terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
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Enviado por mail
Tradução do francês de TAM
Colocado em linha em: 2013/08/16
Manifesto do PCF
Por uma democracia avançada,
por uma França socialista

[Nota dos Editores
Os editores consideram necessário fazer preceder o texto do «Manifesto de
Champigny», a seguir publicado, pela presente nota que o enquadra política e
historicamente.
Em 18 de novembro de1946, Maurice Thorez, secretário-geral do Partido
Comunista Francês, concede uma entrevista ao jornal inglês The Times. Nessa
entrevista, defende uma via francesa para o socialismo, diferente da via
soviética, pacífica e eleitoral, omite a ditadura do proletariado, e anuncia a
intenção de trabalhar para uma fusão com o Partido Socialista francês, criando
um grande partido operário. Relembre-se que o PCF tinha sido fundado na
Conferência de Tours, em 1920, a partir de uma cisão no Partido Socialista, na
sequência da sua posição de traição aos interesses da classe operária ao
apoiar a burguesia nacional francesa na I Guerra Mundial.
Em novembro de1946 tinham-se realizado eleições legislativas das quais o
PCF saiu como partido mais votado, com 28,26%, tendo Thorez ocupado o
cargo de vice-presidente do Conselho. Para reforçar as posições institucionais
do PCF, tranquilizar as classes e camadas não proletárias e conquistar o PS
para o seu lado, Thorez declara não querer estabelecer em França um regime
soviético, desejar trabalhar para a recuperação do país depois da guerra,
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pretender respeitar as regras democráticas e querer manter a autonomia em
relação à URSS e distanciar-se de métodos violentos de conquista do poder.
A vida não tardaria a pôr em causa as ilusões eleitorais e parlamentaristas. Em
4 de dezembro, a investidura de Thorez na presidência do conselho foi
rejeitada pela Assembleia Nacional e os comunistas são banidos do governo
em 4 de maio de 1947, momento a partir do qual a reação francesa, com o
apoio dos EUA, e por intermédio do Partido Socialista (SFIO - Secção
Francesa da Internacional Operária), social-democrata, aproveitou para anular
as conquistas populares alcançadas pelos trabalhadores após a Libertação.
Compreenda-se o contexto francês e europeu no final da segunda grande
guerra. O papel ímpar e heróico do PCF na resistência ao nazismo e no
combate ao regime traidor e capitulacionista de Vichy deu-lhe uma enorme
influência e prestígio junto da classe operária francesa, do povo trabalhador e
dos antifascistas. O PCF ostentava merecidamente o título de «partido dos
fuzilados». A URSS tinha acabado de libertar a Europa da barbárie nazi à custa
de mais de vinte milhões de mortos e o socialismo adquiria cada vez maior
prestígio junto das massas trabalhadoras europeias. A libertação revolucionária
dos povos da Europa central e oriental, com a ajuda da URSS, estava a levar à
constituição de um sistema socialista. Os países capitalistas aliados
participavam na euforia da vitória. Os povos da Europa rejubilavam com a
libertação e o fim da guerra. Stálin, em tais condições, admitia que algumas
nações europeias libertadas e sob a influência política e militar da URSS
pudessem passar à fase socialista. A unidade antifascista tinha sido um
instrumento do combate ao nazi-fascismo e tinha posto em contacto as classes
e camadas antifascistas. Os partidos comunistas viam a sua força aumentar.
Uma avaliação da correlação de forças feita nesse momento corria todo o risco
de não ser incólume ao ambiente de então, subestimando o poder do inimigo
de classe nos países capitalistas. Nos momentos em que o caminho para o
socialismo toma a aparência de uma via mais facilitada os revolucionários
devem estar atentos, porque a ilusão de que esse caminho é fácil, de que o
inimigo de classe não mobilizará até à exaustão todas as forças necessárias
para preservar a sua manutenção como classe dominante, tarde ou cedo
levará à derrota das forças operárias e seus aliados.
A Internacional Comunista, com Dimitrov por dirigente, em meados da década
de 30, havia teorizado a unidade das classes e camadas atingidas nos seus
interesses objetivos pelo terror dos monopólios para o combate contra o nazifascismo
na fórmula de «frente popular». Tratava-se da existência de
interesses concordantes, num momento histórico particularíssimo, da classe
operária e de parte da burguesia nacional nos estados anti-hitlerianos para a
derrota militar do Eixo.
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Sem dúvida uma aliança muito vasta, abarcando até classes antagónicas, mas
há que sublinhar três questões fundamentais sem as quais se pode fazer – e
fez-se, e ainda se faz – um aproveitamento oportunista dessa teorização.
A primeira é que se trata de alianças políticas e sociais para derrotar o nazifascismo,
portanto limitadas nos seus objetivos e tempo.
A segunda é que o tremendo esforço de unidade que se preconizava não
apagava nem diluía os interesses da classe operária no quadro desse objetivo
tático.
E a terceira, é que a vasta unidade não excluía, antes tornava obrigatória a
crítica e o combate comunista de classe das vacilações e traições dos aliados,
como de resto seria inevitável dada a natureza política e socialmente instável
de umas camadas e a natureza volátil da existência de objetivos comuns entre
classes antagónicas num momento histórico especial.
A várias décadas de distância, bem se poderá afirmar que tais precisões
teóricas não são difíceis de enunciar. No entanto, estas precisões teóricas são
absolutamente decisivas, pois é muito estreito e espinhoso o caminho por onde
continua a marchar a posição da classe de vanguarda, independente, da classe
operária e da sua ideologia.
Alianças alargadas da classe operária com objetivos anticapitalistas e
socialistas materializaram-se nas «democracias populares», regime que
acabou por enquadrar a luta pelo socialismo em alguns países europeus
libertados da ocupação nazi pela URSS e que nessa época realizaram as suas
revoluções.
Em Itália, Togliatti empenhava-se na estratégia da «democracia progressiva».
O contexto português era bastante diferente, como se sabe. De qualquer modo,
o fim da guerra, a derrota das potências do Eixo e o triunfo dos Aliados
constituíram uma grande esperança para o povo português, não só quanto à
queda da ditadura, mas também quanto à perspetiva de alívio da sua miséria.
Salazar tinha mantido a sua «neutralidade» a favor dos nazis, fazendo de
Portugal uma sua base logística importante. O papel que a URSS e o seu
principal dirigente, Stálin, tinham desempenhado nesse desfecho vitorioso era
bem conhecido do povo português.
Grandes manifestações se realizaram em que o povo fez extravasar a sua
alegria pelo fim da guerra, pela paz e pela derrota do nazismo, o que lhe
aumentava a esperança de que a ditadura portuguesa pudesse desaparecer
rapidamente com a ajuda dos Aliados – esperança completamente infundada,
como se sabe.
Nestas circunstâncias, e ainda antes do final da guerra, no Partido Comunista
Português, foi elaborada a teoria da «política de transição» por um conjunto de
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camaradas presos no Tarrafal, entre os quais se encontrava Bento Gonçalves,
não tendo em conta as especificidades nacionais que tornavam a posição
portuguesa muito mais complicada, não levando em conta a magnitude das
forças do fascismo e esperando um apoio do capitalismo vencedor, confiando
no apoio da democracia burguesa para liquidar a ditadura fascista. Foi a teoria
da chamada «política de transição», que pretendia rever e substituir as
conclusões do III Congresso que apontavam a via insurrecional para o derrube
da ditadura fascista. Esta teoria foi considerada como um desvio direitista e
oportunista e retificada com êxito no IV Congresso do PCP em 1946.
A partir de 1943, Earl Browder, ex-secretário-geral do Partido Comunista dos
EUA, (secretário-geral entre 1934 e 1945 e depois expulso do Partido),
libertado nesse ano dos cárceres do imperialismo americano e a partir de então
a soldo dos serviços secretos, começou a difundir a teoria do fim da luta de
classes e da conciliação de classes, o papel “progressista” do capitalismo no
pós-guerra, a negar a necessidade de partidos de classe e a defender a sua
diluição noutras associações políticas. Esta linha revisionista não foi difundida
entre os comunistas portugueses, mas desempenhou um papel altamente
negativo nos partidos comunistas da América Latina, entre eles no do Brasil.
Na Europa o «browderismo» foi severamente criticado pelo PCF e,
designadamente, por um dos seus mais heróicos dirigentes, Jacques Duclos.
A entrevista de Thorez tornou-se uma importante referência do discurso
francês a partir de 1956, ano em que se realizou o XX Congresso do PCUS e
de que é inseparável o «relatório secreto» de Khrouchtchov, que pretende
«denunciar» o assim designado «estalinismo». Este Congresso e este
«relatório secreto» vêm abrir uma época desastrosa para o movimento
comunista internacional e para a URSS. Na base da condenação de Stálin está
a condenação de todo o período da construção socialista após a morte de
Lenine que permitiu a consolidação e o triunfo do socialismo na URSS e no
leste europeu, que permitiu a derrota do nazi-fascismo.
Na base da afirmação da diversidade e da originalidade das vias da passagem
ao socialismo e da consideração como possível de uma «via pacífica» para o
socialismo mesmo em países capitalistas desenvolvidos, tese saída desse
Congresso, uma onda de oportunismo perpassou pelos maiores e mais
influentes partidos comunistas da Europa capitalista.
Esta linha revisionista não só ditou o início da destruição do campo socialista,
como levou à derrota completa e à degeneração da esmagadora maioria dos
partidos comunistas quando a URSS e os países socialistas do leste foram
derrotados pelo capitalismo.
Logo após o XX Congresso do PCUS, o PCF retoma, com Waldeck Rochet
como secretário-geral, a teoria expendida por Thorez na sua entrevista ao
TheTimes em 1946, que tinha permanecido esquecida por uma década,
insistindo na especificidade francesa da via para o socialismo numa perspetiva
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«legalista» da tomada do poder, ainda que Thorez e Togliatti tivessem
manifestado reservas à intervenção de Khruchtchov no referido Congresso, no
que se referia à crítica do período de construção do socialismo.
A influência do XX Congresso do PCUS em Portugal fez-se sentir no
lançamento da palavra de ordem tática da solução pacífica do problema político
português. Ganhou terreno a teoria da «desagregação irreversível» do
fascismo e da «transição pacífica» para a democracia, que vigorou como linha
política do PCP entre 56 e 59 e foi plasmada na resolução do seu V Congresso,
em 1957. Encontravam-se presos em Peniche muitos dos principais dirigentes
do PCP, entre eles Álvaro Cunhal.
O XX Congresso do PCUS afirmara, tendo como favorável a relação de forças
existente, a possibilidade da passagem ao socialismo, em diversos países
capitalistas, pela via eleitoral e utilizando as instituições parlamentares
existentes. O PCP consideraria esta orientação política como um desvio de
direita no caso específico português, o de um regime fascista, e procedeu à
sua correção na reunião do Comité Central de março de 1961, após a fuga de
Peniche em 1960.
O VI Congresso culminou o trabalho de rectificação dessa linha que foi
substituída pela linha do levantamento nacional, da insurreição nacional como
única via possível para o derrubamento do fascismo.
Em Itália, após o XX Congresso do PCUS, Togliatti apresenta a Vía Italiana al
socialismo e, em Espanha, o PCE teorizou a via pacífica para o derrube do
franquismo.
Em 5-6 de dezembro de 1968, numa Conferência do PCF, é aprovado o
Manifesto de Champigny, do nome da cidade onde se realizou a reunião que o
aprovou, «Por uma democracia avançada, por uma França socialista»
perspetivando o socialismo como decorrência direta do aprofundamento da
democracia burguesa por reformas sucessivas e contínuas. A democracia
avançada era concebida como uma formação política e económica entre o
socialismo e o capitalismo em que a progressiva transformação das estruturas
económicas pela nacionalização dos setores monopolistas abriria o caminho ao
socialismo sem um confronto revolucionário mais ou menos intenso entre as
principais classes antagónicas. Essa tese correspondia a uma espécie de
ressurgimento da teoria da «transformação pacífica do capitalismo em
socialismo» e da «democracia, criação contínua», defendida anteriormente por
Jean Jaurès e comum a Bernstein, que Lenine refutou implacavelmente. O
Manifesto de Champigny passa ao lado da teoria marxista-leninista do Estado,
não define a sua natureza na «democracia avançada» – se é burguês ou
proletário com os seus aliados – nem clarifica qual o modo de passagem e qual
a natureza das estruturas políticas que asseguram o domínio das classes
exploradoras para as estruturas políticas que servem a defesa dos interesses
das classes e camadas exploradas.
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Na década de 70, o PCF, em conjunto com o PCI e o PCE, elaboram a «teoria»
do «eurocomunismo» com Georges Marchais, Enrico Berlinguer e Santiago
Carrillo, respectivamente, como secretários-gerais destes partidos. As teorias
«eurocomunistas» caracterizaram-se pelo abandono das posições
revolucionárias marxistas-leninistas. Abandonam o socialismo como objetivo, a
perspetiva revolucionária da transformação da sociedade, o papel de
vanguarda do partido operário, o papel de vanguarda da classe operária, o
marxismo-leninismo e as suas principais teses.
Após a derrota do sistema socialista, estes partidos desaparecem de cena
como partidos de classe e comunistas e perdem praticamente toda a influência
eleitoral e de massas.
O PCF prosseguiu a sua via revisionista. Com George Marchais, o PCF criticou
e abandonou a noção de ditadura do proletariado, renunciou à teoria marxista
do Estado como ditadura da burguesia e adotou a «via democrática para o
socialismo», eleitoralista.
Robert Hue aprofundou ainda mais o oportunismo no PCF, lançando a
«mutação» do partido, a qual deveria romper com o partido leninista de novo
tipo. O objetivo do socialismo era definitivamente posto de parte e classificado
como «desvio estatista», passando a defender a «economia social de
mercado»,
Marie-Georges Buffet, secretária-geral do PCF, integra o governo socialista de
Lionel Jospin até 2002 na qualidade de secretária nacional e dissolve
completamente o partido noutras organizações e movimentos políticos em
frentes eleitorais.
No seu 36º Congresso, em fevereiro de 2013, o PCF abandona a foice e o
martelo como seu símbolo, embora tivesse deixado de ser comunista há muito.
O PCE dissolve-se na Esquerda Unida, o PCI metamorfoseia-se em partido da
Oliveira, pulveriza-se e desaparece. Nasce o Partido da Esquerda Europeia –
com Pierre Laurent, “secretário nacional” do PCF, na sua presidência –
oportunista, divisionista, europeísta e imperialista, que procura dificultar a luta
emancipadora da classe operária e dos povos em relação à exploração e ao
imperialismo da União Europeia e apoia os ataques da NATO a países
soberanos.]

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Manifesto do PCF
Por uma democracia avançada, por uma
França socialista
As grandes lutas políticas, económicas e sociais que se desenrolaram em França
a partir do XVIII Congresso do Partido Comunista Francês (janeiro de 1967)
submeteram à prova dos factos as ideias avançadas pelos comunistas.
Estas ideias passaram as provas com sucesso. A análise dos acontecimentos dos
dois últimos anos, e particularmente dos acontecimentos de maio-junho de
1968, dão-lhes um novo vigor. É por isso que o Partido Comunista Francês
considera necessário reafirmar e desenvolver a política definida pelos seus
congressos para ganhar a maioria do povo francês para a causa inseparável da
democracia avançada e do socialismo.
Os comunistas têm como primeiro objetivo a libertação do nosso país do poder
autoritário instaurado há dez anos e que não cessou, desde então, de servir os
interesses do grande capital monopolista.
Os comunistas lutam para substituir este poder reacionário por um governo
popular e de unidade democrática capaz de mobilizar o país para a via de
profundas transformações políticas, económicas e sociais, que a nossa época e
as necessidades do nosso país exigem.
Os comunistas estão convencidos de que uma democracia avançada, fruto da
unidade e de múltiplas lutas das massas populares, pode abrir o caminho para a
transformação socialista da sociedade francesa no interesse da classe operária,
do povo e da pátria.
Os comunistas afirmam que este objectivo será tanto mais seguramente
alcançado quanto mais clara for uma perspetiva que se abre às massas
populares, graças à união duradoura das organizações operárias e democráticas,
unidas em torno de um programa político inovador e desenvolvendo
conjuntamente uma ação resoluta.
Os primeiros elementos de um tal programa estão contidos nos acordos
concluídos em dezembro de 1966 e em fevereiro de 1968 pelos partidos
democráticos. Mas é necessário ir mais longe.
O Partido Comunista Francês deve, pois, relembrar e precisar o que deverá ser,
do seu ponto de vista, uma política democrática consequente e avançada,
abrindo o caminho para o socialismo.
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I
POR UMA VASTA ALIANÇA DE TODAS AS CAMADAS
SOCIAIS VÍTIMAS DOS MONOPÓLIOS E DO SEU PODER
Produziram-se grandes mudanças na estrutura económica e social do nosso país.
Conforme o nosso Partido previu e como o mostraram com evidência os
poderosos movimentos populares de maio-junho de 1968, amadurecem
rapidamente as condições para uma ação comum de todas as camadas
atingidas ou ameaçadas pelos monopólios.
Com efeito, cada vez mais a sociedade francesa se caracteriza pela concentração
de um enorme poder nas mãos dum pequeno grupo de monopolistas por um
lado e, pelo outro, pelo agravamento das condições de vida e de trabalho da
imensa maioria da população.
Sob o regime de capitalismo monopolista de Estado, uma oligarquia financeira
restrita controla as alavancas essenciais da atividade política e económica do
país. O Estado está todo mobilizado para a salvaguarda e o aumento do lucro do
grande capital. Favorece sistematicamente a exploração capitalista à escala de
toda a sociedade. A sua política, interna e externa, identifica-se com os
interesses gerais dos monopólios. A principal vítima desta política é a classe
operária, a concentração monopolista traduz-se principalmente na
intensificação do trabalho e na sua duração excessiva, pela pressão sobre os
salários, pelo aumento de impostos, pelo desemprego.
Contrariamente às «teorias» dos apologistas do grande capital, a classe operária
com o seu núcleo proletário – cujo trabalho é a fonte de enriquecimento dos
monopólios – vê crescer constantemente a sua importância. Classe social
privada de toda a propriedade de meios de produção, sofrendo
consequentemente a exploração direta dos capitalistas, cada vez mais
concentrada em imensas empresas, possuindo uma longa tradição de lutas,
poderosamente organizada em sindicatos e com um Partido Comunista
fortalecido com uma doutrina científica e de uma organização eficaz, a classe
operária constitui a força decisiva da grande luta de classes do nosso tempo. A
despeito dos ideólogos burgueses e dos donos do capital, ela mostrou isso muito
bem nestes meses de maio e de junho de 1968.
A situação no campo, que é dominado pela concentração capitalista, a anarquia
da produção e a degradação das condições de existência da imensa maioria dos
camponeses, conduziu ao desenvolvimento de lutas camponesas e a novos
progressos da aliança dos trabalhadores das cidades e do campo.
Enquanto poderia ser posta ao serviço do bem-estar de todos, a prodigiosa
revolução científica e tecnológica que marca a nossa época, está inteiramente
submetida à lei do lucro e traduz-se no reforço da exploração dos trabalhadores.
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Ao mesmo tempo, provoca o crescimento em massa e a mutação rápida de
camadas de assalariados, cujas condições salariais e de trabalho as aproximam
cada vez mais dos operários.
Aumenta sem cessar o número de engenheiros, técnicos, investigadores,
professores. Agora, contam-se por milhões os intelectuais de todas as
especialidades. Apesar de uma grande diversidade de situações, a imensa
maioria deles sofre o peso crescente da exploração capitalista. O regime dos
monopólios recusa-lhes qualquer participação criativa nos destinos económicos
e políticos do país, na elaboração de uma cultura viva. Aumenta o seu papel na
luta de classes. Certamente, a sua formação e a sua origem social não os
predispõem a reconhecer facilmente o papel determinante da classe operária.
Mas as lutas da primavera de 1968 mostraram que uma parte deles, muito mais
considerável que no período precedente, começa a participar ativamente no
combate ao lado dos operários e dos empregados. O Partido Comunista francês
considera como uma questão capital esta aliança necessária da classe operária e
dos intelectuais em relação à qual presta a maior atenção.
O capitalismo monopolista de Estado acelera a expulsão de numerosos artesãos
e comerciantes. Com as massas consideráveis de pequenos camponeses, vêm
engrossar o exército de trabalhadores assalariados, cujo número total
representa actualmente dois terços da população ativa.
Abandonada pelo poder e sobre-explorada pelo grande patronato, enquanto a
sua massa não pára de crescer, a juventude, e em primeiro lugar a juventude
trabalhadora, exige com uma combatividade acrescida o direito ao emprego, o
direito ao ensino e ao lazer e também o direito à palavra. Os jovens
desempenharam um grande papel nos acontecimentos recentes. A geração em
ascensão esteve nas primeiras linhas da batalha contra o gaullismo e o
capitalismo, pelas reivindicações e o progresso.
Assim, acentua-se e agrava-se a contradição que opõe, em conjunto com a classe
operária, a imensa maioria da população à grande burguesia capitalista e os
seus apaniguados.
Assim, desenvolvem-se as bases de uma comunidade de interesses de todas as
camadas sociais vítimas dos monopólios e da sua política e as possibilidades da
sua unidade em torno da classe operária.
É a grande lição que foi posta em evidência nas poderosas batalhas de classe de
maio e junho de 1968. Constituíram o primeiro grande confronto entre as
massas trabalhadoras e o poder dos monopólios em confronto com as
contradições que é incapaz de resolver.
A combatividade, a vontade de mudanças profundas que animam os milhões de
trabalhadores manuais e intelectuais e uma grande parte da juventude
estudantil, manifestaram-se no decurso das greves com ocupação dos locais de
trabalho, acções na universidade, poderosas manifestações de rua tanto em
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Paris como na província. Às reivindicações imediatas colocadas pelas massas
trabalhadoras juntaram-se a contestação do poder pessoal e o domínio dos
monopólios, a exigência de uma democratização profunda da vida política,
económica e social.
Este poderoso movimento de uma amplitude inigualável na nossa história,
obrigou o poder e o patronato a fazerem importantes concessões tanto no plano
das reivindicações operárias como no da organização da educação nacional. Os
resultados obtidos mostram a eficácia da luta de massas, a possibilidade de
impor recuos importantes ao poder e ao grande capital e, ao mesmo tempo,
enfraquecê-los, de fazê-los tremer sob o peso da convergência das acções
populares.
Hoje, sob o peso de uma crise monetária de que são os únicos responsáveis, o
grande patronato e o poder gaullista mostram que, para eles, a única maneira de
resolver as contradições do seu sistema consiste em atacar os trabalhadores. O
Partido comunista francês considera que é necessário agir para defender e
consolidar as conquistas sociais de maio-junho e as reivindicações das massas
trabalhadoras.
A ação unida dos trabalhadores pode impedir o poder gaullista de lhes fazer
pagar os custos da especulação capitalista pela subida dos preços, das taxas e
dos impostos. Pode dificultar a ação do patronato em relação aos compromissos
assumidos em matéria de salários, impor a garantia do poder de compra e o
estabelecimento da escala móvel, a garantia de reinvestimento, uma gestão
democrática da Segurança social, a consolidação dos direitos e liberdades
sindicais.
Pode impor a redução das despesas improdutivas das quais a força de ataque
nuclear é o perigoso símbolo.
Ao mesmo tempo, é importante defender resolutamente as liberdades
democráticas, em todos os níveis e em todos os domínios, contra as tendências
autoritárias que se estão a intensificar. A ação das massas, perseverante e
diversificada da classe operária e dos outros trabalhadores, a generalização da
aliança entre o proletariado e as outras camadas sociais que sofrem com a
política dos monopólios, são a condição essencial de uma luta eficaz contra o
poder gaullista que elabora e realiza esta política antipopular.
Mas a luta contra este regime autoritário e reaccionário pelo progresso social, as
liberdades e a paz devem visar mais longe: para arrancar conquistas sociais
decisivas e consolidá-las duradouramente, não basta pôr em causa o regime
dos monopólios, é preciso fazê-lo recuar, é preciso derrotá-lo.
É por isso que, ao mesmo tempo que organiza incansavelmente a ação dos
trabalhadores manuais e intelectuais, os operários e camponeses pelas suas
reivindicações e direitos, o Partido comunista francês continuará a trabalhar
ativamente pela união de todas as forças operárias e democráticas quaisquer
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que sejam as suas conceções filosóficas, crenças religiosas ou filiações
partidárias, para a luta pelo derrube do poder dos monopólios.
Já hoje, fruto da ação infatigável do nosso Partido, o progresso da aliança de
classes antimonopolistas encontrou a sua tradução, nestes últimos anos, na
aproximação e em certas acções comuns dos partidos de esquerda, sobretudo do
Partido comunista e do Partido socialista.
Contudo, os passos em frente que se deram foram limitados. É precisamente
utilizando o facto de as forças de esquerda não estarem suficientemente unidas
em torno de objectivos susceptíveis de abrir uma clara perspetiva às massas e
agitando o espantalho da “guerra civil” que o poder gaullista tem conseguido até
aqui manter a influência sobre uma parte importante do nosso povo incluindo
aqueles que são vítimas da política reacionária.
Pela sua parte, o Partido comunista francês reafirma a vontade dos comunistas
de trabalhar para a unidade de todas as forças operárias e democráticas na base
de um programa comum avançado, susceptível de ser apoiado pela maioria do
povo francês e abrir a perspetiva da renovação.
Não é de um remendo do gaullismo nem de uma coligação sem princípios que,
em nome do “centrismo”, faria uma política de direita, que o povo tem
necessidade, ele aspira a uma democracia inovadora.
O objectivo principal, na etapa actual, é e continua a ser a substituição do
poder gaullista dos monopólios por uma democracia política e económica
avançada, abrindo caminho ao socialismo.
II
O QUE É UMA DEMOCRACIA AVANÇADA ?
Uma política social avançada implica, antes de tudo, a satisfação das
reivindicações essenciais das massas laboriosas, isto é: a melhoria do poder de
compra dos salários; o pleno emprego para todos; a redução do tempo de
trabalho e o abaixamento da idade da reforma, condição para a eliminação do
desemprego e uma participação efetiva dos trabalhadores nas actividades
sociais, cívicas e culturais; a atribuição de um quarto do orçamento à Educação
nacional e uma reforma democrática do ensino; uma política agrícola que
assegure uma vida digna aos pequenos e médios camponeses e os encoraje a
cooperar sob todas as formas; uma ajuda adequada aos trabalhadores por conta
própria, aos pequenos industriais e aos comerciantes.
Uma tal política é possível.
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Mas ela implica que seja tomado um conjunto de medidas destinadas a limitar
progressiva e sistematicamente as empresas monopolistas na economia
nacional, a enfraquecer o capitalismo monopolista de Estado nos seus meios
económicos e financeiros.
A primeira destas medidas deve ser, pois, a nacionalização dos grandes bancos e
dos ramos monopolistas da indústria que, na sua maior parte, recebem
subsídios do Estado das formas mais diversas. É de uma importância decisiva
que estas novas empresas nacionais e aquelas que já existem sejam
democraticamente dirigidas, isto é, com a participação dos trabalhadores. É a
condição essencial para que as empresas nacionais deixem de ser administradas,
como hoje acontece, de modo a beneficiar os trusts, mas no sentido do
desenvolvimento das forças produtivas da nação e das necessidades do povo.
Simultaneamente, a elaboração e a aplicação democráticas de um plano de
desenvolvimento económico e social, visando assegurar o desenvolvimento
harmonioso da economia nacional, a elevação constante do nível de vida das
massas, uma política coerente de investimentos contribuiriam para reforçar o
poder de decisão da massa dos cidadãos e para reduzir o das potências do
dinheiro.
Para este mesmo objetivo deveria contribuir também uma reforma democrática
da fiscalidade, aumentando os encargos das empresas capitalistas e dos
privilegiados pela sorte, enquanto diminuiria os impostos diretos e indirectos
suportados pelos assalariados e os pequenos produtores.
Para levar à prática estas medidas, é necessário impor profundas mudanças no
regime político do nosso país.
A Assembleia nacional eleita por sufrágio universal e com representação
proporcional deve ter um poder real de fazer as leis e de controlar o governo.
Uma sã estabilidade governamental será garantida pela realização de uma
política susceptível de ter o apoio das massas. Esta política comum
consubstanciará um contrato que obriga todos os partidos democráticos.
Todas as liberdades democráticas respeitantes à eleição pelo povo de todas as
assembleias deliberativas, à livre atuação dos partidos e sindicatos, à
informação, à laicidade do Estado e da escola, às liberdades de expressão e de
organização dos trabalhadores nas empresas, dos professores e dos estudantes
nas universidades, devem ser desenvolvidas e asseguradas na prática.
Uma democracia inovadora deve combinar as medidas tendentes a alargar os
direitos políticos das massas com as que visam organizar a sua participação na
direção e orientação da vida económica do país de que elas estão afastadas até
agora. A experiência de maio-junho confirmou a imensa capacidade de
iniciativa das massas trabalhadoras. Trata-se de a pôr à disposição do
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desenvolvimento de todos os recursos económicos, científicos, técnicos e
culturais da nação.
Uma política interna democrática será acompanhada por uma política externa
democrática e pacífica.
Os problemas da política internacional são vitais para a paz e a segurança de
todos os povos e devem ser resolvidos no respeito pela soberania dos povos, da
independência das nações e da sua indispensável solidariedade. Os partidários
da «integração» capitalista da pequena Europa mostram de facto que a
independência nacional é um princípio válido para alguns países e ultrapassado
para outros. Os comunistas partem do ponto de vista de que cada país deve
decidir por si, sem ingerências exteriores, os problemas relativos à sua
organização social e política assim como à sua orientação económica.
Tendo em vista reforçar a cooperação económica e cultural, pode ser necessário
estabelecer relações especiais com os países vizinhos. Mas não devem ser
exclusivas e, no que respeita à França, o seu verdadeiro interesse é manter
relações económicas e culturais em pé de igualdade com todos os países sem
exceção, incluindo os países socialistas.
Uma política externa independente e pacífica exige a dissolução dos blocos
militares existentes no mundo, o desaparecimento simultâneo do Pacto do
Atlântico, concluído em primeiro lugar, e do Tratado de Varsóvia. No imediato,
a França não deve renovar os seus compromissos com o Pacto do Atlântico no
prazo posterior a 1969.
O imperialismo americano, apesar das suas derrotas e das suas dificuldades,
está sempre animado pela vontade de desempenhar o papel de gendarme
mundial, e mostra isso na América latina, em África, no Médio Oriente, no
sudeste asiático e, particularmente, no Vietname.
Devido às vitórias do povo vietnamita, à ajuda que lhe prestaram os países
socialistas e todas as forças progressistas mundiais, o imperialismo americano
teve de cessar incondicionalmente os bombardeamentos sobre a República
Democrática do Vietname e admitir a presença da F.N.L. nas conversações de
Paris. O dever da nossa classe operária é reforçar o seu apoio sem reservas ao
combate heróico do povo vietnamita pela sua independência, exigir a cessação
completa da agressão americana ao Vietname do Sul, a retirada das tropas
americanas, o respeito do direito do povo vietnamita do norte e do sul de decidir
ele próprio, sem ingerência externa, as questões postas pelo seu futuro, e
designadamente a reunificação da sua pátria.
Na Europa aumenta o perigo representado pelas tendências dos meios
dirigentes da Alemanha ocidental de exigir a revisão da situação criada pela
derrota do hitlerismo. Deve ser energicamente combatido. A paz e a segurança
no nosso continente exigem que todos os países, designadamente a França,
reconheçam sem restrições as atuais fronteiras da Europa e a existência da
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República Democrática Alemã, que se oponham resolutamente às actividades
neonazis na Alemanha ocidental e ao seu acesso ao armamento nuclear sob
qualquer forma.
A coexistência pacífica não pode assentar no equilíbrio do terror nuclear. É
necessário que os trabalhadores franceses prossigam a sua ação para que o seu
país, em vez de participar na corrida ao armamento nuclear, adira a todos os
acordos que limitem o perigo das experiências ou da proliferação de armas de
destruição maciça, atue em prol de medidas de desarmamento mais gerais e, no
imediato, da democratização das forças armadas francesas que devem servir
exclusivamente para a defesa do território nacional.
Por fim, a França democrática deve reconhecer, como a todos os povos, o direito
à autodeterminação dos povos da Guiana, de Guadalupe, da Martinica, da ilha
de Reunião, da Nova Caledónia, da Polinésia, etc., e satisfazer a sua legítima
reivindicação de um estatuto de autonomia que lhes permita gerir livremente os
seus próprios assuntos no quadro da República francesa.
Seriam estes, na opinião dos comunistas, os principais aspectos de uma política
democrática avançada no plano das instituições, no plano de desenvolvimento
económico e social e das relações internacionais do nosso país.
Uma política antimonopolista consequente, conduzida por um poder que chama
à participação ativa as largas massas populares, permitiria o desenvolvimento
sempre crescente da democracia. A democracia deve ser uma criação contínua,
aprofundando e alargando sem cessar as conquistas económicas, sociais e
políticas dos trabalhadores.
Como mostra a história destes últimos decénios, são as classes exploradoras que
reduzem a democracia. Os trabalhadores, o povo vêem nela, pelo contrário, a
condição decisiva da realização das sus aspirações. O desenvolvimento contínuo
da democracia política e económica que queremos para o nosso país favorecerá
o reforço das posições da classe operária na sociedade e o enfraquecimento das
posições do grande capital.
Ao mesmo tempo, serão criadas melhores condições para que a maioria do
nosso povo se afirme favorável à transformação socialista da sociedade.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013


Serpa 2010



III ENCONTRO CIVILIZAÇÃO OU BARBÁRIE 
-Os desafios do mundo contemporâneo
Promovido por odiario.info e a Revista Vértice realizar-se-á em Serpa, de 30 de Outubro a 1 de Novembro, o III Encontro Internacional «Civilização ou Barbárie» – os desafios do mundo contemporâneo.
A iniciativa reunirá naquela cidade alentejana pensadores e cientistas políticos de 16 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Cuba, Espanha, Estados Unidos da América, França, Líbano, México, Portugal, El Salvador, Reino Unido e Venezuela.
TEMAS A DEBATER:
O agravamento da crise estrutural do capitalismo. O socialismo como única alternativa à barbárie
Lutas de movimentos sociais progressistas e de organizações revolucionárias. Actualidade de Marx e Lenine.
A estratégia de dominação planetária de Obama e as guerras de agressão imperiais.
Revolução e contra-revolução na América Latina
Lutas sociais e politicas na União Europeia. Agudização da crise portuguesa. O Centenário da República Portuguesa
A perversão mediática e a hegemonia das transnacionais na comunicação social.

PARTICIPANTES ESTRANGEIROS 

Alexandr Droban (Rússia); Angeles Maestro (Espanha); Carlos Aznarez (Argentina); Carlos Lozano (Colômbia); Carolus Wimmer (Venezuela); Domenico Losurdo (Itália); Georges Gastaud (França); James Petras (EUA); Jean Salem (França);John Catalinotto (EUA); José Paulo Netto (Brasil) ;Leila Ghanem (Líbano); Luciano Alzaga (El Salvador); Marcos Domich (Bolívia) ;Michel Chossudovsky (Canadá);Osvaldo Martinez (Cuba); Piedad Córdoba (Colômbia); Remy Herrera (França); Thierry Labica (França); Virginia Fontes (Brasil).

PARTICIPANTES PORTUGUESES

Anabela Fino, André Levy, Avelãs Nunes, Carlos Lopes Pereira, Correia da Fonseca, Eduardo Chitas, Fernando Correia, Filipe Diniz, Francisco Melo, João Aguiar, João Fagundes, José Paulo Gascão, Luís Gomes, Manuel Gusmão, Miguel Urbano Rodrigues, Nozes Pires, Pedro Carvalho, Rui Namorado Rosa, Sérgio Vinagre, Silvestre Lacerda.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Documentos Políticos


O imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo - Lênin

Dilermando Toni

(Obras Escolhidas, tomo I, págs. 575 a 671)
Circunstâncias e Objetivos

Grandes modificações marcaram o capitalismo na virada do século XIX para o século XX. No terreno econômico os monopólios passavam a jogar o papel fundamental em substituição à livre concorrência. No terreno político a reação em toda a linha tomava o lugar do democracia burguesa. Na cena histórica a época da burguesia dava lugar à época do imperialismo e das revoluções proletárias.

"O imperialismo, - dizia Lênin - como fase superior do capitalismo na América do Norte e na Europa, e depois na Ásia, estava já plenamente formado entre 1898-1914. As guerras hispano-americana (1898), anglo-boer (1899-1902) e russo-japonesa (1904-1905) e a crise econômica da Europa em 1900 são os principais marcos históricos da nova época da história mundial." (O imperialismo e a divisão do socialismo, OC, T 30, pág. 171).

As burguesias das principais potências capitalistas empenhavam-se febrilmente na preparação da I Guerra Mundial como forma de dividir os mercados mundiais. A guerra veio a desencadear-se a partir de 1914 e, um após outro, os partidos operários da IIª Internacional, habituados ao período de desenvolvimento relativamente pacífico do capitalismo e ao parlamento burguês, enveredavam pelo caminho da conciliação e da traição, alinhando-se às suas respectivas burguesias.

Colocou-se do ponto de vista prático a necessidade de analisar profundamente o novo quadro a fim de desmascarar o oportunismo e formular uma orientação que armasse para a luta revolucionária a vanguarda do movimento operário nas condições da nova época histórica. Foi nessa circunstância que Lênin escreveu O imperialismo, fase superior do capitalismo. Lênin pretendia que sua obra pudesse ajudar "a compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a política atuais."

O imperialismo ... surgiu no debate e na crítica aos teóricos do imperialismo e às idéias que circulavam no seio do próprio movimento operário sobre a questão. Mereceu atenção especial de Lênin a crítica às opiniões de Kautsky até então o dirigente mais destacado da IIª Internacional cujos pontos de vista centristas ficaram conhecidos como a teoria do "ultraimperialismo" segundo a qual o capital financeiro conduziria o mundo para uma economia mundial organizada, à eliminação das contradições imperialistas e a uma situação relativamente pacífica, relativamente isenta de catástrofes e de conflitos. Sem desmascarar a corrente ideológica internacional do "kautskismo" Lênin julgava impossível que uma parcela significativa dos trabalhadores que estava sob a influência daquela tendência, viesse a aderir à luta revolucionária antimperialista.

Ao escrever O Imperialismo ... no primeiro semestre de 1916 Lênin partiu das leis gerais do desenvolvimento do capitalismo formuladas por Marx e Engels e fez um amplo trabalho de pesquisa sobre os novos fenômenos do capitalismo. Utilizou-se de "dados gerais, irrefutáveis, da estatística burguesa e declarações dos homens de ciência burgueses de todos os países", procurando sempre os dados de conjunto sobre os fundamentos da vida econômica de todas as potências que estavam em guerra e de todo o mundo já que, alertava Lênin: "dada a infinita complexidade dos fenômenos da vida social, podem-se encontrar sempre os exemplos ou dados isolados que se queira suscetíveis de confirmar qualquer tese".

Mesmo com opiniões políticas divergentes com seus autores Lênin destacou em especial o valor de duas obras que o auxiliaram na elaboração de O imperialismo, fase superior do capitalismo, a saber: O capital financeiro do austríaco R. Hilferding (1912): "uma análise teórica extremamente valiosa da 'fase mais recente do desenvolvimento do capitalismo'"; e O imperialismo do economista inglês J. A. Hobson (1902): "uma descrição excelente e pormenorizada das particularidades econômicas e políticas fundamentais do imperialismo".

Nos Cadernos sobre o imperialismo, tomos XLIII e XLIV das Obras Completas (Akal Editor) estão concentrados os estudos que Lênin fez para escrever O imperialismo ... Há extratos e observações de 148 livros, de 232 artigos e de 49 publicações periódicas em várias línguas, feitas entre 1912 e 1916.

O livrinho de Lênin, como ele o chamava, está dividido em 10 capítulos dos quais o VII e o X são capítulos de síntese da própria obra e os outros são capítulos de análise e desenvolvimento das idéias. O imperialismo, ... ao lado de outras obras de Lênin sobre o assunto constituem um formidável acervo teórico indispensável para se compreender o que se passa no mundo de hoje. Entre essas outras obras podem ser citadas: o prefácio ao livro de Bukárin "A economia mundial e o imperialismo" (1915), Sobre a caricatura do marxismo e o 'economismo imperialista", (segundo semestre de 1916), O imperialismo e a divisão do socialismo (1916).


A Economia do Imperialismo

1 - O monopólio essência econômica do imperialismo

Na opinião de Lênin a "transformação da concorrência em monopólio constitui um dos fenômenos mais importantes - para não dizer o mais importante - da economia do capitalismo dos últimos tempos". Ele partia dos dados estatísticos do desenvolvimento capitalista na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha verificando o "processo notavelmente rápido de concentração da produção em empresas cada vez maiores".

Lênin polemizava com os economistas burgueses que viviam dizendo que o "marxismo foi refutado" na análise do desenvolvimento capitalista: "A ciência oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx, que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora o monopólio é um fato". (O Imperialismo ..., pág.590)

O resumo da história dos monopólios foi assim descrita por Lênin: "1) Décadas de 1860 e 1870, o grau superior, culminante, de desenvolvimento da livre concorrência. Os monopólios não constituem mais do que germes quase imperceptíveis. 2) Depois da crise de 1873, longo período de desenvolvimento dos cartéis, os quais constituem ainda apenas uma exceção, não são ainda sólidos, representando ainda um fenômeno passageiro. 3) Ascenso de fins do século XIX e crise de 1900 a 1903: os cartéis passam a ser uma das bases de toda a vida econômica. O capitalismo transformou-se em imperialismo." (O imperialismo ..., pág. 591).

Lênin analisou os monopólios em importantes ramos da indústria como do petróleo, química, aço, carvão, tabaco na Alemanha e nos Estados Unidos vendo que eles tomavam a forma de cartéis e de trusts, em cujas mãos "concentram-se freqüentemente sete ou oito décimas partes de toda a produção de um determinado ramos industrial ... os cartéis estabelecem entre si acordos sobre as condições de venda, os prazos de pagamento, etc. Repartem os mercados de venda. Fixam quantidades de produtos a fabricar. Estabelecem os preços. Distribuem os lucros entre as diferentes empresas, etc." (O imperialismo ..., págs. 591 e 592)

Os métodos "modernos e civilizados" pelos quais os monopolistas colocavam os outros setores da economia sob o seu jugo são bem diferentes da luta da concorrência tradicional entre pequenas e grandes empresas: controle das fontes de matérias-primas, da mão-de-obra, dos meios de transporte, diminuição dos preços, controle do crédito, controle dos compradores, declaração de boicote, etc.

Lênin destacou logo no I capítulo de O imperialismo ..., duas conseqüências fundamentais do predomínio dos monopólios: 1 - "um gigantesco progresso na socialização da produção" (pág. 593) e, 2 - que "a supressão das crises pelos cartéis é uma fábula dos economistas burgueses que ... pelo contrário, o monopólio que se cria em certos ramos da indústria aumenta e agrava o caos próprio de todo o sistema da produção capitalista no seu conjunto." (pág. 596, grifos de Lênin). Mais á frente procurará retirar todas as conclusões políticas e históricas destes fatos.

2 - O capital financeiro

Os capítulos II e III do livro de Lênin são dedicados ao estudo do crescimento e da concentração do capital bancário, à sua junção com o capital industrial dando origem ao capital financeiro e à oligarquia financeira expressão social deste processo ao nível das frações da burguesia.

Os bancos transformaram-se constata Lênin: "de modestos intermediários que eram antes, em monopolistas onipotentes, que dispõem de quase todo o capital-dinheiro do conjunto dos capitalistas e pequenos patrões, bem como da maior parte dos meios de produção e das fontes de matérias-primas de um ou de muitos países". (O imperialismo ..., pág. 597)

A fim de demonstrar sua tese Lênin analisa a evolução do sistema bancário da Alemanha, França, Inglaterra, das últimas décadas do século XIX à primeira década do século XX, em itens tais como ativos, concentração de depósitos, número de agências, número de contas correntes, participação acionária de alguns bancos no capital de outros etc.

A concentração do capital bancário e o aumento do movimento dos bancos provocou uma importante modificação na economia capitalista. Houve um estreitamento da relação dos bancos com a indústria e o comércio e, nessa relação, os bancos assumiram um papel de dominação sobre o resto da economia. Lênin descreveu assim esse fenômeno: "um punhado de monopolistas subordina as operações comerciais e industriais de toda a sociedade capitalista, colocando-se em condições ... primeiro de conhecer com exatidão a situação dos diferentes capitalistas, depois de controlá-los, exercer influência sobre eles mediante a ampliação ou a restrição do crédito, facilitando-o ou dificultando-o, e, finalmente decidir inteiramente sobre o seu destino, determinar a sua rentabilidade, privá-los de capital ou permitir-lhes aumentá-lo rapidamente e em grandes proporções etc." (O imperialismo ..., pág. 601, grifos de Lênin).

O processo de predomínio do bancos consumou-se na passagem do século XIX para o século XX através de grandes fusões de empresas nas quais parte cada vez maior do capital industrial passa a ter participação acionária dos bancos. Estes, por sua vez investem na indústria. A síntese desse fenômeno é feita por Lênin da seguinte maneira: "Concentração da produção; monopólios que daí resultam; fusão ou junção dos bancos com a indústria: tal é a história do aparecimento do capital financeiro ..." (O imperialismo ..., pág. 610).

Aos monopólios financeiros correspondia, na estrutura das classes, a oligarquia financeira, nova fração da burguesia que passa a ser dominante sobre toda a sociedade capitalista. Lênin assim vê o desenvolvimento, os meios e as formas desse processo econômico e social: "O capital financeiro, concentrado em muito poucas mãos e gozando do monopólio efetivo, obtém um lucro enorme, que aumenta sem cessar com a constituição de sociedades, emissão de valores, empréstimos do Estado etc., consolidando a dominação da oligarquia financeira e impondo a toda a sociedade um tributo em proveito dos monopolistas". Logo depois destacava: "Os lucros excepcionais proporcionados pela emissão de valores, como uma das operações principais do capital financeiro, contribuem muito para o desenvolvimento e consolidação da oligarquia financeira". (O imperialismo ..., págs. 615 e 616).

Ao lado disso Lênin descreve com detalhes outras formas que a oligarquia financeira utiliza para se fortalecer seus lucros como a aquisição pelos bancos, a baixo preço, em períodos de depressão, de pequenas empresas e empresas pouco fortes, ou ainda a especulação com terrenos situados nos subúrbios das grandes cidades que crescem rapidamente.

Lênin destaca com grande propriedade a relação entre o capital produtivo (investimentos na indústria) e o capital especulativo (operações bolsistas e financeiras) na nova situação: "É próprio do capitalismo em geral separar a propriedade do capital da sua aplicação à produção, separar o capital-dinheiro do industrial ou produtivo, separar o rentier, que vive apenas dos rendimentos provenientes do capital-dinheiro, do empresário e de todas as pessoas que participam diretamente da gestão do capital. O imperialismo, ou domínio do capital financeiro, é o capitalismo no seu grau superior, em que essa separação adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as demais formas do capital implica o predomínio do rentier e da oligarquia financeira, a situação destacada de uns quantos Estados de 'poder' financeiro em relação a todos os restantes" (O imperialismo ..., pág. 619). Rentier é sinônimo de especulador.

3 - A exportação de capitais

Prosseguindo a análise das peculiaridades da nova fase do desenvolvimento capitalista Lênin dedica o capítulo IV de O Imperialismo ... à exportação de capitais: "O que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capital." (pág. 621, grifos de Lênin).

Lênin toma como base o fato de que, no limiar do século XX, estava dada uma "situação monopolista de uns poucos países riquíssimos, nos quais a acumulação do capital tinha alcançado proporções gigantescas. Constitui-se um enorme 'excedente de capital' nos países avançados". (O imperialismo ..., pág. 621).

Daí a necessidade de que esse capital excedente fosse exportado em busca de uma colocação lucrativa. A possibilidade da exportação de capitais vinha do fato de existirem países onde "os capitais são escassos, o preço da terra e os salários relativamente baixos, e as matérias-primas baratas ... já incorporados na circulação do capitalismo mundial" (pág. 622), onde já havia se construído uma base de transportes e condições elementares para o desenvolvimento industrial.

Estudando os casos de países exportadores e de países tomadores de capitais Lênin destacava duas formas em que isso se dava: os investimentos diretos em empresas e os empréstimos a juros, de fonte pública ou privada, também chamado de capital usurário.

Assim é que, ao atingir proporções gigantescas a exportação de capitais se constituía numa "sólida base para o jugo e exploração imperialista da maioria dos países e nações do mundo, para o parasitismo capitalista de um punhado de Estados riquíssimos!" Ao mesmo tempo em que repercutia "no desenvolvimento do capitalismo dentro dos países em que são investidos, acelerando-o extraordinariamente ... (provocando) um alargamento e um aprofundamento maiores do desenvolvimento do capitalismo em todo o mundo". (O imperialismo ..., pág. 623)


O Mundo Dividido

1 - Os monopólios e as potências imperialistas partem e repartem o mundo

Os capítulos V e VI Lênin procura ver os desdobramentos, ainda no plano econômico, do crescimento dos monopólios. Eles dominam o mercado interno de seus países de origem e, em seguida, esses países, as potências imperialistas, passam à dominação do mercado mundial. Tal é o caso da indústria elétrica na Alemanha onde a AEG/Siemens consegue o domínio do mercado interno e se expande através dos investimentos externos para "34 representações diretas em mais de dez países. O mesmo acontecer com a GE nos EUA. Mais tarde as duas gigantes acordaram a divisão do mundo entre si o que, segundo Lênin, "não exclui, naturalmente, uma nova partilha, no caso de se modificar a correlação de forças em conseqüência da desigualdade do desenvolvimento, das guerras, dos craques etc."(O imperialismo ..., pág. 628).

No caso da indústria do petróleo Lênin faz um interessante relato de como os capitalistas alemães, que perdiam a luta pela partilha do mundo para a Standard Oil dos Rockefeller, fizeram toda uma campanha para que o Estado alemão assumisse o monopólio sobre o petróleo a fim de ajudá-los na luta contra os americanos, o que acabou por não se concretizar.

Depois disso Lênin descreve o que se passou na marinha mercante, nas ferrovias, na indústria do aço, do zinco e da pólvora, para concluir que "os capitalistas não partilham o mundo levados por uma particular perversidade, mas porque o grau de concentração a que se chegou os obriga a seguir esse caminho para obterem lucros; e repartem-no 'segundo o capital', 'segundo a força'; qualquer outro processo de partilha é impossível no sistema de produção mercantil e no capitalismo". (O imperialismo ..., pág. 631). E o que se passava ao nível dos grupos econômicos tinha seu reflexo nos grupos políticos, nos Estados. Estes também tratavam de repartir o mundo entre si.

Lênin constata o crescimento vertiginoso dos povos colonizados e da dimensão das possessões coloniais da Inglaterra, da França, da Alemanha e dos Estados Unidos e outras potências. Habitavam a Terra naquela época 1.657.000 pessoas. Desse total, 930 milhões viviam em países colonizados. A conclusão de Lênin é que sobretudo a partir de 1880 "a passagem do capitalismo à fase do capitalismo monopolista, ao capital financeiro, se encontra relacionada com a exacerbação da luta pela partilha do mundo." (O imperialismo ..., pág. 633).

Os monopólios crescem e adquirem solidez quando reúnem em suas mãos terras que tenham matérias-primas fundamentais como minas de minério de ferro ou reservas de petróleo. Isso é o que explica a acirrada luta inter-monopolista que Lênin assim descreveu: "quanto mais desenvolvido está o capitalismo, quanto mais sensível se torna a insuficiência de matérias-primas, quanto mais dura é a concorrência e procura de fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais encarniçada é a luta pela aquisição de colônias." (O imperialismo ..., pág. 637). Lênin complementa sua idéia dizendo que: "os interesses da exportação de capitais levam do mesmo modo à conquista de colônias, pois no mercado colonial é mais fácil (e por vezes só nele é possível), utilizando meios monopolistas, suprimir o concorrente, garantir encomendas, consolidar as 'relações' necessárias etc." (O imperialismo ..., pág. 638).

Como fruto da luta pela partilha econômica e política do mundo pelas grandes potências Lênin analisa o tipo de países que vão se criando. "Para esta época são típicos não só os dois grupos fundamentais de países - os que possuem colônias e as colônias -, mas também as formas variadas de países dependentes que, dum ponto de vista formal, político, gozam de independência, mas que na realidade se encontram envolvidos nas malhas da dependência financeira e diplomática." (O imperialismo ..., pág. 639). Com o desenvolvimento do capitalismo, com a intensificação das lutas anti-coloniais ao longo de décadas, esse tipo de países dependentes descrito por Lênin é que vai se generalizar.

2 - A polêmica com Kautsky

No início do capítulo VII faz um resumo faz um resumo do que havia escrito nos capítulos anteriores e em seguida entra na polêmica com K. Kautsky. Dedica importância a isto porque Kautsky havia sido uma referência importante, "o principal teórico marxista da época da chamada II Internacional, isto é, dos vinte e cinco anos compreendidos entre 1889 e 1914".

Lênin julgava que a definição de Kautsky sobre o imperialismo "além de ser errada e de não ser marxista, serve de base a todo um sistema de concepções que rompem em toda a linha com a teoria marxista e com a atuação prática marxista". Os pontos de vista de Kautsky levavam a que se ocultasse "as contradições mais fundamentais da fase atual do capitalismo, em vez de as pôr a descoberto em toda a sua profundidade; daqui resulta reformismo burguês em vez de marxismo". (O imperialismo ..., pág. 644).

Para Kautsky o imperialismo seria produto do capitalismo industrial altamente desenvolvido e que toda a nação capitalista industrial tinha a tendência a submeter e anexar cada vez mais regiões agrárias. Lênin contra-argumentava que o "característico do imperialismo não é precisamente o capital industrial, mas o capital financeiro [e ...] a tendência para a anexação não só das regiões agrárias, mas também das mais industriais [inclusive porque] faz parte da própria essência do imperialismo a rivalidade de várias grandes potências nas suas aspirações à hegemonia." Além disso Lênin avaliava que a tendência do imperialismo não era somente para as anexações "pois no aspecto político o imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação". (O imperialismo ..., pág. 643).

Kautsky pensava também que do ponto de vista econômico poderia haver a união dos imperialismos de todo o mundo, quando o capitalismo atingiria uma nova fase a fase do ultraimperialismo. Consequentemente não haveria mais guerras e lutas entre as potências imperialistas. Lênin avaliou que a idéia do ultraimperialismo "leva a água ao moinho dos apologistas do imperialismo, de que a dominação do capital financeiro atenua a desigualdade e as contradições da economia mundial, quando, na realidade, o que faz é acentuá-las." (O imperialismo ..., pág. 646).

A idéia do ultraimperialismo, a ingênua fábula de Kautsky como Lênin a chamava, cumpria o papel de desviar a atenção das profundas contradições existentes numa realidade de desproporção extrema na rapidez de desenvolvimento dos diferentes países, de condições econômicas variadíssimas, de luta furiosa entre os Estados imperialistas.

Para Lênin não se poderia acalentar a esperança de que a paz entre os povos viesse a imperar na ordem imperialista. "No terreno do capitalismo, - perguntava ele - que outro meio poderia haver, a não ser a guerra, para eliminar a desproporção existente entre o desenvolvimento das forças produtivas e a acumulação de capital, por um lado, e, por outro lado, a partilha das colônias e das 'esferas de influência' do capital financeiro?" (O imperialismo ..., pág. 649).


Imperialismo e Socialismo

1 - A última fase do capitalismo

Lênin dedica os três últimos capítulos de O imperialismo... a retirar conclusões e conseqüências políticas da estrutura econômica do imperialismo. Elas constituem o traço distintivo fundamental de sua obra em relação às demais análises que se produziu sobre o imperialismo. É o que há de mais importante nela.

Todo o raciocínio de Lênin conflui para a idéia de que o imperialismo sendo a fase suprema do capitalismo é, ao mesmo tempo, a última fase do seu desenvolvimento. Tantas e tão profundas são as contradições, as crises e os choques que ela engendra que se preparam objetivamente as condições para sua transformação em seu contrário, uma sociedade de tipo superior. Lênin concebe a etapa imperialista como um "capitalismo de transição ou, mais propriamente, de capitalismo agonizante". Em termos históricos o imperialismo é a véspera da revolução proletária.

Para demonstrar seu ponto de vista é que Lênin analisa em primeiro lugar, no capítulo VIII, as principais tendências e contra-tendências do desenvolvimento econômico do capitalismo em sua fase imperialista. De um lado ele é impulsionado pela "possibilidade de diminuir os gastos de produção e aumentar os lucros, implantando aperfeiçoamentos técnicos ... mas a tendência para a estagnação e para a decomposição, inerente ao monopólio, continua por sua vez a operar e em certos ramos da indústria e em certos países há períodos em que consegue impor-se." (O imperialismo ..., pág. 650).

A tendência para a estagnação derivava do "divórcio completo" entre o setor dos rentiers (especuladores) e a produção. Ele dizia que "o imperialismo é uma enorme acumulação num pequeno número de países de um capital-dinheiro ... que vive da exploração do trabalho de uns quantos países e colônias do ultramar". (O imperialismo ..., pág. 650). Daí é que surge o Estado-rentier, usurário, credor, que é o Estado do capitalismo parasitário e em decomposição contraposto à imensa maioria de países e nações do mundo na situação de oprimidos e devedores.

No capítulo IX Lênin destacou o agravamento das contradições entre monopólios e potências imperialistas. Dizia ele que "sob o capitalismo não se concebe outro fundamento para partilha das esferas de influência, dos interesses, das colônias, etc., além da força de quem participa da divisão, a força econômica geral, financeira, militar, etc. E a força dos que participam na divisão não se modifica de forma idêntica, visto que sob o capitalismo é impossível o desenvolvimento igual das diferentes empresas, trusts, ramos industriais, países ... [por isso] as alianças pacíficas preparam as guerras e por sua vez surgem das guerras, conciliando-se mutuamente, gerando uma sucessão de formas de luta pacífica e não pacífica sobre uma mesma base de vínculos imperialistas e de relações recíprocas entre a economia e a política mundiais" (O imperialismo ..., págs. 664 e 665).

No terreno político Lênin também identificava uma exacerbação extrema das contradições. Dizia ele que: "O imperialismo é a época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político ... intensifica-se também particularmente a opressão nacional e a tendência para as anexações, isto é, para a violação da independência nacional." (O imperialismo ..., pág. 665). Para Lênin isso não impede "o crescimento das tendências democráticas na massa da população, e sim exacerba o antagonismo de tais tendências democráticas e a tendência antidemocrática dos trusts." (Sobre a caricatura do marxismo e o 'economismo imperialista', OC, T30, pág.107).

2 - Nova dimensão da luta pelo socialismo

Para Lênin, toda essa agudização das contradições sob o imperialismo é "a força motriz mais poderosa do período histórico de transição iniciado com a vitória definitiva do capital financeiro mundial." (O imperialismo ..., pág. 668). Essas contradições em plano mundial e de cada país, colocaram a necessidade de se resolver de forma prática a questão do socialismo numa nova relação com os problemas nacional, democrático e social. Significavam a necessidade da elaboração de uma nova estratégia e uma nova tática revolucionária do proletariado.

Assim, a questão nacional é colocada sob um novo prisma sob o imperialismo. Lênin diz que Hilferding "faz notar acertadamente a relação entre o imperialismo e a intensificação da opressão nacional" quando o autor de O capital financeiro diz: "o capital importado intensifica as contradições e provoca contra os intrusos uma crescente resistência dos povos, cuja consciência nacional desperta ... e as referidas nações formulam o objetivo que noutros tempos foi o mais elevado entre as nações européias: a criação de um Estado nacional único como instrumento de liberdade econômica e cultural". (O imperialismo ..., pág. 666). Os movimentos de libertação nacional nos países dependentes, a luta pelo direito à autodeterminação das nações oprimidas passaram a integrar o programa revolucionário do proletariado.

A questão democrática que havia sido colocada na cena histórica pela burguesia ascendente nos séculos XVII, XVIII e XIX, sob o imperialismo do século XX passou também a ser parte integrante da luta do proletariado e seus aliados pelo socialismo. As reivindicações democráticas segundo Lênin deveriam ser apresentadas de maneira revolucionária, orientadas para a revolução social. Ele dizia que os marxistas "sabem que a democracia não suprime a opressão de classe, e sim faz a luta de classes mais pura, mais ampla, mais aberta, mais nítida, que é, precisamente, o que necessitamos." Por isso, acrescentava: "O socialismo é impossível sem a democracia em dois sentidos: (1) o proletariado não pode levar a cabo a revolução socialista se não se prepara para ela através da luta pela democracia; (2) o socialismo triunfante não pode consolidar sua vitória e levar a humanidade à desaparição do Estado sem realizar a democracia completa". (Sobre a caricatura do marxismo e o 'economismo imperialista', OC, T30, págs.133 e 135).

A questão social também é tratada originalmente sob vários aspectos. Em primeiro lugar o desenvolvimento do capitalismo para o imperialismo levou a uma enorme socialização da produção. É o que Lênin descreve detalhadamente no capítulo X de O imperialismo... Ademais, Lênin constatava "a tendência das massas, que são mais oprimidas que antes, que suportam todas as calamidades das guerras imperialistas, tendência a desvencilhar-se desse jugo, a derrubar a burguesia". (O imperialismo e a divisão do socialismo, OC, T30, pág. 182)

Ao enfrentar o problema prático da revolução Lênin dedica grande atenção ao problema político da direção do processo revolucionário. Essa direção estava dividida em duas tendências: a oportunista, da qual Kautsky fazia parte e que passou a dominar na maioria dos partidos operários da II Internacional, e a tendência revolucionária. Para ele, "a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo". (O imperialismo ..., pág. 669). Lênin ocupou-se, em primeiro lugar de explicar a base material do surgimento do oportunismo. Dizia ele que: "O imperialismo ... implica lucros monopolistas elevados para um punhado de países muito ricos, gera a possibilidade econômica de subornar as camadas superiores do proletariado, e alimenta assim o oportunismo, dá-lhe corpo e reforça-o." (O imperialismo ..., pág. 653). Ou ainda: "O imperialismo tem tendência para formar categorias privilegiadas também entre os operários, e para as divorciar das grandes massas do proletariado." (O imperialismo ..., pág. 655).

O grande mérito da análise leninistas do imperialismo é que ela respondeu a tempo os problemas colocados pelo desenvolvimento econômico e social e armou o proletariado russo para a vitória de Outubro de 1917. Em todo o mundo os partidos comunistas incorporaram os ensinamentos de Lênin sobre o imperialismo aos seus programas. Tendo sido escrito há mais de 80 anos, O imperialismo, etapa superior do capitalismo é hoje um instrumento fundamental para a correta compreensão da chamada globalização, é uma arma afiada na luta da classe operária contra o neoliberalismo.


Clique aqui para ler na íntegra o texto "O imperialismo, etapa superior do capitalismo" na seção Biblioteca Marxista do Portal Vermelho.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Os que acordaram agora e o que nunca dormiram

Carta a José Gomes Ferreira

Assunto: "rendas excessivas" em sectores protegidos e entrevistas do ministro da Economia e Emprego Álvaro Santos Pereira e do ex-secretário de Estado da Energia Henrique Gomes

por Agostinho Lopes [*]
Membros do Conselho Geral de Administração da EDP.06MAI13

Caro José Gomes Ferreira

Ao visionar duas entrevistas recentes na SIC Notícias, com o ministro da Economia e Emprego (23ABR13) e com o ex-secretário de Estado da Energia Henrique Gomes (24ABR13) lembrei anteriores declarações suas, entrevistado a 25 de Março, na Edição da Tarde do SIC Notícias, sobre a captura de "rendas excessivas" por determinados sectores económicos, e que na altura, me suscitou a ideia de lhe escrever. Não o fiz então, faço-o agora, no contexto da mesma matéria reavivada pelas referidas entrevistas.

Valorizando o conjunto das denúncias feitas nas entrevistas, pela sua real importância para a generalidade dos portugueses, consumidores domésticos, e para a competitividade das empresas portuguesas, permita-me tecer algumas considerações e fazer alguns possíveis esclarecimentos.

De forma veemente, o JG Ferreira pronuncia-se contra as "rendas excessivas" capturadas por alguns sectores económicos/empresas, ditos produtores de bens e serviços não transacionáveis, e os grupos financeiros portugueses como os principais destinatários finais dessas "rendas". "O último beneficiário é o sector financeiro", diz e bem o JG Ferreira. Mas há afirmações suas que me merecem alguns comentários.

Repara JG Ferreira que o conhecimento de tais "rendas excessivas" se verificou com o Programa da Troika. "A Troika chegou e viu"! Que ninguém fez ou tinha feito nada sobre o assunto. "Tudo isto acontece e o país assiste impávido e sereno". Que a excepção é o ministro Álvaro Santos Pereira, que por isso mesmo "os lóbis querem deitar abaixo". Que em vez da liberalização, o necessário era "tabelar o preço" e dizer-lhes, "vendem abaixo desta tabela". Que há um responsável de uma dessas empresas que diz, como o "consumo está a cair" o "preço tem de subir". E ninguém o contraria"! Para respeitar a "Lei da concorrência" "estamos a prejudicar os consumidores". Nos combustíveis "low cost" "ninguém deixa instalar estas bombas". Etc, etc, etc. (Possíveis erros na transcrição das citações!)

Ora a história destes assuntos, nomeadamente em matéria de electricidade, gás natural e combustíveis, não é bem assim! Talvez não se tenha dado por ele, com a ideia de que o PCP é uma histórica aldeia gaulesa irredutível, mas não tem grande importância! O que é certo é que todas estas questões e problemas foram, ao longo dos últimos anos, muitas e muitas vezes denunciadas pelo PCP. Que não se limitou às denúncias, mas apresentou soluções! Houve de facto muita gente distraída! Mas não foi o PCP. Numa Audição Parlamentar após a sua demissão, o Eng. Henrique Gomes, referiu que aqueles sectores e aquelas empresas têm um enorme poder sobre os órgãos de comunicação social (e não só, digo eu, e dirá, também, certamente o J G Ferreira!)! Daí uma enorme cortina de silêncio, que continua até hoje, e até se adensa…sobre estas questões e o PCP!

Andou muita gente distraída sobre as denúncias e intervenções do PCP sobre o assunto. Para não maçar muito, e sem ir muito atrás, algumas breves lembranças.

No já longínquo ano de 2006, intervindo na Assembleia da República (AR) a 17 de Dezembro, sobre o aumento dos preços de venda de electricidade, referimos os vícios genéticos/estruturais desses preços como resultado da "remuneração da produção vinculada no âmbito dos CAE, o excesso de produção térmica, o preço da electricidade paga na cogeração, o preço da electricidade produzida por via eólica, entre outros". Quantas vezes referimos as consequências da segmentação (o dito, "unbundling" ), numa das reestruturações da EDP, entre a produção e a distribuição, liquidando a perequação de custos que havia ao longo da cadeia de valor do sistema e "inventando" em consequência o "Défice Tarifário" e os custos do acesso à Rede. Ou o caso absolutamente extraordinário, entre as empresas portuguesas, da justificação da ERSE da subida desses custos (acesso às redes), porque havia redução de consumo – não é apenas o empresário, citado por JG Ferreira! (A ERSE, diz o mesmo por exemplo para o abastecimento do GN: "Deste modo, o menor consumo de gás natural perspetivado para o próximo ano gás, face ao considerado nas tarifas atualmente em vigor, resulta num aumento dos custos unitários do acesso" (Comunicado da ERSE de 15JUN12) E tudo isto acontecia, enquanto a EDP, ia somando lucros anuais (desde 2005) superiores a mil milhões de euros! Já posteriormente, quantas vezes denunciamos o escândalo da garantia de potência, oferecida pelos Governos PS aos grandes electroprodutores (66,6 milhões em 2011!)? Ou os escandalosos mais de 24 milhões de euros anuais pagos na factura de electricidade de cada cidadão, de "rendas" das terras das barragens – expropriadas há décadas pelo Salazar a preços de miséria a muitos pequenos agricultores! (De 2010 para 2011 estas rendas passaram de 13,406 para 24,205 milhões, porque uma Portaria (542/2010 de 21 de Julho) passou o indexante de actualização do IPC para uma taxa swap (por onde andava já este bicho!!!) interbancária acrescida de meio ponto percentual!

E sobre os preços dos combustíveis, onde as "rendas excessivas" estão muito mais bem disfarçadas, quantas vezes questionou o PCP sucessivos ministros da Economia e secretários de estado da Energia, e a Autoridade da Concorrência (e até a Comissão Europeia por escrito e o Comissário da Concorrência Almunia oralmente), relativamente a uma questão que o JG Ferreira levanta! O facto dos preços em Portugal antes de impostos, serem mais elevados do que na generalidade dos países da União Europeia, decorrente dos diferenciais adicionados aos índices Platts de Roterdão (referência para Portugal), serem maiores no nosso país! O que ninguém percebe, excepto a AdC, que o justifica pela posição periférica do País!!! Mas como, se os combustíveis consumidos cá, são produzidos, em geral, cá? AdC com uma também extraordinária, concepção do funcionamento do mercado grossista dos combustíveis líquidos… como é verificável num dos seus Relatórios sobre o assunto. Ou porque razão, o País não criou uma efectiva concorrência aos combustíveis líquidos, pelo uso do GN Comprimido (GNC) e GN Liquefeito (GNL), e expansão do uso do GPL, no transporte rodoviário, com o estabelecimento de redes nacionais de abastecimento de GNC e GNL, e alargamento da rede já existente de GPL! (Anote-se: uma recente Comunicação da CE (COM(2013) 17 final) e uma consequente Proposta de Directiva comunitária (COM(2013) 18 final), avançam exactamente nesta direcção! E questionar porque razão sucessivas maiorias PS, PSD e CDS chumbaram (três ou quatro vezes) o projecto de lei do PCP para a criação da rede nacional de GNC! E quantas vezes reclamamos da dita rede combustíveis low cost, de que se fala há anos?

E a pergunta a que nenhum ministro respondeu (nem a AdC, que considerava que nas suas investigações, não tinha que analisar os lucros das empresas, apesar de confrontada com evidentes lucros de monopólio!) porque razão se multiplicaram por 5 os lucros da GALP quando por decisão do Governo PSD/CDS, foram liberalizados a partir de 1 de Janeiro de 2004, os preços dos combustíveis líquidos! De uma média de lucros anuais (depois de impostos) entre 2000/2003 de 138,8 milhões de euros, a GALP teve entre 2004 e 2011, uma média de 667,8 milhões de euros!

Quantas vezes, apresentamos projectos de resolução (PJR), com recomendações aos governos, visando atenuar, reduzir, eliminar essas rendas. Para não o sobrecarregar com informação excessiva, veja, por exemplo, o PJR 449/XII/2ª (Preços de Energia compatíveis com o poder de compra dos portugueses e a produtividade da economia nacional), e os PJR 277/XII/1ª (Preços máximos nos combustíveis, travar a especulação e PJR 343/XII/1ª (Uma estratégia para a promoção de combustíveis alternativos na mobilidade rodoviária) já com o actual Governo e maioria PSD/CDS! (documentos anexados).

E quantas vezes, foram chumbados pelo PS, PSD e CDS, os requerimentos do Grupo Parlamentar do PCP, para que fossem ouvidos os responsáveis da EDP e GALP sobre a origem dos (super)lucros das suas empresas? Muitas vezes! Com o registo, de que alguns colegas jornalistas do JG Ferreira, apodavam tais tentativas do PCP, de esclarecer as "rendas excessivas", como atitudes demagógicas!

Quem tiver dúvidas sobre o que afirmamos, pode retirá-las facilmente, pela leitura da intervenção do PCP sobre a matéria, acessível e disponível na página da net da Assembleia da República. Vantagens das novas tecnologias…

Caro JG Ferreira
Estes problemas são de facto há muito conhecidos e denunciados pelo PCP. Eles têm como raiz principal (mas não única) a privatização de grandes empresas públicas de bens e serviços essenciais, em sectores de bens não transacionáveis (BnT), muitas vezes monopólios públicos, transformando-as em monopólios (se quiser, em oligopólios, com uma empresa dominante) privados. Associando processos de reestruturação, como o referido para a EDP, e a (aparente) liberalização dos respectivos mercados.

Aliás, a predação dos sectores de BnT sobre os sectores de bens transacionáveis (BT) (empresas exportadoras, PME da indústria, agricultura, pescas) até está calculada. No livro "O Nó Cego da Economia", Vitor Bento, aponta um valor equivalente a 15% do PIB entre 1990 e 2010! Questão que várias vezes levantei nos debates travados na AR! É fácil perceber a enorme "fraude" e mistificação, com que tantos, tantas vezes abordam o problema da competitividade da economia portuguesa, sem qualquer referência a esta predação!

E a montagem (desmantelando outras estruturas públicas) de custosas entidades ditas reguladoras, como a prática evidencia não regulam nada… Alguém, já se interrogou (agora que se está novamente a legislar na AR sobre as ditas entidades) porque razão a ERSE não viu, não descobriu, não detectou, ao longo de anos de actividade, os 4 mil milhões de euros de rendas excessivas, que o Estudo externo mandado fazer a pedido da Troika, calculou?!

Mas é evidente, que as ditas entidades reguladoras não se libertam das teias/malhas (teóricas/neoliberais, relações de poder, promiscuidade política) da estrutura monopolista do sector de BnT! Nem os governos. Como muito bem diz o JG Ferreira, "enquanto o governo não disser assim: quem manda no país não são meia dúzia de banqueiros e os presidentes das grandes empresas que estão no PSI 20, na Bolsa, quem manda no país não são eles, isto não muda"! 

E não vai mudar, porque os que estão neste governo, como nos anteriores são os "paus mandados" dos mandantes, a tal "meia dúzia de banqueiros e os presidentes das grandes empresas que estão no PSI 20"!

E o ministro Álvaro, pese a sua farronca, não é melhor que os outros. Faz é um esforço para passar por entre os pingos da chuva… É fácil ver (um dos rapazes da Troika sinalizou-o recentemente), em matéria de rendas excessivas quase tudo continua como dantes, quartel-general em Abrantes! Na energia eléctrica, o corte de 1800 milhões (menos de 50% das rendas excessivas calculadas por entidade externa!) que era para ser feito até 2020, já foi alisado para lá dessa data até 2030, ou seja até 2020 o corte fica em 1 200 milhões. Se quiser um Balanço recente sobre a matéria, é ler o recente estudo de Eugénio Rosa "Rendas (lucros) excessivas da EDP…" de 02MAI13 em www.eugeniorosa.com!

E porque na sua entrevista se falou da nova Lei da Concorrência, uma das ditas reformas estruturais de que se gaba o ministro A Santos Pereira, o JG Ferreira já se questionou, porque razão a dita legislação nada avançou nas matérias "posição dominante colectiva" e "abuso de dependência económica"? De facto o governo PSD/CDS, o ministro Álvaro com a tutela do tema, e a sua maioria na Assembleia da República, e também com a ajuda do PS, concretizaram uma alteração minimalista e insuficiente da legislação, impedindo – pela inviabilização das propostas do PCP – o desenvolvimento legislativo de três questões fundamentais: a introdução do conceito de "posição dominante colectiva" (hoje presente em legislação de outros países europeus), o aperfeiçoamento e tipificação do "abuso de posição dominante" e sobretudo do "abuso de dependência económica", e ainda a introdução do conceito de "dumping" e a sua penalização em termos concorrenciais. Ora eram estes progressos legislativos que poderiam fazer alguma mossa aos monopólios do sector de BnT!!!

É fácil perceber, porque razão António Mexia abriu a garrafa de champanhe, quando o Governo se viu livre de Henrique Gomes! (Poucos meses antes (Dezembro de 2011), em audição parlamentar, tinha eu feito uma profecia ao então secretário de Estado sobre o seu destino, caso levasse até ao fim a sua missão. Não me enganei!) E não é difícil, compreender a situação de promiscuidade EDP/poder político dominante: basta olhar para a fotografia a duas páginas do Conselho de Supervisão da EDP, na revista da EDP nº 25 de fevereiro/março 2012. Só ex-ministros PS, PSD e CDS são seis (com o A Mexia são sete)! Só representantes visíveis da Banca e Grupos do PSI 20 (BCP, BES, Liberbank, J. Mello, Colep/BIG, CIMPOR, CIN) são outros tantos! Todos, naturalmente, fanáticos da austeridade e dos baixos salários (dos outros)! Acredite, JG Ferreira, a fotografia ampliada, dava um excelente cenário/pano de fundo para um debate nos Negócios da Semana, sobre energia eléctrica…

Pedindo-lhe compreensão para a extensão da missiva,
Com os meus melhores cumprimentos,
[*] Agostinho Lopes, responsável pela Comissão de Assuntos Económicos junto do CC do PCP e ex-Deputado na AR
Membros do Conselho Geral de Administração da EDP.


O original encontra-se em foicebook.blogspot.pt/2013/07/uma-carta-que-diz-muito.html 

Esta carta encontra-se em http://resistir.info/ .

O socialismo 

utópico

Visões de uma sociedade melhor tem sido uma preocupação de pensadores desde os tempos antigos,
 e uma parte da crítica das condições existentes. As especulações dos primeiros utopistas do século 19
são uma importante contribuição para o marxismo. Fourier e Owen em particular foram muito admirado
 por Marx e Engels.


Thomas More (1478-1535) 
Thomas More escreveu Utopia em 1515, a expectativa de um mundo de liberdade individual e igualdade regido pela razão, num momento em que tal visão era quase inconcebível. 
biografia ] James Harrington (1611-1677) comum -Riqueza das Oceana foi baseada em universal de propriedade da terra e era uma república militante dedicado a espalhar seu sistema democrático para o resto do mundo. Cromwell proibiu. [ biografia ] Morelly (17 -17??) Pouco se sabe sobre Morelly; Código de Natureza foi uma tentativa de fornecer uma justificativa filosófica sistemática de suas idéias comunistas. [ biografia ] Saint-Simon (1760-1825 ) socialista utópico francês, que participou da Guerra da Independência dos Estados Unidos;. oposição deísmo e promoveu o estudo da Natureza [ biografia ]


Charles Fourier * (1772-1837)
socialista utópico francês que criticava a sociedade burguesa estabelecido pela Revolução Francesa.Ele promoveu o papel do ambiente e da educação na moldagem da personalidade.
biografia ] Robert Owen (1771-1851) industrial Welsh e reformador social;. formaram uma comunidade modelo industrial em New Lanark, na Escócia, e foi pioneira sociedades cooperativas [biografia ] Étienne Cabet ( 1788-1856) Seus seguidores, conhecidos como os icarianos, comunidades utópicas malfadadas estabelecidos em Illinois, Missouri, Iowa e Califórnia. [ biografia ] ---- Edward Bellamy (1850-1898) autor norte-americano, famoso por seu romance utópico definido no ano de 2000, Looking Backward , publicado em 1888. [ Biografia ] 


















segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Que sucede no Egipto?

Partido Comunista de Egipto: Hermanos Musulmanes es una organización fascista


Salah-Adli-PC-EgiptoEntrevista a Salah Adli del Partido Comunista de Egipto sobre la situación del país
ENTREVISTA CON EL CAMARADA SALAH ADLI, SECRETARIO GENERAL DEL PARTIDO COMUNISTA EGIPCIO, POR NAMEH MARDOM, ÓRGANO DE PRENSA DEL COMITÉ CENTRAL DEL PARTIDO COMUNISTA (TUDEH) DE IRÁN. 10 de julio de 2013
Salah Adly: Quisiera en primer lugar expresar mi saludo al Partido Tudeh de Irán y desearle éxito en su lucha. También me gustaría agradecer al periódico Nameh Mardom por la oportunidad de aclarar los grandes acontecimientos históricos que están teniendo lugar en Egipto.
Nameh Mardom: En las recientes declaraciones del Partido Comunista de Egipto (el 03 de julio), Uds. se refirieron al hecho de que el movimiento de protestas de masas incluye a diversos estratos y clases. ¿Cómo se han movilizado esas clases y capas de la sociedad egipcia en la segunda ola de la Revolución del 30 de junio?
SA: Desde el estallido de la revolución de 25 de enero de 2011, los movimientos de protesta no han disminuido, y las demostraciones de millones de personas no se han detenido, es decir, el estado revolucionario de las masas se ha mantenido allí, perdiendo fuerza a veces y estallando en otras ocasiones. Las protestas y huelgas de los trabajadores también se intensificaron. Tras el éxito de Morsi y los Hermanos Musulmanes en tomar el poder, las masas descubrieron su naturaleza autoritaria, su carácter fascista, su favoritismo por los intereses de los sectores más reaccionarios y parásitos del capitalismo, y su incapacidad para dirigir un estado del tamaño de Egipto. Además, su traición a los intereses de la patria y su disposición para actuar como el principal agente para mantener los intereses de los EE.UU. e Israel en la región quedaron en evidencia. Negociaron la tregua en Gaza y le dieron a Estados Unidos e Israel lo que ni siquiera el régimen títere de Mubarak les había dado. Su proyecto oscurantista y sectario, que es hostil a la democracia, la ciencia, la cultura y la tolerancia, se hizo muy evidente. Más importante aún, las masas descubrieron la falsedad de su uso de consignas religiosas para disfrazar sus planes en servicio al proyecto imperialista del Gran Medio Oriente Medio y el “caos creativo”.
Por lo tanto, el número de protestas sociales (huelgas, sentadas, concentraciones y piquetes de protesta) llegó a 7400 -según admite el propio Mohamed Morsi- durante el pasado año. La tasa de desempleo alcanzó el 32%, la mayoría de los desempleados con niveles altos y medios de capacitación profesional. La deuda externa pasó de 34 a 45 mil millones de dólares. La deuda interna se incrementó en 365 mil millones de libras egipcias durante el reinado de Morsi de un año. La proporción de personas que viven por debajo del umbral de pobreza aumentó a más del 50% de la población. En resumen, la mayoría de las capas y clases de la sociedad y sus fuerzas políticas liberales, nacionalistas y de izquierda, así como movimientos de jóvenes, en su mayoría de orientación de izquierda y nacionalista, más las principales instituciones del Estado, especialmente el ejército, el poder judicial, los medios de comunicación y la policía, sintieron que hay un grave peligro como consecuencia de la permanencia en el poder de los Hermanos Musulmanes, debido a su intenso esfuerzo por monopolizar el poder y excluir a todo el que no esté con ellos, además de sus aliados entre los grupos terroristas que usan la religión como una cubierta.
Incluso amplios sectores de la burguesía egipcia media y grande en los sectores del turismo, la industria, el comercio, la agricultura y la construcción se sintieron muy asustados por sus intereses, como resultado de la continuación del gobierno de los Hermanos Musulmanes, que fue creando una atmósfera de caos, inseguridad e inestabilidad.
El Movimiento “Tamarud” (Rebelión) logró recolectar más de 22 millones de firmas para la retirada de la confianza en Morsi y en apoyo de la convocatoria a elecciones presidenciales adelantadas. Todos los partidos, sindicatos y organizaciones participaron en la recolección de firmas, y la campaña se extendió en las calles, ciudades, en las fábricas, escuelas y universidades, y en aldeas en todas las provincias de Egipto. La gran importancia de esta campaña es que fue capaz de involucrar activamente a los ciudadanos egipcios en el movimiento revolucionario para derrocar el gobierno de la Hermandad Musulmana. También restauró el carácter pacífico y democrático de la acción revolucionaria, y formó la base para la des-sacralizar la falsa legitimidad de las urnas electorales como el único criterio de legitimidad en el sistema democrático. La convocatoria para la recolección de firmas fue acompañada por llamados a demostraciones en todas las plazas principales de Egipto el 30 de junio como muestra de la credibilidad de esta campaña y base fundamental de la legitimidad revolucionaria de las masas para derrocar a este régimen fascista y vencer su proyecto de estado religioso.
La respuesta de las masas populares egipcias fue grande, y se lograron las mayores concentraciones de la historia de Egipto, e incluso en la historia del mundo. Esto fue constatado por el índice de “Google Earth”. Más de 27 millones de personas protestaron simultáneamente en todas las provincias de Egipto, en representación de diversas clases y capas de la sociedad egipcia, frente a las concentraciones de la Hermandad Musulmana y sus aliados que no excedieron de 200 mil manifestantes en una pequeña plaza in Cairo. Por lo tanto, el pueblo egipcio estaba de un lado y los Hermanos Musulmanes se quedaron con sus aliados del otro lado, aislados. Esta es la realidad sobre la que debe basarse cualquier evaluación de la situación o cualquier análisis político.
Creemos que lo que pasó el 30 de junio es una segunda ola de la revolución egipcia más fuerte y más profunda que la primera ola de 2011. Se ha llevado a cabo para corregir la trayectoria de la revolución y quitársela a la extrema derecha religiosa que ha conspirado para robarse la revolución y “cabalgar sobre su ola” para servir a sus objetivos fascistas y reaccionarios y los planes del imperialismo mundial.
NM: ¿Cuál es el nivel de participación de la clase obrera y los trabajadores en estas protestas? ¿Por qué los trabajadores participan en la batalla contra el “Islam político” y por los derechos democráticos?
SA: Las consignas básicas de la revolución de enero fueron: pan – libertad – justicia social – dignidad humana. Es un eslabón esencial de la revolución democrática nacional y vino luego de una larga etapa histórica que se había iniciado a mediados de los años setenta del siglo pasado, con el dominio del gran capitalismo dependiente y un ciclo completo de regresión, atraso y tiranía. Durante ese período, las fuerzas reaccionarias, en alianza con el imperialismo mundial y la reacción árabe, lograron fortalecer un clima que permitió que la corriente del Islam político – en especial los Hermanos Musulmanes – se extendieran y crecieran. Las fuerzas de la izquierda se debilitaron, los trabajadores fueron desplazados y las grandes industrias fueron liquidadas  lo que asestó un golpe a cualquier posibilidad de lograr un desarrollo integral.
De hecho, los trabajadores han participado en la mayor parte de las protestas que se han intensificado desde 2006 y participan en todas las manifestaciones populares como parte del pueblo y no como clase organizada. Esto se debe a la ausencia de organizaciones sindicales fuertes y federaciones, a causa de la larga herencia de una tiranía y la represión del gobierno para controlar las federaciones y sindicatos. También se debe a los grandes cambios que tuvieron lugar durante el período pasado en la correlación de clases y la naturaleza de la composición de la clase obrera en los distintos sectores. En las pequeñas y medianas industrias controladas por el sector privado a los trabajadores se les impidió la formación de sindicatos. La clase obrera no surgió de un modo claro como clase en la revolución. Como resultado de la falta de unidad efectiva entre las fuerzas de la izquierda y su debilidad en la etapa anterior, por muchas razones que no hay espacio aquí para mencionar, el movimiento obrero no actuó de una manera eficaz e influyente en consonancia con el tamaño de su participación y sus grandes sacrificios en la revolución.
Es importante aclarar que los trabajadores del sector público han descubierto que las prácticas y actitudes de los Hermanos Musulmanes no se diferencian de las orientaciones del régimen de Mubarak, incluso eran peores. La Hermandad Musulmana puso en práctica las mismas políticas sobre la continuación del programa de privatización y de la liberalización de precios, y no aumentó el salario mínimo a pesar de que fue uno de los primeros reclamos de la revolución. Incluso se redujeron los impuestos a los empresarios, continuaron con la privatización de los servicios y se negaron a aplicar el programa de seguro de salud. Insistieron en la venta e hipoteca de los activos de Egipto y sus instituciones a través del proyecto de “bonos islámicos”, que se apresuraron a aprobar en el Consejo de la Shura (la cámara alta del parlamento) controlado por la Hermandad Musulmana. Lo más peligroso fue su negativa a aprobar la ley para garantizar la libertad de formar sindicatos, que habían acordado con todas las fuerzas políticas y las corrientes sindicales antes de la revolución, y reemplazaron con sus propios hombres a la gente de Mubarak que había quedado al frente de la Unión General de Trabajadores Egipcios controlada por el gobierno. Esta es la base social y democrática por la que la clase obrera se inclinó a favor de la revolución contra el dominio de los Hermanos Musulmanes y las fuerzas del Islam político, además de las otras razones que hemos mencionado antes.
Cualquiera que se imagine que los trabajadores sólo se rebelan por cuestiones partidistas o razones económicas se equivoca. Los trabajadores están muy conscientes de los peligros del proyecto de la derecha extremista religiosa y sus prácticas de derecha y fascistas en los campos democrático, político, económico, social y nacional.
NM: En sus declaraciones, el PC de Egipto caracteriza a los actuales acontecimientos como una revolución. ¿Cuáles son la naturaleza, las tareas y necesidades urgentes de esta revolución?
SA: Sí, lo que está sucediendo ahora es una revolución. Para ser precisos, es la segunda gran ola de la revolución de enero 2011, ya que su primera ola fue abortada debido a que fue robada por la Hermandad Musulmana pese a que esa organización no participó en prepararla, convocarla ni hacerla. Es una revolución democrática con una orientación social y patriótica clara. Está en desarrollo, y amplias capas sociales y diversas fuerzas políticas (liberales, nacionalistas y de izquierda) participan en ella. Con la continuación de la marea revolucionaria, la verdad acerca de las distintas posiciones se ha vuelto más clara, y las orientaciones de cada una de estas fuerzas y su voluntad de continuar por el camino de la revolución se están revelando.
Las primeras tareas democráticas de la revolución son promulgar una nueva constitución civil y democrática que haga hincapié en los derechos humanos, los derechos de la mujer y los derechos sociales y económicos para las clases trabajadoras, y que no niegue el derecho del pueblo a elegir su sistema político y económico en el futuro de acuerdo con la correlación de fuerzas. Por lo tanto, la tarea de derrocar la actual constitución sectaria, reaccionaria y distorsionada (impuesta por la Hermandad Musulmana), y no sólo modificarla o enmendarla, es una tarea fundamental para las fuerzas democráticas y progresistas en el momento actual.
Una de las tareas de la revolución democrática es también la libertad para formar sindicatos, partidos políticos y asociaciones sin intervención del gobierno; el rechazo a la formación de partidos políticos de base religiosa y sectaria; la igualdad plena entre hombres y mujeres en términos de derechos y deberes; y la igualdad ante la ley y la criminalización de todas las formas de discriminación religiosa o de otro tipo.
Entre las tareas sociales está formular un plan para el desarrollo social independiente e integral, sobre la base del fomento de los sectores productivos, con la necesidad de una distribución equitativa de la riqueza y los productos del desarrollo en beneficio de los pobres y los explotados, y la satisfacción de las necesidades sociales urgentes. Prioridades supremas entre estas demandas son: establecer mínimos y máximos salariales, y su vinculación a los precios; la cancelación de las deudas de los pequeños campesinos; la redistribución de las partidas presupuestarias para incrementar el gasto en salud y educación; la provisión de viviendas para personas de bajos ingresos; aumentar los impuestos a los ricos; recuperar la posesión de las empresas del sector público que fueron saqueadas; y la lucha contra la corrupción.
Las tareas nacionales son: oponerse a la dependencia de los Estados Unidos; negarse a sucumbir a la hegemonía sionista; enmendar el acuerdo de Camp David; restaurar el papel nacional de Egipto en los niveles árabe, africano, regional e internacional; y profundizar la relación con los pueblos y países del Tercer Mundo.
Nameh Mardom: ¿Los acontecimientos actuales en Egipto significan un rechazo del “Islam político” o sólo el rechazo de la Hermandad Musulmana por el pueblo egipcio?
Salah Adly: Los Hermanos Musulmanes son la organización más eficaz e influyente entre las fuerzas del Islam político. El resto de organizaciones, como los grupos salafistas y yihadistas, fueron aliados de la Hermandad Musulmana y salieron con ellos en su última batalla a defender su régimen, porque saben que su derrota significaría una derrota importante para el proyecto islamista sectario que es apoyado por el gobierno de EE.UU. como una alternativa a los regímenes autoritarios que se derrumban. Sólo el partido salafista al-Nour fue excluido de esa alianza en la última batalla por motivos relacionados con su asociación con Arabia Saudita, aunque estamos conscientes de que es también un partido reaccionario y sectario hostil a los derechos humanos y los derechos de las mujeres y las minorías, incluidas las otras sectas islámicas. Esto se hizo evidente en su incitación al asesinato de chiítas cuyos cuerpos fueron arrastrados por las calles en la masacre horrible que tuvo lugar en un pueblo el mes pasado.
Creemos que la batalla no ha terminado y es necesario que haya una lucha cultural, política, y social para aplastar su resistencia y cambiar el clima general que ha dominado por décadas.
Pero nos gustaría llamar la atención sobre el hecho de que lo que está sucediendo en Egipto ya no es sólo una confrontación entre los Hermanos Musulmanes y sus aliados de la derecha religiosa, contra las instituciones de seguridad del Estado. De hecho, ahora están enfrentando al pueblo egipcio de todas las sectas y corrientes, así como a todas las instituciones del Estado, incluido el poder judicial, los medios de comunicación y la cultura. En los barrios y pueblos, los Hermanos Musulmanes se enfrentan ahora a las masas del pueblo egipcio, ya que sin duda han perdido el apoyo de amplios sectores de la población durante los últimos dos años. Sin embargo, el ejército y las fuerzas de seguridad tendrán un papel importante en el enfrentamiento contra sus milicias terroristas armadas.
En resumen, vemos que lo que ha ocurrido es una gran derrota para el proyecto de la derecha religiosa en general, y no sólo para el proyecto de los Hermanos Musulmanes. Esto tendrá importantes repercusiones en la región en el próximo período.
NM: ¿Cuál es su opinión sobre los argumentos que afirman que la destitución de Morsi es antidemocrática porque él había sido fue elegido legalmente de acuerdo con la nueva Constitución que fue ratificada en referéndum? ¿Fue Morsi derrocado por el ejército egipcio?
SA: Los que han derrocado a Morsi son los más de 22 millones de ciudadanos del pueblo egipcio que firmaron un documento con sus nombres, números de identificación [cédula de identidad] y nombre de su provincia, escrito en persona y a mano, en lugar de en Internet, en un referéndum sin precedentes que culminó en la “gran movilización” en las principales plazas por más de 27 millones de manifestantes el 30 de junio, que se mantuvo por cuatro días consecutivos. Fue Morsi quien derrocó la legitimidad cuando emitió su declaración constitucional dictatorial en noviembre de 2011. Fue Morsi quien devastó los derechos humanos cuando sus partidarios terroristas sitiaron el Tribunal Constitucional, cuando sus milicias torturaron a manifestantes delante del Palacio al-Ittihadyah [el palacio presidencial], como se demostró en las investigaciones llevadas a cabo por la Fiscalía Pública, y cuando sus hombres mataron a manifestantes frente a la sede del Partido Libertad y Justicia (brazo político de los Hermanos Musulmanes), de conformidad con las órdenes explícitas del líder del grupo y su adjunto, como los asesinos confesaron ante el fiscal. Fue Morsi quien renegó de las promesas que había anunciado el día en que consiguió enmendar la Constitución y formar un gobierno de coalición. Él y su grupo insistieron en someter el país a las condiciones del Fondo Monetario Internacional, y también declararon la Jihad contra Siria en una conferencia de las fuerzas yihadistas terroristas sin consultar al ejército y el Consejo de Defensa Nacional.
Por lo tanto, todos los partidos políticos y fuerzas, y hasta el partido salafista al-Nour, que abandonó la nave de Morsi antes de que se hundiera, han apoyado el llamado a elecciones presidenciales anticipadas. Este llamado no es un golpe de estado contra la democracia, sino que emana del corazón de la democracia popular cuando cualquier presidente traiciona sus promesas al pueblo y su programa sobre la base del cual había sido elegido.
Limitar la causa de la democracia sólo a la “urna electoral” es una traición total de la esencia de la democracia, y una negación explícita del derecho de los pueblos a rebelarse contra sus gobernantes autocráticos y los regímenes fascistas que utilizan la religión para ocultar su naturaleza reaccionaria y su orientación capitalista de derecha.
La defensa de Morsi por los Estados Unidos y los estados capitalistas occidentales y se presentación de la situación como un “golpe militar” contra la “legitimidad constitucional” es una posición formal que esconde el hecho de que el imperialismo mundial está aterrorizado por las revoluciones de los pueblos y su capacidad de transcender los estrechos límites de la burguesía democrática, que representa, en esencia, la forma óptima para satisfacer los intereses de los grandes empresarios y los monopolios y sus agentes locales, en el control del destino de los pueblos de los países del Tercer Mundo.
Lo que ha sucedido no es un golpe de Estado militar de ninguna manera, sino un golpe revolucionario por el pueblo egipcio para deshacerse de este régimen fascista. Lo que el ejército hizo es llevar a cabo la voluntad del pueblo y protegerlo de los planes de la Hermandad Musulmana y sus aliados terroristas armados que quieren encender la lucha sectaria y las guerras civiles, dividir al ejército egipcio y destruir las instituciones del Estado egipcio para servir a los intereses del imperialismo y el sionismo en la región.
¿Qué clase de golpe de estado es este en que decenas de millones de personas están en la calle apoyándolo? ¿Qué clase de golpe de estado es cuando el jefe de la Corte Constitucional ya ha asumido el poder, como había sido exigido por el Frente de Salvación, que incluye a todas las fuerzas de la oposición con sus diferentes orientaciones y el movimiento juvenil “Tamarud” (Rebelión), y ha recibido el apoyo de las masas del pueblo egipcio? ¿Qué clase de golpe de Estado es cuando ya se ha formado un gobierno integrado por civiles calificados nacionales, y que tiene plenos poderes durante un período transitorio no superior a un año que terminará con la promulgación de una constitución civil democrática y las elecciones presidenciales y parlamentarias que todo el mundo desea? ¿Qué clase de golpe de estado es que permite el derecho a la protesta pacífica, incluso por parte de sus oponentes, y no impone un estado de emergencia? La declaración de Al-Sisi, el comandante del ejército egipcio, en que expuso la hoja de ruta para la fase de transición, sólo fue anunciada tras un diálogo que logró el consenso con los representantes del pueblo egipcio, entre ellos los jóvenes de “Tamarud” (Rebelión), el representante del Frente de Salvación, el jeque de al-Azhar, el Papa copto y una representante de las mujeres. Los egipcios han celebrado en las plazas principales, barrios y pueblos esta gran victoria para el pueblo egipcio y la conformidad del ejército nacional con ella.
Debemos, como lo enseña el marxismo, proceder a partir de la realidad concreta y no limitar nuestra visión con ideas rígidas predeterminadas y fórmulas preparadas. ¿No es notable que los medios de comunicación occidentales hacen la vista gorda ante todo esto, se niegan a ver la realidad e insisten en que lo que está ocurriendo es un golpe militar?
Sin embargo, estamos conscientes de la necesidad de estar alerta y prestar atención durante la próxima fase para garantizar que el papel de los militares en esta etapa se limite a la protección de las personas y la seguridad nacional de Egipto, y cumpla con sus promesas de no interferir directamente en los asuntos políticos. Para ello se necesita que el pueblo permanezca en las plazas para garantizar el cumplimiento de sus demandas en la fase de transición.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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