quinta-feira, 11 de setembro de 2014

José Goulão
 Imagem que vale por mil silêncios

Diz-se que há imagens que valem por mil palavras. Mas também há imagens que valem por mil silêncios enquanto se despejam enxurradas de asneiras e mentiras para as esconder e ignorar.
A imagem de que vos falo não deixa dúvidas. Revela que a fuselagem do avião da Air Malaysian do fatídico voo MH017 mostra sinais indesmentíveis de ter sido metralhado na área do cokpit, o que só poderia ter acontecido por obra e graça de aviões de guerra ao serviço da junta que governa parte da Ucrânia a partir de Kiev.
Os participantes, voluntários ou ingénuos, na monumental campanha de propaganda que pretende responsabilizar a Rússia e o seu presidente pelo abate do avião, têm usado – em surdina, porque não é aconselhável levantar turbulência sobre o assunto – argumentos de que a foto pode ser falsa, ou uma montagem, etc., etc., aquelas coisas a que se recorre quando se pretende desmentir a realidade quando ela se mete pelos olhos dentro.
A autenticidade das imagens está confirmada. Tanto pelas referências inscritas no aparelho como pelo testemunho do canadiano Michal Bociurkiw, chefe da delegação de Kiev da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), um dos responsáveis pela investigação que já visitou os destroços do aparelho.
A foto dá credibilidade à hipótese de o avião ter sido abatido por caças ucranianos SU-25 e não por um míssil seja de que nacionalidade ou grupo for. Testemunhos militares e também da avião civil sublinham que os vestígios na fuselagem correspondem ao armamento instalado nos citados aparelhos.
Alguns estarão recordados de que logo no dia do acidente um controlador aéreo que se encontrava na torre de Kiev, e que usou a sua conta Twitter como “Carlos”, denunciou que o avião acidentado foi escoltado por caças ucranianos até poucos momentos antes de desaparecer dos radares; e que o Ministério russo da Defesa apresentou publicamente provas de que o MH017 teve a companhia de pelo menos um caça ucraniano antes da tragédia; e que testemunhas oculares ucranianas garantiram ter visto aviões militares junto do aparelho malaio.
Fotos em alta definição dos destroços captadas pouco depois do desastre chegaram a estar no Google e entretanto desapareceram. O tema ressurgiu com as imagens captadas no local durante a recente visita do chefe da missão da OSCE.
Os principais dirigentes mundiais, com o presidente dos Estados Unidos, reclamam que é preciso conhecer “a verdade”. Enquanto ela vem e não vem trataram de estabelecer a sua “verdade” – a Rússia abateu o aparelho malaio – e determinaram as respectivas sanções económicas. Até veteranos da CIA escreveram uma carta ao presidente Obama sugerindo-lhe que, ao demonstrar tantas certezas sobre os autores do massacre, já era tempo de apresentar alguma prova concreta das acusações que faz, sob pena de perda de credibilidade.
A junta de Kiev desmultiplica-se em declarações sobre provas que diz ter e que logo são desmanteladas pela evidência dos factos. O primeiro ministro do governo saído do golpe, Iatseniuk, demitiu-se entretanto: existe pelo menos uma coincidência temporal entre o seu afastamento e a tragédia do avião malaio.
Podem surgir mil e uma provas para que se estabeleça “a verdade” sobre o voo MH017. Não pode, nem deve, ser silenciada a evidência que é testemunhada pelas fotos da fuselagem metralhada. Nem que seja apenas a milésima segunda prova.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Contra o catastrofismo

Por EMIR SADER
Quem queira se refugiar no catastrofismo tem um prato cheio no mundo de hoje. Pode seguir, diariamente, destacando os descalabros das guerras, da miséria, das crises econômicas, das instabilidades políticas, das ameaças ambientais, entre outros.
Porque o capitalismo, mesmo triunfando  na guerra fria, não conseguiu retomar um ciclo expansivo da economia. Ao contrário, no próprio centro do sistema, em suas regiões mais ricas, já faz 6 anos que há uma crise recessiva profunda, que destrói o Estado de bem estar social – sua melhor construção histórica. As economias norte-americana e europeia não têm horizonte para voltar a crescer, difundindo suas tendências recessivas para o conjunto do sistema.
A hegemonia imperial norte-americana, mesmo tendo triunfado na guerra fria, tropeça em um mundo de guerras cada vez mais prolongadas, brutais e sem perspectivas de paz. Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Palestina, entre outros, são epicentros de guerras e violências cada vez mas sangrentas, sem que nenhuma instância intervenha para encontrar soluções de paz.
Em um mundo de riquezas, a miséria, a pobreza, a exclusão social e a desigualdade só se multiplicam. Da Eruopa até a África, passando pela Ásia e por países da America Latina – como o México, por exemplo –, a situação social não para de se deteriorar.
Um catastrofista pode, desde a sua janela – ou desde o seu computador – fazer seu diário do fim do mundo, com férteis materiais. O mundo está à beira de uma crise ambiental que o levaria à sua desaparição. O capitalismo apresenta um cenário de estagnação, de predomínio da especulação sobre a produção, de eliminação de empregos formais e de direitos sociais. Há quem diga que o capitalismo terminará em 50 anos – sem dizer o que o substituirá ou como se dará esse fim.
O mundo, na verdade é um prato cheio para o catastrofismo. O denuncismo prolifera em todos os lugares. Há gerações de cronistas do caos, que nunca construíram alternativas, cujas denúncias são reiteradamente desmentidas pela realidade, sem que eles mudem suas atitudes e posições.
Mas o catastrofismo faz o jogo da perpetuação do mundo – catastrófico, certamente – tal qual ele existe ou em formas ainda piores. Buscam desqualificar toda tentativa – realizada ou não – de construir alternativas – que seria e são fatais para os catastrofistas. O catastrofismo parece uma posição radical, intransigente, profunda, mas na verdade é uma posição conservadora, resignada, que transita entre o ceticismo e o cinismo.
É cômoda a postura, se exacerba a crítica radical de tudo o que existe, “nada é melhor, tudo é igual”, como canta o tango Cambalache. Mas é um convite à inatividade, que consegue, às vezes, conquistar a jovens que precocemente assumem atitudes de renúncia a assumir a realidade – com sua complexidade e suas contradições – como ela efetivamente é.
O catastrofismo não é resultado de uma análise; é  uma postura psicológica acomodada, preguiçosa para encarar a realidade, com suas tendências e contra tendências. Tem, como efeito, tirar forças – intelectuais e políticas – das lutas de transformação efetiva da realidade.
Toda visão catastrofista comete o equívoco de tomar uma ou mais tendências reais, projetando-as para o futuro, sem considerar as – sempre existentes – contratendências. Nenhuma tendência catastrofista teve tanta difusão como a visão malthusiana em relação à expansão demográfrica e a suposta incapacidade para produzir alimentos no mesmo ritmo. Uma projeção que se revelou equivocada: hoje  se produzem alimentos para o dobro da população mundial, porém muito mal repartidos. Ao mesmo tempo que em várias partes do mundo há uma regressão demográfica.
Da mesma forma que hoje, há sintomas de contratendências que acabam por desmoralizar as previsões catastrofistas. É verdade, o mundo não anda nada bem, há guerras, miséria, contaminação ambiental, mas perguntem aos chineses o que eles acham da ideia de que estamos no pior dos mundos. E não são poucos os chineses. Perguntem aos brasileiros, se melhoraram ou pioraram de vida, se acham que seguirão melhorando ou piorarão suas vidas, se estão contentes de viver agora no seu país. Perguntem aos bolivianos, aos equatorianos.
Na  realidade, os que melhoraram de vida são os que se opuseram e contradisseram o pensamento único, as formulas econômicas que se pretendiam  insuperáveis e as previsões pessimistas, catastrofistas. Porque todas as grandes transformações, que melhoram a vida da pessoas foram e são feitas contra os catastrofismos.
in BOITEMPO blog

domingo, 7 de setembro de 2014

A valsa

Era uma vez uma família muito rica de um país muito pobre. Quando toda a gente ou ia fazer a guerra ou emigrava, essa distinta família sobre a guerra achava que era muito boa e da emigração só conhecia o turismo de luxo. Até que um dia deu-se uma reviravolta muito grande e a família decidiu dar à sola, como sói dizer-se. Emigrou para onde guardava o dinheiro. Aí fez mais dinheiro e, quando pôde regressar, recebeu ainda mais dinheiro. Como era mui rica e mui distinta, fez muitos amigos. Dos amigos, fez muitos governantes. Os governantes fizeram mutos negócios com a família distinta. Cada vez ficaram mais amigos uns dos outros. Casavam uns com os outros, caçavam javalis nas coutadas de extintas cooperativas de camponeses, jogavam golfe no Algarve. Faziam inimigos, conspiravam e liquidavam-nos. Ou seja, mudavam os governos, trocando de amigos. Na próxima rodada voltavam a fazer as pazes com os inimigos de ontem. No fundo, eram boa gente. Distinta sobretudo. Gostavam todos da mesma música e dançavam a mesma valsa.
Moral da história: Para que alguns dancem o tempo todo, é preciso que outros trabalhem e votem neles.

Nozes Pires

sábado, 6 de setembro de 2014

Que tempos!

Enquanto observador dos acontecimentos que me chegam pelos media, retomo sempre a mesma interrogação: a História repete-se ou não? Existe uma lógica na História, luta pela sobrevivência, luta de classes, luta das minorias, Vontade de Poder? Move-se para a frente, do inferior para o superior, do mau para o menos mau?
Vivemos um tempo pródigo em apocalipses, isto é, de visões pós-apocalípticas. A pós-modernidade parece ser a antevisão de catástrofes. O fim do mundo e a sua continuação por outros modos. Pan-epidemias, invasões de vírus e de alienígenas, degelo das calotas polares, inundações gigantescas, meteoros e cometas em colisão com a Terra, atentados terroristas às metrópoles, choque mortal de civilizações, guerras nucleares, etc., etc. Ficção-científica que antecipa o que há de pior no presente, romances pessimistas, cinema do horror e do terror. Telejornais de tirar o apetite ao jantar.
Um amigo meu acaba de publicar uma novela futurista à maneira do "New Brave world", de Huxley...
Anda no ar um susto, um medo, um anúncio. O Anjo da Morte, de W. Benjamim.
Sumiram-se as utopias, reinam as distopias.
Quem influencia quem? A arte ou a vida?

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Brasil

Marina Silva, candidata à presidência do Brasil, é a carta forte e inesperada da direita brasileira. Ex-militante ecologista nos anos 80, com amigos no poderoso agronegócio das transgénicas, evangélica opositora da interrupção voluntária da gravidez, apoiada pelos banqueiros, fervorosa adepta das privatizações, colocada no top das sondagens encomendadas pela rede Globo, dirige o seu "charme" aos eleitores hesitantes que maldizem dos "políticos". Se os trabalhadores não se põem a pau o Brasil regressa ao "amigo americano".

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Desabafo

O mundo hoje é um lugar perigoso. Todavia, não foi sempre? Quando assisto às notícias que nos chegam da Ucrânia e do Médio Oriente, sinto-me entalado entre O Princípio Esperança, de Ernst Bloch, e o Anjo da História", de Benjamim. A História segue em frente com as costas voltadas contra o futuro, como o anjo da morte, ou a utopia concreta é um horizonte? O que se passa na Ucrânia é mau, muito mau, mas no Médio Oriente passa-se algo talvez pior ainda. Guerras fronteiriças são vulgares, embora possam deflagrar numa espécie semelhante à primeira Guerra Mundial, mas talvez não. O que se passa no Médio Oriente é uma guerra inter-imperialista: o imperialismo norte-americano contra o imperialismo com bandeira religiosa, bandeira que pode movimentar milhões de indivíduos fanatizados pelo ódio contra o Outro, que é a forma mais cruenta dos racismos, pode degenerar no Mal Absoluto (Ana Arendt). O imperialismo norte-americano criou os seus próprios demónios.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

1
Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
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Publicado em 2014/08/18, em: http://www.voltairenet.org/article185101.html
Colocado em linha em: 2014/08/29

John McCain, chefe de orquestra
da «primavera árabe», e o Califa

Thierry Meyssan *

Todos notaram a contradição dos que qualif icavam, recentemente, os membros
do Emirado islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam
hoje com as suas barbaridades no Iraque. Mas, se este discurso é incoerente em
si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que
sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos,
mesmo se estão sempre às ordens de Washington. Thierry Meyssan revela os
bastidores da politica dos E.U. através do caso pessoal do senador John
McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data
do Califa Ibrahim.
Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou
colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?
John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato malsucedido
à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão
uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir acções
secretas em nome do seu governo.
Na altura do ataque «ocidental» eu estava na Líbia, aí, pude consultar um relatório
dos serviços de inteligência exterior. Nele podia ler-se que a Otan tinha organizado, a
4 de fevereiro de 2011, no Cairo, uma reunião para lançar a «Primavera Árabe» na
Líbia e na Síria. De acordo com o documento, ela tinha sido presidida por John
McCain. O relatório detalhava a lista de participantes líbios, cuja delegação era
liderada pelo n.º 2 do governo da época, Mahmoud Jibril, que mudara abruptamente
de campo, à entrada para esta reunião, para se tornar o chefe da oposição no exílio.
Lembro-me que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard-
Henry Lévy, embora oficialmente este nunca tenha exercido qualquer função no seio
do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, entre
as quais uma enorme delegação de Sírios vivendo no exterior.
No final desta reunião, a misteriosa conta do Facebook Syrian Revolution 2011
(Revolução síria 2011 - ndT) convocava protestos diante do Conselho do Povo
(Assembleia Nacional) em Damasco, a 11 de fevereiro. Embora esta conta pretendesse
2
à época ter mais de 40.000 followers (seguidores) apenas uma dúzia de pessoas
responderam ao seu apelo, para os flashes dos fotógrafos e de centenas de polícias
(policiais-Br). A manifestação dispersou pacificamente, e os confrontos não
começaram senão mais de um mês depois, em Deraa1.
Em 16 de fevereiro de 2011, uma manifestação que se desenrolava em Benghazi, em
memória dos membros do Grupo islâmico combatente na Líbia2, massacrados em
1996 na prisão de Abu Selim, degenerou em tiroteio. No dia seguinte, uma segunda
manifestação, desta vez em memória das pessoas mortas ao atacar o consulado da
Dinamarca por alturas das caricaturas de Maomé, degenerou igualmente em tiroteio.
Nesta precisa altura, membros do Grupo islâmico combatente na Líbia vindos do
Egito, enquadrados por indivíduos encapuçados e não identificados, atacavam,
simultaneamente, quatro bases militares em quatro cidades diferentes. No
seguimento de três dias de combates e atrocidades, os contestatários lançaram o
levantamento da Cirenaica contra a Tripolitânia3; um ataque terrorista que a
imprensa ocidental apresentou, mentirosamente, como uma «revolução
democrática» contra «o regime» de Muammar el-Qaddafi.
Em 22 de fevereiro, John McCain estava no Líbano. Ele encontrou-se lá com
membros da Corrente do Futuro (o partido de Saad Hariri), que encarregou de
supervisionar as transferências de armas para a Síria, por conta do deputado Okab
Sakr4. Depois, deixando Beirute, ele inspecionou a fronteira síria e escolheu as
aldeias, nomeadamente Ersal, que deveriam servir como base de retaguarda para os
mercenários na guerra que se preparava.
As reuniões presididas por John McCain foram, claramente, o ponto de partida de
um plano, previsto de longa data, por Washington; plano que previa o ataque da Líbia
e da Síria simultaneamente pelo Reino Unido e pela França, de acordo com a
1 Nós retransmitimos os relatos da imprensa garantindo que a manifestação de Deraa foi um protesto
após a prisão e tortura de liceais que haviam grafitado slogans (eslogans-Br) hostis à República. Ora,
muitos colegas têm tentado estabelecer a identidade desses alunos e encontrar as suas famílias.
Nenhum o conseguiu, as únicas testemunhas que falaram fizeram-no para a imprensa britânica, mas
de maneira anónima, logo inverificável. Agora, estamos convencidos de que este evento nunca
existiu. O estudo dos documentos, contemporâneos, sírios mostra que a manifestação foi na
realidade sobre um aumento para os salários e pensões dos funcionários públicos. Ela obteve a
aprovação do governo. Neste ponto, nenhum jornal mencionou estes estudantes, tendo esta história
sido inventada pela Al-Jazeera, senão, duas semanas mais tarde.
2
Os membros do Grupo islâmico combatente na Líbia, quer dizer, da Al-Qaida na Líbia, haviam
tentado assassinar Mouamar el-Kadhafi por conta do MI 6 britânico. O assunto foi revelado por um
oficial da contra-espionagem britânica, David Shyler. Cf «David Shayler: "J’ai quitté les services
secrets britanniques lorsque le MI6 a décidé de financer des associés d’Oussama Ben Laden"»
(«David Shayler: “Deixei os serviços secretos britânicos quando o MI 6 decidiu financiar os
associados de Osama bin Laden”»-ndT), Réseau Voltaire, 18 novembre 2005.
3 Relatório da Missão de inquérito sobre a crise actual na Líbia, junho de 2011.
4 «Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie» («Um deputado libanês dirige o tráfico
de armas para a Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 5 de Dezembro de 2012.
3
doutrina da «liderança de bastidores» e o anexo do Tratado de Lancaster House, de
Novembro de 20105.
A viagem ilegal à Síria, em maio de 2013
Em maio de 2013, o senador John McCain dirigiu-se, ilegalmente, para perto de
Idleb, na Síria, através da Turquia, para aí se reunir com líderes da «oposição
armada». A sua viagem só foi tornada pública após o seu regresso a Washington6.
Esta deslocação fora organizada pela Syrian Emergency Task Force (Força-Tarefa de
Emergência Síria) a qual, contrariamente ao seu título, é uma organização sionista
dirigida por um funcionário palestino da AIPAC7.
Nas fotografias difundidas então, nota-se a presença de Mohammad Nour, porta-voz
da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nosra, quer dizer da Al-Qaida na
Síria), que havia sequestrado e detinha 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz8.
Interrogado sobre a sua proximidade com os sequestradores, membros da al-Qaida, o
senador alegou não conhecer Mohammad Nour, o qual se teria infiltrado por sua
própria iniciativa nesta (tomada de - ndT) foto [a foto está no sítio em referência -
NE].
O caso deu um grande sururu, e as famílias dos peregrinos raptados apresentaram
queixa, perante a justiça libanesa, contra o senador McCain por cumplicidade no
sequestro. Por fim, foi alcançado um acordo e os peregrinos foram libertados
(liberados-Br).
Vamos supor que o senador McCain tenha dito a verdade, e que ele tenha sido
explorado por Mohammad Nour. O objeto da sua viagem, ilegal, à Síria era o de se
encontrar o estado-maior do Exército sírio livre. Segundo ele, esta organização era
composta «exclusivamente por sírios», combatendo pela «sua liberdade» contra a
«ditadura alauíta» (sic). Os organizadores da viagem publicaram esta fotografia para
confirmar a reunião.
Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército sírio livre,
também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem
o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John
McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército sírio livre são «moderados
nos quais se pode confiar» (sic).
5 Neste plano, reportar-nos-emos à minha série de seis emissões 10 ans de Résistance, (10 anos de
resistência), sobre a guerra dos Estados Unidos contra a Síria.
6 «John McCain entre illégalement en Syrie» (« John McCain entra ilegalmente na Síria»-
ndT), Réseau Voltaire, 30 de maio de 2013.
7 «La Syrian Emergency Task Force, faux-nez sioniste» (« Força Tarefa de Emergência Síria, falso
esquema sionista»-ndT), Réseau Voltaire, 7 de junho de 2013.
8 «John McCain a rencontré des kidnappers en Syrie» («John McCain encontrou-se com os raptores
na Síria»-ndT), Réseau Voltaire, 1 de junho de 2013.
4
Ora, desde 4 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu
Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos
(Rewards for Justice - Recompensas para Justiça - ndT). Uma recompensa, podendo
ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura9. No
dia seguinte, 5 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comité
de sanções da Onu como membro da Al-Qaida10.
Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o
nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no
Levante (EIIL) – ao mesmo tempo que pertencia, ainda, ao estado-maior do muito
«moderado» Exército sírio livre. Ele reivindicou o ataque às prisões de Taj e de Abu
Ghraib no Iraque, de onde fez evadir entre 500 e 1.000 jihadistas que se juntaram à
sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações, quase
simultâneas, em outros oito países. Em cada ocasião os jihadistas evadidos juntaramse
a organizações combatendo na Síria. Este caso é de tal maneira estranho que a
Interpol emitiu uma nota, e pediu a assistência dos 190 países membros11.
Pela minha parte, eu sempre afirmei que não havia, no terreno, nenhuma diferença
entre o Exército sírio livre, a frente Al-Nosra, o emirado islâmico, etc. Todas estas
organizações são formadas pelos mesmos indivíduos, que mudam de bandeira
permanentemente. Quando se reivindicam ser do Exército sírio livre eles arvoram a
bandeira da colonização francesa, e só falam em derrubar o «cão Bachar». Quando
eles dizem pertencer à Frente Al-Nosra carregam a bandeira da Al-Qaida, e declaram
espalhar o seu Islão (Islã-Br) no mundo. Finalmente, quando eles se dizem do
Emirado Islâmico brandem, então, o estandarte do Califado, e anunciam que
limparão a região de todos os infiéis. Mas, qualquer que seja a etiqueta, eles cometem
os mesmos crimes: estupros, torturas, decapitações, crucificações.
No entanto, nem o senador McCain, nem os seus acompanhantes da Syrian
Emergency Task Force (Força Tarefa de Emergência síria) forneceram ao
Departamento de Estado as informações, em sua posse, sobre Ibrahim al-Badri, nem
reclamaram o acesso a esta recompensa. Nem sequer informaram, também, o Comité
anti-terrorista da Onu.
Em nenhum país do mundo, qualquer que seja o seu regime político, se aceitaria que
o líder da oposição esteja em contacto directo, amigável e público, com um tão
perigoso terrorista, procurado por toda a gente.
Quem é pois o senador McCain?
9 “Wanted for Terrorism”, Rewards for Justice Program («Procurado por terrorismo» -
ndT), Department of State.
10 O Comité do Conselho de segurança criado pela resolução 1267 (1999) a 15 de outubro de 1999 é
igualmente conhecido sob o nome de «Comité das sanções contra a Al-Qaida». Ficha de inscrição
de Ibrahim al-Badri (desta vez com o nome de guerra de al-Samarrai).
11 «Évasions simultanées de jihadistes dans 9 pays» («Evasões simultâneas de jihadistas em 9
países» - ndT), Réseau Voltaire, 6 de agosto de 2013.
5
Mas além de John McCain não ser simplesmente o líder da oposição política ao
presidente Obama, também ele é, na realidade, um dos seus altos-funcionários!
Ele é, com efeito, presidente do International Republican Institute (Instituto
Republicano Internacional - ndT) (IRI), o ramo republicano do NED/CIA12, desde
Janeiro de 1993. Esta pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente
Ronald Reagan para estender certas atividades da CIA, em cooperação com os
serviços secretos britânicos, canadianos (canadenses-Br) e australianos.
Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter-governamental. O
seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da
Secretaria de Estado.
E, é por isso, porque é uma agência conjunta dos serviços secretos Anglo-saxões, que
vários Estados no mundo lhe interditam toda a actividade no seu território.
A lista das intervenções de John McCain por conta do departamento de Estado é
impressionante. Ele participou em todas as revoluções coloridas dos últimos vinte
anos.
Para não dar senão alguns exemplos, ele preparou, sempre em nome da
«democracia», o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo
Chávez na Venezuela13, o derrube (derrubada - Br) do presidente constitucional Jean-
Bertrand Aristide no Haiti14, a tentativa de derrube do presidente constitucional
Mwai Kibaki no Quénia15 e, mais recentemente, a do presidente constitucional
ucraniano Viktor Yanukovych.
Não interessa em que estado do mundo, logo que um cidadão toma a iniciativa de
derrubar o regime de outro Estado, ele poderá ser felicitado se nisso for bemsucedido,
e que o novo regime se mostre um aliado, mas ele será severamente
condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas para o seu próprio
país. Ora, nunca o senador McCain foi inquietado pelas suas ações anti-democráticas,
em estados onde ele fracassou e que se voltaram contra Washington. Na Venezuela,
por exemplo. É que, para os Estados Unidos John McCain não é um traidor, mas sim
um agente (secreto).
E um agente que dispõe da melhor cobertura que se possa imaginar: ele é o opositor
oficial de Barack Obama. Nesta condição ele pode viajar para qualquer lugar no
mundo (é o senador norte-americano que mais viaja), e encontrar-se com quem ele
quiser sem temer. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington ele
12 «La NED, vitrine légale de la CIA» («A NED, vitrine legal da CIA» - ndT), por Thierry
Meyssan, Оdnako (Russie), Réseau Voltaire, 6 de outubro de 2010.
13 «Opération manquée au Venezuela» («Operação falhada na Venezuela» - ndT), por Thierry
Meyssan, Réseau Voltaire, 18 de maio de 2002.
14 «La CIA déstabilise Haïti» (A CIA desestabiliza o Haiti), «Coup d’État en Haïti» (Golpe de Estado
no Haiti), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 de janeiro e 1 de março de 2004.
15 «L’expérience politique africaine de Barack Obama» («A experiência política africana de B.
Obama» - ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 9 de Março de 2013.
6
promete-lhes mantê-la, se a combatem, ele atira a responsabilidade para cima do
presidente Obama.
John McCain é conhecido por ter sido prisioneiro de guerra no Vietname (Vietnã -
Br), durante 5 anos, e disse aí ter sido torturado. Ele foi vítima de um programa
concebido não para extrair informações, mas para incutir uma confissão. Tratava-se
de transformar a sua personalidade, para que ele fizesse declarações contra o seu
próprio país. Este programa, estudado a partir do exemplo coreano, para a Rand
Corporation, pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas
conduzidas em Guantanamo, e em outros lugares, pelo Dr. Martin Seligman16.
Aplicado sob George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros permitiu transformar
vários de entre eles, para fazer, assim, verdadeiros combatentes ao serviço de
Washington. John McCain, que havia “rachado” no Vietname, compreende-o, pois,
perfeitamente. Ele sabe como manipular, sem escrúpulos, os jihadistas.
Qual é a estratégia dos norte-americana com os jihadistas no Levante?
Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Após
terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao
Koweit como um caso interno iraquiano, eles aproveitaram o pretexto deste ataque
para mobilizar uma vasta coligação (coalizão - Br) contra o Iraque. Porém, devido à
oposição da URSS, eles não derrubaram o regime, contentaram-se sim em controlar a
zona de exclusão aérea.
Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para contrabalançar a influência do
Comité para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram de novo o país e,
desta vez, derrubaram o presidente Hussein. Evidentemente, John McCain era um
dos principais responsáveis do Comité (Comitê - Br). Depois de ter entregue, durante
um ano, a uma sociedade privada o cuidado de pilhar o país17, eles tentaram parti-lo
em três Estados separados, mas tiveram que renunciar a isso diante da resistência da
população. Eles tentaram de novo em 2007, com a resolução Biden-Brownback, mas
voltaram a falhar18. Daí, a estratégia atual, que tenta conseguir isso por meio de um
ator não-estatal: o Emirado Islâmico.
A operação foi preparada durante muito tempo, antes mesmo da reunião de John
McCain com Ibrahim al-Badri. Assim, correspondência interna do Ministério
catariano das Relações exteriores (Negócios Estrangeiros - Pt), publicada pelos meus
amigos James e Joanne Moriarty19, mostram que 5. 000 jihadistas foram formados,
16
«Le secret de Guantánamo» («O segredo de Guantánamo» - ndT), por Thierry Meyssan, Оdnako
(Russie), Réseau Voltaire, 28 de outubro de 2009. Nota do Tradutor: - Estamos a preparar versão
em Português deste extenso, mas interessante, artigo para poder aparecer dentro de algum tempo.
17 «Qui gouverne l’Irak?» («Quem governa o Iraque?» - ndT), por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire,
3 de maio de 2004.
18 «La balkanisation de l’Irak» («A balcanização do Iraque» - ndT), por Manlio Dinucci, Tradução
Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 17 de junho de 2014.
19 «Official Document Qatar Embassy Tripoli Confirms Sending 1800 Islamic Extremists Trained in
Libya to Fight in Syria» («Documento oficial embaixada do Catar Tripoli confirma envio de 1800
7
às custas do Catar, na Líbia da Otan em 2012, e que 2,5 milhões de dólares foram
atribuídos, na mesma altura, ao futuro califa.
Em janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta,
na qual votou, em violação do direito internacional, o financiamento até Setembro de
2014 da Frente Al-Nosra (Al-Qaida), e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante20.
Embora se desconheça, com detalhe, o que foi realmente acordado aquando desta
sessão, revelada pela agência de notícias britânica Reuters21, e que nenhum média
(mídia - Br) norte-americano ousou passar devido à censura, é altamente provável
que a lei inclua uma secção sobre o armamento e treino de jihadistas.
Envaidecida com este financiamento norte-americano, a Arábia Saudita reivindicou,
no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava
colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe
Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal
(embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido)22.
O Emirado Islâmico representa uma nova etapa no mercenarismo. Ao contrário dos
grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na
Chechénia, junto a Osama bin Laden, ele não constitui uma força de reserva, mas é
um verdadeiro exército em si. Ao contrário dos grupos precedentes, no Iraque, na
Líbia e na Síria, agrupados pelo príncipe Bandar Ben Sultan, eles dispõem de
sofisticados serviços integrados de comunicação, que fomentam o alistamento, e de
administradores civis, formados nas grandes escolas ocidentais capazes de tomar em
mãos, imediatamente, a administração de um território.
Armas ucranianas, chispando de novas, foram compradas pela Arábia Saudita, e
comboiadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado
islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani, aquando de
uma reunião de grupos jihadistas em Amã, a 1 de Junho de 201423. O ataque conjunto
ao Iraque, pelo Emirado Islâmico e pelo Governo regional do Curdistão, começou
quatro dias mais tarde. O emirado islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto
o governo regional do Curdistão aumentava o seu território em mais de 40%. Fugindo
das atrocidades dos jihadistas, as minorias religiosas deixaram a zona Sunita,
preparando assim a via para a partição do país em três.
extremistas Islâmicos treinados na Líbia para combater na Síria» - ndT), Libyan War The Truth,
20 de setembro de 2013.
20 “Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo”, Thierry Meyssan, Tradução
Alva, Al-Watan (Síria), Rede Voltaire, 3 de fevereiro de 2014.
21 “Congress secretly approves U.S. weapons flow to ’moderate’ Syrian rebels” («Congresso aprova
secretamente envio de armas para rebeldes sírios “moderados”»-ndT), Mark Hosenball, Reuters,
27 de janeiro de 2014.
22 «L’ÉIIL est commandé par le prince Abdul Rahman» («EIIL dirigido pelo príncipe Abdul
Rahman» - ndT), Réseau Voltaire, 3 de fevereiro de 2014.
23 «Révélations du PKK sur l’attaque de l’ÉIIL et la création du "Kurdistan"» («Revelações do PKK
sobre o ataque e a criação do “Curdistão” - ndT), Réseau Voltaire, 8 de julho de 2014.
8
Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano, o Pentágono não interveio e
deixou o emirado islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês
depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem
batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o
presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No
entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior:
«Estes bombardeamentos são pouco suscetíveis de afetar as capacidades globais do
Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria»24.
Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que
cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento,
eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na
realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a
progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis
escapar ao massacre.
Numerosa desinformação circula a propósito do Emirado Islâmico e do seu califa. O
jornal quotidiano Gulf Daily News fingiu que Edward Snowden havia feito revelações
neste sentido25. No entanto, verificação feita, o antigo espião norte-americano não
publicou nada a este respeito. O Gulf Daily News é publicado no Barein, um Estado
ocupado por tropas sauditas. O artigo visa, apenas, limpar a Arábia Saudita e o
príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.
O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários do século XVI europeu.
Eles conduziam guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes
de um lado, às vezes de outro. O Califa Ibrahim é um condottiere moderno. Embora
esteja às ordens do príncipe Abdul Rahman, (membro do clã dos Sudeiris), não seria
de espantar que ele continue a sua epopeia na Arábia Saudita, (após um breve desvio
no Líbano, ou seja no Koweit), e parta assim o bolo da sucessão real, favorecendo o
clã dos Sudeiris contra o príncipe Mithab (filho, e não irmão, do rei Abdallah).
John McCain e o Califa
Na última edição do seu magazine, o Emirado Islâmico consagrou duas páginas a
denunciar o senador John McCain, como «o inimigo» e «o cruzado», recordando o
seu apoio à invasão norte-americana do Iraque. Temendo que essa acusação passasse
em claro nos Estados Unidos, o senador emitiu, imediatamente, um comunicado
qualificando o Emirado de «o mais perigoso grupo terrorista islâmico no mundo»26.
Esta polémica destina-se apenas a distrair a «galeria». Nós bem gostaríamos de
acreditar nela..., se não existisse esta fotografia, de maio de 2013 [A fotografia está no
24 “U.S. Air Strikes Are Having a Limited Effect on ISIL” («Ataques aéreos dos E.U. têm tido efeito
limitado sobre o ISIL» - ndT), Ben Watson,Defense One, 11 de agosto de 2014.
25 «Baghdadi ’Mossad trained’» («Bagadadi treinado pela Mossad» - ndT), Gulf Daily News, 15 de
julho de 2014.
26 “Statement by senator John McCain on being targeted by terrorist group ISIL as "the ennemy" and
"the crusader"” («Declaração do senador John McCain quanto a ter sido eleito pelo grupo
terrorista ISIL como “o inimigo” e o “cruzado”» - ndT), Gabinete de John McCain, 28 de julho de
2014.
9
sítio em referência e tem a seguinte legenda: John McCain na Síria. No primeiro plano, à
direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da
porta, ao centro, Mohammad Nour. - NE].
Thierry Meyssan
Tradução
Alva
* Thierry Meyssan é um intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da
conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa
árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2,
Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em
Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los
medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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