Oposição social na era da Internet:
Militantes "de teclado" e intelectuais públicos
por James Petras [*]
A relação entre as tecnologias da informação, e mais precisamente a internet, com a política é uma questão central para os movimentos sociais contemporâneos. Tal como outros avanços tecnológicos no passado, as tecnologias da informação (TI) servem um duplo propósito: por um lado contribuem para acelerar os movimentos de capitais (sobretudo de capitais financeiros), facilitando uma globalização imperialista. Por outro, a internet fornece importantes fontes alternativas de análise, assim como uma forma fácil de comunicação, que pode servir para a mobilização dos movimentos populares.
A indústria das tecnologias da informação criou uma nova classe de multimilionários, que se estende de Silicon Valey na California até Bangalore na India. Estes desempenham um papel central na expansão do colonialismo económico através do controlo monopolista que exercem sobre as mais diversas esferas de difusão da informação e do entretenimento.
Parafraseando Marx: "a internet tornou-se o ópio do povo". Novos e velhos, empregados e desempregados, todos eles passam horas passivamente contemplando espectáculos, pornografia, video-jogos, consumindo online e até acedendo a "notícias", isolados dos restantes cidadãos e trabalhadores.
Em muitas ocasiões, a superabundância de "notícias" na internet, absorve tempo e energia, desviando os "observadores" da reflexão e da acção propriamente dita. Assim como a escassa e tendenciosa informação dos meios de comunicação de massas distorce a consciência popular, o excesso de mensagens na internet pode imobilizar a acção dos cidadãos.
A internet, propositadamente ou não, "privatizou\particularizou" a vida política. Muitos activistas potenciais foram levados a acreditar que o envio de manifestos a outros cidadãos é um acto político, esquecendo-se que apenas a acção pública, incluíndo a confrontação com os seus adversários no espaço público, nos centros das cidades assim como no campo, é a base da transformação política.
As tecnologias da informação e o capital financeiro
Recordemos que o ímpeto original que presidiu ao crescimento das tecnologias da informação partiu das necessidades das grandes instituições financeiras, bancos de investimento e dos especuladores, que pretendiam mover milhares de milhões de dolares, de um país para o outro, de uma empresa para outra, de uma mercadoria para outra, com um simples toque de dedos.
A Internet foi a tecnologia motora do crescimento da globalização ao serviço do capital. As tecnologias da Informação desempenharam um papel central na precipitação das duas crises financeiras da última década (2001-2002; 2008-2009). A bolha das acções de empresas ligadas às tecnologias da informação em 2001 foi o resultado da promoção e da sobrevalorização das empresas de software, desligadas da economia real. O crash financeiro global de 2008-2009, que se extende até hoje, foi consequência de pacotes computadorizados de activos fraudulentos e de empréstimos imobiliários sub-financiados. As "virtudes" da internet, a velocidade com que transmite informação, revelaram-se, no contexto da expeculação capitalista, um factor determinante da pior crise do capitalismo desde a Grande Depressão dos anos 30.
A democratização da Internet
A internet tornou-se acessível às massas enquanto mercado aberto à exploração comercial, alargando-se posteriormente a usos sociais e políticos, e, mais importante ainda: tornou-se um meio fundamental para informar o grande público da exploração e pilhagem que os bancos multinacionais impunham aos mais variados paìses e aos seus habitantes. A internet ajudou também a expôr as mentiras que subjazem às guerras imperialistas dos Estados Unidos e da União Europeia no Médio-Oriente e no Sul da Ásia.
A internet tranformou-se assim num terreno contestado, numa nova forma de luta de classes, que engloba movimentos pró-democracia e de libertação nacional. Os maiores movimentos e os seus líderes, desde os guerrilheiros no Afeganistão aos activistas pró-democracia no Egipto, passando pelo movimento estudantíl chileno e pelo movimento pela habitação popular na Turquia, todos eles contam com a internet para informar o mundo das suas lutas, dos seus programas, da repressão estatal de que são alvos, bem como das suas vitórias. A internet liga as diferentes lutas muito para lá das fronteiras nacionais – é uma ferramenta central para a construção de um novo internacionalismo que faça face à globalização capitalista e às suas guerras imperialistas.
Parafraseando Lénine poderiamos dizer que o socialismo do século XXI pode resumir-se na formula: "os sovietes mais a internet = socialismo participativo"
A internet e a política de classe
É bom recordar que as tecnologias computorizadas de informação não são "neutrais" – o seu impacto político depende dos utilizadores e activistas que determinam quem, e que interesses de classe, é que servem.
A internet serviu para mobilizar milhares de trabalhadores na China contra os exploradores corporativistas, na Índia mobilizou milhares de camponeses contra os especuladores latinfundiários. Por outro lado, a Nato utilizou sistemas de guerra fortemente computorizados para bombardear e destruír a Líbia independente. Os Estados-Unidos também utilizaram "drones" para enviar mísseis para matar cívis no Paquistão e no Yémen; ora esta técnica é controlada por uma inteligência computorizada. A localização da guerrilha colombiana e os bombardeamentos aéreos utilizam a mesma tecnologia computorizada. Em suma, as técnologias da informação podem ter um duplo uso: podem ser utilizadas para a libertação dos povos, mas também podem servir os ataques imperialistas contra-revolucionários.
O neoliberalismo e o espaço público
A discussão acerca do "espaço público" assume frequentemente que "público" é sinónimo de uma maior intervenção estatal em prol do bem-estar da maioria: de uma maior regulação do capitalismo e de uma crescente protecção do meio-ambiente. Por outras palavras aos actores "públicos" benignos opor-se-iam às forças privadas exploradoras dos mercados.
Num contexto de proliferação da ideologia e das políticas neoliberais, muitos autores progressistas escrevem sobre "o declínio da esfera pública". Esta perspectiva negligencia o facto de a "esfera pública" ter vindo a ganhar uma importância crescente na sociedade, na política e na economia, beneficiando sempre o grande capital, mais concretamente o capital financeiro e os investidores estrangeiros. A "esfera pública", nesta caso o estado, é muito mais intrusiva na sociedade civil como força repressiva num momento em que as políticas neoliberais aumentam as desigualdades. Graças à intensificação e ao aprofundamento das crises financeiras, a esfera pública (o estado) assumiu um papel fundamental no resgate dos bancos falidos.
Devido aos enormes défices fiscais provocados pela fuga aos impostos do capital, às despesas com as guerras coloniais e aos subsídios públicos às grandes empresas, a esfera pública (o estado) impõe uma austeridade de classe, cortanto as despesas sociais e prejudicando os funcionários públicos, os reformados e os trabalhadores assalariados do privado.
A esfera pública reduziu o seu papel no sector produtivo da economia. No entanto, o sector militar cresceu com a expansão das guerras coloniais e imperialistas.
A questão fundamental que subjaz a qualquer discussão acerca da esfera pública e da oposição social não é a do seu crescimento ou declínio, mas antes a dos interesses de classe que definem o papel dessa esfera pública. No contexto do neoliberalismo, a esfera pública está orientada para a utilização do tesouro público no resgate dos bancos, para o militarismo e para uma larga intervenção policial estatal. Uma esfera pública dirigida pela "oposição social" (trabalhadores, agricultures, profissionais, empregados) alargaria o campo de acção da esfera publica no que toca à saúde, à educação, às pensões, ao ambiente e ao emprego.
O conceito de "esfera pública" tem duas faces (como Jano): uma olha para o capital e para o sector militar; a outra para a oposição laboral/social. A internet está também subordinada a esta dualidade: por um lado, facilita grandes movimentos do capital e rápidas intervenções militares imperialistas; por outro, fornece à oposição social um fluxo de informação rápido que permite a sua mobilização. A questão fundamental é a de saber que tipo de informação é transmitida, a que actores políticos ela é transmitida e que interesse social serve?
A Internet e a oposição social: a ameaça da repressão estatal
Para a oposição social, a internet é antes de mais uma fonte vital de informação alternativa crítica, capaz de educar e mobilizar os dirigentes progressistas, os profissionais, os sindicalistas e os líderes camponeses, os militantes e os activistas. A internet é uma alternativa aos meios de comunicação capitalistas e à sua propaganda, uma fonte de notícias e informações que transmite manifestos e informa os activistas acerca dos locais das intervenções públicas. Graças a este papel progressista como instrumento da oposição social, a internet está sujeita a uma forte vigilância por parte do aparelho repressivo policial e estatal. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 800 mil funcionários são utilizados pela policia de "Segurança Interna" para espiar milhares de milhões de emails, faxes e chamadas telefónicas de milhões de cidadãos americanos. Saber quão efectivo é o policiamento diário de toneladas de informação é uma outra questão. Mas o facto é que a internet não é uma "fonte livre e segura de informação, debate e discussão". Com efeito, quanto mais eficaz se torna a internet na mobilização de movimentos sociais que se opõem ao estado imperialista e colonial, mais provável se torna uma intervenção por parte da polícia e do estado com o pretexo de "combater o terrorismo".
A internet e a luta contemporânea: uma relação revolucionária?
É tão importante reconhecer a importância da internet enquanto detonador de determinados movimentos sociais como relativizar a sua importância global.
A internet teve um papel fundamental na divulgação e mobilização de "movimentos espontâneos", como o dos "indignados" espanhóis, na sua maioria jovens desempregados e sem filiação partidária, ou na americana "Ocupação de Wall Street". Noutros casos, como o das massivas greves gerais em Itália, Portugal, na Grécia e em tantos outros sítios, as confederação sindicais organizadas tiveram um papel central e a internet um impacto apenas secundário.
Em países altamente repressivos, como o Egipto, a Tunísia e a China, a internet tem um papel fundamental na divulgação de intervenções públicas e na organização de protestos de massas. No entanto, a internet não levou a qualquer revolução bem sucedida – ela pode informar, ser um local de debate, e mesmo mobilizar, mas não pode oferecer a liderança e a organização necessárias a uma acção política consistente e muito menos fornecer uma estratégia de tomada do poder estatal. Comprova-se assim que a ilusão, alimentada por alguns gurus da internet, de que a acção "computadorizada" pode substituir um partido político disciplinado, é falsa: a internet pode facilitar o movimento, mas apenas uma oposição social organizada lhe pode dar uma direcção tática e estratégica capaz de o manter vivo face à repressão do estado e de o levar a lutas bem sucedidas.
Ou seja, a internet não é um "fim em si mesmo" – a postura autocongratulatória dos ideologos da internet, anunciando uma nova época de informação "revolucionária", ignora o facto de que NATO, Israel e os seus aliados e clientes utilizam a internet para lançar vírus e destruir economias, para programas de defesa anti-sabotagem e para promover levantamentos etnico-religiosos. Israel enviou vírus danosos para travar o programa nuclear pacífico do Irão; os Estados Unidos, a França e a Turquia instigam, na Líbia e na Síria, uma oposição social capaz de servir os seus interesses. Em resumo, a internet tornou-se um novo terreno de luta de classes e de luta anti-imperialista. A internet é um meio e não um fim. A internet é parte dessa esfera pública, cujos objectivos e resultados são determinados pela estrutura de classe em que se integra.
Comentários finais: "militantes de teclado" e intelectuais públicos
A oposição social é definida pela intervenção pública: pela presença das colectividades nos comícios políticos, pelos indivíduos que discursam em encontros públicos, por activistas que se manifestam em praças públicas, sindicalistas militantes que defrontam os patrões, pessoas pobres que exigem aos governantes locais para morar e serviços públicos...
Discursar activamente num comício público, formular ideias e programas, propor estratégias através da acção política, constitui o papel de um intelectual público. Sentar-se a uma secretária num escritório para, num esplêndido isolamento, enviar cinco manifestos por minuto define um "militante de teclado". Esta é uma forma de pseudo-militância que separa as palavras dos actos. A "militância" de teclado é um acto de inacção verbal, de "activismo" inconsequente, uma revolução mental de faz-de-conta. A comunicação via internet torna-se um acto político quando se enquadra em movimentos sociais que desafiam o poder. Necessariamente, isto envolve riscos para um intelectual público: desde ataques policiais no espaço público até represálias económicas na esfera privada. Os "activistas de teclado" não arriscam nada e pouco realizam. O intelectual público faz a ligação entre o descontentamento dos indivíduos e o activismo social da colectividade. O professor universitário vem ao local de acção, fala e regressa ao seu gabinete. O intelectual público fala e faz um compromisso pedagógico de longo termo com a oposição social na esfera pública, tanto através da internet como de frequentes encontros diários cara a cara.
20/Novembro/2011
[*] Intervenção como convidado no "Symposium on Re-Publicness", Patrocinado pela Chamber of Electrical Engineers. Ancara, Turquia, 9-10/Dezembro/2011
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=27761 . Tradução de MQ.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
“A sociedade não existe, só mercado!
António Quinet
A nossa salvação está na produção. Somos impelidos a produzir cada vez mais e mais depressa, aumentar as cadências, fomentar as demências, galopar sem sentido. Aprofundamos os pilares da nossa felicidade no ter cada vez mais e mais. E para fazer face a necessidades artificiais, cada vez mais somos atrelados à competitividade que impõe salários sempre mais baixos, exigindo ritmos de escravatura que se supunha não mais voltarem.
E o nível de vida desce mais e mais e a concentração do capital cresce sem limites mais e mais, sempre mais. O excesso de produção atafulha o planeta com bricabraque que nada tem a ver com as necessidades da quase totalidade dos que vão vegetando e perecendo, por lhes negarem os mais elementares meios de sobrevivência. E a bulimia dos poderosos, essa fome devoradora que tudo abocanha, exige mais, mais e mais fome e sacrifícios a quem trabalha.
Era a “sociedade de consumo” diziam eles, onde a suprema felicidade residia no consumir desenfreadamente sempre mais, mais e mais. Uma sociedade autofágica, imposta pelos ideólogos do neoliberalismo.
Agora andam mais poupadinhos.
Raro é o dia em que os analistas que, até então tonitruantes, nos empurravam para o consumo vêm, pezinhos de lã, segredar-nos ao ouvido “Queiram poupar! A gestão de dinheiro pressupõe 80% de motivação e 20% de método e técnicas. Boas poupanças!” Esses analistas, imberbes, de lição bem encaixilhada já têm fórmulas, percentagens, métodos para ensinar aos pobrezinhos como poupar mais! Vejam bem onde chegou a farsa ou ignorância ou desplante ou velhacaria.
Uns rapazotes bem instalados na sociedade, surgem nos jornais e na TV a instruir os que, durante toda a vida, por nada terem se doutoraram na arte de não gastar.
A dona Alice, com pensão de sobrevivência, tem ouvido os recados e não só ficou agradecida como também muito sensibilizada.
O senhor Manuel, desempregado, com uma casa de família a sustentar, como não poderia deixar de ser, foi também muito receptivo.
A editora do Notícias Magazine ‘nm’ ultrapassa toda a desfaçatez sugerindo atitudes e entretenimentos para ajudar a suportar a crise. Confessa não saber como dar a volta à crise, mas aconselha a que as dificuldades não dêem cabo da nossa alegria. Estão mesmo a ver alguém com a casa por pagar, sem possibilidade de fazer face às mais elementares necessidades, à procura de trabalho com a alegria de quem vai para a festa. Sugere, pois, que “temos de saber rir quando achamos que só temos razões para chorar e que devemos aproveitar para jogar à bola com os filhos, naquele jardim mesmo em frente à casa ou aproveitar para aprender a andar de bicicleta”.
É evidente que esta gentalha é paga para encher páginas de insultos sem respeito pelos que sofrem, demonstrando não possuir um mínimo de sensibilidade.
Não lhes podemos pedir mais, muito menos que esclareçam o porquê desta hecatombe.
Cid Simões, aspalavrassaoarmas.blogspot.com
António Quinet
A nossa salvação está na produção. Somos impelidos a produzir cada vez mais e mais depressa, aumentar as cadências, fomentar as demências, galopar sem sentido. Aprofundamos os pilares da nossa felicidade no ter cada vez mais e mais. E para fazer face a necessidades artificiais, cada vez mais somos atrelados à competitividade que impõe salários sempre mais baixos, exigindo ritmos de escravatura que se supunha não mais voltarem.
E o nível de vida desce mais e mais e a concentração do capital cresce sem limites mais e mais, sempre mais. O excesso de produção atafulha o planeta com bricabraque que nada tem a ver com as necessidades da quase totalidade dos que vão vegetando e perecendo, por lhes negarem os mais elementares meios de sobrevivência. E a bulimia dos poderosos, essa fome devoradora que tudo abocanha, exige mais, mais e mais fome e sacrifícios a quem trabalha.
Era a “sociedade de consumo” diziam eles, onde a suprema felicidade residia no consumir desenfreadamente sempre mais, mais e mais. Uma sociedade autofágica, imposta pelos ideólogos do neoliberalismo.
Agora andam mais poupadinhos.
Raro é o dia em que os analistas que, até então tonitruantes, nos empurravam para o consumo vêm, pezinhos de lã, segredar-nos ao ouvido “Queiram poupar! A gestão de dinheiro pressupõe 80% de motivação e 20% de método e técnicas. Boas poupanças!” Esses analistas, imberbes, de lição bem encaixilhada já têm fórmulas, percentagens, métodos para ensinar aos pobrezinhos como poupar mais! Vejam bem onde chegou a farsa ou ignorância ou desplante ou velhacaria.
Uns rapazotes bem instalados na sociedade, surgem nos jornais e na TV a instruir os que, durante toda a vida, por nada terem se doutoraram na arte de não gastar.
A dona Alice, com pensão de sobrevivência, tem ouvido os recados e não só ficou agradecida como também muito sensibilizada.
O senhor Manuel, desempregado, com uma casa de família a sustentar, como não poderia deixar de ser, foi também muito receptivo.
A editora do Notícias Magazine ‘nm’ ultrapassa toda a desfaçatez sugerindo atitudes e entretenimentos para ajudar a suportar a crise. Confessa não saber como dar a volta à crise, mas aconselha a que as dificuldades não dêem cabo da nossa alegria. Estão mesmo a ver alguém com a casa por pagar, sem possibilidade de fazer face às mais elementares necessidades, à procura de trabalho com a alegria de quem vai para a festa. Sugere, pois, que “temos de saber rir quando achamos que só temos razões para chorar e que devemos aproveitar para jogar à bola com os filhos, naquele jardim mesmo em frente à casa ou aproveitar para aprender a andar de bicicleta”.
É evidente que esta gentalha é paga para encher páginas de insultos sem respeito pelos que sofrem, demonstrando não possuir um mínimo de sensibilidade.
Não lhes podemos pedir mais, muito menos que esclareçam o porquê desta hecatombe.
Cid Simões, aspalavrassaoarmas.blogspot.com
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-11-pame
Tradução do inglês de TAM
Colocado em linha em: 2011/11/21
A primeira resposta do povo ao
novo governo
Partido Comunista da Grécia (KKE)
11/11/2011
Os líderes do social-democrata PASOK, da direitista ND e do nacionalista LAOS,
exprimindo as intenções estratégicas do capital nacional e da UE, procederam à
formação de uma nova coligação governamental que, em benefício da
plutocracia, vai tentar fazer avançar ainda mais a ofensiva contra os
trabalhadores e o povo.
A cooperação política destes três partidos, com o apoio de outros partidos
burgueses, como o DHSY, de centro-direita, o DHMAR, de centro esquerda, dos
ecologistas e outros, resultou na criação de um governo de coligação, com a
indigitação do banqueiro L. Papademus como Primeiro-ministro.
O gabinete de imprensa do CC do KKE afirmou num comentário acerca do
acordo PASOK-ND-LAOS: “ O PASOK, a ND e Karatzaferis colocaram à frente
do seu governo de coligação o banqueiro L. Papademus; este é o desejo da
plutocracia grega e da UE. O povo deve contrapor a sua própria aliança
trabalhadores-povo contra esta aliança negra para os impedir e derrubar”.
A primeira resposta ao governo antipopular foi dada pela PAME1 com grandes
comícios em Atenas e outras cidades na noite de 10 de novembro.
A manifestação de Atenas realizou-se na praça central Omonoia. Giorgos
Sifonios, presidente do sindicato na “Aço Grego” abriu o comício e transmitiu
aos manifestantes as saudações revolucionárias dos 400 grevistas da empresa,
que estão parados desde o dia 31 de outubro com sucessivas greves de 24 horas,
em luta pela reintegração de 34 colegas despedidos.
Como representante da PAME, Savvas Tsimpoglou salienta que o movimento
sindical de classe é contra a chamada coesão social. Rejeita a conciliação de
classes. Com mobilizações grevistas e manifestações abrir-se-á um novo rumo
2
em frentes de luta que se devem desenvolver para lutar pela solução dos
problemas do povo.
Seguiu-se uma boa manifestação em direção ao Parlamento.
A Secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, que participou na
manifestação, fez a seguinte declaração à Comunicação Social:
“Não podemos perder um único dia. Antes que o governo se reorganize, antes
que tome as primeiras medidas, deve sentir a oposição do povo a essas
medidas. Há problemas particulares imediatos, como por exemplo a abolição
dos pesados impostos, problemas imediatos relacionados com a fiscalidade, a
taxa “solidária”, o aumento do IVA, os conselhos escolares que não têm
dinheiro, as residências de estudantes que vão fechar amanhã porque não há
dinheiro em lado nenhum para que as universidades as possam financiar.
Por conseguinte, os problemas são imediatos e deve-se dinamizar as lutas em
toda a parte. A imediata e, obviamente, simultânea, intensificação das
reivindicações, que levem ao grande contra-ataque do povo – porque, como o
Sr. Papademus disse, tudo é fiscal. Sabem o que quer dizer “fiscal”? Quer dizer
acabar com as verbas para a educação, a saúde, tudo. Com o pretexto de não
perder salários, pensões e o 6.º pagamento, vão cortar-nos tudo ao tiraremnos
o 6.º pagamento, o 7.º pagamento e com o novo memorando”.
1 PAME: sigla, em grego, de Frente Militante de Todos os Trabalhadores, central sindical de
classe da Grécia. [NT]
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://inter.kke.gr/News/news2011/2011-11-11-pame
Tradução do inglês de TAM
Colocado em linha em: 2011/11/21
A primeira resposta do povo ao
novo governo
Partido Comunista da Grécia (KKE)
11/11/2011
Os líderes do social-democrata PASOK, da direitista ND e do nacionalista LAOS,
exprimindo as intenções estratégicas do capital nacional e da UE, procederam à
formação de uma nova coligação governamental que, em benefício da
plutocracia, vai tentar fazer avançar ainda mais a ofensiva contra os
trabalhadores e o povo.
A cooperação política destes três partidos, com o apoio de outros partidos
burgueses, como o DHSY, de centro-direita, o DHMAR, de centro esquerda, dos
ecologistas e outros, resultou na criação de um governo de coligação, com a
indigitação do banqueiro L. Papademus como Primeiro-ministro.
O gabinete de imprensa do CC do KKE afirmou num comentário acerca do
acordo PASOK-ND-LAOS: “ O PASOK, a ND e Karatzaferis colocaram à frente
do seu governo de coligação o banqueiro L. Papademus; este é o desejo da
plutocracia grega e da UE. O povo deve contrapor a sua própria aliança
trabalhadores-povo contra esta aliança negra para os impedir e derrubar”.
A primeira resposta ao governo antipopular foi dada pela PAME1 com grandes
comícios em Atenas e outras cidades na noite de 10 de novembro.
A manifestação de Atenas realizou-se na praça central Omonoia. Giorgos
Sifonios, presidente do sindicato na “Aço Grego” abriu o comício e transmitiu
aos manifestantes as saudações revolucionárias dos 400 grevistas da empresa,
que estão parados desde o dia 31 de outubro com sucessivas greves de 24 horas,
em luta pela reintegração de 34 colegas despedidos.
Como representante da PAME, Savvas Tsimpoglou salienta que o movimento
sindical de classe é contra a chamada coesão social. Rejeita a conciliação de
classes. Com mobilizações grevistas e manifestações abrir-se-á um novo rumo
2
em frentes de luta que se devem desenvolver para lutar pela solução dos
problemas do povo.
Seguiu-se uma boa manifestação em direção ao Parlamento.
A Secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, que participou na
manifestação, fez a seguinte declaração à Comunicação Social:
“Não podemos perder um único dia. Antes que o governo se reorganize, antes
que tome as primeiras medidas, deve sentir a oposição do povo a essas
medidas. Há problemas particulares imediatos, como por exemplo a abolição
dos pesados impostos, problemas imediatos relacionados com a fiscalidade, a
taxa “solidária”, o aumento do IVA, os conselhos escolares que não têm
dinheiro, as residências de estudantes que vão fechar amanhã porque não há
dinheiro em lado nenhum para que as universidades as possam financiar.
Por conseguinte, os problemas são imediatos e deve-se dinamizar as lutas em
toda a parte. A imediata e, obviamente, simultânea, intensificação das
reivindicações, que levem ao grande contra-ataque do povo – porque, como o
Sr. Papademus disse, tudo é fiscal. Sabem o que quer dizer “fiscal”? Quer dizer
acabar com as verbas para a educação, a saúde, tudo. Com o pretexto de não
perder salários, pensões e o 6.º pagamento, vão cortar-nos tudo ao tiraremnos
o 6.º pagamento, o 7.º pagamento e com o novo memorando”.
1 PAME: sigla, em grego, de Frente Militante de Todos os Trabalhadores, central sindical de
classe da Grécia. [NT]
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Mikis Theodorakis
Se os povos da Europa não se levantarem,
os bancos trarão o fascismo de volta
por Mikis Theodorakis
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
07/Novembro/2011
A versão em francês encontra-se em www.centpapiers.com/... e em http://www.silviacattori.net/article2301.html
Tradução de Margarida Ferreira.
Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .
os bancos trarão o fascismo de volta
por Mikis Theodorakis
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
07/Novembro/2011
A versão em francês encontra-se em www.centpapiers.com/... e em http://www.silviacattori.net/article2301.html
Tradução de Margarida Ferreira.
Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A crise na eurozona
- O continente está a destruir os fracos para proteger os fortes. Mas será suficiente?
por James K. Galbraith [*]
A crise na eurozona é uma crise bancária pretendendo ser uma série de crises de dívida nacional e complicada por ideias económicas reaccionárias, uma arquitectura financeira defeituosa e um ambiente político tóxico, especialmente na Alemanha, na França, na Itália e na Grécia.
Tal como a nossa, a crise bancária europeia é o produto da excessiva concessão de empréstimos a tomadores fracos, incluindo o crédito para habitação na Espanha, o comercial imobiliário na Irlanda e o sector público (parcialmente para infraestrutura) na Grécia. Os bancos europeus alavancaram-se para comprar hipotecas tóxicas americanas e quando estas entraram em colapso eles começaram a despejar seus fracos títulos soberanos para comprar outros fortes, conduzindo para cima os rendimentos e finalmente forçando toda a periferia europeia para dentro da crise. A Grécia foi simplesmente o primeiro dominó na linha.
Em tais crise, a primeira defesa dos bancos é mostrar surpresa – "ninguém podia ter sabido! – e culpar seus clientes por imprudência e trapaça. Isto é verdade mas obscurece o facto de que os banqueiros pressionaram os empréstimos muito arduamente enquanto as taxas eram gordas. A defesa funciona melhor na Europa do que nos EUA porque fronteiras nacionais separam credores de devedores, obrigando os líderes políticos na Alemanha e França aos seus banqueiros e promovendo uma narrativa de racismo nacional ("gregos preguiçosos", "italianos irresponsáveis") cujo equivalente na América pós direitos civis foi em grande parte suprimido.
Subjacente ao poder do banqueiro na Europa Credora está uma sensibilidade calvinista que transformou excedentes num símbolo de virtude e défices numa marca de vício, enquanto fetichizava a desregulamentação, privatização e ajustamento conduzido pelo mercado. Os europeus do Norte esqueceram que integração económica sempre concentra a indústria (e mesmo a agricultura) nas regiões mais ricas.
Quando este processo se desdobra os alemães colhem as rendas e instruem os recém endividados clientes a cortarem salários, liquidarem activos e abandonarem suas pensões, escolas, universidades e cuidados de saúde – muitos dos quais eram de segunda classe. Recentemente as instruções tornaram-se ordens, entregues pelo FMI e pelo BCE, demonstrando aos novos peões da dívida europeus que eles já não vivem em estados democráticos.
A vantagem estado-unidense
A arquitectura da eurozona torna as coisas piores sob dois aspectos. Se bem que a UE tenha pago alguma compensação às suas regiões mais pobres, estes fundos estruturais nunca foram adequados e agora estão bloqueados por incumpríveis exigências de co-pagmento. E falta à zona canais de redistribuição inter-regional para famílias que os EUA desenvolveram com a Segurança Social, Medicare, Medicaid, folhas de pagamento do governo federal e contratação de militares dentre outras coisas. Nem tão pouco os aposentados alemães assentam na Grécia ou em Portugal em grandes números como fazem os nova-iorquinos na Florida ou os de Michigan no Texas.
Em segundo lugar, o BCE recusa-se a resolver a crise de repente, o que poderia fazer através da compra de títulos de países fracos e refinanciá-los. O argumento contra isto é chamado "risco moral" ("moral hazard"), reforçado por velhos temores de inflação, mas a questão real é que fazer isso admitiria perda de controle por parte dos credores sobre o banco central. Acções paralelas àquelas tomadas pelo Federal Reserva – nacionalizar todo o mercado de papel comercial, por exemplo – afastaria o BCE, muito embora ele compre títulos soberanos quando tem de fazê-lo. Assim, ao contrário, a zona avançou na criação de um gigantesco CDO tóxico chamado European Financial Stability Fund (EFSF), o qual pode a breve trecho ser transformado num ainda mais gigantesco CDS tóxico (como a AIG, eles chamavam a isto "seguro"). Isto pode adiar o pânico no máximo por uns poucos momentos.
Soluções técnicas existem. A mais desenvolvida delas é a "Modest Proposal" de Yanis Varoufakis e Stuart Holland, amplamente apoiada pelos líderes políticos mais velhos na Europa. Ela seria 1) converter os primeiros 60 por cento do PIB da dívida de todo país da eurozona num título europeu comum, emitido pelo BCE; 2) recapitalizar e europeizar o sistema bancário, rompendo o colete de força que amarra bancos nacionais a políticos nacionais; e 3) financiar um programa de projectos de investimento como o New Deal através do Banco Europeu de Investimentos.
Propostas variantes incluem o apelo de Kunibert Raffer a um regime de insolvência soberana modelado no estatuto de bancarrota municipal dos EUA, a proposta de Thomas Palley de um novo "governo banqueiro" e a proposta de Jan Toporowski de um imposto sobre balanços dos bancos para retirar excesso de dívida pública.
Estas são as melhores ideias e nenhuma delas acontecerá. As classes políticas da Europa nestes dias existem numa morsa forjada por banqueiros desesperados e eleitores raivosos, não menos na Alemanha e França do que na Grécia ou Itália. O discurso é impermeável a ideias novas e a sobrevivência política depende de chutar latas estrada abaixo de modo a que o facto de isto ser uma crise bancária não tenha de ser enfrentado. O destino dos fracos é na melhor das hipóteses secundário. Portanto, toda reunião de ministros das Finanças e primeiros-ministros proporciona meias medidas traidoras e evasões legais.
O exemplo mais recente foi a lógica em trança (pretzel-logic) que declarou um haircut de 50 por cento sobre a dívida grega ser "voluntário" de modo a que não disparasse cláusulas de incumprimento sobre os CDS a que alguns bancos americanos, em particular, possam estar expostos. Quando Timothy Geithner no mês passado advertiu os europeus de "catástrofe" potencial alguém pode razoavelmente inferir que ele tinha este risco em mente – e não é o efeito menor sobre o nosso já desastroso quadro de empregos. Mas naturalmente se o haircut pode ser declarado voluntário, então os CDS não valem o espaço de armazenagem que ocupam nos computadores dos banqueiros e mais uma escora no mercado cada vez mais fracos de dívidas soberanas cai para o chão.
A fragilidade política também explica a fúria em França e na Alemanha quando George Papandreu [o homem mais calmo da Europa, a propósito, que nasceu e foi criado no Minnesota] quis cortar o nó dos seus ministros rebeldes, da oposição irresponsável e do público irado submetendo o último pacote de austeridade a votação. Deus ajude os banqueiros! O movimento foi de imediato fatal para Papandreu e a Grécia agora será entregue a uma junta de representantes de credores se puderem encontrar gente disposta a aceitar o emprego. Não haverá ninguém que queira continuar a viver na Grécia depois disso.
A Grécia e a Irlanda estão a ser destruídos. Portugal e Espanha estão no limbo e a crise muda-se para a Itália – realmente demasiado grande para cair – a qual está a ser colocada numa concordata ditada pelo FMI no momento em que escrevo. Enquanto isso a França luta para adiar a (inevitável) degradação da sua classificação AAA através do corte de todo programa social e de investimento.
Se houvesse uma saída fácil do euro, a Grécia já teria ido. Mas a Grécia não é a Argentina com soja e petróleo para o mercado chinês, e legalmente a saída do euro significa deixar a União Europeia. É uma opção que só a Alemanha pode fazer. Para os outros, a opção é entre o cancro e o ataque de coração, salvo uma transformação na Europa do Norte que nem mesmo vitórias socialistas na próxima ronda de eleições francesas e alemãs trariam.
Assim, o caldeirão ferve. A Europa devedora está a deslizar mais uma vez rumo à ruptura social, pânico financeiro e finalmente emigração, como caminho de saída para alguns. Mas – e aqui há outra diferença com os Estados Unidos – o povo não esqueceu totalmente como defender-se. Marchas, manifestações, greves e greves gerais estão a aumentar. Estamos no ponto em que as estruturas políticas não apresentam esperança e o bastão de comando prepara-se para passar, muito em breve, para as mãos da resistência. Ela pode não ser capaz de muito – mas veremos.
10/Novembro/2011
[*] O autor organizou uma conferência sobre a "Crise na Eurozona" na Universidade do Texas – Austin em 3-4/Novembro/2011. Os documentos e apresentações podem ser encontrados em http://tinyurl.com/3kut4k5 , bem como um vídeo de toda a conferência.
O original encontra-se em http://www.salon.com/2011/11/10/the_crisis_in_the_eurozone/singleton/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
por James K. Galbraith [*]
A crise na eurozona é uma crise bancária pretendendo ser uma série de crises de dívida nacional e complicada por ideias económicas reaccionárias, uma arquitectura financeira defeituosa e um ambiente político tóxico, especialmente na Alemanha, na França, na Itália e na Grécia.
Tal como a nossa, a crise bancária europeia é o produto da excessiva concessão de empréstimos a tomadores fracos, incluindo o crédito para habitação na Espanha, o comercial imobiliário na Irlanda e o sector público (parcialmente para infraestrutura) na Grécia. Os bancos europeus alavancaram-se para comprar hipotecas tóxicas americanas e quando estas entraram em colapso eles começaram a despejar seus fracos títulos soberanos para comprar outros fortes, conduzindo para cima os rendimentos e finalmente forçando toda a periferia europeia para dentro da crise. A Grécia foi simplesmente o primeiro dominó na linha.
Em tais crise, a primeira defesa dos bancos é mostrar surpresa – "ninguém podia ter sabido! – e culpar seus clientes por imprudência e trapaça. Isto é verdade mas obscurece o facto de que os banqueiros pressionaram os empréstimos muito arduamente enquanto as taxas eram gordas. A defesa funciona melhor na Europa do que nos EUA porque fronteiras nacionais separam credores de devedores, obrigando os líderes políticos na Alemanha e França aos seus banqueiros e promovendo uma narrativa de racismo nacional ("gregos preguiçosos", "italianos irresponsáveis") cujo equivalente na América pós direitos civis foi em grande parte suprimido.
Subjacente ao poder do banqueiro na Europa Credora está uma sensibilidade calvinista que transformou excedentes num símbolo de virtude e défices numa marca de vício, enquanto fetichizava a desregulamentação, privatização e ajustamento conduzido pelo mercado. Os europeus do Norte esqueceram que integração económica sempre concentra a indústria (e mesmo a agricultura) nas regiões mais ricas.
Quando este processo se desdobra os alemães colhem as rendas e instruem os recém endividados clientes a cortarem salários, liquidarem activos e abandonarem suas pensões, escolas, universidades e cuidados de saúde – muitos dos quais eram de segunda classe. Recentemente as instruções tornaram-se ordens, entregues pelo FMI e pelo BCE, demonstrando aos novos peões da dívida europeus que eles já não vivem em estados democráticos.
A vantagem estado-unidense
A arquitectura da eurozona torna as coisas piores sob dois aspectos. Se bem que a UE tenha pago alguma compensação às suas regiões mais pobres, estes fundos estruturais nunca foram adequados e agora estão bloqueados por incumpríveis exigências de co-pagmento. E falta à zona canais de redistribuição inter-regional para famílias que os EUA desenvolveram com a Segurança Social, Medicare, Medicaid, folhas de pagamento do governo federal e contratação de militares dentre outras coisas. Nem tão pouco os aposentados alemães assentam na Grécia ou em Portugal em grandes números como fazem os nova-iorquinos na Florida ou os de Michigan no Texas.
Em segundo lugar, o BCE recusa-se a resolver a crise de repente, o que poderia fazer através da compra de títulos de países fracos e refinanciá-los. O argumento contra isto é chamado "risco moral" ("moral hazard"), reforçado por velhos temores de inflação, mas a questão real é que fazer isso admitiria perda de controle por parte dos credores sobre o banco central. Acções paralelas àquelas tomadas pelo Federal Reserva – nacionalizar todo o mercado de papel comercial, por exemplo – afastaria o BCE, muito embora ele compre títulos soberanos quando tem de fazê-lo. Assim, ao contrário, a zona avançou na criação de um gigantesco CDO tóxico chamado European Financial Stability Fund (EFSF), o qual pode a breve trecho ser transformado num ainda mais gigantesco CDS tóxico (como a AIG, eles chamavam a isto "seguro"). Isto pode adiar o pânico no máximo por uns poucos momentos.
Soluções técnicas existem. A mais desenvolvida delas é a "Modest Proposal" de Yanis Varoufakis e Stuart Holland, amplamente apoiada pelos líderes políticos mais velhos na Europa. Ela seria 1) converter os primeiros 60 por cento do PIB da dívida de todo país da eurozona num título europeu comum, emitido pelo BCE; 2) recapitalizar e europeizar o sistema bancário, rompendo o colete de força que amarra bancos nacionais a políticos nacionais; e 3) financiar um programa de projectos de investimento como o New Deal através do Banco Europeu de Investimentos.
Propostas variantes incluem o apelo de Kunibert Raffer a um regime de insolvência soberana modelado no estatuto de bancarrota municipal dos EUA, a proposta de Thomas Palley de um novo "governo banqueiro" e a proposta de Jan Toporowski de um imposto sobre balanços dos bancos para retirar excesso de dívida pública.
Estas são as melhores ideias e nenhuma delas acontecerá. As classes políticas da Europa nestes dias existem numa morsa forjada por banqueiros desesperados e eleitores raivosos, não menos na Alemanha e França do que na Grécia ou Itália. O discurso é impermeável a ideias novas e a sobrevivência política depende de chutar latas estrada abaixo de modo a que o facto de isto ser uma crise bancária não tenha de ser enfrentado. O destino dos fracos é na melhor das hipóteses secundário. Portanto, toda reunião de ministros das Finanças e primeiros-ministros proporciona meias medidas traidoras e evasões legais.
O exemplo mais recente foi a lógica em trança (pretzel-logic) que declarou um haircut de 50 por cento sobre a dívida grega ser "voluntário" de modo a que não disparasse cláusulas de incumprimento sobre os CDS a que alguns bancos americanos, em particular, possam estar expostos. Quando Timothy Geithner no mês passado advertiu os europeus de "catástrofe" potencial alguém pode razoavelmente inferir que ele tinha este risco em mente – e não é o efeito menor sobre o nosso já desastroso quadro de empregos. Mas naturalmente se o haircut pode ser declarado voluntário, então os CDS não valem o espaço de armazenagem que ocupam nos computadores dos banqueiros e mais uma escora no mercado cada vez mais fracos de dívidas soberanas cai para o chão.
A fragilidade política também explica a fúria em França e na Alemanha quando George Papandreu [o homem mais calmo da Europa, a propósito, que nasceu e foi criado no Minnesota] quis cortar o nó dos seus ministros rebeldes, da oposição irresponsável e do público irado submetendo o último pacote de austeridade a votação. Deus ajude os banqueiros! O movimento foi de imediato fatal para Papandreu e a Grécia agora será entregue a uma junta de representantes de credores se puderem encontrar gente disposta a aceitar o emprego. Não haverá ninguém que queira continuar a viver na Grécia depois disso.
A Grécia e a Irlanda estão a ser destruídos. Portugal e Espanha estão no limbo e a crise muda-se para a Itália – realmente demasiado grande para cair – a qual está a ser colocada numa concordata ditada pelo FMI no momento em que escrevo. Enquanto isso a França luta para adiar a (inevitável) degradação da sua classificação AAA através do corte de todo programa social e de investimento.
Se houvesse uma saída fácil do euro, a Grécia já teria ido. Mas a Grécia não é a Argentina com soja e petróleo para o mercado chinês, e legalmente a saída do euro significa deixar a União Europeia. É uma opção que só a Alemanha pode fazer. Para os outros, a opção é entre o cancro e o ataque de coração, salvo uma transformação na Europa do Norte que nem mesmo vitórias socialistas na próxima ronda de eleições francesas e alemãs trariam.
Assim, o caldeirão ferve. A Europa devedora está a deslizar mais uma vez rumo à ruptura social, pânico financeiro e finalmente emigração, como caminho de saída para alguns. Mas – e aqui há outra diferença com os Estados Unidos – o povo não esqueceu totalmente como defender-se. Marchas, manifestações, greves e greves gerais estão a aumentar. Estamos no ponto em que as estruturas políticas não apresentam esperança e o bastão de comando prepara-se para passar, muito em breve, para as mãos da resistência. Ela pode não ser capaz de muito – mas veremos.
10/Novembro/2011
[*] O autor organizou uma conferência sobre a "Crise na Eurozona" na Universidade do Texas – Austin em 3-4/Novembro/2011. Os documentos e apresentações podem ser encontrados em http://tinyurl.com/3kut4k5 , bem como um vídeo de toda a conferência.
O original encontra-se em http://www.salon.com/2011/11/10/the_crisis_in_the_eurozone/singleton/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Albert Einstein
"A realização do socialismo requer a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: “como é possível, considerando a muito abarcadora centralização do poder, conseguir que a burocracia não seja todo poderosa e arrogante? Como podem proteger os direitos do indivíduo e mediante ele assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?”
Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição."
Einstein in "Por que Socialismo"
Físico alemão, um dos mais criativos intelectuais da história, autor de uma série de teorias que propuseram nova abordagem acerca do espaço, do tempo, da matéria e da gravitação, revolucionando a ciência e a filosofia.
Einstein possuia um intenso senso de responsabilidade de justiça social, ainda que seus esforços neste campo não tenham obtido sucesso. Graduou-se em Física e Matemática em 1900 na Federal Polytechnic Academy em Zurique, Suiça. Após a formatura tornou-se cidadão suiço e passou a trabalhar no Escritório de Patentes em Berna. No início de 1905 publicou sua tese de Doutourado na Universidade de Zurique e nove anos após sua primeira lição em física publicou 4 trabalhos que transformaram para sempre as ciências naturais.
Ter claras as metas e problemas do socialismo é de grande importância nesta época de transição."
Einstein in "Por que Socialismo"
Físico alemão, um dos mais criativos intelectuais da história, autor de uma série de teorias que propuseram nova abordagem acerca do espaço, do tempo, da matéria e da gravitação, revolucionando a ciência e a filosofia.
Einstein possuia um intenso senso de responsabilidade de justiça social, ainda que seus esforços neste campo não tenham obtido sucesso. Graduou-se em Física e Matemática em 1900 na Federal Polytechnic Academy em Zurique, Suiça. Após a formatura tornou-se cidadão suiço e passou a trabalhar no Escritório de Patentes em Berna. No início de 1905 publicou sua tese de Doutourado na Universidade de Zurique e nove anos após sua primeira lição em física publicou 4 trabalhos que transformaram para sempre as ciências naturais.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
12 de Novembro
Realizaram-se ontem (sábado, 12 de Novembro) em Lisboa duas grandiosas e combativas manifestações – mais de 180 mil professores, trabalhadores da Administração Pública Central e Local, e das Forças de Segurança; mais de 10 mil militares –.
O seu significado é bem claro. Realizadas um dia após a aprovação na generalidade pela AR do brutal OE 2012 (com os votos do PSD e CDS e a abstenção do PS), constituem uma vigorosa reafirmação de que os trabalhadores e os outros grupos sociais que a actual ofensiva pretende condenar à indigência, à precariedade, ao desavergonhado roubo de salários, rendimentos e direitos não aceitam nem aceitarão tal situação.
Os sectores sociais que ontem se manifestaram constituem o primeiro alvo da implacável ofensiva comandada pela troika estrangeira e servilmente executada pelos seus serventuários nacionais. São eles quem assegura a realização prática de funções essenciais do Estado, nomeadamente no plano dos direitos sociais, da segurança e da soberania, dos direitos das populações. Não admira que constituam o alvo prioritário de uma ofensiva cujos pressupostos são, em última análise, o inteira subordinação do nosso país aos interesses do grande capital transnacional, a hipoteca da soberania e da dignidade nacional, a inteira e cobarde submissão ao comando imperial das grandes potências europeias.
A ofensiva contra os povos da Europa deu nos últimos dias um significativo passo em frente. Tal como se verificou nomeadamente na Grécia e em Itália, o capital financeiro e o eixo franco-alemão arrogam-se o direito de determinar a permanência, o derrube e a composição dos governos nacionais e de tutelar todos os aspectos das suas políticas económicas e sociais. O rolo compressor da actual ofensiva do grande capital descarta já mesmo as manipuladas formas da democracia burguesa. Uma ofensiva contra os trabalhadores e os povos não poderia deixar lugar à voz dos trabalhadores e dos povos.
Mas o que as grandiosas manifestações de 12 de Novembro em Lisboa reafirmaram é que, queiram ou não queiram a “troika” e o seu governo, queira ou não queira o grande capital e o punhado de grupos que o comandam, a voz dos trabalhadores e do povo terá a última palavra. Teve-a ontem, numa muito poderosa afirmação de combatividade, de força e de unidade. Tê-la-á no próximo dia 24 de Novembro, numa Greve Geral que se adivinha de dimensões históricas. Tê-la-á tantas vezes quantas for necessário até que esta ofensiva seja derrotada.
Os Editores de odiario.info
O seu significado é bem claro. Realizadas um dia após a aprovação na generalidade pela AR do brutal OE 2012 (com os votos do PSD e CDS e a abstenção do PS), constituem uma vigorosa reafirmação de que os trabalhadores e os outros grupos sociais que a actual ofensiva pretende condenar à indigência, à precariedade, ao desavergonhado roubo de salários, rendimentos e direitos não aceitam nem aceitarão tal situação.
Os sectores sociais que ontem se manifestaram constituem o primeiro alvo da implacável ofensiva comandada pela troika estrangeira e servilmente executada pelos seus serventuários nacionais. São eles quem assegura a realização prática de funções essenciais do Estado, nomeadamente no plano dos direitos sociais, da segurança e da soberania, dos direitos das populações. Não admira que constituam o alvo prioritário de uma ofensiva cujos pressupostos são, em última análise, o inteira subordinação do nosso país aos interesses do grande capital transnacional, a hipoteca da soberania e da dignidade nacional, a inteira e cobarde submissão ao comando imperial das grandes potências europeias.
A ofensiva contra os povos da Europa deu nos últimos dias um significativo passo em frente. Tal como se verificou nomeadamente na Grécia e em Itália, o capital financeiro e o eixo franco-alemão arrogam-se o direito de determinar a permanência, o derrube e a composição dos governos nacionais e de tutelar todos os aspectos das suas políticas económicas e sociais. O rolo compressor da actual ofensiva do grande capital descarta já mesmo as manipuladas formas da democracia burguesa. Uma ofensiva contra os trabalhadores e os povos não poderia deixar lugar à voz dos trabalhadores e dos povos.
Mas o que as grandiosas manifestações de 12 de Novembro em Lisboa reafirmaram é que, queiram ou não queiram a “troika” e o seu governo, queira ou não queira o grande capital e o punhado de grupos que o comandam, a voz dos trabalhadores e do povo terá a última palavra. Teve-a ontem, numa muito poderosa afirmação de combatividade, de força e de unidade. Tê-la-á no próximo dia 24 de Novembro, numa Greve Geral que se adivinha de dimensões históricas. Tê-la-á tantas vezes quantas for necessário até que esta ofensiva seja derrotada.
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