domingo, 30 de janeiro de 2011

Falemos de Economia- J.M. KEYNES


«Na primavera de 2005, pediram a um painel de «académicos e líderes políticos conservadores» que identificasse os livros mais perigosos dos séculos XIX e XX. O leitor poderá fazer uma ideia das tendências do painel pelo facto de que tanto Charles darwin como Betty Friedan ficaram classificados nos primeiros lugares da lista. Mas, a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda também se saíu muito bem. Na verdade, John Maynard Keynes bateu d elonge V.I. Lenine e Frantz Fanon. Keynes, que, na conclusão tantas vezes citada do livro, declarava que «cedo ou tarde, são as ideias, e não os interesses adquiridos, que representam um perigo, seja para o bem, seja para o mal», provavelmente teria ficado satisfeito.
Ao longo dos últimos 70 anos, a Teoria geral tem vindo a moldar os pontos de vista até dos que não ouviram falar do livro ou que acreditam que discordam dele. Um empresário que adverte que a diminuição da confiança representa um perigo para a economia é um keynesiano, quer o saiba, quer não. Um político que promete que os seus cortes de impostos vão gerar emprego ao dar dinheiro para gastar às pessoas é um keynesiano, ainda que jure abominar a doutrina. Até os autoproclamados economistas da oferta, que afirmam ter refutado Keynes, acabam por recorrer a histórias inequivocamente keynesianas para explicarem po que motivo a economia caiu em determinado ano.»
Paul Krugman, Prémio Nobel, Prefácio à Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de J.M. Keynes,Lisboa, 2010, Relógio D´Água.    

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Falemos de ECONOMIA- AMARTYA SEN


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Amartya Sen (Santiniketan, 3 de novembro de 1933) é um economista indiano.


Foi laureado com o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel de 1998, pelos seus contributos para a teoria da decisão social, e do "welfare state".

Nascido em 1933, em Santiniketan, Amartya Sen já lecionou na Delhi School of Economics, London School of Economics, Oxford e Harvard. Reitor de Cambridge, é também um dos fundadores do Instituto Mundial de Pesquisa em Economia do Desenvolvimento (Universidade da ONU).

Seus livros mais importantes incluem "On Economic Inequality", "Poverty and Famines" e "On Ethics and Economics".

Sua maior contribuição é mostrar que o desenvolvimento de um país está essencialmente ligado às oportunidades que ele oferece à população de fazer escolhas e exercer sua cidadania. E isso inclui não apenas a garantia dos direitos sociais básicos, como saúde e educação, como também segurança, liberdade, habitação e cultura.

"Vivemos um mundo de opulência sem precedentes, mas também de privação e opressão extraordinárias. O desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente sua condição de cidadão", diz Amartya.

Foi, em 1993, juntamente com Mahbub ul Haq, o criador do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que vem sendo usado desde aquele ano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual.

A sua lucidez tem atraído a atenção de economistas, cientistas e educadores do mundo todo.
É autor, entre outros, de "Desenvolvimento como Liberdade", publicado em 2000.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sociologia- Boaventura Sousa Santos

Entrevista ao Jornal I (exertos)

«Portugal está em crise financeira porque



é uma economia fraca, com problemas

estruturais,mas não é a Portugal que os

capitais financeiros querem atingir. Querem atingir

Espanha e Itália. Só que não

podem lá chegar sem ir por Portugal,

pela Grécia e pela Irlanda. Os nossos

comentadores dizem mal do Estado, das

políticas sociais, mas depois dizem umas

frases suaves sobre os mercados financeiros.

Dizem que deviam ser mais regulados

e que não deviam ganhar dinheiro

com as apostas na bancarrota dos estados

e que isso não é uma coisa muito

ética. E ficam-se por aí. O que se passa é

um crime contra a humanidade: apostar

emtítulos de dívida e fazer tudo para

que esses títulos não sejam pagos, porque

quanto mais bancarrota tiverem

mais juros vão cobrar

a curto prazo. Eles

ganham com a falência

dos estados. Jogam com

elas porque são mundiais

e não há nenhum

governo mundial para

os regular.

O Prémio Nobel Paul


Krugman diz que os


mercados sãoum


bando de miúdos de


20 e tal anos, bêbados


e encharcados em


cocaína…


São um bando de criminosos,

que andam

por aí muito bem vestidos,

mas são uns mafiosos. Não há dúvida

que se trata de um crime contra a

humanidade, porque estão a lançar para

a fome populações inteiras, para que uns

poucos enriqueçam de uma maneira

escandalosa. Estive emNova Iorque e na

5.a Avenida bateram-se os recordes de

venda dos produtos mais caros. Voltaram

a abrir as carteiras, têm dinheiro

como nunca emWall Street, aqueles que

produziram a crise.

O professor tinha dito que o neoliberalismo

tinha falido, mas afinal...

Aí quase tenho de me retratar. Nunca

imaginei que o neoliberalismo tivesse

canibalizado tanto os estados. O neoliberalismo

nacionalizou os estados, os

bancos nacionalizaram os estados, não

foram os estados que nacionalizaram os

bancos. Passou a ideia de que um banco

não pode falir. As empresas podem

falir, um banco não pode falir. Faliram

todos com a Grande Depressão nos EUA,

mas nos últimos anos souberam como

controlar os estados e começaram por

fazer isso nos EUA. Quem é que nos últimos

20 anos financiou as campanhas

nos EUA? Wall Street. A campanha do

Obama? Wall Street. Quem é que Obama

nomeia para seu consultor financeiro

mais íntimo? Timothy Geithner. De

onde vem Timothy Geithner? De Wall

Street. Os abutres dos mercados financeiros

estão a destruir a riqueza do mundo

para se enriquecerem escandalosamente

sem nenhum controlo e há-de

haver um momento em que o povo, os

governos, vão dizer basta. E os portugueses,

quando começarem a sentir no bolso

e na cabeça, e não só no bolso, estas

medidas que vão começar a ser aplicadas.»
 
in ZOOM-Entrevista, Jornal I
 
Boaventura de Sousa Santos (Coimbra, 15 de Novembro de 1940) é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É também director dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documentação 25 de Abril, e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa - todos da Universidade de Coimbra. (Wikipédia)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PSICOLOGIA : Jean Pierre Changeux

Jean-Pierre Changeux é professor no Collège de France, membro da Academia das Ciências e presidente da Comissão Nacional Consultiva de Ética. Dirige, igualmente, o Laboratório de Neurobiologia Molecular do Instituto Pasteur. Amante de arte, é, também, presidente da Comissão das Doações de Obras de Arte.


Bibliografia
A Verdade e o Cérebro A Verdade e o Cérebro

2004 Instituto Piaget

O Que Nos Faz Pensar?

2001 Edições 70

Uma Mesma Ética Para Todos?

1999 Instituto Piaget

Fundamentos Naturais da Ética

1997 Instituto Piaget

Razão e Prazer

1997 Instituto Piaget

Matéria Pensante

1991 Gradiva Publicações

O Homem Neuronal

1991 Dom Quixote

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

20 ANOS DEPOIS...

Lisboa, 24 de Janeiro de 2011

-- Conselho Português para a Paz e Cooperaçãowww.cppc.pt


A 2 de Agosto de 1990 o Iraque invade o Kuwait, alegando roubo de

petróleo num campo petrolífero fronteiriço e razões territoriais históricas.

Desta intenção os EUA tinham conhecimento prévio e dado acordo tácito

através da embaixadora April Glaspie.

A invasão foi imediatamente condenada pelos governos e forças

políticas de todo o mundo. O Conselho de Segurança (C.S.) da ONU

adoptou, no próprio dia, uma Resolução, a 660, condenando o Iraque e

exigindo a reposição da legalidade internacional.

Invocando esta situação os EUA enviam forças armadas para a Arábia

Saudita a 9 de Agosto e insistem para que o C.S. da ONU dê cobertura à

intervenção armada, o que se vem a verificar a 29 de Novembro, dando

até 15 de Janeiro para o Iraque sair do Kuwait.

Entretanto a URSS, China e França insistem numa solução pacífica, o

que é ignorado pelos EUA e Inglaterra que notoriamente já optaram pela

resolução bélica.

3 horas da madrugada do dia 17 de Janeiro de 1991.

Um devastador ataque aéreo iniciou a operação “Tempestade no

Deserto”. Milhares de toneladas de bombas e mísseis, de tecnologia

“estreada” nesta guerra, foram lançadas por centenas de aviões e

dezenas de vasos de guerra norte-americanos e ingleses durante 40 dias.

A 24 de Janeiro começou a operação terrestre com cerca de 500 mil

soldados, dos quais 450 mil eram norte-americanos, muito embora a

“coalizão” fosse formada por 29 países e apoiada pela NATO.

No dia 26 as tropas iraquianas, já em retirada, são massacradas pela

aviação da “coalizão” na que ficou conhecida como a “estrada da

morte”, numa acção sem utilidade militar que só pode ser entendida

como um castigo e um aviso a outros.

Dois dias depois, a 28, o Presidente dos EUA, Bush pai, ordena a

suspensão das hostilidades.

O conflito custou a “coalizão” 65 biliões de dólares e um milhar de

mortes. O Iraque ficou destruído: com as redes sanitária, de distribuição

de água e eléctrica seriamente danificadas, com a industria petrolífera

semi destruída e paralisada, e teve um número calculado de 200 mil

mortes entre soldados e civis. E mais grave ainda sofreu um embargo,

imposto pela ONU, que juntamente com os efeitos do urânio

empobrecido, utilizado nas munições da “coalizão”, veio a arruinar a

saúde das populações, com efeitos que perduram até hoje, e que já

causou um número estimado de 2milhões de mortes.

6 de Março de 1991, G. Bush faz as seguintes afirmações no discurso da
vitória:


“…Agora, podemos ver um novo mundo chegando à vista. Um mundo

em que existe a possibilidade muito real de uma nova ordem mundial.

A vitória sobre o Iraque não foi conduzida como uma "guerra para

terminar todas as guerras." Mesmo a nova ordem mundial não pode

garantir uma era de paz perpétua. Mas uma paz duradoura deve ser a

nossa missão…”

Anteriormente o Secretário de Estado, Dick Cheeney, afirmara:

“…Ganhando o mais rapidamente possível a guerra, a América aparecerá

mais forte aos olhos do mundo inteiro. E terá provado que tem os

recursos para instaurar uma nova ordem mundial».

«Pensamos que os EUA têm exigências duráveis. Devemos manter a

nossa capacidade em controlar os oceanos do mundo, cumprir os

nossos compromissos na Europa e no Pacífico, ser capazes de

desdobrar forças, seja na Ásia do Sudoeste ou no Panamá, para fazer

face aos imprevistos, a fim de defender as vidas e os interesses

americanos».

Fora decretada e instaurada “a nova ordem mundial”.

Os EUA arrogavam-se o direito de serem policias do mundo e que a

defesa dos “interesses americanos” seria o centro da legalidade.

A “nova ordem mundial” foi o nome dado às pretensões hegemónicas do

imperialismo norte-americano. Reflectia a intenção de domínio e

aproveitamento das riquezas naturais mundiais e controlo de zonas

estratégicas que garantissem esse domínio e impedissem o

aparecimento de potências concorrentes.

A lista de atropelos ao Direito Internacional e de crimes cometidos pelas

administrações norte americanos nestes últimos vinte anos é longa.

Destacamos: 1991/2003- zonas de interdição aérea no Iraque, 1992 –

Somália, 1993 – Iraque, 2000 – Colombia, 2001 – Afeganistão, 2002 –

Prisão de Guantanamo, 2003 – Iraque, 2004 – “Voos da CIA”. A esta lista

deve-se juntar o alastramento de bases militares por todo o globo, a

dispersão de esquadras navais por todos os mares, a cumplicidade em

golpes contra governos que não lhes sejam favoráveis, como Venezuela

e Honduras, a cumplicidade com governos criminosos como os de Israel,

as ameaças e provocações a Estados – Irão e Coreia.

20 anos depois, a “nova ordem mundial” trouxe mortes, mais

insegurança e mais perigo para a humanidade. A situação no Médio

Oriente piorou e é, neste momento, um potencial foco para uma guerra

mundial.

O imperialismo usa a força para dominar. Criar condições para a paz,

segurança e progresso da humanidade depende da luta dos povos e dos

movimentos pela paz na defesa do direito internacional e no

cumprimento da Carta das Nações Unidas

A conquista de um mundo de justiça e paz depende de todos nós.

Lisboa, 24 de Janeiro de 2011

Grandes sociólogos e/ou filósofos- THEODOR ADORNO


Adorno e a Indústria Cultural


Daniel Ribeiro da Silva
Resumo:

O presente texto pretende ser mais uma explanação de algumas reflexões do filósofo T. W. Adorno (1903-1969) acerca da Indústria Cultural vigente no século XX.

Palavras-chave: Adorno, indústria cultural, ideologia, razão técnica, arte.

A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Com as palavras do próprio Adorno, podemos compreender o porque das suas reflexões acerca desse tema.

Theodor Wiesengrund-Adorno, em parceria com outros filósofos contemporâneos, estão inseridos num trabalho muito árduo: pensar filosoficamente a realidade vigente. A realidade em que vivia estava sofrendo várias transformações, principalmente, na dimensão econômica. O Comércio tinha se fortalecido após as revoluções industriais, ocorridas na Europa e, com isso, o Capitalismo havia se fortalecido definitivamente, principalmente, com as novas descobertas cientificas e, conseqüentemente, com o avanço tecnológico. O homem havia perdido a sua autonomia. Em conseqüência disso, a humanidade estava cada vez mais se tornando desumanizada. Em outras palavras, poderíamos dizer que o nosso caro filósofo contemplava uma geração de homens doentes, talvez gravemente. O domínio da razão humana, que no Iluminismo era como uma doutrina, passou a dar lugar para o domínio da razão técnica. Os valores humanos haviam sido deixados de lado em troca do interesse econômico. O que passou a reger a sociedade foi a lei do mercado, e com isso, quem conseguisse acompanhar esse ritmo e essa ideologia de vida, talvez, conseguiria sobreviver; aquele que não conseguisse acompanhar esse ritmo e essa ideologia de vida ficava a mercê dos dias e do tempo, isto é, seria jogado à margem da sociedade. Nessa corrida pelo ter, nasce o individualismo, que, segundo o nosso filósofo, é o fruto de toda essa Indústria Cultural.

Segundo Adorno, na Indústria Cultural, tudo se torna negócio. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. [3] Um exemplo disso, dirá ele, é o cinema. O que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, qual seja, o de portadora da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.

É importante salientar que, para Adorno, o homem, nessa Indústria Cultural, não passa de mero instrumento de trabalho e de consumo, ou seja, objeto. O homem é tão bem manipulado e ideologizado que até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho. Portanto, o homem ganha um coração-máquina. Tudo que ele fará, fará segundo o seu coração-máquina, isto é, segundo a ideologia dominante. A Indústria Cultural, que tem com guia a racionalidade técnica esclarecida, prepara as mentes para um esquematismo que é oferecido pela indústria da cultura – que aparece para os seus usuários como um “conselho de quem entende”. O consumidor não precisa se dar ao trabalho de pensar, é só escolher. É a lógica do clichê. Esquemas prontos que podem ser empregados indiscriminadamente só tendo como única condição a aplicação ao fim a que se destinam. Nada escapa a voracidade da Indústria Cultural. Toda vida torna-se replicante. Dizem os autores:

«Ultrapassando de longe o teatro de ilusões, o filme não deixa mais à fantasia e ao pensamento dos espectadores nenhuma dimensão na qual estes possam, sem perder o fio, passear e divagar no quadro da obra fílmica permanecendo, no entanto, livres do controle de seus dados exatos, e é assim precisamente que o filme adestra o espectador entregue a ele para se identificar imediatamente com a realidade. Atualmente, a atrofia da imaginação e da espontaneidade do consumidor cultural não precisa ser reduzida a mecanismos psicológicos. Os próprios produtos (...) paralisam essas capacidade em virtude de sua própria constituição objetiva » (ADORNO & HORKHEIMER, 1997:119).

Fica claro portanto a grande intenção da Indústria Cultural: obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente, daqueles que são formadores de opinião. Ela é a própria ideologia. Os valores passam a ser regidos por ela. Até mesmo a felicidade do individuo é influenciada e condicionada por essa cultura. Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer exemplificam este fato através do episódio das Sereias da epopéia homérica. Ulisses preocupado com o encantamento produzido pelo canto das sereias tampa com cera os ouvidos da tripulação de sua nau. Ao mesmo tempo, o comandante Ulisses, ordena que o amarrem ao mastro para que, mesmo ouvindo o cântico sedutor, possa enfrentá-lo sem sucumbir à tentação das sereias. Assim, a respeito de Ulisses, dizem os autores:

«O escutado não tem conseqüências para ele que pode apenas acenar com a cabeça para que o soltem, porém tarde demais: os companheiros, que não podem escutar, sabem apenas do perigo do canto, não da sua beleza, e deixam-no atado ao mastro para salvar a ele e a si próprios. Eles reproduzem a vida do opressor ao mesmo tempo que a sua própria vida e ele não pode mais fugir a seu papel social. Os vínculos pelos quais ele é irrevogavelmente acorrentado à práxis ao mesmo tempo guardam as sereias à distância da práxis: sua tentação é neutralizada em puro objeto de contemplação, em arte. O acorrentado assiste a um concerto escutando imóvel, como fará o público de um concerto, e seu grito apaixonado pela liberação perde-se num aplauso. Assim o prazer artístico e o trabalho manual se separam na despedida do antemundo. A epopéia já contém a teoria correta. Os bens culturais estão em exata correlação com o trabalho comandado e os dois se fundamentam na inelutável coação à dominação social sobre a natureza»  (ADORNO & HORKHEIMER, 1997:45).
É importante frisar que a grande força da Indústria Cultural se verifica em proporcionar ao homem necessidades. Mas, não aquelas necessidades básicas para se viver dignamente (casa, comida, lazer, educação, e assim por diante) e, sim, as necessidades do sistema vigente (consumir incessantemente). Com isso, o consumidor viverá sempre insatisfeito, querendo, constantemente, consumir e o campo de consumo se torna cada vez maior. Tal dominação, como diz Max Jimeenez, comentador de Adorno, tem sua mola motora no desejo de posse constantemente renovado pelo progresso técnico e científico, e sabiamente controlado pela Indústria Cultural. Nesse sentido, o universo social, além de configurar-se como um universo de “coisas” constituiria um espaço hermeticamente fechado. E, assim, todas as tentativas de se livrar desse engodo estão condenadas ao fracasso. Mas, a visão “pessimista” da realidade é passada pela ideologia dominando, e não por Adorno. Para ele, existe uma saída, e esta, encontra-se na própria cultura do homem: a limitação do sistema e a estética.


Na Teoria Estética, obra que Adorno tentará explanar seus pensamentos sobre a salvação do homem, dirá ele que não adiante combater o mal com o próprio mal. Exemplo disso, ocorreram no nazismo e em outras guerras. Segundo ele, a antítese mais viável da sociedade selvagem é a arte. A arte, para ele, é que liberta o homem das amarras dos sistemas e o coloca com um ser autônomo, e, portanto, um ser humano. Enquanto para a Indústria Cultural o homem é mero objeto de trabalho e consumo, na arte é um ser livre para pensar, sentir e agir. A arte é como se fosse algo perfeito diante da realidade imperfeita. Além disso, para Adorno, a Indústria Cultural não pode ser pensada de maneira absoluta: ela possui uma origem histórica e, portanto, pode desaparecer.

Por fim, podemos dizer que Adorno foi um filósofo que conseguiu interpretar o mundo em que viveu, sem cair num pessimismo. Ele pôde vivenciar e apreender as amarras da ideologia vigente, encontrando dentro dela o próprio antídoto: a arte e a limitação da própria Indústria Cultural. Portanto, os remédios contra as imperfeições humanas estão inseridos na própria história da humanidade. É preciso que esses remédios cheguem a consciência de todos (a filosofia tem essa finalidade), pois, só assim, é que conseguiremos um mundo humano e sadio.

(texto on-line,sublinhados nossos, N.P.)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

«Não sou CEGO. Vi foi demasiado»

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA