« Já lá estavam quando ocorreu o terramoto, em 12 de Janeiro passado: eram cerca de 400, os médicos cubanos que, desde 1998, gratuitamente, levavam por diante, no Haiti, um Plano Integral de Saúde que envolveu, ao longo dos anos, cerca de 6 000 cooperantes cubanos e cerca de 400 jovens médicos haitianos formados gratuitamente em Cuba.
No próprio dia 12, dia do terramoto, juntaram-se-lhes, idos de Cuba, 60 especialistas em catástrofes e, todos, gratuitamente, protagonizaram a mais importante assistência médica e sanitária às vítimas do terramoto – que causara 250 mil mortos e mais de 1, 5 milhões de desalojados.
Os média dos EUA – e, por obediência canina, os média de todo o mundo capitalista – que se fartaram de anunciar, enaltecer, louvar e propagandear apoios e mais apoios, solidariedade e mais solidariedade, particularmente os dólares prometidos por Obama/Clinton, silenciaram cirurgicamente o mais importante de todos os apoios, a única verdadeira solidariedade: a presença e a acção, gratuita, dos médicos e enfermeiros cubanos no Haiti.
Mais do que isso: a cadeia norte-americana Fox News chegou a afirmar, mesmo, que «Cuba é dos poucos países do Caribe que não prestam qualquer apoio ao Haiti»…
Quanto aos anunciados apoios em dinheiro, além de ficarem muito aquém das verbas propagandeadas, os que chegaram tiveram destinos vários, parte deles nada tendo a ver com o apoio às vítimas do terramoto… A solidariedade capitalista tem destas coisas…
Certo, certo – e constante, e permanente – foi o sempre silenciado apoio gratuito, a sempre silenciada solidariedade de facto dos 400 médicos e enfermeiros cubanos.
Agora, desde Outubro, o martirizado povo haitiano sofre uma epidemia de cólera – doença que não era detectada no país há mais de um século – que já matou mais de 1600 pessoas e provocou a hospitalização de 30 mil das 200 mil afectadas, e que ameaça intensificar-se.
E mais uma vez… os apoios, a solidariedade…
Dos anunciados 164 milhões de dólares… chegaram uns 19 milhões… e diz-se que «os apoios «chegam a conta-gotas à espera do resultado das eleições» que hoje se realizam no Haiti…
Raio de solidariedade esta que só se concretiza se as vítimas votarem «bem»...
Certo, certo – e constante, e permanente – continua a ser o sempre silenciado e gratuito, a sempre silenciada solidariedade de facto dos médicos e enfermeiros cubanos – os 400 que já lá estavam, mais os 500 que para lá foram enviados logo que eclodiu a epidemia de cólera, mais os 300 que, por decisão do Governo de Cuba, se lhes juntarão, hoje – sejam quais forem os resultados eleitorais.»
Fernando Samuel- Cravo de Abril
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A casa
Já a lua se apagou sob o lençol negro
Enquanto me recolho no covil das palavras
Na chama da língua que emudece.
Fui.
Uma chuva ácida castiga o mundo
Como um deus cruel a seus filhos
Que o não amam.
Quem a mim amar possa
Ofereço um ramo de oliveira.
Inimigo meu pode dormir tranquilo
Que as minhas palavras não matam.
Inofensivo vou
Pela chuva como uma criança perdida.
Onde fica a minha casa?
Em que lugar sonhado, minha mãe, meu pai?
Que o céu se abra como um útero
E chova leite e mel sobre os submissos
E se abra a terra como uma deusa misericordiosa
Para a sementeira de um mundo novo.
Que morra eu, sim,
Que morra,
Mas a casa se habite.
Já a lua se apagou sob o lençol negro
Enquanto me recolho no covil das palavras
Na chama da língua que emudece.
Fui.
Uma chuva ácida castiga o mundo
Como um deus cruel a seus filhos
Que o não amam.
Quem a mim amar possa
Ofereço um ramo de oliveira.
Inimigo meu pode dormir tranquilo
Que as minhas palavras não matam.
Inofensivo vou
Pela chuva como uma criança perdida.
Onde fica a minha casa?
Em que lugar sonhado, minha mãe, meu pai?
Que o céu se abra como um útero
E chova leite e mel sobre os submissos
E se abra a terra como uma deusa misericordiosa
Para a sementeira de um mundo novo.
Que morra eu, sim,
Que morra,
Mas a casa se habite.
domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Os grevistas
O sr. ministro da economia não reconhece que houve uma greve geral, terá havido, quando muito, uma greve «minoritária e parcial». A sra. ministra do trabalho não reconhece que houve uma greve geral, se não «o país teria parado». Temos, portanto, dois ministros, pelo menos, a defender uma greve geral, a sério. Lastimam, portanto, que tivesse sido apenas parcial. Censuram os sindicatos por não serem capazes de fazer parar o país. A sra. ministra do trabalho tem autoridade na matéria: representa os trabalhadores que administram os monopólios, os accionistas dos oligopólios, os incansáveis jogadores da Bolsa, os corajosos investidores dos off-shores, os inventivos gestores das empresas públicas com ou sem parcerias com os privados, os exaustos banqueiros. O sr. ministro da economia anda atarefadíssimo com uma economia sem crescimento;por isso, exige mais trabalho de organização aos sindicatos.
Donde se conclui que o governo é que sabe fazer greves. Só eles sabem como fazer parar um país.
Donde se conclui que o governo é que sabe fazer greves. Só eles sabem como fazer parar um país.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
televisões
O modo como a SIC transmite as reportagens antes da Greve Geral são reveladoras do controlo que sobre ela exercem os seus patrões (todos os entrevistados protestam contra a greve). Da RTP nem vale a pena falar, porque é a "voz do dono" (como aqueles discos vinil antigos que traziam estampado um cão com a frase"A voz do dono"). Telenovelas medíocres, futebol à farta, publicidade, notícias facciosas, espectáculos para entreter o pagode. Os media constituem realmente um "quarto poder", sendo o primeiro o capital financeiro.
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