segunda-feira, 1 de abril de 2013


1
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________
Publicado em: http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=5653:wikileaks-opapa-
bergoglio-e-os-kirchner&catid=43:imperialismo
Colocado em linha em: 2013/03/24

Wikileaks: o papa Bergoglio e os Kirchner
Marcus V F Lacerda
16 Março 2013

Nota dos Editores da página do Partido Comunista Brasileiro (PCB):
Apesar de a matéria não explicitar relações diretas entre o agora papa e os agentes
dos EUA, deixa nítida a interferência da Casa Branca nos assuntos internos dos
países da América Latina e o uso da religião para atacar qualquer iniciativa dos
governos da região que incomodem seus interesses. Não descartamos que esse
tenha sido um dos aspectos que tenham levado os cardeais a escolherem um
pontífice da América Latina, região que de forma às vezes mais às vezes menos
incisiva tem se descolado do seguidismo puro aos ditames de Washington.
Telegramas da embaixada americana em Buenos Aires mostram a influência do novo
papa na política argentina e sua ligação com a oposição.
Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam
que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome
bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.
Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos
Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010
mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um
agente político poderoso contra os Kirchner.
O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que
trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na
província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito
para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por
indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto
Iguazú, Monsignor Piña.
“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires,
ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou
qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O
engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A
2
lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos,
incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como
líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.
E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos
revelam que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de
2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como
“tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de
poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na
Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos
bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos
Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa
Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder
muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi
supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era
muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e
atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro
de 2010.
A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou
ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência
argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando
ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois,
os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a
missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das
festividades de Buenos Aires para Salta.
UM LÍDER MANCHADO PELA RELAÇÃO COM A DITADURA
Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de
Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a
ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31
casos de tortura e 42 sequestros.
Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que
convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese
disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela
participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.
Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio.
“Entretanto, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico
romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por
conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso
Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou
capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar
questões politicais, sociais ou econômicas”.

quarta-feira, 27 de março de 2013


Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________
Publicado no “Avante!” n.º 2050, de 2013/03/14 e em: http://www.avante.pt/pt/2050/internacional/124300/
Colocado em linha em: 2013/03/24
O saque imperialista das riquezas de África
Carlos Lopes Pereira
O imperialismo planeia dominar os países do Norte de África e desestabilizar a região
e todo o continente de forma a perpetuar a pilhagem das riquezas africanas.
A agressão da NATO à Líbia (produtor de petróleo), a intervenção da França no Mali
(ouro e urânio), a construção de uma base militar dos EUA no Níger (urânio) e o
«cerco» à Argélia (petróleo e gás) são peças dessa estratégia que visa, face à crise do
capitalismo mundial, intensificar a exploração dos trabalhadores e o saque dos
recursos naturais africanos.
O jornalista Dan Glazebrook, que escreve em jornais como The Guardian, The
Independent ou The Morning Star, publicou um artigo no Al-Ahram Weekly
(http://weekly.ahram.org.eg), do Cairo, denunciando esta conspiração.
Começa ele por recordar que o Ocidente drena todos os anos de África milhares de
milhões de dólares em pagamentos do «serviço da dívida», em lucros de
investimentos e em empréstimos ligados a esquemas de corrupção de sectores das
burguesias nacionais.
Outra via de dominação da África é o saque das suas riquezas minerais. É apontado o
caso do Congo, onde, no Leste, bandos armados – controlados pelos vizinhos Uganda,
Ruanda e Burundi, por sua vez apoiados por potências ocidentais – patrocinam o
roubo de minérios e a sua venda a empresas estrangeiras.
A África financia ainda as classes dominantes ocidentais através dos baixos preços
das matérias-primas e dos miseráveis salários pagos aos trabalhadores que as
extraem ou cultivam.
Em suma, o capitalismo impõe ao continente africano o papel de fornecedor de
matérias-primas e mão-de-obra baratas. E, para que esta situação se mantenha,
procura assegurar que a África continue pobre e dividida, flagelada por golpes e
guerras.
Segundo Glazebrook, a criação em 2002 da União Africana (UA), dinamizada por
Muammar Khadafi, preocupou os estrategas ocidentais.
Para Washington, Londres e Paris era inaceitável o plano da UA de criação do Banco
Central Africano e de uma moeda única. Era inaceitável a criação do Fundo
2
Monetário Africano. E, sobretudo, era inaceitável a decisão da UA, em 2004, de
elaborar a Carta de Defesa e Segurança Comum Africana. E a decisão, em 2010, de
avançar com uma força militar unificada.
Nessa altura, face ao seu declínio económico e à «ameaça» da China, os EUA já
tinham traçado planos para recolonizar a África.
Em 2008 surgiu o Africom, comando militar que o presidente G. W. Bush pretendia
instalar em território africano. Mas a UA rejeitou a presença de tropas norteamericanas
e o Africom teve de montar o quartel-general na Alemanha.
Maior humilhação para os EUA foi ver Khadafi eleito presidente da UA em 2009 e a
Líbia tornar-se o principal suporte da organização pan-africana.
O Império não tolerou as propostas da UA no sentido de um processo de integração
africana. Depois de justificar a agressão à Líbia com «um pacote de mentiras ainda
maior do que o que servira de pretexto para a invasão do Iraque» – como escreve
Glazebrook –, a NATO destruiu o país, reduziu-o «à condição de mais um estado
africano falhado» e «facilitou a tortura e o assassinato de Khadafi», assim se
libertando de um seu opositor.
A guerra contra o coronel destruiu o seu regime e também a paz e a segurança no
Norte de África.
O dirigente líbio tinha organizado desde 1998 a Comunidade de Estados Sahel-
Saharianos, com o foco na segurança regional, travando a influência das milícias
salafistas e apaziguando os líderes tribais tuaregues.
Com a queda de Khadafi, os radicais islâmicos da região obtiveram armas modernas
– cortesia da NATO – e as fronteiras meridionais da Líbia entraram em colapso.
A primeira vítima dessa desestabilização regional foi o Mali. O avanço islamita,
resultado da agressão à Líbia, foi pretexto para a intervenção militar da França.
A Argélia ficou igualmente na mira do imperialismo. Está hoje «cercada» por radicais
islâmicos a Leste (fronteira com a Líbia) e a Sul (fronteira com o Mali), onde se
instalou também a legião francesa.
O imperialismo tem razões para não «simpatizar» com a Argélia, o único país do
Norte de África ainda governado pelo partido que lutou pela independência (FLN):
Argel apoia a UA, tem assumido posições internacionais dignas e, como o Irão e a
Venezuela, vende por um preço justo o seu petróleo e o seu gás.
Este «nacionalismo dos recursos» leva as gigantes petrolíferas ocidentais a não
esconder que «estão fartas da Argélia», como escreve o Financial Times. O mesmo
jornal que, um ano antes da agressão da NATO, também acusou a Líbia do «crime»
de proteger os seus recursos naturais...

terça-feira, 26 de março de 2013

Documento histórico



Assunto: O dia que durou 21 anos

Atenção, o video referido no artigo estava no youtube e foi à vida.....mas o texto dá o contexto...vale muito a pena ler com cuidado.
http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=208893&id_secao=29

24 de Março de 2013 - 0h00

O dia que durou 21 anos: como os EUA intervieram pelo golpe de 64


Extraordinário documentário revela minuciosamente a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964, que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como "Top Secret", são expostos ao público. A obra é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo Tavares.




O filme, que revela como os Estados Unidos colaboraram para derrubar o presidente brasileiro João Goulart, será lançado nos cinemas dia 29 de março e apresenta áudios de conversas dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson com assessores sobre o Brasil e mostra como os vizinhos do norte apoiaram os conspiradores, com ações de desestabilização e até militares.

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil no início dos anos 1960, o intelectual brasilianista de Harvard Lincoln Gordon, aparece quase como um vilão, com seus alarmantes telegramas para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, em que apontava o risco iminente de o Brasil seguir Cuba em direção ao comunismo. “Se o Brasil for perdido, não será outra Cuba, mas outra China, em nosso hemisfério ocidental.” No contexto da Guerra Fria da época, pouco após Cuba se tornar socialista, esse era o pior pesadelo dos norte-americanos.

Em conversa com Kennedy, cujo áudio é reproduzido, Gordon avalia que o presidente brasileiro poderia ser um “ditador populista”, nos moldes do argentino Juan Perón. Em novembro de 1963, Lyndon Johnson afirma que não vai “permitir o estabelecimento de outro governo comunista no hemisfério ocidental”.

O documentário mostra, então, as ações de propaganda dos EUA, coordenadas por Gordon, para desestabilizar o governo brasileiro. Cita a criação e o financiamento de supostos institutos de pesquisa anti-Goulart, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para bancar “pesquisas” e campanhas de 250 candidatos a deputados, oito a governador e 600 a deputado estadual no país. Além disso, o estímulo de greves e artigos na imprensa contra o governo eram o “feijão com arroz” de “ações encobertas” da CIA (Agência Central de Inteligência) onde pretendia derrubar regimes, como explica o coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh.

Ações sigilosas

Em telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart. Ações sigilosas incluem manifestações de rua pró-democracia, para encorajar o sentimento anticomunista no Congresso, nas Forças Armadas, imprensa e grupos da Igreja e no mundo dos negócios”. Entrevistado, o assessor de Gordon na embaixada, Robert Bentley, não nega o financiamento norte-americano, apenas sorri, cala e diz: “Isso era uma polêmica quando cheguei [ao Brasil]”.

O filme reitera ainda a importância do adido militar da embaixada Vernon Walters, amigo de oficiais brasileiros desde a 2ª Guerra Mundial, como o general Castelo Branco, que viriam a ser fundamentais na derrubada de Goulart. Cabia a Walters identificar insatisfeitos entre militares. O oficial descreve Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, como “altamente competente, oficial respeitado, católico devotado e admira papel dos EUA como defensores da liberdade”. Segundo Bentley, “havia muita confiança em Castelo Branco”, o “homem para sanear a situação, do ponto de vista dos interesses norte-americanos”.

Operação Brother Sam

Quando a situação esquenta, os EUA concordam em mandar navios de guerra para a costa brasileira, na chamada Operação Brother Sam, com o objetivo de intimidar e dissuadir o governo de resistir ao golpe. O presidente norte-americano autoriza, em áudio, a fazer “tudo o que precisarmos fazer. Vamos pôr nosso pescoço para fora (nos arriscar)”.

Um telegrama do Departamento de Estado dos EUA para Gordon descreve as medidas tomadas para “estar em posição de dar assistência no momento adequado a forças anti-Goulart, se decidido que isso seja feito”. A operação Brother Sam incluía enviar “uma força-tarefa naval, com um porta-aviões, quatro destróieres (contratorpedeiros) e navios-tanque para exercícios ostensivos na costa do Brasil”, além de 110 toneladas de munição e outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo para controle de distúrbios, por avião.

Um telegrama “top secret” da CIA, de 30 de março – véspera da eclosão do movimento – mostra como os norte-americanos estavam bem informados e articulados com os conspiradores. No documento intitulado “Planos de Revolucionários em Minas Gerais”, os espiões dizem que “Goulart deve ser removido imediatamente. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais chegaram definitivamente a um acordo. A ignição será uma revolta militar liderada pelo general Mourão Filho. As tropas vão marchar para o Rio de Janeiro”.

Documento assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Dean Rusk, confirma que os golpistas pediram apoio militar aos EUA. “Pela primeira vez, os golpistas brasileiros pediram se a Marinha norte-americana poderia chegar rapidamente à costa sul brasileira”. Para o professor de História da UFRJ Carlos Fico, a retaguarda da Brother Sam foi fundamental para dar segurança aos militares que derrubariam o regime. Apesar dos documentos e de forma pouco convincente, o diplomata Bentley nega ter ouvido falar na operação.

Momentos engraçados

O filme tem ainda momentos engraçados. “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão [general Olympio Mourão Filho, que liderou as tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio] saiu!”, ri o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações). A filha do general Mourão Filho, Laurita Mourão, diz que o pai chamou de “covarde” Castelo Branco, o primeiro presidente militar após o movimento, ao ser criticado por suposta precipitação ao mover tropas em direção ao Rio. “Castelo Branco, você é um medroso, é um...” Nas palavras da filha, ele também “foi entregar a Revolução a Costa e Silva [posteriormente também presidente do regime], que estava dormindo, de cuecas”.

Após o sucesso da iniciativa, Gordon escreve aos EUA. “Tenho o enorme prazer de dizer que a eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre”. Robert Bentley conta que participou, no gabinete vazio de Goulart, de reunião sobre a posse do novo regime em que estava o presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao telefone para o embaixador, foi perguntado se a posse do novo regime tinha sido legal, e respondeu: “Parece que foi legal, não sei dizer. Acordei 12h depois e [os EUA] tinham reconhecido o governo”.

“Há uma diferença entre Gordon, que quer ser muito caloroso, e nossa visão da Casa Branca, de que o sr. deveria ser um pouco cauteloso, porque estão prendendo um monte de gente.”

“Eu acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo. Não vou fazer nenhuma cruzada contra eles, mas eu não quero... Eu gostaria que tivessem colocado alguns na prisão alguns antes que Cuba fosse tomada”, responde Johnson.

“Uma mensagem mais rotineira seria desejável neste momento.”

“Eu seria um pouco caloroso”, diz Johnson.

“É mesmo? Isso vai ser publicado.”

“Eu sei, mas eu estou me lixando!”, finaliza o presidente.

O filme avança, mostrando o Ato Institucional nº 1, que cassa os direitos políticos e mandatos de parlamentares e de militares. Um deputado chora sobre a mesa, na Câmara. E lembra, para ilustrar a proximidade do regime militar brasileiro com os EUA, a célebre frase que marcou o militar Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.

Projeto familiar

O documentário é também um projeto familiar e uma homenagem do diretor, Camilo Tavares, ao pai, o jornalista e ativista político Flávio Tavares – um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio em 1969.

Flávio aparece na famosa foto dos presos diante do avião que os levaria ao exílio, no México – onde o diretor nasceria, em 71 –, e em um flash rápido, em lista de “procurados”, com o nome de Flávio Aristides. É também Flávio Tavares quem faz as entrevistas, ficando frente a frente com ex-adversários, o diplomata Bentley e Jarbas Passarinho, ministro que assinou sua extradição. A mulher de Camilo, Karla Ladeia, é produtora-executiva.

Para o embaixador Elbrick, seu sequestro foi uma tentativa de “constranger os governos brasileiro e norte-americano”. Mas há outros momentos de constrangimento norte-americano no filme. Após aparecer a foto de um homem pendurado em um pau-de-arara, Bentley é questionado sobre as violações a direitos humanos. “É difícil de justificar oficialmente. Mas lamento... lamento (ri), de qualquer maneira”. À época, entretanto, as mensagens internas do governo norte-americano pregavam a discrição. “Embora não busquemos justificar atos extra-legais ou excessos do governo, concluí que nossa melhor decisão é nos aproximarmos ao máximo do silêncio de ouro”, recomenda Gordon.

O filme surpreende ainda com depoimentos inusitados e críticos de protagonistas do regime, como o general Newton Cruz, chefe do SNI. “Quando a Revolução nasceu era para fazer uma arrumação da casa. Ninguém passa 20 anjos para arrumar a casa!”

O filme conclui com uma frase ácida do coordenador do Arquivo de Segurança Nacional, o norte-americano Peter Kornbluh. “Tudo isso foi feito em nome da democracia, supostamente.”

Fonte: Da Redação, com agências

domingo, 24 de março de 2013


Óscar Lopes

Crítico literário e professor catedrático, Óscar Lopes nasceu em Leça da Palmeira em 1917. Licenciou-se em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras de Lisboa e frequentou o curso de Ciências Histórico-Filosóficas em Coimbra e o Conservatório de Música do Porto. Entre 1951 e 1957 dinamizou a página literária do Comércio do Porto. Desempenhou funções docentes como professor do ensino secundário, até integrar,entre 1974 e 1987, os quadros da Faculdade de Letras do Porto, onde foi professor catedrático e onde fundou o Centro de Linguística, desenvolvendo uma atividade ensaística que sempre soube conciliar com seu interesse pela música e pela linguística. Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores e sócio de mérito da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e integrou os júris de vários prémios literários. Mercê do seu envolvimento na oposição ao regime salazarista, foi, durante a ditadura, duas vezes detido, afastado temporariamente do serviço letivo oficial e viu obras suas apreendidas, sendo ainda múltiplas vezes impedido de participar em congressos ou outros eventos para que fora convidado no estrangeiro. Pertencendo à geração que, nos anos 40, nas páginas de Seara Nova ou Vértice defende uma arte comprometida e teorizada a partir das coordenadas ideológicas do marxismo dialético, o nome de Óscar Lopes, ao lado de outros, como Mário Dionísio, Mário Sacramento, Álvaro Cunhal ou Joaquim Namorado, é indissociável do processo que, integrando, além da criação, a teorização e a crítica literárias,conduzirá à afirmação e progressiva revisão crítica dos pressupostos do neorrealismo. A formação multifacetada de Óscar Lopes, especializada simultaneamente nos domínios da linguística, da musicologia,da história, da filosofia e da literatura, permitirá colmatar, no entanto, a perspetiva marxista dialética, noque impõe de compreensão do horizonte de realidade em que se inscreve o texto literário e enriquecer essa visão de conjunto por uma análise pormenorizada dos seus caracteres estilísticos. Caminhando pendularmente entre "a microanálise e as grandes sínteses" (cf. AA.VV. - Sentido Que a Vida Faz. EstudosPara Óscar Lopes, Porto, Campo das Letras, 1997, p. 16), o ensaísmo de Óscar Lopes, seja em volumes de grande fôlego e carácter referencial no domínio da historiografia literária, como a História da Literatura Portuguesa ou Entre Fialho e Nemésio, seja em estudos sobre a literatura contemporânea coligidos em Álbum de Família ou Cifras do Tempo, "se por um lado relevam de uma visão atenta às particularidades de um autor ou de uma obra, por outro lado partilham de idêntica amplitude reflexiva, permanecendo um lugar de interrogação epistemológica." (id. ibi, p. 16.) Um sentido de abertura criativa a novos métodos modelos, que, no âmbito da investigação linguística, culminaria num trabalho inovador, a Gramática Simbólica do Português, obra pioneira, que constitui um marco dos estudos linguísticos em Portugal. Tendo recebido múltiplas homenagens públicas, foi, em 23 de abril de 1987, aprovado pela Assembleia da República um Voto de Louvor como reconhecimento de que o seu nome  uma referência obrigatória da cultura portuguesa contemporânea".
O autor recebeu, em 2000, o prémio Vida Literária, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores.
in Infopédia.Porto Editora

Foi membro do Partido Comunista Português

SocialTwist Tell-a-Friend

Como referenciar este artigo:Óscar Lopes. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-03-24].
Disponível na www: .

terça-feira, 19 de março de 2013

Neo-liberalismo


Embora o termo tenha sido cunhado em 1938 pelo sociólogo e economista alemão Alexander Rüstow, o Neoliberalismo  só ganharia efectiva aplicabilidade e reconhecimento na segunda metade do século XX, especialmente a partir da década de 1980.Neoliberalismo ganharia força e visibilidade com o Consenso de Washington, em 1989. Na ocasião, a líder do Reino Unido, Margareth Thatcher, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, propuseram os procedimentos do Neoliberalismo para todos os países, destacando que os investimentos nas áreas sociais deveriam ser direccionados para as empresas. Esta prática, segundo eles, seria fundamental para movimentar a economia e, consequentemente, gerar melhores empregos e melhores salários. Houve ainda uma série de recomendações especialmente dedicadas aos países pobres, as quais reuniam: a redução de gastos governamentais, a diminuição dos impostos, a abertura económica para importações, a livre entrada do capital estrangeiro, privatização e desregulamentação da economia.
O objectivo do Consenso de Washington foi, em certa medida, alcançado com sucesso, pois vários países adoptaram as proposições feitas. Só que muitos países não tinham condições de arcar com algumas delas, o que gerou uma grande demanda de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Logo, criava-se todo um sistema de privilégios para os países desenvolvidos, pois as medidas neoliberais eram implementadas sob o monitorização do FMI e toda essa abertura económica favorecia claramente aos países ricos, capazes de comprar as empresas estatais e de investir dinheiro em outros mercados. Por outro lado, o argumento de defesa do Neoliberalismo diz que a abertura económica é benéfica porque força à modernização das empresas. Entretanto, é preciso lembrar que muitas dessas empresas não tinham condições de se modernizar com tamanha rapidez e com tanto investimento, o que resultou em muitos empréstimos, incapacidade de pagamento, dívidas em crescimento, falência e, por sim, desemprego.

sexta-feira, 15 de março de 2013



Bergoglio, un Papa a la sombra de la dictadura militar argentina

Investigaciones periodísticas relacionan a Francisco I con desapariciones y torturas durante el gobierno de la Junta Militar de Videla en Argentina


Cuando de la chimenea de la Capilla Sixtina se divisó el humo blanco que indicaba la elección deun nuevo Papa, cientos de fieles que asistían a misa en la catedral de Buenos Aires se deshicieron en aplausos y ovaciones en honor al nuevo Papa Francisco I, que ellos conocían hasta ese momento como el cardenal primado de Argentina y arzobispo bonaerenseJorge Mario Bergoglio.
Para muchos otros, el máximo pontífice de la Iglesia Católica es no sólo un crítico acérrimo al aborto y al matrimonio homosexual, sino el jesuita quecolaboró con la dictaduraargentina (1976-1983) mientras se desempeñó como superior provincial de esa orden religiosa entre 1973 y 1979.
En 2010 Jorge Bergoglio tuvo que testificar en el juicio sobre los crímenes de lesa humanidad cometidos en la ESMA (Escuela Superior de Mecánica de la Armada), como se conoce al mayor centro clandestino de detenciones y torturas que existió con el régimen militar. El cardenal declaró durante más de cinco horas ante el tribunal que investigaba la detención en 1976 de dos curas jesuitas, Francisco Jalics y Orlandio Yorio, que trabajaban en una villa miseria (chabola) pese a la oposición de Bergoglio, líder por entonces de la Compañía de Jesús.
Después de que su superior les retirara la protección institucional, los sacerdotes fueronsecuestrados y detenidos en la ESMA. A los cinco meses fueron encontrados en las afueras de Buenos Aires, drogados y semidesnudos.
Según señala el reconocido periodista argentino Horacio Verbitsky, cuatro catequistas y dos de sus esposos fueron también secuestrados en el mismo operativo en el que detuvieron a los curas. Ninguno de los seis volvió a aparecer.
Poco se sabe de aquella intervención de Bergoglio ante la Justicia por los delitos de la ESMA, que fue privada. Según la querella del caso, el actual Papa “mintió” y se mostró “reticente” al momento de referirse a los dos sacerdotes jesuitas. Bergoglio, en cambio, aseguró ante la Justicia que había pedido por la suerte de sus subordinados en dos reuniones que tuvo con el primer general que encabezó la dictadura, Jorge Videla, y en otro par de ocasiones, con el jefe de la Marina Emilio Massera, que dirigió la ESMA e integró la Junta Militar responsable del golpe de Estado.
No fue ésta la única ocasión que el actual Sumo Pontífice tuvo que brindar su testimonio sobre la dictadura. El hasta ahora arzobispo fue llamado como testigo a petición de la Fiscalía y de la asociación Abuelas de Plaza de Mayo para que declarase sobre la apropiación por parte de los militares de los bebés que nacían en cautiverio durante la dictadura. Bergoglio pidió dar su declaración por escrito.
En concreto, se le solicitó información sobre el caso de Ana de la Cuadra, nieta robada de una de las fundadoras y primera presidenta de Abuelas, Alicia de la Cuadra, fallecida en 2008. Su hija Estela de la Cuadra, que ahora busca información sobre su sobrina y sobre su hermana Elena, desaparecida cuando estaba embarazada de cinco meses, presentó ante la Justicia la correspondencia entre Bergoglio y su padre, que le había solicitado ayuda para encontrarlas. ”¿Cómo es que Bergoglio dice que hace sólo diez años sabe del robo de bebés?”, preguntó Estela ante los tribunales. “Es la tercera vez que lo pido ante un tribunal: ¿lo vamos a citar para que declare o no lo vamos a citar para que declare?”, pedía allá por 2011.
Estela de Carlotto, actual presidenta de Abuelas, también ha cuestionado a Bergoglio por afirmar durante el juicio en la causa ESMA que se había enterado del robo de menores durante la dictadura unos diez años antes. “Por no hablar y mantener el silencio en este país tuvimos 30.000 desaparecidos y 560 nietos apropiados por represores” dijo en 2007. “Nosotros aún estamos esperando de la Iglesia haga una autocrítica sobre su actuación durante la última dictadura”.
Bergoglio no se defendió públicamente de estas acusaciones, hasta que en 2010 se publicó el libro “El jesuita, conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio”, en el que afrontó el tema de la dictadura. “Si no hablé en su momento fue para no hacerle el juego a nadie, no porque tuviese algo que ocultar”, explicó en ese libro.
“Hice lo que pude con la edad que tenía y las pocas relaciones con las que contaba para abogar por personas secuestradas”.

Reacciones

Aunque la presidenta argentina Cristina Fernández ha felicitado al nuevo Papa y asistirá a su asunción como Sumo Pontífice, desde las filas del oficialismo Bergoglio nunca ha sido muy querido, a raíz de las desavenencias y la distancia protocolar que mantuvieron con Bergoglio la actual mandataria como su marido y antecesor Néstor Kirchner.
Algunas reacciones no se han hecho esperar. El gobernador de Río Negro, Alberto Weretilneck mostró su asombro por la elección de los cardenales de El Vaticano: “No sé qué aporte ha hecho la Iglesia argentina para que lo hayan nombrado como Papa”.Menos sutil fue Agustina Kampfer , la pareja del actual vicepresidente, Amado Boudou, que tiró también desde Twitter su primer dardo: “No entiendo; ahora somos todos reee católicos y la Iglesia es la casa de Dios de verdad?” escribió.  “Bergoglio sigue siendo investigado por la participación de la Iglesia en delitos de lesa humanidad. Ni olvido ni perdón”, sentenció.
FUENTE

Un ersatz

 Por Horacio Verbitsky
Entre los centenares de llamados y mails recibidos, elijo uno. “No lo puedo creer. Estoy tan angustiada y con tanta bronca que no sé qué hacer. Logró lo que quería. Estoy viendo a Orlando en el comedor de casa, ya hace unos años, diciendo ‘él quiere ser Papa’. Es la persona indicada para tapar la podredumbre. Es el experto en tapar. Mi teléfono no para de sonar, Fito me habló llorando.” Lo firma Graciela Yorio, la hermana del sacerdote Orlando Yorio, quien denunció a Bergoglio como el responsable de su secuestro y de las torturas que padeció durante cinco meses de 1976. El Fito que la llamó desconsolado es Adolfo Yorio, su hermano. Ambos dedicaron muchos años de su vida a continuar las denuncias de Orlando, un teólogo y sacerdote tercermundista que murió en 2000 soñando la pesadilla que ayer se hizo realidad. Tres años antes, su íncubo había sido designado arzobispo coadjutor de Buenos Aires, lo cual preanunciaba el resto.
Orlando Yorio no llegó a conocer la declaración de Bergoglio ante el Tribunal Oral Federal 5. Allí dijo que recién supo de la existencia de chicos apropiados después de terminada la dictadura. Pero el Tribunal Oral Federal 6, que juzgó el plan sistemático de apropiación de hijos de detenidos-desaparecidos, recibió documentos que indican que ya en 1979 Bergoglio estaba bien al tanto e intervino al menos en un caso a solicitud del superior general, Pedro Arrupe. Luego de escuchar el relato de los familiares de Elena de la Cuadra, secuestrada en 1977, cuando atravesaba el quinto mes de embarazo, Bergoglio les entregó una carta para el obispo auxiliar de La Plata, Mario Picchi, pidiéndole que intercediera ante el gobierno militar. Picchi averiguó que Elena había dado a luz una nena, que fue regalada a otra familia. “La tiene un matrimonio bien y no hay vuelta atrás”, informó a la familia. Al declarar por escrito en la causa de la ESMA, por el secuestro de Yorio y del también jesuita Francisco Jalics, Bergoglio dijo que en el archivo episcopal no había documentos sobre los detenidos-desaparecidos. Pero quien lo sucedió, su actual presidente, José Arancedo, envió a la jueza Martina Forns copia del documento que publiqué aquí, sobre la reunión del dictador Videla con los obispos Raúl Primatesta, Juan Aramburu y Vicente Zazpe, en la que hablaron con extraordinaria franqueza sobre decir o no decir que los detenidos-desaparecidos habían sido asesinados, porque Videla quería proteger a quienes los mataron. En su clásico libro Iglesia y dictadura, Emilio Mignone lo mencionó como paradigma de “pastores que entregaron sus ovejas al enemigo sin defenderlas ni rescatarlas”. Bergoglio me contó que en una de sus primeras misas como arzobispo divisó a Mignone e intentó acercársele para darle explicaciones, pero que el presidente fundador del CELS alzó la mano indicándole que no avanzara.
No estoy seguro de que Bergoglio haya sido elegido para tapar la podredumbre que redujo a la impotencia a Joseph Ratzinger. Las luchas internas de la curia romana siguen una lógica tan inescrutable que los hechos más oscuros pueden atribuirse al espíritu santo, ya sean los manejos financieros por los que el Banco del Vaticano fue excluido del clearing internacional porque no cumple con las reglas para controlar el lavado de dinero, o las prácticas pedófilas en casi todos los países del mundo, que Ratzinger encubrió desde el Santo Oficio y por las que pidió perdón como pontífice. Ni siquiera me extrañaría que, brocha en mano y con sus zapatos gastados, Bergoglio emprendiera una cruzada moralizadora para blanquear los sepulcros apostólicos.
Pero lo que tengo por seguro es que el nuevo obispo de Roma será un ersatz, esa palabra alemana a la que ninguna traducción hace honor, un sucedáneo de menor calidad, como el agua con harina que las madres indigentes usan para engañar el hambre de sus hijos. El teólogo brasileño de la liberación Leonardo Boff, excluido por Ratzinger de la enseñanza y del sacerdocio, tenía la ilusión de que fuera elegido el franciscano de ancestros irlandeses Sean O’Malley, que carga con la diócesis de Boston, quebrada por tantas indemnizaciones que pagó a niños vejados por sacerdotes. “Se trata de una persona muy vinculada a los pobres porque trabajó mucho tiempo en América Latina y el Caribe, siempre en medio de los pobres. Es una señal de que puede ser un papa diferente, un papa de una nueva tradición”, escribió el ex sacerdote. En la Silla Apostólica no se sentará un verdadero franciscano sino un jesuita que se hará llamar Francisco, como el pobrecito de Asís. Una amiga argentina, me escribe azorada desde Berlín que para los alemanes, que desconocen su historia, el nuevo papa es tercermundista. Menuda confusión.
Su biografía es la de un populista conservador, como lo fueron Pío XII y Juan Pablo II: inflexibles en cuestiones doctrinarias pero con una apertura hacia el mundo, y sobre todo, hacia las masas desposeídas. Cuando rece su primera misa en una calle del trastevere o en la stazione termini de Roma y hable de las personas explotadas y prostituidas por los poderosos insensibles que cierran su corazón a Cristo; cuando los periodistas amigos cuenten que viajó en subte o colectivo; cuando los fieles escuchen sus homilías recitadas con los ademanes de un actor y en las que las parábolas bíblicas coexisten con el habla llana del pueblo, habrá quienes deliren por la anhelada renovación eclesiástica. En los tres lustros que lleva al frente de la Arquidiócesis porteña hizo eso y mucho más. Pero al mismo tiempo intentó unificar la oposición contra el primer gobierno que en muchos años adoptó una política favorable a esos sectores, y lo acusó de crispado y confrontativo porque para hacerlo debió lidiar con aquellos poderosos fustigados en el discurso.
Ahora podrá hacerlo en otra escala, lo cual no quiere decir que se olvide de la Argentina. Si Pacelli recibió el financiamiento de la Inteligencia estadounidense para apuntalar a la democracia cristiana e impedir la victoria comunista en las primeras elecciones de la posguerra y si Wojtyla fue el ariete que abrió el primer hueco en el muro europeo, el papa argentino podrá cumplir el mismo rol en escala latinoamericana. Su pasada militancia en Guardia de Hierro, el discurso populista que no ha olvidado, y con el que podría incluso adoptar causas históricas como la de las Malvinas, lo habilitan para disputar la orientación de ese proceso, para apostrofar a los explotadores y predicar mansedumbre a los explotados.
in Página /12, El país


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA