia nas fábricas,
nas lojas,
nos guichês,
em toda a parte onde se trabalha.
O medo é sempre antigo
e sempre novo
como um espectro sem alma
errante, a sua casa
é a nossa casa.
A sua origem é a nossa origem.
Quando pedimos, o medo está lá.
Quando esperamos, o medo está lá.
Quando nos ajoelhamos, o medo está lá.
Sempre o medo.
Com ele construiram-se cidades,
quartéis,
muros
e estradas que não vão dar a parte nenhuma.
Com o medo conduzem-nos à socapa
sem medo
para o medo.
como as ondas ruins suportam o navio
O medo é uma pistola apontada
à cabeça pelo próprio
O medo é uma receita
que se avia nas fábricas,
nas lojas,
nos guichês,
em toda a parte onde se trabalha.
O medo é sempre antigo
e sempre novo
como um espectro sem alma
errante, a sua casa
é a nossa casa.
A sua origem é a nossa origem.
Quando pedimos, o medo está lá.
Quando esperamos, o medo está lá.
Quando nos ajoelhamos, o medo está lá.
Sempre o medo.
Com ele construiram-se cidades,
quartéis,
muros
e estradas que não vão dar a parte nenhuma.
Com o medo conduzem-nos à socapa
sem medo
para o medo.
sábado, 2 de outubro de 2010
Um mundo às avessas
O povo não existe.
Se existisse, explodia nas ruas.
Portanto, é uma ficção inútil.
Não existem pobres nem ricos:
se existissem pobres, faleciam com a austeridade;
se existissem ricos, eram eles a pagar o déficit; como não são, não existem.
Não existem representantes do povo,
pois que o povo não existe.
Não governam, porque governar é distribuir a justiça;
visto que ela não existe,
também não há governo.
Por consequência não vale a pena temermos o futuro,
já que ele também não existe.
No entanto uma dúvida me atormenta:
se isto digo é porque em mim algo existe.
À cautela vou pensando que, se calhar,
existimos todos,
e tudo não passa de um sonho mau.
Ah, que o sol traga a madrugada,
para eu marchar nas ruas com o meu povo!
Mostraremos aos crápulas
que é a nossa força unida
que faz nascer um país!
Se existisse, explodia nas ruas.
Portanto, é uma ficção inútil.
Não existem pobres nem ricos:
se existissem pobres, faleciam com a austeridade;
se existissem ricos, eram eles a pagar o déficit; como não são, não existem.
Não existem representantes do povo,
pois que o povo não existe.
Não governam, porque governar é distribuir a justiça;
visto que ela não existe,
também não há governo.
Por consequência não vale a pena temermos o futuro,
já que ele também não existe.
No entanto uma dúvida me atormenta:
se isto digo é porque em mim algo existe.
À cautela vou pensando que, se calhar,
existimos todos,
e tudo não passa de um sonho mau.
Ah, que o sol traga a madrugada,
para eu marchar nas ruas com o meu povo!
Mostraremos aos crápulas
que é a nossa força unida
que faz nascer um país!
Affonso Romano de Sant'Ana
.
A implosão da mentira
Fragmento 1
Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
A implosão da mentira
Fragmento 1
Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
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