sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Intervenção do filósofo Domenico Losurdo
Reconstruir o partido comunista, unir a esquerda, bater a direita
– Intervenção no 6º congresso nacional do PdCI (Partito dei Comunisti Italiani)
por Domenico Losurdo
Fico feliz por participar deste evento que poderia ser um relançamento ou mesmo um novo arranque da presença comunista no nosso país. Quando, há vinte anos, foi criada a Rifondazione Comunista, o clima ideológico era bem diferente daquele de hoje. Há vinte anos, em Washington, os ideólogos mais enfáticos proclamavam que a história estava acabada: em todo caso o capitalismo havia triunfado e os comunistas haviam cometido o erro de ficarem do lado mau, e mesmo criminoso, da história. Sabemos hoje que estas certezas e suas mitologias haviam penetrado mesmo no grupo dirigente da Rifondazione Comunista. Assiste-se assim ao espectáculo grotesco no qual um líder de primeiro plano [1] aplicou todo o seu talento retórico para demonstrar que os comunistas haviam errado sempre, sempre provocaram catástrofes tanto na Rússia como na Itália; e continuavam a errar tanto na China como no Vietname e, em última análise, mesmo em Cuba. Compreende-se bem o entusiasmo da imprensa burguesa para com este profeta, para esta prenda vinda do Céu. Mas todos nós conhecemos o resultado final.
Foi um desastre: pela primeira vez na história da nossa república os comunistas estão sem representação no parlamento. Pior. Privar as classes laboriosas da sua história significava privá-las também da sua capacidade para orientar-se no presente. As classes laboriosas penam hoje para organizar uma resistência eficaz num momento onde a República fundada sobre o trabalho [2] se transforma em república fundada sobre o despedimento arbitrário, sobre o privilégio da riqueza, sobre a corrupção, sobre a venalidade dos cargos públicos. E, infelizmente, até aqui foi quase inexistente a resistência oposta ao processo pelo qual a República que repudia a guerra [3] se transforma em república que participa nas mais infames guerras coloniais. É com este desastre atrás de nós que nós nos empenhamos hoje no relançamento do projecto comunista.
Disto decorre uma necessidade urgente. E não se trata de uma necessidade experimentada só pelos comunistas. Vemos o que acontece no país que, há pouco mais de vinte anos, vira a proclamação do fim da história. As ruas estão cheias de manifestantes que gritam a sua indignação contra a Wall Street. Os cartazes não se limitam a denunciar as consequências da crise, ou seja, o desemprego, a precariedade, a fome, a polarização crescente de riqueza e pobreza. Estes cartazes vão mais além: eles denunciam o peso decisivo da riqueza na vida política estado-unidense e desmascaram de facto o mito da democracia americana. O que dita a lei na república norte-americana é na realidade a grande finança, é a Wall Street; eis o que gritam os manifestantes. E certos cartazes vão mais além e bradam a cólera não só contra a Wall Street mas também contra a War Street. Isto quer dizer que o quarteirão da alta finança é identificado como sendo ao mesmo tempo o quarteirão da guerra e do desencadeamento da guerra. Emerge assim, ou começa a emergir, a consciência da relação entre capitalismo e imperialismo.
Sim, o capitalismo traz ao mesmo tempo crises económicas devastadoras e guerra infames. Mais uma vez as massas populares e os comunistas encontram-se diante do dever de enfrentar a crise do capitalismo e sua política de guerra. Por razões de tempo não me deterei senão sobre este segundo ponto. O fim da intervenção da NATO na Líbia não é o fim da guerra no Médio Oriente. As guerras contra a Síria e o Irão já estão em preparativos. Estas guerra, mesmo, já começaram. O poder de fogo multimediático com a qual o Ocidente tenta isolar, criminalizar, estrangular e desestabilizar estes dois países está prestes a transformar-se num poder de fogo verdadeiro, com base em mísseis e bombas. E nós comunistas devemos desde já fazer ouvir a nossa voz. Se esperássemos o desencadeamento das hostilidades não estaríamos à altura nem do movimento comunista nem do movimento anti-militarista, e não seríamos os herdeiros de Lenine e de Liebknecht. Devemos desde o presente organizar manifestações contra a guerra e contra os preparativos de guerra; desde o presente devemos clarificar o facto de que a posição em relação à guerra é um critério essencial para definir a discriminação entre aliados potenciais e adversários irredutíveis.
No que se refere à China, Washington, sim, transfere para a Ásia o grosso do seu dispositivo militar, mas por enquanto não agita de modo explícito senão a ameaça da guerra comercial. Mas, como é notório, sabe-se como as guerras comerciais começam mas não se sabe como acabam. Fariam bem em reflectir sobre este ponto aqueles que, mesmo na esquerda, se alinham na campanha anti-chinesa: eles viram assim as costas à luta pela paz.
Trata-se de uma atitude tanto mais desconcertante pelo facto de a China ter sido protagonista de uma das maiores revoluções da história universal. Evidentemente, convém manter em mente os problemas, os desafios, as contradições mesmo graves que caracterizam o grande país asiático. Mas clarifiquemos primeiro o quadro histórico. No princípio do século XX a China era uma parte integrante deste mundo colonial que pôde romper suas cadeias graças à gigantesca vaga da revolução anti-colonialista desencadeada em Outubro de 1917. Vemos como a história se desenvolveu a seguir. Na Itália, na Alemanha, no Japão, o fascismo e o nazismo foram a tentativa de revitalizar o neocolonialismo. Em particular, a guerra desencadeada pelo imperialismo hitleriano e pelo imperialismo japonês respectivamente contra a União Soviética e contra a China foram as maiores guerras coloniais da história. E portanto Stalingrado na União Soviética e a Longa Marcha e a guerra de resistência anti-japonesa na China foram duas grandiosas lutas de classe, aquelas que impediram o imperialismo mais bárbaro de realizar uma divisão do trabalho fundamentado na redução de grandes povos a uma massa de escravos ou semi-escravos ao serviço da suposta raça dos senhores.
Mas o que é que se passa hoje? Como já disse, os EUA estão em vias de transferir o grosso do seu dispositivo militar para a Ásia. Leio em telegramas de ontem (28/Outubro/2011) da agência Reuters que uma das acusações aos dirigentes de Pequim é a de promover ou querer impor a transferência de tecnologia do Ocidente para a China. Os EUA teriam desejado manter o monopólio da tecnologia para poderem continuar a exercer uma dominação neocolonial; a luta pela independência manifesta-se também no plano económico. Portanto, revolucionária não é só a longa luta pela qual o povo chinês pôs fim a um século de humilhações e fundou a república popular; nem apenas a edificação económica e social pela qual o Partido Comunista Chinês libertou da fome centenas de milhões de homens e mulheres; mesmo a luta para romper o monopólio imperialista da tecnologia é uma luta revolucionária. Marx nos ensinou. Sim, a luta para modificar a divisão internacional do trabalho imposta pelo capitalismo e pelo imperialismo é em si mesma uma luta de classe. Do ponto de vista de Marx, a luta para ultrapassar no quadro da família a divisão patriarcal do trabalho já é uma luta de emancipação; seria bem estranho que não fosse uma luta de emancipação a luta para por fim ao nível internacional à divisão do trabalho imposta pelo capitalismo e pelo imperialismo, a luta para liquidar definitivamente este monopólio ocidental da tecnologia que não é um dado natural mas o resultado de séculos de dominação e de opressão!
Concluo. Vemos nos nossos dias o país-guia do capitalismo mergulhado numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditado ao nível internacional. Ao mesmo tempo, ele continua a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito por Deus e a aumentar febrilmente seu aparelho de guerra já monstruoso, assim como a estender sua rede de bases militares por todos os cantos do mundo. Tudo isso não promete nada de bom. É a concomitância de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis que torna urgente a construção e o reforço dos partidos comunistas. Espero vivamente que o partido que hoje construímos venha a estar à altura dos seus deveres.
Rimini, 29/Outubro/2011
(1) Fausto Bertinotti, durante muito tempo secretário-geral do Partito della Rifondazione Comunista (NdT)
(2) Artigo 1 da Constituição italiana: "A Itália é uma republica fundamentada no trabalho"
(3) Artigo 11 da Constituição italiana: "A Itália repudia a guerra como instrumento de ofensa à liberdade dos outros povos e como meio de resolução das controvérsias internacionais".
O original encontra-se em domenicolosurdo.blogspot.com/... e a versão em francês em www.legrandsoir.info/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
– Intervenção no 6º congresso nacional do PdCI (Partito dei Comunisti Italiani)
por Domenico Losurdo
Fico feliz por participar deste evento que poderia ser um relançamento ou mesmo um novo arranque da presença comunista no nosso país. Quando, há vinte anos, foi criada a Rifondazione Comunista, o clima ideológico era bem diferente daquele de hoje. Há vinte anos, em Washington, os ideólogos mais enfáticos proclamavam que a história estava acabada: em todo caso o capitalismo havia triunfado e os comunistas haviam cometido o erro de ficarem do lado mau, e mesmo criminoso, da história. Sabemos hoje que estas certezas e suas mitologias haviam penetrado mesmo no grupo dirigente da Rifondazione Comunista. Assiste-se assim ao espectáculo grotesco no qual um líder de primeiro plano [1] aplicou todo o seu talento retórico para demonstrar que os comunistas haviam errado sempre, sempre provocaram catástrofes tanto na Rússia como na Itália; e continuavam a errar tanto na China como no Vietname e, em última análise, mesmo em Cuba. Compreende-se bem o entusiasmo da imprensa burguesa para com este profeta, para esta prenda vinda do Céu. Mas todos nós conhecemos o resultado final.
Foi um desastre: pela primeira vez na história da nossa república os comunistas estão sem representação no parlamento. Pior. Privar as classes laboriosas da sua história significava privá-las também da sua capacidade para orientar-se no presente. As classes laboriosas penam hoje para organizar uma resistência eficaz num momento onde a República fundada sobre o trabalho [2] se transforma em república fundada sobre o despedimento arbitrário, sobre o privilégio da riqueza, sobre a corrupção, sobre a venalidade dos cargos públicos. E, infelizmente, até aqui foi quase inexistente a resistência oposta ao processo pelo qual a República que repudia a guerra [3] se transforma em república que participa nas mais infames guerras coloniais. É com este desastre atrás de nós que nós nos empenhamos hoje no relançamento do projecto comunista.
Disto decorre uma necessidade urgente. E não se trata de uma necessidade experimentada só pelos comunistas. Vemos o que acontece no país que, há pouco mais de vinte anos, vira a proclamação do fim da história. As ruas estão cheias de manifestantes que gritam a sua indignação contra a Wall Street. Os cartazes não se limitam a denunciar as consequências da crise, ou seja, o desemprego, a precariedade, a fome, a polarização crescente de riqueza e pobreza. Estes cartazes vão mais além: eles denunciam o peso decisivo da riqueza na vida política estado-unidense e desmascaram de facto o mito da democracia americana. O que dita a lei na república norte-americana é na realidade a grande finança, é a Wall Street; eis o que gritam os manifestantes. E certos cartazes vão mais além e bradam a cólera não só contra a Wall Street mas também contra a War Street. Isto quer dizer que o quarteirão da alta finança é identificado como sendo ao mesmo tempo o quarteirão da guerra e do desencadeamento da guerra. Emerge assim, ou começa a emergir, a consciência da relação entre capitalismo e imperialismo.
Sim, o capitalismo traz ao mesmo tempo crises económicas devastadoras e guerra infames. Mais uma vez as massas populares e os comunistas encontram-se diante do dever de enfrentar a crise do capitalismo e sua política de guerra. Por razões de tempo não me deterei senão sobre este segundo ponto. O fim da intervenção da NATO na Líbia não é o fim da guerra no Médio Oriente. As guerras contra a Síria e o Irão já estão em preparativos. Estas guerra, mesmo, já começaram. O poder de fogo multimediático com a qual o Ocidente tenta isolar, criminalizar, estrangular e desestabilizar estes dois países está prestes a transformar-se num poder de fogo verdadeiro, com base em mísseis e bombas. E nós comunistas devemos desde já fazer ouvir a nossa voz. Se esperássemos o desencadeamento das hostilidades não estaríamos à altura nem do movimento comunista nem do movimento anti-militarista, e não seríamos os herdeiros de Lenine e de Liebknecht. Devemos desde o presente organizar manifestações contra a guerra e contra os preparativos de guerra; desde o presente devemos clarificar o facto de que a posição em relação à guerra é um critério essencial para definir a discriminação entre aliados potenciais e adversários irredutíveis.
No que se refere à China, Washington, sim, transfere para a Ásia o grosso do seu dispositivo militar, mas por enquanto não agita de modo explícito senão a ameaça da guerra comercial. Mas, como é notório, sabe-se como as guerras comerciais começam mas não se sabe como acabam. Fariam bem em reflectir sobre este ponto aqueles que, mesmo na esquerda, se alinham na campanha anti-chinesa: eles viram assim as costas à luta pela paz.
Trata-se de uma atitude tanto mais desconcertante pelo facto de a China ter sido protagonista de uma das maiores revoluções da história universal. Evidentemente, convém manter em mente os problemas, os desafios, as contradições mesmo graves que caracterizam o grande país asiático. Mas clarifiquemos primeiro o quadro histórico. No princípio do século XX a China era uma parte integrante deste mundo colonial que pôde romper suas cadeias graças à gigantesca vaga da revolução anti-colonialista desencadeada em Outubro de 1917. Vemos como a história se desenvolveu a seguir. Na Itália, na Alemanha, no Japão, o fascismo e o nazismo foram a tentativa de revitalizar o neocolonialismo. Em particular, a guerra desencadeada pelo imperialismo hitleriano e pelo imperialismo japonês respectivamente contra a União Soviética e contra a China foram as maiores guerras coloniais da história. E portanto Stalingrado na União Soviética e a Longa Marcha e a guerra de resistência anti-japonesa na China foram duas grandiosas lutas de classe, aquelas que impediram o imperialismo mais bárbaro de realizar uma divisão do trabalho fundamentado na redução de grandes povos a uma massa de escravos ou semi-escravos ao serviço da suposta raça dos senhores.
Mas o que é que se passa hoje? Como já disse, os EUA estão em vias de transferir o grosso do seu dispositivo militar para a Ásia. Leio em telegramas de ontem (28/Outubro/2011) da agência Reuters que uma das acusações aos dirigentes de Pequim é a de promover ou querer impor a transferência de tecnologia do Ocidente para a China. Os EUA teriam desejado manter o monopólio da tecnologia para poderem continuar a exercer uma dominação neocolonial; a luta pela independência manifesta-se também no plano económico. Portanto, revolucionária não é só a longa luta pela qual o povo chinês pôs fim a um século de humilhações e fundou a república popular; nem apenas a edificação económica e social pela qual o Partido Comunista Chinês libertou da fome centenas de milhões de homens e mulheres; mesmo a luta para romper o monopólio imperialista da tecnologia é uma luta revolucionária. Marx nos ensinou. Sim, a luta para modificar a divisão internacional do trabalho imposta pelo capitalismo e pelo imperialismo é em si mesma uma luta de classe. Do ponto de vista de Marx, a luta para ultrapassar no quadro da família a divisão patriarcal do trabalho já é uma luta de emancipação; seria bem estranho que não fosse uma luta de emancipação a luta para por fim ao nível internacional à divisão do trabalho imposta pelo capitalismo e pelo imperialismo, a luta para liquidar definitivamente este monopólio ocidental da tecnologia que não é um dado natural mas o resultado de séculos de dominação e de opressão!
Concluo. Vemos nos nossos dias o país-guia do capitalismo mergulhado numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditado ao nível internacional. Ao mesmo tempo, ele continua a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito por Deus e a aumentar febrilmente seu aparelho de guerra já monstruoso, assim como a estender sua rede de bases militares por todos os cantos do mundo. Tudo isso não promete nada de bom. É a concomitância de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis que torna urgente a construção e o reforço dos partidos comunistas. Espero vivamente que o partido que hoje construímos venha a estar à altura dos seus deveres.
Rimini, 29/Outubro/2011
(1) Fausto Bertinotti, durante muito tempo secretário-geral do Partito della Rifondazione Comunista (NdT)
(2) Artigo 1 da Constituição italiana: "A Itália é uma republica fundamentada no trabalho"
(3) Artigo 11 da Constituição italiana: "A Itália repudia a guerra como instrumento de ofensa à liberdade dos outros povos e como meio de resolução das controvérsias internacionais".
O original encontra-se em domenicolosurdo.blogspot.com/... e a versão em francês em www.legrandsoir.info/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
terça-feira, 8 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Na Grécia luta-se
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: 1. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-03-oxi-sto-dillima/
2. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-1-kinitopoiisi/
3. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-1-oxi-dimopsifisma
Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2011/11/07
Partido Comunista da Grécia (KKE) – três
notas sobre o referendo e eleições
1.
A CHANTAGEM CONTRA O POVO TEM DE
TER UM EFEITO DE BUMERANGUE
2011/11/03
O anúncio do governo de que pretende efetuar um referendo está no centro dos
desenvolvimentos políticos na Grécia, com a propaganda dominante a ajudar a
plutocracia, que procura fazer com que o povo aceite a sua bancarrota e se submeta às
medidas antipopulares. Além disso, as contradições e as tensões entre os vários
sectores da plutocracia, os partidos burgueses e os governantes intensificaram-se
perante os impasses da gestão burguesa da crise capitalista.
O encontro que ontem teve lugar, à margem da Cimeira do G20, assinalou a escalada
da guerra e das chantagens. Segundo as declarações dos presidentes da França e da
Alemanha após o encontro com o Primeiro-ministro grego, foi discutida a separação
do referendo do novo contrato de empréstimo, enquanto se procurava conseguir que
o referendo assumisse a forma de "quer a Grécia permanecer ou não na eurozona".
Perante estes desenvolvimentos, o KKE tomou a seguinte posição,
através de uma declaração do Gabinete de Imprensa do CC do KKE:
"O dilema euro ou dracma é enganoso para o povo. O interesse do povo é a saída da
UE, com poder e economia populares, o que cancelará unilateralmente toda a
dívida e devolverá ao povo a riqueza que ele produz – e que os monopólios lhe
roubam com a ajuda do PASOK1, da ND2 e dos partidos burgueses – através da
socialização dos meios de produção.
2
Neste exato contexto, o KKE apela à classe operária e às camadas populares a que
digam NÃO ao referendo; a que exijam a queda do governo e eleições, nas quais
darão um duro golpe no apodrecido sistema político burguês votando no KKE.
No caso de haver referendo, o povo deverá participar de uma forma militante e
votar NÃO, o que será um forte NÃO à política da “via única da UE”, ao
memorando, ao programa de médio prazo, ao contrato de empréstimo e uma
exigência de outro caminho de desenvolvimento da sociedade grega. O interesse dos
trabalhadores que não concordam com a posição sobre a saída da UE, mas resistem
às bárbaras medidas antipopulares desta, do governo e da plutocracia, é
compartilhar esta linha de luta.
O KKE apela ao povo trabalhador para não se submeter à chantagem e lutar para
que os dilemas do PASOK, da ND e dos seus sequazes tenham um efeito de
bumerangue. É imperioso o desenvolvimento mais decisivo do movimento popular
em todos os locais de trabalho e bairros, de um movimento que vise o derrube do
poder dos monopólios".
2.
DECLARAÇÃO DO CC DO KKE: AGORA O
POVO DEVE INTERVIR MAIS
DECISIVAMENTE
2011/11/01
Todos à Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da tarde
Aleka Papariga vai discursar
Agora o povo deve intervir mais decisivamente
O KKE chama os trabalhadores, os empregados por conta própria e os jovens da Ática
para uma concentração na Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da
tarde. Apela a uma aliança para que o povo, ele próprio, possa intervir mais
decisivamente na evolução dos acontecimentos. Os dilemas chantagistas e
intimidatórios do governo, dos partidos da plutocracia e da UE têm de fracassar.
Agora tem de se ouvir ainda com ainda mais força:
Abaixo o governo e os partidos da plutocracia
O povo pode impedir e pôr fim aos sacrifícios selvagens que lhe foram
impostos através de novos acordos e novos memorandos para os lucros e
a proteção da UE e da eurozona
3
O povo deve fortalecer as lutas de classe e populares e utilizar as eleições para
enfraquecer o PASOK-ND, os outros partidos da plutocracia e a UE. O KKE tem de
ser fortalecido. Simultaneamente, as organizações populares nos locais de trabalho e
bairros devem agir mais decisivamente. Este é o caminho para bloquear o que estão a
trazer de pior, enquanto a crise na UE e na eurozona se agrava e as contradições
imperialistas se agudizam.
O povo deve agora ter confiança na sua causa justa e força para repelir o pior. Tem de
acabar com ilusões: os apelos ao consenso e coesão sociais, as construções ideológicas
e os dilemas que são patrocinados pelos partidos burgueses.
Uma solução a favor do povo só pode existir com um KKE forte e um povo organizado,
com a aliança popular e o contra-ataque para o poder popular, a socialização dos
monopólios, a retirada do país da UE e a anulação unilateral da dívida.
Atenas
O CC do KKE
3.
NÃO À CHANTAGEM DO POVO ATRAVÉS
DO REFERENDO – ABAIXO O GOVERNO –
ELEIÇÕES JÁ
2011/11/01
O governo fez ontem a mais aberta e descarada chantagem e intimidação ideológica
contra o povo, relativamente ao acordo para a gestão da dívida pública, através do
anúncio de um referendo. Em simultâneo, o governo do PASOK solicitou um voto de
confiança do Parlamento.
O Gabinete de Imprensa do CC do KKE fez a seguinte declaração:
“Abaixo o governo. Eleições já. Não à descarada chantagem e intimidação
ideológica contra o povo. A chantagem não terá sucesso. O anúncio do Primeiroministro
respeitante ao referendo significa que está a ser criado um vasto
mecanismo para coagir o povo, através do qual o governo e a UE vão usar todos os
meios, ameaças e provocações para subjugar a classe operária e as camadas
populares, com vista a arrancar um sim para o novo acordo.
O referendo vai ser efetuado com uma nova lei reacionária, considerando em
conjunto as posições do KKE, da ND e de outros partidos, apesar de serem
diametralmente opostas, enquanto a estratégia do governo é identificada com a
estratégia da ND, LAOS e dos outros seus lacaios. Eleições já. A classe operária e as
camadas populares têm de impô-las e recebê-las com mobilizações de massas em
4
todo o país. Com a sua atividade e o seu voto devem golpear duramente o sistema
político burguês, para abrir o caminho para o derrube da linha política antipopular,
do poder dos monopólios.”
Agora o povo deve intervir mais decisivamente
O KKE chama os trabalhadores, os empregados por conta própria e os jovens da Ática
para uma concentração na Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da
tarde. Apela a uma aliança para que o povo, ele próprio, possa intervir mais
decisivamente na evolução dos acontecimentos.
1 PASOK: partido do governo, dito socialista. [NT]
2 ND: partido de direita, apelidado de ‘Nova Democracia’. [NT]
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: 1. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-03-oxi-sto-dillima/
2. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-1-kinitopoiisi/
3. http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-1-oxi-dimopsifisma
Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2011/11/07
Partido Comunista da Grécia (KKE) – três
notas sobre o referendo e eleições
1.
A CHANTAGEM CONTRA O POVO TEM DE
TER UM EFEITO DE BUMERANGUE
2011/11/03
O anúncio do governo de que pretende efetuar um referendo está no centro dos
desenvolvimentos políticos na Grécia, com a propaganda dominante a ajudar a
plutocracia, que procura fazer com que o povo aceite a sua bancarrota e se submeta às
medidas antipopulares. Além disso, as contradições e as tensões entre os vários
sectores da plutocracia, os partidos burgueses e os governantes intensificaram-se
perante os impasses da gestão burguesa da crise capitalista.
O encontro que ontem teve lugar, à margem da Cimeira do G20, assinalou a escalada
da guerra e das chantagens. Segundo as declarações dos presidentes da França e da
Alemanha após o encontro com o Primeiro-ministro grego, foi discutida a separação
do referendo do novo contrato de empréstimo, enquanto se procurava conseguir que
o referendo assumisse a forma de "quer a Grécia permanecer ou não na eurozona".
Perante estes desenvolvimentos, o KKE tomou a seguinte posição,
através de uma declaração do Gabinete de Imprensa do CC do KKE:
"O dilema euro ou dracma é enganoso para o povo. O interesse do povo é a saída da
UE, com poder e economia populares, o que cancelará unilateralmente toda a
dívida e devolverá ao povo a riqueza que ele produz – e que os monopólios lhe
roubam com a ajuda do PASOK1, da ND2 e dos partidos burgueses – através da
socialização dos meios de produção.
2
Neste exato contexto, o KKE apela à classe operária e às camadas populares a que
digam NÃO ao referendo; a que exijam a queda do governo e eleições, nas quais
darão um duro golpe no apodrecido sistema político burguês votando no KKE.
No caso de haver referendo, o povo deverá participar de uma forma militante e
votar NÃO, o que será um forte NÃO à política da “via única da UE”, ao
memorando, ao programa de médio prazo, ao contrato de empréstimo e uma
exigência de outro caminho de desenvolvimento da sociedade grega. O interesse dos
trabalhadores que não concordam com a posição sobre a saída da UE, mas resistem
às bárbaras medidas antipopulares desta, do governo e da plutocracia, é
compartilhar esta linha de luta.
