quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

NOBERTO BOBBIO

Qual socialismo?



Filosofia e Questões Teóricas


Leandro Konder (filósofo)


Dom, 19 de Outubro de 2008 14:57

A experiência histórica do movimento socialista, em suas formas cada vez mais variadas, ensina que o socialismo só avança quando consegue se renovar. E, atualmente, ela já ensina, também, que a reflexão socialista precisa de interlocutores “externos”, quer dizer, precisa ─ para renovar-se ─ do diálogo com linhas de pensamento não comprometidas com os projetos socialistas.

Renovar-se não é uma operação simples, automática; é um processo nque passa por autocríticas intranqüilizadoras, freqüentemente dolorosas. Em sociedades politicamente complexas, os sujeitos empenhados em transformar as relações sociais precisam se criticar mutuamente, se reeducar, uns aos outros. A eficácia da autocrítica depende da liberdade de crítica assegurada aos outros. A verdadeira renovação passa a depender, cada vez mais, do pluralismo.

Por isso, a vanguarda do pensamento marxista está muito empenhada, hoje, numa revalorização do pluralismo. E os marxistas de vanguarda, na Itália, já se deram conta da extrema importância de um interlocutor como Noberto Bobbio.

Bobbio, pensador político, professor de filosofia do direito, é um homem de imensa cultura e estupenda honestidade intelectual. É um liberal que estudou Marx, conhece os meandros do pensamento marxista e não se sente nem um pouco constrangido em acolher tudo o que nele lhe parece bom. É exatamente essa abertura em face de Marx que lhe permite, por outro lado, questionar de maneira bastante despreconceituosa e fecunda uma série de aspectos da perspectiva filosófica e política do pensador alemão.

A história do século XX mostra que a conquista do poder, nas revoluções, não resolve o problema de como exercê-lo. Nenhuma revolução, até agora, enfrentou seriamente a questão das garantias contra os abusos do poder. A teoria da ditadura do proletariado deu no que deu. Bobbio, então, nos incita a refletir sobre a concepção do Estado em Marx: uma concepção que precisa de desenvolvimentos, complementações e ─ também ─ correções, revisões.

Não temos o direito de nos esquivar ao exame das questões relativas a como o poder se exerce. Os riscos de uma omissão, nas condições atuais, seriam enormes. A humanidade está duplamente ameaçada de extinção, diz Bobbio: pela guerra atômica e pelo esgotamento dos recursos do planeta. Seríamos sumamente insensatos se não nos dispuséssemos a aprender um pouco sobre as condições ─ não necessariamente mais humanas, porém menos ferozes ─ que podemos criar para o exercício do poder.

A tarefa é grave e delicada. Cumpre enfrentá-la com prudência. Bobbio sabe disso e evita se4 apresentar como “dono da verdade”. Seu método lembra o do velho Sócrates: ele aparece diante de nós como um arguto perguntador. Não é casual que todos os ensaios deste volume tenham títulos interrogativos. Qual Socialismo? ─ como notou Celso Láfer ─ contém perguntas “incisivas e bem formuladas”, relativas a temas para os quais Bobbio não pretende ter “respostas definitivas”.


[Texto de orelha de Leandro Konder In BOBBIO, Noberto. Qual socialismo?: debate sobre uma alternativa. Tradução de Iza de Salles Freaza. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.]

Leandro Konder é filósofo marxista e escritor.

(in Fundação Lauro Campos - Socialismo e Liberdade)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As contra-revoluções emergentes na Tunísia e no Egipto

por Mahdi Darius Nazemroaya




Um faraó arrogante caiu. Os egípcios podem estar a cantar que o seu país é livre, mas a sua luta está longe de terminada. A República Árabe Unida do Egipto ainda não é livre. O velho regime e o seu aparelho ainda estão ali e à espera de que assente o pó. Os militares egípcios estão oficialmente a controlar o país e a contra-revolução está a emergir. Uma nova fase da luta pela liberdade iniciou-se.


