terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aristóteles

A Vida e as Obras

Este grande filósofo grego, filho de Nicômaco, médico de Amintas, rei da Macedônia, nasceu em Estagira, colônia grega da Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu, em 384 a.C. Aos dezoito anos, em 367, foi para Atenas e ingressou na academia platônica, onde ficou por vinte anos, até à morte do Mestre. Nesse período estudou também os filósofos pré-platônicos, que lhe foram úteis na construção do seu grande sistema.
Em 343 foi convidado pelo Rei Filipe para a corte de Macedônia, como preceptor do Príncipe Alexandre, então jovem de treze anos. Aí ficou três anos, até à famosa expedição asiática, conseguindo um êxito na sua missão educativo-política, que Platão não conseguiu, por certo, em Siracusa. De volta a Atenas, em 335, treze anos depois da morte de Platão, Aristóteles fundava, perto do templo de Apolo Lício, a sua escola. Daí o nome de Liceu dado à sua escola, também chamada peripatética devido ao costume de dar lições, em amena palestra, passeando nos umbrosos caminhos do ginásio de Apolo. Esta escola seria a grande rival e a verdadeira herdeira da velha e gloriosa academia platônica. Morto Alexandre em 323, desfez-se politicamente o seu grande império e despertaram-se em Atenas os desejos de independência, estourando uma reação nacional, chefiada por Demóstenes. Aristóteles, malvisto pelos atenienses, foi acusado de ateísmo. Preveniu ele a condenação, retirando-se voluntariamente para Eubéia, Aristóteles faleceu, após enfermidade, no ano seguinte, no verão de 322. Tinha pouco mais de 60 anos de idade. A respeito docaráter de Aristóteles, inteiramente recolhido na elaboração crítica do seu sistema filosófico, sem se deixar distrair por motivos práticos ou sentimentais, temos naturalmente muito menos a revelar do que em torno do caráter de Platão, em que, ao contrário, os motivos políticos, éticos, estéticos e místicos tiveram grande influência. Do diferente caráter dos dois filósofos, dependem também as vicissitudes exteriores das duas vidas, mais uniforme e linear a de Aristóteles, variada e romanesca a de Platão. Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de estudo, de pesquisas, de pensamento, que se foi isolando da vida prática, social e política, para se dedicar à investigação científica. A atividade literária de Aristóteles foi vasta e intensa, como a sua cultura e seu gênio universal. "Assimilou Aristóteles escreve magistralmente Leonel Franca todos os conhecimentos anteriores e acrescentou-lhes o trabalho próprio, fruto de muita observação e de profundas meditações. Escreveu sobre todas as ciências, constituindo algumas desde os primeiros fundamentos, organizando outras em corpo coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de sua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e requisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade e firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de raciocínio, poder admirável de síntese, faculdade de criação e invenção aliados a uma vasta erudição histórica e universalidade de conhecimentos científicos. O grande estagirita explorou o mundo do pensamento em todas as suas direções. Pelo elenco dos principais escritos que dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a sua prodigiosa atividade literária". A primeira edição completa das obras de Aristóteles é a de Andronico de Rodes pela metade do último século a.C. substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umas interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de Aristóteles do modo seguinte, tendo presente a edição de Andronico de Rodes.
I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado Órganon mais tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, corresponde muito bem à intenção do autor, que considerava a lógica instrumento da ciência.
II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodierna cosmologia e a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética, juntamente com a metafísica.
III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorze livros. É uma compilação feita depois da morte de Aristóteles mediante seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísica geral e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que ela ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física.
IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros, provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual é dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética de Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das duas precedentes, em especial da segunda; a Política, em oito livros, incompleta.
V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros; a Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas uma parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinas que nos restam - manifestam um grande rigor científico, sem enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e aguda, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia filosófica, de que foi ele o criador.

O Pensamento: A Gnosiologia

Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A filosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética,prática e poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, racional. A teorética, por sua vez, divide-se emfísicamatemática e filosofia primeira(metafísica e teologia); a filosofia prática divide-se eméticapolítica; a poética em estética e técnica. Aristóteles é o criador da lógica, como ciência especial, sobre a base socrático-platônica; é denominada por ele analítica e representa a metodologia científica. Trata Aristóteles os problemas lógicos e gnosiológicos no conjunto daqueles escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon. Limitar-nos-emos mais especialmente aos problemas gerais da lógica de Aristóteles, porque aí está a suagnosiologia. Foi dito que, em geral, a ciência, a filosofia - conforme Aristóteles, bem como segundo Platão - tem como objeto o universal e o necessário; pois não pode haver ciência em torno do individual e do contingente, conhecidos sensivelmente. Sob o ponto de vista metafísico, o objeto da ciência aristotélica é aforma, como idéia era o objeto da ciência platônica. A ciência platônica e aristotélica são, portanto, ambas objetivas, realistas: tudo que se pode aprender precede a sensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofia aristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação do condicionado mediante a condição, porquanto o primeiro elemento depende do segundo. Também aqui se segue a ordem da realidade, onde o fenômeno particular depende da lei universal e o efeito da causa. Objeto essencial da lógica aristotélica é precisamente este processo de derivação ideal, que corresponde a uma derivação real. A lógica aristotélica, portanto, bem como a platônica, é essencialmente dedutiva, demonstrativa, apodíctica. O seu processo característico, clássico, é o silogismo. Os elementos primeiros, os princípios supremos, as verdades evidentes, consoante Platão, são fruto de uma visão imediata, intuição intelectual, em relação com a sua doutrina do contato imediato da alma com as idéias - reminiscência. Segundo Aristóteles, entretanto, de cujo sistema é banida toda forma de inatismo, também os elementos primeiros do conhecimento - conceito e juízos - devem ser, de um modo e de outro, tirados da experiência, da representação sensível, cuja verdade imediata ele defende, porquanto os sentidos por si nunca nos enganam. O erro começa de uma falsa elaboração dos dados dos sentidos: a sensação, como o conceito, é sempre verdadeira. Por certo, metafisicamente, ontologicamente, o universal, o necessário, o inteligível, é anterior ao particular, ao contigente, ao sensível: mas, gnosiologicamente, psicologicamente existe primeiro o particular, o contigente, o sensível, que constituem precisamente o objeto próprio do nosso conhecimento sensível, que é o nosso primeiro conhecimento. Assim sendo, compreende-se que Aristóteles, ao lado e em conseqüência da doutrina de dedução, seja constrangido a elaborar, na lógica, uma doutrina da indução. Por certo, ela não está efetivamente acabada, mas pode-se integrar logicamente segundo o espírito profundo da sua filosofia. Quanto aos elementos primeiros do conhecimento racional, a saber, os conceitos, a coisa parece simples: a indução nada mais é que a abstração do conceito, do inteligível, da representação sensível, isto é, a "desindividualização" do universal do particular, em que o universal é imanente. A formação do conceito é, a posteriori, tirada da experiência. Quanto ao juízo, entretanto, em que unicamente temos ou não temos a verdade, e que é o elemento constitutivo da ciência, a coisa parece mais complicada. Como é que se formam os princípios da demonstração, os juízos imediatamente evidentes, donde temos a ciência? Aristóteles reconhece que é impossível uma indução completa, isto é, uma resenha de todos os casos os fenômenos particulares para poder tirar com certeza absoluta leis universais abrangendo todas as essências. Então só resta possível uma indução incompleta, mas certíssima, no sentido de que os elementos do juízo os conceitos são tirados da experiência, a posteriori, seu nexo, porém, é a priori, analítico, colhido imediatamente pelo intelecto humano mediante a sua evidência, necessidade objetiva.

Filosofia de Aristóteles

Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valor objetivo dos conceitos, mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os caracteres desta grande síntese são:
1. Observação fiel da natureza - Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas especulações metafísicas.
2. Rigor no método - Depois de estudas as leis do pensamento, o processo dedutivo e indutivo aplica-os, com rara habilidade, em todas as suas obras, substituindo à linguagem imaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso e criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode considerar-se como o autor da metodologia e tecnologia científicas. Geralmente, no estudo de uma questão, Aristóteles procede por partes: a) começa a definir-lhe o objeto; b)passa a enumerar-lhes as soluções históricasc)propõe depois as dúvidas; d) indica, em seguida, a própria solução;e) refuta, por último, as sentenças contrárias.
3. Unidade do conjunto - Sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro sistema, uma verdadeira síntese. Todas as partes se compõem, se correspondem, se confirmam.

A Teologia

Objeto próprio da teologia é o primeiro motor imóvel, ato puro, o pensamento do pensamento, isto é, Deus, a quem Aristóteles chega através de uma sólida demonstração, baseada sobre a imediata experiência, indiscutível, realidade do vir-a-ser, da passagem da potência ao ato. Este vir-a-ser, passagem da potência ao ato, requer finalmente um não-vir-a-ser, motor imóvel, um motor já em ato, um ato puro enfim, pois, de outra forma teria que ser movido por sua vez. A necessidade deste primeiro motor imóvel não é absolutamente excluída pela eternidade do vir-a-ser, do movimento, do mundo. Com efeito, mesmo admitindo que o mundo seja eterno, isto é, que não tem princípio e fim no tempo, enquanto é vir-a-ser, passagem da potência ao ato, fica eternamente inexplicável, contraditório, sem um primeiro motor imóvel, origem extra-temporal, causa absoluta, razão metafísica de todo devir. Deus, o real puro, é aquilo que move sem ser movido; a matéria, o possível puro, é aquilo que é movido, sem se mover a si mesmo.
Da análise do conceito de Deus, concebido como primeiro motor imóvel, conquistado através do precedente raciocínio, Aristóteles, pode deduzir logicamente a natureza essencial de Deus, concebido, antes de tudo, como ato puro, e, consequentemente, como pensamento de si mesmo. Deus é unicamente pensamento, atividade teorética, no dizer de Aristóteles, enquanto qualquer outra atividade teria fim extrínseco, incompatível com o ser perfeito, auto-suficiente. Se o agir, o querer têm objeto diverso do sujeito agente e "querente", Deus não pode agir e querer, mas unicamente conhecer e pensar, conhecer a si próprio e pensar em si mesmo. Deus é, portanto, pensamento de pensamento, pensamento de si, que é pensamento puro. E nesta autocontemplação imutável e ativa, está a beatitude divina.
Se Deus é mera atividade teorética, tendo como objeto unicamente a própria perfeição, não conhece o mundo imperfeito, e menos ainda opera sobre ele. Deus não atua sobre o mundo, voltando-se para ele, com o pensamento e a vontade; mas unicamente como o fim último, atraente, isto é, como causa final, e, por conseqüência, e só assim, como causa eficiente e formal (exemplar). De Deus depende a ordem, a vida, a racionalidade do mundo; ele, porém, não é criador, nem providência do mundo. Em Aristóteles o pensamento grego conquista logicamente a transcendência de Deus; mas, no mesmo tempo, permanece o dualismo, que vem anular aquele mesmo Absoluto a que logicamente chegara, para dar uma explicação filosófica da relatividade do mundo pondo ao seu lado esta realidade independente dele.

A Moral

Aristóteles trata da moral em três Éticas, de que se falou quando das obras dele. Consoante sua doutrina metafísica fundamental, todo ser tende necessariamente à realização da sua natureza, à atualização plena da sua forma: e nisto está o seu fim, o seu bem, a sua felicidade, e, por conseqüência, a sua lei. Visto ser a razão a essência característica do homem, realiza ele a sua natureza vivendo racionalmente e senso disto consciente. E assim consegue ele a felicidade e a virtude, isto é, consegue a felicidade mediante a virtude, que é precisamente uma atividade conforme à razão, isto é, uma atividade que pressupõe o conhecimento racional. Logo, o fim do homem é a felicidade, a que é necessária à virtude, e a esta é necessária a razão. A característica fundamental da moral aristotélica é, portanto, o racionalismo, visto ser a virtude ação consciente segundo a razão, que exige o conhecimento absoluto, metafísico, da natureza e do universo, natureza segundo a qual e na qual o homem deve operar.
As virtudes éticas, morais, não são mera atividade racional, como as virtudes intelectuais, teoréticas; mas implicam, por natureza, um elemento sentimental, afetivo, passional, que deve ser governado pela razão, e não pode, todavia, ser completamente resolvido na razão. A razão aristotélica governa, domina as paixões, não as aniquila e destrói, como queria o ascetismo platônico. A virtude ética não é, pois, razão pura, mas uma aplicação da razão; não é unicamente ciência, mas uma ação com ciência.
Uma doutrina aristotélica a respeito da virtude doutrina que teve muita doutrina prática, popular, embora se apresente especulativamente assaz discutível é aquela pela qual a virtude é precisamente concebida como um justo meio entre dois extremos, isto é, entre duas paixões opostas: porquanto o sentido poderia esmagar a razão ou não lhe dar forças suficientes. Naturalmente, este justo meio, na ação de um homem, não é abstrato, igual para todos e sempre; mas concreto, relativo a cada qual, e variável conforme as circunstâncias, as diversas paixões predominantes dos vários indivíduos.
Pelo que diz respeito à virtude, tem, ao contrário, certamente, maior valor uma outra doutrina aristotélica: precisamente a da virtude concebida como hábito racional. Se a virtude é, fundamentalmente, uma atividade segundo a razão, mais precisamente é ela um hábito segundo a razão, um costume moral, uma disposição constante, reta, da vontade, isto é, a virtude não é inata, como não é inata a ciência; mas adquiri-se mediante a ação, a prática, o exercício e, uma vez adquirida, estabiliza-se, mecaniza-se; torna-se quase uma segunda natureza e, logo, torna-se de fácil execução - como o vício.
Como já foi mencionado, Aristóteles distingue duas categorias fundamentais de virtudes: as éticas, que constituem propriamente o objeto da moral, e as dianoéticas, que a transcendem. É uma distinção e uma hierarquia, que têm uma importância essencial em relação a toda a filosofia e especialmente à moral. As virtudes intelectuais, teoréticas, contemplativas, são superiores às virtudes éticas, práticas, ativas. Noutras palavras, Aristóteles sustenta o primado do conhecimento, do intelecto, da filosofia, sobre a ação, a vontade, a política.

A Política

política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima se falou.
O estado, então, é superior ao indivíduo, porquanto a coletividade é superior ao indivíduo, o bem comum superior ao bem particular. Unicamente no estado efetua-se a satisfação de todas as necessidades, pois o homem, sendo naturalmente animal social, político, não pode realizar a sua perfeição sem a sociedade do estado.
Visto que o estado se compõe de uma comunidade de famílias, assim como estas se compõem de muitos indivíduos, antes de tratar propriamente do estado será mister falar da família, que precede cronologicamente o estado, como as partes precedem o todo. Segundo Aristóteles, a família compõe-se de quatro elementos: os filhos, a mulher, os bens, os escravos; além, naturalmente, do chefe a que pertence a direção da família. Deve ele guiar os filhos e as mulheres, em razão da imperfeição destes. Deve fazer frutificar seus bens, porquanto a família, além de um fim educativo, tem também um fim econômico. E, como ao estado, é-lhe essencial a propriedade, pois os homens têm necessidades materiais. No entanto, para que a propriedade seja produtora, são necessários instrumentos inanimados e animados; estes últimos seriam os escravos.
Aristóteles não nega a natureza humana ao escravo; mas constata que na sociedade são necessários também os trabalhos materiais, que exigem indivíduos particulares, a que fica assim tirada fatalmente a possibilidade de providenciar a cultura da alma, visto ser necessário, para tanto, tempo e liberdade, bem como aptas qualidades espirituais, excluídas pelas próprias características qualidades materiais de tais indivíduos. Daí a escravidão.
Vejamos, agora, o estadoem particular. O estado surge, pelo fato de ser o homem um animal naturalmente social, político. O estado provê, inicialmente, a satisfação daquelas necessidades materiais, negativas e positivas, defesa e segurança, conservação e engrandecimento, de outro modo irrealizáveis. Mas o seu fim essencial é espiritual, isto é, deve promover a virtude e, conseqüentemente, a felicidade dos súditos mediante a ciência.
Compreende-se, então, como seja tarefa essencial do estado a educação, que deve desenvolver harmônica e hierarquicamente todas as faculdades: antes de tudo as espirituais, intelectuais e, subordinadamente, as materiais, físicas. O fim da educação é formar homens mediante as artes liberais, importantíssimas a poesia e a música, e não máquinas, mediante um treinamento profissional. Eis porque Aristóteles, como Platão, condena o estado que, ao invés de se preocupar com uma pacífica educação científica e moral, visa a conquista e a guerra. E critica, dessa forma, a educação militar de Esparta, que faz da guerra a tarefa precípua do estado, e põe a conquista acima da virtude, enquanto a guerra, como o trabalho, são apenas meios para a paz e o lazer sapiente.
Não obstante a sua concepção ética do estado, Aristóteles, diversamente de Platão, salva o direito privado, a propriedade particular e a família. O comunismo como resolução total dos indivíduos e dos valores no estado é fantástico e irrealizável. O estado não é uma unidade substancial, e sim uma síntese de indivíduos substancialmente distintos. Se se quiser a unidade absoluta, será mister reduzir o estado à família e a família ao indivíduo; só este último possui aquela unidade substancial que falta aos dois precedentes. Reconhece Aristóteles a divisão platônica das castas, e, precisamente, duas classes reconhece: a dos homens livres, possuidores, isto é, a dos cidadãos e a dos escravos, dos trabalhadores, sem direitos políticos.
Quanto à forma exterior do estado, Aristóteles distingue três principais: a monarquia, que é o governo de um só, cujo caráter e valor estão na unidade, e cuja degeneração é a tirania; a aristocracia, que é o governo de poucos, cujo caráter e valor estão na qualidade, e cuja degeneração é a oligarquia; a democracia, que é o governo de muitos, cujo caráter e valor estão na liberdade, e cuja degeneração é a demagogia. As preferências de Aristóteles vão para uma forma de república democrático-intelectual, a forma de governo clássica da Grécia, particularmente de Atenas. No entanto, com o seu profundo realismo, reconhece Aristóteles que a melhor forma de governo não é abstrata, e sim concreta: deve ser relativa, acomodada às situações históricas, às circunstâncias de um determinado povo. De qualquer maneira a condição indispensável para uma boa constituição, é que o fim da atividade estatal deve ser o bem comum e não a vantagem de quem governa despoticamente.

A Religião

Com Aristóteles afirma-se o teísmo do ato puro. No entanto, este Deus, pelo seu efetivo isolamento do mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições de se tornar objeto de religião, mais do que as transcendentes idéias platônicas. E não fica nenhum outro objeto religioso. Também Aristóteles, como Platão, se exclui filosoficamente o antropomorfismo, não exclui uma espécie de politeísmo, e admite, ao lado do Ato Puro e a ele subordinado, os deuses astrais, isto é, admite que os corpos celestes são animados por espíritos racionais. Entretanto, esses seres divinos não parecem e não podem ter função religiosa e sem física.
Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a religião positiva do povo, até sem correção alguma. Explica e justifica a religião positiva, tradicional, mítica, como obra política para moralizar o povo, e como fruto da tendência humana para as representações antropomórficas; e não diz que ela teria um fundamento racional na verdade filosófica da existência da divindade, a que o homem se teria facilmente elevado através do espetáculo da ordem celeste.
Aristóteles como Platão considera a arte como imitação, de conformidade com o fundamental realismo grego. Não, porém, imitação de uma imitação, como é o fenômeno, o sensível, platônicos; e sim imitação direta da própria idéia, do inteligível imanente no sensível, imitação da forma imanente na matéria. Na arte, esse inteligível, universal é encarnado, concretizado num sensível, num particular e, destarte, tornando intuitivo, graças ao artista. Por isso, Aristóteles considera a arte a poesia de Homero que tem por conteúdo o universal, o imutável, ainda que encarnado fantasticamente num particular, como superior à história e mais filosófica do que a história de Heródoto que tem como objeto o particular, o mutável, seja embora real. O objeto da arte não é o que aconteceu uma vez como é o caso da história , mas o que por natureza deve, necessária e universalmente, acontecer. Deste seu conteúdo inteligível, universal, depende a eficácia espiritual pedagógica, purificadora da arte.
Se bem que a arte seja imitação da realidade no seu elemento essencial, a forma, o inteligível, este inteligível recebe como que uma nova vida através da fantasia criadora do artista, isto precisamente porque o inteligível, o universal, deve ser encarnado, concretizado pelo artista num sensível, num particular. As leis da obra de arte serão, portanto, além de imitação do universal verossimilhança e necessidade coerência interior dos elementos da representação artística, íntimo sentimento do conteúdo, evidência e vivacidade de expressão. A arte é, pois, produção mediante a imitação; e a diferença entre as várias artes é estabelecida com base no objeto ou no instrumento de tal imitação.

A Metafísica

metafísica aristotélica é "a ciência do ser como ser, ou dos princípios e das causas do ser e de seus atributos essenciais". Ela abrange ainda o ser imóvel e incorpóreo, princípio dos movimentos e das formas do mundo, bem como o mundo mutável e material, mas em seus aspectos universais e necessários. Exporemos portanto, antes de tudo, as questões gerais da metafísica, para depois chegarmos àquela que foi chamada, mais tarde, metafísica especial; tem esta como objeto o mundo que vem-a-ser - natureza e homem - e culmina no que não pode vir-a-ser, isto é, Deus. Podem-se reduzir fundamentalmente a quatro as questões gerais da metafísica aristotélica: potência e ato, matéria e forma, particular e universal, movido e motor. A primeira e a última abraçam todo o ser, a segunda e a terceira todo o ser em que está presente a matéria.
I. A doutrina da potência e do ato é fundamental na metafísica aristotélica: potência significa possibilidade, capacidade de ser, não-ser atual; e ato significa realidade, perfeição, ser efetivo. Todo ser, que não seja o Ser perfeitíssimo, é portanto uma síntese - um sínolo - de potência e de ato, em diversas proporções, conforme o grau de perfeição, de realidade dos vários seres. Um ser desenvolve-se, aperfeiçoa-se, passando da potência ao ato; esta passagem da potência ao ato é atualização de uma possibilidade, de uma potencialidade anterior. Esta doutrina fundamental da potência e do ato é aplicada - e desenvolvida - por Aristóteles especialmente quando da doutrina da matéria e da forma, que representam a potência e o ato no mundo, na natureza em que vivemos. Desta doutrina da matéria e da forma, vamos logo falar.
II. Aristóteles não nega o vir-a-ser de Heráclito, nem o ser de Parmênides, mas une-os em uma síntese conclusiva, já iniciada pelos últimos pré-socráticos e grandemente aperfeiçoada por Demócrito e Platão. Segundo Aristóteles, a mudança, que é intuitiva, pressupõe uma realidade imutável, que é de duas espécies. Um substrato comum, elemento imutável da mudança, em que a mudança se realiza; e as determinações que se realizam neste substrato, a essência, a natureza que ele assume. O primeiro elemento é chamado matéria (prima), o segundo forma (substancial). O primeiro é potência, possibilidade de assumir várias formas, imperfeição; o segundo é atualidade - realizadora, especificadora da matéria - , perfeição. A síntese - o sinolo - da matéria e da forma constitui a substância, e esta, por sua vez, é o substrato imutável, em que se sucedem os acidentes, as qualidades acidentais. A mudança, portanto, consiste ou na sucessão de várias formas na mesma essência, forma concretizada da matéria, que constitui precisamente a substância.
A matéria sem forma, a pura matéria, chamada matéria-prima, é um mero possível, não existe por si, é um absolutamente interminado, em que a forma introduz as determinações. A matéria aristotélica, porém, não é o puro não-ser de Platão, mero princípio de decadência, pois ela é também condição indispensável para concretizar a forma, ingrediente necessário para a existência da realidade material, causa concomitante de todos os seres reais.
Então não existe, propriamente, a forma sem a matéria, ainda que a forma seja princípio de atuação e determinação da própria matéria. Com respeito à matéria, a forma é, portanto, princípio de ordem e finalidade, racional, inteligível. Diversamente da idéia platônica, a forma aristotélica não é separada da matéria, e sim imanente e operante nela. Ao contrário, as formas aristotélicas são universais, imutáveis, eternas, como as idéias platônicas.
Os elementos constitutivos da realidade são, portanto, a forma e a matéria. A realidade, porém, é composta de indivíduos, substâncias, que são uma síntese - umsínolo - de matéria e forma. Por conseqüência, estes dois princípios não são suficientes para explicar o surgir dos indivíduos e das substâncias que não podem ser atuados - bem como a matéria não pode ser atuada - a não ser por um outro indivíduo, isto é, por uma substância em ato. Daí a necessidade de um terceiro princípio, a causa eficiente, para poder explicar a realidade efetiva das coisas. A causa eficiente, por sua vez, deve operar para um fim, que é precisamente a síntese da forma e da matéria, produzindo esta síntese o indivíduo. Daí uma quarta causa, a causa final, que dirige a causa eficiente para a atualização da matéria mediante a forma.
III. Mediante a doutrina da matéria e da forma, Aristóteles explica o indivíduo, a substância física, a única realidade efetiva no mundo, que é precisamente síntese - sínolo - de matéria e de forma. A essência - igual em todos os indivíduos de uma mesma espécie - deriva da forma; a individualidade, pela qual toda substância é original e se diferencia de todas as demais, depende da matéria. O indivíduo é, portanto, potência realizada, matéria enformada, universal particularizado. Mediante esta doutrina é explicado o problema do universal e do particular, que tanto atormenta Platão; Aristóteles faz o primeiro - a idéia - imanente no segundo - a matéria, depois de ter eficazmente criticado o dualismo platônico, que fazia os dois elementos transcendentes e exteriores um ao outro.
IV. Da relação entre a potência e o ato, entre a matéria e a forma, surge o movimento, a mudança, o vir-a-ser, a que é submetido tudo que tem matéria, potência. A mudança é, portanto, a realização do possível. Esta realização do possível, porém, pode ser levada a efeito unicamente por um ser que já está em ato, que possui já o que a coisa movida deve vir-a-ser, visto ser impossível que o menos produza o mais, o imperfeito o perfeito, a potência o ato, mas vice-versa. Mesmo que um ser se mova a si mesmo, aquilo que move deve ser diverso daquilo que é movido, deve ser composto de um motor e de uma coisa movida. Por exemplo, a alma é que move o corpo. O motor pode ser unicamente ato, forma; a coisa movida - enquanto tal - pode ser unicamente potência, matéria. Eis a grande doutrina aristotélica do motor e da coisa movida, doutrina que culmina no motor primeiro, absolutamente imóvel, ato puro, isto é, Deus.

A Psicologia

Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto é, vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente do mundo inorgânico, pois, o ser vivo diversamente do ser inorgânico possui internamente o princípio da sua atividade, que é precisamente a alma, forma do corpo. A característica essencial e diferencial da vida e da planta, que tem por princípio a alma vegetativa, é a nutrição e a reprodução. A característica da vida animal, que tem por princípio a alma sensitiva, é precisamente a sensibilidade e a locomoção. Enfim, a característica da vida do homem, que tem por princípio a alma racional, é o pensamento. Todas estas três almas são objeto da psicologia aristotélica. Aqui nos limitamos à psicologia racional, que tem por objeto específico o homem, visto que a alma racional cumpre no homem também as funções da vida sensitiva e vegetativa; e, em geral, o princípio superior cumpre as funções do princípio inferior. De sorte que, segundo Aristóteles diversamente de Platão todo ser vivo tem uma só alma, ainda que haja nele funções diversas faculdades diversas porquanto se dão atos diversos. E assim, conforme Aristóteles, diversamente de Platão, o corpo humano não é obstáculo, mas instrumento da alma racional, que é a forma do corpo.
O homem é uma unidade substancial de alma e de corpo, em que a primeira cumpre as funções de forma em relação à matéria, que é constituída pelo segundo. O que caracteriza a alma humana é a racionalidade, a inteligência, o pensamento, pelo que ela é espírito. Mas a alma humana desempenha também as funções da alma sensitiva e vegetativa, sendo superior a estas. Assim, a alma humana, sendo embora uma e única, tem várias faculdades, funções, porquanto se manifesta efetivamente com atos diversos. As faculdades fundamentais do espírito humano são duas: teorética e prática, cognoscitiva e operativa, contemplativa e ativa. Cada uma destas, pois, se desdobra em dois graus, sensitivo e intelectivo, se se tiver presente que o homem é um animal racional, quer dizer, não é um espírito puro, mas um espírito que anima um corpo animal.
O conhecimento sensível, a sensação, pressupões um fato físico, a saber, a ação do objeto sensível sobre o órgão que sente, imediata ou à distância, através do movimento de um meio. Mas o fato físico transforma-se num fato psíquico, isto é, na sensação propriamente dita, em virtude da específica faculdade e atividade sensitivas da alma. O sentido recebe as qualidades materiais sem a matéria delas, como a cera recebe a impressão do selo sem a sua matéria. A sensação embora limitada é objetiva, sempre verdadeira com respeito ao próprio objeto; a falsidade, ou a possibilidade da falsidade, começa com a síntese, com o juízo. O sensível próprio é percebido por um só sentido, isto é, as sensações específicas são percebidas, respectivamente, pelos vários sentidos; o sensível comum, as qualidades gerais das coisas tamanho, figura, repouso, movimento, etc. são percebidas por mais sentidos. O senso comum é uma faculdade interna, tendo a função de coordenar, unificar as várias sensações isoladas, que a ele confluem, e se tornam, por isso, representações, percepções.
Acima do conhecimento sensível está o conhecimento inteligível, especificamente diverso do primeiro. Aristóteles aceita a essencial distinção platônica entre sensação e pensamento, ainda que rejeite o inatismo platônico, contrapondo-lhe a concepção do intelecto como tabula rasa, sem idéias inatas. Objeto do sentido é o particular, o contingente, o mutável, o material. Objeto do intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências, as formas das coisas e os princípios primeiros do ser, o ser absoluto. Por conseqüência, a alma humana, conhecendo o imaterial, deve ser espiritual e, quanto a tal, deve ser imperecível.
Analogamente às atividades teoréticas, duas são as atividades práticas da alma: apetite e vontade. O apetite é a tendência guiada pelo conhecimento sensível, e é próprio da alma animal. Esse apetite é concebido precisamente como sendo um movimento finalista, dependente do sentimento, que, por sua vez depende do conhecimento sensível. A vontade é o impulso, o apetite guiado pela razão, e é própria da alma racional. Como se vê, segundo Aristóteles, a atividade fundamental da alma é teorética, cognoscitiva, e dessa depende a prática, ativa, no grau sensível bem como no grau inteligível.

A Cosmologia

Uma questão geral da física aristotélica, como filosofia da natureza, é a análise dos vários tipos de movimento, mudança, que já sabemos ser passagem da potência ao ato, realização de uma possibilidade. Aristóteles distingue quatro espécies de movimentos:
1. Movimento substancial - mudança de forma, nascimento e morte;
2. Movimento qualitativo - mudança de propriedade;
3. Movimento quantitativo - acrescimento e diminuição;
4. Movimento espacial - mudança de lugar, condicionando todas as demais espécies de mudança.
Outra especial e importantíssima questão da física aristotélica é a concernente ao espaço e ao tempo, em torno dos quais fez ele investigações profundas. O espaço é definido como sendo o limite do corpo, isto é, o limite imóvel do corpo "circundante" com respeito ao corpo circundado. O tempo é definido como sendo o número - isto é, a medida - do movimento segundo a razão, o aspecto, do "antes" e do "depois". Admitidas as precedentes concepções de espaço e de tempo - como sendo relações de substâncias, de fenômenos - é evidente que fora do mundo não há espaço nem tempo: espaço e tempo vazios são impensáveis.
Uma terceira questão fundamental da filosofia natural de Aristóteles é a concernente ao teleologismo - finalismo - por ele propugnado com base na finalidade, que ele descortina em a natureza.  "A natureza faz, enquanto possível, sempre o que é mais belo". Fim de todo devir é o desenvolvimento da potência ao ato, a realização da forma na matéria.
Quanto às ciências químicas, físicas e especialmente astronômicas, as doutrinas aristotélicas têm apenas um valor histórico, e são logicamente separáveis da sua filosofia, que tem um valor teorético. Especialmente célebre é a sua doutrina astronômica geocêntrica, que prestará a estrutura física à Divina Comédia de Dante Alighieri.

Juízo sobre Aristóteles

É difícil aquilatar em sua justa medida o valor de Aristóteles. A influência intelectual por ele até hoje exercida sobre o pensamento humano e à qual se não pode comparar a de nenhum outro pensador dá-nos, porém, uma idéia da envergadura de seu gênio excepcional. Criador da lógica, autor do primeiro tratado de psicologia científica, primeiro escritor da história da filosofia, patriarca das ciências naturais, metafísico, moralista, político, ele é o verdadeiro fundador da ciência moderna e "ainda hoje está presente com sua linguagem científica não somente às nossas cogitações, senão também à expressão dos sentimentos e das idéias na vida comum e habitual".
Nem por isso podemos deixar de apontar as lacunas do seu sistema. Sua moral, sem obrigação nem sanção, é defeituosa e mais gravemente defeituosa ainda que a teodicéia, sobretudo na parte que trata das relações de Deus com o mundo. O dualismo primitivo e irredutível entre Deus, ato puro, e a matéria, princípio potencial, é, na própria teoria aristotélica, uma verdadeira contradição e deixa subsistir, como enigma insolúvel e inexplicável, a existência dos seres fora de Deus.

