segunda-feira, 16 de abril de 2012

A campanha contra a Síria




http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=180750&id_secao=9

Governo espera que mercenários também sigam a paz, diz cônsul





Contrariando mais uma vez a campanha difamatória contra a Síria liderada pelos Estados Unidos e Israel, o governo do presidente Bashar Assad colocou em vigor na quinta-feira (12) o acordo de cessar fogo proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan.



Por Mariana Viel, da redação do Vermelho



Ao mesmo tempo em que o governo sírio mostra disposição em encontrar uma saída pacífica para os conflitos — interrompendo suas atividades militares e retirando as tropas do Exército das ruas —, mercenários armados continuam fazendo uso da violência para instalar o pânico no país. Através da fronteira do país com a Turquia, os rebeldes sírios recebem diariamente armas americanas e israelenses.



Em entrevista ao Portal Vermelho, o cônsul-geral da Síria em São Paulo, Ghassan Obeid, afirmou que o governo espera que a oposição — que não é unificada — também obedeça ao acordo de paz.



“Infelizmente eles não aceitaram o cessar-fogo. A oposição é financiada por alguns grupos de outros países que incentivam que eles continuem a luta armada. Esses grupos dizem ‘Vocês estão bem armados e podem estar em melhores condições se não baixarem suas armas e não chegarem a um ponto de diálogo’.”, explica o representante sírio no Brasil.



Segundo Obeid o problema na Síria não é a democracia e nem os direitos humanos, mas sim a corrupção de grupos armados e financiados pela Turquia, Arábia Saudita, Qatar e EUA. “A situação na Síria não pode ser associada a outras situações no mundo árabe. O que acontece lá não é a primavera árabe, como alguns dizem”.



“Se a Síria parar de usar a força do Exército, os grupos armados devem também parar de usar a violência contra o governo e o povo. Aqueles que apoiam os grupos armados devem fechar a torneira de dinheiro e de armas para deixar a paz torna-se realidade”, enfatiza.



Ele denuncia que a estratégia desses grupos é causar pânico e colocar a população em confronto. Parte da tática dos mercenários é incitar o conflito entre diferentes grupos no país. O cônsul cita como exemplo o assassinato de mulçumanos para colocá-los em atrito direto com cristãos e vice-versa. “Eles matam mulheres e crianças e filmam essas barbaridades para colocar na televisão e jogar a culpa no governo. Quando não chegam a realizar o crime, o falsificam com photoshop e divulgam as imagens afirmando que aquilo aconteceu em Homs ou Damasco”.



A situação é ainda agravada pelo bloqueio comercial imposto pela Europa, essencialmente França e Inglaterra. “Cortaram todas as formas de financiamento e de transferência bancária para não deixar o país importar e exportar produtos e mercadorias, deixando o povo em uma miséria sem precedente”.



Eleições



Obeid reforça que outra demonstração do governo de Bashar Assad em traçar um caminho de paz para o país é a convocação das eleições parlamentares para o dia 7 de maio.



As eleições sírias se dão no marco da nova Constituição referendada recentemente e elegerão 250 deputados — dos quais mais da metade devem ser trabalhadores.



“Eles rejeitam o diálogo e não querem participar das eleições. Será a primeira eleição baseada sobre a nova lei de multipartidarismo e sobre a nova lei de eleições livres na Síria. São leis muito avançadas — cópias de leis modernas utilizadas em países europeus e da América Latina”.



A antiga Constituição síria dizia que o partido que governava o país tinha supremacia sobre todos os demais. Segundo a nova Constituição todos os partidos políticos são iguais e não existe supremacia.



“Antigamente a Síria tinha nove partidos políticos — o partido Baath, no poder, e oito integrantes da Frente Nacional. Atualmente temos 15 partidos políticos”. O cônsul explica que outros cinco aguardam aprovação de seus estatutos para serem legalizados. “No total teremos 20 partidos políticos que vão disputar as eleições de maio”.



Campanha midiática



Em defesa dos interesses imperialistas na Síria, uma grande parcela da mídia colabora com a campanha de desestabilização do governo. A maioria das falsas notícias é difundida pelas redes Al Jazeera e Al Arabya — do Qatar e da Arábia Saudita. “Para ser franco não fico feliz, mas não quero prejulgar toda a mídia. Nosso problema na Síria de verdade é a difamação e as falsas informações divulgadas”.



Ele cita que os EUA pagaram mais de US$ 6 milhões para criar um canal de televisão, baseado em Londres, e que divulga informações falsas sobre a realidade na Síria. “Quando um jornalista perguntou para a secretária de Estado Hillary Clinton por que eles fizeram isso, ela respondeu que era uma ajuda para o povo sírio. Mas não é uma ajuda para o povo sírio financiar um canal de televisão para divulgar falsas informações e fazer o povo se matar”.



No Brasil, Obeid conta que em diversas situações chamou a atenção de veículos de comunicação de alcance nacional como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo sobre o conteúdo de suas publicações. “Na terça-feira (10) dei o visto para um jornalista do Estado de S. Paulo que queria ir para a Síria fazer entrevistas. Chamei também o canal Bandeirantes para enviar uma equipe para percorrer o país com toda liberdade fazer entrevistas e encontros, e mostrar ao povo amigo e fraterno brasileiro o que acontece realmente na Síria.



“Aceitamos o acordo e a chegada de 300 observadores internacionais. A Síria abriu a porta para 30 canais de televisão internacionais e mais de 180 jornalistas”.



Brasil



Ainda durante a entrevista, o cônsul reafirmou os laços fraternos entre o governo brasileiro, a Síria e todo o povo árabe. Ele ressalta que o país precisa ocupar uma cadeira permanente no Conselho e Segurança da ONU.



“Quando o Brasil intervém em algum assunto ajuda a encontrar consenso. O Brasil disse que apoia as reformas planejadas pelo presidente Bashar Assad e defende os direitos humanos sem aceitar qualquer violência e massacre. Ele sabe diferenciar que há grupos armados fora da lei que atuam na Síria”.



Segundo ele, o governo brasileiro ajuda a manter a lei internacional e a preservar a soberania no país para não deixar que a Otan — liderada pelos EUA e outras potências imperialistas — façam com a Síria o mesmo que aconteceu na Líbia. Obeid cita ainda como aliados Rússia, China, Índia, África do Sul e Líbano.



“Querem trocar o governo para que a Síria seja governada por um grupo dominado pelos Estados Unidos e pela Europa. Se os Estados Unidos e a Europa tivessem muita preocupação com os direitos humanos do povo sírio chorariam pelo povo que está há mais de 60 anos sobre o domínio de Israel nas Colinas Golan. Por que não deixam liberar o território palestino que vive sob a matança de Israel? Se estão assim preocupados com os direitos humanos devem primeiro começar aplicando as resoluções das Nações Unidas”.

















sábado, 14 de abril de 2012

Documentos sobre a contra-revolução na União Soviética. Iremos publicar regularmente documentos (mais ou menos recentes) sobre a Revolução Russa, Lenine, a verdade histórica de Stáline, os propósitos revisionistas de Trótsky, Kamenev, Bukhárin e, mais tarde, de Kruchev (as mentiras sobre o socialismo já vêm do tempo deste Secretário-Geral). Trata-se de denunciar com documentos as mentiras da propaganda.

Para a História do socialismo


www.hist-socialismo.net

Recensão de CN, Abril 2004

_____________________________

Serguei Kara-Murza

A Civilização Soviética

Algoritm, Moscovo, 2002

Índice

Introdução...........................................................................................................pág. 4

Da reforma à «revolução». A etapa da glasnost............................ ...............pág. 5

A «reforma» das instituições................................................................................pág. 7

Alterações no sistema político..............................................................................pág. 9

Forças armadas e de segurança interna...............................................................pág. 10

O desmantelamento da administração do Estado...............................................pág. 10

A desestabilização da economia...................................................................pág. 11

A campanha anti-álcool........................................................................................pág. 13

A liquidação do sistema de planificação...............................................................pág.14

A origem dos nacionalismos.................................................................................pág. 16

O «golpe» de Agosto de 1991................................................................................pág. 18

O revisionismo e a perestróika..........….........................................................pág. 20

A manipulação das consciências.................................................................pág. 21

A campanha anti-kolkhozes..................................................................................pág. 24

Meias-verdades e mentiras descaradas................................................................pág. 26

O desempenho do sistema agrícola......................................................................pág. 27

A descapitalização da agricultura.........................................................................pág. 29

Dificuldades do sistema soviético................................................................pág. 31

O mundo dos símbolos.........................................................................................pág. 32

A economia e a sociedade.....................................................................................pág. 33

A eficácia da planificação......................................................................................pág. 35

O papel social das empresas..........................................................................pág.38

O direito à alimentação.........................................................................................pág.40

Habitação garantida..............................................................................................pág. 41

Os cuidados de saúde....................................….....................................................pág. 43

O apoio à infância........................................….......................................................pág. 44

A extinção da pobreza...........................................................................................pág. 45

O pleno emprego...................................................................................................pág. 47

2

Nota de introdução

A «perestróika» (reconstrução, reestruturação, reorganização) começou por designar um conjunto de reformas económicas, sociais e políticas dentro da sociedade soviética, visando o desenvolvimento e aperfeiçoamento do socialismo.

Este ímpeto reformador e mobilizador da sociedade, presente em vários outros períodos da história da União Soviética, designadamente na época de Khruchov ou no breve período de Andropov, teve início com a eleição de Mikhail Gorbatchov para secretário-geral do PCUS, no Plenário do Comité Central de Abril de 1985.

Numa primeira fase, no plano interno, foram declarados objectivos prioritariamente de carácter económico, como o aumento da produtividade, da eficácia, da qualidade da produção, a auto-sustentabilidade das empresas, o melhoramento da rede de abastecimento, entre outros.

No plano político e social declarou-se, de forma geral, o regresso aos princípios leninistas, a dinamização dos sovietes, o aprofundamento da democracia socialista, o combate à burocracia, ao departamentalismo, à corrupção, etc.

Estes objectivos foram confirmados pelo XXVII Congresso do PCUS, realizado entre 25 de Fevereiro e 6 Março de 1986, cujas decisões, apontando a necessidade de reformas concretas em vários planos da sociedade, proclamaram o contínuo desenvolvimento das enormes potencialidades do sistema socialista soviético, colocando designadamente a meta de duplicar o Produto Interno Bruto no período subsequente de 15 anos.

Porém, a orientação dada a estas reformas cedo começou a pôr em causa não só os princípios do socialismo mas também os próprios fundamentos em que assentava todo o sistema político, social e económico da URSS.

Na sua extensa obra, Civilização Soviética, (dois volumes e mais de 1600 páginas em corpo pequeno), publicada em 2002 e da qual não conhecemos traduções do russo, Serguei Kara-Murza expõe-nos uma interessante visão sobre a nova sociedade nascida em 1917 na Rússia czarista, analisando os distintos períodos que marcaram a sua implantação, desenvolvimento e desagregação.

Neste brevíssimo e lacunar resumo, abordamos apenas os capítulos que se referem à fase da perestróika, procurando apresentar, na perspectiva do autor, os principais momentos deste processo que se revelou decisivo para a destruição da URSS e para a derrota do socialismo como sistema mundial.

CN, Abril 20041

1 O presente trabalho foi revisto em Julho de 2008.

3

Da reforma à «revolução»

(Vol. II, parte II, C. 5, págs. 269-278)

O programa de reformas do estado soviético entrou numa fase decisiva no ano de 1987. Serguei Kara-Murza afirma que foi então que Gorbatchov definiu a perestróika como «uma revolução», ou seja, «os mais altos dirigentes do PCUS viam agora a tarefa não num processo gradual de reformas, mas na transformação da sociedade através da quebra e ruptura com a continuidade».

Neste sentido, Kara-Murza considera que «a perestróika se inclui na categoria das «revoluções feitas a partir de cima» (…), «nas quais as camadas dirigentes, utilizando o aparelho do Estado, têm um papel decisivo».

Entre outros aspectos, que serão aprofundados mais adiante neste trabalho, o autor nota que a «perestróika fez parte integrante do conflito mundial – a guerra-fria», e que «no seu desenvolvimento e aproveitamento dos resultados, as forças políticas estrangeiras desempenharam um importante e activo papel».

Como força motriz desta «revolução», surgiu «uma invulgar aliança» dos seguintes grupos sócioculturais: «parte da nomenclatura do Estado e do Partido, ansiosa por superar o amadurecimento de uma crise de legitimidade e conservar a sua situação (mesmo que para isso tivessem de trocar de máscara ideológica); parte da inteligentsia, seduzida pela utopia liberal do Ocidente (moviam-na vagos ideais de liberdade e de democracia e a visão de prateleiras repletas de produtos); e camadas criminosas ligadas à economia paralela».

Em geral, conclui Kara-Murza, «todos estes sujeitos activos da perestróika obtiveram no final aquilo que pretendiam. Os grupos da economia paralela e a nomenclatura acederam à propriedade e dividiram entre eles o poder, a inteligentsia – prateleiras repletas e a liberdade de atravessar a fronteira».

Com ironia amarga, o autor recorda que uma das principais exigências levantadas pela inteligentsia no decorrer da perestróika foi «o fim dos limites à subscrição» de jornais e revistas: «Os limites foram retirados (em 1988), mas a tiragem do [jornal] Literaturnaia Gazeta caiu de cinco milhões para 30 mil exemplares (em 1997). A falta de dinheiro restringe mais fortemente a liberdade de subscrição do que os limites que antes existiam. Mas sobre isto não pensaram.»

A etapa da glasnost

A glasnost (transparência, publicitação) designou a primeira etapa da perestróika, que se prolongou «até à autêntica desmontagem do Estado soviético. Constituiu uma “revolução nas consciências”, conduzida de acordo com a teoria da revolução de Antonio Gramsci 2».

Este fundador do Partido Comunista Italiano, nos seus Cadernos da Prisão, publicados pela primeira vez em 1948, desenvolve uma nova teoria sobre o Estado e a revolução adaptada à população urbana, que se contrapõe à teoria leninista alegadamente concebida para o contexto de uma Rússia rural.

Partindo do postulado de Maquiavel de que o Estado depende da força e da concórdia, Gramsci, como explica o autor (V. II pág.539), vê na destruição da «hegemonia cultural» a via revolucionária para a destruição do Estado.

A situação de hegemonia atinge-se quando o nível de concórdia e aceitação entre os cidadãos é suficiente para os fazer desejar aquilo que a classe dominante exige. Trata-se, porém, de um processo dinâmico, em que, mesmo depois de atingida a hegemonia, são necessários esforços constantes para a manter e renovar.

2 Antonio Gramsci, (1891-1937), político, jornalista e teórico marxista foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, constituído em 21 de Janeiro de 1921, a partir de uma facção do Partido Socialista Italiano. 4

A estabilidade ou o derrubamento dos regimes políticos dependeria assim da capacidade de alcançar ou de destruir a «hegemonia», no pressuposto de que em qualquer dos casos se trata não de um resultado da luta de classes, mas de um processo «molecular», de graduais e imperceptíveis alterações na opinião e atitude de cada cidadão.

Uma vez que a «hegemonia» se alicerça sobre o «núcleo cultural» das sociedades (o conjunto de concepções sobre o mundo e a humanidade, o bem e o mal, o belo e o horrível, bem como numa diversidade de símbolos e imagens, tradições e preconceitos, experiências e conhecimentos adquiridos ao longo de muitos séculos), torna-se necessário, para quebrá-la, agir permanentemente através da repetição ininterrupta das mesmas afirmações, dirigidas ao senso comum e não contra o adversário ou inimigo de classe. Depois de muito habituado, o cidadão médio acreditaria no que lhe é transmitido sem precisar de raciocinar.

Quando amadurece a «crise hegemónica» e surge uma situação de «guerra», as acções «moleculares» devem ser reforçadas rapidamente com operações planeadas que provoquem um profundo impacto nas consciências (Kara-Murza refere como exemplos, os acontecimentos da Roménia de 1989 ou o «golpe» de Moscovo de Agosto de 1991).

Esta teoria, afirma o autor, inspirou a etapa da glasnost e todo o programa de desintegração da «hegemonia» do regime soviético. O «sucesso» de tal operação estava à partida garantido porque, ao contrário da Itália de Gramsci onde os comunistas nunca dominaram os instrumentos de poder, na URSS todo o aparelho ideológico e de propaganda encontrava-se naquele momento nas mãos dos conspiradores.

Assim, a glasnost constituiu «um grande programa de destruição de imagens, símbolos e ideias, que consolidavam o “núcleo cultural” da sociedade e reforçavam a hegemonia do estado soviético. Este programa foi executado através da intensa utilização dos meios estatais de informação de massas, envolvendo activamente prestigiados cientistas, poetas e artistas. Nesta operação, a parte da inteligentsia que apelava ao bom senso foi completamente silenciada, impedindo-se qualquer tentativa de debate sério na sociedade: «a «maioria “reaccionária” não logrou expressar-se».

E mesmo alguns artigos de sinal contrário que geraram forte polémica, como a famosa «Carta de Nina Andreeva»3, foram intencionalmente e «minuciosamente seleccionadas, entre as intervenções mais grosseiras», afirma o autor.

A descredibilização dos símbolos e imagens alcançou uma notável profundidade histórica alvejando, desde figuras recentes como o general Jukov, até personagens do passado como o general Kutuzov ou mesmo o mítico Aleksandr Nevski.

Foram utilizados de forma intensiva os grandes acidentes (Tchernóbil ou o naufrágio do navio «Admiral Nakhimov», em Abril e Agosto de 1986, respectivamente), os incidentes (aterragem na Praça Vermelha da avioneta do cidadão alemão, Mathias Rust, em Maio de 1987), os derramamentos de sangue (Tbilissi, 1989), ou ainda situações chocantes como a infecção com SIDA de 20 crianças num hospital da cidade de Elist, em Kalmekia, que produziram um grande efeito psicológico.

A propósito deste último caso, o autor lembra que na mesma altura, em França, foram infectadas quatro mil pessoas com sangue contaminado, notícia que foi completamente omitida pela imprensa e televisão soviéticas.

Também o movimento ecologista foi chamado a desempenhar um papel puramente ideológico, levantando todo o tipo de suspeitas, designadamente sobre a segurança dos alimentos, que deixaram a opinião pública num estado próximo da psicose. As centrais de energia nuclear tornaram-se alvos de protestos, chegando mesmo a ser encerrada uma unidade na Arménia, que alguns anos depois foi reactivada.

3 Carta publicada no jornal Sovietskaia Rossia, em 13 de Março de 1988, com o título Não Posso Renunciar aos Meus Princípios. Nina Andreeva, que era na altura professora de Química na Universidade de Leninegrado, insurgiu-se contra a campanha difamatória lançada nos media contra I.V. Stáline. Após a dissolução do PCUS, funda, em Novembro de 1991, o Partido Comunista dos Bolcheviques de toda a União do qual permanece secretária-geral.

5

De resto, observa Kara-Murza, depois de «concluída a perestróika, o movimento ecologista dissolveu-se».

Particular pressão ideológica exerceram as sondagens de opinião promovidas pelos meios de comunicação. Como exemplo eloquente, o autor refere um inquérito sobre a qualidade da alimentação, realizado em toda a União Soviética em 1989, no qual 44 por cento da população se queixavam de uma alegada falta de leite e lacticínios.

O facto é que, recorda, o consumo médio per capita deste tipo de produtos na URSS era de 358 quilogramas por ano. Nos Estados Unidos, este valor era de 263 e na Espanha de 140 quilogramas.

Mais extraordinário foi o resultado do estudo na Arménia, onde o consumo médio de leite e lacticínios atingia os 480 quilogramas anuais por pessoa. Apesar disso, uma esmagadora maioria de 62 por cento dos inquiridos terá opinado haver carência destes alimentos.

Outro vector central da ideologia da perestróika, referido por Kara-Murza, partiu da ideia de eurocentrismo, baseada no pressuposto da existência de uma civilização mundial única, personificada pelo Ocidente, que seguia o seu curso natural e correcto, do qual a Rússia, na sua etapa soviética, se teria afastado. Daqui resultou a concepção do «regresso à civilização» e a orientação para os «valores da humanidade». «O Estado foi declarado como o principal obstáculo neste caminho e a desestatização a principal tarefa».

Em resumo, «na consciência social foi denegrida a imagem de praticamente todas as instituições do Estado, desde a Academia das Ciências aos jardins-de-infância, mas sobretudo do sistema económico e do exército. Depois de criados os estereótipos negativos, iniciou-se a reforma dos órgãos de poder e da administração».

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Artigo de Pedro Afonso - Médico psiquiatraPedro Afonso, médico psiquiatra no Hospital Júlio de Matos Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no


Público



Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas

esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.



Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo

epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da

Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No

último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença

psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas

perturbações durante a vida.



Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com

impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,

urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das

crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens

infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos

dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos

os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na

escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos

terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade

de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural

que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,

criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.



Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze

anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100

casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo

das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres

humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas

sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém

maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,

deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos

ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de

alimentos.



Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez

mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença

prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e

produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de

três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a

casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma

mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão

cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três

anos.



Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de

desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho

presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela

falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição

da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,

tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.



Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar

que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,

enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à

actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e

complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de

escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando

já há muito foram dizimados pela praga da miséria.



Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com

responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos

números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de

pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um

mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de

um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência

neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.



E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o

estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se

há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma

inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.



Pedro Afonso

Médico psiquiatra





























"Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]"

Mia Couto

Opinião de Manuel António Pina




A crer em Le Yucheng, ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros da China, é "bem conhecida (...) a vontade" dos trabalhadores chineses de "trabalharem além do horário" e mesmo "de dia e de noite". Le Yucheng gabou-se ainda, falando para diplomatas estrangeiros, de que "os trabalhadores chineses têm apenas 5 a 15 dias de férias pagas por ano, menos de metade do que nos países europeus".



Podia ter-se também gabado pelo facto de, na China comunista (?), o horário de trabalho ser superior a 10 horas diárias e o salário mínimo andar pelos 180 euros ou menos.



Justamente no mesmo dia - o acaso objectivo tem destas coisas - o Governo Passos/Portas anunciava medidas para aplicar à Função Pública o Código dos Despedimentos em debate na AR (e de aprovação já assegurada pelos votos da "troika" PSD, CDS e PS), para já aos contratados a termo: despedimento sem aviso e sem indemnização (no caso dos trabalhadores do quadro, corte da indemnização para quase metade); mais duas horas de trabalho por dia para um "banco de horas" que pode ir até às 150 por ano; corte para metade do pagamento por trabalho extraordinário; trabalho extraordinário sem direito a descanso; redução das prestações de sobrevivência e por morte; transferência para qualquer lugar do país sem acordo do trabalhador; menos férias...

Dir-se-iam, face às promessas eleitorais de Passos Coelho, medidas cínicas. Não: são ('les beaux esprits...') sínicas."

in Jornal de Notícias, hoje.





segunda-feira, 9 de abril de 2012

As mentiras sobre a Guerra dos Balcãs, ou como Os EU, a Alemenha e a França provocaram a guerra e desmantelaram a Jugoslávia, ou como os EU "criaram" a Al-Kaheda

A aliança EUA/al-Qaeda na Bósnia


(exerto de um ensaio editado na GlobalResearch.ca, Outubro 17, 20011:  Bosnia, Kosovo e agora Líbia: Os custos humanos do corrente conluio com terroristas)


by Peter Dale Scott

De modo análogo, as intervenções de Clinton na Bósnia e no Kosovo foram apresentadas como humanitárias. Porém, ambos os lados tinham cometido atrocidades nesses conflitos. Do mesmo modo que os media ocidentais, Washington desvalorizou as atrocidades cometidas por muçulmanos por interesse.



A maior parte dos americanos julga que Clinton enviou forças americanas para a Bósnia para fazer aplicar os acordos de paz de Dayton no seguimento de uma bem propagandeada atrocidade sérvia: o massacre de milhares de muçulmanos em Srebrenica. Graças a uma vigorosa campanha pela firma de relações públicas Ruder Finn, os americanos fartaram-se de ouvir coisas sobre o massacre de Srebrenica, mas bastante menos sobre as decapitações e outras atrocidades praticadas por muçulmanos que antecederam e ajudam a compreender esse massacre.



Um razão importante para o ataque sérvio a Srebrenica foi acabar com os ataques armados preparados a partir dessa base sobre as aldeias vizinhas: “fontes de informação indicaram que foi esse o tormento que precipitou o ataque sérvio aos 1500 sitiados muçulmanos no interior do enclave.”27 O general Philippe Morillon, comandante das tropas da ONU na Bósnia de 1992 a 1993, testemunhou ao TICJ (Tribunal Internacional Criminal para a antiga Jugoslávia) que as forças muçulmanas baseadas em Srebrenica tinham “desencadeado ataques durante as festas ortodoxas e destruído aldeias, massacrando todos os habitantes. Isto criou um nível de ódio na região absolutamente extraordinário.”28



De acordo com o Prof. John Schindler, entre Maio e Dezembro de 1992, as forças muçulmanas atacaram repetidamente aldeias sérvias à volta de Srebrenica, matando e torturando civis, sendo alguns mutilados e queimados vivos. Até relatos pró-Sarajevo concedem que as forças muçulmanas em Srebrenica assassinaram mais de 1.300 sérvios e tinham “limpo etnicamente uma vasta área.”29



O antigo embaixador americano na Croácia Peter Galbraith admitiu mais tarde numa entrevista que o governo americano estava ciente de que “pequeno número de atrocidades” tinham sido cometidas por mujahedin estrangeiros na Bósnia, mas desvalorizou as atrocidades como “estando na ordem natural das coisas e sem grande importância.”30



Outras fontes revelam que Washington deu luz verde tácita ao armamento da Croácia e ao aumento da presença muçulmana em Srebrenica.31 Em breve, aviões Hercules C-130, alguns mas não todos iranianos, lançavam armas para os muçulmanos, violando o embargo internacional de armas que os EUA oficialmente respeitavam. Do mesmo modo, chegaram mais mujahedin árabe-afegãos. Muitas das descargas aéreas e parte dos mujahedin estavam em Tuzla, a 70 km de Srebrenica.32



De acordo com The Spectator (Londres), o Pentágono usava outros países, como a Turquia e o Irão neste movimento de armas e combatentes:

De 1992 a 1995, o Pentágono apoiou a movimentação de milhares de mujahidin e outros elementos islâmicos da Ásia Central para a Europa, para combaterem ao lado dos muçulmanos bósnios contra os sérvios. Como parte do inquérito do governo holandês ao massacre de Srebrenica de Julho de 1995, o Professor Cees Wiebes da Universidade de Amesterdão compilou um relatório intitulado “A Espionagem e a Guerra na Bósnia”, publicado em Abril de 2002. Nesse relatório, é detalhada a aliança secreta entre o Pentágono e grupos islâmicos radicais do Médio Oriente e o esforço de apoio aos muçulmanos da Bósnia. Em 1993, houve grande quantidade de contrabando de armas através da Croácia para os muçulmanos, organizado por “agências clandestinas” dos EUA, da Turquia e do Irão, em associação com uma série de grupos islâmicos que incluía os mujahidin afegãos e o Hezbollah pró-iraniano. As armas compradas pelo Irão e pela Turquia com apoio financeiro da Arábia saudita eram aerotransportadas do Médio Oriente para a Bósnia – transportes aéreos com os quais, segundo Wiebes, os EUA estavam “muito intimamente envolvidos”.33



O detalhado relatório de Cees Wiebes, baseado em anos de pesquisa, documenta tanto o caso da responsabilidade americana, como o seu vigoroso desmentido:

Às 17.45 de 10 de Fevereiro de1995, o capitão norueguês Ivan Moldestad, piloto de um destacamento de helicópteros norueguês (NorAir), estava à porta do seu alojamento temporário nas imediações de Tuzla. Estava escuro e de repente ouviu o ruído de hélices de um aparelho de transporte aéreo aproximando-se, indiscutivelmente um quadrimotor Hercules C-130. Molestad notou que o Hercules era escoltado por dois caças a jacto, embora não conseguisse ver exactamente de que tipo no meio da escuridão. Houve outros avistamentos deste voo secreto nocturno para a base aérea de Tuzla. Uma sentinela de guarda fora da unidade médica norueguesa da ONU em Tuzla também ouviu e viu as luzes do Hercules e os caças a jacto da escolta. Outros observadores da ONU utilizando equipamento de observação nocturna também viram o avião de carga e os respectivos caças. Foram imediatamente enviados relatórios ao Centro de Operações Aéreas Combinadas (COAC) da NATO em Vincenza e à UNPF em Nápoles. Quando Moldestad telefonou para Vincenza, disseram-lhe que não tinha havido nada no ar nessa noite e que devia estar enganado. Ao insistir, a ligação foi interrompida.



Os voos secretos dos aviões de carga C-130 e os lançamentos nocturnos de armas sobre Tuzla provocaram grande agitação dentro da UNPROFOR e na comunidade internacional em Fevereiro e Março de1995. Quando interpelado, um general britânico respondeu com grande segurança sobre a origem dos fornecimentos secretos através da base aérea de Tuzla: “Foram fornecimentos de armas americanos. Não há dúvida a esse respeito. E estiveram envolvidas nesses fornecimentos companhias privadas americanas.” Não foi nenhuma resposta surpreendente, porque este general tinha acesso a informações recolhidas por uma unidade dos Serviços Aéreos Especiais (SAE) britânicos em Tuzla. Os aparelhos tinham ficado dentro do alcance do equipamento especial de visão nocturna desta unidade e os britânicos viram-nos aterrar. Era uma confirmação de que tinha tido lugar uma operação clandestina americana, na qual armas, munições e equipamento de comunicações militares foram fornecidos ao exército da Bósnia- Herzegóvina. Estas operações nocturnas provocaram bastante consternação na ONU e na NATO e foram objecto de inúmeras especulações.34



Wiebes indica a possibilidade dos C-130, alguns dos quais se disse terem descolado de uma base aérea americana na Alemanha, serem controlados por autoridades turcas.35 Mas o envolvimento americano foi detectado no meio do elaborado escamoteamento pelo facto dos aparelhos americanos AWACS, que deviam ter fornecido registo dos voos secretos, ou terem sido retirados de serviço na altura conveniente ou sido conduzidos por tripulações americanas.36



O Guardian publicou um resumo do exaustivo relatório de Wiebes:

O relatório holandês mostra como o Pentágono criou uma aliança secreta com grupos islâmicos numa operação do estilo Irão-contra.

Os grupos de espionagem americano, turco e iraniano trabalharam com os islâmicos naquilo que o relatório holandês designa a “via croata”. As armas compradas pelo Irão e pela Turquia e financiadas pela Arábia Saudita eram enviadas através da Croácia inicialmente pela linha aérea oficial iraniana Iran Air e mais tarde numa frota de aviões Hercules C-130 negros.



O relatório refere que os combatentes mujahedin eram igualmente enviados e que os EUA estavam “muito intimamente envolvidos” na operação que se desenrolava em flagrante violação do embargo. Refere também que os serviços secretos britânicos obtiveram documentos provando que o Irão preparou igualmente fornecimentos de armas directamente para a Bósnia.



A operação foi promovida pelo Pentágono, em vez da CIA, que era cautelosa quanto à utilização de grupos islâmicos para canalizar armas e quanto à violação do embargo. Quando a CIA tentou colocar o seu pessoal no terreno na Bósnia, os agentes foram ameaçados pelos combatentes mujahedin e pelos iranianos que os treinavam.



A ONU confiava na espionagem americana para o controle do embargo, dependência esta que permitiu a Washington manipulá-la à vontade.37



Entretanto, o Centro al-Kifah em Brooklyn, que nos anos 80 tinha apoiado os “árabes-afegãos” combatendo no Afeganistão, virou a sua atenção para a Bósnia.



A folha de imprensa em língua inglesa do al-Kifah de nome Al-Hussam (A Espada) começou também a publicar actualizações regulares sobre a acção jihadista na Bósnia. Sob controlo dos apaniguados do xeque Omar Abdel Rahman, a folha incitava agressivamente os simpatizantes muçulmanos a aderirem eles próprios à jihad na Bósnia e no Afeganistão…. As instalações do ramo al-Kifah bósnio em Zagreb na Croácia, instalado num moderno edifício de dois andares estavam evidentemente em comunicação próxima com a sede da organização em New York. O director da delegação de Zagreb, Hassan Hakim, admitiu receber todas as ordens e fundos directamente dos escritórios centrais da al-Kifah nos EUA na Atlantic Avenue, controlada pelo xeque Omar Abdel Rahman.38



Um dos monitores na al-Kifah, Rodney Hampton-El, dava assistência a este programa de apoio, recrutando combatentes das bases do exército dos EUA como Fort Belvoir, treinando-os também em New Jersey para a guerra.39 Em 1995, Hampton-El foi julgado e condenado pelo seu papel (juntamente com o chefe da al-Kifah, o xeque Omar Abdel Rahman) na conspiração para fazer explodir símbolos nova-iorquinos. No tribunal, Hampton-El testemunhou ter pessoalmente recebido milhares de dólares para este projecto do príncipe da coroa saudita Faisal na embaixada saudita em Washington.40



Por esta altura, o actual chefe da al-Qaeda Ayman al-Zawahiri veio aos EUA para recolher fundos em Silicon Valley, onde foi recebido por Ali Mohamed, agente duplo americano e veterano das forças especiais do exército americano que tinha sido o instrutor principal na mesquita de al-Kifah.41 Quase de certeza, a recolha de fundos era para apoio aos mujahedin na Bósnia, segundo constava principal preocupação do seu chefe na altura (“A edição asiática do Wall Street Journal noticiava que em 1993 o sr. Bin Laden tinha nomeado o xeque Ayman Al-Zawahiri segundo comandante da al-Qaeda para dirigir as operações nos Balcãs.”) 42



O pormenorizado relatório de Wiebes e as histórias veiculadas nas notícias nele baseadas corroboraram anteriores acusações feitas em 1997 por Sir Alfred Sherman, conselheiro de topo de Margaret Thatcher e co-fundador do influente Centro de Estudos Políticos nacionalista de direita, de que “os EUA encorajaram e facilitaram o envio de armas para os muçulmanos via Irão e Europa de leste – facto que foi negado na altura em Washington, face a uma esmagadora evidência.”43



Era parte deste caso que a guerra na Bósnia era uma guerra americana em todos os sentidos da palavra. O governo dos EUA ajudou a iniciá-la, manteve-a e evitou o seu fim prematuro. De facto, todos os indícios são de que pretende prosseguir a guerra no futuro próximo, tão breve quanto os seus protegidos muçulmanos estiverem armados e treinados.



Especificamente, Sherman acusou o secretário de estado Lawrence Eagleburger de ter instruído em 1992 o embaixador americano em Belgrado, Warren Zimmerman, para persuadir o presidente bósnio Izetbegovic a renegar o acordo de preservação da unidade bósnia-croata-sérvia, aceitando em vez disso a ajuda americana para um estado bósnio independente.(...)



domingo, 8 de abril de 2012

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Pelo Socialismo

Questões político-ideológicas com atualidade

http://www.pelosocialismo.net

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Publicado em: http://www.collectif-communiste-polex.org/bulletin/bulletin_88_art1.htm

Tradução do francês de MT

Colocado em linha em: 2012/04/02

UM COMUNICADO DO COLETIVO COMUNISTA POLEX: NÃO AO CONSENSO PRÓ-IMPERIALISTA

Já há muitos meses que o imperialismo ocidental, encabeçado pelos Estados Unidos e secundado brilhantemente por Sarkozy-Juppé e o emir do Qatar, procura derrubar o governo da Síria em proveito dos seus protegidos, seguindo o processo que foi levado à prática na Líbia (insurreição armada, intervenção estrangeira com pretexto humanitário e conquista).

Aqueles de entre nós que há muito combatem o imperialismo e que se mantêm fiéis aos ideais da paz e da igualdade entre os povos repetem que toda a intervenção externa na guerra civil da Síria é inaceitável e irresponsável.

Por isso ficámos chocados ao ver um apelo a uma manifestação em Paris a favor dos opositores sírios e contra o único governo sírio, qualificado de criminoso e intimado a dar o lugar aos seus adversários. Mas o nosso espanto deu lugar à indignação ao vermos o incrível painel unânime dos signatários: ao lado dos opositores sírios, o Partido Socialista, com toda a lógica, dado que tinha aprovado a guerra da NATO na Líbia, mas também o NPA, o Movimento da Paz, a CGT, a FSU e o PCF! Quando Obama e Juppé-Sarkozy têm em vista uma intervenção “humanitária”, não falta a este consenso pró-imperialista senão a assinatura do UMP, que os precedentes não quiseram.

Camaradas e amigos que se consideram progressistas, interroguem-se! Quando não se faz outra coisa senão repetir o que dizem os nossos adversários políticos, não será tempo de nos colocarmos várias questões?

O regime do Baath na Síria é de natureza autoritária e os seus opositores, de direita e de esquerda, suportaram-lhe o peso desde há muito.

Mas porque não dizer que é também no Médio-Oriente um sistema mais ou menos laico, protetor das diversas comunidades do país, por exemplo, das minorias cristãs, perseguidas no vizinho Iraque “libertado” pelo Ocidente, e que também se opõe ao imperialismo israelita?

Porque não dizem que as únicas “informações” repetidas à saciedade pelas televisões francesas sobre o que se passa na Síria emanam dos insurretos antigovernamentais, enquanto nunca acreditam nas impressionantes manifestações de massas que se manifestam a favor do governo de Assad?

2

Porque escondem que se trata de uma insurreição armada contra o regime, e que se o exército sírio oficial bombardeia sem rebuços certos bairros urbanos, é porque eles abrigam os milicianos do “Exército Sírio Livre (ESL)”, largamente financiados e armados pelos dirigentes “petrolíferos” e integristas do Qatar e da Arábia Saudita, e protegidos pela vizinha Turquia ?

Porque não dizer que os insurretos do ESL, que se vangloriam de ter 40.000 homens armados sob as suas ordens, multiplicam contra as forças fiéis ao governo os tiroteios de rockets, de armas pesadas e os atentados mortais com explosivos?

Porque esconder que o governo de Assad não pode senão responder pelas armas aos insurretos armados? Ou então ceder o lugar, enquanto uma boa parte da população o apoia ?

Porque não dizer que o governo sírio aceitaria negociar os contornos de uma evolução do regime se os seus opositores aceitassem cessar as suas ações armadas?

Porque esconder que esta insurreição armada é sobretudo a questão dos salafistas, cuja única palavra de ordem quando os filmam é “Allah Akbar”?

Porquê, enfim, não dizer que o autoritarismo de Bachar al-Assad nunca impediu, desde há muitos anos, que as potências ocidentais o cortejassem, tal como o fizeram com Kadhafi, antes de o matarem? Porquê esconder que o único objetivo dos Estados Unidos da América e dos seus aliados da Europa e da Arábia é instalar em Damasco um governo pró-ocidental, aliado de Israel contra os Palestinianos e o Irão, e que seria dirigido pelos integristas como aqueles que foram instalados com a bênção do Ocidente na Tunísia, no Egito, em Marrocos, na Líbia e mesmo no Iraque? Porquê esconder que o imperialismo ocidental, nesta questão, se preocupa muito pouco com os direitos do homem e da mulher, e ir a correr ingenuamente em seu apoio?

Paris, 10 de fevereiro 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SARTRE


Existencialismo Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Ir para: navegação, pesquisa A Wikipédia possui o:

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Existencialismo é um termo aplicado a uma escola de filósofos dos séculos XIX e XX que, apesar de possuir profundas diferenças em termos de doutrinas,[1][2][3] partilhavam a crença que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual.[4] No existencialismo, o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por "atitude existencial", ou uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo.[5] Muitos existencialistas também viam as filosofias académicas e sistematizadas, no estilo e conteúdo, como sendo muito abstractas e longínquas das experiências humanas concretas.[6][7]



O filósofo do início do século XIX, Søren Kierkegaard, é geralmente considerado como o pai do existencialismo.[8][9] Ele suportava a ideia que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada,[10][11], apesar da existência de muitos obstáculos e distracções como o desespero, ansiedade, o absurdo, a alienação e o tédio[12]



Filósofos existencialistas posteriores retêm este ênfase no aspecto do indivíduo, mas diferem, em diversos graus, em como cada um atinge uma vida gratificante e no que ela constitui, que obstáculos devem ser ultrapassados, que factores internos e externos estão envolvidos, incluindo as potenciais consequências da existência[13][14] ou não existência de Deus.[15][16] O existencialismo tornou-se popular nos anos após as guerras mundiais, como maneira de reafirmar a importância da liberdade e individualidade humana .[17]



Índice [esconder]

1 Origens

2 Temáticas

2.1 Relação com a religião

2.1.1 Fé cristã e existencialismo

3 A existência precede e governa a essência

3.1 Liberdade

3.2 O Indivíduo versus a Sociedade

3.3 O Absurdo

3.4 Importantes Filósofos para o Existencialismo

4 Ateus existencialistas

5 Ver também

6 Referências

7 Ligações externas





[editar] OrigensO existencialismo é um movimento filosófico e literário distinto pertencente aos séculos XIX e XX, mas os seus elementos podem ser encontrados no pensamento (e vida) de Sócrates, Aurélio Agostinho e no trabalho de muitos filósofos e escritores pré-modernos. Culturalmente, podemos identificar pelo menos duas linhas de pensamento existencialista: Alemã-Dinamarquesa e Anglo-Francesa. As culturas judaica e russa também contribuíram para esta filosofia. O movimento filosófico é agora conhecido como existencialismo de Beauvoir. Após ter experienciado vários distúrbios civis, guerras locais e duas guerras mundiais, algumas pessoas na Europa foram forçadas a concluir que a vida é inerentemente miserável e irracional.



O existencialismo foi inspirado nas obras de Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Fiódor Dostoiévski e nos filósofos alemães Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl e Martin Heidegger, e foi particularmente popularizado em meados do século XX pelas obras do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre e de sua companheira, a escritora e filósofa Simone de Beauvoir. Os mais importantes princípios do movimento são expostos no livro de Sartre "L'Existentialisme est un humanisme" ("O existencialismo é um humanismo"). O termo existencialismo foi adotado apesar de existência filosófica ter sido usado inicialmente por Karl Jaspers, da mesma tradição.



O termo "existencialismo" parece ter sido cunhado pelo filósofo francês Gabriel Marcel em meados da década de 1940[18][19][20] e adoptado por Jean-Paul Sartre que, em 29 de Outubro de 1945, discutiu a sua própria posição existencialista numa palestra dada no Club Maintenant em Paris e publicada como O Existencialismo é um Humanismo, um pequeno livro que teve um papel importante na divulgação do pensamento existencialista.[21]



O rótulo foi aplicado retrospectivamente a outros filósofos para os quais a existência e, em particular, a existência humana eram tópicos filosóficos fundamentais. Martin Heidegger tornou a existência humana (Dasein) o foco do seu trabalho desde a década de 1920 e Karl Jaspers denominou a sua filosofia com o termo "Existenzphilosophie" na década de 1930[19][22] Quer Heidegger quer Jaspers tinham sido influenciados pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard. Para Kierkegaard, a crise da existência humana foi um tema maior na sua obra.[9][23][24] Ele tornou visto como o primeiro existencialista,[20] e mesmo chamado como o "pai do existencialismo".[9] De facto, foi o primeiro de maneira explícita a colocar questões existencialistas como foco principal da obra.[25] Em retrospectiva, outros escritores também discutiram temas existencialistas ao longo da história da literatura e filosofia. Devido à exposição dos temas existencialistas ao longo das décadas, quando a sociedade foi oficialmente introduzida ao tema, o termo tornou-se relativamente popular quase de imediato.



Na literatura, após a Segunda Guerra Mundial, houve uma corrente existencialista que contou com Albert Camus e Boris Vian, além do próprio Sartre. É importante notar que Albert Camus, filósofo além de literato, ia contra o existencialismo, sendo este somente característica de sua obra literária. Já Boris Vian definia-se patafísico.



[editar] TemáticasOs temas existencialistas são férteis no terreno da criação literária, nomeadamente na literatura francesa, e continuam a exibir vitalidade no mundo filosófico e literário contemporâneo.



As principais temáticas abordadas sugerem o contexto da sua aparição (final da Segunda Guerra Mundial), reflectindo o absurdo do mundo e da barbárie injustificada, das situações e das relações quotidianas ("L'enfer, c'est les autres", ["O inferno são os outros"], Jean-Paul Sartre). Paralelamente, surgem temáticas como o silêncio e a solidão, corolários óbvios de vidas largadas ao abandono, depois da "morte de Deus" (Friedrich Nietzsche). A existência humana, em toda a sua natureza, é questionada: quem somos? O que fazemos? Para onde vamos? Quem nos move?



É esta consciência aguda de abandono e de solidão (voluntária ou não), de impotência e de injustificabilidade das acções, que se manifesta nas principais obras desta corrente em que o filosófico e o literário se conjugam.



[editar] Relação com a religiãoApesar de muitos, senão a maioria, dos existencialistas terem sido ateístas, os autores Søren Kierkegaard, Karl Jaspers e Gabriel Marcel propuseram uma versão mais teológica do existencialismo. O ex-marxista Nikolai Berdyaev desenvolveu uma filosofia do Cristianismo existencialista na sua terra natal, Rússia, e mais tarde na França, na véspera da Segunda Guerra Mundial.



[editar] Fé cristã e existencialismoO existencialismo não é uma simples escola de pensamento, livre de qualquer e toda forma de fé. Ajuda a entender que muitos dos existencialistas eram, de fato, religiosos. Pascal e Kierkegaard eram cristãos dedicados. Pascal era católico, Kierkegaard, um protestante radical marcado pelo ríspido antagonismo com a igreja luterana. Dostoiévski era greco-ortodoxo, a ponto de ser fanático. Kafka era judeu.[26] Sartre realmente não acreditava em força divina. Sartre não foi criado sem religião, mas a Segunda Guerra Mundial e o constante sofrimento no mundo levou-o para longe da fé, de acordo com várias biografias, incluindo a de sua companheira, Simone de Beauvoir.



Para os existencialistas cristãos, a fé defende o indivíduo e guia as decisões com um conjunto rigoroso de regras em algumas vertentes cristãs e em outras como o espiritismo, as decisões são guiadas pelo pensamento, pela alma. Para os ateus, a "ironia" é a de que não importa o quanto você faça para melhorar a si ou aos outros, você sempre vai se deteriorar e morrer. Muitos existencialistas acreditam que a grande vitória do indivíduo é perceber o absurdo da vida e aceitá-la. Resumindo, você vive uma vida miserável, pela qual você pode ou não ser recompensado por uma força maior. Se essa força existe, por que os homens sofrem? Se não existe e a vida é absurda em si mesma, por que não cometer suicídio e encurtar seu sofrimento? Essas questões apenas insinuam a complexidade do pensamento existencialista.



[editar] A existência precede e governa a essênciaO existencialismo afirma a prioridade da existência sobre a essência, segundo a célebre definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre: "A existência precede e governa a essência." Essa definição funda a liberdade e a responsabilidade do homem, visto que esse existe sem que seu ser seja pré-definido. Durante a existência, à medida que se experimentam novas vivências redefine-se o próprio pensamento (a sede intelectual, tida como a alma para os clássicos), adquirindo-se novos conhecimentos a respeito da própria essência, caracterizando-a sucessivamente. Esta característica do ser é fruto da liberdade de eleição. Sartre, após ter feito estudos sobre fenomenologia na Alemanha, criou o termo utilizando a palavra francesa "existence" como tradução da expressão alemã "Da sein", termo empregado por Heidegger em Ser e tempo.



É um conceito da corrente filosófica existencialista. A frase foi primeiramente formulada por Jean-Paul Sartre, e é um dos princípios fundamentais do existencialismo.



O indivíduo, no princípio, somente tem a existência comprovada. Com o passar do tempo ele incorpora a essência em seu ser. Não existe uma essência pré-determinada.



Com esta frase, os existencialistas rejeitam a idéia de que há no ser humano uma alma imutável, desde os primórdios da existência até a morte. Esta essência será adquirida através da sua existência. O indivíduo por si só define a sua realidade.



Em 1946, no "Club Maintenant" em Paris, Jean Paul Sartre pronuncia uma conferência, que se tornou um opúsculo com o nome de "O Existencialismo é um Humanismo". Nele, ele explica a frase, desta forma:



"... se Deus não existe, há pelo menos um ser, no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana. Que significa então que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente é nada. Só depois será, e será tal como a si próprio se fizer."

[editar] LiberdadeCom essa afirmação vemos o peso da responsabilidade por sermos totalmente livres. E, frente a essa liberdade de eleição, o ser humano se angustia, pois a liberdade implica fazer escolhas, as quais só o próprio indivíduo pode fazer. Muitos de nós ficamos paralisados e, dessa forma, nos abstemos de fazer as escolhas necessárias. Porém, a "não ação", o "nada fazer", por si só, já é uma escolha; a escolha de não agir. A escolha de adiar a existência, evitando os riscos, a fim de não errar e gerar culpa, é uma tônica na sociedade contemporânea. Arriscar-se, procurar a autenticidade, é uma tarefa árdua, uma jornada pessoal que o ser deve empreender em busca de si mesmo.



Os existencialistas perguntaram-se se havia um Criador. Se sim, qual é a relação entre a espécie humana e esse criador? As leis da natureza já foram pré-definidas e os homens têm que se adaptar a elas?



Kierkegaard, Nietzsche e Heidegger são alguns dos filósofos que mais influenciaram o existencialismo. Os dois primeiros se preocupavam com a mesma questão: o que limita a ação de um indivíduo? Kierkegaard chegou à possibilidade de que o cristianismo e a fé em geral são irracionais, argumentando que provar a existência de uma única e suprema entidade é uma atividade inútil. [27] [28] [29] Nietzsche foi sobretudo um crítico da religião organizada e das doutrinas de seu tempo. Ele acreditou que a religião organizada, especialmente a Igreja Católica, era contra qualquer poder de ganho ou autoconfiança sem consentimento. Nietzsche usou o termo rebanho para descrever a população que segue a Igreja de boa vontade. Ele argumentou que provar a existência de um criador não era possível nem importante.



Nietzsche se referia à vida como única entidade que carecia de louvor. Prova disso é o eterno retorno em que ele afirmava que o homem deveria viver a vida como se tivesse que vivê-la novamente e eternamente. E quanto à Igreja, Nietzsche a condenava; para ele, dentre os inteligentes o pior era o padre, pois conseguia incutir nos pensamentos do rebanho, fundamentos que só contribuíam para o afastamento da vida. Encontramos essas críticas em O Anticristo.



[editar] O Indivíduo versus a SociedadeO existencialismo representa a vida como uma série de lutas. O indivíduo é forçado a tomar decisões; freqüentemente as escolhas são ruins. Nas obras de alguns pensadores, parece que a liberdade e a escolha pessoal são as sementes da miséria. A maldição do livre arbítrio foi de particular interesse dos existencialistas teológicos e cristãos.



As regras sociais são o resultado da tentativa dos homens de planejar um projeto funcional. Ou seja, quanto mais estruturada a sociedade, mais funcional ela deveria ser.



Os existencialistas explicam por que algumas pessoas se sentem atraídas à passividade moral baseando-se no desafio de tomar decisões. Seguir ordens é fácil; requer pouco esforço emocional e intelectual fazer o que lhe mandam. Se a ordem não é lógica, não é o soldado que deve questionar. Deste modo, as guerras podem ser explicadas, genocídios em massa podem ser entendidos. As pessoas estavam apenas fazendo o que lhe foi dito.



[editar] O AbsurdoA noção do absurdoAbsurdismo contém a idéia de que não há sentido a ser encontrado no mundo além do significado que damos a ele.

Esta falta de significado também engloba a amoralidade ou "injustiça" do mundo. Isto contrasta com as formas "cármicas" de pensar em que "as coisas ruins não acontecem para pessoas boas"; para o mundo,falando-se metaforicamente, não há tais coisas como: "pessoa boa" e/ou "uma coisa má", o que acontece, acontece, e pode muito bem acontecer a uma pessoa "boa" como a uma pessoa "ruim".

Por conta do absurdo do mundo, em qualquer ponto do tempo, qualquer coisa pode acontecer a qualquer um, e um acontecimento trágico poderia cair sobre alguém em confronto direto com o Absurdo.

A noção do absurdo tem se destacado na literatura ao longo da história. Søren Kierkegaard, Franz Kafka, Fyodor Dostoyevsky e muitas das obras literárias de Jean-Paul Sartre e Albert Camus contêm descrições de pessoas que encontro o absurdo do mundo. Albert Camus estudou a questão do "absurdo" em seu ensaio O Mito de Sísifo.



[editar] Importantes Filósofos para o ExistencialismoJean-Paul Sartre

Martin Heidegger

Karl Jaspers

Søren Kierkegaard

Edmund Husserl

Arthur Schopenhauer

Martin Buber

Friedrich Nietzsche

Há duas linhas existencialistas famosas, quer de impulsionadores, quer de existencialistas propriamente ditos.



A primeira, de Kierkegaard, Schopenhauer, Nietzsche e Heidegger é agrupada intelectualmente. Esses homens são os pais do existencialismo e dedicaram-se a estudar a condição humana. A segunda, de Sartre, Camus e Beauvoir, era uma linha marcada pelo compromisso político. Enquanto outras pessoas entraram e saíram, esses sete indivíduos definiram o existencialismo.



O filosofar Heideggeriano é uma constante interrogação, na procura de revelar e levar à luz da compreensão o próprio objeto que decide sobre a estrutura dessa interrogação, e que orienta as cadências do seu movimento: a questão sobre o Ser.



A meta de Heidegger é penetrar na filosofia, demorar nela, submeter seu comportamento às suas leis. O caminho seguido por ele deve ser, portanto, de tal modo e de tal direção, que aquilo de que a Filosofia trata atinja nossa responsabilidade, vise a nós homens, nos toque e, justamente, em todo o ente que é no Ser.



O pensamento de Heidegger é um retorno ao fundamento da metafísica num movimento problematizador, uma meditação sobre a Filosofia no sentido daquilo que permanece fundamentalmente velado.



A Filosofia sobre a qual ele nos convida a meditar é a grande característica da inquietação humana em geral, a questão sobre o Ser.



Heidegger entende que a Filosofia é nas origens, na sua essência, de tal natureza que ela primeiro se apoderou do mundo grego e só dele, usando-o para se desenvolver.



O caminho que Heidegger segue é orientado pela procura de renovar a temática do Ser na Filosofia ocidental. Todavia, ele constata que nunca o pensamento ocidental conseguiu resolver a questão sobre o Ser.



[editar] Ateus existencialistasFriedrich Nietzsche

Jean-Paul Sartre

Albert Camus

André Comte-Sponville

[editar] Ver tambémO Wikiquote possui citações de ou sobre: ExistencialismoJean-Paul Sartre

Simone de Beauvoir

Vergílio Ferreira

Albert Camus

Samuel Beckett

Maria Judite de Carvalho

Contracultura

Referências1.↑ http://plato.stanford.edu/entries/existentialism/

2.↑ John Macquarrie, Existentialism, New York (1972), pages 18–21.

3.↑ Oxford Companion to Philosophy, ed. Ted Honderich, New York (1995), page 259.

4.↑ John Macquarrie, Existentialism, New York (1972), pages 14–15.

5.↑ Robert C. Solomon, Existentialism (McGraw-Hill, 1974, pages 1–2)

6.↑ Ernst Breisach, Introduction to Modern Existentialism, New York (1962), page 5

7.↑ Walter Kaufmann, Existentialism: From Dostoyevesky to Sartre, New York (1956) page 12

8.↑ Marino, Gordon. Basic Writings of Existentialism (Modern Library, 2004, p. ix, 3).

9.↑ a b c Stanford Encyclopedia of Philosophy

10.↑ Watts, Michael. Kierkegaard (Oneworld, 2003, pp, 4-6).

11.↑ Lowrie, Walter. Kierkegaard's attack upon "Christendom" (Princeton, 1968, pp. 37-40)

12.↑ Corrigan, John. The Oxford handbook of religion and emotion (Oxford, 2008, pp. 387-388)

13.↑ Livingston, James et al. Modern Christian Thought: The Twentieth Century (Fortress Press, 2006, Chapter 5: Christian Existentialism).

14.↑ Martin, Clancy. Religious Existentialism in Companion to Phenomenology and Existentialism (Blackwell, 2006, pages 188-205)

15.↑ Robert C. Solomon, Existentialism (McGraw-Hill, 1974, pages 1–2)

16.↑ D.E. Cooper Existentialism: A Reconstruction (Basil Blackwell, 1999, page 8).

17.↑ Guignon, Charles B. and Derk Pereboom. Existentialism: basic writings (Hackett Publishing, 2001, page xiii)

18.↑ D.E. Cooper Existentialism: A Reconstruction (Basil Blackwell, 1990, page 1)

19.↑ a b Thomas R. Flynn, Existentialism: A Very Short Introduction (Oxford University Press, 2006, page 89

20.↑ a b Christine Daigle, Existentialist Thinkers and Ethics (McGill-Queen's press, 2006, page 5)

21.↑ L'Existentialisme est un Humanisme (Editions Nagel, 1946); English Jean-Paul Sartre, Existentialism and Humanism (Eyre Methuen, 1948)

22.↑ John Protevi, A Dictionary of Continental Philosophy (Yale University press, 2006, page 325)

23.↑ S. Kierkegaard, Concluding Unscientific Postscript, tradução para inglês: "A First and Last Declaration": "...to read solo the original text of the individual, human-existence relationship, the old text, well known, handed down from the fathers, to read it through yet once more, if possible in a more heartfelt way."

24.↑ Michael Weston, Kierkegaard and Modern Continental Philosophy (Routledge, 2003, page 35)

25.↑ Ferreira, M. Jamie, Kierkegaard, Wiley & Sons, 2008.

26.↑ KAFKA, Franz. A Metamorfose, Um Artista da Fome e Carta a Meu Pai. Coleção a Obra-Prima de Cada Autor. Introdução, página 12. Editora Martin Claret.

27.↑ Philosophy and Phenomenological Research - Vol. 51, No. 2, Junho de 1991 - capítulo: Kierkegaard's Pragmatist Faith (pp. 279-302) por Steven M. Emmanuel

28.↑ Kierkegaard: On Faith and the Self Baylor University Press - por C. Stevens Evans (2006)

29.↑ Kierkegaard fala da "irracionalidade" na história de Abraão que foi usado como uma ilustração de fé, em primeiro lugar. A idéia de sacrificar o próprio filho por conta das instruções da voz de Deus atingiria a maioria das pessoas normais, mesmo aqueles nos tempos bíblicos, como bastante irracional.


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA