terça-feira, 15 de abril de 2014

Vasco Gonçalves

Documentos

1
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________
Publicado em 2014/04/09, em: http://www.odiario.info/?p=3239&print=1
Colocado em linha em: 2014/04/14

Vasco Gonçalves

O mais insigne capitão de Abril e timoneiro da revolução
M. Duran Clemente *

A acção do MFA, sendo o resultado duma experiência de organização e unidade de jovens
capitães que emerge, se consolida e se organiza, é com as armas nas mãos do povo-soldado
que faz o 25 de Abril e no seu desenvolvimento cresce a aliança Povo-MFA. A partir dessa
alvorada luminosa, do “Renascer da Esperança”, Vasco Gonçalves, na missão que lhe é
incumbida, é quem melhor interioriza o Programa do MFA.
Falar de Vasco Gonçalves, em sua memória e na dos 40 anos de tomada de posse como o
timoneiro da Revolução, é sermos fiéis à justiça e ao reconhecimento. É falar de Vasco
Gonçalves, da sua acção como militar e político revolucionário, seja como coronel - um
dos mais experientes e cultos dos oficiais conspiradores, entre capitães do MFA, a partir
de 5 de Dezembro de 1973 -, seja como primeiro chefe da 5.ª Divisão do EMGFA, seja
como primeiro-ministro dos 2.º,3.º,4.º e 5.º Governos Provisórios, seja como um dos
mais puros “capitães de Abril” caluniado e vilipendiado. É reflectir também sobre uma
vertente do MFA, dos militares que sempre com ele estiveram (com subida honra
apelidados de gonçalvistas) e sobre as iniciativas e organizações criadas sob o seu
impulso, e que mais não fizeram que, ao dar-lhe apoio, apoiarem o Povo, apoiarem a
Revolução.
Comecemos por citar uma expressão de Vasco Gonçalves: “…o MFA não era um
movimento revolucionário: tinha revolucionários nas suas fileiras mas isso não fazia
dele um movimento com essas características…”. Dentro do MFA havia militares com
várias tendências e diferentes graus de politização. Não era um corpo homogéneo e
muito menos de homogeneidade revolucionária. “Os aspectos mais progressistas da
actuação do MFA são motivados pelo levantamento popular num sentido
revolucionário” são palavras do próprio Vasco. Foi o pulsar do Povo (dos Povos) e a
força da sua razão e o exemplo dado na luta pela liberdade (em Portugal e nas colónias)
contra a opressão que nos conduziram à acção de revolta.
2
É, ainda e sempre, falar da intervenção de Vasco, também na colaboração do texto final,
do próprio Programa do MFA, como na sua interpretação prática. Vasco Gonçalves sabe
que havia militares que faziam do Programa do MFA uma leitura estática, respeitando
apenas o texto. Mas Vasco também sabe que outros entendiam o Programa como um
projecto suficientemente aberto à evolução da própria realidade. Para ele, e para o MFA
revolucionário, novas dinâmicas surgiram, que parecendo não estar previstas à partida,
impuseram uma interpretação “não apenas literal” do Programa do MFA. Porque nele
estão expressas as acções programáticas essenciais e que constituem emanação profunda
das gentes sacrificadas deste país, dum Portugal oprimido e isolado durante 48 anos,
exigindo: “uma nova política económica”, “uma estratégia antimonopolista”, e “uma
outra política social” tudo “na defesa dos interesses das classes trabalhadoras e no
aumento progressivo mas acelerado da qualidade da vida de todos os portugueses”.
O programa do MFA é emanação da vontade dum povo e dum povo inteiro, daquém e de
além-mar, onde, numa “Guerra da Libertação” (dita do Ultramar, mas colonial) os
capitães de Abril, durante longos treze anos, beberam ensinamentos: com os
combatentes, dum lado e doutro, com as contradições do fascismo e do colonialismo mas
também com as lições dos ventos da época e de quantos, resistentes e militantes, durante
meio século lutaram e morreram, pelo fim da noite escura duma das mais longas
ditaduras europeias. A acção do MFA, (com muito poucos oficiais superiores, tal como
Vasco Gonçalves, este já antifascista conspirador, ainda como capitão, no Golpe da Sé
em Março de 1959) sendo o resultado duma experiência de organização e unidade de
jovens capitães que emerge, se consolida e se organiza, é com as armas nas mãos do
povo-soldado que faz o 25 de Abril e no seu desenvolvimento cresce a aliança Povo-MFA.
A partir dessa alvorada luminosa, do “Renascer da Esperança”, Vasco Gonçalves, na
missão que lhe é incumbida, é quem melhor interioriza o Programa do MFA, como
bússola que traça um rumo e lhe dá mais força para a liderança das “Conquistas da
Revolução”, em nome do seu povo, e que a Constituição de 1976, contra ventos e marés,
acabará por consagrar.
A partir do momento em que o MFA dá ao seu programa o único significado que ele
podia ter, e emana uma ordem de missão, para acabar de vez com os resquícios fascistas
e construir uma democracia do Povo e para o Povo, vê-se a braços, e de que maneira,
com os inimigos desta dinâmica. E o grave é que isso aconteça dentro do próprio MFA,
particularmente após a queda de Spínola e do falhanço das forças conservadoras,
militares e civis, que o acolitaram.
Os “Capitães de Abril” e a seus representantes - a Comissão Coordenadora do MFA -
foram ainda firmes e coesos, quer no “golpe Palma Carlos”, em Julho, quer mais tarde
no “golpe da maioria silenciosa”, em 28 de Setembro. Resistindo aos ímpetos dum
projecto pessoal e de ganância de Poder, o MFA não só afasta e recusa os propósitos do
General Spínola, como escolhe Vasco Gonçalves para a responsabilidade de chefiar o
segundo e o terceiro Governos Provisórios, respectivamente a 18 de Julho e a 1 de
Outubro de 1974. Em ambas as tomadas de posse Vasco Gonçalves reitera a decisão
inabalável de cumprir escrupulosamente o Programa do Movimento e em entrevista,
3
horas depois desse acto, é absolutamente claro ao afirmar: “A unidade entre o Povo e o
MFA constitui condição fundamental do nosso progresso”.
Sabíamos de que Povo o General falava mas é pertinente questionarmo-nos: - e que se
passava no seio do MFA? Interrogamo-nos em várias questões. Do MFA que não tinha
falhado nas medidas e conquistas político-sociais, impulsionadas pelos governos de
Vasco? Do MFA que fora imperturbável no processo, complexo e difícil, do início da
descolonização, mesmo, e ainda, com Spínola? Não estavam com o pensamento de
Vasco, alguns membros do MFA, que nunca entenderam que a descolonização não era
uma dádiva mas sim uma conquista da Liberdade. Conquista marcada pela coragem dos
Movimentos de Libertação e dos militares conscientes que queriam a Paz, que se
recusaram a mais guerra e negaram os ímpetos do imperialismo.
O MFA, apesar das acções do órgão político-militar criado pelo MFA - a 5.ªDivisão do
EMGFA - de quem Vasco Gonçalves foi o primeiro chefe, das suas acções da
Dinamização Cultural, das suas mais diversas e criativas formas de esclarecimento
público, começava agora, para os revolucionários, a dar os primeiros sinais de
vulnerabilidade, tal como dizia Vasco: “…da incapacidade de o MFA revolucionário
estender a sua influência a todas as Forças Armadas, do demissionismo, quantas vezes
deliberado, de oficiais não afectos ao MFA, das dúvidas e receios de militares menos
esclarecidos politicamente, cuja formação conservadora e tradicionalista os
perturbava e tornava incompreensível o processo revolucionário e tendo neste aspecto
um papel muito negativo as actividades provocatórias esquerdistas.” E não
esquecendo, num xadrez mais alargado, a interacção/influência daquilo que o fascismo
deixara implantado nas nossas terras, do caciquismo e do clero conservador e
preconceituoso, do índice de analfabetismo que rondava os 33 % da população!
Vasco Gonçalves e o MFA, com o imperativo de salvar a economia, para salvar a
revolução, enfrentam os disfarçados ataques do “capital” (quer nacional quer
imperialista) que, sentindo-se a perder terreno, foram exímios na concretização dos mais
ousados esquemas de destabilização e de quebra da unidade revolucionária.
Na evolução dos acontecimentos o núcleo duro do MFA (a sua Coordenadora
comandada por Melo Antunes) deixa-se descompensar e perde em firmeza e coerência,
aquilo que lhe oferecem em debilidade e inconsequência, na aspiração duma “velha
aparente estabilidade de ordem externa” que jamais disfarçará uma “profunda
desordem interna e mal-estar social”, absolutamente em contraste com um novo
Portugal que se queria como sociedade mais justa e equilibrada. Esta trágica dinâmica,
anti-revolução e anti-Vasco Gonçalves, infelizmente atravessou quatro décadas e chegou
aos dias de hoje.
Bem se esforçou Vasco Gonçalves, e se esforçaram os revolucionários militares e civis,
para porem fim aos ataques á genuína “essência dos capitães de Abril” e ao
cumprimento do seu programa. Vasco sabia bem e afirmava-o muitas vezes “não perder
nos gabinetes e/ou pela mão dos militares conservadores o que já se conquistara no
4
terreno”. Reforça-se, assim, a necessidade e a vontade da institucionalização do MFA.
Nascem as Assembleias do MFA (AMFA) suscitadas pela positiva experiência da sua
criação no processo de descolonização da Guiné-Bissau. Abre-se ainda mais o caminho
para a referida institucionalização.
Iniciam-se as conversações com os partidos para lhes comunicar o desejo da
institucionalização e criar um “modus vivendi” com eles que fosse fiel às conquistas da
revolução já alcançadas. O Pacto MFA-Partidos.
Vasco, a Dinamização Cultural e acção da Quinta Divisão empenham-se, ainda mais, em
garantir a continuidade e desenvolvimento do processo revolucionário. Através do
Boletim quinzenal do MFA, dirigido pela “Coordenadora” do MFA e corpo redactorial da
5.ª Divisão, Vasco apela, como primeiro-ministro, à edição dum artigo de fundo, sob o
título “O MFA: do Politico ao Económico” em Novembro de 74. Sugere um apelo para a
urgência de se tomarem medidas de carácter económico, lançar as bases para um
efectivo controlo da actividade básica pelo Estado e da luta contra a sabotagem ainda
vigente, criando condições que permitam melhorias da qualidade de vida dos
portugueses e promovam o desmantelamento da base económica do fascismo.
Contrariar a indiferença dos latifundiários às solicitações, do Governo e do MFA, para a
realização de projectos de aproveitamento económico das terras.
Com a tentativa golpista do 11 de Março, despoletada novamente por Spínola e as suas
hostes desesperadas, para fazer gorar a institucionalização do MFA, estes tudo
precipitam. Opera-se a institucionalização do MFA, criando-se o Conselho da Revolução
(CR) dois dias depois. No patamar económico-social são apontadas a necessidade de se
tomarem as medidas mais revolucionárias: Planeamento, Nacionalizações e Reforma
Agrária. Estas foram das primeiras medidas do neófito CR. Foram dados poderes a
Vasco Gonçalves para formar a 4ª Governo Provisório que inicia suas funções a partir de
27 de Março. A reestruturação da banca nacionalizada, o controlo das empresas privadas
pelo Estado, a criação do sistema de Planeamento, o prosseguimento da nacionalização
dos sectores básicos e a reforma agrária, são as principais bases da agenda e programa
deste governo.
Avança-se para eleições da “constituinte” e para o pacto: MFA-Partidos. Já referimos
anteriormente o alcance deste Pacto “não perder prematuramente as conquistas
alcançadas e tentar incluí-las na Constituição de 1976”. Embora houvesse consenso no
MFA veio-se a confirmar que quem punha reservas às medidas revolucionárias mais
tarde se constituiria no chamado “grupo dos nove”. Mas aos partidos de direita e
incluindo o PS não interessaria divulgar tais reservas antes das eleições. Houve aqui um
tacticismo eleitoralista. Após as eleições, com a vitória do Partido Socialista (PS) logo
seguido pelo PPD, estes partidos procuraram atacar desabridamente Vasco Gonçalves e
acabar com o processo revolucionário, agravando as condições que eram naturais entre
os dois processos. Tudo serviu de pretexto. O processo revolucionário foi travado mas
não completamente derrotado: as conquistas alcançadas durante o período mais criativo
da revolução foram, efectivamente, todas consagradas na Constituição de 1976.
5
A partir das eleições de 25 de Abril de 1975, o PS inicia acções e um comportamento
nada conducente com o seu ideário socialista e promessas eleitorais, fomenta divisões
entre sindicatos e trabalhadores e salienta-se como um dos principais aliados das forças
contra-revolucionárias. O capital e os inimigos da revolução (sobretudo os que perderam
privilégios) montam centrais de intriga, de intoxicação e de inquietação junto das
populações. Faz-se crer que Vasco Gonçalves e o Partido Comunista (PCP) “são uma e a
mesma coisa” e que pretendem controlar tudo. O anticomunismo primário sai à rua.
Alarmam-se pessoas, sobretudo as menos esclarecidas com fantasmas e preconceitos.
Vasco Gonçalves chega a ter reuniões com Mário Soares e Álvaro Cunhal, mas sem
sucesso. Procura-se uma plataforma de unidade estratégica entre si, Vasco Gonçalves e o
MFA. Tenta institucionalizar a Aliança POVO-MFA avançando para o aprofundamento
duma política de estímulo à participação popular, através das suas organizações e ao
estreitamento das relações entre o MFA e estas estruturas.
Na própria Assembleia Constituinte os deputados do PS e dos partidos mais à direita
atacam o Governo. Vasco Gonçalves e a corrente dos militares do MFA, mais à esquerda,
tentam “superar as contradições partidárias” com a aprovação de documentos como o
PAP – Plano de Acção Política e do Documento Guia da Aliança Povo-MFA. Embora este
último, não reunisse grande consenso, é este Documento-Guia, com forte influência dos
sectores radicais esquerdistas do MFA, que leva a saída dos ministros do PS e do PPD do
4º Governo. A gravosa situação só se regulariza em 8 de Agosto com o início dum novo
Governo, com carácter efémero - o 5º Governo Provisório - cuja tomada de posse se
realiza um dia depois da publicação do designado “Documento dos Nove” (que põe em
causa Vasco Gonçalves e o MFA revolucionário) e também cinco dias antes do dito
“documento de Oficiais do COPCON” (que procurando contrapor-se àquele documento,
abre a porta a futuras posições de radicalismo contra Vasco e os militares da sua linha).
Porque os nove oficiais1 do documento referido são todos do CR instala-se
definitivamente uma cisão neste órgão. Na tentativa de a superar é ainda criado, nesta
ocasião, um “pequeno directório” constituído por Gosta Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo
Saraiva de Carvalho. Mas estava aberta a contestação a Vasco Gonçalves já com alguns
anteriores incidentes, não só por parte dos oficiais ditos moderados, como por parte de
ministros do PS a quando do chamado caso (jornal) “República”.
O processo precipita-se no designado “Verão Quente” de 1975, com peripécias e
distúrbios graves e diversos. A norte do país o então grupo contra-revolucionário (com
civis e militares do fascismo) - MDLP – intenta acções terroristas destruindo sedes de
partidos de esquerda e praticando vandalismos. Em finais de Agosto, as instalações da
5.ª Divisão do EMGFA são assaltadas pelo Regimento de Comandos às ordens de Otelo
Saraiva de Carvalho, Comandante Operacional do Continente (COPCON). São
capturados e destruídos documentos e gravações históricas. A culminar surge a
1 “Grupo dos Nove”: Melo Antunes, Vasco Lourenço, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro,
Costa Neves, Sousa e Castro, Vítor Alves, Vítor Crespo.
6
divulgação dum documento “insultuoso” subscrito por Otelo a convidar de forma nada
digna o abandono de Vasco Gonçalves de primeiro-ministro e a proibi-lo de entrar em
quartéis.
É numa dita “Assembleia do MFA em Tancos”, em 5 de Setembro de 1975, constituída
por militares escolhidos “ad-hoc”, delegados intencionalmente seleccionados, que o
MFA progressista e revolucionário se vê afastado do seu processo, ao decapitarem-lhe a
sua cabeça, aquele que será sempre para nós (quer militares do MFA que o seguiam,
quer para as populações que o estimavam e amavam) mais do que o General Vasco
Gonçalves - o eterno Companheiro Vasco - timoneiro das mais singulares e valiosas
conquistas que a nossa Associação Conquistas da Revolução2 se constituiu para
preservar, muito particularmente em sua homenagem e ao povo português que o
mereceu - que mereceu este HOMEM, simples, íntegro e revolucionário, ao leme desta
barca.
Passados mais de quinze anos Vasco Gonçalves dá uma longa entrevista, editada em
livro em 20023. É seu este excerto premonitório da situação que vivemos, agora em
2014:
“…já havia o objectivo de romper com aqueles militares que mais consequentemente
apoiavam as aspirações populares e travar o aprofundamento da democracia…e digo
isto passados tantos anos…porque desde a queda do 5.º Governo Provisório temos
vindo a assistir à reconstituição duma democracia política que convive bem com as
limitações dos direitos sindicais e políticos dos trabalhadores, com a destruição do
sector público da economia, com a destruição da reforma agrária, com a sucessão de
pacotes de Leis cada vez mais gravosos para os trabalhadores, que vão sendo
aplicados à medida que a direita e a reacção ganham cada vez mais força”.
Em 2004, um ano antes de morrer, Nestor Kohan, professor e filósofo argentino4, faz a
última entrevista que Vasco Gonçalves concede. O entrevistador, entusiasmado com o
militar que veio encontrar, traça bem, na introdução, o perfil do general e da revolução,
um pouco aquilo que todos nós sentimos, da qual retiramos excertos.
«… Vasco Gonçalves…(ao invés dos Generais que conheci é sem dúvida uma avis rara)
fala pausadamente, de forma suave e calma. Tem os gestos amáveis e a atitude de um
velho professor universitário. Dirige-se aos interlocutores com um ênfase pedagógico
que não consegue dissimular. A Revolução dos Cravos foi atípica. Teve lugar na
Europa Ocidental, precisamente quando se supunha que a revolução já estava fora da
2 “Tudo já foi dito e tudo resta para dizer do Companheiro Vasco, … – pelo seu exemplo, pela sua obra,
pelo seu pensamento - quisemos, inicialmente, que o seu nome fosse o nome da nossa Associação – o
que só não aconteceu por obstáculos impossíveis de superar ….”. Declaração dos princípios justificativos
da criação da Associação Conquistas da Revolução em 2011.
3 “Vasco Gonçalves — um General na Revolução”, Entrevista de Maria Manuela Cruzeiro, Outubro de
2002.
4 “Vasco Gonçalves-Entrevista de Nestor Kohan” para Rebeliona/Accion, em Outubro de 2004.
7
agenda. Precisamente quando nos restantes países europeus se abriam as flores
murchas do eurocomunismo e da social-democracia (correntes que renunciavam a
toda a rebelião radical… por princípios políticos) Portugal pôs na ordem do dia a
questão do poder. Isto teve lugar em plena crise capitalista (1973-1974), quando o
dólar e o petróleo sofreram um abanão mundial, liquidando o keynesianismo do pósguerra
e abrindo caminho ao neoliberalismo.»
«Esta revolução realizada em plena guerra fria deslocava o papel tradicional das
Forças Armadas europeias, especialistas na guerra contra-revolucionária nas colónias
africanas e, ao mesmo tempo, peritas na contra-revolução e na tortura pelos militares
latino americanos (Brasil, Argentina, Chile, etc.). A de Portugal foi uma revolução que
questionava num mesmo movimento o vínculo imanente entre capitalismo, fascismo e
colonialismo. Três formas de dominação que costumam apresentar-se na literatura
política como se fossem fenómenos desligados entre si,»
«Em Novembro de 1975, um ano e meio depois do início da Revolução dos Cravos, as
acções revolucionárias foram neutralizadas. Um golpe de estado de direita, um golpe
contra-revolucionário saiu vitorioso. Foi instigado pelo Partido Socialista Português –
Mário Soares como responsável civil –, pelos EUA, pela social-democracia
internacional e pela Internacional Democrata Cristã.»
«A partir do triunfo da reacção de direita com máscara social-democrata, em Portugal
tudo volta à “normalidade”… Isto é, ao capitalismo, à exploração e à obediência.»
«Vasco Gonçalves é hoje (2004) - diz-nos o entrevistador - um homem idoso, mas
ainda se lhe incendeia o olhar com o brilho de um adolescente, quando fala da
revolução que o teve como principal expoente das forças populares. Modesto e simples,
sente-se surpreendido quando uma humilde camponesa, mais velha que ele, vestida de
negro da cabeça aos pés, se aproxima para lhe acariciar a cara, expressar-lhe a sua
admiração e sentar-se com ele como se fosse um filho.»
Mas é nesta última entrevista da sua vida, feita a Nestor Kohan que Vasco diria: «penso
que hoje não há espaço para uma “terceira via”. A experiência do passado e do
presente demonstra-nos que a “terceira via” caminha sempre para a direita, caminha
sempre num rumo reformista do capital, para a ideia de uma suposta “reforma do
capital”. Não se trata de alcançar um capitalismo reformado sem superar o
capitalismo. O capitalismo não é reformável, porque as relações sociais nas quais se
baseia, e sem as quais não pode sobreviver, são intrinsecamente injustas e de
exploração do homem pelo homem. A “terceira via” não persegue conquistas profundas
nas estruturas económicas e sociais. Basta olhar a Inglaterra, a França e a Alemanha
para corroborá-lo. Jospin em França, Schroeder na Alemanha e Blair na Grã-
Bretanha adoptaram na prática políticas neoliberais e de privatizações. Todos os que
pretendem colocar-se entre o capitalismo e o socialismo, no final acabam por adoptar
políticas neoliberais.»
8
Dez anos depois tudo se agravou com Hollande, com Merkel, com Cameron e com
outros. Ao comemorarmos 40 anos do 25 de Abril e 40 anos da tomada de posse de
Vasco Gonçalves, como primeiro-ministro, estão os portugueses conscientes da
diferença entre o que se conseguiu em 1974 (e no ano seguinte) e o que não se consegue
em 2014, entre o que se conquistou com Abril e o que tem sido destruído com Novembro
(e desde Novembro) e com as tóxicas políticas neoliberais dos dias de hoje.
Por isso “companheiro Vasco” se é com muita saudade que te recordamos é ainda com a
tua voz nos nossos corações que manteremos alento a prosseguir na tua luta que é, e será
sempre, a nossa luta. Como sempre disseste: «Há que lutar, no dia-a-dia, por reformas
cujo conteúdo contraria a lógica do pensamento único, dominante, a pretensão ao
domínio universal dos interesses de um restrito conjunto de forças económicas».
Quisemos e construímos este passado com Vasco e ele connosco. Abrem-se de novo
presente e futuro, generosos e amplos, em tempos de defesa e de luta pelas conquistas da
revolução. Com Vasco timoneiro vamos continuar. Vasco sempre.
“Vasco sempre.” “Vasco nome de Abril…Continuas vivo e presente.”
• M. Duran Clemente, Coronel Ref. - “capitão de Abril, cronista, autarca e
associativista”.
Dirigente da Associação Conquistas da Revolução e Membro da Presidência do
CPPC.
Homenagem ao General Vasco Gonçalves.
Comunicação feita no Porto em 7 de Abril de 2014.

sábado, 12 de abril de 2014

Algumas notas

O livro da historiadora Raquel varela, "A História do PCP Na Revolução Dos Cravos" (Bertrand Editora, 2011) merece-me alguns comentários, breves por enquanto, mais desenvolvidos noutra altura.
1º- Ao afirmar que o 25 de Abril foi exclusivamente um golpe de estado e concluir daí que o PCP não acertou na sua estratégia de "levantamento popular para derrubar a ditadura", esquece (ou omite deliberadamente) o trabalho político ininterrupto durante décadas que preparou a sublevação dos capitães (greves operárias, lutas estudantis, trabalho político no interior das forças armadas, papel hegemónico na organização das lutas da Oposição Democrática, actividades nos países europeus, etc, etc.).
2º - Esquece (ou ignora lamentavelmente) a rápida intervenção do PCP no apoio popular nos dias que se seguiram ao 25 de Abril e que culminou no 1º de Maio de 1974 (autêntica consagração popular). O "golpe militar" transformou-se em Revolução e firmou-se a célebre "Aliança Povo-MFA", proclamada pelo PCP.
3º - Raquel varela afirma (é a tese central do livro) que o PCP não quis o Socialismo. Omite que a Constituição inscreveu a construção do Socialismo e a maior parte dos Partidos proclamava-o nos seus comunicados...Uns com sinceridade, outros por demagogia convenientemente adaptada ao clamor popular.
4º - A "Revolução Democrática e Nacional" sempre se inscreveu na estratégia de permitir, pelos avanços e transformações revolucionárias profundas, dar passos na construção do Socialismo. Raquel Varela toma claramente partido pelos grupos esquerdistas (MRPP, UDP, AOC, etc.) que exigiam a imediata passagem à "ditadura do proletariado"...sem o PCP, é claro.
5º - O golpe militar do 25 de Novembro foi certamente uma derrota para o PCP, mas, sobretudo, para as massas populares que haviam alcançado profundas conquistas democráticas, algumas das quais, apesar de tudo, conservaram-se até serem aniquiladas gradual ou brutalmente por acção do PS. O PCP não respondeu militarmente apenas para evitar uma guerra civil. A esquerda revolucionária não dispunha da maioria do apoio do País, como se veio a verificar nas primeiras eleições (embora, note-se, a nova situação política criada pós-25 de Novembro exercesse uma inquestionável influência na atitude dos eleitores).

Nozes Pires
10 DE ABRIL DE 2014 - 11H44 

Galindo: A imprensa e a Igreja estão sempre ao lado dos golpistas


Como parte das análises sobre o Golpe de 1964 no Brasil, que completa 50 anos em 2014, o secretário estadual de Comunicação do PCdoB, Geraldo Galindo, traz uma reflexão sobre o posicionamento comum adotado pela Igreja Católica e pela imprensa diante de regimes autoritários. No artigo reproduzido abaixo, Galindo chama atenção para o fato de as duas instituições terem apoiado não só a experiência brasileira de ditadura militar, mas também a de outros países. Confira.


Ditadura, igreja e imprensa

Por Geraldo Galindo (*)


A passagem dos 50 anos do golpe militar de 1964 tem proporcionado importantes debates sobre o período sombrio de uma violenta ditadura que atormentou nosso povo por longos 20 anos. A população brasileira deve estar atenta para que nunca mais na nossa história tenhamos de sofrer com perseguições e falta de liberdade promovidas por aqueles que cometem atrocidades em nome da ordem, da segurança e da "democracia".

Depois das manifestações de junho, quando a Rede Globo foi alvo dos protestos ("a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”) a emissora produziu uma nota que seria uma autocrítica em relação ao apoio incondicional que deu ao golpe durante duas décadas. Quando nos deparamos com as justificativas da Família Marinho para o "erro editorial de apoio", vemos na verdade uma reafirmação de apoio aos que romperam com a legalidade democrática, se repetindo o surrado discurso das ameaças que haveriam contra o país, como o risco da instalação de uma "república sindical" . Vale lembrar que, com raríssimas exceções - e a nota da Globo é enfática ao reconhecer - , quase todos os grandes jornais, os mesmos que não cansam de repetir exaustivamente a "defesa da liberdade de expressão", não só apoiaram o golpe, mas foram base de sustentação do regime que exilava, torturava e matava.

Se a Globo agora reconhece que foi um erro o "apoio editorial", mas mantém a cantilena do risco comunista para justificar a posição naquele momento, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na figura de seu presidente, o cardeal D. Raymundo Damasceno, vem a público afirmar que foi um "erro histórico" o apoio à tomada do poder pelos militares, do qual "setores da igreja fizeram parte." Assim, a CNBB não reconhece o apoio oficial que prestou aos militares e que apenas setores o fizeram. Como estamos num momento de luta pela restabelecimento da verdade é bom ver a declaração formal da CNBB três meses depois do 1º de Abril: " Transborda dos corações o mesmo sentimento de gratidão a Deus , pelo êxito incruento de uma revolução armada. Ao rendermos graças a Deus, que atendeu às orações de milhões de brasileiros e nos livrou do perigo comunista, agradecemos aos militares, que com graves riscos de suas vidas, se levantaram em nome dos sagrados interesses da nação, e gratos somos a quantos concorreram para libertarem-na do abismo iminente”. Não só a CNBB, mas a própria autoridade máxima da Igreja Católica, o papa Paulo VI se manifestou em favor da ditadura. E segundo Frei Beto, em entrevista publicada no UOL no dia 20 de Março, a igreja recebeu financiamento da CIA para promover as "Marchas da Família com Deus pela Liberdade" e tinha em seus quadros os delatores - aqueles sinistros personagens que faziam o serviço sujo de entregar os "suspeitos" que iriam ser torturados e assassinados. 

Então, tanto não faz sentido a Globo dizer que foi "erro editorial" - na verdade a família Marinho teve papel ativo na conspiração que resultou num regime discricionário -, como é uma agressão aos fatos a Igreja atribuir a apenas uma parte dela o apoio a uma tirania. Mas, ao contrário da Globo, que apoiou abertamente a ditadura praticamente até seu final, a Igreja católica, especialmente depois do AI-5, quando percebeu que as violações passaram a atingir indiscriminadamente os que resistiam ao terror, incluindo parte do clero, passou a ter uma postura crítica e se transformou num dos principais protagonistas de apoio aos presos políticos. Muitos padres e bispos foram presos e torturados pela cruel repressão gerada a partir de um golpe apoiado pela santa Igreja, que estava segura de aquele acontecimento fora um atendimento de deus às orações dos cristãos. "Com o passar do tempo, a igreja foi percebendo seus excessos , seus desvios (da ditadura), então a Igreja se opôs", diz D. Raymundo. 

Uma reflexão que devemos fazer neste momento é por qual razão, em todos os golpes militares, a grande imprensa e a Igreja Católica estão sempre ao lado dos golpistas. As duas instituições apoiaram duas das ditaduras mais sanguinárias da história da humanidade, as do Chile e da Argentina, sempre com o mesmo discurso da ameaça comunista. Em 2002, na Venezuela, a grande mídia e a Igreja Católica se associaram para promover um fracassado golpe militar contra o presidente Hugo Chaves e a ameaça desta feita era o "populismo". Sempre há um motivo para defender os privilégios dos ricos e a não extensão de direitos aos trabalhadores e ao povo. Não podemos esquecer que na guerra civil espanhola (de 1939 a 1945) a Igreja Católica funcionou como um braço do fascismo contra os republicanos e foi base de sustentação de uma ditadura tão cruel quando duradoura - tendo feito vistas grossas até mesmo ao assassinato de padres, em meio a centenas de milhares de assassinatos políticos.

Aqui temos um fenômeno paradoxal. A imprensa costuma afirmar com frequência que é defensora da liberdade de expressão, mas, quando necessário para atender seus interesses políticos e comerciais, não vacilam em apoiar e patrocinar golpes ditatoriais. A igreja católica, que não cansa de repetir sua a opção preferencial pelos pobres, em todas as polarizações políticas, quando estão em confronto as elites e o povo, ela fica sempre ao lado das classes dominantes. A propósito, o atual papa Francisco, contra o qual pesam acusações de ter sido omisso ou até mesmo de ter ajudado a ditadura argentina, se transformou na principal liderança da oposição no país quando lá foram tomadas medidas de reconstrução após a tragédia neoliberal imposta ao país pelos prepostos do FMI em conluio com a direita e imprensa argentinas. 

Concluo deixando uma especulação. No Brasil, no Uruguai, na Bolívia, países vítimas da supressão das liberdades e de perseguições políticas em passado recente e onde experiências de governos populares e democráticos melhoram as condições de vida da turma debaixo da pirâmide social, não há ambiente para golpes militares na atualidade. E se condições houvessem, as elites desses países, associadas à grande imprensa e talvez ao clero, não já teriam feito o que fizeram em períodos anteriores em nome da "democracia, da família e liberdade"? 


(*) Geraldo Galindo é secretário estadual de Comunicação do PCdoB na Bahia

quinta-feira, 10 de abril de 2014

cont. entrevista


Não estou a dizer que o PCP quisesse que eles saíssem e eles recusaram. O que houve foi um levantamento durante todo o dia das possibilidades do que se poderia ou não accionar. O problema não se resolveria com a confrontação militar. Se os fuzileiros saíssem podiam vencer os comandos, mas o país estava muito dividido. A parte do país favorável à revolução era minoritária. Poder-se-ia ganhar alguma batalha, mas o que estava no horizonte era uma derrota. Finalmente, o PCP não comandava militares. Aqueles que eram mais próximos ideologicamente tinham as suas linhas de comando, havia o Otelo e o gonçalvistas, mas eles não iam à Soeiro Pereira Gomes [sede do PCP] perguntar o que deviam fazer.
A esta distância como lê o 25 de Novembro?
Tive a oportunidade de dizer isto várias vezes: o 25 de Novembro foi o resultado de uma sucessiva confrontação de forças dos dois sectores. A saída dos pára-quedistas para tomar bases aéreas foi feita perante a ameaça que a Força Aérea pudesse bombardear as forças de esquerda, mas quando sairam não tinham nem plano, nem forças preparadas para suster uma reacção. A esquerda não estava preparada para a execução de um golpe ao contrário da direita militar.
Olhando para trás, esteve no lado certo no 25 de Novembro?
Eu disse uma coisa que criou um grande escândalo na sede do PCP: "No 25 de Novembro eu e o PCP fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para triunfar as forças revolucionárias, mas tenho impressão que se calhar foi melhor assim. Se ganhássemos aquela batalha, talvez perdêssemos a guerra com mortos e feridos".
Se voltasse atrás, com o PS do outro lado, estaria no mesmo campo?
Sem dúvida que estaria do campo da revolução. Joguei sempre do lado certo. Acho que tive a posição certa no 25 de Novembro.

cont. entrevista Raimundo Narciso

Se o PCP tivesse querido, os comandos não teriam saído no 25 de Novembro?
Há um conjunto de ideias completamente disparatadas...
Mas havia militares do PCP nos comandos, eu pelo menos lembro-me do filho de um dirigente histórico do partido...
Durante todos esses momentos eu contactei, perto do regimento, com muitas dessas pessoas. Alguns dos elementos próximos do PCP nem sempre actuavam da melhor maneira. Mas eu li recentemente afirmações da historiadora Raquel Varela, que garante que o PCP colaborou no 25 de Novembro com o PS e a direita na eliminação dos militares de esquerda do MFA. Isso não tem nenhum fundamento e são completamente absurdas. Estive quase para acrescentar uma informação: certamente o Álvaro Cunhal no Verão anterior, para preparar o 25 de Novembro, mandou incendiar as sedes do PCP pelo país fora. O PCP, no 25 de Novembro, fez tudo o que estava o seu alcance no sentido de defender a revolução e as suas conquistas, mas naturalmente que frequentes actividades aventureiras de alguns sectores militares ajudaram o trabalho da parte contrária.
Mas o PCP não fez, no 25 de Novembro, com que os fuzileiros não saíssem?
Não é verdade. Com a saída dos comandos havia uma força operacional capaz de se opor com vantagem numérica e operacional que eram os fuzileiros. Mas os fuzileiros na altura disseram: "Nós somos uma tropa especial e só saímos se saírem todos e saímos de acordo com a linha de comando e se não for assim não saímos".
Por Nuno Ramos de Almeida
publicado em 9 Abr 2014 - 12:49
/
Raimundo Narciso. "Estive no lado certo da barricada no 25 de Novembro"
O PCP tinha como orientação que os seus quadros deviam fazer o serviço militar obrigatório e não desertar, essa orientação era cumprida?
Acho que maioritariamente sim, mas havia excepções, eu conheci vários militantes que tendo tido a oportunidade de fugir ou emigrar, o fizeram. Nomeadamente algumas pessoas ligadas à ARA. De qualquer modo, cheguei a ter ecos do trabalho no terreno de alguns militantes do PCP que seguiram para a guerra com essa orientação. Recordo-me de relatos de companhias comandadas por oficiais milicianos a quem tinham dado determinado objectivo e que andavam às voltas com as viaturas para justificar a quilometragem, mas que evitavam o confronto com os guerrilheiros.
Qual era a resposta de um militante do PCP numa situação de combate com a guerrilha? Não havia um dilema?
As indicações que nos davam era que em guerra e aos tiros, tínhamos de nos defender, não se trata de dar o corpo às balas. Procurávamos era evitar essas situações conforme a capacidade e inteligência de cada um.
Acha que essa orientação pode ter contribuído para ajudar o 25 de Abril?
Não digo que seja responsabilidade exclusiva do PCP, mas a influência das lutas populares, e as lutas estudantis, que levavam à tropa elementos muito politizados que entravam em contacto com os oficiais do quadro permanente foram factores muito importantes de esclarecimento político.
Sai da tropa, vai imediatamente para a ARA, ou regressa às movimentações estudantis?
Parti para a clandestinidade, no Sud-Express no fim de 64. Tinha terminado a tropa em Dezembro de 1963. Nesse interregno, de perto de um ano, eu estava no Técnico, mas mesmo durante esse período eu continuei a ter trabalho com os militares e estava organizado no sector militar. Aliás, foi seguramente isso que me poupou à grande vaga de prisões da Pide no sector estudantil, visto que aqueles que foram presos e falaram não me conheciam como militante.
Como foi essa passagem para a clandestinidade, de comboio?
Tinha tido um convite insistente para passar à clandestinidade dois anos antes. Na altura recusei. Mas passados dois anos, as minhas responsabilidades no PCP aumentaram, e eu, como boa parte dos militantes do sector estudantil, defendíamos a necessidade de acções armadas, e depois parecia-me ser uma quebra de coerência defender essas acções e depois achar que deviam ser feitas por outros.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA