Interseccionismo
Movimento literário de vanguarda criado por Fernando Pessoa e que se caracteriza pela intersecção no poema de vários níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objectiva e a subjectiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc. Poema paradigmático desta estética, Chuva Oblíqua exemplifica esta técnica de intercalamento que permite "o desdobramento possível de imagens vindas do exterior ou da nossa consciência, de proveniência visual ou auditiva, de experiências reais ou de sonho, etc., criando-se no poema [...] registos ou séries imagísticas objectivamente diferentes mas devidamente ordenados" (GUIMARÃES, Fernando - O Modernismo Português e a sua Poética , Lello, Porto, 1999, pp.71-72).
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
F. PESSOA - "Chuva oblíqua"
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto.
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto.
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
sábado, 20 de novembro de 2010
A Cimeira
Em jeito de balanço em cima dos acontecimentos, atrevo-me a concluir que estas cimeiras da NATO em Lisboa foram uma vitória para os E.U. que subordinaram a UE às suas finalidades e estratégias. Saíram reforçados e apoiados, escapando do descrédito nas guerras do Iraque e do Afeganistão, atraíram a Rússia e ameaçaram o Irão e todos os que se oponham ao imperialismo (ou ao Império, se preferirem). Obama ganhou uns pontos depois da derrota eleitoral. Sócrates está satisfeito e espera que o Banco Central europeu lhe compre agora alguma da dívida.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Dia Internacional da Filosofia
«Só é possível tornar-se filósofo, não sê-lo. Assim que se acredita sê-lo, cessa-se de se tornar filósofo.»
F. von Schlegel (1772-1829)
«Na verdade, a filosofia é nostalgia, o desejo de sentir-se em casa em qualquer lugar»
Novalis (1772-1801), Fragmentos
«A filosofia ensina a agir, não a falar.»
Séneca (4 a.C.-65 d.C.), Cartas a Lucílio
«Interrogado sobre o que havia aprendido com a filosofia, disse:« A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei.»
Aristóteles ( 384-322 a.C.), citado em Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, Aristóteles, V, 20.
F. von Schlegel (1772-1829)
«Na verdade, a filosofia é nostalgia, o desejo de sentir-se em casa em qualquer lugar»
Novalis (1772-1801), Fragmentos
«A filosofia ensina a agir, não a falar.»
Séneca (4 a.C.-65 d.C.), Cartas a Lucílio
«Interrogado sobre o que havia aprendido com a filosofia, disse:« A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei.»
Aristóteles ( 384-322 a.C.), citado em Diógenes Laércio, Vidas dos filósofos, Aristóteles, V, 20.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Somos pacifistas, mas não submissos!
Este é um blog da cultura, não é uma tribuna, nem um estado de alma. Mas a cultura é cidadania e esta é o valor da paz, da solidariedade, da justiça social. Os senhores da guerra, que querem o mundo como palco das suas tropelias, vão realizar uma cimeira, uma tribuna de guerra, demonstração de força, aviso aos mais fracos, ameaça aos insubmissos. É o imperialismo no seu trono.
Os povos querem a Paz, não querem morrer nas guerras dos ricos.
Os povos querem a Paz, não querem morrer nas guerras dos ricos.
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