As chamadas "fases de transição" pretendidas para os regimes na Tunísia e no Egipto estão a ser usadas para comprar tempo a fim de fazer três coisas. O primeiro objectivo é desgastar e finalmente as exigências populares. A segunda meta é actuar para preservar políticas económicas neoliberais, as quais serão utilizadas para subverter o sistema político e reforçar o colete-de-forças das dívidas externas. Finalmente, a terceira motivação e objectivo é a preparação da contra-revolução.

Os auto-seleccionados "homens sábios" do Egipto

Figuras desqualificadas estão a emergir, as quais afirmar estar a falar ou a liderar o povo árabe. Isto inclui o chamado comité de "homens sábios" no Egipto. Estas figuras não eleitas estão supostamente a negociar com o regime de Mubarak em nome da população egípcia, mas eles não têm legitimidade como representantes do povo. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, está entre eles. O secretário-geral Moussa disse também que está interessado em tornar-se ministro num futuro gabinete no Cairo. Todas estas figuras são ou de dentro do regime ou agentes do status quo.

Dentre estes indivíduos auto-designados está também o chefe da Orascom Telecom Holdings (O.T.H.) S.A.E., o multimilionário egípcio Naguib Sawiris. A Bloomberg Newsweek tinha isto a dizer acerca de Sawiri: "A maior parte dos homens de negócio egípcios estão a comportar-se discretamente nestes dias. Os manifestantes na Praça Tahrir do Cairo culpam-nos pelos males do Egipto e multidões até destruíram algumas das suas propriedades. Mas o mais eminente magnata do Egipto, Naguib Sawiris, presidente da Orascom Telecom Holding, a maior companhia de telecomunicações do Médio Oriente, está no Cairo a receber chamadas no seu telemóvel, a aparecer na TV e (como membro de um comité informal de "homens sábios") a negociar com o recém nomeado vice-presidente Omar Suleiman uma transferência gradual de poder do presidente Hosni Mubarak. Longe de desanimado, o multimilionário pensa que uma economia egípcia mais vibrante pode emergir da tempestade". [1]
Os chamados "homens sábios" no Egipto estão envolvidos em bravatas. Para quem está o poder a ser "gradualmente transferido"? Uma outra figura não eleita, como Suleiman?

Qual é a natureza das negociações? Partilha de poder entre um regime não eleito e uma nova casta? Não há nada a negociar com déspotas não eleitos. O papel que os "homens sábios" desempenham é o de uma "oposição fabricada" que manterá em vigor os interesses por trás do regime Mubarak e diluirá também os movimentos de oposição real no Egipto.

Poderes ditatoriais dados a Al-Mebazaa enquanto militares da reserva tunisina são mobilizados

Na Tunísia, militares da reserva estão a ser convocados para administrar os manifestantes. [2] A mobilização dos militares tunisinos foi justificada com o pretexto de combater o desrespeito à lei e a violência. O próprio regime tunisino tem estado por trás da maior parte destes desrespeitos e violências.

Em simultâneo com a mobilização de reservistas tunisinos, ao presidente interino da Tunísia, Fouad Al-Mebazaa, foram atribuídos poderes ditatoriais. [3] Al Mebazaa foi o homem que Ben Ali escolheu como porta-voz parlamentar da Tunísia e foi uma figura de proa dentro do partido Constitutional Democratic Rally (CDP) de Ben Ali. Os manifestantes tentaram pacificamente impedir os membros do parlamento tunisino de votarem a concessão de poderes ditatoriais a Al-Mebazaa bloqueando a entrada no parlamento tunisino.

Todos os membros do parlamento tunisino são do "velho regime". Em meio a protestos, o parlamento tunisino ainda conseguiu avançar com o plano: "Legisladores finalmente contornaram os manifestantes entrando na sala de votação através de uma porta de serviço, informou a agência de notícias TAP . Numa votação de 177 a 16, a câmara baixa aprovou o plano de dar ao presidente interino Fouad Mebazaa poderes temporários para aprovar leis por decreto". [4] No dia seguinte, o senado tunisino ratificou isto. [5]

Al-Mebazza agora pode escolher governadores e responsáveis à vontade, mudar leis eleitorais, conceder amnistia a quem quer que seja e contornar todas as instituições do estado tunisino através dos seus decretos. A aprovação da moção para dar a Al-Mebazaa esta quantidade de poderes ditatoriais é uma ilustração das facetas da "democracia cosmética". Este acto do parlamento canguru da Tunísia faz-se passar como um acto democrático de votação, mas na realidade todos os seus membros foram escolhido não democraticamente pelo regime Ben Ali.