Vista Retrospectiva

Com Sócrates entre a filosofia em seu caminho definitivo. O problema do objeto e da possibilidade da ciência é posto em seus verdadeiros termos e resolvido, nas suas linhas gerais, pela doutrina do conceito.Platão dá um passo além, procurando determinar a relação entre o conceito e a realidade, mas encalha, dum lado, nas dificuldades insolúveis de um realismo exagerado; de outro, nas extravagâncias dum idealismo extremo. Aristóteles, com o seu espírito positivo e observador, retoma o mesmo problema no pé em que o pusera Platão e dá-lhe, pela teoria da abstração e da inteligência ativa, uma solução satisfatória e definitiva nos grandes lineamentos. Em torno desta questão fundamental, que entende com a metafísica, a psicologia e a lógica, se vão desenvolvendo harmoniosamente as outras partes da filosofia até constituírem em Aristóteles esta grandiosa síntese do saber universal, o mais precioso legado da civilização grega que declinava à civilização ocidental que surgia.


Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles.htm#ixzz3M3svuyyW

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


A Globalização da NATO: Doutrina Militar de Guerra Mundial

Global Research, 10 dez 2014

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
Clarity Press (2012)
Páginas: 411 com índice completo
O mundo está envolto em um manto de conflito perpétuo. Invasões, ocupação, as sanções ilícitas e de mudança de regime tornaram-se moedas e as ordens do dia. Uma organização - a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) - é repetidamente, e muito controversa, envolvido em alguma forma ou de outra, em muitos desses conflitos liderados por os EUA e seus aliados. NATO gerado a partir da Guerra Fria. Sua existência foi justificada por Washington e Bloco Ocidental políticos como fiador contra qualquer invasão soviética e de Leste da Europa Ocidental, mas ao longo de toda a Aliança serviu para cimentar a influência de Washington na Europa e continuar o que era, na verdade, a ocupação da América do pós-Segunda Guerra Mundial do continente europeu. Em 1991, a raison d'être da ameaça soviética terminou com o colapso da União Soviética e do fim da Guerra Fria. No entanto NATO permanece e continua a expandir-se de forma alarmante em direção ao leste, antagonizar a Rússia e seus aliados ex-soviéticos. China e Irã também estão monitorando cada vez mais movimentos da OTAN como ele entra em contato mais frequente com eles.
 Iugoslávia era um ponto de viragem para a Aliança Atlântica e seu mandato. A organização mudou-se de o disfarce de uma postura defensiva em uma pose ofensiva sob os pretextos de humanitarismo. A partir da Iugoslávia, a OTAN começou a sua jornada para se tornar uma força militar global. A partir de suas guerras nos Balcãs, começou a alargar a sua área internacional das operações fora da zona euro-atlântica no Cáucaso, na Ásia Central, África Oriental, Oriente Médio, Norte da África e do Oceano Índico. Verificou-se praticamente o Mar Mediterrâneo em um lago da OTAN com o Diálogo NATO Mediterrâneo e da Iniciativa de Cooperação de Istambul, ao mesmo tempo que procura fazer o mesmo para o Mar Negro e ganhar uma posição estratégica na região do Mar Cáspio. A Iniciativa de Segurança do Golfo entre a NATO eo Conselho de Cooperação do Golfo pretende também dominar o Golfo Pérsico e para hem no Irã. Israel tornou-se um membro de facto da organização militar. Ao mesmo tempo, os navios da NATO navegar no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. Estes navios de guerra são implantados ao largo das costas da Somália, Djibouti e Iêmen como parte dos objetivos da OTAN para criar um cordão naval dos mares controladores vias estratégicas importantes e rotas de trânsito marítimo.
O objetivo final do Aliança Atlântica é fixar e prender o Império Americano. NATO tem claramente desempenhou um papel importante na complementação a estratégia dos EUA para dominar a Eurásia. Isso inclui o cerco da Rússia, China, Irã e seus aliados com um subserviente anel militar para Washington. O projeto global escudo antimísseis, a militarização do Japão, as revoltas na Líbia e na Síria, as ameaças contra o Irã, e a formação de uma aliança militar NATO-like na região da Ásia-Pacífico são os componentes deste projeto geopolítico colossal. Globalização da NATO, no entanto, está reunindo uma nova série de Eurasian contra-alianças com ligações globais que se estendem até a América Latina. O Coletivo Organização do Tratado de Segurança Colectiva (CSTO) ea Organização de Cooperação de Xangai (SCO) ter sido formado por Rússia, China, e seus aliados como escudos contra os EUA e NATO e como um meio para desafiá-los. À medida que a globalização da NATO se desenrola os riscos de uma guerra nuclear se tornar mais e mais grave com a Aliança Atlântica caminhando para um curso de colisão com a Rússia, China e Irã, que poderia inflamar III Guerra Mundial.

Disponível para encomenda a partir de pesquisas GLOBAL

 A Globalização da NATO

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
ISBN: 978-0-9852710-2-2
Clarity Imprensa
Ano: 2012
Páginas: 411 com índice completo
Preço: $ 22.95

Nota da Global Research editor
Nós chamar a atenção dos nossos leitores deste livro importante e oportuno por Mahdi Darius Nazemroaya, premiado autor, analista de geopolítica e Pesquisador Associado do Centro for Research on Globalization (CRG).
Este livro analisa em detalhe a evolução histórica do pós-Guerra Fria mandato e militares intervenções da OTAN.
O autor leva o leitor através do tabuleiro de xadrez geopolítico Eurasian, dos Balcãs e da Europa Oriental, a Ásia Central e no Extremo Oriente, através dos "corredores" de militares da Aliança Atlântica, do Pentágono e do Washington grupos de reflexão, onde a nova pós- doutrina militar da Guerra Fria de guerra global está decidida.
E a partir da formulação da doutrina militar, Nazemroaya examina o mandato da NATO, as suas campanhas militares, com foco nas regiões geopolíticas onde a Global NATO alargou as suas garras Worldwide.
O livro, desde o início examina a dimensão económica das empresas militares da OTAN, como o último apoiar a imposição de reformas macroeconômicas mortais em países soberanos. Guerra e globalização estão intrinsecamente relacionadas. A globalização da economia sob o comando de Wall Street e do FMI é endossado por uma agenda militar global.
Nazemroaya explora como dominante interesses econômicos são apoiados pela "internacionalização" da OTAN como uma entidade militar, que ampliou suas áreas de jurisdição da região do Europeu-North Atlantic em novas fronteiras. "A Globalização da NATO" apoia e sustenta a imposição Worldwide da doutrina econômica neoliberal.
Mahdi Darius Nazemroaya é um homem de muita coragem e convicção. Tendo vivido pelos vastos bombardeios da OTAN de Trípoli, no auge da guerra da NATO humanitária "na Líbia, a vida dos outros dentro de sua comitiva foram sempre mais importante do que sua própria vida.
É nesse estado de espírito e compromisso, tendo testemunhado em primeira mão os horrores da "responsabilidade de proteger" da OTAN, que ao retornar da Líbia em setembro de 2011, Mahdi Darius Nazemroaya começou a trabalhar incansavelmente em seu manuscrito.
Embora as conclusões da análise e investigação detalhada do Nazemroaya não são de forma otimista, esta agenda global militar pode ser revertida quando as pessoas ao redor do mundo, no verdadeiro espírito do internacionalismo e da soberania nacional, juntar as mãos para o desmantelamento da máquina de matar a OTAN e os seus patrocinadores corporativos .
É por isso que este livro é um marco importante, um manual para a ação.
Através de compromisso, coragem e verdade em todos os níveis da sociedade, em toda a terra, nacional e internacionalmente, esse processo de "militarização global" descrito por Nazemroaya, pode ser revertida com força.
Neste momento crítico da nossa história ", a criminalização da guerra" é o caminho que deve ser buscado, como um meio para estabelecendo a paz mundial.
Pode o objetivo da paz mundial ser alcançado? Nas palavras do ex-Secretário-Geral Adjunto da ONU Denis Halliday, leu o livro de Nazemroaya "antes que seja tarde demais."
Michel Chossudovsky, Montreal, 08 de outubro de 2012

REVISÕES
"A Globalização da NATO por Mahdi Darius Nazemroaya é simplesmente magnífica, erudita e desprovido do etnocentrismo ao qual se tornou-se tão acostumados a partir de autores ocidentais. O livro lida com o que, sem dúvida, são as questões mais importantes e relevantes do dia para todos aqueles comprometidos com a salvar vidas e proteger a Mãe Terra da irresponsabilidade humana desenfreada e crime. Não há nenhum outro livro que, neste momento particular, eu gostaria mais vivamente endossar. Eu acho que os africanos, Perto povos orientais, os iranianos, russos, chineses, asiáticos e europeus em geral e todos os países latino-americanos progressistas de hoje vai encontrar um reforço muito necessário e apoio aos seus ideais pacíficos neste excelente livro de leitura obrigatória. "
MIGUEL D'Escoto Brockmann, ministro das Relações Exteriores da Nicarágua (1979-1990) e presidente da 63ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (2008-2009): Manágua, Nicarágua.
"Estamos longe dos princípios e objectivos para os quais as Nações Unidas foi criado e as decisões do Tribunal de Nuremberg, que estipula que algumas ações do Estado podem ser considerados crimes contra a paz. O livro de Nazemroaya, além de nos lembrar que o papel das Nações Unidas foi confiscado pela NATO, elabora o perigo de que o Tratado do Atlântico Norte representa para a paz mundial ".
JOSÉ L. GÓMEZ del Prado, presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o Uso de Mercenários (2005-2011): Ferney-Voltaire, França.
"Através de pesquisas cuidadosamente documentadas, Mahdi Darius Nazemroaya analisa a evolução histórica e geopolítica da NATO desde a Guerra Fria para o cargo 9/11 US- levou" Guerra Global contra o Terrorismo. "Este livro é uma leitura obrigatória para aqueles comprometidos com a reverter a maré de guerra e conquista imperial por máquina militar mais importante do mundo. "
MICHEL Chossudovsky, professor emérito de Economia na Universidade de Ottawa e diretor do Centre for Research on Globalization (CRG): Montréal, Canadá.
"Um livro muito oportuna. Sim, liderada pelos EUA, NATO está se globalizando, como a economia finanças liderada pelos Estados Unidos. Sem dúvida, também para ele para proteger este último, o "livre mercado". É um caso clássico de overstretch para ajudar a salvar o império norte-americano em ruínas e influência ocidental em geral, pela maioria dos países dos quais são falido por sua própria má gestão económica. Todas as suas intervenções compartilhar duas características. Os conflitos poderia ter sido resolvido com um pouco de paciência e criatividade, mas é que a NATO não querem soluções. Ele usa os conflitos como matéria-prima que ele pode processar em intervenções para dizer ao mundo que ele é o mais forte em termos militares. E, com a ajuda da mídia mainstream, que vê Hitler em todos os lugares, em um Milosevic, a bin Laden, uma Hussein, um Kadafi, em Assad, insensível às enormes diferenças entre todos estes casos. Espero que este livro vai ser lido por muito, muito muitas pessoas que podem transformar essa fascinação mórbida com a violência na resolução de conflitos construtiva ".
- Johan GALTUNG, Professor Emérito de Estudos e Sociologia da Paz na Universidade de Oslo e fundador do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz em Oslo (PRIO), o Galtung- Institut, e da Rede Transcend: Oslo, Noruega.
"Escritos prolíficos de Mahdi Darius Nazemroaya nos dar uma compreensão abrangente do caráter do esforço militar e é tudo para fora, sem tabus planos estratégicos e move-se para invadir, ocupar e saquear os recursos das nações, causando atos bárbaros sem precedentes sobre as populações civis. Ele é um dos pensadores visionários e escritores da contemporaneidade, que merece ser lido e posta em prática por pessoas com uma consciência e preocupação com o futuro da humanidade ".
VISHNU Bhagwat, o almirante e chefe do Estado-Maior Naval da Índia (1996-1998): Mumbai, na Índia.
"Este é um livro realmente necessário para a compreensão do papel da NATO no quadro da estratégia dos EUA de longo prazo. A Globalização da NATO por Mahdi Darius Nazemroaya não só fornece uma análise articulada na Aliança Atlântica: é o melhor texto moderno dedicado à aliança hegemônica. Com este livro Nazemroaya reconfirma a sua habilidade como analista de geopolítica brilhante ".
TIBERIO GRAZIANI, presidente do Instituto de Estudos Avançados em Geopolítica e Ciências Auxiliares / L'Istituto di Studi Alti em Geopolítica e Scienze Ausiliarie (ISAG): Roma, Itália.
"Nazemroaya é um escritor prolífico inacreditável. O que muitas vezes surpreender muitos é sua escrita quase sem parar em questões extremamente importantes para o mundo contemporâneo e sua análise sobre a globalização da NATO. O que espanta muitos de nós em outras partes do mundo são a sua profundidade aparentemente ilimitado, largura e profundidade de seu conhecimento que tem aparecido repetidamente em seu trabalho. Estamos profundamente endividado com contribuições humildes, incansáveis ​​e inestimáveis ​​do Nazemroaya através de seus escritos destemidos, perspicazes e poderosos. "
KIYUL CHUNG, Editor-in-Chief do 4º Mídia e Visiting Professor na Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade de Tsinghua: Beijing, República Popular da China.
"Press Club dos Jornalistas no México é grato e o privilégio de conhecer um homem que respeita a palavra escrita e é usado de forma ética, sem outro interesse que não seja mostrar a realidade sobre o outro lado do poder no mundo. Mahdi Darius Nazemroaya dá voz ao "sem voz". Ele pode ver o outro lado da lua, do lado sem luz ".
CELESE Sáenz de Miera, mexicano Broadcaster e secretário-geral do mexicano Press Club: Distrito Federal da Cidade do México, México.
"Com a sua análise muito bem documentado, Mahdi Darius Nazemroaya realizou uma descriptografia notável das estratégias implementadas pela NATO - no interesse dos Estados Unidos, a União Europeia e Israel - para expandir seu domínio militar sobre o mundo, garantir seu controle sobre recursos energéticos e as rotas de trânsito, e cercando os países susceptíveis de ser uma barreira ou uma ameaça aos seus objetivos, seja o Irã, a Rússia ou a China. O trabalho de Nazemroaya é leitura essencial para aqueles que querem entender o que está sendo jogado fora agora no mapa em todos os pontos de conflito do mundo; Líbia e África; Síria e no Oriente Médio; Golfo Pérsico e da Eurásia. "
Sílvia Cattori, analista político e jornalista suíço: Genebra, Suíça.
 Disponível para encomenda a partir de pesquisas GLOBAL

A Globalização da NATO

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
ISBN: 978-0-9852710-2-2
Clarity Imprensa
Ano: 2012
Páginas: 411 com índice completo
Preço: $ 22.95

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sábado, 13 de dezembro de 2014

Em homenagem a LEANDRO KONDER

Li Konder muito jovem, durante muito tempo depois não voltei à sua obra. Conservei discordância com respeito e admiração. O marxismo é aberto, não é dogma. A pluralidade das interpretações que ele permite é a sua fecundidade. Toda a filosofia tem consequências políticas, começamos por divergir na política para divergir na filosofia, ou vice-versa.

Com o desaparecimento de Leandro Konder, a cultura marxista brasileira perdeu uma de suas figuras mais significativas. Segundo Lucien Goldmann, uma grande obra – literária ou filosófica – é aquela que consegue associar a coerência com a riqueza. Profundamente generoso, humano e criativo, Leandro se distinguia pela coerência de suas ideias, e pela extraordinária diversidade e riqueza de seus interesses e curiosidades. Seus escritos incluem não só brilhantes ensaios sobre a filosofia marxista, mas também obras sobre Fourier, Flora Tristan, Kafka, Walter Benjamin, a filosofia da educação, a questão do fascismo – sem falar de seu clássico livro sobre A derrota da dialética e seus dois romances. Leandro era um espírito autenticamente universal: um bicho raro nestes tempos de especialização acadêmica, fragmentação do saber e encerramento das disciplinas em compartimentos estanques.
Leandro – Leo para os amigos – nunca abandonou, cedeu, recuou, ou capitulou, em sua adesão ao comunismo e à dialética marxista. Impenitente, segundo a teologia, é aquele que nunca se arrepende de seus pecados. Leo nunca se arrependeu do “pecado” de lutar contra o capitalismo, por uma sociedade de justiça e liberdade humana. Seja na resistência contra a ditadura militar – que o prendeu e torturou, obrigando-o a se exilar –, nas fileiras do PCB, e mais tarde, do PT, e finalmente, do PSOL, ele sempre esteve na primeira linha do combate pela democracia e pelo socialismo. Sua arma, nesta luta, era tão ou mais poderosa que o melhor fuzil: a pluma.
Seu outro “pecado” era o humor, a ironia e auto-ironia com que apimentava seus escritos, suas aulas e suas conversas com amigos. Um exemplo bem conhecido era sua proposta de completar seu Curriculum Vitae (CV) com um Curriculum Mortis (CM)enumerando todas as derrotas, fracassos e insucessos do autor… No CM de Leandro Konder figura em bom lugar sua notória incapacidade de ser um acadêmico conformista, um burocrata partidário, um intelectual bem pensante e um pensador bem visto pelas autoridades competentes.
Conheci o Leandro em meados dos anos 1970, por ocasião de sua estadia em Paris, nos anos do exílio. Embora oriundos de “capelas” diferentes – ele o Partidão, eu a POLOP – comungávamos no culto a São Jorge (György Lukács). Passávamos horas a discutir as sutilidades da dialética lukacsiana e da necessidade de salvar o marxismo das calamidades positivistas e estruturalistas que o ameaçavam.
Muitos outros encontros se seguiram, não só em Paris, mas também no Rio de Janeiro, a partir do fim da ditadura. Nossas conversas se davam frequentemente em companhia de um outro mosqueteiro da dialética, o Carlos Nelson Coutinho. Além de Lukács, Gramsci, Goldmann, Kosik e outros profetas do Antigo e do Novo Testamento Dialético, discutíamos também sobre política brasileira. Partindo, no começo dos anos 1980, de perspectivas bastante diferentes, acabamos nos aproximando muito, partilhando esperanças e decepções. Esta aproximação se traduziu, por exemplo, na redação de um texto comum, “O Socialismo Libertário de William Morris”, que serviu de introdução à edição brasileira do romance utópico de William Morris, Noticias de Lugar Nenhum(São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2002).
Nesses trinta e tantos anos de leituras, conversas e discussões em torno de um café, uma cerveja ou uma batidinha, aprendemos um com o outro. Pessoalmente, aprendi muito com o Leandro. Não só sobre a história do marxismo no Brasil, mas também sobre Kafka, Lukács, Walter Benjamin. E sobre aquele “elemento pérfido” (Bernstein dixit) do marxismo: a dialética, é claro! Nunca li um livro de Leandro sem encontrar nele ideias, hipóteses, análises que me enriquecessem e me ajudassem a refletir. Meu preferido éWalter Benjamin, o marxismo da melancolia. Neste livro aparece o seguinte comentário: “Benjamin sabia da necessidade de pensar agindo, de agir pensando.” O mesmo se aplica, palavra por palavra, ao itinerário do intelectual militante Leandro Konder.
Semanas atrás, por ocasião de uma curta estadia no Rio, Eleni (minha companheira) e eu fomos visitar Leo e Cristina. Nosso amigo se movia com dificuldade e a voz estava enfraquecida, mas o espírito nada tinha perdido de sua agilidade e de sua força. Conversamos sobre a reedição de suas obras: nossa cara Ivana Jinkings, da Editora Boitempo, estava muito interessada e esperava por propostas. Eu não podia imaginar que este seria nosso ultimo encontro…
O Leo vai nos fazer muita falta… Mas suas ideias estarão no coração e no espírito de muitas gerações de marxistas. Se algum dia a dialética tiver sua revanche no Brasil, ela terá uma grande dívida para com o Leandro, combatente obstinado por um marxismo dialético, aberto, humanista, democrático e revolucionário (no sentido gramsciano da palavra).
in Boitempo.blog.br.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

OPINIÃO 8

Era uma vez um rei que ficou nu no meio da praça. Tinha uma pedra no caminho, tinha uma pedra...Não foi necessária a criança para gritar:"O rei vai nu!". Como era rei a corte ficou a nu. Ora, desta feita, ficou nu o regime democrático do capital financeiro. Só falta mesmo o povo vir às ruas e gritar:"Abaixo a monarquia!"

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________
Publicado em 2014/11/22, em: http://www.mondialisation.ca/vingt-six-verites-sur-le-groupe-etat-islamiqueei-quobama-veut-vous-cacher/5415419
Tradução do francês de TAM
Colocado em linha em: 2014/12/08

Vinte e seis verdades sobre o grupo Estado
Islâmico (EI) que Obama vos quer esconder

Michel Chossudovsky

A guerra conduzida pelos Estados Unidos contra o grupo armado Estado Islâmico é
uma grande mentira.
Perseguir os «terroristas islâmicos» e conduzir uma guerra preventiva no mundo
inteiro para «proteger a pátria norte-americana» são conceitos utilizados para
justificar um programa militar.
O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) é uma criação dos serviços secretos
norte-americanos. O programa de «luta contra o terrorismo» de
Washington no Iraque e na Síria consiste em apoiar os terroristas.
A incursão das brigadas do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque que se iniciou em
junho de 2014 fazia parte de uma operação militar e dos serviços secretos
cuidadosamente planificada e apoiada secretamente pelos Estados Unidos, a NATO
e Israel.
O mandato de luta contra o terrorismo é falso. Os Estados Unidos são os
«mandantes número um do terrorismo de Estado».
O Estado Islâmico é protegido pelos Estados Unidos e os seus aliados. Se
tivessem querido eliminar as brigadas do Estado Islâmico, teriam podido
bombardear intensamente as suas caravanas de camionetas Toyota
assim que atravessaram o deserto entre a Síria e o Iraque, em junho.
O deserto sírio-árabe é um território aberto (ver o mapa abaixo). Do ponto de vista
militar, esta operação teria podido ser efetuada eficazmente, rapidamente e de
modo extremamente preciso com caças de tecnologia de ponta (F15, F22 Raptor,
CF-18).
Neste artigo, abordamos 26 conceitos que refutam a grande mentira.
Enquanto os órgãos de comunicação social interpretaram esta operação militar de
grande escala contra a Síria e o Iraque como uma iniciativa humanitária, ela
causou inúmeros mortos civis.
Esta operação não teria podido ser realizada sem o apoio inflexível dos órgãos de
comunicação social ocidentais, que afirmaram que a iniciativa de Obama
representava uma operação de contraterrorismo.

AS ORIGENS HISTÓRICAS DA AL-QAËDA
1. Os Estados Unidos apoiam a Al-Qaëda e as suas organizações desde há
cerca de meio século, desde o início da guerra soviético-afegã.
2. Os campos de treino da CIA foram construídos no Paquistão. Entre 1982 e 1992, a
CIA recrutou qualquer coisa como 35 000 jihadistas vindos de 43 países muçulmanos
para fazerem a guerra santa no Afeganistão.
«Pagos por fundos da CIA, foram colocados anúncios publicitários nos jornais e em
boletins de informação por todo o mundo, incitando à adesão à jihad.»
3. Washington apoia a rede terrorista islâmica desde a administração
Reagan.
Ronald Reagan chamou aos terroristas «combatentes da liberdade». Os Estados
Unidos forneceram armas às brigadas islâmicas. Era para «uma boa causa»: a luta
contra a União Soviética e por uma mudança de regime que levasse ao
desaparecimento de um governo laico no Afeganistão. [No original, está uma fotografia de Ronald Reagan com mudjahidines afegãos com a
seguinte legenda: “Ronald Reagan encontra-se com comandantes mudjahidines afegãos na
Casa Branca em 1985 (Arquivos de Reagan)”]
4. Manuais djihadistas foram publicados pela Universidade do Nebraska.
«Os Estados Unidos gastaram milhões de dólares para entregar aos estudantes
afegãos manuais cheios de imagens violentas e de doutrina islâmica militante.»
5. Ossama ben Laden, «o demónio» (Bogeyman) dos Estados Unidos e
fundador da Al-Qäeda, foi recrutado pela CIA em 1979, desde o início da jihad
contra o Afeganistão, apoiada pelos Estados Unidos. Tinha 22 anos e foi formado
num campo de treino de guerrilha sustentado pela CIA.
A Al-Qaëda não esteve por detrás dos ataques de 11 de Setembro. O 11 de
Setembro de 2001 forneceu uma justificação para a guerra contra o Afeganistão,
baseada na ideia de que o Afeganistão praticava o terrorismo de Estado, apoiando a
Al-Qaëda. Os ataques do 11 de Setembro contribuíam para a elaboração da «guerra
mundial ao terrorismo» (Global War on Terrorism).
O ESTADO ISLÂMICO
6. O grupo Estado Islâmico (EI) esteve na origem de uma entidade ligada
à Al-Qaëda e criada pelos serviços secretos dos Estados Unidos com o apoio
do M16 britânico, da Mossad israelita, dos Inter-Serviços de Inteligência (ISI)
paquistaneses e da Presidência Geral de Inteligência (GIP) saudita, Ri’āsat AlIstikhbarat
Al-’Āmah (العامة الاستخبارات رئاسة).
7. As brigadas do EI participaram na insurreição na Síria contra o governo de Bachar
Al-Assad, insurreição apoiada pelos Estados Unidos e a NATO.
8. A NATO e o Alto comando turco foram responsáveis pelo recrutamento
de mercenários para o EI e o Al-Nosra desde o começo da insurreição síria, em
março de 2011. Segundo fontes dos serviços secretos israelitas, esta iniciativa
consistia «numa campanha com o objetivo de fazer alistar milhares de
voluntários muçulmanos nos países do Médio Oriente e no mundo
muçulmano para combater ao lado dos rebeldes sírios. O exército turco
acolheria estes voluntários, formá-los-ia e asseguraria a sua passagem
para a Síria». (DEBKAfile, NATO to give rebels anti-tank weapons, 14 août 2011.).
[No original, pode ver-se a fotografia de um soldado americano empunhando um cartaz que
lhe esconde o rosto onde se lê: «Obama, não serei deslocado para combater pelos rebeldes da
tua Al-Qaëda na Síria. ACORDAI, POVO»]
9. Há forças especiais ocidentais e dos serviços secretos ocidentais nas
fileiras do EI. Forças especiais britânicas e o M16 participaram na formação de
rebeldes jihadistas na Síria.
10. Peritos militares ocidentais, contratados pelo Pentágono, formaram os terroristas para utilizar armas químicas. 4
«Os Estados Unidos e alguns dos seus aliados europeus utilizam empresários ligados
à Defesa para mostrar aos rebeldes sírios como manter em segurança os estoques de
armas químicas na Síria, declararam no domingo à CNN um alto responsável norteamericano
e vários diplomatas de alto nível.» (CNN Report, 9 de dezembro de 2012).
11. A prática da decapitação do EI faz parte de programas de treino dos
terroristas apoiados pelos Estados Unidos e é realizada na Arábia Saudita e no
Qatar.
12. Um grande número de mercenários do EI, recrutados pelo aliado dos
Estados Unidos, são criminosos condenados que foram libertados das prisões
sauditas com a condição de se juntarem ao EI. Foram recrutados condenados à morte
sauditas para se juntarem às brigadas terroristas.
13. Israel apoiou as brigadas do EI e do Al-Nosra nos Montes Golã.
Jihadistas encontraram-se com oficiais israelitas de Tsahal e com o
primeiro-ministro Nétanyahou. As altas patentes de Tsahal reconhecem
tacitamente que «elementos da jihad mundial na Síria» [EI e Al-Nosra] são
apoiados por Israel. Ver imagem abaixo:
[No original pode ver-se a fotografia de Netanyhau e outros militares israelitas, num
hospital, com a seguinte legenda:
«O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyhaou e o ministro da Defesa Moshe Yaalon,
ao lado de um mercenário ferido, no hospital militar israelita de campanha nos montes
Golã ocupados, na fronteira com a Síria, em 18 de fevereiro de 2014»]
A SÍRIA E O IRAQUE
14. Os mercenários do EI são soldados de infantaria da aliança militar
ocidental. O seu mandato tácito é vandalizar e destruir a Síria e o Iraque,
em nome daqueles que os apoiam, os Estados Unidos.
15. O senador norteamericano John McCain encontra-se com chefes
terroristas jihadistas na Síria. (Ver foto à direita)
[No original pode ver-se uma fotografia do senador McCain em companhia de terroristas
armados trajando à civil]
16. A milícia do Estado islâmico, atualmente alegado alvo de uma campanha de
bombardeamentos dos Estados Unidos e da NATO, em virtude de um mandato de
«luta contra o terrorismo», é sempre apoiada clandestinamente pelos Estados
Unidos. Washington e os seus aliados continuam a fornecer ajuda militar
ao Estado Islâmico.
17. Os bombardeamentos dos Estados Unidos e dos seus aliados não
visam o EI, mas as infraestruturas económicas do Iraque e da Síria, entre elas as
fábricas e as refinarias de petróleo.
18. O projeto de califado do EI resulta de um programa de longa data da
política externa dos Estados Unidos, com o objetivo de dividir o Iraque e a Síria
em territórios distintos: um califado islamista sunita, uma República shiita árabe e
uma República do Curdistão.
A GUERRA MUNDIAL AO TERRORISMO (GMAT)
19. «A guerra mundial ao terrorismo» (GMAT) é apresentada como um «choque de
civilizações», uma guerra entre valores e religiões concorrentes, enquanto, na
realidade, continua a ser uma verdadeira guerra de conquista, guiada por objetivos
estratégicos e económicos.
20. As brigadas terroristas da Al-Qaëda sustentadas pelos Estados Unidos (e
apoiadas secretamente pelos serviços secretos ocidentais) foram deslocadas para o
Mali, o Níger, a Nigéria, a República Centro-Africana, a Somália e o Iémen.
Estas diferentes entidades ligadas à Al-Qaëda no Médio Oriente, na África
subsaariana e na Ásia são apoiadas pelos «trunfos dos serviços secretos» apoiados
pela CIA. São utilizados por Washington para desencadearem devastações,
criar conflitos internos e desestabilizar países soberanos.
21. Boko Haram na Nigéria, Al-Shabab na Somália, Grupo islâmico combatente na
Líbia (GICL) (apoiado pela NATO em 2011), Al-Qaëda no Magreb islâmico (AQMI),
Jemaah Islamiyah (JI) na Indonésia, entre outros grupos filiados da Al-Qaëda, são
sustentados clandestinamente pelos serviços secretos ocidentais.
22. Os Estados Unidos apoiam também organizações terroristas filiadas na Al-Qaëda
na região autónoma uigure de Xinjiang, na China. O objetivo subjacente consiste em
desencadear a instabilidade política na China ocidental.
É relatado que jihadistas chineses terão recebido «uma formação terrorista» do
Estado islâmico «com o objetivo de perpetrar ataques contra a China». O objetivo
declarado destas entidades jihadistas na China (servindo os interesses dos Estados
Unidos) é estabelecer um califado islâmico que se estenda ao oeste da China. (Michel
Chossudovsky, America’s War on Terrorism, Global Research, Montreal, 2005,
capítulo 2).
TERRORISTAS DE ORIGEM INTERNA
23. Somos nós os terroristas: Os Estados Unidos são os arquitetos não
declarados do grupo armado Estado Islâmico e o mandato sagrado de Obama é
proteger a América contra os ataques do EI.
24. A ameaça terrorista de origem interna é uma invenção. Os governos
ocidentais e os meios de comunicação social fazem propaganda disso com o objetivo
de revogar as liberdades civis e instaurar um Estado policial. Os ataques terroristas
perpetrados por presumidos jihadistas e os alertas de atentados dos terroristas são 6
invariavelmente encenações. São utilizados para criar uma atmosfera de medo e
intimidação.
As prisões, os processos e as condenações de «terroristas islâmicos» visam, por sua
vez, sustentar a legitimidade da Homeland Security [Segurança Interna (NT)], o
Estado securitário dos Estados Unidos, e do aparelho de aplicação da lei, cada vez
mais militarizado.
O objetivo último é inculcar no espírito de milhões de norte-americanos a ideia de
que o inimigo é real e que a administração dos EUA visa proteger a vida dos seus
cidadãos.
25. A campanha do «combate ao terrorismo» contra o Estado islâmico
contribuiu para a diabolização dos muçulmanos, que, aos olhos da opinião
pública ocidental, são cada vez mais associados aos jihadistas.
26. Qualquer pessoa que ouse pôr em causa a validade da «guerra
mundial ao terrorismo» é acusada de ser um terrorista e submetida às leis
antiterroristas.
O objectivo último da «guerra mundial ao terrorismo» é submeter os cidadãos à
autoridade, despolitizar completamente a vida social nos Estados Unidos, impedir as
pessoas de pensar e de conceptualizar, analisar os factos e contestar a legitimidade da
ordem social inquisitorial que governa o país.
A administração Obama impôs um consenso diabólico com o apoio dos seus aliados,
sem contar com o papel cúmplice do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os
órgãos de comunicação social ocidentais adoptaram o consenso; descrevem o grupo
Estado islâmico como uma entidade independente, um inimigo externo que ameaça o
mundo ocidental.
A grande mentira tornou-se verdade.
Dizei não à «grande mentira»
Passem a palavra
No fim de contas, a verdade é uma arma poderosa.
Ajudem-nos, por favor, a seguir em frente. Contamos com o apoio dos nossos leitores.
[…]
Pela paz e a verdade na comunicação social

Michel Chossudovsky 


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA