sábado, 22 de janeiro de 2011
Falemos de SOCIOLOGIA
«PIERRE BOURDIEU: A HERANÇA SOCIOLÓGICA
MARIA DROSILA VASCONCELLOS
obra de Pierre Bourdieu, tentou-se extrair as idéias, os elementos teóricos
e os conceitos elaborados por ele. Começando com um trabalho de
campo na Argélia, ele desenvolveu pouco a pouco um sistema de explicação
sociológica da dominação social. A escola, a cultura, a economia
foram, entre outros, estudadas aplicando conceitos novos na sociologia,
tais como habitus, violência simbólica ou campo social. Propondo uma
nova leitura das relações sociais, Bourdieu criou um modo de pensar
suscitando criticas severas, mas também uma obra profícua utilizada
nos mais variados setores sociais.
Palavras-chave: Herança social. Reprodução social. Habitus. Violência
simbólica. O conceito de habitus que ele desenvolverá ao longo da sua
obra corresponde a uma matriz, determinada pela posição social do
indivíduo que lhe permite pensar, ver e agir nas mais variadas situações.
O habitus traduz, dessa forma, estilos de vida, julgamentos políticos,
morais, estéticos. Ele é também um meio de ação que permite criar ou
desenvolver estratégias individuais ou coletivas.colaboração com Jean Claude Passeron. Ambos
eram filósofos e tornaram-se sociólogos como alunos de Raymond Aron.
E ambos põem em dúvida uma das idéias mais tenazes da ideologia
republicana: a igualdade de oportunidades e a importância do sistema
escolar para garantir igualdade social a todos. É o próprio fundamento
da sociedade meritocrática que eles criticam e o sistema de ensino
considerado como a ponta de lança dessa ideologia.Eles apresentam Les
Héritiers (1964) na editora Minuit, na qual Bourdieu dirigirá a coleçao
“Le sens commun”, onde vários autores estrangeiros ou franceses se
tornarão conhecidos no campo das ciências sociais. Nesta obra, os autores
chamam a atenção para a relação entre o “capital cultural”, a seleção
social e escolar. O conceito de capital cultural (diplomas, nível de
conhecimento geral, boas maneiras) é utilizado para se distinguir do
capital econômico e do capital social (rede de relações sociais). Os
estudantes de classe média ou da alta burguesia, pela proximidade com
a cultura “erudita”, pelas práticas culturais ou lingüísticas de seu meio
familiar, têm mais probabilidades de obter o sucesso escolar. “O que
Bourdieu demonstra é que existe relação entre a cultura e as desigualdades
escolares: a escola pressupõe certas competências que são de fato adquiridas na esfera familiar.»
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Ainda a Psicologia (Elementos para uma Psicologia materialista dialéctica)HENRI WALLON
Henri Wallon
1870 - 1962
"‘Foi a dialética que forneceu à Psicologia sua estabilidade e seu significado, e que a libertou de ter de optar entre o materialismo elementar ou o idealismo choco, o substancialismo cru ou o irracionalismo desesperado. Com o auxílio da dialética a Psicologia pode ser simultaneamente uma ciência natural e uma ciência humana, abolindo a divisão entre a consciência e as coisas que o espiritualismo buscou impor ao universo. A Dialética Marxista permitiu à Psicologia compreender o organismo e seu ambiente em interação constante, como uma totalidade unificada. E finalmente, na Dialética Marxista, a Psicologia encontra uma ferramenta para explicar os conflitos nos quais o indivíduo tem que evoluir seu comportamento e desenvolver sua personalidade."
Psicologia e Materialismo Dialético.
Nasceu na França. Formado em filosofia e medicina. Em 1925 inicia um período de intensa produção com todos os livros voltados para a psicologia da criança. Em 1931 viaja para Moscovo e passa a integrar o Círculo da Rússia Nova, grupo de intelectuais interessados em aprofundar o estudo do materialismo dialético e de examinar as possibilidades por ele oferecidas aos vários campos da ciência. Em 1942, filiou-se ao Partido Comunista Francês.
Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:
1942
Psicologia e Materialismo Dialético


in Arquivo Marxista na Internet
1870 - 1962
"‘Foi a dialética que forneceu à Psicologia sua estabilidade e seu significado, e que a libertou de ter de optar entre o materialismo elementar ou o idealismo choco, o substancialismo cru ou o irracionalismo desesperado. Com o auxílio da dialética a Psicologia pode ser simultaneamente uma ciência natural e uma ciência humana, abolindo a divisão entre a consciência e as coisas que o espiritualismo buscou impor ao universo. A Dialética Marxista permitiu à Psicologia compreender o organismo e seu ambiente em interação constante, como uma totalidade unificada. E finalmente, na Dialética Marxista, a Psicologia encontra uma ferramenta para explicar os conflitos nos quais o indivíduo tem que evoluir seu comportamento e desenvolver sua personalidade."
Psicologia e Materialismo Dialético.
Nasceu na França. Formado em filosofia e medicina. Em 1925 inicia um período de intensa produção com todos os livros voltados para a psicologia da criança. Em 1931 viaja para Moscovo e passa a integrar o Círculo da Rússia Nova, grupo de intelectuais interessados em aprofundar o estudo do materialismo dialético e de examinar as possibilidades por ele oferecidas aos vários campos da ciência. Em 1942, filiou-se ao Partido Comunista Francês.
Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:
1942
Psicologia e Materialismo Dialético

in Arquivo Marxista na Internet
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Alexei Leontiev - A base da personalidade
(cont. do post anterior: elementos para uma Psicologia materialista)
III - A atividade como base da personalidade
O principal problema consiste em desvendar quais são os verdadeiros "formadores" da personalidade, esta unidade superior do homem, mutável como sua própria vida, porém que preserva em si uma estabilidade, sua auto-identidade. Ao final das contas, independentemente da experiência, o ser humano acumula os acontecimentos que modificam sua situação de vida, e, finalmente, independentemente das modificações físicas pela qual passa enquanto personalidade, ele permanece o mesmo aos olhos de outras pessoas, assim como aos seus próprios olhos. Ele é identificado, não somente por seu nome; até a lei o identifica, ao menos dentro dos limites da responsabilidade por seus atos.
Assim, existe uma óbvia contradição entre a mutabilidade aparente, física, psicofisiológica do ser humano e sua estabilidade enquanto personalidade. Este fato trouxe à tona o problema do "eu" como um problema especial da psicologia da personalidade. Isto surge porque os traços que são incluídos na caracterização psicológica da personalidade expressaram claramente o mutável e "intermitente" no ser humano, isto é, aquilo que se contrasta exatamente com a estabilidade e a continuidade de seu "eu". O que forma esta estabilidade e continuidade? O personalismo, em todas as suas variantes, responde esta questão, ao postular a existência de algum tipo de princípio especial, que formaria o núcleo da personalidade. Este, então, é encoberto pelas inúmeras aquisições no decorrer da vida, que são capazes de mudar, porém não de afetar essencialmente este núcleo.
Em outra abordagem da personalidade, a base é a categoria da atividade humana objetiva, a análise de sua estrutura integral, sua mediação e as formas de reflexo psíquico que gera.
Esse tipo de abordagem permite, desde o início, uma resolução preliminar da questão a respeito do que forma uma base estável para a personalidade; exatamente o que entra e o que não entra na caracterização do ser humano, especialmente enquanto personalidade, também depende disso. Essa decisão é feita com base na suposição de que a base real para a personalidade humana é o agregado de suas relações com o mundo, que são sociais por natureza, porém relações que são realizadas, e são realizadas através de sua atividade, ou, mais precisamente, pelo agregado de suas atividades multifacetadas.
Actividade Consciência e Personalidade
Alexei N. Leontiev
1978
Fonte da Presente Tradução: "Activity, Consciousness, and Personality", versão on-line do Leont'ev Internet Archive (marxists.org) 2000.
Tradução para o português: Maria Silvia Cintra Martins, Grupo de Estudos Marxistas em Educação.
HTML por José Braz para o Marxists Internet Archive
III - A atividade como base da personalidade
O principal problema consiste em desvendar quais são os verdadeiros "formadores" da personalidade, esta unidade superior do homem, mutável como sua própria vida, porém que preserva em si uma estabilidade, sua auto-identidade. Ao final das contas, independentemente da experiência, o ser humano acumula os acontecimentos que modificam sua situação de vida, e, finalmente, independentemente das modificações físicas pela qual passa enquanto personalidade, ele permanece o mesmo aos olhos de outras pessoas, assim como aos seus próprios olhos. Ele é identificado, não somente por seu nome; até a lei o identifica, ao menos dentro dos limites da responsabilidade por seus atos.
Assim, existe uma óbvia contradição entre a mutabilidade aparente, física, psicofisiológica do ser humano e sua estabilidade enquanto personalidade. Este fato trouxe à tona o problema do "eu" como um problema especial da psicologia da personalidade. Isto surge porque os traços que são incluídos na caracterização psicológica da personalidade expressaram claramente o mutável e "intermitente" no ser humano, isto é, aquilo que se contrasta exatamente com a estabilidade e a continuidade de seu "eu". O que forma esta estabilidade e continuidade? O personalismo, em todas as suas variantes, responde esta questão, ao postular a existência de algum tipo de princípio especial, que formaria o núcleo da personalidade. Este, então, é encoberto pelas inúmeras aquisições no decorrer da vida, que são capazes de mudar, porém não de afetar essencialmente este núcleo.
Em outra abordagem da personalidade, a base é a categoria da atividade humana objetiva, a análise de sua estrutura integral, sua mediação e as formas de reflexo psíquico que gera.
Esse tipo de abordagem permite, desde o início, uma resolução preliminar da questão a respeito do que forma uma base estável para a personalidade; exatamente o que entra e o que não entra na caracterização do ser humano, especialmente enquanto personalidade, também depende disso. Essa decisão é feita com base na suposição de que a base real para a personalidade humana é o agregado de suas relações com o mundo, que são sociais por natureza, porém relações que são realizadas, e são realizadas através de sua atividade, ou, mais precisamente, pelo agregado de suas atividades multifacetadas.
Actividade Consciência e Personalidade
Alexei N. Leontiev
1978
Fonte da Presente Tradução: "Activity, Consciousness, and Personality", versão on-line do Leont'ev Internet Archive (marxists.org) 2000.
Tradução para o português: Maria Silvia Cintra Martins, Grupo de Estudos Marxistas em Educação.
HTML por José Braz para o Marxists Internet Archive
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Falemos de Psicologia- ALEXIS LEONTIEV: Uma Psicologia materialista.
A vida de Alexis Leontiev
Alexis Leontiev nasceu em 1903 em Moscou. Foi professor da Universidade de Moscou desde 1941 e criador da faculdade de Psicologia da qual foi decano. Foi membro da Academia de Ciências Pedagógicas da URSS e doutor honoris causa da Universidade de Paris . Foi presidente do congresso Internacional de Psicologia de Moscou (1971). Experimentador ao longo de toda sua vida, trabalhou sobre o desenvolvimento do psiquismo na criança, do psiquismo animal, a percepção, os sistemas funcionais do psiquismo, as relações entre o homem e as técnicas modernas, a alienação moderna, etc. No decurso de meio século de atividade científica efetuou e dirigiu um número considerável de trabalhos experimentais. Foi a partir deles e para melhor os interpretar que chegou a uma concepção de conjunto. Suas investigações levaram-no a defender a natureza sócio-histórica do psiquismo humano e a partir daí a teoria marxista do desenvolvimento social tornou-se, para ele, indispensável. Leontiev, porém, não limitou seu horizonte ao laboratório, preocupou-se com os problemas da vida humana em que o psiquismo intervém, o seu campo de estudos compreende a pedagogia, a cultura no seu conjunto, o problema da personalidade etc. Envolveu-se com numerosos órgãos e organismos da vida científica, filosófica e política. Foi discípulo de Vigotsky e empreendeu com este, vários trabalhos sobre o desenvolvimento ontogenético do psiquismo, especialmente sobre a memorização. Na obra "O desenvolvimento do psiquismo", o autor tem como objetivo revogar opiniões biologizantes sobre a natureza e o desenvolvimento do psiquismo humano, na qual os processos psíquicos superiores e as aptidões humanas dependeriam direta e fatalmente dos caracteres biológicos hereditários. Estas concepções manifestam-se também nos preconceitos pedagógicos ou outros resultantes da desigualdade das condições sociais do desenvolvimento das pessoas. Finalmente um pequeno livro muito importante aparecido em Moscou em fins de 1973 reúne os trabalhos e reflexões dos últimos anos sob o título "Atividade, consciência e personalidade". Neste, Leontiev fala, entre outras coisas, da psicologia soviética, que foi o caminho de uma luta incessante orientada para a assimilação criadora do marxismo - leninismo e contra as concepções idealistas e mecanistas biologizantes que tomava ora um rosto, ora outro. Compreendíamos todos que a psicologia marxista não é uma tendência particular, não é uma escola, mas, uma etapa histórica que representa o princípio de uma psicologia altamente científica e conseqüentemente materialista.
O significado do brincar
O desenvolvimento psíquico da criança
Os diferentes estágios da infância e suas atividades
Envolvimento com questões educacionais
No livro "Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem", Leontiev escreveu dois capítulos: "Uma contribuição ao desenvolvimento da psique infantil " e "Os princípios psicológicos da brincadeira infantil", inspirado nas concepções de Vigotsky, sobre o brincar da criança. Segundo ele, o caráter psíquico da criança se modificará a partir do momento em que ela der um significado ás coisas que ela sabe, não importando a quantidade de coisas que ela já sabe. Quando a criança vai para a escola, não existem apenas deveres para com os pais e professores, há uma obrigação com a sociedade. A criança sabe, mas isso só adquire um sentido real quando ela começa a estudar. Essa obrigação de ir para a escola e essa necessidade de estudar faz a criança se sentir mais importante e mais adulta. É por isso que para a criança é tão marcante tirar uma nota ruim, pois essa nota nunca mais será substituída, por mais que tire uma nota boa, mais tarde, essa nota estará sempre ao lado da ruim.
O desenvolvimento psíquico depende da atividade principal da criança. Essa atividade não é aquela que a criança mais faz, e sim aquela :
Que faz surgir outras atividades diferenciadas. Ex: aprender brincando.
Que dependem de as principais mudanças psicológicas na personalidade infantil observada num período. Ex: com o brinquedo no período da pré-escola, a criança assimila as funções sociais das pessoas. Isso é importante para a modelagem de sua personalidade.
A criança vai passando por vários estágios, e o conteúdo desses estágios, depende das condições de vida de cada pessoa. Ela muda de estágio a partir do momento em que ela percebe que suas potencialidades estão de acordo com seu modo de vida. Suas atividades variam de acordo com os estágios e dependendo da atividade a ação pode ter outro caráter psicológico. Por exemplo: Por que uma criança resolve um problema de matemática dado como tarefa? Com certeza ela não pensa que ela irá aprender, ela faz a tarefa para não ficar de castigo, para a professora não brigar com ela, ou mesmo para ela tirar uma nota boa. Porém nem toda atividade que ela realiza ela a faz pensando no resultado. Ao brincar, a criança não tem nenhum objetivo ao final da brincadeira. O próprio ato é o motivo, pois ela se diverte brincando. Num jogo, para a criança, o importante não é ganhar e sim competir, ela quer jogar pela simples diversão. Já para os adultos, o mais importante é ganhar e não competir, então o jogo deixa de ser uma brincadeira. Conforme a criança se desenvolve, ela começa a querer imitar os adultos e a fazer coisas para obter resultados e não simplesmente por fazê-las. Por exemplo: ao ver a mãe cozinhando e cuidando de um irmão menor, a menina começa a querer imitar a mãe e vai brincar às "casinhas". Como a criança não persegue um objetivo com isso, e só quer se divertir, pra ela não importa que seu bebê não chore e que sua comida não seja de verdade. Porém, a partir do momento em que ela começa a buscar um objetivo naquilo que faz, a brincadeira perde a graça, e ela quer então ajudar sua mãe ao invés de imitá-la.
A brincadeira é muito importante para a criança pois estimula sua imaginação. Ela começa a perceber as funções sociais das pessoas e desenvolve sua personalidade. Para interpretar uma brincadeira é preciso penetrar na psicologia da criança, pois crianças de idades diferentes podem brincar da mesma coisa, porém, de formas diferentes.
in www.oocities.com/eduriedades/alexisleontiev.html (corrigi o texto)
Alexis Leontiev nasceu em 1903 em Moscou. Foi professor da Universidade de Moscou desde 1941 e criador da faculdade de Psicologia da qual foi decano. Foi membro da Academia de Ciências Pedagógicas da URSS e doutor honoris causa da Universidade de Paris . Foi presidente do congresso Internacional de Psicologia de Moscou (1971). Experimentador ao longo de toda sua vida, trabalhou sobre o desenvolvimento do psiquismo na criança, do psiquismo animal, a percepção, os sistemas funcionais do psiquismo, as relações entre o homem e as técnicas modernas, a alienação moderna, etc. No decurso de meio século de atividade científica efetuou e dirigiu um número considerável de trabalhos experimentais. Foi a partir deles e para melhor os interpretar que chegou a uma concepção de conjunto. Suas investigações levaram-no a defender a natureza sócio-histórica do psiquismo humano e a partir daí a teoria marxista do desenvolvimento social tornou-se, para ele, indispensável. Leontiev, porém, não limitou seu horizonte ao laboratório, preocupou-se com os problemas da vida humana em que o psiquismo intervém, o seu campo de estudos compreende a pedagogia, a cultura no seu conjunto, o problema da personalidade etc. Envolveu-se com numerosos órgãos e organismos da vida científica, filosófica e política. Foi discípulo de Vigotsky e empreendeu com este, vários trabalhos sobre o desenvolvimento ontogenético do psiquismo, especialmente sobre a memorização. Na obra "O desenvolvimento do psiquismo", o autor tem como objetivo revogar opiniões biologizantes sobre a natureza e o desenvolvimento do psiquismo humano, na qual os processos psíquicos superiores e as aptidões humanas dependeriam direta e fatalmente dos caracteres biológicos hereditários. Estas concepções manifestam-se também nos preconceitos pedagógicos ou outros resultantes da desigualdade das condições sociais do desenvolvimento das pessoas. Finalmente um pequeno livro muito importante aparecido em Moscou em fins de 1973 reúne os trabalhos e reflexões dos últimos anos sob o título "Atividade, consciência e personalidade". Neste, Leontiev fala, entre outras coisas, da psicologia soviética, que foi o caminho de uma luta incessante orientada para a assimilação criadora do marxismo - leninismo e contra as concepções idealistas e mecanistas biologizantes que tomava ora um rosto, ora outro. Compreendíamos todos que a psicologia marxista não é uma tendência particular, não é uma escola, mas, uma etapa histórica que representa o princípio de uma psicologia altamente científica e conseqüentemente materialista.
O significado do brincar
O desenvolvimento psíquico da criança
Os diferentes estágios da infância e suas atividades
Envolvimento com questões educacionais
No livro "Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem", Leontiev escreveu dois capítulos: "Uma contribuição ao desenvolvimento da psique infantil " e "Os princípios psicológicos da brincadeira infantil", inspirado nas concepções de Vigotsky, sobre o brincar da criança. Segundo ele, o caráter psíquico da criança se modificará a partir do momento em que ela der um significado ás coisas que ela sabe, não importando a quantidade de coisas que ela já sabe. Quando a criança vai para a escola, não existem apenas deveres para com os pais e professores, há uma obrigação com a sociedade. A criança sabe, mas isso só adquire um sentido real quando ela começa a estudar. Essa obrigação de ir para a escola e essa necessidade de estudar faz a criança se sentir mais importante e mais adulta. É por isso que para a criança é tão marcante tirar uma nota ruim, pois essa nota nunca mais será substituída, por mais que tire uma nota boa, mais tarde, essa nota estará sempre ao lado da ruim.
O desenvolvimento psíquico depende da atividade principal da criança. Essa atividade não é aquela que a criança mais faz, e sim aquela :
Que faz surgir outras atividades diferenciadas. Ex: aprender brincando.
Que dependem de as principais mudanças psicológicas na personalidade infantil observada num período. Ex: com o brinquedo no período da pré-escola, a criança assimila as funções sociais das pessoas. Isso é importante para a modelagem de sua personalidade.
A criança vai passando por vários estágios, e o conteúdo desses estágios, depende das condições de vida de cada pessoa. Ela muda de estágio a partir do momento em que ela percebe que suas potencialidades estão de acordo com seu modo de vida. Suas atividades variam de acordo com os estágios e dependendo da atividade a ação pode ter outro caráter psicológico. Por exemplo: Por que uma criança resolve um problema de matemática dado como tarefa? Com certeza ela não pensa que ela irá aprender, ela faz a tarefa para não ficar de castigo, para a professora não brigar com ela, ou mesmo para ela tirar uma nota boa. Porém nem toda atividade que ela realiza ela a faz pensando no resultado. Ao brincar, a criança não tem nenhum objetivo ao final da brincadeira. O próprio ato é o motivo, pois ela se diverte brincando. Num jogo, para a criança, o importante não é ganhar e sim competir, ela quer jogar pela simples diversão. Já para os adultos, o mais importante é ganhar e não competir, então o jogo deixa de ser uma brincadeira. Conforme a criança se desenvolve, ela começa a querer imitar os adultos e a fazer coisas para obter resultados e não simplesmente por fazê-las. Por exemplo: ao ver a mãe cozinhando e cuidando de um irmão menor, a menina começa a querer imitar a mãe e vai brincar às "casinhas". Como a criança não persegue um objetivo com isso, e só quer se divertir, pra ela não importa que seu bebê não chore e que sua comida não seja de verdade. Porém, a partir do momento em que ela começa a buscar um objetivo naquilo que faz, a brincadeira perde a graça, e ela quer então ajudar sua mãe ao invés de imitá-la.
A brincadeira é muito importante para a criança pois estimula sua imaginação. Ela começa a perceber as funções sociais das pessoas e desenvolve sua personalidade. Para interpretar uma brincadeira é preciso penetrar na psicologia da criança, pois crianças de idades diferentes podem brincar da mesma coisa, porém, de formas diferentes.
in www.oocities.com/eduriedades/alexisleontiev.html (corrigi o texto)
sábado, 15 de janeiro de 2011
NOAM CHOMSKY
«Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense.
É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky.
Seus trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenómenos da linguagem com uma crítica radical do behavio(u)rismo, em que a linguagem é conceitualizada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para o arranque da revolução cognitiva, no domínio das ciências humanas.
Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo.» in Wikipédia
Chomsky é um cientista e publicista demasiado importante para ser desconhecido por quem ainda não pôde conhecê-lo. Da sua já abundante bibliografia traduzida em português, basta salientar um título: «Propaganda e Opinião Pública» (Campo da Comunicação, 2002). Vem sempre a propósito quando constatamos a manipulação das mentes, a mentira disfarçada de verdade, os acontecimentos artificialmente empolados e muitas vezes acessórios, ou grandes acontecimentos que são propositadamente secundarizados ou transmitidos sem o devido contexto (o seu enquadramento, as suas causas, etc.).
Dois exemplos: ultimamente as televisões e revistas têm empolado um caso de homicídio de um cronista em desfavor de outros factos de envergadura nacional e internacional (o falecido merece horas de transmissão, enquanto a morte de um valoroso capitão de Abril é colocada em nota de rodapé). Segundo exemplo: a revolta das massas na Tunísia aparece, sobretudo, com imagens de violência, sem ao menos uma reportagem que nos permitisse enquadrar essa revolta (que poderá eventualmente converter-se em revolução) na luta dos povos submetidos e explorados brutalmente pelo horror económico capitalista (há quem epnse que o elo mais fraco do capitalismo está nos povos dos países dominados e periféricos).
A manipulação pelos meios de comunicação é uma estratégia poedrosa e eficaz de lavagem ao cérebro, de propaganda sectária, de distracção dos problemas reais, de injecção do medo e da insegurança. O medo, a resignação, a servidão voluntária, o fatalismo e o pessimismo, constituem hoje os elementos principais da ideologia do capitalismo, que os seus ideólogos e fazedores de opinião propagam insidiosamente como um tóxico.
Noam Chomsky, a sue tempo, demonstrou clara e frontalmente como foi montada a operação de ataque ao Iraque.
É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky.
Seus trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenómenos da linguagem com uma crítica radical do behavio(u)rismo, em que a linguagem é conceitualizada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para o arranque da revolução cognitiva, no domínio das ciências humanas.
Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo.» in Wikipédia
Chomsky é um cientista e publicista demasiado importante para ser desconhecido por quem ainda não pôde conhecê-lo. Da sua já abundante bibliografia traduzida em português, basta salientar um título: «Propaganda e Opinião Pública» (Campo da Comunicação, 2002). Vem sempre a propósito quando constatamos a manipulação das mentes, a mentira disfarçada de verdade, os acontecimentos artificialmente empolados e muitas vezes acessórios, ou grandes acontecimentos que são propositadamente secundarizados ou transmitidos sem o devido contexto (o seu enquadramento, as suas causas, etc.).
Dois exemplos: ultimamente as televisões e revistas têm empolado um caso de homicídio de um cronista em desfavor de outros factos de envergadura nacional e internacional (o falecido merece horas de transmissão, enquanto a morte de um valoroso capitão de Abril é colocada em nota de rodapé). Segundo exemplo: a revolta das massas na Tunísia aparece, sobretudo, com imagens de violência, sem ao menos uma reportagem que nos permitisse enquadrar essa revolta (que poderá eventualmente converter-se em revolução) na luta dos povos submetidos e explorados brutalmente pelo horror económico capitalista (há quem epnse que o elo mais fraco do capitalismo está nos povos dos países dominados e periféricos).
A manipulação pelos meios de comunicação é uma estratégia poedrosa e eficaz de lavagem ao cérebro, de propaganda sectária, de distracção dos problemas reais, de injecção do medo e da insegurança. O medo, a resignação, a servidão voluntária, o fatalismo e o pessimismo, constituem hoje os elementos principais da ideologia do capitalismo, que os seus ideólogos e fazedores de opinião propagam insidiosamente como um tóxico.
Noam Chomsky, a sue tempo, demonstrou clara e frontalmente como foi montada a operação de ataque ao Iraque.
A questão principal
A questão prioritária, urgente, que se apresenta a todos os cidadãos, quer tenham ainda uma actividade exclusivamente intelectual, quer não a tenham exclusivamente, é a salvaguarda do Estado Social. Traço identitário das sociedades europeias é uma das admiráveis conquistas do século passado. Não é o socialismo, mas é o que de melhor se pôde conseguir com muitas batalhas políticas e sociais. O próprio capitalismo não se deu mal com ele, podendo desenvolver-se com longos períodos de prosperidade dentro desses limites e regras. Perder o Estado Social é um retrocesso civilizacional. Este horror económico que se está a alastrar como uma peste, destrói a coesão social, acumula a riqueza num pólo e a miséria no outro, escraviza milhões de seres humanos, delapida os recursos pondo em perigo a sobrevivência.
Aquilo que nos separa ou aproxima é a defesa e o melhoramento do Estado Social, ou não. Não é mentir com palavras quando os actos as contradizem.
Essa questão é um critério, uma pedra-de-toque, uma avaliação. Desviarmo-nos para outras questões é um comportamento de diletante irresponsável. O que está em jogo é isso e isso é muito sério.
Aquilo que nos separa ou aproxima é a defesa e o melhoramento do Estado Social, ou não. Não é mentir com palavras quando os actos as contradizem.
Essa questão é um critério, uma pedra-de-toque, uma avaliação. Desviarmo-nos para outras questões é um comportamento de diletante irresponsável. O que está em jogo é isso e isso é muito sério.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
JEAN SALEM
Jean SALEM, agrégé, docteur et habilité à diriger des recherches en Philosophie. A également suivi des études en Littérature française, en Sciences politiques, en Anglais, en Histoire, en Art et archéologie, ainsi qu’en Histoire de la pensée économique. — Prix des Études grecques (1996). Lauréat de l’Académie française (2000). Professeur d’Histoire de la Philosophie à l’Université Paris 1 / Panthéon-Sorbonne. Directeur du Centre d’Histoire des Systèmes de Pensée Moderne. A animé un Séminaire d’Histoire du Matérialisme. Anime désormais, avec Isabelle Garo et Stathis Kouvelakis, le Séminaire ‘Marx au XXIe siècle : l’esprit et la lettre’.
...A publié une trentaine d’ouvrages. Ses principaux travaux de recherche (publiés chez Vrin, Hachette, Encre Marine, Kimé, au Seuil, etc.) portent sur la philosophie des atomes et sur la pensée du plaisir. Concernant la philosophie de Démocrite d’Abdère, Jean Salem s’est efforcé de réunir et d’organiser les membra disjecta de cette pensée qu’il tient pour fondatrice du matérialisme philosophique. Concernant Épicure et Lucrèce, il a étudié les fondements de la doctrine que l’on enseignait au Jardin, en s’attachant par-dessus tout à restituer le sens d’une éthique qui a osé proclamer que le souverain bien réside dans la volupté. Aussi ne manque-t-il pas de s’intéresser par surcroît à l’hédonisme bien moins serein qui fut celui des faux épicuriens, celui des voluptueux inquiets, celui d’un Maupassant notamment. Des livres plus personnels (parus chez Bordas, Michalon, etc.) entremêlent philosophie générale, promenades érudites et interventions politiques.
...Jean SALEM a publié par ailleurs une Introduction à la logique formelle et symbolique (Nathan). Il a aussi consacré diverses études à Giorgio Vasari, à Ludwig Feuerbach, à V. I. Lénine, etc. Il a édité des textes d’auteurs anciens (Plutarque, Hippocrate), et rédigé plusieurs manuels destinés aux lycéens et aux étudiants en philosophie (Nathan, Albin Michel, Bordas).
(in site de Panthéon-Sorbonne-Université Paris)
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«Na extensa Introdução, com um prólogo comovente, o autor ilumina a falsificação da História com aquela transparência rara que, no dizer de Camus, dá força de evidencia ao óbvio. Depois, a partir da selecção de seis teses de Lenine, extraídas das suas Obras Completas, desenvolve uma lição de política que demonstra com clareza meridiana a actualidade tão ignorada do pensamento revolucionário de Vladimir Ilitch.
Nesta época em que a perversão mediática funciona como cimento do poder, centenas de milhões de pessoas tendem a ver em Lenine a personificação de um processo histórico e de uma ideologia de que a humanidade deveria ter vergonha.
A criminalização do ideal comunista foi tão cientificamente trabalhada pelas transnacionais da desinformação, controladas pelo grande capital, que as campanhas desencadeadas afectaram inclusivamente a consciência histórica de muitos comunistas.
A inversão da verdade tem raízes milenárias. Existiu na Pérsia Aqueménida, na Grécia, em Roma, em todas as contra-revoluções. Bismarck, após a derrota da Comuna de Paris, definia os vencidos como criminosos de direito comum. E as burguesias europeias aplaudiam.
Salem lembra que, segundo uma sondagem do Instituto Francês de Opinião Pública, somente 20% dos franceses admitem que a participação da União Soviética na guerra tinha sido decisiva para a vitória sobre o nazismo. Segundo outra sondagem, a maioria respondeu que a URSS tinha sido aliada da Alemanha durante a II Guerra Mundial.
Apenas uma insignificante minoria de europeus sabe que a Wehrmacht foi destruída pelo Exército Vermelho. Em Março de 45, dois meses antes do fim do III Reich, somente 26 divisões alemãs combatiam a Ocidente os exércitos inglês e norte-americano enquanto 170 divisões lutavam na Frente Oriental contra os soviéticos.
A famosa escritora sionista norte-americana Hannah Arendt compara o comunismo a um dragão e afirma que "os sistemas nazi e bolchevista" são "duas variantes do mesmo sistema". E vai mais longe. Comparando ambos, afirma que os estados comunistas "cometeram crimes que atingiram aproximadamente cem milhões de pessoas contra cerca de 25 milhões (sic) pelo nazismo".
Citando outros exemplos da histeria anticomunista, Jean Salem recorda que André Gluksmann – o "novo filósofo" francês, ex-maoista que hoje apoia com entusiasmo as guerras "preventivas" dos EUA – avaliou há anos as vítimas da repressão na URSS em 15 milhões de mortos. Com o rodar dos anos achou insuficiente essa estatística e agora chegou à conclusão de que o número de mortos foi de 40 milhões. Mas Soljenitsine, laureado com o Prémio Nobel, acha pouco e fala de 66 milhões de mortos.
Outro campeão do anticomunismo, o russo Michael Volensky, autor da Nomenklatura – 400 mil exemplares vendidos em França – garante que "o tributo pago pelos povos soviéticos à ditadura ascendeu a 110 milhões de vidas humanas".
Ernst Nolke um historiador alemão, venerado pela grande burguesia, sustenta que Aushwitz foi "principalmente (…) uma reacção, fruto da angústia suscitada pelas acções de extermínio cometidas pela revolução russa".
Esses anticomunistas fanáticos, epígonos das maravilhas do capitalismo, omitem que a esperança de vida na Rússia decresceu 10% numa década. O País tem hoje menos 30 milhões de habitantes do que no final do regime socialista.
A invenção de uma História que responda aos interesses do sistema de poder imperial que tem hoje o seu pólo nos EUA parece, pelo absurdo, fantasia de um romance de ficção científica. Mas, para mal da humanidade, é bem real e funciona, substituindo a História autêntica na memória de uma parcela das actuais gerações.» Miguel Urbano Rodrigues.
...A publié une trentaine d’ouvrages. Ses principaux travaux de recherche (publiés chez Vrin, Hachette, Encre Marine, Kimé, au Seuil, etc.) portent sur la philosophie des atomes et sur la pensée du plaisir. Concernant la philosophie de Démocrite d’Abdère, Jean Salem s’est efforcé de réunir et d’organiser les membra disjecta de cette pensée qu’il tient pour fondatrice du matérialisme philosophique. Concernant Épicure et Lucrèce, il a étudié les fondements de la doctrine que l’on enseignait au Jardin, en s’attachant par-dessus tout à restituer le sens d’une éthique qui a osé proclamer que le souverain bien réside dans la volupté. Aussi ne manque-t-il pas de s’intéresser par surcroît à l’hédonisme bien moins serein qui fut celui des faux épicuriens, celui des voluptueux inquiets, celui d’un Maupassant notamment. Des livres plus personnels (parus chez Bordas, Michalon, etc.) entremêlent philosophie générale, promenades érudites et interventions politiques.
...Jean SALEM a publié par ailleurs une Introduction à la logique formelle et symbolique (Nathan). Il a aussi consacré diverses études à Giorgio Vasari, à Ludwig Feuerbach, à V. I. Lénine, etc. Il a édité des textes d’auteurs anciens (Plutarque, Hippocrate), et rédigé plusieurs manuels destinés aux lycéens et aux étudiants en philosophie (Nathan, Albin Michel, Bordas).
(in site de Panthéon-Sorbonne-Université Paris)
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«Na extensa Introdução, com um prólogo comovente, o autor ilumina a falsificação da História com aquela transparência rara que, no dizer de Camus, dá força de evidencia ao óbvio. Depois, a partir da selecção de seis teses de Lenine, extraídas das suas Obras Completas, desenvolve uma lição de política que demonstra com clareza meridiana a actualidade tão ignorada do pensamento revolucionário de Vladimir Ilitch.
Nesta época em que a perversão mediática funciona como cimento do poder, centenas de milhões de pessoas tendem a ver em Lenine a personificação de um processo histórico e de uma ideologia de que a humanidade deveria ter vergonha.
A criminalização do ideal comunista foi tão cientificamente trabalhada pelas transnacionais da desinformação, controladas pelo grande capital, que as campanhas desencadeadas afectaram inclusivamente a consciência histórica de muitos comunistas.
A inversão da verdade tem raízes milenárias. Existiu na Pérsia Aqueménida, na Grécia, em Roma, em todas as contra-revoluções. Bismarck, após a derrota da Comuna de Paris, definia os vencidos como criminosos de direito comum. E as burguesias europeias aplaudiam.
Salem lembra que, segundo uma sondagem do Instituto Francês de Opinião Pública, somente 20% dos franceses admitem que a participação da União Soviética na guerra tinha sido decisiva para a vitória sobre o nazismo. Segundo outra sondagem, a maioria respondeu que a URSS tinha sido aliada da Alemanha durante a II Guerra Mundial.
Apenas uma insignificante minoria de europeus sabe que a Wehrmacht foi destruída pelo Exército Vermelho. Em Março de 45, dois meses antes do fim do III Reich, somente 26 divisões alemãs combatiam a Ocidente os exércitos inglês e norte-americano enquanto 170 divisões lutavam na Frente Oriental contra os soviéticos.
A famosa escritora sionista norte-americana Hannah Arendt compara o comunismo a um dragão e afirma que "os sistemas nazi e bolchevista" são "duas variantes do mesmo sistema". E vai mais longe. Comparando ambos, afirma que os estados comunistas "cometeram crimes que atingiram aproximadamente cem milhões de pessoas contra cerca de 25 milhões (sic) pelo nazismo".
Citando outros exemplos da histeria anticomunista, Jean Salem recorda que André Gluksmann – o "novo filósofo" francês, ex-maoista que hoje apoia com entusiasmo as guerras "preventivas" dos EUA – avaliou há anos as vítimas da repressão na URSS em 15 milhões de mortos. Com o rodar dos anos achou insuficiente essa estatística e agora chegou à conclusão de que o número de mortos foi de 40 milhões. Mas Soljenitsine, laureado com o Prémio Nobel, acha pouco e fala de 66 milhões de mortos.
Outro campeão do anticomunismo, o russo Michael Volensky, autor da Nomenklatura – 400 mil exemplares vendidos em França – garante que "o tributo pago pelos povos soviéticos à ditadura ascendeu a 110 milhões de vidas humanas".
Ernst Nolke um historiador alemão, venerado pela grande burguesia, sustenta que Aushwitz foi "principalmente (…) uma reacção, fruto da angústia suscitada pelas acções de extermínio cometidas pela revolução russa".
Esses anticomunistas fanáticos, epígonos das maravilhas do capitalismo, omitem que a esperança de vida na Rússia decresceu 10% numa década. O País tem hoje menos 30 milhões de habitantes do que no final do regime socialista.
A invenção de uma História que responda aos interesses do sistema de poder imperial que tem hoje o seu pólo nos EUA parece, pelo absurdo, fantasia de um romance de ficção científica. Mas, para mal da humanidade, é bem real e funciona, substituindo a História autêntica na memória de uma parcela das actuais gerações.» Miguel Urbano Rodrigues.
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