domingo, 9 de dezembro de 2012



Texto de Roger Waters, dos Pink Floyd, 
sobre as relações israelo-palestinianas.)Roger Waters na Palestina
Em 1980, uma canção que escrevi,
Another Brick in the Wall (Part 2),
 foi proibida pelo governo da África do Sul 
porque estava sendo usada por crianças negras
 sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma
 educação igualitáriaEsse governo de
 apartheid impôs um bloqueio cultural,
 por assim dizersobre algumas canções,
 incluindo a minha.

Vinte e 
cinco anos mais tarde
em 2005, crianças palestinas
 que participavam num festival na
 Cisjordânia usaram a canção para protestar
 contra o muro do apartheid israelita
Elas cantavam: "Não precisamos da ocupação
Não precisamos do muro racista!" Nessa altura,
 eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo
 sobre o que elas cantavam.Um ano mais tardeem 2006, fui contratado para actuar
 em Telavive.Palestinos do movimento de boicote académico
 e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar.
 Eu  tinha me manifestado contra o muro
mas não tinha a certeza de que um boicote cultural
 fosse a via certa. Os defensores palestinos 
de um boicote pediram-me que visitasse o
 território palestino ocupado para ver o muro
 com os meus olhos antes de tomar uma decisão.
 Eu concordei.Sob a protecção das Nações Unidas, 
visitei Jerusalém e Belém. Nada podia
 ter-me preparado para aquilo que vi 
nesse dia. O muro é um edifício revoltante.
 Ele é policiado por jovens soldados israelitas
 que me trataram, observador casual de
 um outro mundocom uma agressão
 cheia de desprezo. Se foi assim comigo,
 um estrangeiro, imaginem o que deve ser
 com os palestinoscom os sub-proletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino
 dos palestinos que conheci, pessoas cujas
 vidas são esmagadas diariamente de 
mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. 
Em solidariedade, e de alguma forma 
por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos do controle das ideias".

Tomando nesse 
momento consciência 
que a minha presença num palco 
de Telavive iria legitimar involuntariamente
 a opressão que estava a testemunhar,
 cancelei o concerto no estádio de futebol 
de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade
 agrícola dedicada a criar pintainhos e 
também, admiravelmente, à cooperação
 entre pessoas de crenças diferentesonde
 muçulmanos,cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.Contra todas as expectativasele 
tornou-se no maior evento musical 
da curta história de Israel. 
60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos
 de trânsito para assistir. Foi 
extraordinariamente comovente 
para mim e para a minha banda 
e, no fim do concerto, fui levado 
exortar os jovens que ali estavam 
agrupados a exigirem ao seu governo 
que tentasse chegar à paz com os 
seus vizinhos e que respeitasse os 
direitos civis dos palestinos 
que vivem em Israel.Infelizmentenos anos que 
se seguiram, o governo israelita 
não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis
 iguais aos que têm os judeus israelitas,
 e o muro cresceu, inexoravelmente,
 anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse 
dia de 2006 em Belém 
alguma coisa do que significa viver 
sob ocupação, encarcerado 
por trás de um muro. Significa
 que um agricultor palestino 
tem de ver oliveiras centenárias 
ser arrancadas. Significa que 
um estudante palestino não pode
 ir para escola porque o 
checkpoint está fechado. Significa que
 uma mulher pode dar à luz num carro,
 porque o soldado não a deixará passar
 até ao hospital que está a dez minutos 
de estrada. Significa que um artista palestino
 não pode viajar ao estrangeiro para exibir 
seu trabalho ou para mostrar um filme 
num festival internacional.Para a população de Gaza, fechada numa
 prisão virtual por trás do muro do bloqueio
 ilegal de Israel, significa outra série de injustiças
Significa que as crianças vão para a cama com fome
muitas delas cronicamente mal nutridas. 
Significa que pais e mães, impedidos de 
trabalhar numa economia dizimada,
 não têm meios de sustentar as suas famílias
Significa que estudantes universitários 
com bolsas para estudar no estrangeiro
 têm de ver uma oportunidade escapar
 porque não são autorizados a viajar.

Na 
minha opinião, o controle repugnante
 e draconiano que Israel exerce sobre 
os palestinos de Gaza cercados e 
os palestinos da Cisjordânia ocupada
 (incluindo Jerusalém oriental), assim
 como a sua negação dos direitos 
dos refugiados de regressar às suas
 casas em Israel, exige que as pessoas
 com sentido de justiça em todo o mundo
 apoiem os palestinos na sua resistência civilnão violenta.Onde os governos se recusam a actuar
as pessoas devem fazê-lo, com os meios
 pacíficos que tiverem à sua disposição
Para algunsisto significou juntar-se 
à Marcha da Liberdade de Gaza;
 para outros, juntar-se à flotilha
 humanitária que tentou levar até Gaza 
muito necessitada ajuda humanitária.Para mimisso significa declarar a minha
 intenção de me manter solidárionão 
 com o povo da Palestinamas também com 
os muitos milhares de israelitas que 
discordam das políticas racistas e 
coloniais dos seus governos,
 juntando-me à campanha de 
Boicote, Desinvestimento e 
Sanções (BDS) contra Israel, 
até que este satisfaça três direitos
 humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo 
fim à ocupação e à 
colonização de todas as terras árabes
 [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os 
direitos fundamentais 
dos cidadãos árabe-palestinos de Israel 
em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo

 os direitos dos refugiados palestinos 
de regressar às suas casas e propriedades 
como estipulado na resolução 194 da ONU.

minha convicção nasceu da ideia 
de que todas as pessoas merecem 
direitos humanos básicos. A minha posição
 não é anti-semitaIsto não é um ataque 
ao povo de Israel. Isto é, no entanto
um apelo aos meus colegas da indústria
 da música e também a artistas de outras áreas
 para que se juntem ao boicote cultural.

Os 
artistas tiveram razão de recusar-se 
a actuar na estação de Sun City na 
África do Sul até que o apartheid caísse
 e que brancos e negros gozassem dos
 mesmos direitos. E nós temos razão de
 recusar actuar em Israel até que venha 
dia - e esse dia virás eguramente - 
em que o muro da ocupação caia 
e os palestinos vivam ao lado dos
 israelitas em pazliberdadejustiça
 e dignidade,que todos eles merecem.

Roger Waters


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Documentos


Não há mais espaço para ilusões reformistas"

por Ivan Pinheiro [*]
Ivan Pinheiro, em Beirute.O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda os partidos comunistas presentes, homenageando o anfitrião, o Partido Comunista Libanês, referência para todos os revolucionários e trabalhadores do mundo, com seu exemplo de luta sem tréguas contra o capital.

O aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo coloca para o movimento comunista internacional um conjunto de complexos desafios.

Estamos diante de um estado de guerra permanente contra os trabalhadores, uma espécie de “guerra mundial”, na qual o grande capital busca sair da crise colocando o ônus na conta dos trabalhadores. Esta é uma guerra diferente das anteriores, que tinham como centro disputas interimperialistas.

Apesar de persistirem contradições interburguesas e interimperialistas na atual conjuntura, as grandes potências (sobretudo os Estados Unidos e os países hegemônicos da União Européia) promovem hoje uma guerra de rapina contra todos os países periféricos, sobretudo aqueles que dispõem de riquezas naturais não renováveis e contra todos os trabalhadores do mundo.

A guerra é o principal recurso do capitalismo para tentar sair da crise: ativa a indústria bélica e ramos conexos, permite o saque das riquezas nacionais e a queima de capitais; os capitalistas ganham também com a reconstrução dos países destruídos.

Os métodos são sempre os mesmos: satanização, manipulação, estímulo ao sectarismo e a divisões entre nacionalidades e religiões, cooptações, criação ou supervalorização midiática de manifestações e rebeldias, atentados de falsa bandeira.

Nesta guerra permanente, pelo menos nesta fase, têm sido poupados os chamados países emergentes, sócios minoritários do imperialismo, que legitimam a política das grandes potências, compondo, como atores coadjuvantes, o chamado Grupo dos 20.

Estes países (os chamados BRICS) se têm beneficiado da crise, na medida em que ajudam a superá-la; em seguida, poderão ser as próximas vítimas tanto da crise como de agressões militares.

Em nosso país, nunca os banqueiros, as empreiteiras, o agronegócio e os monopólios tiveram tanto lucro. A política econômica e a política externa do estado burguês brasileiro estão a serviço do projeto de fazer do Brasil uma grande potência capitalista internacional, nos marcos do imperialismo. As empresas multinacionais de origem brasileira, alavancadas por financiamentos públicos, já dominam alguns mercados em outros países, notadamente na América Latina.

Hoje, o governo brasileiro é o organizador da transferência da maior parte da renda e da riqueza produzida pelo país para as classes dominantes (através do superávit primário, da política de juros altos e do sistema tributário altamente regressivo). Cerca de 50% do orçamento se destina a pagar os juros e a amortização da dívida (externa e interna), para satisfação dos banqueiros internacionais e nacionais, assim como dos nossos rentistas (que não chegam a 1% da população).

Para atender aos interesses dos grandes empresários, das empreiteiras e do agronegócio, o governo promove a destruição do meio ambiente, desde o desmatamento da floresta amazônica à demolição da legislação ambiental. O novo Código Florestal brasileiro, um total desrespeito ao meio-ambiente, contou com o apoio de partidos que se dizem de esquerda, mas se caracterizam por um esvaziamento ideológico, pela adesão às medidas neoliberais e por se curvarem aos ditames do imperialismo. Em períodos eleitorais, rebaixam ainda mais o discurso e abandonam os símbolos que vagamente os ligam ao ideário socialista.

Em meio a esta grave crise, e sem a consolidação ainda de um importante pólo de resistência proletária, o capital realiza uma violenta ofensiva para retirar dos trabalhadores os poucos direitos que lhes restam. Para fazê-lo, tentam cada vez mais fascistizar as sociedades e criminalizar os movimentos políticos e sociais antagônicos à ordem. A correlação de forças ainda nos é desfavorável. Ainda sofremos o impacto da contra-revolução na União Soviética e da degeneração de muitos partidos ditos de esquerda e de setores do movimento sindical.

Por outro lado, estamos muito preocupados com o verdadeiro cerco militar que o imperialismo promove na América Latina. Realmente, a reativação da IV Frota norte-americana, com um poderio bélico maior do que a soma de todas as forças armadas dos países latino-americanos, traz ameaças à soberania e à paz na região. O estabelecimento de dezenas de bases militares dos EUA na América Latina inquieta os latinoamericanos. A considerar ainda a construção de um aeroporto militar ianque na cidade de Mariscal Estigarribia, no Paraguai, que possibilita o controle da região da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) e onde se assenta a maior reserva mundial de água doce, o Aquífero Guarani.

Mas não é só o imperialismo estadunidense que cerca a Nossa América. A OTAN construiu, em 1986, na Ilha Soledad do Arquipélago das Malvinas, a grande base militar de Mount Pleasant, que dispõe de aeroporto e porto naval, de águas profundas, onde atracam submarinos atômicos e foram construídos silos para armazenar armas nucleares e instalações para aquartelar milhares de efetivos militares. Essa fortaleza das Malvinas contraria, expressamente, o contido na Resolução 41 da ONU, que considera o Atlântico Sul zona de paz e cooperação, isenta de armamentos e engenhos nucleares.

A considerar, ainda, a ilha de Ascensão, outra base militar da OTAN que fica a meio caminho da costa brasileira e da costa africana.

A OTAN criou uma zona de exclusão pesqueira de mais de um milhão de quilômetros quadrados em torno das ilhas Georgia e Sandwich do Sul, destinando essa zona exclusivamente às suas forças bélicas.

A ocupação militar imperialista no Atlântico Sul permite o controle das rotas marítimas que unem a América do Sul à África e sua conexão com o continente da Antártica e com os países do Pacífico, através do Estreito de Magalhães. Ademais, permite o controle dos inúmeros recursos naturais da plataforma continental da América do Sul. É assim que a América Latina está cercada por terra e por mar pelas forças militares imperialistas, com a omissão da grande maioria dos governos locais.

Analisando este quadro, o PCB tem feito algumas reflexões.

Nos marcos da ordem burguesa, o futuro é sombrio. Mais do que nunca o regime do capital virá acompanhado de crescente instabilidade econômica, absoluta irracionalidade no uso e na distribuição da riqueza, escandalosa desigualdade social, escalada da prepotência imperialista e inexorável perigo para as conquistas populares e dos trabalhadores.

A nosso juízo, não há mais espaço para ilusões reformistas. Aliás, os reformistas, mais do que nunca, são grandes inimigos da revolução socialista, pois iludem os trabalhadores e os desmobilizam, facilitando o trabalho do capital. Em cada país, as classes dominantes forjam um bipartidarismo – em verdade um monopartidarismo bicéfalo – em que as divergências, cada vez menores, se dão no campo da administração do capital.

Cada vez mais também faz menos sentido a “escolha” de aliados no campo imperialista e mesmo entre seus coadjuvantes emergentes, como se houvesse imperialismo do “bem” e do “mal”. A diferença é apenas na forma, não no conteúdo. Isto não significa subestimar as contradições que vicejam entre eles.

Não podemos conciliar com ilusões de transição ao socialismo por vias fundamentalmente institucionais, através de maiorias parlamentares e de ocupação de espaços governamentais e estatais. A luta de massas, em todas as suas formas, adaptada às diferentes realidades locais, é e continuará sendo a única arma de que dispõe o proletariado.

Temos avaliado também que o atual modelo de encontros de partidos comunistas e operários, que vêm cumprindo importante papel de resistência, precisa se adaptar às complexas necessidades da conjuntura mundial, com suas perspectivas sombrias no curto prazo e suas possibilidades de acirramento da luta de classes, com a emergência das lutas operárias.

Pensamos que é preciso romper com o “encontrismo” em que, ao final dos eventos, nossos partidos formulam um documento genérico e decidem a sede do próximo encontro e se despedem até o ano seguinte, inclusive aqueles dos países da mesma região.

Para potencializar o protagonismo dos partidos comunistas e do proletariado no âmbito mundial, é necessária e urgente a constituição de uma coordenação política que, sem funcionar como uma nova internacional, tenha a tarefa de organizar campanhas mundiais e regionais de solidariedade, contribuir para o debate de ideias, socializar informações sobre as lutas dos povos.

Mas, para além da indispensável articulação dos comunistas, parece-nos importante a formação de uma frente mundial mais ampla, de caráter antiimperialista, onde cabem forças políticas e individualidades progressistas, que se identifiquem com as lutas em defesa da autodeterminação dos povos, da paz entre eles, da preservação do meio ambiente, das riquezas nacionais, dos direitos trabalhistas, sociais e políticos; contra as guerras imperialistas e a fascistização das sociedades. Em resumo, as lutas em defesa da humanidade.

Deixamos claro que o nosso Partido valoriza qualquer forma de luta. Não podemos cair no oportunismo de fazer vistas grossas ao direito dos povos à rebelião e à resistência armada. Em muitos casos, esta é a única forma de fazer frente à violência do capital e de superá-lo. Os povos só podem contar com sua própria força.

Saudamos os povos que hoje enfrentam as mais duras batalhas. Saudamos os trabalhadores gregos, portugueses, espanhóis, que já se levantam em greves nacionais e grandes jornadas e os demais trabalhadores da Europa, que enfrentam terríveis planos do capital para tentar superar a crise, hoje mais acentuada no continente europeu mas que poderá agravar-se e espalhar-se para outros países e regiões.

Saudamos o povo palestino, em sua saga duradoura e dolorosa no enfrentamento ao sionismo que o sufoca e reprime, ocupa seu território, derruba suas casas, prende seus melhores filhos e impede seu direito a um Estado soberano.

Valorizamos o cessar-fogo celebrado recentemente no Egito, como uma vitória importante mas parcial da resistência palestina em Gaza. O sionismo - cuja intenção era claramente mais uma vez invadir Gaza com tropas e tanques - surpreendeu-se com a atual capacidade de reação militar palestina neste pequeno, isolado e sofrido territorio, de fato sob ocupação israelense: uma reação à altura das necesidades de autodefesa e da ampliação dos direitos do povo palestino.

Mas não podemos, de maneira alguma, subestimar a agressividade do imperialismo e do sionismo, que não desistirão de seu intento de dobrar a combatividade e destruir a identidade do povo palestino, ocupando todo seu territorio, como parte do plano expansionista que chamam de “Novo Oriente Médio”.

No entanto, a considerar a justa e proporcional reação do povo de Gaza e a extraordinária solidariedade internacional à luta dos palestinos, melhoram as condições de resistência aos planos sionistas.

E aqui pedimos a manifestação deste encontro em solidariedade à realização na próxima semana, no Brasil, do Forum Social Mundial Palestina Livre, que vem sofrendo ameaças da comunidade sionista em nosso país, inclusive, em desrespeito à soberanía brasileira, por parte da representação diplomática israelense.

Da mesma forma, saudamos os também sofridos povos do Iraque, do Afeganistão, da Líbia. Saudamos os povos do Egito, do Iêmen e de vários países árabes, em sua luta contra a tirania e a opressão.

Saudamos sírios e iranianos, contra os quais batem os tambores de guerra do imperialismo. Nosso Partido está incondicionalmente solidário à grande maioria do povo sírio e a seu direito à autodeterminação. Como na Líbia, trata-se na Síria do plano imperialista de fomentar guerras civis sectárias, valendo-se de mercenários e equipamentos militares estrangeiros, para dividir e ocupar o país. No caso da Síria, procura o imperialismo criar condições para uma posterior agressão militar ao Irã.

Solidarizamo-nos com os comunistas, os trabalhadores e as forças antiimperialistas libanesas diante da movimentação de setores da burguesía nacional aliados ao imperialismo, que procuram fomentar uma nova guerra civil, no contexto da divisão dos países do Oriente Médio por criterios sectários e religiosos, para facilitar a recolonização da região.

Chegando até nossa América Latina, saudamos nossa querida Cuba Socialista em sua luta contra o cruel bloqueio ianque. Saudamos nossos Cinco Heróis. Saudamos os processos de mudanças na América do Sul (Venezuela, Bolívia e Equador), neste momento decisivo, uma encruzilhada entre o avanço dos processos ou sua derrota.

Saudamos nossos irmãos colombianos que, nas cidades e nas montanhas, resistem, através de variadas formas de luta, contra o estado terrorista de seu país, a grande base militar norte-americana na América Latina. Saudamos os revolucionários colombianos, na expressão de seu partido comunista e guerrilhas.

Não há solução militar para o conflito colombiano. Por isso, saudamos os diálogos que têm como objetivo buscar uma solução política. Este diálogo só foi possível pelo surgimento e desenvolvimento da Marcha Patriótica, um combativo e amplo movimento de massas, e pela constatação da impossibilidade de vitória militar do estado contra a guerrilha.

Sabemos que não será simples este diálogo, pois as classes dominantes colombianas e o imperialismo querem a paz dos cemitérios. Assim sendo, propomos que este Encontro assuma a organização de uma campanha mundial de solidariedade ao povo colombiano por uma verdadeira paz democrática com justiça social e econômica

Finalmente, reiteramos nossa proposta de criação de coordenações políticas internacionais e regionais dos Partidos Comunistas, tendo como princípio fundamental o internacionalismo proletário.

Beirute (Líbano), 22 de novembro de 2012

PCB – Partido Comunista Brasileiro
[*] Secretário-geral do PCB. Intervenção no XIV Encontro Mundial dos Partidos Comunistas e Operários, em Beirute, 22-24/Novembro/2012

O original encontra-se em pcb.org.br/... 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 4 de dezembro de 2012




Octopus



Posted: 22 Nov 2012 07:19 AM PST
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Os 11 mandamentos dos media ocidentais



Regra número 1:
No médio Oriente, são sempre os Árabes que atacam primeiro e é sempre Israel que se defende. Chama-se a isso: retaliação. 


Regra número 2:

Os palestinianos não têm direito de se defender. Chama-se a isso: terrorismo. 



Regra número 3:

Israel tem o direito de matar civis árabes. Chama-se a isso: legítima defesa. 


Regra número 4:

Quando Israel mata demaseado civis, as potências ocidentais chamam-lhe a atenção para não exagerar. Chama-se a isso: a reacção da comunidade internacional.  


Regra número 5:

Os palestinianos não têm direito de capturar militares israelitas, mesmo que sejam poucos, nem que seja um único. 


Regra número 6:

Os israelitas têm direito de raptar todos os palestinianos que desejam. Não existe qualquer limite e não necessitam de provar a culpabilidade das pessoas raptadas. Basta-lhes dizer a palavra mágica: "terrorista".

Regra número 7:

Quando falar em "resistência", deverá sempre acrescentar a expressão: "apoiada pela Síria e pelo Irão". 

Regra número 8:

Quando falar em "Israel", nunca deverá acrescentar: "apoiado pelos Estados Unidos, a França e a Europa", porque poderiam crer trata-se de um conflito desequilibrado.

Regra número 9:

Nunca falar em "territórios ocupados", nem nas resoluções da ONU, nem nas violações do direito internacional, nem nas convenções de Genebra. 

Regra número 10:

Os israelitas falam melhor francês e inglês do que os árabes (?). Isso explica que eles e os seus apoiantes tenham tão frequentemente direito à palavra. Assim, podem nos explicar as regras precedentes (de 1 a 9). Chama-se a isso a neutralidade jornalística. 

Regra número 11:

Se não estiver de acordo com estas regras ou julga que elas favorizam um dos lados do conflito em detrimento do outro, é porque você é um perigoso anti-semita...






Tradução de artigo de Gilles Munier
http://www.france-irak-actualite.com/article-rappel-necessaire-au-journalistes-occidentaux-lors-d-une-agression-israelienne-112652821.html

sexta-feira, 30 de novembro de 2012


Aprovação não é fim do processo

por Octávio Teixeira [*]
O orçamento foi aprovado pela maioria PSD/CDS. Mas isso não é sinónimo de fim do processo orçamental.

A primeira palavra está agora nas mãos do Presidente da República pois lhe compete promulgar a lei (dando-lhe o seu acordo), pedir ao Tribunal a apreciação da sua constitucionalidade ou assumir o veto da mesma.

O Presidente da República poderá não ter a coragem de usar o veto por consubstanciar o uso da "bomba atómica" política, embora fosse uma consequência lógica de afirmações que tem feito. Designadamente quando, há cerca de um ano, dizia que já se estava a ultrapassar o limite dos esforços que poderiam ser exigidos aos cidadãos. Ora, é inequívoco que este orçamento agrava em muito esses sacrifícios.

Não vetando a lei, o Presidente tem o dever de suscitar a apreciação prévia da constitucionalidade. Múltiplos especialistas têm denunciado diversas inconstitucionalidades e acórdãos anteriores do Tribunal Constitucional dão-lhes cobertura doutrinária. Por exemplo, parece linear que não há cobertura constitucional para se impor uma tributação acrescida exclusivamente a um estrato populacional, tal como acontece com a "contribuição extraordinária de solidariedade" incidindo apenas sobre os reformados. É uma violação do princípio da igualdade idêntica à que levou o Tribunal a declarar a inconstitucionalidade do corte dos subsídios em 2012.

Mas se o Presidente resolver subjugar-se à vontade do Governo, é então obrigação indeclinável dos deputados da oposição requererem a apreciação sucessiva da constitucionalidade do orçamento, porque é excessivo e desigual nos sacrifícios e afunda o País na recessão, no desemprego e na pobreza. Passando a palavra ao Tribunal.

E a última palavra continua a pertencer aos cidadãos. 
27/Novembro/2012
[*] Economista

O original encontra-se em www.jornaldenegocios.pt/... 

sábado, 24 de novembro de 2012


FÁBULAS
Os Piratas
Os piratas sempre rondaram as costas de Portugal. Durante muitos séculos eram mouriscos, o que, de resto se compreende: boa parte deste território havia sido deles, terra lavrada, comércio laborioso, castelos e mesquitas, poetas e tolerantes califas. Foram expulsos à espadeirada, não sem muito esforço e muitas tréguas prolongadas. Netos e bisnetos por cá permaneceram, filhos da terra e de casamentos cruzados, tudo boa gente ao que se sabe, e no nosso caráter há de restar bastante.
Os seus primos, chamemos-lhes assim, os piratas, atravessavam o estreito e assediavam vilas e aldeias, em ladroeiras fulminantes e silenciosas, importunando menos os nobres, provavelmente, do que os servos e plebeus. Os nobres recolhiam-se em castelos bem fortificados e não há memória de assaltos em grande escala. Deste modo os pobres pescadores de cá conviveram, a custo pois claro, com os magrebinos, pouco deles se distinguindo na pele tisnada comum, nos olhos negros das mulheres, na melancolia das suas lamúrias.
Tempos vieram em que os piratas eram outros. Ingleses, americanos, alemães, arribaram por dentro e por fora, pelo mar e pelo ar, ricos, bem nutridos, loiros e olho azul, que logo se instalaram em magníficos palácios que os nobres indígenas escancararam com hospitaleiro servilismo. Alguns ficaram, outros partiram, sempre por turnos, sorvendo, deglutindo, ensinando, impondo acordos, ditando memorandos, sorvendo, deglutindo. As melhores peças de caça das coutadas reais, os melhores vinhos, as especiarias e esmeraldas, os marfins e o oiro. Proibiam, por força ou por manhas, a produção nacional, desta feita vendiam os seus produtos, emprestavam dinheiro para os indígenas os comprarem, recebiam juros e voltavam a emprestar, num círculo que apenas era virtuoso para eles. Em jantares opíparos, com os nobres indígenas sentados à sua direita, cantavam, roucos e lúbricos, canções estranhas das suas terras longínquas.
Certo dia, ou certa noite, quando soprava um vento agreste e as ondas rebentavam nas falésias, sobreveio um terramoto. A bem dizer não se sabe ainda hoje o que foi, se terramoto se outra coisa qualquer. Os fatos alteram-se conforme quem os conta. Sucedeu há tanto tempo que nenhum registo desse fado subsiste. Os meus avós desapareceram há muito. A minha avó, mulher de alma sã e mente lúcida, contava-me para eu adormecer, nas horas geladas dos invernos, sempre a mesma história, curta e incisiva:
“ Em tempos que já lá vão esta terra não era nossa. De quando em vez dragões repelentes e mortíferos brotavam do chão e desciam dos céus. Tinham por costume não ferir ninguém de morte, matavam pela fome, humilhavam pela miséria, saqueando searas, encerrando fábricas, escolas, hospitais, afugentando com línguas de fogo operários e empregados, esbulhando salários e pensões. Traziam uma doutrina e somente essa era permitida, inoculada nas mentes com subtis venenos. Assim foi até que um dia (ou noite, não se sabe quando) a atmosfera mudou subitamente, o ar tornou-se irrespirável, e os primeiros a fugir foram os dragões, logo seguidos em tropel espavorido pelos seus acólitos que falavam a nossa língua. Foi, pode-se dizer, um ar que se lhes deu!”
“E tu, avó, como conseguias respirar?- questionava eu do alto dos meus cinco anos de petiz.”
“Ora, eu e toda a gente que não era dragão nem filho dele, habituámo-nos depressa à nova atmosfera. Se sempre vivêramos com veneno, melhor vivemos sem ele!”
NOZES PIRES 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012



Pedro Gaião
Marx tinha razão quando previu a concentração capitalista galopante. É hoje um dos traços marcantes da globalização. Agora parece que acerta na previsão de que o capitalismo conduz à pauperização crescente dos trabalhadores. Estes são hoje remunerados por salários que tendem a assegurar a sua mera subsistência.
Dificilmente têm forma de contrariar esta situação face às políticas de austeridade e de confisco fiscal que lhe são impostas por governos legitimamente eleitos. Por sua vez, as altas taxas de desemprego pressionam mais os salários a descer. É esta a realidade que hoje se vive em países como Portugal, Grécia e Espanha. E outros virão certamente...
Se Marx  parece vivo, a via revisionista (social-democrata) que rompeu com o marxismo no fim do século XIX, com Kautsky e Bernstein ( o guru de Sócrates lembram-se?) vê-se hoje como nunca em causa. Bernstein contestou, precisamente, a teoria marxista do empobrecimento crescente do proletariado, já que os seus salários aumentavam gradualmente e o seu poder de compra melhorava no quadro do sistema capitalista.
Pode contra-argumentar-se  que defender hoje o renascimento do marxismo é manifestamente exagerado. Nos anos 1930, o capitalismo viveu uma das suas piores crises e reergueu-se anos depois. É verdade. Mas fê-lo precisamente com a receita do  aumento dos salários e o aprofundamento de um sistema de Estado de Bem-Estar Social.              
Se o modelo do enriquecimento contínuo dos trabalhadores, a primazia à qualidade de vida,  e o modelo do  Estado-Providência vigoraram até hoje, são eles, no entanto, que estão agora ameaçados porque os Estados deixaram de ter dinheiro (e riqueza capitalista acumulada) para os sustentarem.
A receita de hoje não parece poder ser a mesma dos anos 1930 e seguintes. A história deverá ser outra. A questão é saber qual. O capitalismo consegue sair do beco em que está criando  algo novo que o revitalize? Ou, como Marx previu, volta à rota de há 200 anos, a do seu estertor e aquilo que o revolucionário alemão anunciou que se seguiria depois, a revolução e a tomada do poder do Estado pelos trabalhadores empobrecidos   
Absorvidos com a chanceler Merkel e a contagem decrescente para as eleições legislativas alemãs de Setembro de 2013 (a partir das quais Merkel ficará menos condicionada pela opinião pública alemã para resolver o problema europeu), esquecemo-nos muitas vezes deste seu conterrâneo.  


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/esta-na-hora-de-pensar-noutro-alemao-marx=f768201#ixzz2Cr8Rsqac

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

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Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

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Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

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Roma-Fonte Trévis

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Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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