O KKE apela ao povo trabalhador para não se submeter à chantagem e lutar para
que os dilemas do PASOK, da ND e dos seus sequazes tenham um efeito de
bumerangue. É imperioso o desenvolvimento mais decisivo do movimento popular
em todos os locais de trabalho e bairros, de um movimento que vise o derrube do
poder dos monopólios".
2.
DECLARAÇÃO DO CC DO KKE: AGORA O
POVO DEVE INTERVIR MAIS
DECISIVAMENTE
2011/11/01
Todos à Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da tarde
Aleka Papariga vai discursar
Agora o povo deve intervir mais decisivamente
O KKE chama os trabalhadores, os empregados por conta própria e os jovens da Ática
para uma concentração na Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da
tarde. Apela a uma aliança para que o povo, ele próprio, possa intervir mais
decisivamente na evolução dos acontecimentos. Os dilemas chantagistas e
intimidatórios do governo, dos partidos da plutocracia e da UE têm de fracassar.
Agora tem de se ouvir ainda com ainda mais força:
Abaixo o governo e os partidos da plutocracia
O povo pode impedir e pôr fim aos sacrifícios selvagens que lhe foram
impostos através de novos acordos e novos memorandos para os lucros e
a proteção da UE e da eurozona
3
O povo deve fortalecer as lutas de classe e populares e utilizar as eleições para
enfraquecer o PASOK-ND, os outros partidos da plutocracia e a UE. O KKE tem de
ser fortalecido. Simultaneamente, as organizações populares nos locais de trabalho e
bairros devem agir mais decisivamente. Este é o caminho para bloquear o que estão a
trazer de pior, enquanto a crise na UE e na eurozona se agrava e as contradições
imperialistas se agudizam.
O povo deve agora ter confiança na sua causa justa e força para repelir o pior. Tem de
acabar com ilusões: os apelos ao consenso e coesão sociais, as construções ideológicas
e os dilemas que são patrocinados pelos partidos burgueses.
Uma solução a favor do povo só pode existir com um KKE forte e um povo organizado,
com a aliança popular e o contra-ataque para o poder popular, a socialização dos
monopólios, a retirada do país da UE e a anulação unilateral da dívida.
Atenas
O CC do KKE
3.
NÃO À CHANTAGEM DO POVO ATRAVÉS
DO REFERENDO – ABAIXO O GOVERNO –
ELEIÇÕES JÁ
2011/11/01
O governo fez ontem a mais aberta e descarada chantagem e intimidação ideológica
contra o povo, relativamente ao acordo para a gestão da dívida pública, através do
anúncio de um referendo. Em simultâneo, o governo do PASOK solicitou um voto de
confiança do Parlamento.
O Gabinete de Imprensa do CC do KKE fez a seguinte declaração:
“Abaixo o governo. Eleições já. Não à descarada chantagem e intimidação
ideológica contra o povo. A chantagem não terá sucesso. O anúncio do Primeiroministro
respeitante ao referendo significa que está a ser criado um vasto
mecanismo para coagir o povo, através do qual o governo e a UE vão usar todos os
meios, ameaças e provocações para subjugar a classe operária e as camadas
populares, com vista a arrancar um sim para o novo acordo.
O referendo vai ser efetuado com uma nova lei reacionária, considerando em
conjunto as posições do KKE, da ND e de outros partidos, apesar de serem
diametralmente opostas, enquanto a estratégia do governo é identificada com a
estratégia da ND, LAOS e dos outros seus lacaios. Eleições já. A classe operária e as
camadas populares têm de impô-las e recebê-las com mobilizações de massas em
4
todo o país. Com a sua atividade e o seu voto devem golpear duramente o sistema
político burguês, para abrir o caminho para o derrube da linha política antipopular,
do poder dos monopólios.”
Agora o povo deve intervir mais decisivamente
O KKE chama os trabalhadores, os empregados por conta própria e os jovens da Ática
para uma concentração na Praça Syntagma, sexta-feira, 4 de Novembro, às 6.00 da
tarde. Apela a uma aliança para que o povo, ele próprio, possa intervir mais
decisivamente na evolução dos acontecimentos.
1 PASOK: partido do governo, dito socialista. [NT]
2 ND: partido de direita, apelidado de ‘Nova Democracia’. [NT]
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
147 multinacionais controlam riqueza mundial
Os senhores do planeta
Menos de um por cento das multinacionais controla cerca de 40 por cento da riqueza mundial, segundo revela um recente estudo de investigadores suíços que analisaram as ligações de 43 060 corporações transnacionais.
O estudo, datado de 28 de Julho (disponível em: http://arxiv.org/abs/1107.5728v2), chegou na semana passada à imprensa, através da revista britânica NewScientist. As suas conclusões confirmam a ideia generalizada de que um pequeno grupo de corporações, maioritariamente bancos, controla a vida económica (e, por via desta, política) do planeta. Porém, nunca antes se tinha chegado a apurar o número preciso deste restrito círculo, nem a real dimensão do seu poder.
Três investigadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique (Eidgenössische Technische Hochschule) seleccionaram 43 060 transnacionais, de acordo com a definição da OCDE, utilizando o banco de dados Orbis 2007, onde estão registados cerca de 37 milhões de empresas e investidores.
Dentro daquele grupo identificaram uma complexa rede de participações directas e indirectas. Por exemplo, se a empresa A controla a empresa B e se esta detém participações na empresa C, então a empresa A é igualmente detentora de uma parte da empresa C.
Ao todo, os investigadores, Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, contabilizaram mais de 600 mil participações directas e mais de um milhão de participações indirectas. De seguida descobriram a existência de um núcleo de 1318 poderosas multinacionais que representam directamente 20 por cento dos rendimentos globais.
Todavia, uma análise mais atenta mostrou que cada uma delas tem em média 20 participações em grandes empresas, responsáveis por mais de 60 por cento da riqueza total do planeta. Por outras palavras, o núcleo de 1318 empresas detém colectivamente 60 por cento da economia real mundial.
O clube dos ricos
Por sua vez, dentro deste núcleo, foi identificado um círculo ainda mais restrito de apenas 147 entidades (bancos, seguradoras, fundos de investimento, fundos de pensões, etc.) que domina grande parte das restantes. «Com efeito, menos de um por cento das corporações consegue controlar 40 por cento de toda a rede», declarou Glattfelder à NewScientist.
Além disso, como o estudo revela, estas 147 sociedades transnacionais formam na realidade uma super-entidade económica mundial, já que estão ligadas entre si por uma densa teia de participações mútuas. É verdadeiramente o cúmulo da concentração da riqueza nas mãos de meia dúzia de super magnatas da finança: três quartos do núcleo das 147 são instituições financeiras.
Embora a equipa de investigadores não se tenha debruçado sobre as implicações de tamanha concentração do poder económico, Glattfelder salienta que a tempestade financeira de 2008 mostra como esta rede pode ser instável e perigosa para a humanidade: «Se uma [corporação] sofre dificuldades, isso propaga-se». Certamente que muitas outras questões se colocam no plano político, económico e social, mas uma coisa é certa, falar em concorrência não falseada dentro desta teia oligárquica é no mínimo risível.
A lista das 50
1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
30. Old Mutual Public Limited Company
31. Aviva plc
32. Schroders plc
33. Dodge & Cox
34. Lehman Brothers Holdings Inc*
35. Sun Life Financial Inc
36. Standard Life plc
37. CNCE
38. Nomura Holdings Inc
39. The Depository Trust Company
40. Massachusetts Mutual Life Insurance
41. ING Groep NV
42. Brandes Investment Partners LP
43. Unicredito Italiano SPA
44. Deposit Insurance Corporation of Japan
45. Vereniging Aegon
46. BNP Paribas
47. Affiliated Managers Group Inc
48. Resona Holdings Inc
49. Capital Group International Inc
50. China Petrochemical Group Company
* Os dados são de 2007, incluindo por isso a Lehman, que entretanto faliu.
Menos de um por cento das multinacionais controla cerca de 40 por cento da riqueza mundial, segundo revela um recente estudo de investigadores suíços que analisaram as ligações de 43 060 corporações transnacionais.
O estudo, datado de 28 de Julho (disponível em: http://arxiv.org/abs/1107.5728v2), chegou na semana passada à imprensa, através da revista britânica NewScientist. As suas conclusões confirmam a ideia generalizada de que um pequeno grupo de corporações, maioritariamente bancos, controla a vida económica (e, por via desta, política) do planeta. Porém, nunca antes se tinha chegado a apurar o número preciso deste restrito círculo, nem a real dimensão do seu poder.
Três investigadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique (Eidgenössische Technische Hochschule) seleccionaram 43 060 transnacionais, de acordo com a definição da OCDE, utilizando o banco de dados Orbis 2007, onde estão registados cerca de 37 milhões de empresas e investidores.
Dentro daquele grupo identificaram uma complexa rede de participações directas e indirectas. Por exemplo, se a empresa A controla a empresa B e se esta detém participações na empresa C, então a empresa A é igualmente detentora de uma parte da empresa C.
Ao todo, os investigadores, Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, contabilizaram mais de 600 mil participações directas e mais de um milhão de participações indirectas. De seguida descobriram a existência de um núcleo de 1318 poderosas multinacionais que representam directamente 20 por cento dos rendimentos globais.
Todavia, uma análise mais atenta mostrou que cada uma delas tem em média 20 participações em grandes empresas, responsáveis por mais de 60 por cento da riqueza total do planeta. Por outras palavras, o núcleo de 1318 empresas detém colectivamente 60 por cento da economia real mundial.
O clube dos ricos
Por sua vez, dentro deste núcleo, foi identificado um círculo ainda mais restrito de apenas 147 entidades (bancos, seguradoras, fundos de investimento, fundos de pensões, etc.) que domina grande parte das restantes. «Com efeito, menos de um por cento das corporações consegue controlar 40 por cento de toda a rede», declarou Glattfelder à NewScientist.
Além disso, como o estudo revela, estas 147 sociedades transnacionais formam na realidade uma super-entidade económica mundial, já que estão ligadas entre si por uma densa teia de participações mútuas. É verdadeiramente o cúmulo da concentração da riqueza nas mãos de meia dúzia de super magnatas da finança: três quartos do núcleo das 147 são instituições financeiras.
Embora a equipa de investigadores não se tenha debruçado sobre as implicações de tamanha concentração do poder económico, Glattfelder salienta que a tempestade financeira de 2008 mostra como esta rede pode ser instável e perigosa para a humanidade: «Se uma [corporação] sofre dificuldades, isso propaga-se». Certamente que muitas outras questões se colocam no plano político, económico e social, mas uma coisa é certa, falar em concorrência não falseada dentro desta teia oligárquica é no mínimo risível.
A lista das 50
1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
30. Old Mutual Public Limited Company
31. Aviva plc
32. Schroders plc
33. Dodge & Cox
34. Lehman Brothers Holdings Inc*
35. Sun Life Financial Inc
36. Standard Life plc
37. CNCE
38. Nomura Holdings Inc
39. The Depository Trust Company
40. Massachusetts Mutual Life Insurance
41. ING Groep NV
42. Brandes Investment Partners LP
43. Unicredito Italiano SPA
44. Deposit Insurance Corporation of Japan
45. Vereniging Aegon
46. BNP Paribas
47. Affiliated Managers Group Inc
48. Resona Holdings Inc
49. Capital Group International Inc
50. China Petrochemical Group Company
* Os dados são de 2007, incluindo por isso a Lehman, que entretanto faliu.
A promiscuidade
As verdadeiras reformas de alguns políticos não são as que aparecem nos jornais
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)31 de outubro de 2011
Andamos todos a falar das reformas vitalícias dos políticos. Assunto interessante e simbolicamente revelador da ausência de ética de uma parte (e não de toda) da nossa classe política. Mas, se me é permitido, acho que se falha no ponto. E que esta indignação compreensível pode acabar por servir como cortina de fumo para esconder o que realmente nos devia escandalizar. Não é no que os políticos recebem em reformas - medido em poucos milhares de euros - que encontramos o assalto feito ao Estado e aos seus recursos. É nas políticas que estes políticos impõem ao país. No preço que pagamos por elas. E na recompensa que os decisores recebem por desprezar de forma tão grosseira o interesse público. Aconselho, por isso, a leitura de "Como os políticos enriquecem em Portugal", do jornalista António Sérgio Azenha e prefaciado por Henrique Neto. Pego aqui apenas nos números recolhidos junto do Tribunal Constitucional e reproduzidos neste trabalho de investigação. Deixo para um outro texto a análise mais pormenorizada do envolvimento destes ex-governantes em decisões concretas que podem explicaro interesse do sector privado por eles. Pego em apenas seis exemplos dos 15 analisados. Joaquim Pina Moura ganhava, em 1994, 23 mil euros por ano. Entrou no governo e os seus rendimentos mais do que duplicaram. Natural, as suas responsabilidades também. Mas foi depois de sair da política que mudou de vida. Em 2003, um ano depois de sair do governo, ainda só recebia 172 mil euros por ano. Mas, em 2006, já como presidente da Iberdrola (depois de ter a pasta da economia, onde tomou decisões fundamentais para as empresas de energia), os seus rendimentos anuais eram de 700 mil euros por ano. Em doze anos aumentaram 2956%. Jorge Coelho recebia 41 mil euros por ano, em 1994. Quando ocupou cargos executivos, passou a receber menos do dobro. Saiu em 2001 do governo. No início, a coisa não se sentiu muito. Só mais cinquenta mil euros por ano. Mas, passados uns anos, em 2009, já recebia 710 mil euros por ano, à frente da Mota-Engil. Isto, depois de ter sido ministro do Equipamento Social. O ministério que tratava dos negócios com as construtoras. Em 14 anos, o seu rendimento aumentou 1604%. Armando Vara recebia 59 mil euros por ano em 1994. No governo, aumentou um pouco. Chegou aos cem mil euros em 2000. Saiu do governo e, inicialmente, ficou a perder. Mas só no primeiro ano. Subiu um pouco até 2004. Em 2007, já recebia 240 mil. Em 2009, 520 mil. E em 2010, como administrador do BCP - depois de estar, por nomeação política, na administração do banco do Estado -, 822 mil euros. Em 16 anos, os seus rendimentos aumentaram 1282%. Não se sabe quanto recebia Dias Loureiro antes de ocupar cargos governativos. Não era, na altura, obrigatória essa declaração. Mas sabe-se que estava muito longe de ser um homem abastado.Como ministro recebia, em 1994, 65 mil euros. Em 2001 já recebia 861 mil euros. Os seus rendimentos caíram depois. Já o que custou ao País, como se sabe, mede-se em muitos zeros à direita. Em sete anos, os seus rendimentos aumentaram 1225%. Fernando Gomes recebia, como presidente da Câmara do Porto, 47 mil euros, em 1998. Como ministro, 78 mil euros. Foi em 2009, na GALP, que se deu uma súbita ascensão social: 515 mil euros anuais. E, no ano seguinte, 437 mil. Em 12 anos, o seu rendimento aumentou 975%. António Vitorino recebia, antes de entrar no governo, 36 mil euros. Como ministro, 71 mil. Depois de sair do governo, 371 mil. Rendimentos que, com altos e baixos, foi mantendo: em 2005, recebia 383 mil euros. Em 11 anos, os seus rendimentos aumentaram 962%. Um caso de súbita competência na advocacia. Aumentos desta amplitude só poderiam ser explicados por extraordinários casos de sorte ou por, como políticos, estes senhores terem revelado invulgares capacidades de gestão. Quando se repete um padrão torna-se difícil falar de sorte. Quanto à competência, cada um fará a avaliação que entender da maioria dos ministros que tivemos. Incluindo os casos referidos. E note-se que na maioria dos casos o currículo anterior à entrada num governo não chegaria sequer para ocupar um lugar de quadro intermédio nas empresas que acabam por dirigir. A verdade é esta: em cargos governativos os ministros criam redes de contactos. Muitas delas alimentadas pelas decisões que tomaram e que lhes garantiram a simpatia de futuros empregadores. Fosse o contrário e dificilmente franqueariam as portas dos maiores grupos económicos. Nunca devemos esquecer o caso de Joaquim Ferreira do Amaral que, depois de negociar a ruinosa parceria para a construção e exploração da ponte Vasco da Gama, foi dirigir a empresa concessionária, a Lusoponte. Em 15 anos, aumentou os seus rendimentos anuais em 328%. Ainda assim um número humilde, quando comparado com alguns dos seus colegas. Há casos como os de Armando Vara ou Fernando Gomes, em que é o seu partido a colocá-los diretamente nas empresas, sejam elas privadas, públicas ou com participação do Estado. Há outros em que se dedicam ao puro tráfico de influências. E outros em que recebem a recompensa do dinheiro que fizeram o Estado perder em favor de interesses privados. Os nossos políticos não são nem mais nem menos honestos do que os de outros países. Como sempre, é a ocasião que faz o "ladrão". O problema é estrutural. E ele tem a ver com uma cultura de promiscuidade entre as empresas privadas e o Estado. Que tem dois sentidos. Um Estado permeável a todas as pressões - veja-se o tratamento de exceção fiscal que continua a ser dado à banca - e um sector empresarial pendurado no Estado. Se lermos os contratos das Parcerias Público-Privadas - recomendo mais uma vez a leitura de "Como o Estado gasta o nosso dinheiro", do juíz do Tribunal de Contas Carlos Moreno - e se analisarmos os processos de privatizações (sobretudo a de empresas que detêm monopólios naturais), percebemos como a nossa elite económica mantém a sua tradicional cultura rentista. Nunca quiseram menos Estado. E não é agora que o vão querer. Querem é o Estado fraco, permeável a pressões e anorético para os cidadãos. Em tempo de vacas magras isto vai piorar. Se há menos para distribuir ficarão eles com tudo. Razão pela qual, mais do que estar atento às moralmente escandalosas - mas insignificantes para os valores de que falei neste texto - reformas dos políticos, devemos estar atentos às decisões que eles tomam. E não nos deixarmos perder com o acessório. O dinheiro que perdemos agora não será pago a quem nos rouba em reformas ou mordomias do Estado. Será pago com salários milionários em grupos empresariais privados para quem vende a nossa democracia em troca de carreiras interessantes. Os nomes destas pessoas interessam. Mas interessa mais saber o que torna isto possível.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)31 de outubro de 2011
Andamos todos a falar das reformas vitalícias dos políticos. Assunto interessante e simbolicamente revelador da ausência de ética de uma parte (e não de toda) da nossa classe política. Mas, se me é permitido, acho que se falha no ponto. E que esta indignação compreensível pode acabar por servir como cortina de fumo para esconder o que realmente nos devia escandalizar. Não é no que os políticos recebem em reformas - medido em poucos milhares de euros - que encontramos o assalto feito ao Estado e aos seus recursos. É nas políticas que estes políticos impõem ao país. No preço que pagamos por elas. E na recompensa que os decisores recebem por desprezar de forma tão grosseira o interesse público. Aconselho, por isso, a leitura de "Como os políticos enriquecem em Portugal", do jornalista António Sérgio Azenha e prefaciado por Henrique Neto. Pego aqui apenas nos números recolhidos junto do Tribunal Constitucional e reproduzidos neste trabalho de investigação. Deixo para um outro texto a análise mais pormenorizada do envolvimento destes ex-governantes em decisões concretas que podem explicaro interesse do sector privado por eles. Pego em apenas seis exemplos dos 15 analisados. Joaquim Pina Moura ganhava, em 1994, 23 mil euros por ano. Entrou no governo e os seus rendimentos mais do que duplicaram. Natural, as suas responsabilidades também. Mas foi depois de sair da política que mudou de vida. Em 2003, um ano depois de sair do governo, ainda só recebia 172 mil euros por ano. Mas, em 2006, já como presidente da Iberdrola (depois de ter a pasta da economia, onde tomou decisões fundamentais para as empresas de energia), os seus rendimentos anuais eram de 700 mil euros por ano. Em doze anos aumentaram 2956%. Jorge Coelho recebia 41 mil euros por ano, em 1994. Quando ocupou cargos executivos, passou a receber menos do dobro. Saiu em 2001 do governo. No início, a coisa não se sentiu muito. Só mais cinquenta mil euros por ano. Mas, passados uns anos, em 2009, já recebia 710 mil euros por ano, à frente da Mota-Engil. Isto, depois de ter sido ministro do Equipamento Social. O ministério que tratava dos negócios com as construtoras. Em 14 anos, o seu rendimento aumentou 1604%. Armando Vara recebia 59 mil euros por ano em 1994. No governo, aumentou um pouco. Chegou aos cem mil euros em 2000. Saiu do governo e, inicialmente, ficou a perder. Mas só no primeiro ano. Subiu um pouco até 2004. Em 2007, já recebia 240 mil. Em 2009, 520 mil. E em 2010, como administrador do BCP - depois de estar, por nomeação política, na administração do banco do Estado -, 822 mil euros. Em 16 anos, os seus rendimentos aumentaram 1282%. Não se sabe quanto recebia Dias Loureiro antes de ocupar cargos governativos. Não era, na altura, obrigatória essa declaração. Mas sabe-se que estava muito longe de ser um homem abastado.Como ministro recebia, em 1994, 65 mil euros. Em 2001 já recebia 861 mil euros. Os seus rendimentos caíram depois. Já o que custou ao País, como se sabe, mede-se em muitos zeros à direita. Em sete anos, os seus rendimentos aumentaram 1225%. Fernando Gomes recebia, como presidente da Câmara do Porto, 47 mil euros, em 1998. Como ministro, 78 mil euros. Foi em 2009, na GALP, que se deu uma súbita ascensão social: 515 mil euros anuais. E, no ano seguinte, 437 mil. Em 12 anos, o seu rendimento aumentou 975%. António Vitorino recebia, antes de entrar no governo, 36 mil euros. Como ministro, 71 mil. Depois de sair do governo, 371 mil. Rendimentos que, com altos e baixos, foi mantendo: em 2005, recebia 383 mil euros. Em 11 anos, os seus rendimentos aumentaram 962%. Um caso de súbita competência na advocacia. Aumentos desta amplitude só poderiam ser explicados por extraordinários casos de sorte ou por, como políticos, estes senhores terem revelado invulgares capacidades de gestão. Quando se repete um padrão torna-se difícil falar de sorte. Quanto à competência, cada um fará a avaliação que entender da maioria dos ministros que tivemos. Incluindo os casos referidos. E note-se que na maioria dos casos o currículo anterior à entrada num governo não chegaria sequer para ocupar um lugar de quadro intermédio nas empresas que acabam por dirigir. A verdade é esta: em cargos governativos os ministros criam redes de contactos. Muitas delas alimentadas pelas decisões que tomaram e que lhes garantiram a simpatia de futuros empregadores. Fosse o contrário e dificilmente franqueariam as portas dos maiores grupos económicos. Nunca devemos esquecer o caso de Joaquim Ferreira do Amaral que, depois de negociar a ruinosa parceria para a construção e exploração da ponte Vasco da Gama, foi dirigir a empresa concessionária, a Lusoponte. Em 15 anos, aumentou os seus rendimentos anuais em 328%. Ainda assim um número humilde, quando comparado com alguns dos seus colegas. Há casos como os de Armando Vara ou Fernando Gomes, em que é o seu partido a colocá-los diretamente nas empresas, sejam elas privadas, públicas ou com participação do Estado. Há outros em que se dedicam ao puro tráfico de influências. E outros em que recebem a recompensa do dinheiro que fizeram o Estado perder em favor de interesses privados. Os nossos políticos não são nem mais nem menos honestos do que os de outros países. Como sempre, é a ocasião que faz o "ladrão". O problema é estrutural. E ele tem a ver com uma cultura de promiscuidade entre as empresas privadas e o Estado. Que tem dois sentidos. Um Estado permeável a todas as pressões - veja-se o tratamento de exceção fiscal que continua a ser dado à banca - e um sector empresarial pendurado no Estado. Se lermos os contratos das Parcerias Público-Privadas - recomendo mais uma vez a leitura de "Como o Estado gasta o nosso dinheiro", do juíz do Tribunal de Contas Carlos Moreno - e se analisarmos os processos de privatizações (sobretudo a de empresas que detêm monopólios naturais), percebemos como a nossa elite económica mantém a sua tradicional cultura rentista. Nunca quiseram menos Estado. E não é agora que o vão querer. Querem é o Estado fraco, permeável a pressões e anorético para os cidadãos. Em tempo de vacas magras isto vai piorar. Se há menos para distribuir ficarão eles com tudo. Razão pela qual, mais do que estar atento às moralmente escandalosas - mas insignificantes para os valores de que falei neste texto - reformas dos políticos, devemos estar atentos às decisões que eles tomam. E não nos deixarmos perder com o acessório. O dinheiro que perdemos agora não será pago a quem nos rouba em reformas ou mordomias do Estado. Será pago com salários milionários em grupos empresariais privados para quem vende a nossa democracia em troca de carreiras interessantes. Os nomes destas pessoas interessam. Mas interessa mais saber o que torna isto possível.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Os provocadores
1
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-10-21-murderous-attack-info
Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2011/10/31
Artigo da Secção de Relações
Internacionais do CC do KKE1 sobre as
posições dos média no criminoso ataque
à grande manifestação da PAME2
2011/10/21
O movimento operário e popular tem a força necessária para enfrentar
os mecanismos provocadores do sistema burguês.
O criminoso ataque desencadeado por grupos anarco-fascistas contra a grandiosa
concentração organizada pelos Sindicatos de classe, unidos na Frente Militante de
Todos os Trabalhadores (PAME), opondo-se às novas medidas antipopulares do
governo, foi notícia à escala global. Contudo, houve muitas tentativas dos média
burgueses para distorcer os factos.
Com efeito, nesse esforço usaram como argumentos invenções e mentiras
provenientes das forças oportunistas e dos sítios trotskystas na Internet.
Como é sabido, em 19-20 de outubro, centenas de milhares de trabalhadores
participaram na grande mobilização de luta, na qual os Sindicatos de classe da PAME
assumiram a liderança, em conjunto com outras forças da aliança social (MAS3,
PASEVE4, PASY5, OGE6). O sucesso do 1.º dia de greve e a massiva manifestação na
praça central de Atenas, frente ao Parlamento, onde a PAME era predominante,
enviou uma forte mensagem ao governo, à UE, ao capital: Nenhum sacrifício pela
plutocracia! Os trabalhadores não são responsáveis pela crise capitalista! A luta pelos
objetivos ligados às necessidades atuais, em rutura com o sistema capitalista e pela
concentração de forças para o poder e a economia populares!
Os incidentes forjados, o “jogo do gato e do rato” com a polícia de choque, os danos
nas lojas e edifícios, organizados por pequenos grupos provocadores, não
conseguiram apagar a mensagem da gigantesca manifestação popular da PAME.
Alguns média internacionais, numa tentativa de enganar os trabalhadores dos seus
países, falaram de um ataque e de uma tentativa de os manifestantes ocuparem o
parlamento. Algo que, obviamente, não tinha qualquer relação com a realidade.
2
No 2.º dia, as forças do capital procuraram suprimir a forte mensagem política dos
trabalhadores. A PAME anunciou o cerco ao Parlamento durante o tempo em que as
medidas antitrabalhadores estivessem a ser discutidas e votadas artigo a artigo, em
votação nominal, a pedido do KKE. Por esta razão, eles mobilizaram e lançaram, de
forma planeada, grupos organizados com instruções específicas e anarco-fascistas
que, com cocktails Molotov, pedras e outras armas que são usadas pela polícia –
como gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento – tentaram dispersar a
majestosa concentração de trabalhadores e povo na Sintagma e, especialmente, a
parte onde a PAME estava concentrada. O assalto ocorreu nas extremidades da
manifestação e teve como resultado ferimentos em 80 manifestantes e a morte de um
sindicalista, trabalhador da construção, Dimitris Kotzaridis, todos da PAME.
Todavia, o seu objetivo, que era o de dispersar a concentração da PAME e intimidar e
suprimir o contra-ataque da torrente operária e popular que saiu à rua para a greve
geral de 48 horas, falhou! As forças de proteção da concentração repeliram com
sucesso o criminoso assalto!
Fotografias mostram:
. Os encapuçados, os mecanismos criados pelo sistema burguês contra o movimento
operário e popular, a tentar dispersar a enorme manifestação.
. O falecido Dimitris Kotzaridis, trabalhador da construção civil, sindicalista da
PAME. A sufocante atmosfera causada pelo uso de bombas de fumo e extintores de
fogo pelos provocadores contra os manifestantes teve como resultado a trágica
morte de Dimitris Kotzaridis. O manifestante sentiu tonturas e desmaiou. Os seus
camaradas prestaram-lhe assistência e realizaram os primeiros socorros e levaramno
para fora da Praça Sintagma. “A asfixia pelo gás lacrimogéneo pode ter levado à
insuficiência respiratória e constituído a causa da morte” – denunciou aos média
Ilias Sioras, cardiologista e Presidente do sindicato dos trabalhadores do hospital
“Evanggelismos”; “os resultados finais serão apresentados pela investigação dos
médicos legistas”, concluiu Ilias Sioras.
. O ataque dos provocadores contra as equipas de proteção da PAME.
. Manifestante da PAME ferido com pedras. Pelo menos 80 manifestantes foram
feridos, principalmente com pedras e mármore partido, que os provocadores
atiraram à multidão de manifestantes.
. Equipa de proteção da PAME a repelir o assalto dos mecanismos provocadores.
. A cabeça da manifestação da PAME. Proteção sólida em toda a parte.
. A imagem da manifestação da PAME, depois do criminoso ataque dos provocadores.
. As forças da PAME deslocaram-se de Sintagma para Omonoia. Uma imagem do
momento da notícia da morte do sindicalista da PAME, quando se observou um
minuto de silêncio.
Certos média burgueses internacionais procuraram apresentar os incidentes
supramencionados como um conflito entre duas correntes político-ideológicas dentro
3
do movimento popular. Esta abordagem nada tem a ver com a realidade, pois na
Grécia é do conhecimento geral que estes grupos que aparecem sob a capa do preto,
do capuz - “anarquismo” -, são organizados e compostos pelas forças do sistema
burguês e incluem tudo, desde hooligans organizados de clubes de futebol, até
capangas de clubes noturnos, membros de organizações neonazis e forças e serviços
de segurança.
Há uma quantidade evidências no passado recente (fotografias e vídeos) que
mostram as relações destes grupos com os mecanismos do sistema. São grupos
criminosos que servem o sistema burguês e não têm qualquer relação com o
movimento popular. São lançados pelo próprio sistema para organizar provocações
(como o incêndio do banco em 5/5/2010, onde morreram três empregados) e
fornecem um pretexto às forças de segurança para usarem os equipamentos que
possuem, a fim de dispersar as manifestações populares de massas.
Ainda mais perigoso e sujo é a calúnia de que a PAME protegia o parlamento dos
manifestantes, uma alegação reproduzida pelos meios de comunicação burgueses e
oportunistas – nacionais e internacionais. Esta suja alegação procura apresentar a
PAME como um suporte do sistema burguês e o KKE como uma “força sistémica”,
como um partido do sistema burguês. Ela emana daquelas forças que louvam o
movimento “espontâneo” e o apresentam como oposição ao organizado movimento
operário de classe. São eles que, enganosamente, identificam a revolução e o
levantamento popular com a queima de caixotes do lixo e a quebra de vitrinas das
lojas e não com a luta política organizada do movimento operário, que tem raízes nas
fábricas, nos locais de trabalho, nos bairros populares e disputará o poder burguês,
levando a um conflito com as organizações imperialistas da NATO e da UE, para o
estabelecimento do poder popular. O KKE e a PAME não necessitam de quaisquer
“credenciais” comprovativas da sua militância, como as que os órgãos de
comunicação burgueses entregam aos provocadores encapuçados e aos grupos
anarco-fascistas. A nossa história e atividade têm o reconhecimento de centenas de
milhares de trabalhadores que participaram nas manifestações populares, de milhões
de trabalhadores que apreciam a consistente e inabalável luta do nosso partido, a
firmeza dos seus objetivos para a derrota da barbárie capitalista e a militância dos
seus membros e quadros nos locais onde trabalham e vivem. Esta calúnia de que a
PAME, alegadamente, “protegeu o parlamento burguês dos rebeldes” nada tem a ver
com a realidade e, além disso, procura esconder a verdade, nomeadamente o facto de
que a PAME conseguiu, graças à sua forte vigilância, defender a manifestação e
impedir os planos para a sua dispersão.
Como dizemos na Grécia “as mentiras têm as pernas curtas”... Na manhã de sextafeira,
centenas de membros e quadros do KKE e numerosas forças do movimento de
classe visitaram muitos locais de trabalho, informando os trabalhadores e preparando
novas mobilizações.
Este trabalho político de massas entre o povo, que continuará diariamente, constitui
uma resposta decisiva aos vários tipos de anarco-fascistas, aos informadores policiais,
ao estado burguês, ao governo e partidos do capital e às formações oportunistas.
4
1 Comité Central do Partido Comunista da Grécia – KKE é a sigla do nome do Partido em grego. [NT]
2 Sigla em grego de “Frente Militante de Todos os Trabalhadores”. [NT]
3 Sigla em grego de “Frente Militante de Todos os Estudantes”. [NT]
4 Sigla em grego de “Movimento Antimonopolista de Trabalhadores Autónomos e Pequenos
Comerciantes”. [NT]
5 Sigla em grego de “Movimento Militante de Todos os Camponeses”. [NT]
6 Sigla em grego de “Federação das Mulheres Gregas”. [NT]
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-10-21-murderous-attack-info
Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2011/10/31
Artigo da Secção de Relações
Internacionais do CC do KKE1 sobre as
posições dos média no criminoso ataque
à grande manifestação da PAME2
2011/10/21
O movimento operário e popular tem a força necessária para enfrentar
os mecanismos provocadores do sistema burguês.
O criminoso ataque desencadeado por grupos anarco-fascistas contra a grandiosa
concentração organizada pelos Sindicatos de classe, unidos na Frente Militante de
Todos os Trabalhadores (PAME), opondo-se às novas medidas antipopulares do
governo, foi notícia à escala global. Contudo, houve muitas tentativas dos média
burgueses para distorcer os factos.
Com efeito, nesse esforço usaram como argumentos invenções e mentiras
provenientes das forças oportunistas e dos sítios trotskystas na Internet.
Como é sabido, em 19-20 de outubro, centenas de milhares de trabalhadores
participaram na grande mobilização de luta, na qual os Sindicatos de classe da PAME
assumiram a liderança, em conjunto com outras forças da aliança social (MAS3,
PASEVE4, PASY5, OGE6). O sucesso do 1.º dia de greve e a massiva manifestação na
praça central de Atenas, frente ao Parlamento, onde a PAME era predominante,
enviou uma forte mensagem ao governo, à UE, ao capital: Nenhum sacrifício pela
plutocracia! Os trabalhadores não são responsáveis pela crise capitalista! A luta pelos
objetivos ligados às necessidades atuais, em rutura com o sistema capitalista e pela
concentração de forças para o poder e a economia populares!
Os incidentes forjados, o “jogo do gato e do rato” com a polícia de choque, os danos
nas lojas e edifícios, organizados por pequenos grupos provocadores, não
conseguiram apagar a mensagem da gigantesca manifestação popular da PAME.
Alguns média internacionais, numa tentativa de enganar os trabalhadores dos seus
países, falaram de um ataque e de uma tentativa de os manifestantes ocuparem o
parlamento. Algo que, obviamente, não tinha qualquer relação com a realidade.
2
No 2.º dia, as forças do capital procuraram suprimir a forte mensagem política dos
trabalhadores. A PAME anunciou o cerco ao Parlamento durante o tempo em que as
medidas antitrabalhadores estivessem a ser discutidas e votadas artigo a artigo, em
votação nominal, a pedido do KKE. Por esta razão, eles mobilizaram e lançaram, de
forma planeada, grupos organizados com instruções específicas e anarco-fascistas
que, com cocktails Molotov, pedras e outras armas que são usadas pela polícia –
como gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento – tentaram dispersar a
majestosa concentração de trabalhadores e povo na Sintagma e, especialmente, a
parte onde a PAME estava concentrada. O assalto ocorreu nas extremidades da
manifestação e teve como resultado ferimentos em 80 manifestantes e a morte de um
sindicalista, trabalhador da construção, Dimitris Kotzaridis, todos da PAME.
Todavia, o seu objetivo, que era o de dispersar a concentração da PAME e intimidar e
suprimir o contra-ataque da torrente operária e popular que saiu à rua para a greve
geral de 48 horas, falhou! As forças de proteção da concentração repeliram com
sucesso o criminoso assalto!
Fotografias mostram:
. Os encapuçados, os mecanismos criados pelo sistema burguês contra o movimento
operário e popular, a tentar dispersar a enorme manifestação.
. O falecido Dimitris Kotzaridis, trabalhador da construção civil, sindicalista da
PAME. A sufocante atmosfera causada pelo uso de bombas de fumo e extintores de
fogo pelos provocadores contra os manifestantes teve como resultado a trágica
morte de Dimitris Kotzaridis. O manifestante sentiu tonturas e desmaiou. Os seus
camaradas prestaram-lhe assistência e realizaram os primeiros socorros e levaramno
para fora da Praça Sintagma. “A asfixia pelo gás lacrimogéneo pode ter levado à
insuficiência respiratória e constituído a causa da morte” – denunciou aos média
Ilias Sioras, cardiologista e Presidente do sindicato dos trabalhadores do hospital
“Evanggelismos”; “os resultados finais serão apresentados pela investigação dos
médicos legistas”, concluiu Ilias Sioras.
. O ataque dos provocadores contra as equipas de proteção da PAME.
. Manifestante da PAME ferido com pedras. Pelo menos 80 manifestantes foram
feridos, principalmente com pedras e mármore partido, que os provocadores
atiraram à multidão de manifestantes.
. Equipa de proteção da PAME a repelir o assalto dos mecanismos provocadores.
. A cabeça da manifestação da PAME. Proteção sólida em toda a parte.
. A imagem da manifestação da PAME, depois do criminoso ataque dos provocadores.
. As forças da PAME deslocaram-se de Sintagma para Omonoia. Uma imagem do
momento da notícia da morte do sindicalista da PAME, quando se observou um
minuto de silêncio.
Certos média burgueses internacionais procuraram apresentar os incidentes
supramencionados como um conflito entre duas correntes político-ideológicas dentro
3
do movimento popular. Esta abordagem nada tem a ver com a realidade, pois na
Grécia é do conhecimento geral que estes grupos que aparecem sob a capa do preto,
do capuz - “anarquismo” -, são organizados e compostos pelas forças do sistema
burguês e incluem tudo, desde hooligans organizados de clubes de futebol, até
capangas de clubes noturnos, membros de organizações neonazis e forças e serviços
de segurança.
Há uma quantidade evidências no passado recente (fotografias e vídeos) que
mostram as relações destes grupos com os mecanismos do sistema. São grupos
criminosos que servem o sistema burguês e não têm qualquer relação com o
movimento popular. São lançados pelo próprio sistema para organizar provocações
(como o incêndio do banco em 5/5/2010, onde morreram três empregados) e
fornecem um pretexto às forças de segurança para usarem os equipamentos que
possuem, a fim de dispersar as manifestações populares de massas.
Ainda mais perigoso e sujo é a calúnia de que a PAME protegia o parlamento dos
manifestantes, uma alegação reproduzida pelos meios de comunicação burgueses e
oportunistas – nacionais e internacionais. Esta suja alegação procura apresentar a
PAME como um suporte do sistema burguês e o KKE como uma “força sistémica”,
como um partido do sistema burguês. Ela emana daquelas forças que louvam o
movimento “espontâneo” e o apresentam como oposição ao organizado movimento
operário de classe. São eles que, enganosamente, identificam a revolução e o
levantamento popular com a queima de caixotes do lixo e a quebra de vitrinas das
lojas e não com a luta política organizada do movimento operário, que tem raízes nas
fábricas, nos locais de trabalho, nos bairros populares e disputará o poder burguês,
levando a um conflito com as organizações imperialistas da NATO e da UE, para o
estabelecimento do poder popular. O KKE e a PAME não necessitam de quaisquer
“credenciais” comprovativas da sua militância, como as que os órgãos de
comunicação burgueses entregam aos provocadores encapuçados e aos grupos
anarco-fascistas. A nossa história e atividade têm o reconhecimento de centenas de
milhares de trabalhadores que participaram nas manifestações populares, de milhões
de trabalhadores que apreciam a consistente e inabalável luta do nosso partido, a
firmeza dos seus objetivos para a derrota da barbárie capitalista e a militância dos
seus membros e quadros nos locais onde trabalham e vivem. Esta calúnia de que a
PAME, alegadamente, “protegeu o parlamento burguês dos rebeldes” nada tem a ver
com a realidade e, além disso, procura esconder a verdade, nomeadamente o facto de
que a PAME conseguiu, graças à sua forte vigilância, defender a manifestação e
impedir os planos para a sua dispersão.
Como dizemos na Grécia “as mentiras têm as pernas curtas”... Na manhã de sextafeira,
centenas de membros e quadros do KKE e numerosas forças do movimento de
classe visitaram muitos locais de trabalho, informando os trabalhadores e preparando
novas mobilizações.
Este trabalho político de massas entre o povo, que continuará diariamente, constitui
uma resposta decisiva aos vários tipos de anarco-fascistas, aos informadores policiais,
ao estado burguês, ao governo e partidos do capital e às formações oportunistas.
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1 Comité Central do Partido Comunista da Grécia – KKE é a sigla do nome do Partido em grego. [NT]
2 Sigla em grego de “Frente Militante de Todos os Trabalhadores”. [NT]
3 Sigla em grego de “Frente Militante de Todos os Estudantes”. [NT]
4 Sigla em grego de “Movimento Antimonopolista de Trabalhadores Autónomos e Pequenos
Comerciantes”. [NT]
5 Sigla em grego de “Movimento Militante de Todos os Camponeses”. [NT]
6 Sigla em grego de “Federação das Mulheres Gregas”. [NT]
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