Os generais egípcios e o vice-presidente Suleiman são uma continuação de Mubarak

No Egipto, os comandantes militares declararam não permitir que as manifestações continuem por muito mais tempo. As lideranças militares do Egipto estão fortemente envolvidas no status quo cleptocrático do regime Mubarak. Os generais egípcios ou os oficiais condecorados são todos membros ricos da classe capitalista egípcia. Sem quaisquer distinções, a lideranças dos militares egípcios e o regime Mubarak são uma e a mesma coisa. Todas as figuras chave no regime Mubarak saíram das fileiras dos militares.

Omar Suleiman, o recém-nomeado vice-presidente do Egipto e o general que foi antigo chefe dos serviços de inteligência do Egipto, começou por voltar atrás nas promessas feitas pelo regime Mubarak e ele próprio. O New York Times informou que "Omar Suleiman do Egipto afirma que não pensa ser tempo de suspender a velha lei de emergência com 30 anos que tem sido utilizada para suprimir e aprisionar líderes da oposição". [6] Poucos dias antes da resignação de Mubarak, Suleiman declarara: "Ele não pensa que o presidente Hosni Mubarak precise resignar antes do fim do seu mandato em Setembro [2011]. E não pensa que [o Egipto] esteja pronto para a democracia". [7]

Foram ganhas batalhas, mas a luta continua...
Os riscos estão a ficar mais altos. O povo da Tunísia e do Egipto deveria estar consciente de que os governos dos EUA e da União Europeia estão a cobrir politicamente as suas apostas. Eles apoiam as contra-revoluções dos velhos regimes, mas também estão a trabalhar para cooptar e controlar os resultados dos movimentos de protesto. Em outro desenvolvimento, os EUA e a NATO também estão a fazer posicionamentos navais no Mediterrâneo Oriental. Especificamente com o Egipto em mente, isto também poderia significar ajuda à contra-revolução, mas também poderá ser utilizada contra uma revolução com êxito.

Os acontecimentos na Tunísia e no Egipto demonstraram estarem erradas todas as falsas suposições acerca dos povos árabes. Os povos tunisino e egípcio actuaram pacificamente inteligentemente. Eles também provaram que a suposição de uma cultura política avançada na Europa Ocidental, América do Norte ou Austrália é simplesmente um contra-senso absoluto utilizado para justificar a repressão de outros povos.

12/Fevereiro/2011

Notas

[1] Stanley Reed, "Egypt's Telecom Mogul Embraces Uprising," Bloomberg Businessweek, February 10, 2011.

[2] "Tunisia calls up reserve troops amid unrest," Associated Press (AP), February 7, 2011.

[3] Ibid.

[4] Ibid.

[5] Kaouther Larbi, "Tunisia Senate grants leader wide powers," Agence France-Presse (AFP), February 10, 2011.

[6] Helene Cooper and David E. Sanger, "In Egypt, US Weighs Push For Change With Stability," The New York Times, February 8, 2011, A1.

[7] Ibid.

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Global Research Articles by Mahdi Darius Nazemroaya

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23179

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Esta é a resposta aos "sábios" encartados e a soldo que andavam a pregar o fim das revoluções e das ideologias. De repente, a Revolução; de repente, o socialismo é a alternativa ao capitalismo imperialista.

DECLARAÇÃO DE FUNDAÇÃO DA



FRENTE 14 DE JANEIRO DAS FORÇAS NACIONAIS, PROGRESSISTAS E DEMOCRÁTICAS DA TUNÍSIA

PELO SOCIALISMO
-
Para afirmar e assegurar a nossa participação na revolução do nosso povo, que lutou pelo seu direito à liberdade e à dignidade nacional – este povo que deu centenas de mártires e milhares de feridos e detidos – e para completar e garantir a vitória contra os inimigos do interior e do exterior e aqueles que tentam fazer gorar os sacrifícios do povo, constituímos a “Frente 14 de Janeiro”, como marco político para promover e assegurar a revolução, até alcançar os seus objectivos, bem como para lutar e parar as forças da contra revolução; frente (e marco) que agrupa os partidos, forças e organizações nacionais, progressistas e democráticas.

Os seus objectivos e tarefas são:

1. A queda do actual governo de Ghanouchi ou de qualquer governo que inclua pessoas do anterior regime, que ecfetuaram as políticas anti nacionais e anti populares e serviram os interesses do presidente derrubado.

2. Dissolver o partido do ex-presidente e confiscar as suas sedes, bens, activos financeiros e fundos, porque são do povo.

3. A formação de um governo de transição que expresse a confiança do povo, das suas forças políticas progressistas e das suas organizações sociais, sindicais e juvenis.

4. A dissolução da câmara de representantes, dos assessores e de todas as instituições, do conselho superior da magistratura; o desmantelamento de toda a estrutura política do antigo regime e a preparação para a eleição de uma assembleia constituinte, para a elaboração de uma nova constituição democrática e um novo marco legal da vida pública, que garanta os direitos políticos, económicos e culturais do povo.

5. A dissolução da polícia política e a promulgação de uma nova política de segurança, que respeite os direitos humanos e as leis.

6. Pedir responsabilidades a todos aqueles que se demonstre que saquearam os bens do povo e contra ele cometeram crimes, como a repressão, o encarceramento, a tortura e as decisões, ordens e execução de assassinatos, assim como àqueles de quem se prove a sua má conduta e má gestão da propriedade pública.

7. A expropriação dos bens de toda a família, das pessoas próximas e envolvidas de todos os responsáveis políticos que utilizaram a sua posição para enriquecerem à custa do povo.

8. Assegurar e gerar emprego para os desempregados e tomar medidas urgentes que garantam os subsídios de desemprego, a cobertura social e de saúde e melhorar o poder de compra do povo.

9. A construção de uma economia nacional ao serviço do povo, onde os sectores vitais e estratégicos estejam sob o controlo do estado, a nacionalização de todas as empresas que foram privatizadas e a aplicação de uma política económica e social que rompa com a perspectiva capitalista e liberal.

10. O lançamento das liberdades públicas, individuais e, especialmente, a liberdade de manifestação, organização, expressão, de imprensa, informação e crença, bem como a libertação de todos os detidos e a promulgação da lei da amnistia.

11. A “Frente 14 de Janeiro” saúda o apoio das massas populares e das forças progressistas do mundo árabe e de todo o mundo e apela a que o mantenham.

12. Rejeitar a normalização de relações com a entidade sionista e criminalizá-la e apoiar os movimentos de libertação nacional do mundo árabe e de todo o mundo.

13. A Frente apela às massas populares e às forças progressistas e patrióticas para continuarem com as mobilizações e a luta, por todas as formas legítimas – especialmente, as manifestações nas ruas -, até se alcançarem os objectivos propostos.

14. A Frente saúda todas as comissões, associações e organizações populares e apela à ampliação do seu círculo de participação em todos os assuntos públicos e da vida diária e quotidiana.

GLÓRIA AOS MÁRTIRES DA INTIFADA E A VITÓRIA PARA AS

NOSSAS MASSAS POPULARES REVOLUCIONÁRIAS

Tunísia, 20 de Janeiro de 2011

-

ASSOCIAÇÃO DE ESQUERDA – OS TRABALHADORES

MOVIMENTO UNIONISTA NASSERISTA

MOVIMENTO DOS NACIONALISTAS DEMOCRÁTICOS

NACIONALISTAS DEMOCRÁTICOS

CORRENTE BAASISTA

ESQUERDAS INDEPENDENTES

PARTIDO COMUNISTA OPERÁRIO DA TUNÍSIA

PARTIDO NACIONAL DE ACÇÃO DEMOCRÁTICA

-

Colocado em linha em: 2011/02/03

Tradução para castelhano de Hatem AK., para Corriente Roja
 
in «Cheira-me a Revolução»

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bertold BRECHT

Há homens que lutam um dia, e são bons;



Há outros que lutam um ano, e são melhores;


Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;


Porém há os que lutam toda a vida


Estes são os imprescindíveis


in http://www.astormentas/

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA