sábado, 22 de junho de 2013

LEIAM ATENTAMENTE ESTE ESTUDO DO EUGÉNIO ROSA E TIREM AS VOSSA CONCLUSÕES. E SE ESTIVEREM DE ACORDO COM O SEU CONTEÚDO, ESPALHEM PELOS VOSSOS CONHECIDOS, POIS ISTO NUNCA VERÁ A LUZ DO DIA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL!
 
 
 
 
A mentira e a ignorância estão cada vez mais presentes nos ataques às funções sociais do Estado pelos comentadores com acesso privilegiado aos media. É mais um exemplo concreto do pensamento único sem contraditório atualmente dominante nos grandes órgãos de comunicação social. Quem oiça esses comentadores habituais que muitas vezes revelam que não estudaram minimamente aquilo de que falam, poderá ficar com a ideia de que Portugal é um país diferente dos outros países da União Europeia onde o "Estado Social" é insustentável e está próximo da falência por ter garantido aos portugueses uma saúde, uma educação e uma proteção, que inclui o sistema de pensões, mais "generosos" do que a dos outros países e que, por isso, é insustentável.

Um dos arautos mais conhecidos dessa tese, não porque seja um estudioso credível mas sim porque tem tido acesso fácil aos media, é Medina Carreira com as suas diatribes periódicas contra o "Estado Social". Mas antes de confrontarmos o que dizem estes comentadores com os próprios dados oficiais, divulgados até recentemente pelo Eurostat, para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões, interessa desconstruir uma outra grande mentira que tem sido sistematicamente repetida em muitos órgãos de comunicação social sem contraditório o que tem determinado que ela passe, a nível de opinião pública, como verdadeira.

SERÁ VERDADE QUE PORTUGAL FOI OBRIGADO A PEDIR O EMPRÉSTIMO À "TROIKA" PORQUE NÃO TINHA DINHEIRO PARA PAGAR SALÁRIOS E PENSÕES?

Esta é mais uma das grandes mentiras repetidas sistematicamente que não tem qualquer fundamento real, como os dados do quadro 1, retirados do relatório do OE-2013 do próprio Ministério das Finanças, provam.

Quadro 1- Receitas dos impostos e das contribuições, e despesas com pessoal de todas as Administrações Públicas e com prestações sociais (inclui a saúde) – Anos 2011/2013
RUBRICAS
2011
Milhões €
2012
Milhões €
2013
Milhões €
Receitas Fiscais (impostos)
40.352,3
38.583,8
41.476,5
Contribuições sociais (Segurança Social e CGA)
20.926,9
19.383,6
20.114,5
TOTAL (da Receita)
61.279,2
57.967,4
61.591,0
Despesas com Pessoal
19.425,7
16.661,4
17.285,9
Prestações sociais (inclui Segurança Social, CGA, e saúde)
37.623,9
36.851,9
37.628,9
TOTAL (da despesa)
57.049,6
53.513,3
54.914,8
SALDO (Excedente)
+ 4.229,6
+ 4.454,1
+ 6.676,2
Fonte: Relatório do Orçamento do Estado para 2013, pág. 90, Ministério das Finanças
Em 2011, as receitas dos impostos e contribuições foram superiores às despesas com Pessoal de todas as Administrações Públicas mais as despesas com pensões e outras prestações, incluindo as em espécie, que são as prestadas nomeadamente pelo SNS, em +4.229,6 milhões €; em 2012 esse excedente subiu para 4,454,1 milhões € e, para 2013, o governo previa que atingisse um excedente de +6.676,2 milhões €. Para além das receitas consideradas, as Administrações Públicas têm mais receitas. Por ex. na rubrica de "Outras receitas" foram registadas, em 2012, mais 9.606,2 milhões € segundo o Ministério das Finanças. E tudo isto num período de recessão económica em que se verifica uma forte quebra nas receitas fiscais e contribuições. Afirmar, como fazem alguns comentadores e mesmo jornalistas, que o Estado foi obrigado a pedir um empréstimo à "troika" porque não tinha dinheiro para pagar salários e pensões é ignorância ou mentir descaradamente com o objetivo de manipular a opinião pública, pois os impostos e contribuições pagas todos os anos pelos portugueses são suficientes para pagar aquelas despesas. A razão porque se pediu o empréstimo à troika foi para pagar credores leoninos, que são grandes bancos, companhias de seguros, e fundos muitos deles especulativos e predadores.

A DESPESA DO ESTADO COM AS FUNÇÕES SOCIAIS SERÁ EXCESSIVA E INSUSTENTÁVEL EM PORTUGAL COMO AFIRMAM ESTES DEFENSORES DO PODER DOMINANTE?

Esta é uma questão que tem de ser esclarecida pois também é utilizada para manipular a opinião pública. Os dados do Eurostat constantes do quadro 1, em que é apresentada a despesa total do Estado em percentagem do PIB, permite comparar a situação portuguesa com a de outros países da União Europeia.

Quadro 2- -Despesa total das Administrações Públicas em percentagem do PIB
PAÍSES
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
UE- 27 países
44,8
46,2
46,6
47,2
46,8
46,8
46,3
45,6
47,1
51,1
50,6
49,1
Zona Euro
46,2
47,2
47,5
48
47,4
47,3
46,7
46
47,1
51,2
51
49,5
PORTUGAL
41,6
43,2
43,1
44,7
45,4
46,6
45,2
44,4
44,8
49,8
51,3
49,4
Fonte: Eurostat
Em 2011, e são os dados mais recentes disponibilizados pelo Eurostat, a despesa total das Administrações Públicas em Portugal representava 49,4% do PIB português, quando a média na União Europeia situava-se entre os 49,1% e 49,5%, portanto igual. E em 2012, segundo o Relatório do Orçamento do Estado para 2013 (pág, 90) do Ministério das Finanças, a despesa pública em Portugal reduziu-se para apenas 45,6% do PIB. E neste valor estão incluídos os juros da divida que atingiram 7.038,9 milhões € em 2012 devido a juros leoninos pagos por Portugal. Se deduzirmos aquela percentagem desce para apenas 41,4%. Afirmar ou insinuar, como muitos fazem, que a despesa pública em Portugal é excessiva pois é superior à média dos países da União Europeia é uma mentira. Mas é desta forma que se procura manipular a opinião pública para levá-la a aceitar o ataque violento que está em curso em Portugal ao Estado Social, em que um dos instrumentos é ameaça de mais um corte de 4.000 milhões € na despesa pública.

EM PORTUGAL A DESPESA PÚBLICA COM A SAÚDE É INFERIOR À MEDIA DA UE

O ataque ao Serviço Nacional de Saúde tem sido também um dos grandes objetivos destes defensores do poder económico e politico com acesso privilegiado aos grandes media. O argumento é que a despesa em Portugal é excessiva e superior à média dos países da União Europeia. Os dados que o Eurostat divulgou, constantes do quadro 2, prova que isso é mentira.

Quadro 3– Despesa do Estado com a saúde nos países da U. E. – 2011
PAÍSES
Em % do PIB
Em euros/habitante.
% em relação a Portugal
UE27
7,3%
1.843 €
168%
UE17
7,4%
2.094 €
191%
Bélgica
7,9%
2.655 €
242%
Dinamarca
8,4%
3.607 €
329%
Alemanha
7,0%
2.232 €
203%
Irlanda
7,5%
2.660 €
242%
França
8,3%
2.530 €
231%
PORTUGAL
6,8%
1.097 €
100%
Fonte: Eurostat
Como mostram os dados do Eurostat, tanto em percentagem do PIB como euros por habitante, aquilo que o Estado gasta em Portugal com a saúde dos portugueses é significativamente inferior não só ao que se verifica nos países mais desenvolvidos da União Europeia, mas também em relação à média comunitária. Em 2011, a despesa pública com a saúde em Portugal correspondeu apenas a 6,8% do PIB quando a média na União Europeia variava entre 7,3% e 7,4% do PIB. E em euros por habitante, a diferença era ainda muito maior. Em 2011, em Portugal o gasto público com a saúde por habitante era apenas de 1.097€, quando a média nos países da União Europeia variava entre 1.843€ (+68% do que em Portugal) e 2.094€ (+91%). E nos países desenvolvidos a despesa por habitante era muito superior à portuguesa (Bélgica:+142%; Dinamarca:+229%; Alemanha:+103%; Irlanda:+142%; França : +131%), embora a diferença de ganhos em saúde entre Portugal e esses países seja reduzida. Em 2012, com cortes nas transferências para o SNS e para os hospitais públicos aquele valor ainda desceu mais.

A DESPESA COM A PROTEÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL É INFERIOR TAMBÉM À MÉDIA DA UE

Uma outra mentira é a de que a despesa com proteção social em Portugal, que inclui as pensões, é superior às dos outros países. O quadro 4, com dados do Eurostat, mostra que não é verdade.

Quadro 4 – Despesa com a proteção social em Portugal e na União Europeia – 2011
PAÍSES
Em % do PIB
Em euros/habitante
Valor per-capita % em relação a Portugal
UE27
19,6%
4.932 €
169%
UE17
20,2%
5.716 €
196%
Bélgica
19,5%
6.577 €
226%
Dinamarca
25,2%
10.892 €
374%
Alemanha
19,6%
6.215 €
214%
Irlanda
17,3%
6.117 €
210%
França
23,9%
7.306 €
251%
PORTUGAL
18,1%
2.910 €
100%
Fonte: Eusrostat
Como mostram os dados do Eurostat, quer se considere em percentagem do PIB, quer em euros por habitante, a despesa pública com a proteção social em Portugal, que inclui as pensões, é inferior quer à dos países mais desenvolvidos europeus quer à média dos países da União Europeia. Em 2011, a despesa pública com a proteção social em Portugal correspondia apenas a 18,1% do PIB quando a média na União Europeia variava entre 19,6% e 20,2% do PIB. E em euros por habitante, a diferença era ainda muito maior. Em Portugal o gasto público com a proteção social por habitante era apenas de 2.910€, quando a média nos países da União Europeia variava entre 4.932€ (+69% do que em Portugal) e 5.716€ (+96%). E nos países desenvolvidos a despesa por habitante era muito superior à portuguesa (Bélgica:+126%; Dinamarca:+274%; Alemanha:+114%; Irlanda:+110%; França: +151%). Fazer cortes significativos nas prestações com a justificação de que as despesas em Portugal são excessivas quando se comparam com outros países da União Europeia é mais uma mentira para enganar a opinião pública.

EM PERCENTAGEM DA DESPESA TOTAL DO ESTADO, A DESPESA COM AS FUNÇÕES SOCIAIS EM PORTUGAL É TAMBÉM INFERIOR À MEDIA DOS PAÍSES DA UE

Por ignorância ou com o objetivo de enganar a opinião pública, Medina Carreira fala de um limite mítico acima do qual o Estado e as funções sociais seriam insustentáveis, e que em Portugal esse limite foi largamente ultrapassado. Observem-se os dados do Eurostat constantes do quadro 5 que mostram que esse limite mítico é também uma mistificação e mentira.

Quadro 5- Percentagem que as despesas com as funções sociais representam em relação às despesas totais do Estado em Portugal e nos países da União Europeia, 2011
PAÍSES
Saúde
Educação
Proteção Social
TOTAL
UE27
14,9%
10,9%
39,9%
65,7%
UE17
14,9%
10,1%
40,7%
65,7%
Bélgica
14,8%
11,6%
36,6%
63,0%
Dinamarca
14,5%
13,5%
43,8%
71,8%
Alemanha
15,5%
9,4%
43,3%
68,2%
Irlanda
15,6%
10,9%
35,9%
62,4%
França
14,7%
10,8%
42,6%
68,1%
PORTUGAL
13,8%
12,9%
36,7%
63,4%
Fonte : Eurostat
Como revelam os dados do Eurostat, em 2011, 63,4% da despesa do Estado em Portugal era com as funções sociais do Estado, quando a média nos países da União Europeia era de 65,7%. No entanto, na Dinamarca atingia 71,8%, na Alemanha 68,1%, e na França 68,1%, portanto superior e, alguns deles, muito superior. Afirmar como alguns fazem que as funções sociais do Estado apenas são sustentáveis se o Estado gastar com elas muito menos de 60% da sua despesa total revela ou ignorância ou a intenção deliberada de enganar a opinião pública, Será que a Alemanha, a Dinamarca, a França, são Estados inviáveis?

Por outro lado, a legitimidade do próprio Estado assenta fundamentalmente nas suas funções sociais já que elas, através dos seus efeitos redistributivos, reduz as desigualdades e melhora de uma forma significativa as condições de vida da esmagadora maioria da população. Querer reduzir significativamente a despesa com as funções sociais terá como consequência inevitável a redução da legitimidade do próprio Estado aos olhos da população, e transformará a sociedade numa selva em que só quem tem muito dinheiro terá acesso aos principais bens necessários à vida e a uma vida humana com dignidade.

O que é insustentável e inaceitável é que se esteja a aplicar em Portugal uma politica fortemente recessiva em plena recessão económica, que está a destruir a economia e a sociedade portuguesa de uma forma irreparável, provocando a falência de milhares de empresas e fazendo disparar o desemprego, o que está a causar uma quebra significativa nas receitas dos Estado e da Segurança Social pondo em perigo a sustentabilidade de todas as funções sociais do Estado e do próprio Estado. Mas disto aqueles comentadores com acesso privilegiado aos média não falam nem querem falar. Os cortes sobre cortes na despesa pública não resolvem este problema, apenas agrava ainda mais a recessão económica, agravando ainda mais todos estes problemas. Como dizia Keynes só os imbecis é que não entendem isto.
06/Abril/2013

Sequestro da TROIKA - para garantir o pagamento dos empréstimos bancário...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________
Enviado por mail
Tradução do inglês de LG
Colocado em linha em: 2013/06/17
A posição do Líbano no contexto dos
desenvolvimentos regionais e como lidar com a
atual fase do plano do “Novo Médio Oriente”
Dr. Marie Nassif-Debs *
O Líbano, com todos os seus estratos sociais e regiões, está a viver uma etapa crucial e
até mesmo perigosa da sua história, que poderá levar a mudanças radicais no contexto
da aceleração de desenvolvimentos regionais, especialmente no que diz respeito à Síria e
à Palestina, juntamente com desenvolvimentos que estão a afetar o Iraque, a Turquia e a
questão curda, como resultado do início da implementação do acordo de cessação das
hostilidades curdas, como um prelúdio para a libertação do líder curdo do PKK,
Abdullah Ocalan. Entretanto, os projetos de formar governo estão novamente a recuar,
apesar das afirmações que reforçaram, recentemente, que uma solução estaria à vista
como resultado de sucessivas visitas à Arábia Saudita e outros países. Esperar pelo
resultado do que se está a passar na arena da Síria e para além dela, começando com a
abertura da frente al-Qussair e o que foi dito sobre a abertura da frente dos Golã,
levando ao resultado das cimeiras Putin-Netanyahu e Putin-Obama, os partidos da
classe dominante estão a reposicionar-se internamente através de processos de
discriminação, sob a proteção da lei eleitoral, com o objetivo de adiar as eleições
parlamentares para voltarem a baralhar as cartas e reorganizar as fileiras, enquanto
esperam pelos resultados da porta aberta às forças bélicas na Síria e, também, pelo que
será decidido em Washington e Moscovo nos próximos meses.
Daqui podemos aceder aos desenvolvimentos da situação libanesa, que assistiu a uma
séria escalada em Tripoli e no norte de Bekaa. Nestas duas regiões, vizinhas das
fronteiras sírias, as forças sectárias envolvidas na crise da Síria, tentam alterar a
correlação de forças no Líbano a seu favor, antes da Conferência de Genebra e dos
Estados Unidos tomarem decisões nas reuniões com os russos, ao longo dos próximos
meses.
Como analisamos esta fase, que descrevemos como decisiva e perigosa?
Será possível responder-lhe com vista a afastar as forças sectárias ou a
guerra civil que paira no horizonte?
2
Para poder analisar a próxima fase, precisamos de recuar ao quadro pintado pelo plano
imperial (EUA) para a área, após quase todos os regimes árabes terem entrado em
negociações com a entidade israelita, aquando da Conferência de Madrid, em 1991.
Apesar do facto do regime libanês não integrar diretamente essas negociações e apesar
do facto da libertação do território ser um resultado de um ato de resistência e sem
assinar qualquer acordo com o inimigo, dentro das linhas dos acordos de Camp David,
ou Oslo, ou Wadi Araba, este regime, dado que a sua estrutura se baseia num equilíbrio
sectário que foi redesenhado pelo Acordo de Taif, entrou pela porta grande no jogo do
Médio Oriente, através da divisão da sua classe dominante em dois campos polarizados,
manchados com as cores sectárias dos crescentes1 Sunita e Xiita, e filiando-se assim nos
dois eixos regionais existentes e nos equilíbrios internacionais que os governam. As
vitórias da resistência nacional contra o inimigo sionista tornaram-se frágeis e não
afetaram a situação social ao ponto de fazer emergir a necessária transformação social.
Pelo contrário, como resultado das repercussões da crise síria e das possibilidades de
desenvolvimento da causa palestiniana, devido a algumas respostas árabes ao plano
sionista adotado pela administração Obama, sob o tema “Israel é o estado dos judeus no
mundo”, o Líbano está hoje a assistir a uma deterioração assustadora da paz civil, que se
reflete em envolver-se diretamente em vários assuntos sírios, sob vários pretextos,
incluindo apoio às aspirações democráticas do povo sírio, ou o lançamento de frentes de
resistência contra o inimigo sionista, ou confrontando a maré dos Tafkiri [extremistas
islâmicos] … etc.
Neste contexto, deparamo-nos com três assuntos básicos:
Primeiro – O plano do Emir do Qatar e do presidente da presente sessão da
Liga Árabe
O Qatar anunciou este plano sob um nome sonoro de “paz” baseado na possibilidade de
entrar em trocas de território entre a entidade israelita e a Autoridade Palestiniana. Se o
pretexto neste argumento recua à determinação das fronteiras do Estado da Palestina,
isto é, as fronteiras anteriores a Junho de 1967, incluindo Jerusalém Leste, então a
verdadeira tradução deste plano é a aprovação da “Transferência”, isto é, a transferência
dos Palestinianos das suas terras, para que os imperialistas sionistas completem a sua
ocupação, como um prelúdio do desenho de novas fronteiras para o seu Estado. Isto
incluiria a possibilidade de implementação de uma nova limpeza religiosa através da
aquisição de territórios palestinianos que assim permaneceram após a Nakba, em 1948.
O que significa isto, na prática, para os refugiados palestinianos? Significa que é
impensável falar sobre o direito de regresso incluído na Resolução 194 da ONU. Ou, mais
claramente, que as populações refugiadas no Líbano e na Jordânia estão para ficar ou
podem mesmo aumentar devido às implicações da crise Síria e os palestinianos que
estão a viver no campo de refugiados de Yarmouk, em Damasco, e outros campos, serem
1 Bandeiras turcas – [NT]
3
forçados a fugir para o Líbano, depois dos seus centros de acolhimento se tornarem
locais infiltrados por alguns dos participantes do “Exército Livre da Síria” e
especialmente alguns das forças de combate Salafistas [extremistas islâmicos].
Podemos então deduzir que o novo plano do Qatar não é mais do que o retrógrado
reescrever do Acordo de Oslo com toda a sua interpretação, que inclui esforços para
forçar palestinianos a permanecer em alguns dos países Árabes onde se encontram. Isto,
para o Líbano, tem uma dupla dimensão. Leva a uma instabilidade interna libanesa,
como resultado de lutas sectárias que estão destinadas a intensificarem-se. Tal seria um
alívio para a entidade israelita e dá-lhe mesmo a oportunidade de intervir uma vez mais
nos assuntos internos libaneses, como é o caso de cada vez que este conflito se agrava.
Segundo – Tentativas de avançar para dividir a Síria
A este respeito, o papel Turco tem-se tornado cada vez mais claro, apoiado pelos EUA e
combinado com o apoio financeiro dos Estados do Golfo Árabe. Os bombardeamentos
criminosos que tiveram lugar em Rihaniya e o que tem sucedido recentemente nas
imediações da área estratégica de Al-Qussair, que liga a área rural de Damasco com a
região de Homs e a costa síria, indicam que novas tentativas se desenham para demarcar
fronteiras dentro do território sírio, antes que comece a cimeira EUA-Rússia, de forma a
tornar estas fronteiras como um começo para este ou aquele grupo expandirem o seu
controlo através da continuação das batalhas, mais tarde, se os dois poderes
internacionais não chegarem a acordo quanto a uma solução.
A divisão da Síria, a ocorrer, lançará a penúltima fase do plano do “Novo Médio
Oriente”, cuja fase de demarcação de fronteiras dos Crescentes Sunita e Xiita, isto é, as
duas regiões de influência americana e russa, com Israel a recuperar algum do papel que
perdeu depois da guerra no Iraque, como um resultado da intervenção imperialista
direta na guerra.
Terceiro – O completar da divisão do Iraque e as suas implicações na região
do Golfo
O novo fator curdo, isto é, o acordo entre o governo Erdogan e o PKK para o termo da
luta e para os resistentes do PKK se mudarem para a região iraquiana curda, que se
fortaleceu após ter sido aprovado por Masoud Barzani, constitui um sério primeiro passo
para alterar a autorregulação nesta região para um núcleo do Estado curdo, que foi
estabelecido no início dos anos 90 do século vinte. Isto significa escancarar a porta ao
sucesso da fragmentação do Iraque, de acordo com um esquema pré planeado,
juntamente com a expansão da região de influência política e económica turca, durante o
desenvolvimento dos acordos existentes sobre o petróleo iraquiano. E também durante a
pressão sobre o Iraque (e até sobre a Síria), no que diz respeito à redistribuição das
reservas de água, dado o impacto na agricultura ativa turca e na monopolização de
stocks de alimentos, dada a sua importância estratégica, como é indicado por numerosos
estudos.
4
Como deve a Esquerda árabe enfrentar este plano?
À luz dos acontecimentos, podemos discernir a importância primordial do plano
imperialista-sionista e o facto de alguns árabes terem colaborado com eles, incluindo
aqueles a quem o plano acabou por tirar de cena, como é o caso do caminho sinuoso para
o regime Sírio, que não aprendeu com as oportunidades perdidas.
Isto requer que unamos o combate, que apenas pode ter êxito com duas condições
cumulativas:
A primeira reside na união de todas as forças da resistência, sejam árabes ou de fora do
mundo árabe, contra o plano de fragmentação do Médio Oriente e de o tornar numa área
de conflitos sectários e étnicos.
A segunda reside no desenvolvimento do Encontro da Esquerda Árabe como um quadro
de trabalho coletivo, bem como na expansão da sua atividade, de forma a promover um
encontro da Esquerda na região do Médio Oriente. Os comunistas deverão constituir o
seu núcleo duro e sólido, a fim de implementar um programa que una os objetivos de
combater o plano imperialista com todos os seus alvos, assim como as necessidades de
mudança social para a construção de uma sociedade socialista.
Beirute, maio de 2013
* Vice-Secretária-geral do Partido Comunista Libanês – [NT]

sábado, 15 de junho de 2013

PLATÃO



Por Ana Lucia Santana
Platão  foi um dos principais filósofos gregos da Antiguidade. Ele nasceu em Atenas, por volta de 427/28, foi seguidor de Sócrates e mestre de Aristóteles. O nome pelo qual ficou conhecido era possivelmente um apelido, aparentemente ele se chamava Arístocles.

Platão
Este filósofo se encontrava no limiar de uma época, entre os valores antigos e um novo mundo que emergia, o que lhe propiciou uma riqueza de idéias sem igual. Ele tinha o poder de abordar os temas mais diversos, mais com a força da paixão e da criatividade artística do que com a lucidez da razão. Sua obra é um dos maiores legados da Humanidade, abrangendo debates sobre ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.
Ao contrário de Sócrates, que vinha de uma origem humilde, Platão era integrante de umafamília rica, de antiga e nobre linhagem. Ele conheceu seu ilustre mestre aos vinte anos. Sócrates era bem mais velho, pelo menos quarenta anos separavam ambos, mas eles puderam desfrutar de oito anos de aprendizado conjunto. Platão teve acesso também, por meio de seu professor, aos ideais pré-socráticos. Com a morte de seu preceptor, o filósofo isolou-se, com outros adeptos das idéias socráticas, em Mégara, ao lado deEuclides.
Depois de viajar pela Magna Grécia e pela Sicília, Platão regressou a Atenas e fundou a Academia, que em breve se tornou conhecida e freqüentada por um grande número de jovens que vinha à procura de uma educação melhor. Até intelectuais consagrados acorriam a esta instituição para debater suas idéias. Depois de várias tentativas de difundir seus conceitos políticos em Siracusa, na Sicília, Platão se instala definitivamente em sua terra natal, na liderança da Academia, até sua morte, em 347 a.C.
Dos filósofos da Antiguidade, Platão é o primeiro de quem se conhece a obra integral. Mas muitos de seus diálogos não são autênticos, embora supostamente assinados por ele. Seu estilo literário é o diálogo, uma espécie de ponte entre a oralidade fragmentária de Sócrates e a estética didática de Aristóteles. Nos escritos de Platão mesclam-se elementos mito-poéticos com fatores essencialmente racionais. Este filósofo não se guia pelo rigor científico, nem por uma metodologia formal.
Em Platão a filosofia ganha contornos e objetivos morais, apresentando assim soluções para os dilemas existenciais. Esta práxis, porém, assume no intelecto a forma especulativa, ou seja, para se atingir a meta principal do pensamento filosófico, é preciso obter o aprendizado científico. O âmbito da filosofia, para Platão, se amplia, se estende a tudo que existe. Segundo o filósofo, o homem vivencia duas espécies de realidade – a inteligível e a sensível. A primeira se refere à vida concreta, duradoura, não submetida a mudanças. A outra está ligada ao universo das percepções, de tudo que toca os sentidos, um real que sofre mutações e que reproduz neste plano efêmero as realidades permanentes da esfera inteligível. Este conceito é concebido como Teoria das Idéias ou Teoria das Formas.
Segundo Platão, o espírito humano se encontra temporariamente aprisionado no corpo material, no que ele considera a ‘caverna’ onde o ser se isola da verdadeira realidade, vivendo nas sombras, à espera de um dia entrar em contato concreto com a luz externa. Assim, a matéria é adversária da alma, os sentidos se contrapõem à mente, a paixão se opõe à razão. Para ele, tudo nasce, se desenvolve e morre. O Homem deve, porém, transcender este estado, tornar-se livre do corpo e então ser capaz de admirar a esfera inteligível, seu objetivo maior. O ser é irresistivelmente atraído de volta para este universo original através do que Platão chama de amor nostálgico, o famoso eros platônico.
Platão desenvolveu conceitos os mais diversos, transitando da metafísica para a política, destas para a teoria do conhecimento, abrangendo as principais esferas dos interesses humanos. Sua obra é estudada hoje em profundidade, apresentado uma atualidade inimaginável, quando se tem em vista que ela foi produzida há milênios, antes da vinda de Cristo. Seu pensamento influencia ainda em nossos dias teorias políticas, psicológicas – como a junguiana -, filosóficas, espirituais, sociológicas, entre outros segmentos do conhecimento humano.

in InfoEscola

terça-feira, 11 de junho de 2013

Um pensamento de SENECA, político, poeta, filósofo, de Roma.

Alegria

A Sabedoria e a Alegria
Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que não és ainda um sábio. O sábio autêntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturbável; vive em pé de igualdade com os deuses. Analisa-te então a ti próprio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperança te aflige o ânimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mantém igual a si mesma, isto é, plena de elevação e contente de si própria, então conseguiste atingir o máximo bem possível ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, não buscas senão o prazer, fica sabendo que tão longe estás da sabedoria como da alegria verdadeira. Pretendes obter a alegria, mas falharás o alvo se pensas vir a alcançá-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso será o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da angústia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfação e prazer, são apenas motivos para futuras dores.
Séneca

sábado, 8 de junho de 2013

Documentos para a História

A "democracia para o povo dos senhores", no passado e no presente

– Mas esta pode facilmente transformar-se numa ditadura para os deste povo

por Domenico Losurdo [*]
Andrew Jackson era o presidente do Estados Unidos no momento em que Tocqueville fez a viagem que levou à publicação da "Democracia na América". É verdade que este presidente liquida em grande parte a discriminação censitária [1] dos direitos políticos. Mas, paralelamente, encontramo-nos com um proprietário de escravos que, igualmente, ordena a deportação dos Peles Vermelhas (os cherokees). Foram homens, mulheres, velhos, crianças: um quarto morreu durante a viagem. Deveríamos considerar que Jackson é um democrata? Os autores da Declaração da Independência e da Constituição de 1787 são igualmente proprietários de escravos, logo, durante trinta e dois dos primeiros trinta e seis anos de existência dos Estados Unidos, a função de presidente é ocupada por proprietários de escravos, muitas vezes implicados na expropriação e deportação dos Peles Vermelhas.

Os Estados Unidos daquela época eram uma democracia? 

Em geral, afastam-se estas questões através do recurso a um historicismo vulgar: as sociedades liberais teriam herdado práticas e relações sociais universalmente difundidas. Mas os factos são inteiramente diferentes. Tocqueville publica o primeiro livro da "Democracia na América" em 1835. Nesta data, a escravidão havia desaparecido em grande parte do continente. Na esteira da Revolução Francesa, a revolução dos escravos negros em São Domingos dá o impulso do processo de emancipação. Depois a revolução da América Latina explode a dominação espanhola: ela também se conclui com a abolição da escravatura. A revolução dos colonos ingleses que conduziu à fundação dos Estados Unidos é a única do continente americano a manter e mesmo reforçar e estender a instituição da escravatura: depois de ter arrancado o Texas ao México, a república norte-americana ali reintroduz a escravatura anteriormente abolida. Mais uma vez coloca-se a questão: os Estados Unidos daquela época eram uma democracia?

Linchamento em 1919 nos EUA.É mais adequado falar de Herrenvolk democracy, ou seja, de democracia que vale somente para o "povo dos senhores". Quando este regime acabou nos Estados Unidos? Com o fim da Guerra de Secessão e a abolição da escravatura que se seguiu? Na realidade, um dos capítulos mais trágicos da história dos afro-americanos foi escrito entre o fim do século XIX e princípios do século XX. O linchamento era um horrível espectáculo de massa. Quero citar aqui um historiador americano:
"As notícias de linchamento eram publicadas nas folhas locais e vagões suplementares eram acrescentados aos comboios para [transportar] os espectadores, por vez milhares, vindos de localidades situadas a quilómetros de distância. Para assistir ao linchamento, as crianças das escolas podiam ter um dia de liberdade. O espectáculo podia incluir a castração, o esfolamento, a assadura, o enforcamento, os tiros. As recordações para os compradores podiam incluir os dedos das mãos e dos pés, os ossos e mesmo os órgãos genitais da vitimas, assim como cartões postais ilustrados do acontecimento".
Outro historiador americano (George M. Fredrickson) observa que "os esforços para manter a "pureza da raça" no Sul dos Estados Unidos antecipam certos aspectos da perseguição lançada pelo regime nazi contra os judeus nos anos 1930". Nos Estados Unidos, o Estado racial sobreviverá algum tempo após o afundamento do Terceiro Reich: em 1952, uma trintena de estados da União ainda proibiam o casamento e as relações sexuais inter-raciais, por vezes consideradas como delitos graves.

A "democracia para o povo dos senhores" e a história do Ocidente 

Contudo, seria errado concentrar a atenção exclusivamente nos Estados Unidos. A categoria Herrenvolk democracy também pode ser útil para explicar a história da Inglaterra que, imediatamente após a Gloriosa Revolução liberal de 1688-89, arrebata à Espanha o monopólio do tráfico dos escravos negros e reforça sua opressão sobre os irlandeses impondo-lhes uma condição comparável àquela dos Peles Vermelhas. Ou melhor, a categoria Herrenvolk democracy pode ser útil para explicar a história do Ocidente enquanto tal. Com efeito, entre o fim do século XIX e os princípios do XX, a extensão do sufrágio na Europa caminha a par com o processo de colonização e a imposição de condições de trabalho servis ou semi-servis às populações submetidas: a rule of law, o governo da lei na metrópole capitalista entrelaça-se com o poder arbitrário e policial e mesmo com o terror imposto nas colónias. Se se examinar bem, é o mesmo fenómeno que caracteriza a história dos Estados Unidos com esta diferença: no caso da Europa as populações colonizadas ao invés de viverem na metrópole são dela separadas pelo oceano. De modo significativo, na segunda metade do século XIX, um liberal de esquerda como John Stuart Mill por um lado celebra a liberdade e justifica-a, por outro lado celebra o "despotismo" do Ocidente sobre as raças ainda "menores" destinadas a observar uma "obediência absoluta".

A "democracia para o povo dos senhores" tem vida dura! 

Chegado a este ponto, sintetizando e actualizando os resultados do meu livro, Contre-histoire du libéralisme (La Découverte, 2013 na tradução francesa), coloco-me três perguntas: a ultrapassagem da "democracia para o povo dos senhores" resulta de uma evolução espontânea do liberalismo? A resposta deve ser um não categórico. Em Dezembro de 1952, o ministro americano da Justiça envia uma carta eloquente ao Tribunal Supremo que está em vias de discutir a questão da integração nas escolas públicas: "a discriminação racial leva água ao moinho da propaganda comunista" que se difunde entre os afro-americanos (assim como entre todos os povos submetido à dominação colonial e racista). No século XX, o movimento comunista foi o grande adversário do colonialismo, da "democracia para o povo dos senhores" e do Estado racial.

E agora a segunda pergunta: o Estado racial americano exerceu influência sobre a Europa? Em 1930, um ideólogo do nazismo de primeiro plano, como Alfred Rosenberg, exprime sua admiração pela América da white supremacy, este "esplêndido país do futuro" que teve o mérito de formular a feliz "nova ideia de um Estado racial", ideia que era pois questão de também por em prática "com a força da juventude" na Alemanha. Hitler também se reclama explicitamente do modelo americano: na Europa Oriental, os índios a submeter são os eslavos que é preciso dizimar a fim de permitir a germanização do território e aqueles que serão poupados serão destinados a trabalhar como os escravos negros ao serviço da raça dos senhores (os judeus, ao contrário, são assimilados aos bolcheviques, tanto uns como outros devendo ser eliminados enquanto ideólogos e instigadores da revolta das "raças inferiores"). Naturalmente, é preciso manter em mente a distinção entre democracia (ainda que limitada somente à raça dos senhores) e ditadura. E contudo... Retornemos aos Estados Unidos nos anos que antecedem a Guerra de Secessão. Tocqueville observa a dureza das pensa infligidas àqueles que ensinavam os escravos a ler e escrever. Naturalmente, a proibição visava excluir a raça dos servos de toda forma de instrução. E em caso de violação desta regra, os proprietários brancos eram os primeiros a serem atingidos. Além disso, as regras proibiam a miscigenação, as relações sexuais e os casamentos inter-raciais. Ou, mais uma vez, visando tornar hereditária e invariável a condição dos escravos, estas regras acabavam por trazer um grave atentados à liberdade dos proprietários. Por outras palavras, o regime da "democracia para o povo dos senhores" limitava profundamente a liberdade dos proprietários de escravos, confirmando a grande fórmula de Marx e Engels segundo a qual um povo que oprime outro não poderia ser livre.

Pode-se pensar do que acontecia quando os escravos se rebelavam ou quando os proprietários temiam serem privados da sua "propriedade" de um modo ou de outro. As testemunhas da época relatam: "o serviço militar [das patrulhas brancas] é assegurado noite e dia, Richmond parece uma cidade sitiada [...] Os negros [...] não se arriscam a comunicarem entre si por medo de serem punidos". Os abolicionistas brancos também eram afectados porque eram considerados como traidores da raça branca e por isso eram assimilados aos negros. Vamos dar, mais uma vez, a palavra às testemunhas da época: aqueles que criticam a instituição da escravatura "não ousam sequer intercambiar opiniões com aqueles que pensam como eles por medo de serem traídos". Todos são constrangidos pelo terror a "não abrirem as bocas, a abafar suas próprias dúvidas e a enterrar suas próprias reticência". Como se vê, a dominação terrorista que os proprietários de escravos exerciam sobre os negros acabava por atingir duramente os membros e as fracções da classe dominante. Em condições de crise aguda, a "democracia para o povo dos senhores" pode facilmente transformar-se numa ditadura para o povo dos senhores. Entre o Estado racial nos EUA e o Estado racial na Alemanha, há elementos de continuidade e de descontinuidade.

Finalmente, a última pergunta: a "democracia para o povo do senhores" desapareceu totalmente dos nossos dias? Inegavelmente, muitas coisas mudaram a gigantesca vaga de revoluções anti-coloniais irrompendo no mundo a partir de Outubro de 1917 e, sobretudo, de Estalingrado. Contudo, a ideologia dominante celebra Israel como a única democracia autêntica do Médio Oriente. Salvo que a rule of law, o governo da lei para os cidadãos israelitas de pleno direito caminha a par com a expropriação, a deportação, a prisão arbitrária e mesmo a execução extra-judicial perpetrados contra os palestinos: é a democracia para o povo dos senhores. E à escala internacional? Pisando de modo explícito o princípio da igualdade entre as nações, os Estados Unidos e o Ocidente continuam a arrogar-se o direito soberano de invadir, bombardear, submeter a embargo e à fome este o aquele país mesmo sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Às proclamações vibrantes prestando homenagem à liberdade e à democracia corresponde a tentativa de exercer uma ditadura no plano internacional. Infelizmente, a "democracia para o povo dos senhores" tem a vida dura!
[1] Discriminação censitária: sufrágio que exclui categorias de eleitores com base em factores como riqueza, classe de tributação, classe social, religião, conhecimento, raça, idade, criminalidade, residência, nacionalidade, naturalização, função. 

O original encontra-se em http://projet.pcf.fr/38614 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 2 de junho de 2013

Filosofia - Ludwig Andreas Feuerbach

Nascido em Rechenberg em 1804, Ludwig Andreas Feuerbach  foi um filósofo alemão conhecido pelo estudo da teologia humanista. Ele foi aluno do filósofo Hegel, porém, abandonou os estudos hegelianos para, em 1828, iniciar estudos em ciências naturais. Após dois anos de análise, publica “Pensamentos Sobre a Morte e Imortalidade” de forma anônima. Foi nesta obra que iniciou suas investidas contra a ideia de imortalidade. Para Feuerbach, após o falecimento, todas as características humanas são carcomidas pela natureza.
Em 1834, escreve “Abelardo e Heloísa”, já em 1838 publica “Pierre Bayle” e um ano depois, “Sobre Filosofia e Cristianismo”. Esta última obra ficou famosa por ter influenciado Karl Marx. “Sobre Filosofia e Cristianismo” é um livro dividido em duas partes: na primeira, Feuerbach discute a “essência verdadeira ou antropológica da religião”. Entretanto, na segunda, faz uma análise sobre a “essência falsa ou teológica”, para ele, toda tipo de religião é uma forma de alienação na qual as pessoas projetam seu conceito de “ideal humano” em um ser superior.
Feuerbach viveu em anos de turbulência política, por contestar os religiosos entre os anos de 1848 e 1849, foi considerado por diversos revolucionários, um pensador audacioso de seu tempo.
A corrente filosófica encontrada em suas obras é uma transição do idealismo alemão ao materialismo histórico de Karl Marx e ao materialismo cientificista da segunda parte do século XIX. Ao herdar ideias de Hegel, Feuerbach imprimiu suas inflexões antropológicas, o que caracteriza boa parte de seu trabalho.
Dentre as obras de Feuerbach, as principais são: Da razão, una, universal, infinita (1828); Pensamentos sobre morte e imortalidade (1830); Sobre a crítica da filosofia positiva (1838); Crítica da filosofia hegeliana (1839); A essência do cristianismo (1841); Sobre a apreciação do escrito “A essência do cristianismo” (1842); Princípios da filosofia do futuro (1843); Teses provisórias para a reforma da filosofia (1843); Lutero como árbitro entre Strauss e Feuerbach (1843); A essência da religião (1846); Fragmentos para a caracterização de meu Curriculum vitae (1846); Preleções sobre a essência da religião (1851) e Teogonia (1857).
Feuerbach morre em Rechenberg, na Alemanha, em 1872.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Feuerbach
http://www.eticaefilosofia.ufjf.br/6_2_Dagmar.htm
http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/tesfeuer.htm



Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

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Teatro greco-romano

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Pupis

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Viagem à Sicília Agosto 2009

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Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

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Roma - Castelo de S. Ângelo

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