terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Discurso de Vladimir Putin no Clube Valdai


Colegas, senhoras e senhores, amigos,
É um prazer recebê-los no XI Encontro do Clube Internacional de Debate Valdai.
Foi já mencionado que o clube tem este ano novos co-organizadores. Incluem organizações não-governamentais russas, grupos de especialistas e importantes universidades. Surgiu igualmente a ideia de alargar as discussões para inclusão não apenas de assuntos relativos à Rússia, mas também de política global e economia.
Espero que estas alterações na organização e no conteúdo reforcem a influência do clube como importante fórum de debate e encontro de especialistas. Ao mesmo tempo, espero que o “espírito de Valdai” se mantenha – esta atmosfera livre e aberta e oportunidade para expressão de todo o tipo de opiniões muito diferentes e francas.
Deixem-me dizer, a esse respeito, que não os vou desiludir e que falarei directa e francamente. Alguma coisa do que vou dizer poderá parecer um pouco dura, mas, se não falarmos directa e honestamente sobre o que realmente pensamos, não há grande razão sequer para nos reunirmos desta maneira. Seria preferível então limitarmo-nos a encontros diplomáticos, onde ninguém diz nada com significado real e onde, lembrando as palavras de um famoso diplomata, se chega à conclusão de que os diplomatas têm boca para não dizerem a verdade.
Reunimo-nos por outras razões. Reunimo-nos para falar com franqueza uns com os outros. Precisamos hoje de ser francos e directos não para nos atacarmos, mas para tentarmos chegar ao fundo do que actualmente acontece no mundo, tentarmos compreender porque se está o mundo a tornar menos seguro e mais imprevisível e porque estão os riscos a aumentar por todo o lado à nossa volta.
A discussão de hoje teve lugar à volta do tema: Novas Regras ou um Jogo sem Regras. Penso que esta fórmula descreve com rigor o ponto de viragem histórico ao qual chegámos hoje e a escolha que se nos apresenta. Não há nada de novo evidentemente na ideia de que o mundo muda muito rapidamente. Sei que é algo de que falaram nos debates de hoje. É certamente difícil que não se notem as dramáticas transformações na política global e na economia, na vida pública, na indústria, na informação e nas tecnologias sociais.
Deixem-me pedir-lhes desde já que me desculpem se acabar por repetir o que alguns dos participantes nas discussões disseram já. É praticamente impossível evitá-lo. Tiveram já debates detalhados, mas vou estabelecer o meu ponto de vista. Vai coincidir com o de outros participantes nuns pontos e deles diferir noutros.
Ao analisarmos a situação actual não esqueçamos as lições da história. Em primeiro lugar, as mudanças na ordem mundial – e o que vemos hoje são acontecimentos a essa escala – foram normalmente acompanhadas, senão de guerra e conflito globais, pelo menos pela sucessão de intensos conflitos a nível local. Em segundo lugar, a política global é acima de tudo acerca de liderança económica, das questões de guerra e paz, e da dimensão humanitária, incluindo os direitos humanos.
O mundo está hoje cheio de contradições. Precisamos de ser francos ao perguntar-nos uns aos outros se temos uma rede de segurança fiável instalada. Tristemente, não há qualquer garantia e nenhuma certeza de que o actual sistema de segurança global e regional seja capaz de nos proteger de convulsões. Este sistema ficou seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. As organizações de cooperação política internacional e regional, económicas e culturais passam por tempos difíceis.
Sim, muitos dos mecanismos que temos para assegurar a ordem mundial foram criados há já bastante tempo, incluindo e acima de tudo no período imediatamente a seguir a II Guerra Mundial. Deixem-me salientar que a solidez do sistema então criado assentava não apenas no equilíbrio de poder e nos direitos dos países vencedores, mas no facto de os “pais fundadores” deste sistema se respeitarem mutuamente, não tentarem chantagear, mas procurarem alcançar acordos.
O mais importante é que este sistema precisa ser desenvolvido e, apesar das suas várias limitações, precisa de ser pelo menos capaz de manter os atuais problemas mundiais dentro de certos limites e de regular a intensidade da competição natural entre os países.
É minha convicção que não poderíamos pegar neste mecanismo de pesos e contrapesos construído durante as últimas décadas , por vezes com tanto esforço e dificuldades, e simplesmente deitá-lo fora sem construir outra coisa em seu lugar. De outro modo, ficaríamos privados de outros instrumentos que não a força bruta.
O que precisávamos de fazer era desenvolver uma reconstrução racional e adaptá-la às novas realidades do sistema de relações internacionais.
Mas, os Estados Unidos, declarando-se vencedores da Guerra Fria, não viram necessidade disso. Em vez de estabelecerem um novo equilíbrio de poder, essencial para manter a ordem e a estabilidade, deram passos que lançaram o sistema num grave e profundo desequilíbrio.
A Guerra Fria terminou, mas não terminou com a assinatura de qualquer tratado de paz estabelecendo acordos claros e transparentes sobre o respeito das regras existentes ou a criação de novas regras e normas. Isso criou a impressão de que os chamados ”vencedores” da Guerra Fria tinham decidido pressionar os acontecimentos e remodelar o mundo de acordo com as suas próprias necessidades e interesses. Se o sistema existente de relações internacionais, a lei internacional e os pesos e contrapesos instalados eram obstáculo para esses objectivos, o sistema era declarado inválido, ultrapassado e exigida a sua imediata demolição.
Desculpem-me a analogia, mas esta é a forma como os novos-ricos se comportam quando de repente se vêem com uma grande fortuna, neste caso, sob a forma da liderança e domínio mundiais. Em vez de gerirem a sua riqueza com sensatez, claro que também para seu próprio benefício, fizeram muitas loucuras, segundo penso.
Entrámos num período de interpretações diversas e deliberados silêncios na política mundial. A lei internacional foi forçada a recuar cada vez mais perante a ofensiva do niilismo legal. A objectividade e a justiça foram sacrificadas no altar da conveniência política. Interpretações arbitrárias e avaliações enviesadas substituíram as normas legais. Ao mesmo tempo, o controle total dos meios de comunicação globais tornaram possível sempre que pretendido fazer passar o branco por negro e o negro por branco.
Numa situação em que se tinha o domínio de um único país e seus aliados, ou antes, seus satélites, a procura de soluções globais transformou-se muitas vezes numa tentativa de imposição das suas próprias receitas universais. Estas ambições de grupo aumentaram tanto que as políticas combinadas nos seus corredores do poder começaram a ser apresentadas como posições de toda a comunidade internacional. Mas, não é assim.
A própria noção de “soberania nacional” tornou-se um valor relativo para a maior parte dos países. Em essência, o que estava sendo proposto era a fórmula: quanto maior a lealdade para com o único centro de poder mundial, maior a legitimidade deste ou daquele regime de governo.
Vamos ter uma discussão livre a seguir e terei todo o prazer em responder às vossas perguntas, assim como gostaria de usar do meu direito de também vos fazer perguntas. Esperemos que durante a próxima discussão haja quem tente contestar os argumentos que acabo de apresentar .
As medidas tomadas contra aqueles que recusam submeter-se são bem conhecidas e foram experimentadas e testadas com frequência. Incluem o uso da força, a pressão económica e da propaganda, a interferência nos assuntos internos e a invocação de uma espécie de legitimidade “super-legal” quando precisam de justificar intervenção ilegal neste ou naquele conflito ou no derrube de regimes inconvenientes. Ultimamente temos também crescentes provas de que tem sido usada chantagem directa em relação a certo número de líderes. Não é por nada que o “grande irmão” tem gasto milhares de milhões de dólares para manter o mundo inteiro sob vigilância, incluindo os seus mais próximos aliados.
Perguntemo-nos quão à vontade nos sentimos com isto, quanto estamos seguros, quão felizes a viver neste mundo e quão justo e racional é ele. Talvez não tenhamos qualquer razão real para nos preocuparmos, contestar e fazer perguntas inconvenientes. Será que a posição excepcional dos Estados Unidos e a maneira como exercem a sua liderança é realmente uma bênção para todos nós e a sua intromissão nos acontecimentos em todo o mundo para trazer paz, prosperidade, progresso, crescimento e democracia e teremos nós simplesmente de relaxar e gozar de tudo isso?
Permitam-me dizer que não, de modo nenhum.
Ditames unilaterais e imposição de modelos próprios produzem o resultado oposto. Em vez da resolução de conflitos, leva à sua escalada, em vez de estados soberanos e estáveis, vemos o crescente alargar do caos e em vez de democracia, há o apoio a gente muito duvidosa, desde declarados neofascistas a radicais islâmicos.
Porque apoiam essa gente? Fazem-no porque decidem usá-la como instrumentos para atingirem os seus objectivos, mas depois queimam os dedos e encolhem-se. Nunca deixo de me espantar com a maneira como os nossos parceiros continuam a tropeçar sempre no mesmo degrau, como dizemos aqui na Rússia quando se repete o mesmo erro uma e outra vez.
A dada altura, apoiaram movimentos extremistas islâmicos para lutarem contra a União Soviética. Esses grupos ganharam experiência de combate no Afeganistão e mais tarde deram origem aos Taliban e à Al-Qaeda. O Ocidente, se não apoiou, pelo menos fechou os olhos e, diria eu, deu informações, apoio político e financeiro à invasão por terroristas internacionais da Rússia (não esquecemos isto) e dos países da região da Ásia Central. Só depois de horríveis ataques terem sido cometidos em solo americano os Estados Unidos acordaram para a comum ameaça do terrorismo. Deixem-me lembrar-vos que fomos o primeiro país a apoiar o povo americano nessa ocasião, os primeiros a reagir à terrível tragédia do 11 de Setembro como amigos e parceiros.
Durante as minhas conversas com líderes americanos e europeus, sempre falei da necessidade de se combater em conjunto o terrorismo como desafio à escala global. Não nos podemos conformar e aceitar essa ameaça, não podemos dividi-la em partes separadas usando duas medidas. Os nossos parceiros exprimiram concordância, mas passado pouco tempo voltávamos onde tínhamos começado. Primeiro, houve a operação militar no Iraque e depois na Líbia, que foi levada à beira da desagregação. Porque foi a Líbia levada até essa situação? Hoje, é um país em perigo de desintegração e tornou-se um campo de treino para terroristas.
Só a determinação e sensatez da actual liderança egípcia salvaram esse país-chave árabe do caos e do domínio total por extremistas. Na Síria, os Estados Unidos e seus aliados começaram como no passado a financiar e armar rebeldes, deixando-os engrossarem fileiras com mercenários de vários países. Deixem-me perguntar onde vão esses rebeldes buscar o dinheiro, as armas e os conselheiros militares? De onde vem tudo isso? Como conseguiu o notório ISIL tornar-se um grupo tão poderoso, essencialmente uma verdadeira força armada?
Quanto às fontes de financiamento, o dinheiro vem hoje não apenas da droga, cuja produção aumentou não de alguns pontos percentuais, mas várias vezes, desde que as forças da coligação internacional estão presentes no Afeganistão. Julgo que estão cientes disto. Os terroristas estão a obter dinheiro também da venda de petróleo. O petróleo é produzido em território controlado pelos terroristas, que o produzem, vendem a preços de dumping e transportam. Mas, alguém o compra, o revende e lucra com ele, não pensando no facto de assim estar a financiar terroristas que podem mais tarde ou mais cedo chegar à sua própria terra e semear a destruição nas suas próprias cidades.
Onde conseguem eles novos recrutas? No Iraque, depois de Saddam ter sido derrubado, as instituições do estado incluindo o exército ficaram em ruínas. Dissemos então para terem muito, muito cuidado. Atirando as pessoas para a rua, o que vão elas fazer? Não esquecer que, bem ou mal, estavam à frente de uma grande potência regional. E em que estão a fazer agora que elas se tornem?
Qual foi o resultado? Dezenas de milhares de soldados, oficiais e antigos activistas do partido Baath foram lançados para a rua e hoje juntaram-se às fileiras dos rebeldes. Talvez seja isto que explique porque o grupo do Estado Islâmico se tornou tão eficaz. Em termos militares, atua com muita eficiência e tem alguns elementos muito profissionais. A Rússia avisou repetidamente sobre os perigos de acções militares unilaterais, intervindo nos assuntos de estados soberanos e cortejando extremistas e radicais. Insistimos em pôr os grupos que combatem o governo sírio, sobretudo o Estado Islâmico, nas listas de organizações terroristas. Viu-se algum resultado? Apelámos em vão.
Ficamos por vezes com a impressão de que os nossos colegas e amigos estão constantemente a lutar contra as consequências da sua própria política, aplicando todo o seu esforço para tratarem de riscos que eles próprios criaram e pagando um preço cada vez mais elevado por isso.
Colegas, este período de dominação unipolar demonstrou convincentemente que com apenas um centro de poder os processos globais não se tornam mais governáveis. Pelo contrário, esse tipo de construção instável mostrou a sua incapacidade para combater ameaças reais como os conflitos regionais, o terrorismo, o tráfico de droga, o fanatismo religioso, o chauvinismo e o neonazismo. Ao mesmo tempo, escancarou as portas ao orgulho nacional desmedido, manipulando a opinião pública e permitindo aos fortes perseguirem e eliminarem os fracos.
Em essência, o mundo unipolar é um simples meio para justificar a ditadura sobre pessoas e países. O mundo unipolar tornou-se uma carga demasiado incómoda, pesada e intratável, mesmo para o autoproclamado líder. Foram aqui feitos anteriormente comentários de acordo com esta ideia, com os quais concordo totalmente. Por isso, vemos nesta nova etapa histórica tentativas para se recriar uma espécie de mundo quase-bipolar como modelo conveniente para a perpetuação da liderança americana. Não interessa quem ocupa o lugar do centro do mal na propaganda americana, o velho lugar da URSS como principal adversário: pode ser o Irão como país a tentar adquirir tecnologia nuclear, a China como a maior economia mundial ou a Rússia como superpotência nuclear.
Hoje, assistimos a novas tentativas de fragmentação do mundo, traçado de novas linhas divisórias, montagem de coligações não para construir qualquer coisa, mas dirigidas contra alguém, quem quer que seja, criação da imagem de um inimigo como nos anos da Guerra Fria, e obtenção do direito a essa liderança ou diktat, se quiserem. A situação apresentou-se dessa maneira durante a Guerra Fria, todos entendemos e sabemos isso. Os Estados Unidos disseram sempre aos seus aliados: “Temos um inimigo comum, um inimigo terrível, o centro do mal, e estamos a defender-vos desse inimigo como vossos aliados e por isso temos o direito de vos dar ordens, de vos obrigar a sacrificarem os vossos interesses políticos e económicos e a pagarem a vossa parte dos custos desta defesa colectiva, mas evidentemente seremos nós que mandamos.“ Em resumo, assistimos hoje a tentativas de reproduzir num mundo novo e em mudança modelos de administração global conhecidos e tudo isso para assegurar a sua [dos EUA] posição de excepção e beneficiar de dividendos políticos e económicos.
Porém, estas tentativas estão cada vez mais divorciadas da realidade e estão em contradição com a diversidade do mundo. Passos neste sentido geram confronto e contramedidas e têm o efeito oposto aos objectivos pretendidos. Vemos o que acontece quando a política começa imprudentemente a misturar-se com a economia e a lógica das decisões racionais dá lugar à lógica do confronto que só fere as próprias posições e interesses económicos, incluindo os interesses do comércio nacional.
Projectos económicos conjuntos e investimento mútuo aproximam os países e ajudam a atenuar os problemas correntes nas relações entre os estados. Contudo, hoje a comunidade do comércio global enfrenta pressões sem precedentes dos governos ocidentais. De que negócios, eficácia económica e pragmatismo podemos falar quando ouvimos slogans como “a pátria está em perigo”, “o mundo livre está ameaçado” e “a democracia está em risco”? E assim todos começam a mobilizar-se. É com uma verdadeira política de mobilização que isto se parece.
As sanções já começaram a minar as bases do comércio mundial, as regras da Organização Mundial do Comércio e o princípio da inviolabilidade da propriedade privada. Estão a arrasar o modelo liberal da globalização baseado nos mercados, na liberdade e na competição, o qual, diga-se de passagem, é um modelo que beneficiou em primeiro lugar precisamente os países ocidentais. E agora, arriscam-se a perder a confiança como líderes da globalização. Temos de nos perguntar: qual a necessidade disso? Ao fim e ao cabo, a prosperidade dos Estados Unidos reside em grande parte na confiança dos investidores e titulares estrangeiros de dólares e títulos financeiros americanos. Esta confiança está claramente a ser minada e são visíveis agora em muitos países os sinais de desapontamento com os frutos da globalização.
O bem conhecido precedente de Chipre e as sanções por motivos políticos não fizeram mais que reforçar a tendência para se procurar dar apoio à soberania económica e financeira e à vontade dos países ou seus grupos regionais de encontrarem maneiras de se protegerem dos riscos de pressões externas. Vemos já que há cada vez mais países que procuram caminhos para se tornarem menos dependentes do dólar e estabelecem sistemas financeiros e de pagamento e moedas de reserva alternativos. Penso que os nossos amigos americanos estão muito simplesmente a cortar o ramo em que estão sentados. Não se pode misturar política com economia, mas é isso que está a acontecer agora. Sempre pensei e ainda hoje penso que sanções por motivos políticos eram um erro que prejudica todos, mas estou certo que voltaremos a este assunto mais tarde.
Sabemos como estas decisões foram tomadas e quem fez pressão. Mas, deixem-me dizer que a Rússia não vai querer remexer no assunto das sanções, ficar ofendida ou bater à porta de ninguém. A Rússia é um país auto-suficiente. Trabalharemos dentro do panorama económico internacional que se constituiu, desenvolveremos a produção interna e a tecnologia e actuaremos mais decididamente para conseguir as transformações necessárias. A pressão externa, como aconteceu noutras ocasiões do passado, só irá consolidar a nossa sociedade, manter-nos alerta e fazer-nos concentrar nos nossos principais objectivos de desenvolvimento.
É evidente que as sanções constituem um entrave. Estão a tentar atingir-nos com essas sanções, bloquear o nosso desenvolvimento e empurrar-nos para o isolamento político, económico e cultural, noutras palavras, condenar-nos ao atraso. Mas, deixem-me dizer novamente que o mundo é hoje muito diferente. Não temos qualquer intenção de nos fechar de ninguém e escolher algum género de estrada de desenvolvimento fechada, tentando viver em autarcia. Estamos sempre abertos ao diálogo, incluindo a normalização de relações económicas e políticas. Contamos aqui com a abordagem pragmática e a posição dos meios de negócios nos principais países.
Há quem diga que hoje a Rússia está supostamente a voltar as costas à Europa – palavras provavelmente também hoje aqui ouvidas durante os debates – e que procura novos parceiros comerciais, sobretudo na Ásia. Deixem-me dizer que não é de maneira nenhuma esse o caso. A nossa activa política na região Ásia-Pacífico não começou só ontem e não é uma resposta às sanções, mas sim uma política que temos seguido já há uns bons anos. Como muitos outros países, incluindo países ocidentais, vimos que a Ásia está a desempenhar um papel cada vez mais importante no mundo, na economia e na política e que não há modo de nos permitirmos não reparar nessa evolução.
Deixem-me dizer de novo que todos fazem o mesmo e que também nós o faremos, tanto mais assim quanto uma grande parte do nosso país se encontra geograficamente na Ásia. Porque não faríamos uso das nossas vantagens competitivas na área? Seria extrema curteza de vistas não o fazer.
Desenvolver laços económicos com esses países e realizar projectos de integração conjunta também cria grandes incentivos para o nosso desenvolvimento interno. As tendências demográficas, económicas e culturais de hoje em dia sugerem todas que a dependência de uma única superpotência vai objectivamente diminuir. Trata-se de qualquer coisa sobre a qual especialistas europeus e americanos têm falado e escrito.
Talvez a evolução da política global venha a reflectir a evolução a que assistimos na economia global, nomeadamente a intensa competição por nichos específicos e a frequente mudança de dirigentes em áreas específicas. É inteiramente possível.
Não há dúvida que factores humanos como a educação, a ciência, a saúde e a cultura desempenham um maior papel na competição global. Também isso tem grande impacto nas relações internacionais, inclusivamente porque este recurso de “soft power” (conceito ligado à ideia de persuasão vs. coerção nas relações internacionais – N.T.) vai depender em grande medida de reais avanços no desenvolvimento de capital humano e não de truques de sofisticada propaganda.
Ao mesmo tempo, a formação de um chamado mundo policêntrico em si mesmo e por si mesmo (gostaria também de chamar a atenção para isto, caros colegas) não melhora a estabilidade. De facto, bem mais provável é acontecer o contrário. O objectivo de se atingir um equilíbrio global está a tornar-se um puzzle difícil, uma equação com muitas incógnitas.
Assim, se escolhermos não aceitar regras, mesmo que limitadas e inconvenientes, que nos resta senão viver sem regras? Dadas as tensões na situação actual, esse cenário é possível e não o podemos excluir. Podem ser desde já feitas muitas previsões tendo em conta as tendências atuais e infelizmente elas não são optimistas. Se não criarmos um sistema transparente de mútuos compromissos e acordos, se não construirmos mecanismos para a gestão e resolução de situações de crise, os sintomas de anarquia global vão inevitavelmente aumentar.
Assistimos já hoje a um rápido aumento da possibilidade de todo um conjunto de conflitos violentos com participação directa ou indirecta das maiores potências mundiais. E os factores de risco incluem não apenas conflitos multinacionais tradicionais, mas também a instabilidade interna de alguns países, especialmente quando falamos de países situados na intersecção dos interesses geopolíticos dos países mais importantes, ou na fronteira de grandes zonas culturais, históricas, económicas e civilizacionais.
A Ucrânia, que tenho a certeza de ter sido já largamente discutida e que continuaremos a discutir, é um dos exemplos dessa espécie de conflitos que afectam o equilíbrio internacional de poder e penso que não será o último. Daqui resulta o próximo perigo real de destruição do actual sistema de acordos sobre controlo de armamento. E este perigoso processo foi lançado pelos Estados Unidos da América quando unilateralmente se retiraram do Tratado de Mísseis Antibalísticos em 2002, começando então e continuando hoje a dedicar-se à criação do seu sistema global de mísseis de defesa.
Colegas, amigos,
Pretendo salientar que não fomos nós que começámos. Uma vez mais, estamos a arrastar-nos para tempos em que, em vez de um balanço de interesses e mútuas garantias, é o medo e o balanço da mútua destruição que evita que os países se envolvam em conflito directo. Na ausência de instrumentos legais e políticos, as armas estão a tornar-se mais uma vez o centro da agenda global. São usadas por todo o lado e no entanto sem quaisquer sanções do Conselho de Segurança da ONU. E se o Conselho de Segurança se recusa a produzir tais decisões, imediatamente é declarado como instrumento ultrapassado e ineficaz.
Muitos países não vêem outro modo de garantir a sua soberania que não seja conseguindo as suas próprias bombas. Isto é extremamente perigoso. Insistimos em conversações permanentes. Somos não apenas a favor de conversações, mas insistimos em conversações contínuas para a redução dos arsenais nucleares. Quanto menos armas nucleares existirem no mundo, melhor. E estamos prontos para as mais sérias e concretas discussões sobre desarmamento nuclear, mas apenas discussões sérias, não com dois pesos e duas medidas.
Que quero eu dizer? Hoje em dia, muitos tipos de armas de alta precisão estão já próximo das armas de destruição em massa em termos de capacidade e, na eventualidade de inteira renúncia às armas nucleares ou redução radical do potencial nuclear, países que são líderes na criação e produção de sistemas de alta precisão terão clara vantagem militar. A paridade estratégica desaparecerá, o que é provável que traga desestabilização. A utilização do chamado primeiro ataque preventivo global pode ser tentadora. Em resumo, os riscos não diminuíram, mas aumentaram.
A próxima ameaça óbvia é a escalada de conflitos étnicos, religiosos e sociais. Esses conflitos são perigosos não apenas enquanto tal, mas também porque criam zonas de anarquia, sem lei e mergulhadas no caos, sítios confortáveis para terroristas e criminosos, onde a pirataria, o tráfico humano e o tráfico de droga florescem.
Incidentalmente, na altura própria, os nossos colegas tentaram de certa maneira administrar esses processos, utilizar os conflitos regionais e chamar-lhes “revoluções coloridas” para servirem os seus interesses, mas o génio escapou da garrafa. Parece que os pais da teoria do caos controlado não sabem o que fazer com ele e estão desorientados.
Seguimos de perto as discussões tanto da elite no poder, como da comunidade dos especialistas. Basta olhar para os títulos da imprensa ocidental no último ano. Os mesmos que são chamados combatentes da liberdade são depois chamados islamitas. Primeiro, falam de revoluções e depois chamam-lhes motins e levantamentos. O resultado é óbvio: a expansão do caos global.
Colegas, dada a situação global, é tempo de começarmos a chegar a acordo sobre coisas fundamentais. É incrivelmente importante e necessário e é muito melhor do que cada um ir para o seu canto. Quanto mais todos encararmos os problemas comuns, mais nos encontramos no mesmo barco, por assim dizer. E a maneira lógica é em cooperação entre os países e sociedades, no encontrar respostas colectivas aos crescentes desafios e na gestão de riscos em conjunto. Na verdade, alguns dos nossos parceiros por qualquer razão só se lembram disto quando serve os seus interesses.
A experiência prática mostra que as respostas conjuntas aos desafios nem sempre são uma panaceia e precisamos de perceber isso. Além disso, na maior parte dos casos são difíceis de alcançar. Não é fácil ultrapassar as diferenças nos interesses nacionais e a subjectividade das diferentes abordagens, particularmente quando se trata de países com diferentes tradições culturais e históricas. De qualquer modo, temos exemplos de quando, com objectivos comuns e actuando com base nos mesmos critérios, alcançámos em conjunto reais sucessos.
Deixem-me lembrar o problema das armas químicas na Síria e o diálogo consistente sobre o programa nuclear iraniano, tal como o nosso trabalho na questão da Coreia do Norte, que obteve igualmente resultados positivos. Porque não usar esta experiência no futuro para resolver problemas locais e regionais?
O que poderia ser a base legal, política e económica para uma nova ordem mundial, que permitisse estabilidade e segurança, encorajando ao mesmo tempo a competição saudável e não permitindo a formação de novos monopólios que entravam o desenvolvimento? É improvável que alguém possa fornecer agora soluções já feitas e absolutamente exaustivas. Precisamos de muito trabalho com a participação de uma larga gama de governos, do comércio global, da sociedade civil e de plataformas de especialistas como a nossa.
Contudo, é óbvio que o êxito e os resultados reais só são possíveis se os participantes-chave nos assuntos internacionais puderem chegar a acordo sobre a harmonização dos interesses básicos, sobre um razoável autocontrolo, e derem um exemplo de liderança positiva e responsável. Temos que identificar claramente onde terminam as acções unilaterais e precisamos de aplicar mecanismos multilaterais e, como parte do melhoramento da eficácia da lei internacional, temos que resolver o dilema entre as acções da comunidade internacional para garantir a segurança e os direitos humanos e o princípio da soberania nacional e não-interferência nos assuntos internos de qualquer estado.
As próprias colisões levam crescentemente a interferências externas arbitrárias em processos internos complexos e, vez após vez, provocam perigosos conflitos entre os principais intervenientes globais. A questão da manutenção da soberania torna-se quase crítica para a conservação e o reforço da estabilidade global.
Claramente, a discussão de critérios para o uso de força externa é extremamente difícil. É praticamente impossível separá-la dos interesses de determinados países. No entanto, é muito mais perigoso quando não há acordos claros para todos, quando não foram estabelecidas quaisquer condições para interferências necessárias e legais.
Acrescentaria que as relações internacionais devem ser baseadas na lei internacional, a qual por sua vez deve assentar em princípios morais, como justiça, igualdade e verdade. Talvez o mais importante seja o respeito pelos parceiros e seus interesses. É uma fórmula óbvia, mas simplesmente segui-la podia mudar radicalmente a situação global.
Estou certo de que, se houver vontade, podemos restaurar a eficácia do sistema das instituições internacionais e regionais. Nem sequer precisamos de construir nada de novo, de raiz. Não estamos em terreno virgem, especialmente uma vez que as instituições criadas depois da II Guerra Mundial são bastante universais e pode-se-lhes ser dado conteúdo moderno, adequado à gestão da situação actual.
Isto é verdade no que respeita ao melhoramento do trabalho da ONU, cujo papel central é insubstituível, assim como da OSCE, a qual ao longo de 40 anos mostrou ser um mecanismo necessário para assegurar a segurança e cooperação na região euro-atlântica. Devo dizer que mesmo hoje, ao tentar resolver a crise no sueste da Ucrânia, a OSCE está a desempenhar um papel muito positivo.
À luz das alterações fundamentais na cena internacional, com o aumento da incontrolabilidade e as várias ameaças, precisamos de um novo consenso global de forças responsáveis. Não sobre alguns acordos locais ou sobre uma divisão de esferas de influência no espírito da diplomacia clássica, ou sobre o completo domínio global por parte de alguém. Penso que precisamos de uma nova versão da interdependência. Não devemos ter medo dela. Pelo contrário, trata-se de um bom instrumento para a harmonização de posições.
Isto é particularmente relevante dado o fortalecimento e crescimento de certas regiões do planeta cujo processo requer objectivamente a institucionalização de tais novos polos, criando organizações regionais poderosas e desenvolvendo regras para a sua interacção. A cooperação entre estes centros contribuiria seriamente para a estabilidade da segurança, da política e da economia globais. Mas, para se estabelecer tal diálogo, precisamos de partir do princípio de que todos os centros regionais e os projectos de integração formados à sua volta terão iguais direitos de desenvolvimento, de modo a complementarem-se mutuamente e que ninguém os possa forçar a entrar em conflitos ou oposições artificiais. Essas acções destrutivas quebrariam laços entre estados e os próprios estados passariam por situações muito difíceis ou talvez mesmo pela total destruição.
Gostaria de lembrar os acontecimentos do último ano. Dissemos aos nossos parceiros americanos e europeus que decisões de bastidores apressadas, por exemplo, sobre a associação da Ucrânia com a UE, comportam grandes riscos para a economia. Nem sequer falámos sobre a política. Falámos apenas de economia, dizendo que esses passos, dados sem qualquer preparação prévia, tocam nos interesses de muitos outros países, incluindo a Rússia como maior parceiro comercial da Ucrânia, e que é necessária uma larga discussão das questões. Incidentalmente, a este respeito, lembro que por exemplo as conversações sobre a entrada da Rússia na OMC (Organização Mundial do Comércio – N.T.) duraram 19 anos. Foi um trabalho muito difícil e atingiu-se um certo consenso.
Porque trago isto para aqui? Porque, ao aplicarem o projecto de associação da Ucrânia, os nossos parceiros virão com os seus bens e serviços até nós pela porta de trás, digamos assim, e não concordámos com isso, ninguém nos perguntou qual a nossa opinião. Tivemos discussões sobre todos os temas relacionados com a associação da Ucrânia à UE, discussões persistentes, mas quero salientar que tal foi feito de modo inteiramente civilizado, indicando possíveis problemas, mostrando os argumentos e razões óbvias. Ninguém nos quis ouvir, nem falar connosco. Disseram-nos simplesmente: isto não é da sua conta, ponto, fim de discussão. Em vez de um diálogo amplo, mas (sublinho) civilizado, foi tudo parar a um derrube do governo. Lançaram o país no caos, no colapso económico e social, numa guerra civil com enormes baixas.
Porquê? Quando pergunto aos meus colegas porquê, já não têm resposta, ninguém diz nada. Foi assim. Toda a gente está perplexa, dizendo que aconteceu assim. Essas acções não devia ter sido encorajadas, não deviam ter sido feitas. Ao fim e ao cabo, o presidente ucraniano Yanukovych assinou tudo e concordou com tudo. Porquê fazer o que foi feito? Para quê? Será esta uma maneira civilizada de resolver problemas? Aparentemente, aqueles que constantemente lançam novas “revoluções coloridas” consideram-se “artistas brilhantes” e simplesmente não conseguem parar.
Estou certo que o trabalho das associações integradas e a cooperação de estruturas regionais devem ser erguidos sobre bases claras e transparentes. O processo de formação da União Económica Eurasiática é um bom exemplo dessa transparência. Os países parceiros deste projecto informaram antecipadamente as outras partes sobre os seus planos, especificando os parâmetros da nossa associação e os princípios de trabalho que correspondem inteiramente às regras da Organização Mundial do Comércio.
Acrescentarei que acolheríamos também com prazer o arranque de um diálogo concreto entre a União Eurasiática e a União Europeia. Diga-se que também isto nos recusaram quase totalmente e não é claro porquê. O que há de tão assustador nisso?
E, claro, com esse trabalho conjunto, pensávamos precisar de estabelecer o diálogo sobre a necessidade de criar um espaço comum de cooperação económica e humanitária estendendo-se do Atlântico ao Pacífico (falei sobre isto muitas vezes e recebi concordância de muitos dos nossos parceiros ocidentais, pelo menos na Europa).
Colegas, a Rússia fez a sua escolha. As nossas prioridades são melhorar mais as nossas instituições democráticas e a economia aberta, acelerar o desenvolvimento interno tendo em conta todas as modernas tendências positivas no mundo e consolidar uma sociedade com base nos valores tradicionais e no patriotismo.
Temos uma agenda orientada para a integração positiva e pacífica. Trabalhamos activamente com os nossos colegas da União Económica Eurasiática, a Organização de Cooperação de Xangai, os BRICS e outros parceiros. Esta agenda está apontada ao desenvolvimento de laços entre governos, não ao seu afastamento. Não planeamos formar nenhum bloco ou vermo-nos envolvidos em troca de golpes.
As alegações e afirmações de que a Rússia tenta estabelecer qualquer espécie de império, abusando da soberania dos seus vizinhos, não tem qualquer fundamento. A Rússia não precisa de nenhum lugar especial e exclusivo no mundo, quero salientar. Com respeito pelos interesses dos outros, queremos simplesmente que os nossos próprios interesses sejam considerados e a nossa posição respeitada.
Estamos bem cientes de que o mundo entrou numa era de mudança e transformação globais em que precisamos todos de um especial cuidado e da capacidade de evitar passos impensados. Nos anos a seguir à Guerra Fria, os participantes da política global perderam de certa maneira essas qualidades. Precisamos agora de as ter presentes. De outro modo, a esperança num desenvolvimento pacífico e estável será uma ilusão perigosa, ao mesmo tempo que as atuais perturbações não serão mais que o prelúdio do colapso da ordem mundial.
Sim, claro, disse já que a construção de uma ordem mundial mais estável é uma tarefa difícil. Estamos a falar de um caminho árduo e longo. Fomos capazes de desenvolver regras de interacção depois da II Guerra Mundial e fomos capazes de alcançar um acordo em Helsínquia nos anos 70. O nosso dever comum é resolver este desafio fundamental nesta nova etapa de desenvolvimento.
Muito obrigado pela vossa atenção..
Fonte: http://valdaiclub.com/valdai_club/73300.html
Tradução da versão inglesa publicada no sítio do Clube de Debate Valdai http://valdaiclub.com/valdai_club/73300.html
por Jorge Vasconcelos

Aristóteles

A Vida e as Obras

Este grande filósofo grego, filho de Nicômaco, médico de Amintas, rei da Macedônia, nasceu em Estagira, colônia grega da Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu, em 384 a.C. Aos dezoito anos, em 367, foi para Atenas e ingressou na academia platônica, onde ficou por vinte anos, até à morte do Mestre. Nesse período estudou também os filósofos pré-platônicos, que lhe foram úteis na construção do seu grande sistema.
Em 343 foi convidado pelo Rei Filipe para a corte de Macedônia, como preceptor do Príncipe Alexandre, então jovem de treze anos. Aí ficou três anos, até à famosa expedição asiática, conseguindo um êxito na sua missão educativo-política, que Platão não conseguiu, por certo, em Siracusa. De volta a Atenas, em 335, treze anos depois da morte de Platão, Aristóteles fundava, perto do templo de Apolo Lício, a sua escola. Daí o nome de Liceu dado à sua escola, também chamada peripatética devido ao costume de dar lições, em amena palestra, passeando nos umbrosos caminhos do ginásio de Apolo. Esta escola seria a grande rival e a verdadeira herdeira da velha e gloriosa academia platônica. Morto Alexandre em 323, desfez-se politicamente o seu grande império e despertaram-se em Atenas os desejos de independência, estourando uma reação nacional, chefiada por Demóstenes. Aristóteles, malvisto pelos atenienses, foi acusado de ateísmo. Preveniu ele a condenação, retirando-se voluntariamente para Eubéia, Aristóteles faleceu, após enfermidade, no ano seguinte, no verão de 322. Tinha pouco mais de 60 anos de idade. A respeito docaráter de Aristóteles, inteiramente recolhido na elaboração crítica do seu sistema filosófico, sem se deixar distrair por motivos práticos ou sentimentais, temos naturalmente muito menos a revelar do que em torno do caráter de Platão, em que, ao contrário, os motivos políticos, éticos, estéticos e místicos tiveram grande influência. Do diferente caráter dos dois filósofos, dependem também as vicissitudes exteriores das duas vidas, mais uniforme e linear a de Aristóteles, variada e romanesca a de Platão. Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de estudo, de pesquisas, de pensamento, que se foi isolando da vida prática, social e política, para se dedicar à investigação científica. A atividade literária de Aristóteles foi vasta e intensa, como a sua cultura e seu gênio universal. "Assimilou Aristóteles escreve magistralmente Leonel Franca todos os conhecimentos anteriores e acrescentou-lhes o trabalho próprio, fruto de muita observação e de profundas meditações. Escreveu sobre todas as ciências, constituindo algumas desde os primeiros fundamentos, organizando outras em corpo coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de sua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e requisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade e firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de raciocínio, poder admirável de síntese, faculdade de criação e invenção aliados a uma vasta erudição histórica e universalidade de conhecimentos científicos. O grande estagirita explorou o mundo do pensamento em todas as suas direções. Pelo elenco dos principais escritos que dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a sua prodigiosa atividade literária". A primeira edição completa das obras de Aristóteles é a de Andronico de Rodes pela metade do último século a.C. substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umas interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de Aristóteles do modo seguinte, tendo presente a edição de Andronico de Rodes.
I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado Órganon mais tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, corresponde muito bem à intenção do autor, que considerava a lógica instrumento da ciência.
II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodierna cosmologia e a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética, juntamente com a metafísica.
III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorze livros. É uma compilação feita depois da morte de Aristóteles mediante seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísica geral e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que ela ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física.
IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros, provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual é dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética de Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das duas precedentes, em especial da segunda; a Política, em oito livros, incompleta.
V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros; a Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas uma parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinas que nos restam - manifestam um grande rigor científico, sem enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e aguda, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia filosófica, de que foi ele o criador.

O Pensamento: A Gnosiologia

Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A filosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética,prática e poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, racional. A teorética, por sua vez, divide-se emfísicamatemática e filosofia primeira(metafísica e teologia); a filosofia prática divide-se eméticapolítica; a poética em estética e técnica. Aristóteles é o criador da lógica, como ciência especial, sobre a base socrático-platônica; é denominada por ele analítica e representa a metodologia científica. Trata Aristóteles os problemas lógicos e gnosiológicos no conjunto daqueles escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon. Limitar-nos-emos mais especialmente aos problemas gerais da lógica de Aristóteles, porque aí está a suagnosiologia. Foi dito que, em geral, a ciência, a filosofia - conforme Aristóteles, bem como segundo Platão - tem como objeto o universal e o necessário; pois não pode haver ciência em torno do individual e do contingente, conhecidos sensivelmente. Sob o ponto de vista metafísico, o objeto da ciência aristotélica é aforma, como idéia era o objeto da ciência platônica. A ciência platônica e aristotélica são, portanto, ambas objetivas, realistas: tudo que se pode aprender precede a sensação e é independente dela. No sentido estrito, a filosofia aristotélica é dedução do particular pelo universal, explicação do condicionado mediante a condição, porquanto o primeiro elemento depende do segundo. Também aqui se segue a ordem da realidade, onde o fenômeno particular depende da lei universal e o efeito da causa. Objeto essencial da lógica aristotélica é precisamente este processo de derivação ideal, que corresponde a uma derivação real. A lógica aristotélica, portanto, bem como a platônica, é essencialmente dedutiva, demonstrativa, apodíctica. O seu processo característico, clássico, é o silogismo. Os elementos primeiros, os princípios supremos, as verdades evidentes, consoante Platão, são fruto de uma visão imediata, intuição intelectual, em relação com a sua doutrina do contato imediato da alma com as idéias - reminiscência. Segundo Aristóteles, entretanto, de cujo sistema é banida toda forma de inatismo, também os elementos primeiros do conhecimento - conceito e juízos - devem ser, de um modo e de outro, tirados da experiência, da representação sensível, cuja verdade imediata ele defende, porquanto os sentidos por si nunca nos enganam. O erro começa de uma falsa elaboração dos dados dos sentidos: a sensação, como o conceito, é sempre verdadeira. Por certo, metafisicamente, ontologicamente, o universal, o necessário, o inteligível, é anterior ao particular, ao contigente, ao sensível: mas, gnosiologicamente, psicologicamente existe primeiro o particular, o contigente, o sensível, que constituem precisamente o objeto próprio do nosso conhecimento sensível, que é o nosso primeiro conhecimento. Assim sendo, compreende-se que Aristóteles, ao lado e em conseqüência da doutrina de dedução, seja constrangido a elaborar, na lógica, uma doutrina da indução. Por certo, ela não está efetivamente acabada, mas pode-se integrar logicamente segundo o espírito profundo da sua filosofia. Quanto aos elementos primeiros do conhecimento racional, a saber, os conceitos, a coisa parece simples: a indução nada mais é que a abstração do conceito, do inteligível, da representação sensível, isto é, a "desindividualização" do universal do particular, em que o universal é imanente. A formação do conceito é, a posteriori, tirada da experiência. Quanto ao juízo, entretanto, em que unicamente temos ou não temos a verdade, e que é o elemento constitutivo da ciência, a coisa parece mais complicada. Como é que se formam os princípios da demonstração, os juízos imediatamente evidentes, donde temos a ciência? Aristóteles reconhece que é impossível uma indução completa, isto é, uma resenha de todos os casos os fenômenos particulares para poder tirar com certeza absoluta leis universais abrangendo todas as essências. Então só resta possível uma indução incompleta, mas certíssima, no sentido de que os elementos do juízo os conceitos são tirados da experiência, a posteriori, seu nexo, porém, é a priori, analítico, colhido imediatamente pelo intelecto humano mediante a sua evidência, necessidade objetiva.

Filosofia de Aristóteles

Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valor objetivo dos conceitos, mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os caracteres desta grande síntese são:
1. Observação fiel da natureza - Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas especulações metafísicas.
2. Rigor no método - Depois de estudas as leis do pensamento, o processo dedutivo e indutivo aplica-os, com rara habilidade, em todas as suas obras, substituindo à linguagem imaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso e criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode considerar-se como o autor da metodologia e tecnologia científicas. Geralmente, no estudo de uma questão, Aristóteles procede por partes: a) começa a definir-lhe o objeto; b)passa a enumerar-lhes as soluções históricasc)propõe depois as dúvidas; d) indica, em seguida, a própria solução;e) refuta, por último, as sentenças contrárias.
3. Unidade do conjunto - Sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro sistema, uma verdadeira síntese. Todas as partes se compõem, se correspondem, se confirmam.

A Teologia

Objeto próprio da teologia é o primeiro motor imóvel, ato puro, o pensamento do pensamento, isto é, Deus, a quem Aristóteles chega através de uma sólida demonstração, baseada sobre a imediata experiência, indiscutível, realidade do vir-a-ser, da passagem da potência ao ato. Este vir-a-ser, passagem da potência ao ato, requer finalmente um não-vir-a-ser, motor imóvel, um motor já em ato, um ato puro enfim, pois, de outra forma teria que ser movido por sua vez. A necessidade deste primeiro motor imóvel não é absolutamente excluída pela eternidade do vir-a-ser, do movimento, do mundo. Com efeito, mesmo admitindo que o mundo seja eterno, isto é, que não tem princípio e fim no tempo, enquanto é vir-a-ser, passagem da potência ao ato, fica eternamente inexplicável, contraditório, sem um primeiro motor imóvel, origem extra-temporal, causa absoluta, razão metafísica de todo devir. Deus, o real puro, é aquilo que move sem ser movido; a matéria, o possível puro, é aquilo que é movido, sem se mover a si mesmo.
Da análise do conceito de Deus, concebido como primeiro motor imóvel, conquistado através do precedente raciocínio, Aristóteles, pode deduzir logicamente a natureza essencial de Deus, concebido, antes de tudo, como ato puro, e, consequentemente, como pensamento de si mesmo. Deus é unicamente pensamento, atividade teorética, no dizer de Aristóteles, enquanto qualquer outra atividade teria fim extrínseco, incompatível com o ser perfeito, auto-suficiente. Se o agir, o querer têm objeto diverso do sujeito agente e "querente", Deus não pode agir e querer, mas unicamente conhecer e pensar, conhecer a si próprio e pensar em si mesmo. Deus é, portanto, pensamento de pensamento, pensamento de si, que é pensamento puro. E nesta autocontemplação imutável e ativa, está a beatitude divina.
Se Deus é mera atividade teorética, tendo como objeto unicamente a própria perfeição, não conhece o mundo imperfeito, e menos ainda opera sobre ele. Deus não atua sobre o mundo, voltando-se para ele, com o pensamento e a vontade; mas unicamente como o fim último, atraente, isto é, como causa final, e, por conseqüência, e só assim, como causa eficiente e formal (exemplar). De Deus depende a ordem, a vida, a racionalidade do mundo; ele, porém, não é criador, nem providência do mundo. Em Aristóteles o pensamento grego conquista logicamente a transcendência de Deus; mas, no mesmo tempo, permanece o dualismo, que vem anular aquele mesmo Absoluto a que logicamente chegara, para dar uma explicação filosófica da relatividade do mundo pondo ao seu lado esta realidade independente dele.

A Moral

Aristóteles trata da moral em três Éticas, de que se falou quando das obras dele. Consoante sua doutrina metafísica fundamental, todo ser tende necessariamente à realização da sua natureza, à atualização plena da sua forma: e nisto está o seu fim, o seu bem, a sua felicidade, e, por conseqüência, a sua lei. Visto ser a razão a essência característica do homem, realiza ele a sua natureza vivendo racionalmente e senso disto consciente. E assim consegue ele a felicidade e a virtude, isto é, consegue a felicidade mediante a virtude, que é precisamente uma atividade conforme à razão, isto é, uma atividade que pressupõe o conhecimento racional. Logo, o fim do homem é a felicidade, a que é necessária à virtude, e a esta é necessária a razão. A característica fundamental da moral aristotélica é, portanto, o racionalismo, visto ser a virtude ação consciente segundo a razão, que exige o conhecimento absoluto, metafísico, da natureza e do universo, natureza segundo a qual e na qual o homem deve operar.
As virtudes éticas, morais, não são mera atividade racional, como as virtudes intelectuais, teoréticas; mas implicam, por natureza, um elemento sentimental, afetivo, passional, que deve ser governado pela razão, e não pode, todavia, ser completamente resolvido na razão. A razão aristotélica governa, domina as paixões, não as aniquila e destrói, como queria o ascetismo platônico. A virtude ética não é, pois, razão pura, mas uma aplicação da razão; não é unicamente ciência, mas uma ação com ciência.
Uma doutrina aristotélica a respeito da virtude doutrina que teve muita doutrina prática, popular, embora se apresente especulativamente assaz discutível é aquela pela qual a virtude é precisamente concebida como um justo meio entre dois extremos, isto é, entre duas paixões opostas: porquanto o sentido poderia esmagar a razão ou não lhe dar forças suficientes. Naturalmente, este justo meio, na ação de um homem, não é abstrato, igual para todos e sempre; mas concreto, relativo a cada qual, e variável conforme as circunstâncias, as diversas paixões predominantes dos vários indivíduos.
Pelo que diz respeito à virtude, tem, ao contrário, certamente, maior valor uma outra doutrina aristotélica: precisamente a da virtude concebida como hábito racional. Se a virtude é, fundamentalmente, uma atividade segundo a razão, mais precisamente é ela um hábito segundo a razão, um costume moral, uma disposição constante, reta, da vontade, isto é, a virtude não é inata, como não é inata a ciência; mas adquiri-se mediante a ação, a prática, o exercício e, uma vez adquirida, estabiliza-se, mecaniza-se; torna-se quase uma segunda natureza e, logo, torna-se de fácil execução - como o vício.
Como já foi mencionado, Aristóteles distingue duas categorias fundamentais de virtudes: as éticas, que constituem propriamente o objeto da moral, e as dianoéticas, que a transcendem. É uma distinção e uma hierarquia, que têm uma importância essencial em relação a toda a filosofia e especialmente à moral. As virtudes intelectuais, teoréticas, contemplativas, são superiores às virtudes éticas, práticas, ativas. Noutras palavras, Aristóteles sustenta o primado do conhecimento, do intelecto, da filosofia, sobre a ação, a vontade, a política.

A Política

política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima se falou.
O estado, então, é superior ao indivíduo, porquanto a coletividade é superior ao indivíduo, o bem comum superior ao bem particular. Unicamente no estado efetua-se a satisfação de todas as necessidades, pois o homem, sendo naturalmente animal social, político, não pode realizar a sua perfeição sem a sociedade do estado.
Visto que o estado se compõe de uma comunidade de famílias, assim como estas se compõem de muitos indivíduos, antes de tratar propriamente do estado será mister falar da família, que precede cronologicamente o estado, como as partes precedem o todo. Segundo Aristóteles, a família compõe-se de quatro elementos: os filhos, a mulher, os bens, os escravos; além, naturalmente, do chefe a que pertence a direção da família. Deve ele guiar os filhos e as mulheres, em razão da imperfeição destes. Deve fazer frutificar seus bens, porquanto a família, além de um fim educativo, tem também um fim econômico. E, como ao estado, é-lhe essencial a propriedade, pois os homens têm necessidades materiais. No entanto, para que a propriedade seja produtora, são necessários instrumentos inanimados e animados; estes últimos seriam os escravos.
Aristóteles não nega a natureza humana ao escravo; mas constata que na sociedade são necessários também os trabalhos materiais, que exigem indivíduos particulares, a que fica assim tirada fatalmente a possibilidade de providenciar a cultura da alma, visto ser necessário, para tanto, tempo e liberdade, bem como aptas qualidades espirituais, excluídas pelas próprias características qualidades materiais de tais indivíduos. Daí a escravidão.
Vejamos, agora, o estadoem particular. O estado surge, pelo fato de ser o homem um animal naturalmente social, político. O estado provê, inicialmente, a satisfação daquelas necessidades materiais, negativas e positivas, defesa e segurança, conservação e engrandecimento, de outro modo irrealizáveis. Mas o seu fim essencial é espiritual, isto é, deve promover a virtude e, conseqüentemente, a felicidade dos súditos mediante a ciência.
Compreende-se, então, como seja tarefa essencial do estado a educação, que deve desenvolver harmônica e hierarquicamente todas as faculdades: antes de tudo as espirituais, intelectuais e, subordinadamente, as materiais, físicas. O fim da educação é formar homens mediante as artes liberais, importantíssimas a poesia e a música, e não máquinas, mediante um treinamento profissional. Eis porque Aristóteles, como Platão, condena o estado que, ao invés de se preocupar com uma pacífica educação científica e moral, visa a conquista e a guerra. E critica, dessa forma, a educação militar de Esparta, que faz da guerra a tarefa precípua do estado, e põe a conquista acima da virtude, enquanto a guerra, como o trabalho, são apenas meios para a paz e o lazer sapiente.
Não obstante a sua concepção ética do estado, Aristóteles, diversamente de Platão, salva o direito privado, a propriedade particular e a família. O comunismo como resolução total dos indivíduos e dos valores no estado é fantástico e irrealizável. O estado não é uma unidade substancial, e sim uma síntese de indivíduos substancialmente distintos. Se se quiser a unidade absoluta, será mister reduzir o estado à família e a família ao indivíduo; só este último possui aquela unidade substancial que falta aos dois precedentes. Reconhece Aristóteles a divisão platônica das castas, e, precisamente, duas classes reconhece: a dos homens livres, possuidores, isto é, a dos cidadãos e a dos escravos, dos trabalhadores, sem direitos políticos.
Quanto à forma exterior do estado, Aristóteles distingue três principais: a monarquia, que é o governo de um só, cujo caráter e valor estão na unidade, e cuja degeneração é a tirania; a aristocracia, que é o governo de poucos, cujo caráter e valor estão na qualidade, e cuja degeneração é a oligarquia; a democracia, que é o governo de muitos, cujo caráter e valor estão na liberdade, e cuja degeneração é a demagogia. As preferências de Aristóteles vão para uma forma de república democrático-intelectual, a forma de governo clássica da Grécia, particularmente de Atenas. No entanto, com o seu profundo realismo, reconhece Aristóteles que a melhor forma de governo não é abstrata, e sim concreta: deve ser relativa, acomodada às situações históricas, às circunstâncias de um determinado povo. De qualquer maneira a condição indispensável para uma boa constituição, é que o fim da atividade estatal deve ser o bem comum e não a vantagem de quem governa despoticamente.

A Religião

Com Aristóteles afirma-se o teísmo do ato puro. No entanto, este Deus, pelo seu efetivo isolamento do mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições de se tornar objeto de religião, mais do que as transcendentes idéias platônicas. E não fica nenhum outro objeto religioso. Também Aristóteles, como Platão, se exclui filosoficamente o antropomorfismo, não exclui uma espécie de politeísmo, e admite, ao lado do Ato Puro e a ele subordinado, os deuses astrais, isto é, admite que os corpos celestes são animados por espíritos racionais. Entretanto, esses seres divinos não parecem e não podem ter função religiosa e sem física.
Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a religião positiva do povo, até sem correção alguma. Explica e justifica a religião positiva, tradicional, mítica, como obra política para moralizar o povo, e como fruto da tendência humana para as representações antropomórficas; e não diz que ela teria um fundamento racional na verdade filosófica da existência da divindade, a que o homem se teria facilmente elevado através do espetáculo da ordem celeste.
Aristóteles como Platão considera a arte como imitação, de conformidade com o fundamental realismo grego. Não, porém, imitação de uma imitação, como é o fenômeno, o sensível, platônicos; e sim imitação direta da própria idéia, do inteligível imanente no sensível, imitação da forma imanente na matéria. Na arte, esse inteligível, universal é encarnado, concretizado num sensível, num particular e, destarte, tornando intuitivo, graças ao artista. Por isso, Aristóteles considera a arte a poesia de Homero que tem por conteúdo o universal, o imutável, ainda que encarnado fantasticamente num particular, como superior à história e mais filosófica do que a história de Heródoto que tem como objeto o particular, o mutável, seja embora real. O objeto da arte não é o que aconteceu uma vez como é o caso da história , mas o que por natureza deve, necessária e universalmente, acontecer. Deste seu conteúdo inteligível, universal, depende a eficácia espiritual pedagógica, purificadora da arte.
Se bem que a arte seja imitação da realidade no seu elemento essencial, a forma, o inteligível, este inteligível recebe como que uma nova vida através da fantasia criadora do artista, isto precisamente porque o inteligível, o universal, deve ser encarnado, concretizado pelo artista num sensível, num particular. As leis da obra de arte serão, portanto, além de imitação do universal verossimilhança e necessidade coerência interior dos elementos da representação artística, íntimo sentimento do conteúdo, evidência e vivacidade de expressão. A arte é, pois, produção mediante a imitação; e a diferença entre as várias artes é estabelecida com base no objeto ou no instrumento de tal imitação.

A Metafísica

metafísica aristotélica é "a ciência do ser como ser, ou dos princípios e das causas do ser e de seus atributos essenciais". Ela abrange ainda o ser imóvel e incorpóreo, princípio dos movimentos e das formas do mundo, bem como o mundo mutável e material, mas em seus aspectos universais e necessários. Exporemos portanto, antes de tudo, as questões gerais da metafísica, para depois chegarmos àquela que foi chamada, mais tarde, metafísica especial; tem esta como objeto o mundo que vem-a-ser - natureza e homem - e culmina no que não pode vir-a-ser, isto é, Deus. Podem-se reduzir fundamentalmente a quatro as questões gerais da metafísica aristotélica: potência e ato, matéria e forma, particular e universal, movido e motor. A primeira e a última abraçam todo o ser, a segunda e a terceira todo o ser em que está presente a matéria.
I. A doutrina da potência e do ato é fundamental na metafísica aristotélica: potência significa possibilidade, capacidade de ser, não-ser atual; e ato significa realidade, perfeição, ser efetivo. Todo ser, que não seja o Ser perfeitíssimo, é portanto uma síntese - um sínolo - de potência e de ato, em diversas proporções, conforme o grau de perfeição, de realidade dos vários seres. Um ser desenvolve-se, aperfeiçoa-se, passando da potência ao ato; esta passagem da potência ao ato é atualização de uma possibilidade, de uma potencialidade anterior. Esta doutrina fundamental da potência e do ato é aplicada - e desenvolvida - por Aristóteles especialmente quando da doutrina da matéria e da forma, que representam a potência e o ato no mundo, na natureza em que vivemos. Desta doutrina da matéria e da forma, vamos logo falar.
II. Aristóteles não nega o vir-a-ser de Heráclito, nem o ser de Parmênides, mas une-os em uma síntese conclusiva, já iniciada pelos últimos pré-socráticos e grandemente aperfeiçoada por Demócrito e Platão. Segundo Aristóteles, a mudança, que é intuitiva, pressupõe uma realidade imutável, que é de duas espécies. Um substrato comum, elemento imutável da mudança, em que a mudança se realiza; e as determinações que se realizam neste substrato, a essência, a natureza que ele assume. O primeiro elemento é chamado matéria (prima), o segundo forma (substancial). O primeiro é potência, possibilidade de assumir várias formas, imperfeição; o segundo é atualidade - realizadora, especificadora da matéria - , perfeição. A síntese - o sinolo - da matéria e da forma constitui a substância, e esta, por sua vez, é o substrato imutável, em que se sucedem os acidentes, as qualidades acidentais. A mudança, portanto, consiste ou na sucessão de várias formas na mesma essência, forma concretizada da matéria, que constitui precisamente a substância.
A matéria sem forma, a pura matéria, chamada matéria-prima, é um mero possível, não existe por si, é um absolutamente interminado, em que a forma introduz as determinações. A matéria aristotélica, porém, não é o puro não-ser de Platão, mero princípio de decadência, pois ela é também condição indispensável para concretizar a forma, ingrediente necessário para a existência da realidade material, causa concomitante de todos os seres reais.
Então não existe, propriamente, a forma sem a matéria, ainda que a forma seja princípio de atuação e determinação da própria matéria. Com respeito à matéria, a forma é, portanto, princípio de ordem e finalidade, racional, inteligível. Diversamente da idéia platônica, a forma aristotélica não é separada da matéria, e sim imanente e operante nela. Ao contrário, as formas aristotélicas são universais, imutáveis, eternas, como as idéias platônicas.
Os elementos constitutivos da realidade são, portanto, a forma e a matéria. A realidade, porém, é composta de indivíduos, substâncias, que são uma síntese - umsínolo - de matéria e forma. Por conseqüência, estes dois princípios não são suficientes para explicar o surgir dos indivíduos e das substâncias que não podem ser atuados - bem como a matéria não pode ser atuada - a não ser por um outro indivíduo, isto é, por uma substância em ato. Daí a necessidade de um terceiro princípio, a causa eficiente, para poder explicar a realidade efetiva das coisas. A causa eficiente, por sua vez, deve operar para um fim, que é precisamente a síntese da forma e da matéria, produzindo esta síntese o indivíduo. Daí uma quarta causa, a causa final, que dirige a causa eficiente para a atualização da matéria mediante a forma.
III. Mediante a doutrina da matéria e da forma, Aristóteles explica o indivíduo, a substância física, a única realidade efetiva no mundo, que é precisamente síntese - sínolo - de matéria e de forma. A essência - igual em todos os indivíduos de uma mesma espécie - deriva da forma; a individualidade, pela qual toda substância é original e se diferencia de todas as demais, depende da matéria. O indivíduo é, portanto, potência realizada, matéria enformada, universal particularizado. Mediante esta doutrina é explicado o problema do universal e do particular, que tanto atormenta Platão; Aristóteles faz o primeiro - a idéia - imanente no segundo - a matéria, depois de ter eficazmente criticado o dualismo platônico, que fazia os dois elementos transcendentes e exteriores um ao outro.
IV. Da relação entre a potência e o ato, entre a matéria e a forma, surge o movimento, a mudança, o vir-a-ser, a que é submetido tudo que tem matéria, potência. A mudança é, portanto, a realização do possível. Esta realização do possível, porém, pode ser levada a efeito unicamente por um ser que já está em ato, que possui já o que a coisa movida deve vir-a-ser, visto ser impossível que o menos produza o mais, o imperfeito o perfeito, a potência o ato, mas vice-versa. Mesmo que um ser se mova a si mesmo, aquilo que move deve ser diverso daquilo que é movido, deve ser composto de um motor e de uma coisa movida. Por exemplo, a alma é que move o corpo. O motor pode ser unicamente ato, forma; a coisa movida - enquanto tal - pode ser unicamente potência, matéria. Eis a grande doutrina aristotélica do motor e da coisa movida, doutrina que culmina no motor primeiro, absolutamente imóvel, ato puro, isto é, Deus.

A Psicologia

Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto é, vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente do mundo inorgânico, pois, o ser vivo diversamente do ser inorgânico possui internamente o princípio da sua atividade, que é precisamente a alma, forma do corpo. A característica essencial e diferencial da vida e da planta, que tem por princípio a alma vegetativa, é a nutrição e a reprodução. A característica da vida animal, que tem por princípio a alma sensitiva, é precisamente a sensibilidade e a locomoção. Enfim, a característica da vida do homem, que tem por princípio a alma racional, é o pensamento. Todas estas três almas são objeto da psicologia aristotélica. Aqui nos limitamos à psicologia racional, que tem por objeto específico o homem, visto que a alma racional cumpre no homem também as funções da vida sensitiva e vegetativa; e, em geral, o princípio superior cumpre as funções do princípio inferior. De sorte que, segundo Aristóteles diversamente de Platão todo ser vivo tem uma só alma, ainda que haja nele funções diversas faculdades diversas porquanto se dão atos diversos. E assim, conforme Aristóteles, diversamente de Platão, o corpo humano não é obstáculo, mas instrumento da alma racional, que é a forma do corpo.
O homem é uma unidade substancial de alma e de corpo, em que a primeira cumpre as funções de forma em relação à matéria, que é constituída pelo segundo. O que caracteriza a alma humana é a racionalidade, a inteligência, o pensamento, pelo que ela é espírito. Mas a alma humana desempenha também as funções da alma sensitiva e vegetativa, sendo superior a estas. Assim, a alma humana, sendo embora uma e única, tem várias faculdades, funções, porquanto se manifesta efetivamente com atos diversos. As faculdades fundamentais do espírito humano são duas: teorética e prática, cognoscitiva e operativa, contemplativa e ativa. Cada uma destas, pois, se desdobra em dois graus, sensitivo e intelectivo, se se tiver presente que o homem é um animal racional, quer dizer, não é um espírito puro, mas um espírito que anima um corpo animal.
O conhecimento sensível, a sensação, pressupões um fato físico, a saber, a ação do objeto sensível sobre o órgão que sente, imediata ou à distância, através do movimento de um meio. Mas o fato físico transforma-se num fato psíquico, isto é, na sensação propriamente dita, em virtude da específica faculdade e atividade sensitivas da alma. O sentido recebe as qualidades materiais sem a matéria delas, como a cera recebe a impressão do selo sem a sua matéria. A sensação embora limitada é objetiva, sempre verdadeira com respeito ao próprio objeto; a falsidade, ou a possibilidade da falsidade, começa com a síntese, com o juízo. O sensível próprio é percebido por um só sentido, isto é, as sensações específicas são percebidas, respectivamente, pelos vários sentidos; o sensível comum, as qualidades gerais das coisas tamanho, figura, repouso, movimento, etc. são percebidas por mais sentidos. O senso comum é uma faculdade interna, tendo a função de coordenar, unificar as várias sensações isoladas, que a ele confluem, e se tornam, por isso, representações, percepções.
Acima do conhecimento sensível está o conhecimento inteligível, especificamente diverso do primeiro. Aristóteles aceita a essencial distinção platônica entre sensação e pensamento, ainda que rejeite o inatismo platônico, contrapondo-lhe a concepção do intelecto como tabula rasa, sem idéias inatas. Objeto do sentido é o particular, o contingente, o mutável, o material. Objeto do intelecto é o universal, o necessário, o imutável, o imaterial, as essências, as formas das coisas e os princípios primeiros do ser, o ser absoluto. Por conseqüência, a alma humana, conhecendo o imaterial, deve ser espiritual e, quanto a tal, deve ser imperecível.
Analogamente às atividades teoréticas, duas são as atividades práticas da alma: apetite e vontade. O apetite é a tendência guiada pelo conhecimento sensível, e é próprio da alma animal. Esse apetite é concebido precisamente como sendo um movimento finalista, dependente do sentimento, que, por sua vez depende do conhecimento sensível. A vontade é o impulso, o apetite guiado pela razão, e é própria da alma racional. Como se vê, segundo Aristóteles, a atividade fundamental da alma é teorética, cognoscitiva, e dessa depende a prática, ativa, no grau sensível bem como no grau inteligível.

A Cosmologia

Uma questão geral da física aristotélica, como filosofia da natureza, é a análise dos vários tipos de movimento, mudança, que já sabemos ser passagem da potência ao ato, realização de uma possibilidade. Aristóteles distingue quatro espécies de movimentos:
1. Movimento substancial - mudança de forma, nascimento e morte;
2. Movimento qualitativo - mudança de propriedade;
3. Movimento quantitativo - acrescimento e diminuição;
4. Movimento espacial - mudança de lugar, condicionando todas as demais espécies de mudança.
Outra especial e importantíssima questão da física aristotélica é a concernente ao espaço e ao tempo, em torno dos quais fez ele investigações profundas. O espaço é definido como sendo o limite do corpo, isto é, o limite imóvel do corpo "circundante" com respeito ao corpo circundado. O tempo é definido como sendo o número - isto é, a medida - do movimento segundo a razão, o aspecto, do "antes" e do "depois". Admitidas as precedentes concepções de espaço e de tempo - como sendo relações de substâncias, de fenômenos - é evidente que fora do mundo não há espaço nem tempo: espaço e tempo vazios são impensáveis.
Uma terceira questão fundamental da filosofia natural de Aristóteles é a concernente ao teleologismo - finalismo - por ele propugnado com base na finalidade, que ele descortina em a natureza.  "A natureza faz, enquanto possível, sempre o que é mais belo". Fim de todo devir é o desenvolvimento da potência ao ato, a realização da forma na matéria.
Quanto às ciências químicas, físicas e especialmente astronômicas, as doutrinas aristotélicas têm apenas um valor histórico, e são logicamente separáveis da sua filosofia, que tem um valor teorético. Especialmente célebre é a sua doutrina astronômica geocêntrica, que prestará a estrutura física à Divina Comédia de Dante Alighieri.

Juízo sobre Aristóteles

É difícil aquilatar em sua justa medida o valor de Aristóteles. A influência intelectual por ele até hoje exercida sobre o pensamento humano e à qual se não pode comparar a de nenhum outro pensador dá-nos, porém, uma idéia da envergadura de seu gênio excepcional. Criador da lógica, autor do primeiro tratado de psicologia científica, primeiro escritor da história da filosofia, patriarca das ciências naturais, metafísico, moralista, político, ele é o verdadeiro fundador da ciência moderna e "ainda hoje está presente com sua linguagem científica não somente às nossas cogitações, senão também à expressão dos sentimentos e das idéias na vida comum e habitual".
Nem por isso podemos deixar de apontar as lacunas do seu sistema. Sua moral, sem obrigação nem sanção, é defeituosa e mais gravemente defeituosa ainda que a teodicéia, sobretudo na parte que trata das relações de Deus com o mundo. O dualismo primitivo e irredutível entre Deus, ato puro, e a matéria, princípio potencial, é, na própria teoria aristotélica, uma verdadeira contradição e deixa subsistir, como enigma insolúvel e inexplicável, a existência dos seres fora de Deus.

Vista Retrospectiva

Com Sócrates entre a filosofia em seu caminho definitivo. O problema do objeto e da possibilidade da ciência é posto em seus verdadeiros termos e resolvido, nas suas linhas gerais, pela doutrina do conceito.Platão dá um passo além, procurando determinar a relação entre o conceito e a realidade, mas encalha, dum lado, nas dificuldades insolúveis de um realismo exagerado; de outro, nas extravagâncias dum idealismo extremo. Aristóteles, com o seu espírito positivo e observador, retoma o mesmo problema no pé em que o pusera Platão e dá-lhe, pela teoria da abstração e da inteligência ativa, uma solução satisfatória e definitiva nos grandes lineamentos. Em torno desta questão fundamental, que entende com a metafísica, a psicologia e a lógica, se vão desenvolvendo harmoniosamente as outras partes da filosofia até constituírem em Aristóteles esta grandiosa síntese do saber universal, o mais precioso legado da civilização grega que declinava à civilização ocidental que surgia.


Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles.htm#ixzz3M3svuyyW

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


A Globalização da NATO: Doutrina Militar de Guerra Mundial

Global Research, 10 dez 2014

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
Clarity Press (2012)
Páginas: 411 com índice completo
O mundo está envolto em um manto de conflito perpétuo. Invasões, ocupação, as sanções ilícitas e de mudança de regime tornaram-se moedas e as ordens do dia. Uma organização - a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) - é repetidamente, e muito controversa, envolvido em alguma forma ou de outra, em muitos desses conflitos liderados por os EUA e seus aliados. NATO gerado a partir da Guerra Fria. Sua existência foi justificada por Washington e Bloco Ocidental políticos como fiador contra qualquer invasão soviética e de Leste da Europa Ocidental, mas ao longo de toda a Aliança serviu para cimentar a influência de Washington na Europa e continuar o que era, na verdade, a ocupação da América do pós-Segunda Guerra Mundial do continente europeu. Em 1991, a raison d'être da ameaça soviética terminou com o colapso da União Soviética e do fim da Guerra Fria. No entanto NATO permanece e continua a expandir-se de forma alarmante em direção ao leste, antagonizar a Rússia e seus aliados ex-soviéticos. China e Irã também estão monitorando cada vez mais movimentos da OTAN como ele entra em contato mais frequente com eles.
 Iugoslávia era um ponto de viragem para a Aliança Atlântica e seu mandato. A organização mudou-se de o disfarce de uma postura defensiva em uma pose ofensiva sob os pretextos de humanitarismo. A partir da Iugoslávia, a OTAN começou a sua jornada para se tornar uma força militar global. A partir de suas guerras nos Balcãs, começou a alargar a sua área internacional das operações fora da zona euro-atlântica no Cáucaso, na Ásia Central, África Oriental, Oriente Médio, Norte da África e do Oceano Índico. Verificou-se praticamente o Mar Mediterrâneo em um lago da OTAN com o Diálogo NATO Mediterrâneo e da Iniciativa de Cooperação de Istambul, ao mesmo tempo que procura fazer o mesmo para o Mar Negro e ganhar uma posição estratégica na região do Mar Cáspio. A Iniciativa de Segurança do Golfo entre a NATO eo Conselho de Cooperação do Golfo pretende também dominar o Golfo Pérsico e para hem no Irã. Israel tornou-se um membro de facto da organização militar. Ao mesmo tempo, os navios da NATO navegar no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. Estes navios de guerra são implantados ao largo das costas da Somália, Djibouti e Iêmen como parte dos objetivos da OTAN para criar um cordão naval dos mares controladores vias estratégicas importantes e rotas de trânsito marítimo.
O objetivo final do Aliança Atlântica é fixar e prender o Império Americano. NATO tem claramente desempenhou um papel importante na complementação a estratégia dos EUA para dominar a Eurásia. Isso inclui o cerco da Rússia, China, Irã e seus aliados com um subserviente anel militar para Washington. O projeto global escudo antimísseis, a militarização do Japão, as revoltas na Líbia e na Síria, as ameaças contra o Irã, e a formação de uma aliança militar NATO-like na região da Ásia-Pacífico são os componentes deste projeto geopolítico colossal. Globalização da NATO, no entanto, está reunindo uma nova série de Eurasian contra-alianças com ligações globais que se estendem até a América Latina. O Coletivo Organização do Tratado de Segurança Colectiva (CSTO) ea Organização de Cooperação de Xangai (SCO) ter sido formado por Rússia, China, e seus aliados como escudos contra os EUA e NATO e como um meio para desafiá-los. À medida que a globalização da NATO se desenrola os riscos de uma guerra nuclear se tornar mais e mais grave com a Aliança Atlântica caminhando para um curso de colisão com a Rússia, China e Irã, que poderia inflamar III Guerra Mundial.

Disponível para encomenda a partir de pesquisas GLOBAL

 A Globalização da NATO

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
ISBN: 978-0-9852710-2-2
Clarity Imprensa
Ano: 2012
Páginas: 411 com índice completo
Preço: $ 22.95

Nota da Global Research editor
Nós chamar a atenção dos nossos leitores deste livro importante e oportuno por Mahdi Darius Nazemroaya, premiado autor, analista de geopolítica e Pesquisador Associado do Centro for Research on Globalization (CRG).
Este livro analisa em detalhe a evolução histórica do pós-Guerra Fria mandato e militares intervenções da OTAN.
O autor leva o leitor através do tabuleiro de xadrez geopolítico Eurasian, dos Balcãs e da Europa Oriental, a Ásia Central e no Extremo Oriente, através dos "corredores" de militares da Aliança Atlântica, do Pentágono e do Washington grupos de reflexão, onde a nova pós- doutrina militar da Guerra Fria de guerra global está decidida.
E a partir da formulação da doutrina militar, Nazemroaya examina o mandato da NATO, as suas campanhas militares, com foco nas regiões geopolíticas onde a Global NATO alargou as suas garras Worldwide.
O livro, desde o início examina a dimensão económica das empresas militares da OTAN, como o último apoiar a imposição de reformas macroeconômicas mortais em países soberanos. Guerra e globalização estão intrinsecamente relacionadas. A globalização da economia sob o comando de Wall Street e do FMI é endossado por uma agenda militar global.
Nazemroaya explora como dominante interesses econômicos são apoiados pela "internacionalização" da OTAN como uma entidade militar, que ampliou suas áreas de jurisdição da região do Europeu-North Atlantic em novas fronteiras. "A Globalização da NATO" apoia e sustenta a imposição Worldwide da doutrina econômica neoliberal.
Mahdi Darius Nazemroaya é um homem de muita coragem e convicção. Tendo vivido pelos vastos bombardeios da OTAN de Trípoli, no auge da guerra da NATO humanitária "na Líbia, a vida dos outros dentro de sua comitiva foram sempre mais importante do que sua própria vida.
É nesse estado de espírito e compromisso, tendo testemunhado em primeira mão os horrores da "responsabilidade de proteger" da OTAN, que ao retornar da Líbia em setembro de 2011, Mahdi Darius Nazemroaya começou a trabalhar incansavelmente em seu manuscrito.
Embora as conclusões da análise e investigação detalhada do Nazemroaya não são de forma otimista, esta agenda global militar pode ser revertida quando as pessoas ao redor do mundo, no verdadeiro espírito do internacionalismo e da soberania nacional, juntar as mãos para o desmantelamento da máquina de matar a OTAN e os seus patrocinadores corporativos .
É por isso que este livro é um marco importante, um manual para a ação.
Através de compromisso, coragem e verdade em todos os níveis da sociedade, em toda a terra, nacional e internacionalmente, esse processo de "militarização global" descrito por Nazemroaya, pode ser revertida com força.
Neste momento crítico da nossa história ", a criminalização da guerra" é o caminho que deve ser buscado, como um meio para estabelecendo a paz mundial.
Pode o objetivo da paz mundial ser alcançado? Nas palavras do ex-Secretário-Geral Adjunto da ONU Denis Halliday, leu o livro de Nazemroaya "antes que seja tarde demais."
Michel Chossudovsky, Montreal, 08 de outubro de 2012

REVISÕES
"A Globalização da NATO por Mahdi Darius Nazemroaya é simplesmente magnífica, erudita e desprovido do etnocentrismo ao qual se tornou-se tão acostumados a partir de autores ocidentais. O livro lida com o que, sem dúvida, são as questões mais importantes e relevantes do dia para todos aqueles comprometidos com a salvar vidas e proteger a Mãe Terra da irresponsabilidade humana desenfreada e crime. Não há nenhum outro livro que, neste momento particular, eu gostaria mais vivamente endossar. Eu acho que os africanos, Perto povos orientais, os iranianos, russos, chineses, asiáticos e europeus em geral e todos os países latino-americanos progressistas de hoje vai encontrar um reforço muito necessário e apoio aos seus ideais pacíficos neste excelente livro de leitura obrigatória. "
MIGUEL D'Escoto Brockmann, ministro das Relações Exteriores da Nicarágua (1979-1990) e presidente da 63ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (2008-2009): Manágua, Nicarágua.
"Estamos longe dos princípios e objectivos para os quais as Nações Unidas foi criado e as decisões do Tribunal de Nuremberg, que estipula que algumas ações do Estado podem ser considerados crimes contra a paz. O livro de Nazemroaya, além de nos lembrar que o papel das Nações Unidas foi confiscado pela NATO, elabora o perigo de que o Tratado do Atlântico Norte representa para a paz mundial ".
JOSÉ L. GÓMEZ del Prado, presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o Uso de Mercenários (2005-2011): Ferney-Voltaire, França.
"Através de pesquisas cuidadosamente documentadas, Mahdi Darius Nazemroaya analisa a evolução histórica e geopolítica da NATO desde a Guerra Fria para o cargo 9/11 US- levou" Guerra Global contra o Terrorismo. "Este livro é uma leitura obrigatória para aqueles comprometidos com a reverter a maré de guerra e conquista imperial por máquina militar mais importante do mundo. "
MICHEL Chossudovsky, professor emérito de Economia na Universidade de Ottawa e diretor do Centre for Research on Globalization (CRG): Montréal, Canadá.
"Um livro muito oportuna. Sim, liderada pelos EUA, NATO está se globalizando, como a economia finanças liderada pelos Estados Unidos. Sem dúvida, também para ele para proteger este último, o "livre mercado". É um caso clássico de overstretch para ajudar a salvar o império norte-americano em ruínas e influência ocidental em geral, pela maioria dos países dos quais são falido por sua própria má gestão económica. Todas as suas intervenções compartilhar duas características. Os conflitos poderia ter sido resolvido com um pouco de paciência e criatividade, mas é que a NATO não querem soluções. Ele usa os conflitos como matéria-prima que ele pode processar em intervenções para dizer ao mundo que ele é o mais forte em termos militares. E, com a ajuda da mídia mainstream, que vê Hitler em todos os lugares, em um Milosevic, a bin Laden, uma Hussein, um Kadafi, em Assad, insensível às enormes diferenças entre todos estes casos. Espero que este livro vai ser lido por muito, muito muitas pessoas que podem transformar essa fascinação mórbida com a violência na resolução de conflitos construtiva ".
- Johan GALTUNG, Professor Emérito de Estudos e Sociologia da Paz na Universidade de Oslo e fundador do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz em Oslo (PRIO), o Galtung- Institut, e da Rede Transcend: Oslo, Noruega.
"Escritos prolíficos de Mahdi Darius Nazemroaya nos dar uma compreensão abrangente do caráter do esforço militar e é tudo para fora, sem tabus planos estratégicos e move-se para invadir, ocupar e saquear os recursos das nações, causando atos bárbaros sem precedentes sobre as populações civis. Ele é um dos pensadores visionários e escritores da contemporaneidade, que merece ser lido e posta em prática por pessoas com uma consciência e preocupação com o futuro da humanidade ".
VISHNU Bhagwat, o almirante e chefe do Estado-Maior Naval da Índia (1996-1998): Mumbai, na Índia.
"Este é um livro realmente necessário para a compreensão do papel da NATO no quadro da estratégia dos EUA de longo prazo. A Globalização da NATO por Mahdi Darius Nazemroaya não só fornece uma análise articulada na Aliança Atlântica: é o melhor texto moderno dedicado à aliança hegemônica. Com este livro Nazemroaya reconfirma a sua habilidade como analista de geopolítica brilhante ".
TIBERIO GRAZIANI, presidente do Instituto de Estudos Avançados em Geopolítica e Ciências Auxiliares / L'Istituto di Studi Alti em Geopolítica e Scienze Ausiliarie (ISAG): Roma, Itália.
"Nazemroaya é um escritor prolífico inacreditável. O que muitas vezes surpreender muitos é sua escrita quase sem parar em questões extremamente importantes para o mundo contemporâneo e sua análise sobre a globalização da NATO. O que espanta muitos de nós em outras partes do mundo são a sua profundidade aparentemente ilimitado, largura e profundidade de seu conhecimento que tem aparecido repetidamente em seu trabalho. Estamos profundamente endividado com contribuições humildes, incansáveis ​​e inestimáveis ​​do Nazemroaya através de seus escritos destemidos, perspicazes e poderosos. "
KIYUL CHUNG, Editor-in-Chief do 4º Mídia e Visiting Professor na Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade de Tsinghua: Beijing, República Popular da China.
"Press Club dos Jornalistas no México é grato e o privilégio de conhecer um homem que respeita a palavra escrita e é usado de forma ética, sem outro interesse que não seja mostrar a realidade sobre o outro lado do poder no mundo. Mahdi Darius Nazemroaya dá voz ao "sem voz". Ele pode ver o outro lado da lua, do lado sem luz ".
CELESE Sáenz de Miera, mexicano Broadcaster e secretário-geral do mexicano Press Club: Distrito Federal da Cidade do México, México.
"Com a sua análise muito bem documentado, Mahdi Darius Nazemroaya realizou uma descriptografia notável das estratégias implementadas pela NATO - no interesse dos Estados Unidos, a União Europeia e Israel - para expandir seu domínio militar sobre o mundo, garantir seu controle sobre recursos energéticos e as rotas de trânsito, e cercando os países susceptíveis de ser uma barreira ou uma ameaça aos seus objetivos, seja o Irã, a Rússia ou a China. O trabalho de Nazemroaya é leitura essencial para aqueles que querem entender o que está sendo jogado fora agora no mapa em todos os pontos de conflito do mundo; Líbia e África; Síria e no Oriente Médio; Golfo Pérsico e da Eurásia. "
Sílvia Cattori, analista político e jornalista suíço: Genebra, Suíça.
 Disponível para encomenda a partir de pesquisas GLOBAL

A Globalização da NATO

Autor: Mahdi Darius Nazemroaya
ISBN: 978-0-9852710-2-2
Clarity Imprensa
Ano: 2012
Páginas: 411 com índice completo
Preço: $ 22.95

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sábado, 13 de dezembro de 2014

Em homenagem a LEANDRO KONDER

Li Konder muito jovem, durante muito tempo depois não voltei à sua obra. Conservei discordância com respeito e admiração. O marxismo é aberto, não é dogma. A pluralidade das interpretações que ele permite é a sua fecundidade. Toda a filosofia tem consequências políticas, começamos por divergir na política para divergir na filosofia, ou vice-versa.

Com o desaparecimento de Leandro Konder, a cultura marxista brasileira perdeu uma de suas figuras mais significativas. Segundo Lucien Goldmann, uma grande obra – literária ou filosófica – é aquela que consegue associar a coerência com a riqueza. Profundamente generoso, humano e criativo, Leandro se distinguia pela coerência de suas ideias, e pela extraordinária diversidade e riqueza de seus interesses e curiosidades. Seus escritos incluem não só brilhantes ensaios sobre a filosofia marxista, mas também obras sobre Fourier, Flora Tristan, Kafka, Walter Benjamin, a filosofia da educação, a questão do fascismo – sem falar de seu clássico livro sobre A derrota da dialética e seus dois romances. Leandro era um espírito autenticamente universal: um bicho raro nestes tempos de especialização acadêmica, fragmentação do saber e encerramento das disciplinas em compartimentos estanques.
Leandro – Leo para os amigos – nunca abandonou, cedeu, recuou, ou capitulou, em sua adesão ao comunismo e à dialética marxista. Impenitente, segundo a teologia, é aquele que nunca se arrepende de seus pecados. Leo nunca se arrependeu do “pecado” de lutar contra o capitalismo, por uma sociedade de justiça e liberdade humana. Seja na resistência contra a ditadura militar – que o prendeu e torturou, obrigando-o a se exilar –, nas fileiras do PCB, e mais tarde, do PT, e finalmente, do PSOL, ele sempre esteve na primeira linha do combate pela democracia e pelo socialismo. Sua arma, nesta luta, era tão ou mais poderosa que o melhor fuzil: a pluma.
Seu outro “pecado” era o humor, a ironia e auto-ironia com que apimentava seus escritos, suas aulas e suas conversas com amigos. Um exemplo bem conhecido era sua proposta de completar seu Curriculum Vitae (CV) com um Curriculum Mortis (CM)enumerando todas as derrotas, fracassos e insucessos do autor… No CM de Leandro Konder figura em bom lugar sua notória incapacidade de ser um acadêmico conformista, um burocrata partidário, um intelectual bem pensante e um pensador bem visto pelas autoridades competentes.
Conheci o Leandro em meados dos anos 1970, por ocasião de sua estadia em Paris, nos anos do exílio. Embora oriundos de “capelas” diferentes – ele o Partidão, eu a POLOP – comungávamos no culto a São Jorge (György Lukács). Passávamos horas a discutir as sutilidades da dialética lukacsiana e da necessidade de salvar o marxismo das calamidades positivistas e estruturalistas que o ameaçavam.
Muitos outros encontros se seguiram, não só em Paris, mas também no Rio de Janeiro, a partir do fim da ditadura. Nossas conversas se davam frequentemente em companhia de um outro mosqueteiro da dialética, o Carlos Nelson Coutinho. Além de Lukács, Gramsci, Goldmann, Kosik e outros profetas do Antigo e do Novo Testamento Dialético, discutíamos também sobre política brasileira. Partindo, no começo dos anos 1980, de perspectivas bastante diferentes, acabamos nos aproximando muito, partilhando esperanças e decepções. Esta aproximação se traduziu, por exemplo, na redação de um texto comum, “O Socialismo Libertário de William Morris”, que serviu de introdução à edição brasileira do romance utópico de William Morris, Noticias de Lugar Nenhum(São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2002).
Nesses trinta e tantos anos de leituras, conversas e discussões em torno de um café, uma cerveja ou uma batidinha, aprendemos um com o outro. Pessoalmente, aprendi muito com o Leandro. Não só sobre a história do marxismo no Brasil, mas também sobre Kafka, Lukács, Walter Benjamin. E sobre aquele “elemento pérfido” (Bernstein dixit) do marxismo: a dialética, é claro! Nunca li um livro de Leandro sem encontrar nele ideias, hipóteses, análises que me enriquecessem e me ajudassem a refletir. Meu preferido éWalter Benjamin, o marxismo da melancolia. Neste livro aparece o seguinte comentário: “Benjamin sabia da necessidade de pensar agindo, de agir pensando.” O mesmo se aplica, palavra por palavra, ao itinerário do intelectual militante Leandro Konder.
Semanas atrás, por ocasião de uma curta estadia no Rio, Eleni (minha companheira) e eu fomos visitar Leo e Cristina. Nosso amigo se movia com dificuldade e a voz estava enfraquecida, mas o espírito nada tinha perdido de sua agilidade e de sua força. Conversamos sobre a reedição de suas obras: nossa cara Ivana Jinkings, da Editora Boitempo, estava muito interessada e esperava por propostas. Eu não podia imaginar que este seria nosso ultimo encontro…
O Leo vai nos fazer muita falta… Mas suas ideias estarão no coração e no espírito de muitas gerações de marxistas. Se algum dia a dialética tiver sua revanche no Brasil, ela terá uma grande dívida para com o Leandro, combatente obstinado por um marxismo dialético, aberto, humanista, democrático e revolucionário (no sentido gramsciano da palavra).
in Boitempo.blog.br.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

OPINIÃO 8

Era uma vez um rei que ficou nu no meio da praça. Tinha uma pedra no caminho, tinha uma pedra...Não foi necessária a criança para gritar:"O rei vai nu!". Como era rei a corte ficou a nu. Ora, desta feita, ficou nu o regime democrático do capital financeiro. Só falta mesmo o povo vir às ruas e gritar:"Abaixo a monarquia!"

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA