quarta-feira, 6 de março de 2013

Posted: 05 Mar 2013 02:38 PM PST










Da América Latina à Ásia, passando por África ou o Médio Oriente, as potências coloniais de ontem, neocolonialismo de hoje, fizerem e desfizeram constantemente governos, em função dos seus interesses. O método está bem oleado...




Pequeno manual para desestabilizar um regime hostil:


1- Ser-se uma potência imperial,


2 - Financiar todos os movimentos de oposição, por muito pequenos que sejam, reivindicando uma democracia ocidental,


3 - Identificar os futuros possíveis líderes e organizar estágios de formação de agitação,


4 - Dar um impacto internacional a qualquer manifestação da oposição graças aos média controlados por eles,


5 - Destacar a repressão brutal cometida pelos regimes desses países,


6 - Colocar alguns snipers no percurso dos manifestantes e disparar sobre o povo e as forças da ordem,


7 - Denunciar a barbaridade da repressão,


8 - Armar clandestinamente pequenos grupos extremistas estrangeiros, de preferência com ideologias suicidas, e apelidá-los de rebeldes ou combatentes da liberdade,


9 - Apresentar esses pequenos grupos como sendo um movimento popular,


10 - Organizar perto das fronteiras desses países bases de treino de guerrilha, que serão apresentados como campos de refugiados,


11 - Bloquear as vozes discordantes através da censura,


12 - Organizar pequenos grupos de opositores no estrangeiro e fazer com que sejam eles apenas a fonte de qualquer informação,


13 - Bombardear, se o contexto internacional o permitir, as forças armadas desses países dizendo que se está a proteger a população da repressão do ditador que ameaçava matar o seu povo.



Logicamente, a médio ou curto prazo, o caos instala-se e atingiu o objectivo: o poder forte que lhe fazia frente desapareceu. Poderá então roubar as riquezas desse país, para tal deverá alimentar conflitos internos (étnicos, religiosos,...) organizando de vez em quando atentados suicidas. Já não necessita de cobertura mediática.





Texto de Marco Tugayé, traduzido do francês por Octopus.




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Tito Lívio
Tito Lívio, conhecido simplesmente como Lívio, é o autor da obra histórica intitulada Ab urbe condita, onde tenta relatar a história de Roma desde o momento tradicional da sua fundação 753 a.Wikipedia
Tito Lívio

Tito Lívio nasceu em 59 a. C. em Pádua e morreu em 16 d. C. na mesma cidade. Era de família patrícia e foi amigo de Augusto e precetor de Cláudio. Foi enorme a sua reputação como escritor.A sua História Romana desde a fundação compunha-se de 142 livros dos quais nos chegaram apenas os livros I-IX e XXI-XLV mais alguns fragmentos.
É posterior a Tito Lívio a divisão da sua obra em décadas(grupos de 10 livros).
O valor de Tito Lívio como historiador é discutível. Não tem a preocupação dos documentos e das fontes,nem espírito crítico. Tem sobretudo a preocupação de moralizar. Os seus heróis são modelos e as virtudesdo passado são enaltecidas.
Embora sincero, não é imparcial. O seu amor por Roma fá-lo exaltar em excesso os seus concidadãos em detrimento de inimigos como Aníbal e os Cartagineses. Literariamente, porém, Tito Lívio está na primeira linha dos escritores romanos. Narrador vivo e dramático, vale também pelos discursos que coloca na boca das suas personagens e que, embora fictícios e retóricos, lhes definem o carácter. O seu estilo, amplo,nobre e harmonioso lembra Cícero, embora se lhe possam apontar algumas irregularidades de sintaxe.
---in Infopédia

domingo, 3 de março de 2013

Opinião


Comunismo: um gigantesco processo de emancipação ainda longe de concluído

por Domenico Losurdo [*]
Continuo a julgar correcta a visão da ideologia alemã, segundo a qual o comunismo é sobretudo "o movimento real que abole o actual estado de coisas". Observemos as mutações que se verificaram no mundo a partir da primeira revolução que se reclamou de Marx e Engels. Antes de Outubro de 1917 não havia democracia, mesmo no Ocidente: era o reino das três grandes discriminações para com as mulheres, as classes subalternas, os povos coloniais e de origem colonial.

Com Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia revolucionária reconheceu às mulheres direitos políticos e activos e passivos. A República de Weimar (nascida da revolução que explodiu na Alemanha um ano após a revolução de Outubro) tomou o mesmo caminho, seguido pelos Estados Unidos. É certo que na Itália, Alemanha, Áustria e Inglaterra o sufrágio universal (masculino) estava mais ou menos afirmado, mas ficava neutralizado por uma Câmara alta que permanecia o apanágio da nobreza e da grande burguesia.

A discriminação racial apresentava-se sob uma forma dupla: considerados como indignos de se constituírem como Estado nacional independente, os povos coloniais eram submetidos à dominação absoluta das grandes potências. Num país como os EUA, os afro-americanos eram excluídos dos direitos políticos (e por vezes mesmo dos direitos cívicos). A ultrapassagem da discriminação racial sob estes dois aspectos não pode ser pensada sem o capítulo da história aberto por Outubro de 1917. O papel desempenhado pelos Partidos Comunistas nas revoluções anti-coloniais é notável. E no que se refere aos Estados Unidos? Em Dezembro de 1952, o ministro da Justiça enviava o Tribunal Supremo, ocupada a discutir a questão da integração nas escolas públicas, uma carta eloquente: "A discriminação racial leva a água ao moinho da propaganda comunista". O desafio comunista desempenhou um papel essencial igualmente na ultrapassagem do regime da supremacia branca.

Os direitos sociais e económicos fazem parte da democracia tal como a esquerda a entende. E foi este patriarca do neoliberalismo, Hayek, que denunciou o facto de que a teorização e a presença no Ocidente destes direitos remetiam à influência, por ele considerada nefasta, da "revolução marxista russa".

Compreende-se portanto que, à atenuação do desafio comunista, corresponda no Ocidente uma restauração. Não se trata só do desmantelamento do Estado social. O peso da riqueza é tão forte que, mesmo nas colunas do New York Times, podem-se ler denúncias considerando que o regime em vigor nos Estados Unidos assemelha-se mais a uma "plutocracia" do que à democracia. A contra-revolução é evidente igualmente nos caso do colonialismo, reavaliada pelo teórico da "sociedade aberta", Karl Popper: "Nós libertámos estes Estados (as antigas colónias) muito apressadamente e de modo demasiado simplista".

Vejamos, em sentido contrário, o que se passa num país continente que ficou sob a direcção do Partido Comunista. Pondo fim à catástrofe provocada pelas guerras do ópio e a agressão colonialista, a China devolveu a centenas de milhões de pessoas o primeiro dos direitos do homem, a saber, o direito à vida. O Estado social começa aqui a dar os seus primeiros passos, ao passo que doravante ele é renegado no Ocidente, inclusive no plano teórico.

Mas isto não é tudo: ao reduzir rapidamente seu atraso tecnológico em relação aos países capitalistas mais avançados, a China põe fim à "era de Colombo", que havia começado com a descoberta-conquista da América e que viu o Ocidente sujeitar o planeta inteiro. Vêem-se criar as condições para frustrar as tentações colonialistas e democratizar as relações internacionais. O declínio da doutrina Monroe, à qual a revolução cubana infligiu pela primeira vez um golpe severo, está lá para confirmar.

Como acontecer muitas vezes com revoluções, aquela principiada há aproximadamente um século seguiu um percurso completamente imprevisto. Estamos em todo caso na presença de um gigantesco processo de emancipação que está bem longe de ter chegado à sua conclusão.
[*] Filósofo, professor da Universidade de Urbino, Itália.

O original encontra-se em www.humanite.fr/... 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


Introdução
Nicolau Maquiavel foi um importante historiador, diplomata, filósofo, estadista e político italiano da época do Renascimento. Nasceu na cidade italiana de Florença em 3 de maio de 1469 e morreu, na mesma cidade, em 21 de junho de 1527.
Vida e obras 
Filho de pais pobres, Maquiavel desde cedo se interessou pelos estudos. Aos sete anos de idade começou a aprender latim. Logo depois passou a estudar ábaco e língua grega antiga.
Aos 29 anos de idade, ingressou na vida política, exercendo o cargo de secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública. Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos para a produção de obras de análise política e social.
Em 1513, escreveu sua obra mais importante e famosa “O Príncipe”. Nesta obra, Maquiavel aconselha os governantes como governar e manter o poder absoluto, mesmo que tenha que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra, que tentava resgatar o sentimento cívico do povo italiano, situava-se dentro do contexto do ideal de unificação italiana. 
Entre os anos de 1517 e 1520, escreveu “A arte da guerra”, um dos livros menos lidos do autor. 
Em 1520, Maquiavel foi indicado como o principal historiador de Florença.
Nos “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, de 1513 a 1521, Maquiavel defende a forma de governo republicana com uma constituição mista, de acordo com o modelo da República de Roma Antiga. Defende também a necessidade de uma cultura política sem corrupção, pautada por princípios morais e éticos.
O termo “maquiavélico”
Em função das ideias defendidas no livro “O Príncipe”, o termo “maquiavélico” passou a ser usado para aquelas pessoas que praticam actos desleais (até mesmo violentos) para obter vantagens, manipulando as pessoas. Este termo é injustamente atribuído a Maquiavel, pois este sempre defendeu a ética na política.
Frases de Maquiavel

- "Os homens ofendem mais aos que amam do que aos que temem." 
- "O desejo de conquista é algo natural e comum; aqueles que obtêm sucesso na conquista são sempre louvados, e jamais censurados; os que não têm condições de conquistar, mas querem fazê-lo a qualquer custo, cometem um erro que merece ser recriminado." 
- "Nada faz o homem morrer tão contente quanto o recordar-se de que nunca ofendeu ninguém, mas, antes, ajudou a todos." 
- "Quem do prazer se priva e vive entre tormentos e fadigas, do mundo não conhece os enganos." 
- "Todos os profetas armados venceram, e os desarmados foram destruídos." 
- "A ambição é uma paixão tão forte no coração do ser humano, que, mesmo que galguemos as mais altas posições, nunca nos sentimos satisfeitos." 
- "Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição." 
- "O homem que tenta ser bondoso todo tempo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons." 
- "O homem esquece de forma mais fácil a morte do pai do que a perda do patrimônio". 
- "Na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã." 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Análises


Assunto: Fwd: FW: A história secreta da renúncia de Bento XVI - Eduardo Febbro

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Paris - Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba.
Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro.
O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas. 
Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas.
Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu:
·        a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986;
·        o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida;
·        o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”.

Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno. 
O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente.
Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos.
Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica. 
A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar. 
Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa.
Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira.
O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual. 
Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano.
Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano.
As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época. 
João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais.
Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres.
No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus. 
Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão.
Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro.
Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas. 
Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção.
A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema. 
Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



60 aniversário da Batalha de Stalingrado 
O COMEÇO DO FIM DO NAZISMO


por Oficina de Informações [*]


Passou quase despercebido, no dia 2 de fevereiro, o 60º aniversário da capitulação do 6º Exército da Alemanha nazista ao Exército Vermelho da União Soviética na cidade de Stalingrado (hoje Volgogrado).


'Assalto', foto de Georgi Zelma
A Batalha de Stalingrado, talvez o maior e mais sangrento confronto militar da história, marcou o ponto de viragem dos aliados na 2ª Guerra Mundial, o início do fim do 3º Reich de Adolf Hitler. Hoje subestimada por motivos ideológicos, essa batalha selou o destino de Hitler e despertou em todo o mundo esperanças na vitória do socialismo.

No dia 2 de Fevereiro de 1943, capitulou no distrito fabril, no norte de Stalingrado, o último bolsão dos invasores nazistas, 40 mil soldados e oficiais alemães sob o comando do general Strecker. Do dia 10 de Janeiro até essa data, as tropas da Frente do Rio Don, chefiadas pelo general Rokossovski, derrotaram 22 divisões alemãs e mais 160 unidades de reforço e de retaguarda do 6º Exército, um dos melhores da Wehrmacht, sob o comando do marechal-de-campo Friedrich Paulus. Nessa ofensiva final, o Exército Vermelho capturou, junto com Paulus, 24 generais, 2.500 oficiais e 91 mil soldados.

O anúncio da capitulação chegou a Berlim três dias depois da comemoração do 10º aniversário da chegada de Adolf Hitler ao poder. Segundo o historiador William Shirer, autor de Ascenção e Queda do Terceiro Reich , o comunicado da derrota -- que, por ordem do ministro da propaganda, Joseph Goebbels, omitiu a rendição dos 91 mil soldados do 6º Exército -- foi precedido de um rufar de tambores abafados e seguida do segundo movimento da 5ª Sinfonia de Beethoven. Hitler decretou quatro dias de luto nacional e mandou fechar todos os cinemas, teatros e casas de diversão durante esse período.

Todos os números envolvendo a Batalha de Stalingrado são superlativos. O académico soviético A. Samsónov, autor de A Batalha de Stalingrado , conta que o Exército Vermelho derrotou nessa frente cinco exércitos: dois alemães (o 6º e o 4º de tanques); dois romenos (o 3º e o 4º) e um italiano (o 8º). Segundo seus cálculos, os soviéticos destruíram completamente 32 divisões e três brigadas; provocaram a perda de metade dos efectivos de outras 16 divisões; e teriam matado cerca de 800 mil homens. No total, as baixas dos alemães de seus aliados — entre mortos, feridos e capturados — teriam chegado a 1,5 milhão de pessoas, ou 25% das forças de que dispunham no início da invasão da União Soviética, em Junho de 1941. Os nazistas perderam também 3.500 tanques e peças de assalto; mais de 3 mil aviões de combate e de transporte; 12 mil peças de artilharia e morteiros; 75 mil viaturas, etc. Em contrapartida, segundo informa o historiador inglês Antony Beevor, o Exército Vermelho sofreu durante essa campanha 1,1 milhão de baixas, das quais 485.751 fatais.

O sacrifício não foi em vão. Com a derrota em Stalingrado, Hitler não pôde completar seu plano de conquistar a região do Cáucaso, no Sul da URSS, e seguir adiante para juntar as tropas com o Afrika Korps, do marechal Erwin Rommel, que havia chegado ao Egipto em Agosto de 1942. Depois disso, a perspectiva era unir as tropas alemãs com os japoneses, cuja Armada estava no Oceano Índico nessa época, pronta para invadir a Índia.

É mais ou menos consensual a constatação de que Hitler cometeu seu maior erro estratégico ao se decidir pela invasão da União Soviética, em Junho de 1941, dando início à "Operação Barbarossa". Nessa ocasião, as tropas nazistas já haviam feito as principais conquistas na Frente Ocidental (que se estendia desde a Noruega até os Pirineus e do rio Tamisa ao rio Elba), incluindo a ocupação de Paris. O Reino Unido enfrentava a Alemanha praticamente sozinha, sem poder contar ainda com a ajuda dos Estados Unidos, cuja posição isolacionista dividia o país. Em vez de iniciar uma segunda "Batalha da Grã-Bretanha", que certamente submeteria a resistência já combalida dos britânicos, Hitler resolveu abrir a "Frente Oriental", esperando "esmagar a Rússia soviética numa rápida campanha antes do fim da guerra contra a Inglaterra". Seu objectivo era garantir o abastecimento e tornar invencível a sua máquina de guerra com os cereais da Ucrânia e o petróleo do Cáucaso.

Nos primeiros seis meses da invasão, a Wehrmacht obteve vitórias espectaculares. No norte, as divisões Panzer do marechal Wilhelm Josef Franz von Leeb atravessaram os países bálticos e, com o apoio de seus aliados finlandeses, chegaram aos arredores de Leninegrado, a segunda maior cidade russa. No centro, sob o comando do marechal Fedor Bock tomaram Minsk, a capital da Bielorússia em menos de um mês e, logo em seguida, Smolensk, não muito distante de Moscovo, fazendo mais de 600 mil prisioneiros. No sul, o marechal Gerd von Rundstedt capturou a capital da Ucrânia, Kiev (com outros 600 mil prisioneiros), e depois Odessa, o principal porto soviético no mar Negro. A ofensiva final sobre Moscovo teve início em Outubro. Na batalha de Vyasma, as tropas do marechal von Bock capturaram mais 600 mil soviéticos. Em Dezembro, destacamentos alemães chegaram aos arredores da capital, já em pleno inverno. Os soldados estavam exaustos. E o pior para eles é que o marechal Gueorgui Konstantinovitch Júkov iniciava a contra-ofensiva soviética de três meses, com tropas descansadas. Diante do fracasso na batalha de Moscovo, Hitler exonerou o comandante da Wehrmacht, marechal Heinrich Alfred Hermann Walther von Brauchistch, assumindo o posto ele próprio. Foi quando se decidiu pela ofensiva ao Cáucaso, na primavera de 1942.

De acordo com Samsónov, Stalingrado tinha, na época, 445 mil habitantes. Naquela cidade às margens do rio Volga funcionava um importante parque industrial e comercial, com 126 empresas, 30 das quais de importância nacional. Sua fábrica de tractores, símbolo da indústria soviética, havia produzido mais da metade dos 300 mil tractores então em operação no país. A fábrica Krasni Oktiabr produzia 776 mil toneladas de aço por ano e 584 mil toneladas de laminados. Também eram relevantes a fábrica Barricadi, os estaleiros e a central termoeléctrica. Na região, trabalhavam 325 mil operários e empregados. A cidade era também um centro cultural, com 125 escolas, vários centros de ensino superior, teatros, galerias de pintura e ginásios desportivos.

Mais importante ainda, Stalingrado era uma encruzilhada de comunicações, unindo a parte europeia da URSS com a Ásia Central e a região dos Montes Urais. Por ali passava uma estrada que unia as regiões centrais do país com o Cáucaso, escoadouro do petróleo de Baku. Na época, a cidade também se transformou num símbolo, por ter sido baptizada com o nome do líder soviético Joseph Stalin.

É fora de dúvida que o Führer subestimou a capacidade dos soviéticos de lhe opor resistência. Assim, quando o 6º Exército se rendeu, a derrocada do 3º Reich tornou-se uma questão de tempo, a ser consumada com a tomada de Berlim pelos exércitos do marechal Júkov, no dia 7 de 1945.

Três dias depois do final da batalha de Stalingrado, o presidente americano Franklin Roosevelt enviou uma mensagem de congratulações a Stalin "por sua brilhante vitória". Segundo Roosevelt, "os 162 dias da épica batalha pela cidade... serão lembrados como um dos mais dignos capítulos desta guerra dos povos que se uniram contra o nazismo e seus emuladores. Os comandantes e os soldados de seus exércitos e os homens e mulheres que os apoiaram nas fábricas e no campo cobriram de glória não apenas os braços de seu país, mas inspiraram e renovaram com o seu exemplo a determinação de todas as nações unidas de empenhar toda a sua energia para conseguir a derrota final e a rendição incondicional do inimigo comum".

Já no primeiro encontro dos "três grandes" na Conferência de Teerão, em novembro de 1943 — Stalin, Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill — a bravura dos moradores de Stalingrado foi reconhecida por meio de um gesto singelo, a entrega de uma espada enviada pelo rei George VI, na qual foi gravada a seguinte frase: "Aos cidadãos de coração de ferro de Stalingrado, um presente do rei George VI, como sinal da homenagem do povo britânico".

A Batalha de Stalingrado contribuiu para ampliar a moral das forças aliadas e dos movimentos socialistas em várias partes do mundo. Também inspirou toda uma geração de artistas, entre os quais o poeta chileno Pablo Neruda, que compôs o célebre Nuevo canto de amor a Stalingrado . No Brasil, Carlos Drummond de Andrade, em sua Carta a Stalingrado , escreveu:

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrirmos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Stalingrado, sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes dá um enorme alento à alma desesperada e ao coração que duvida. 


[*] Texto elaborado pela Oficina de Informações . 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info .


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA