sábado, 3 de novembro de 2012


Teses de Abril

Nota de mil rublos com a imagem de Lenin.
No trem da Suíça, Lenin tinha composto suas famosas Teses de Abril: o seu programa para o Partido Bolchevique. Nas teses, Lenin afirmou que os bolcheviques não deviam se contentar, como quase todos os outros socialistas russos, com a "burguêsa" Revolução de Fevereiro. Em vez disso, os bolcheviques deveriam avançar para uma revolução socialista dos trabalhadores e dos camponeses mais pobres: "2) A particularidade do momento atual da Rússia é que o país está passando do primeiro estágio da revolução - que deu o poder a burguesia, pelo fato do proletariado não ter o suficiente nível de consciência e de organização - ao segundo estágio, que deve colocar o poder nas mãos do proletariado e dos setores mais pobres do campesinato."[37]
Lenin argumentou que esta revolução socialista seria alcançado pelos sovietes ao tomar o poder do Governo Provisório dos parlamentares: "Não há suporte para o Governo Provisório ... Não deve ser uma República Parlamentar — pois seria um passo atrás, voltar do Soviét dos deputados operários, para ela —, e sim uma República dos Soviéts dos deputados operários, soldados e camponeses, em todo o país, de cima a baixo."[38][39]
Para conseguir isso, Lenin argumentou, que a tarefa imediata dos bolcheviques seria a campanha diligente entre o povo russo para persuadi-los da necessidade do poder Soviete: "4) Reconhecer que, na maior parte dos Sovietes de deputados operários, nosso partido está em minoria, ... e que, por isso, enquanto este governo se submete a influência da burguesia, nossa missão só pode ser a de explicar os erros de sua tática de uma forma paciente, sistemática, persistente e adaptada especialmente as necessidades práticas das massas."[37][38]
As Teses de Abril tinham sido mais radicais. A política bolchevique anterior tinha sido como a dos mencheviques neste quesito: que a Rússia estava pronta só para burgueses, não para uma revolução socialista. Stalin e Kamenev, que haviam retornado do exílio na Sibéria em meados de março, e tomaram o controle do jornal dos bolchevique, Pravda, e tinham feito campanha para o apoio ao Governo Provisório. Quando Lenin apresentou sua teses numa reunião conjunta do POSDR, ele foi vaiado pelos mencheviques. Dos bolcheviques, apenas Kollontai, a princípio apoiou as Teses.[40]
Lenin chegou às revolucionárias Teses de Abril devido ao seu trabalho no exílio sobre a teoria do imperialismo. Através de seu estudo da política mundial e da economia, Lenin chegou a ver a política russa na perspectiva internacional. Nas condições da Primeira Guerra Mundial, Lenin acreditava que, embora o capitalismo russo fosse subdesenvolvido, uma revolução socialista na Rússia poderia desencadear uma revolução nos países mais avançados da Europa, que poderia, então, ajudar a Rússia a alcançar o desenvolvimento econômico e social.[41]
Desta forma, Lenin se afastou da política anterior bolchevique de buscar só a revolução burguesa na Rússia, e rumou para a posição de seu companheiro revolucionário russo Leon Trotsky e sua teoria da revolução permanente, que pode ter influenciado Lenin neste momento.[42]
Controversa, o programa das Teses de Abril fez o partido bolchevique de refúgio político para os russos desiludidos com o Governo Provisório e a guerra.[43][44]

Lenin

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Vladimir Ilitch Lenin
Владимир Ильич Ленин
Vladimir Ilitch Lenin
Владимир Ильич Ленин
Líder da  União Soviética e presidente do Conselho de Comissários do Povo da União Soviética
Mandato 30 de dezembro de 1922
até 21 de janeiro de 1924
Sucessor(a) Alexei Rykov
Presidente do Conselho de Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia República Socialista Federativa Soviética da Rússia
Mandato 8 de novembro de 1917
até 21 de janeiro de 1924
Sucessor(a) Alexei Rykov
Líder informal do Partido Comunista da União Soviética
Mandato 17 de novembro de 1903
até 21 de janeiro de 1924
Sucessor(a) Joseph Stalin como secretário-geral
Vida
Nascimento 22 de abril de 1870
Simbirsk
Império Russo Império Russo
Falecimento 21 de janeiro de 1924 (53 anos)
Gorki, RSFS da Rússia
 União Soviética
Nacionalidade Russa Império Russo
Primeira-dama Nadežda Krupskaja
Partido Partido Bolchevique
Religião Ateísmo
Profissão Revolucionário, político
Assinatura Assinatura de Lenin
Vladimir Ilitch Lenin ou Lenine (em russo: Владимир Ильич Ленин; nascido Vladimir Ilyitch Uliánov, Владимир Ильич Ульянов; Simbirsk, 22 de abril de 1870 – Gorki, 21 de janeiro de 1924) foi um revolucionário e chefe de Estado russo, responsável em grande parte pela execução da Revolução Russa de 1917, líder do Partido Comunista, e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética. Influenciou teoricamente os partidos comunistas de todo o mundo, e suas contribuições resultaram na criação de uma corrente teórica denominada leninismo (Ética de Estado). Diversos pensadores e estudiosos escreveram sobre a sua importância para a história recente e o desenvolvimento da Rússia, entre eles o historiador Eric Hobsbawm, para quem Lenin teria sido "o personagem mais influente do século XX (Ético)".[1]

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://cubainformacion.tv/index.php/lecciones-de-manipulacion/46153-supresion-en-cuba-de-permiso-de-salida-dejara-en-evidencia-que-el-problema-para-viajar-no-era-el-gobierno-cubano
Tradução do castelhano de LG
Colocado em linha em: 2012/10/28
A supressão em Cuba da autorização de saída tornará evidente que o problema para viajar não era o Governo cubano
Lições de manipulação
José Manzaneda
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012
Era a dita autorização de saída do Governo cubano o que impedia a população cubana de viajar, tal como fazem crer os grandes meios de comunicação internacionais? E, portanto, poderá esta agora viajar rapidamente e sem problemas, podendo ainda pagar o seu bilhete e estadia? De todo.
A supressão em Cuba da autorização de saída tornará evidente que o problema para viajar não era o Governo cubano.
José Manzaneda, coordenador da Cubainformación – A recente medida do Governo cubano de suprimir a autorização de saída para viajar para o exterior da Ilha é, sem dúvida, algo que era desejado pela maioria da população cubana1 e um passo positivo que eliminará obstáculos administrativos e agilizará o tempo de tramitação para viajar para fora de Cuba.
Mas era a citada autorização do Governo cubano o que impedia a população cubana de viajar, tal como fazem crer os grandes meios de comunicação internacionais? E, portanto, poderá esta agora viajar rapidamente e sem problemas, podendo ainda suportar os custos do seu bilhete e estadia? De todo.
A correspondente em Havana do canal público Televisión Española, Sagrario García Mascaraque, dizia-nos o seguinte: “(Esta) é a reforma mais desejada pelos cubanos
1 http://www.cubainformacion.tv/index.php/emigracion/46125-medidas-historicas-del-gobierno-cubano-para-facilitar-viajes-al-exterior
2
desde há muito, angustiados pelos lentos e custosos trâmites para conseguir uma autorização de saída do país, que nem sempre chegava”2.
A sua mensagem é clara: era o Governo quem impedia a saída do país ao seu povo, mediante obstáculos burocráticos e rejeições arbitrárias. Para sustentar esta ideia falsa, a jornalista teve de ocultar o verdadeiramente essencial: que a população cubana não tem podido viajar para o exterior apesar de ter obtido, na imensa maioria dos casos, a autorização de saída, dado que os países de chegada recusaram o correspondente visto de entrada3. E esta situação não vai alterar-se com a reforma migratória cubana. E mais, prevê-se que – para travar as expectativas de viajar ou emigrar que sejam criadas por esta reforma – as quotas de entrada em Espanha e outros estados do Norte serão ainda mais restringidos.
“A partir de 14 de janeiro apenas será necessário um passaporte em vigor e o visto do país de destino”: a jornalista da Televisión Española relembra-nos que, agora, para sair do país, “apenas” será necessário o visto no destino, como se a sua obtenção fora um mero trâmite e não existisse uma política de negação sistemática e massiva de vistos por parte, por exemplo, do Governo de Espanha. Enquanto a correspondente sublinha os “lentos e custosos trâmites” cubanos, silencia a via crucificadora e burocrática de centenas de cubanos e cubanas no Consulado espanhol em Havana: filas intermináveis, meses de trâmites, taxas elevadas por cada ato e silêncios administrativos que, na maioria dos casos, acabam numa rejeição com a frase “possível migrante”.
Mas este aspeto essencial para que a audiência entenda o problema é silenciado pela Televisión Española e pelo resto dos grandes média, interessados em culpabilizar o Governo cubano.
Acresce que, a correspondente da Televisión Española, fazia uma afirmação incrível para alguém que já vive há quatro anos em Cuba: “(Até agora), havia muitas limitações e os que queriam abandonar a Ilha eram apelidados de traidores”. Uma mensagem que é um cliché obsoleto, quiçá real até aos anos 80, mas que nada tem a ver com o presente. O Governo cubano reconheceu publicamente, em ocasiões várias, o papel da emigração cubana na construção do país, e o seu caráter económico e não político, semelhante ao de outros países da região4. As palavras do presidente Raúl Castro sobre a população emigrada estão bem longe do conceito de “traidores” mencionado pela Televisión Española: “Hoje os emigrantes cubanos, na sua grande maioria, são-no por razões económicas. Este assunto sensível tem sido objeto de manipulação política e mediática durante muitos anos, com o propósito de denegrir a Revolução e torná-la inimiga dos cubanos que vivem no estrangeiro. O certo é que quase todos preservam o seu amor pela família e pela pátria que os viu nascer e manifestam, de diferentes formas, solidariedade com os seus compatriotas”5.
2 http://www.rtve.es/alacarta/videos/telediario/telediario-15-horas-16-10-12/1553583/
3 http://www.cubainformacion.tv/index.php/lecciones-de-manipulacion/21953-los-medios-apuntan-al-gobierno-de-cuba-pero-son-los-paises-ricos-quienes-impiden-viajar-a-su-poblacion
4 http://www.cubainformacion.tv/index.php/emigracion/45936--encuentro-con-el-canciller-bruno-rodriguez-y-la-agenda-de-dialogo-de-cafe
5 http://www.youtube.com/watch?v=-mYAzECaRJg
3
O Governo cubano tem relações normalizadas com dezenas de coletivos de emigrantes. E contra todos os clichés mediáticos que associam a emigração cubana com exílio político existe um crescente número de associações de migrantes que apoiam explicitamente a Revolução cubana6. Neste 20 de outubro celebra-se em Madrid, por exemplo, o Encontro de Cubanos e Cubanas residentes na Europa7. Irá a Televisión Española cobrir este evento? Irá informar da existência de milhares de migrantes cubanos com posições diametralmente opostas à chamada “dissidência” aliada dos EUA? Ou vai silenciá-lo da mesma forma que silencia a responsabilidade do Governo espanhol na proibição de viajar aos cidadãos de Cuba e de tantos outros países do Sul?

sábado, 27 de outubro de 2012


Carta de despedida à Presidência da República

Excelência,

 Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.
Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer.
Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”.
Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito).
Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres.
Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.
E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.

Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques


Enviada hoje para a Presidência da República.

sábado, 20 de outubro de 2012

LUCRÉCIO- fragmento do livro "De rerum natura" (Da natureza das coisas), uma das maiores obras do espírito humano.


Tanto assombram tamanhas maravilhas! .
Que saciados de as ver todos, apenas
Por uma ou outra vez os céos contemplam.
Bem que te maravilhe a novidade,
Não deixes  de attender-me, antes procura
Pezar minhas razões, e abraçal-as 
Com mór affinco, sendo verdadeiras,
Ou bem dar-lhes d'encontro, se são falsas.
Sendo,pois, do Universo immenso o espaço,
Transponho os seus limites, e examino
O que existe além d'elles, e até onde
O livre pensamento arroja o voo.
      Já mostrei ser infindo o grande  Todo:
Em baixo, em cima, á dextra, e á sinistra,
Limite algum não ha: a evidencia,
E a essencia do vacuo  o apregoam.
Se, pois,  é, como disse, infindo o espaço,
E se de germes a turba innumeravel,
Ab aeterno movidos variamente,
Nada no vacuo sob  várias  fórmas,
Póde crer-se, que só  fosse creado
Este universo mundo  e firmamento,
E que em inacão fossem   tantos atomos?
Mórmente,  sendo pela  natyreza
Creado este universo, e sendo  os atomos
Em  um contínuo moto, e encontrando-se
Ao acaso,  e debalde por mil modos.
Emfim coadunados produziram
Essas massas, que  foram o principio
Da terra, e mar, de todo o ser vivente. [1063]
Pelo que é forçoso, que confesses,
Que outros ajunctamentos de materia
Deveram conjunctar-se, como aquelle,
Que ávido abraça o ar no espaço immenso.
Havendo, pois, materia em cópia tanta,
E espaçoso logar sem obstaculo,
Seres por certo houveram de gerar-se.
Se dos germes é tanta a cópia immensa,
Que dos animaes todos as edades,
Para contal-os, bem não abastaram;
Se têm para adunar-se a mesma força,
E a mesma natureza de aggregar-se,
Que os mais atomos têm d'este universo,
Confessar é forçoso, que no espaço
Outros mundos existem, outros homens,
E de outros animaes especies varias.
      Accresce, não haver na natureza
Individuo algum, que nasça e cresça
Unico em sua especie, e que não seja
Pertença de uma classe innumeravel.
Se os animaes primeiro considerares,
D'esta arte os acharás em toda a especie,
Relés de errantes feras montezinhas, 
Immensa turba de homens; e cardumes
De peixes escamosos, de volateis.
Corre a mesma razão, para assentarmos,
Que a terra, lua, e sol e mais cousas
Não são sós, mas em numero sem conto;
Pois sua duração é limitada,
E dá-se em todos elles nascimento, (...)


Tradução de Agostinho Mendonça de Falcão (1890)
[mantém-se a ortografia original bem como o verso]

Titus Lucretius Carus (ou Tito Lucrécio Caro, na forma portuguesa; ca. 99 a.C. – ca. 55 a.C.) foi poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C..



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O nó górdio

– "O abandono do euro e subsequente desvalorização é uma necessidade objectiva".

por Octávio Teixeira [*]
É hoje inequívoco que a política do Governo fracassou. No entanto, o primeiro-ministro e o seu mentor económico António Borges teimam na ideia de que a redução dos custos do trabalho é a via "extremamente inteligente" para ultrapassar a crise.

É hoje inequívoco que a política do Governo fracassou. No entanto, o primeiro-ministro e o seu mentor económico António Borges teimam na ideia de que a redução dos custos do trabalho é a via "extremamente inteligente" para ultrapassar a crise. Todos os que rejeitaram a sua proposta, a maioria da sociedade portuguesa, serão ignorantes. A sua arrogância é estúpida. Mas o mais grave, porque eles governam o país, é que essa teimosia mostra ignorância económica, incompetência política e cegueira ideológica.

Os desequilíbrios externos, a questão central, só são resolúveis se o país produzir mais, não pela aplicação da receita do cavalo do inglês. E produz-se de menos porque a produção nacional não é suficientemente competitiva com produções externas. Insuficiência que não radica nos custos salariais, pois em Portugal são cerca de 50% dos da média da União Europeia enquanto a produtividade é da ordem dos 75%.

Assim, e porque o aumento da competitividade através de incrementos significativos da produtividade total dos factores é muito lento no tempo, para ganhar competitividade só há uma solução: desvalorizar a moeda. Há dez anos que o euro está sobrevalorizado em 30% (e mais) face à taxa de equilíbrio para a economia portuguesa, o que é insuportável.

O abandono do euro e subsequente desvalorização é uma necessidade objectiva. Tem custos, mas menores que os actuais. Por exemplo, desvalorizar 30% pode gerar uma perda salarial real de 8%, via inflação, menos que a soma do corte de um subsídio e da inflação. E com as vantagens de a competitividade aumentar cerca de 24%, potenciando rapidamente o crescimento económico e a redução do desemprego e dos défices, e de evitar a queda no abismo.

Este é o nó górdio que urge desatar.
02/Outubro/2012
[*] Economista.

O original encontra-se em www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=581931&pn=1


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Documentos


1
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado em: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=156889
Tradução do castelhano de MF
Colocado em linha em: 2012/10/14
Entrevista com o Dr. Ammar Bagdache, Secretário-geral do Partido Comunista Sírio e membro do Parlamento da República Árabe da Síria
“As forças revolucionárias e progressistas internacionais devem apoiar os governos e partidos anti-imperialistas e antissionistas”
Ernesto Gómez Abascal*
Rebelión
02-10-2012
EGA – Como é que o Partido Comunista da Síria qualifica o governo de Bashar Al Assad?
AB – Para o Partido Comunista de Síria, trata-se de um governo patriótico, anti-imperialista e antissionista, apesar, claro, de na ordem económica ser capitalista. Ainda que proclamasse o socialismo árabe, o Partido Baas (do renascimento árabe socialista), que era e é a força dirigente no governo, não era socialista no sentido marxista da palavra. Não obstante, o PCS faz parte da Frente Progressista, agora integrada por 10 partidos.
Temos um ministro no governo e consideramos que é, nesta etapa, a melhor opção. Estamos e sempre estivemos, para melhorar o sistema. Em 2005, opusemo-nos a transformações de cariz neoliberal, que depois se comprovou terem facilitado o caldo de cultura para a criação de uma camada marginal, de que a oposição armada beneficiou. Cometeu-se erros que se procura agora corrigir.
EGA – Entre os que combatem para derrubar o governo de Bashar Al Assad há forças e partidos de esquerda? Existe uma opção de esquerda ao atual governo?
AB – Existem algumas personalidades, há algum tempo já no exterior, que foram de esquerda, inclusive marxistas, mas que depois mudaram. Alguns estiveram presos na Síria, mas hoje renunciaram ao marxismo, aliaram-se inclusive aos Irmãos Muçulmanos, outros tornaram-se agentes das monarquias do Golfo.
Há pessoas que permanecem na Síria que se consideram de esquerda e que pretendem mudanças e reformas, mas não são partidos ou forças políticas organizadas, são individualidades, e opõem-se à intervenção estrangeira. O governo
2
que temos na Síria tem uma posição construtiva para com a realização de alterações importantes – já se começaram a adotar –, mas a intervenção estrangeira armada impede, neste momento, a sua execução com normalidade.
Se o governo atual cair, a única opção é o poder dos Irmãos Muçulmanos, o que constituiria um grande retrocesso para o povo, que durante muitos anos desfrutou de um sistema secular moderno, que não conhece o sectarismo e que viveu sem tensões deste tipo. Somos, contudo, optimistas e, embora a luta vá durar ainda algum tempo, estamos certos de que não poderão derrotar-nos.
EGA – Como avalia a situação militar?
AB – Com o passar do tempo, torna-se mais claro que não poderão derrotar-nos. Não puderam, como era o seu plano, controlar qualquer cidade importante, apesar de terem chegado milhares de mercenários extremistas e salafistas, que contam com o apoio dos serviços especiais dos Estados Unidos e dos seus aliados da NATO, que trabalham a partir da Turquia, país com que partilhamos uma longa fronteira. Contam também com os recursos económicos e militares dados pelo Qatar e pela Arábia Saudita. É evidente que o nosso governo conta com o apoio da maioria da população. As forças armadas e as milícias populares mantêm-se unidas e dispostas a combater. Apesar da situação complicada do país, as instituições funcionam.
EGA – Pensa que na Líbia existia a possibilidade de apoiar alguma força revolucionária ou progressista como alternativa ao governo de Kadafi?
AB – O caso da Líbia era completamente diferente do da Síria. Mesmo quando o povo líbio gozava do melhor nível de vida de África e tinha o maior PIB per capita, a personalidade de Kadafi era muito questionada, era muito incoerente nas suas posições e manteve algumas vezes atitudes anticomunistas. Tinha-se reconciliado com o Ocidente, mas não existia nenhum partido ou força organizada conhecida, com um programa revolucionário, progressista ou anti-imperialista, que se pudesse apoiar como alternativa ao governo de Kadafi.
A posição correcta dos revolucionários era deixar que os líbios resolvessem os seus problemas e opusemo-nos por todos os meios à intervenção da aliança imperialista e da reação árabe. O nosso partido não simpatizava com Kadafi, mas quem o derrotou foi a NATO, não o povo líbio, e o governo que agora existe em Tripoli está subordinado aos interesses imperialistas.
EGA – Como é que o PCS caracteriza o Hezbollah e o Irão, que são um partido e um país de caráter islâmico?
AB – Consideramos que mantêm posições patrióticas contra o imperialismo e o sionismo e portanto vemo-los como nossos aliados. No movimento que é liderado pelo Hezbollah, no Líbano, também participam partidos e organizações cristãs, sunitas e até marxistas. Existem muçulmanos de diferentes posições políticas e o nosso partido considera que na actual situação da região o que define uma força política é estar ao lado dos interesses do povo, ser anti-imperialista e antissionista. Neste sentido, consideramos Hassan Nasrallah, dirigente do Hezbollah, um verdadeiro revolucionário.
3
EGA – Existe a possibilidade de que um partido ou força de esquerda alcance o poder em algum país da região?
AB – Não excluímos essa possibilidade, tudo depende das massas, do povo. Em 1958, julgo que quase ninguém no mundo previa que fosse triunfar uma revolução em Cuba, que dois anos depois proclamaria o socialismo. O papel de uma liderança é também importante e isso não se pode excluir totalmente.
EGA – O presidente egípcio Mohamed Mursi, dos Irmãos Muçulmanos, pelos passos que dá e pelas suas palavras, por exemplo, no discurso que recentemente pronunciou na Assembleia-geral da ONU, parece estar a imprimir um rumo independente à política externa desse importante país. Que opinião tem sobre isto?
AB – Penso que está a atuar de acordo com o sentimento das massas, do povo egípcio, que não pode desconhecer. Nem aos EUA nem muito menos a Israel lhes deve agradar o que está a dizer. Talvez Mursi esteja a trabalhar para recuperar o papel dirigente do Egito no mundo árabe. Aliás, é impossível ser mais fantoche do imperialismo do que Mubarak, isso seria muito difícil. Talvez tenha declarado na Assembleia-geral das Nações Unidas que estava contra uma intervenção externa no meu país, porque observou a resistência do povo sírio contra a agressão a que é submetido pelo Ocidente e pelos países do Golfo – isso pode influenciar as suas posições. É necessário observar a sua atuação futura para ver se se mantém numa linha de discrepância com os EUA e Israel.
EGA – Qual a posição que julga dever ser a da esquerda internacional, dos revolucionários, relativamente à clara intervenção do imperialismo e da reacção árabe para provocar alterações de regime?
AB – O nosso partido defende que as forças revolucionárias e progressistas internacionais devem apoiar os governos e partidos anti-imperialistas e antissionistas perante a agressão da reação, do imperialismo e da sua política intervencionista e de ingerência, violadora da legalidade internacional. É isso que define uma posição revolucionária e de princípios nos nossos dias.
Não é possível ser de esquerda ou dizer que se é progressista e revolucionário e concordar com o que diz e faz Hillary Clinton, os monarcas corruptos do Golfo ou os dirigentes da NATO.
* Ernesto Gómez Abascal é escritor e jornalista cubano, ex-embaixador em vários países do Próximo Oriente.
Rebelión publicou este artigo com a autorização do autor, através de uma licença de Creative Commons, respeitando a sua liberdade para publicá-lo noutras fontes.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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