“A sociedade não existe, só mercado!
António Quinet
A nossa salvação está na produção. Somos impelidos a produzir cada vez mais e mais depressa, aumentar as cadências, fomentar as demências, galopar sem sentido. Aprofundamos os pilares da nossa felicidade no ter cada vez mais e mais. E para fazer face a necessidades artificiais, cada vez mais somos atrelados à competitividade que impõe salários sempre mais baixos, exigindo ritmos de escravatura que se supunha não mais voltarem.
E o nível de vida desce mais e mais e a concentração do capital cresce sem limites mais e mais, sempre mais. O excesso de produção atafulha o planeta com bricabraque que nada tem a ver com as necessidades da quase totalidade dos que vão vegetando e perecendo, por lhes negarem os mais elementares meios de sobrevivência. E a bulimia dos poderosos, essa fome devoradora que tudo abocanha, exige mais, mais e mais fome e sacrifícios a quem trabalha.
Era a “sociedade de consumo” diziam eles, onde a suprema felicidade residia no consumir desenfreadamente sempre mais, mais e mais. Uma sociedade autofágica, imposta pelos ideólogos do neoliberalismo.
Agora andam mais poupadinhos.
Raro é o dia em que os analistas que, até então tonitruantes, nos empurravam para o consumo vêm, pezinhos de lã, segredar-nos ao ouvido “Queiram poupar! A gestão de dinheiro pressupõe 80% de motivação e 20% de método e técnicas. Boas poupanças!” Esses analistas, imberbes, de lição bem encaixilhada já têm fórmulas, percentagens, métodos para ensinar aos pobrezinhos como poupar mais! Vejam bem onde chegou a farsa ou ignorância ou desplante ou velhacaria.
Uns rapazotes bem instalados na sociedade, surgem nos jornais e na TV a instruir os que, durante toda a vida, por nada terem se doutoraram na arte de não gastar.
A dona Alice, com pensão de sobrevivência, tem ouvido os recados e não só ficou agradecida como também muito sensibilizada.
O senhor Manuel, desempregado, com uma casa de família a sustentar, como não poderia deixar de ser, foi também muito receptivo.
A editora do Notícias Magazine ‘nm’ ultrapassa toda a desfaçatez sugerindo atitudes e entretenimentos para ajudar a suportar a crise. Confessa não saber como dar a volta à crise, mas aconselha a que as dificuldades não dêem cabo da nossa alegria. Estão mesmo a ver alguém com a casa por pagar, sem possibilidade de fazer face às mais elementares necessidades, à procura de trabalho com a alegria de quem vai para a festa. Sugere, pois, que “temos de saber rir quando achamos que só temos razões para chorar e que devemos aproveitar para jogar à bola com os filhos, naquele jardim mesmo em frente à casa ou aproveitar para aprender a andar de bicicleta”.
É evidente que esta gentalha é paga para encher páginas de insultos sem respeito pelos que sofrem, demonstrando não possuir um mínimo de sensibilidade.
Não lhes podemos pedir mais, muito menos que esclareçam o porquê desta hecatombe.
Cid Simões, aspalavrassaoarmas.blogspot.com
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-11-pame
Tradução do inglês de TAM
Colocado em linha em: 2011/11/21
A primeira resposta do povo ao
novo governo
Partido Comunista da Grécia (KKE)
11/11/2011
Os líderes do social-democrata PASOK, da direitista ND e do nacionalista LAOS,
exprimindo as intenções estratégicas do capital nacional e da UE, procederam à
formação de uma nova coligação governamental que, em benefício da
plutocracia, vai tentar fazer avançar ainda mais a ofensiva contra os
trabalhadores e o povo.
A cooperação política destes três partidos, com o apoio de outros partidos
burgueses, como o DHSY, de centro-direita, o DHMAR, de centro esquerda, dos
ecologistas e outros, resultou na criação de um governo de coligação, com a
indigitação do banqueiro L. Papademus como Primeiro-ministro.
O gabinete de imprensa do CC do KKE afirmou num comentário acerca do
acordo PASOK-ND-LAOS: “ O PASOK, a ND e Karatzaferis colocaram à frente
do seu governo de coligação o banqueiro L. Papademus; este é o desejo da
plutocracia grega e da UE. O povo deve contrapor a sua própria aliança
trabalhadores-povo contra esta aliança negra para os impedir e derrubar”.
A primeira resposta ao governo antipopular foi dada pela PAME1 com grandes
comícios em Atenas e outras cidades na noite de 10 de novembro.
A manifestação de Atenas realizou-se na praça central Omonoia. Giorgos
Sifonios, presidente do sindicato na “Aço Grego” abriu o comício e transmitiu
aos manifestantes as saudações revolucionárias dos 400 grevistas da empresa,
que estão parados desde o dia 31 de outubro com sucessivas greves de 24 horas,
em luta pela reintegração de 34 colegas despedidos.
Como representante da PAME, Savvas Tsimpoglou salienta que o movimento
sindical de classe é contra a chamada coesão social. Rejeita a conciliação de
classes. Com mobilizações grevistas e manifestações abrir-se-á um novo rumo
2
em frentes de luta que se devem desenvolver para lutar pela solução dos
problemas do povo.
Seguiu-se uma boa manifestação em direção ao Parlamento.
A Secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, que participou na
manifestação, fez a seguinte declaração à Comunicação Social:
“Não podemos perder um único dia. Antes que o governo se reorganize, antes
que tome as primeiras medidas, deve sentir a oposição do povo a essas
medidas. Há problemas particulares imediatos, como por exemplo a abolição
dos pesados impostos, problemas imediatos relacionados com a fiscalidade, a
taxa “solidária”, o aumento do IVA, os conselhos escolares que não têm
dinheiro, as residências de estudantes que vão fechar amanhã porque não há
dinheiro em lado nenhum para que as universidades as possam financiar.
Por conseguinte, os problemas são imediatos e deve-se dinamizar as lutas em
toda a parte. A imediata e, obviamente, simultânea, intensificação das
reivindicações, que levem ao grande contra-ataque do povo – porque, como o
Sr. Papademus disse, tudo é fiscal. Sabem o que quer dizer “fiscal”? Quer dizer
acabar com as verbas para a educação, a saúde, tudo. Com o pretexto de não
perder salários, pensões e o 6.º pagamento, vão cortar-nos tudo ao tiraremnos
o 6.º pagamento, o 7.º pagamento e com o novo memorando”.
1 PAME: sigla, em grego, de Frente Militante de Todos os Trabalhadores, central sindical de
classe da Grécia. [NT]
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-11-pame
Tradução do inglês de TAM
Colocado em linha em: 2011/11/21
A primeira resposta do povo ao
novo governo
Partido Comunista da Grécia (KKE)
11/11/2011
Os líderes do social-democrata PASOK, da direitista ND e do nacionalista LAOS,
exprimindo as intenções estratégicas do capital nacional e da UE, procederam à
formação de uma nova coligação governamental que, em benefício da
plutocracia, vai tentar fazer avançar ainda mais a ofensiva contra os
trabalhadores e o povo.
A cooperação política destes três partidos, com o apoio de outros partidos
burgueses, como o DHSY, de centro-direita, o DHMAR, de centro esquerda, dos
ecologistas e outros, resultou na criação de um governo de coligação, com a
indigitação do banqueiro L. Papademus como Primeiro-ministro.
O gabinete de imprensa do CC do KKE afirmou num comentário acerca do
acordo PASOK-ND-LAOS: “ O PASOK, a ND e Karatzaferis colocaram à frente
do seu governo de coligação o banqueiro L. Papademus; este é o desejo da
plutocracia grega e da UE. O povo deve contrapor a sua própria aliança
trabalhadores-povo contra esta aliança negra para os impedir e derrubar”.
A primeira resposta ao governo antipopular foi dada pela PAME1 com grandes
comícios em Atenas e outras cidades na noite de 10 de novembro.
A manifestação de Atenas realizou-se na praça central Omonoia. Giorgos
Sifonios, presidente do sindicato na “Aço Grego” abriu o comício e transmitiu
aos manifestantes as saudações revolucionárias dos 400 grevistas da empresa,
que estão parados desde o dia 31 de outubro com sucessivas greves de 24 horas,
em luta pela reintegração de 34 colegas despedidos.
Como representante da PAME, Savvas Tsimpoglou salienta que o movimento
sindical de classe é contra a chamada coesão social. Rejeita a conciliação de
classes. Com mobilizações grevistas e manifestações abrir-se-á um novo rumo
2
em frentes de luta que se devem desenvolver para lutar pela solução dos
problemas do povo.
Seguiu-se uma boa manifestação em direção ao Parlamento.
A Secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, que participou na
manifestação, fez a seguinte declaração à Comunicação Social:
“Não podemos perder um único dia. Antes que o governo se reorganize, antes
que tome as primeiras medidas, deve sentir a oposição do povo a essas
medidas. Há problemas particulares imediatos, como por exemplo a abolição
dos pesados impostos, problemas imediatos relacionados com a fiscalidade, a
taxa “solidária”, o aumento do IVA, os conselhos escolares que não têm
dinheiro, as residências de estudantes que vão fechar amanhã porque não há
dinheiro em lado nenhum para que as universidades as possam financiar.
Por conseguinte, os problemas são imediatos e deve-se dinamizar as lutas em
toda a parte. A imediata e, obviamente, simultânea, intensificação das
reivindicações, que levem ao grande contra-ataque do povo – porque, como o
Sr. Papademus disse, tudo é fiscal. Sabem o que quer dizer “fiscal”? Quer dizer
acabar com as verbas para a educação, a saúde, tudo. Com o pretexto de não
perder salários, pensões e o 6.º pagamento, vão cortar-nos tudo ao tiraremnos
o 6.º pagamento, o 7.º pagamento e com o novo memorando”.
1 PAME: sigla, em grego, de Frente Militante de Todos os Trabalhadores, central sindical de
classe da Grécia. [NT]
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Mikis Theodorakis
Se os povos da Europa não se levantarem,
os bancos trarão o fascismo de volta
por Mikis Theodorakis
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
07/Novembro/2011
A versão em francês encontra-se em www.centpapiers.com/... e em http://www.silviacattori.net/article2301.html
Tradução de Margarida Ferreira.
Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .
os bancos trarão o fascismo de volta
por Mikis Theodorakis
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
07/Novembro/2011
A versão em francês encontra-se em www.centpapiers.com/... e em http://www.silviacattori.net/article2301.html
Tradução de Margarida Ferreira.
Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A crise na eurozona
- O continente está a destruir os fracos para proteger os fortes. Mas será suficiente?
por James K. Galbraith [*]
A crise na eurozona é uma crise bancária pretendendo ser uma série de crises de dívida nacional e complicada por ideias económicas reaccionárias, uma arquitectura financeira defeituosa e um ambiente político tóxico, especialmente na Alemanha, na França, na Itália e na Grécia.
Tal como a nossa, a crise bancária europeia é o produto da excessiva concessão de empréstimos a tomadores fracos, incluindo o crédito para habitação na Espanha, o comercial imobiliário na Irlanda e o sector público (parcialmente para infraestrutura) na Grécia. Os bancos europeus alavancaram-se para comprar hipotecas tóxicas americanas e quando estas entraram em colapso eles começaram a despejar seus fracos títulos soberanos para comprar outros fortes, conduzindo para cima os rendimentos e finalmente forçando toda a periferia europeia para dentro da crise. A Grécia foi simplesmente o primeiro dominó na linha.
Em tais crise, a primeira defesa dos bancos é mostrar surpresa – "ninguém podia ter sabido! – e culpar seus clientes por imprudência e trapaça. Isto é verdade mas obscurece o facto de que os banqueiros pressionaram os empréstimos muito arduamente enquanto as taxas eram gordas. A defesa funciona melhor na Europa do que nos EUA porque fronteiras nacionais separam credores de devedores, obrigando os líderes políticos na Alemanha e França aos seus banqueiros e promovendo uma narrativa de racismo nacional ("gregos preguiçosos", "italianos irresponsáveis") cujo equivalente na América pós direitos civis foi em grande parte suprimido.
Subjacente ao poder do banqueiro na Europa Credora está uma sensibilidade calvinista que transformou excedentes num símbolo de virtude e défices numa marca de vício, enquanto fetichizava a desregulamentação, privatização e ajustamento conduzido pelo mercado. Os europeus do Norte esqueceram que integração económica sempre concentra a indústria (e mesmo a agricultura) nas regiões mais ricas.
Quando este processo se desdobra os alemães colhem as rendas e instruem os recém endividados clientes a cortarem salários, liquidarem activos e abandonarem suas pensões, escolas, universidades e cuidados de saúde – muitos dos quais eram de segunda classe. Recentemente as instruções tornaram-se ordens, entregues pelo FMI e pelo BCE, demonstrando aos novos peões da dívida europeus que eles já não vivem em estados democráticos.
A vantagem estado-unidense
A arquitectura da eurozona torna as coisas piores sob dois aspectos. Se bem que a UE tenha pago alguma compensação às suas regiões mais pobres, estes fundos estruturais nunca foram adequados e agora estão bloqueados por incumpríveis exigências de co-pagmento. E falta à zona canais de redistribuição inter-regional para famílias que os EUA desenvolveram com a Segurança Social, Medicare, Medicaid, folhas de pagamento do governo federal e contratação de militares dentre outras coisas. Nem tão pouco os aposentados alemães assentam na Grécia ou em Portugal em grandes números como fazem os nova-iorquinos na Florida ou os de Michigan no Texas.
Em segundo lugar, o BCE recusa-se a resolver a crise de repente, o que poderia fazer através da compra de títulos de países fracos e refinanciá-los. O argumento contra isto é chamado "risco moral" ("moral hazard"), reforçado por velhos temores de inflação, mas a questão real é que fazer isso admitiria perda de controle por parte dos credores sobre o banco central. Acções paralelas àquelas tomadas pelo Federal Reserva – nacionalizar todo o mercado de papel comercial, por exemplo – afastaria o BCE, muito embora ele compre títulos soberanos quando tem de fazê-lo. Assim, ao contrário, a zona avançou na criação de um gigantesco CDO tóxico chamado European Financial Stability Fund (EFSF), o qual pode a breve trecho ser transformado num ainda mais gigantesco CDS tóxico (como a AIG, eles chamavam a isto "seguro"). Isto pode adiar o pânico no máximo por uns poucos momentos.
Soluções técnicas existem. A mais desenvolvida delas é a "Modest Proposal" de Yanis Varoufakis e Stuart Holland, amplamente apoiada pelos líderes políticos mais velhos na Europa. Ela seria 1) converter os primeiros 60 por cento do PIB da dívida de todo país da eurozona num título europeu comum, emitido pelo BCE; 2) recapitalizar e europeizar o sistema bancário, rompendo o colete de força que amarra bancos nacionais a políticos nacionais; e 3) financiar um programa de projectos de investimento como o New Deal através do Banco Europeu de Investimentos.
Propostas variantes incluem o apelo de Kunibert Raffer a um regime de insolvência soberana modelado no estatuto de bancarrota municipal dos EUA, a proposta de Thomas Palley de um novo "governo banqueiro" e a proposta de Jan Toporowski de um imposto sobre balanços dos bancos para retirar excesso de dívida pública.
Estas são as melhores ideias e nenhuma delas acontecerá. As classes políticas da Europa nestes dias existem numa morsa forjada por banqueiros desesperados e eleitores raivosos, não menos na Alemanha e França do que na Grécia ou Itália. O discurso é impermeável a ideias novas e a sobrevivência política depende de chutar latas estrada abaixo de modo a que o facto de isto ser uma crise bancária não tenha de ser enfrentado. O destino dos fracos é na melhor das hipóteses secundário. Portanto, toda reunião de ministros das Finanças e primeiros-ministros proporciona meias medidas traidoras e evasões legais.
O exemplo mais recente foi a lógica em trança (pretzel-logic) que declarou um haircut de 50 por cento sobre a dívida grega ser "voluntário" de modo a que não disparasse cláusulas de incumprimento sobre os CDS a que alguns bancos americanos, em particular, possam estar expostos. Quando Timothy Geithner no mês passado advertiu os europeus de "catástrofe" potencial alguém pode razoavelmente inferir que ele tinha este risco em mente – e não é o efeito menor sobre o nosso já desastroso quadro de empregos. Mas naturalmente se o haircut pode ser declarado voluntário, então os CDS não valem o espaço de armazenagem que ocupam nos computadores dos banqueiros e mais uma escora no mercado cada vez mais fracos de dívidas soberanas cai para o chão.
A fragilidade política também explica a fúria em França e na Alemanha quando George Papandreu [o homem mais calmo da Europa, a propósito, que nasceu e foi criado no Minnesota] quis cortar o nó dos seus ministros rebeldes, da oposição irresponsável e do público irado submetendo o último pacote de austeridade a votação. Deus ajude os banqueiros! O movimento foi de imediato fatal para Papandreu e a Grécia agora será entregue a uma junta de representantes de credores se puderem encontrar gente disposta a aceitar o emprego. Não haverá ninguém que queira continuar a viver na Grécia depois disso.
A Grécia e a Irlanda estão a ser destruídos. Portugal e Espanha estão no limbo e a crise muda-se para a Itália – realmente demasiado grande para cair – a qual está a ser colocada numa concordata ditada pelo FMI no momento em que escrevo. Enquanto isso a França luta para adiar a (inevitável) degradação da sua classificação AAA através do corte de todo programa social e de investimento.
Se houvesse uma saída fácil do euro, a Grécia já teria ido. Mas a Grécia não é a Argentina com soja e petróleo para o mercado chinês, e legalmente a saída do euro significa deixar a União Europeia. É uma opção que só a Alemanha pode fazer. Para os outros, a opção é entre o cancro e o ataque de coração, salvo uma transformação na Europa do Norte que nem mesmo vitórias socialistas na próxima ronda de eleições francesas e alemãs trariam.
Assim, o caldeirão ferve. A Europa devedora está a deslizar mais uma vez rumo à ruptura social, pânico financeiro e finalmente emigração, como caminho de saída para alguns. Mas – e aqui há outra diferença com os Estados Unidos – o povo não esqueceu totalmente como defender-se. Marchas, manifestações, greves e greves gerais estão a aumentar. Estamos no ponto em que as estruturas políticas não apresentam esperança e o bastão de comando prepara-se para passar, muito em breve, para as mãos da resistência. Ela pode não ser capaz de muito – mas veremos.
10/Novembro/2011
[*] O autor organizou uma conferência sobre a "Crise na Eurozona" na Universidade do Texas – Austin em 3-4/Novembro/2011. Os documentos e apresentações podem ser encontrados em http://tinyurl.com/3kut4k5 , bem como um vídeo de toda a conferência.
O original encontra-se em http://www.salon.com/2011/11/10/the_crisis_in_the_eurozone/singleton/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
por James K. Galbraith [*]
A crise na eurozona é uma crise bancária pretendendo ser uma série de crises de dívida nacional e complicada por ideias económicas reaccionárias, uma arquitectura financeira defeituosa e um ambiente político tóxico, especialmente na Alemanha, na França, na Itália e na Grécia.
Tal como a nossa, a crise bancária europeia é o produto da excessiva concessão de empréstimos a tomadores fracos, incluindo o crédito para habitação na Espanha, o comercial imobiliário na Irlanda e o sector público (parcialmente para infraestrutura) na Grécia. Os bancos europeus alavancaram-se para comprar hipotecas tóxicas americanas e quando estas entraram em colapso eles começaram a despejar seus fracos títulos soberanos para comprar outros fortes, conduzindo para cima os rendimentos e finalmente forçando toda a periferia europeia para dentro da crise. A Grécia foi simplesmente o primeiro dominó na linha.
Em tais crise, a primeira defesa dos bancos é mostrar surpresa – "ninguém podia ter sabido! – e culpar seus clientes por imprudência e trapaça. Isto é verdade mas obscurece o facto de que os banqueiros pressionaram os empréstimos muito arduamente enquanto as taxas eram gordas. A defesa funciona melhor na Europa do que nos EUA porque fronteiras nacionais separam credores de devedores, obrigando os líderes políticos na Alemanha e França aos seus banqueiros e promovendo uma narrativa de racismo nacional ("gregos preguiçosos", "italianos irresponsáveis") cujo equivalente na América pós direitos civis foi em grande parte suprimido.
Subjacente ao poder do banqueiro na Europa Credora está uma sensibilidade calvinista que transformou excedentes num símbolo de virtude e défices numa marca de vício, enquanto fetichizava a desregulamentação, privatização e ajustamento conduzido pelo mercado. Os europeus do Norte esqueceram que integração económica sempre concentra a indústria (e mesmo a agricultura) nas regiões mais ricas.
Quando este processo se desdobra os alemães colhem as rendas e instruem os recém endividados clientes a cortarem salários, liquidarem activos e abandonarem suas pensões, escolas, universidades e cuidados de saúde – muitos dos quais eram de segunda classe. Recentemente as instruções tornaram-se ordens, entregues pelo FMI e pelo BCE, demonstrando aos novos peões da dívida europeus que eles já não vivem em estados democráticos.
A vantagem estado-unidense
A arquitectura da eurozona torna as coisas piores sob dois aspectos. Se bem que a UE tenha pago alguma compensação às suas regiões mais pobres, estes fundos estruturais nunca foram adequados e agora estão bloqueados por incumpríveis exigências de co-pagmento. E falta à zona canais de redistribuição inter-regional para famílias que os EUA desenvolveram com a Segurança Social, Medicare, Medicaid, folhas de pagamento do governo federal e contratação de militares dentre outras coisas. Nem tão pouco os aposentados alemães assentam na Grécia ou em Portugal em grandes números como fazem os nova-iorquinos na Florida ou os de Michigan no Texas.
Em segundo lugar, o BCE recusa-se a resolver a crise de repente, o que poderia fazer através da compra de títulos de países fracos e refinanciá-los. O argumento contra isto é chamado "risco moral" ("moral hazard"), reforçado por velhos temores de inflação, mas a questão real é que fazer isso admitiria perda de controle por parte dos credores sobre o banco central. Acções paralelas àquelas tomadas pelo Federal Reserva – nacionalizar todo o mercado de papel comercial, por exemplo – afastaria o BCE, muito embora ele compre títulos soberanos quando tem de fazê-lo. Assim, ao contrário, a zona avançou na criação de um gigantesco CDO tóxico chamado European Financial Stability Fund (EFSF), o qual pode a breve trecho ser transformado num ainda mais gigantesco CDS tóxico (como a AIG, eles chamavam a isto "seguro"). Isto pode adiar o pânico no máximo por uns poucos momentos.
Soluções técnicas existem. A mais desenvolvida delas é a "Modest Proposal" de Yanis Varoufakis e Stuart Holland, amplamente apoiada pelos líderes políticos mais velhos na Europa. Ela seria 1) converter os primeiros 60 por cento do PIB da dívida de todo país da eurozona num título europeu comum, emitido pelo BCE; 2) recapitalizar e europeizar o sistema bancário, rompendo o colete de força que amarra bancos nacionais a políticos nacionais; e 3) financiar um programa de projectos de investimento como o New Deal através do Banco Europeu de Investimentos.
Propostas variantes incluem o apelo de Kunibert Raffer a um regime de insolvência soberana modelado no estatuto de bancarrota municipal dos EUA, a proposta de Thomas Palley de um novo "governo banqueiro" e a proposta de Jan Toporowski de um imposto sobre balanços dos bancos para retirar excesso de dívida pública.
Estas são as melhores ideias e nenhuma delas acontecerá. As classes políticas da Europa nestes dias existem numa morsa forjada por banqueiros desesperados e eleitores raivosos, não menos na Alemanha e França do que na Grécia ou Itália. O discurso é impermeável a ideias novas e a sobrevivência política depende de chutar latas estrada abaixo de modo a que o facto de isto ser uma crise bancária não tenha de ser enfrentado. O destino dos fracos é na melhor das hipóteses secundário. Portanto, toda reunião de ministros das Finanças e primeiros-ministros proporciona meias medidas traidoras e evasões legais.
O exemplo mais recente foi a lógica em trança (pretzel-logic) que declarou um haircut de 50 por cento sobre a dívida grega ser "voluntário" de modo a que não disparasse cláusulas de incumprimento sobre os CDS a que alguns bancos americanos, em particular, possam estar expostos. Quando Timothy Geithner no mês passado advertiu os europeus de "catástrofe" potencial alguém pode razoavelmente inferir que ele tinha este risco em mente – e não é o efeito menor sobre o nosso já desastroso quadro de empregos. Mas naturalmente se o haircut pode ser declarado voluntário, então os CDS não valem o espaço de armazenagem que ocupam nos computadores dos banqueiros e mais uma escora no mercado cada vez mais fracos de dívidas soberanas cai para o chão.
A fragilidade política também explica a fúria em França e na Alemanha quando George Papandreu [o homem mais calmo da Europa, a propósito, que nasceu e foi criado no Minnesota] quis cortar o nó dos seus ministros rebeldes, da oposição irresponsável e do público irado submetendo o último pacote de austeridade a votação. Deus ajude os banqueiros! O movimento foi de imediato fatal para Papandreu e a Grécia agora será entregue a uma junta de representantes de credores se puderem encontrar gente disposta a aceitar o emprego. Não haverá ninguém que queira continuar a viver na Grécia depois disso.
A Grécia e a Irlanda estão a ser destruídos. Portugal e Espanha estão no limbo e a crise muda-se para a Itália – realmente demasiado grande para cair – a qual está a ser colocada numa concordata ditada pelo FMI no momento em que escrevo. Enquanto isso a França luta para adiar a (inevitável) degradação da sua classificação AAA através do corte de todo programa social e de investimento.
Se houvesse uma saída fácil do euro, a Grécia já teria ido. Mas a Grécia não é a Argentina com soja e petróleo para o mercado chinês, e legalmente a saída do euro significa deixar a União Europeia. É uma opção que só a Alemanha pode fazer. Para os outros, a opção é entre o cancro e o ataque de coração, salvo uma transformação na Europa do Norte que nem mesmo vitórias socialistas na próxima ronda de eleições francesas e alemãs trariam.
Assim, o caldeirão ferve. A Europa devedora está a deslizar mais uma vez rumo à ruptura social, pânico financeiro e finalmente emigração, como caminho de saída para alguns. Mas – e aqui há outra diferença com os Estados Unidos – o povo não esqueceu totalmente como defender-se. Marchas, manifestações, greves e greves gerais estão a aumentar. Estamos no ponto em que as estruturas políticas não apresentam esperança e o bastão de comando prepara-se para passar, muito em breve, para as mãos da resistência. Ela pode não ser capaz de muito – mas veremos.
10/Novembro/2011
[*] O autor organizou uma conferência sobre a "Crise na Eurozona" na Universidade do Texas – Austin em 3-4/Novembro/2011. Os documentos e apresentações podem ser encontrados em http://tinyurl.com/3kut4k5 , bem como um vídeo de toda a conferência.
O original encontra-se em http://www.salon.com/2011/11/10/the_crisis_in_the_eurozone/singleton/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Albert Einstein
"A realização do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: “como é possível, considerando a muito abarcadora centralização do poder, conseguir que a burocracia não seja todo poderosa e arrogante? Como podem proteger os direitos do indivíduo e mediante ele assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?”
Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição."
Einstein in "Por que Socialismo"
Físico alemão, um dos mais criativos intelectuais da história, autor de uma série de teorias que propuseram nova abordagem acerca do espaço, do tempo, da matéria e da gravitação, revolucionando a ciência e a filosofia.
Einstein possuia um intenso senso de responsabilidade de justiça social, ainda que seus esforços neste campo não tenham obtido sucesso. Graduou-se em Física e Matemática em 1900 na Federal Polytechnic Academy em Zurique, Suiça. Após a formatura tornou-se cidadão suiço e passou a trabalhar no Escritório de Patentes em Berna. No início de 1905 publicou sua tese de Doutourado na Universidade de Zurique e nove anos após sua primeira lição em física publicou 4 trabalhos que transformaram para sempre as ciências naturais.
Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição."
Einstein in "Por que Socialismo"
Físico alemão, um dos mais criativos intelectuais da história, autor de uma série de teorias que propuseram nova abordagem acerca do espaço, do tempo, da matéria e da gravitação, revolucionando a ciência e a filosofia.
Einstein possuia um intenso senso de responsabilidade de justiça social, ainda que seus esforços neste campo não tenham obtido sucesso. Graduou-se em Física e Matemática em 1900 na Federal Polytechnic Academy em Zurique, Suiça. Após a formatura tornou-se cidadão suiço e passou a trabalhar no Escritório de Patentes em Berna. No início de 1905 publicou sua tese de Doutourado na Universidade de Zurique e nove anos após sua primeira lição em física publicou 4 trabalhos que transformaram para sempre as ciências naturais.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
12 de Novembro
Realizaram-se ontem (sábado, 12 de Novembro) em Lisboa duas grandiosas e combativas manifestações – mais de 180 mil professores, trabalhadores da Administração Pública Central e Local, e das Forças de Segurança; mais de 10 mil militares –.
O seu significado é bem claro. Realizadas um dia após a aprovação na generalidade pela AR do brutal OE 2012 (com os votos do PSD e CDS e a abstenção do PS), constituem uma vigorosa reafirmação de que os trabalhadores e os outros grupos sociais que a actual ofensiva pretende condenar à indigência, à precariedade, ao desavergonhado roubo de salários, rendimentos e direitos não aceitam nem aceitarão tal situação.
Os sectores sociais que ontem se manifestaram constituem o primeiro alvo da implacável ofensiva comandada pela troika estrangeira e servilmente executada pelos seus serventuários nacionais. São eles quem assegura a realização prática de funções essenciais do Estado, nomeadamente no plano dos direitos sociais, da segurança e da soberania, dos direitos das populações. Não admira que constituam o alvo prioritário de uma ofensiva cujos pressupostos são, em última análise, o inteira subordinação do nosso país aos interesses do grande capital transnacional, a hipoteca da soberania e da dignidade nacional, a inteira e cobarde submissão ao comando imperial das grandes potências europeias.
A ofensiva contra os povos da Europa deu nos últimos dias um significativo passo em frente. Tal como se verificou nomeadamente na Grécia e em Itália, o capital financeiro e o eixo franco-alemão arrogam-se o direito de determinar a permanência, o derrube e a composição dos governos nacionais e de tutelar todos os aspectos das suas políticas económicas e sociais. O rolo compressor da actual ofensiva do grande capital descarta já mesmo as manipuladas formas da democracia burguesa. Uma ofensiva contra os trabalhadores e os povos não poderia deixar lugar à voz dos trabalhadores e dos povos.
Mas o que as grandiosas manifestações de 12 de Novembro em Lisboa reafirmaram é que, queiram ou não queiram a “troika” e o seu governo, queira ou não queira o grande capital e o punhado de grupos que o comandam, a voz dos trabalhadores e do povo terá a última palavra. Teve-a ontem, numa muito poderosa afirmação de combatividade, de força e de unidade. Tê-la-á no próximo dia 24 de Novembro, numa Greve Geral que se adivinha de dimensões históricas. Tê-la-á tantas vezes quantas for necessário até que esta ofensiva seja derrotada.
Os Editores de odiario.info
O seu significado é bem claro. Realizadas um dia após a aprovação na generalidade pela AR do brutal OE 2012 (com os votos do PSD e CDS e a abstenção do PS), constituem uma vigorosa reafirmação de que os trabalhadores e os outros grupos sociais que a actual ofensiva pretende condenar à indigência, à precariedade, ao desavergonhado roubo de salários, rendimentos e direitos não aceitam nem aceitarão tal situação.
Os sectores sociais que ontem se manifestaram constituem o primeiro alvo da implacável ofensiva comandada pela troika estrangeira e servilmente executada pelos seus serventuários nacionais. São eles quem assegura a realização prática de funções essenciais do Estado, nomeadamente no plano dos direitos sociais, da segurança e da soberania, dos direitos das populações. Não admira que constituam o alvo prioritário de uma ofensiva cujos pressupostos são, em última análise, o inteira subordinação do nosso país aos interesses do grande capital transnacional, a hipoteca da soberania e da dignidade nacional, a inteira e cobarde submissão ao comando imperial das grandes potências europeias.
A ofensiva contra os povos da Europa deu nos últimos dias um significativo passo em frente. Tal como se verificou nomeadamente na Grécia e em Itália, o capital financeiro e o eixo franco-alemão arrogam-se o direito de determinar a permanência, o derrube e a composição dos governos nacionais e de tutelar todos os aspectos das suas políticas económicas e sociais. O rolo compressor da actual ofensiva do grande capital descarta já mesmo as manipuladas formas da democracia burguesa. Uma ofensiva contra os trabalhadores e os povos não poderia deixar lugar à voz dos trabalhadores e dos povos.
Mas o que as grandiosas manifestações de 12 de Novembro em Lisboa reafirmaram é que, queiram ou não queiram a “troika” e o seu governo, queira ou não queira o grande capital e o punhado de grupos que o comandam, a voz dos trabalhadores e do povo terá a última palavra. Teve-a ontem, numa muito poderosa afirmação de combatividade, de força e de unidade. Tê-la-á no próximo dia 24 de Novembro, numa Greve Geral que se adivinha de dimensões históricas. Tê-la-á tantas vezes quantas for necessário até que esta ofensiva seja derrotada.
Os Editores de odiario.info
Evtuchenko
O famoso poeta russo Evgueni Evtuchenko comemorou os 78 anos de idade, em 27 de Maio, declamando suas poesias no Museu Politécnico de Moscou. Nos anos 60, o Salão Nobre desse Museu era o local preferido dos escritores e poetas russos para o lançamento dos seus livros ou para realizar celebrações.
O mais recente livro de Evtuchenko é “Ainda se Pode Salvar Tudo”, reunindo suas melhores criações poéticas dos últimos cinco anos.
Evgueni Evtuchenko nasceu em 18 de julho de 1933 em Zima, na região de Irkutsk, na Sibéria. Aos 16 anos publicou seus primeiros versos, e aos 19 entrou para a União dos Escritores Soviéticos. Foi um dos ídolos da chamada Geração Sessenta (dos anos de 1960), e em 1989 foi eleito deputado no Soviete Supremo da União Soviética. Atualmente Evgueni Evtuchenko vive entre os Estados Unidos e a Rússia.
Sua obra foi publicada em mais de 70 idiomas.
O mais recente livro de Evtuchenko é “Ainda se Pode Salvar Tudo”, reunindo suas melhores criações poéticas dos últimos cinco anos.
Evgueni Evtuchenko nasceu em 18 de julho de 1933 em Zima, na região de Irkutsk, na Sibéria. Aos 16 anos publicou seus primeiros versos, e aos 19 entrou para a União dos Escritores Soviéticos. Foi um dos ídolos da chamada Geração Sessenta (dos anos de 1960), e em 1989 foi eleito deputado no Soviete Supremo da União Soviética. Atualmente Evgueni Evtuchenko vive entre os Estados Unidos e a Rússia.
Sua obra foi publicada em mais de 70 idiomas.
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