segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

The Globalization of War. America’s “Long War” against Humanity

Global Research, January 21, 2015

America’s hegemonic project in the post 9/11 era is the “Globalization of War” whereby the U.S.-NATO military machine –coupled with covert intelligence operations, economic sanctions and the thrust of “regime change”— is deployed in all major regions of the world. The threat of pre-emptive nuclear war is also used to black-mail countries into submission.
This “Long War against Humanity” is carried out at the height of the most serious economic crisis in modern history. It is intimately related to a process of global financial restructuring, which has resulted in the collapse of national economies and the impoverishment of large sectors of the World population.
The ultimate objective is World conquest under the cloak of “human rights” and “Western democracy”.
-

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The Globalization of War

America’s “Long War” against Humanity

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REVIEWS:
“Professor Michel Chossudovsky is the most realistic of all foreign policy commentators. He is a model of integrity in analysis, his book provides an honest appraisal of the extreme danger that U.S. hegemonic neoconservatism poses to life on earth.”
Dr. Paul Craig Roberts, former Assistant Secretary of the U.S. Treasury
““The Globalization of War” comprises war on two fronts: those countries that can either be “bought” or destabilized. In other cases, insurrection, riots and wars are used to solicit U.S. military intervention. Michel Chossudovsky’s book is a must read for anyone who prefers peace and hope to perpetual war, death, dislocation and despair.”
Hon. Paul Hellyer, former Canadian Minister of National Defence
“Michel Chossudovsky describes globalization as a hegemonic weapon that empowers the financial elites and enslaves 99 percent of the world’s population.
“The Globalization of War” is diplomatic dynamite – and the fuse is burning rapidly.”
Michael Carmichael, President, the Planetary Movement

The Globalization of War: America’s “Long War” against Humanity

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Documentos

Pelo Socialismo
Questões político-ideológicas com atualidade
http://www.pelosocialismo.net
_____________________________________________
Publicado em: http://www.insurgente.org/index.php/2012-04-11-10-03-53/mundo/item/14938-china-unsocio-para-no-imitar
Tradução do castelhano de RG
Colocado em linha em: 2015/01/19

China, um parceiro a não imitar1

Claudio Katz*/Argenpress

A China tem passado por sucessivos períodos de transformação anticapitalista,
adaptação comercial e formação de uma classe dominante. A dinâmica da
acumulação, da desigualdade e do trabalho precário ilustra uma avançada etapa de
restauração capitalista. Mas esta regressão não é definitiva pelos desequilíbrios que
gera e pelas resistências sociais que enfrenta. Este factor introduz uma diferença
comparativamente ao que se passou na antiga URSS.
O entrelaçamento com capitais estrangeiros e a estratégia de livre comércio impedem
que a China forje um bloco cooperativo internacional. Mas a América Latina precisa
do contrapeso dessa potência como parceiro comercial e aliado geopolítico contra a
hegemonia dos Estados Unidos. Cuba introduz um importante antecedente de
estratégias revolucionárias autónomas.
As reformas económicas são discutidas em Cuba à luz da gigantesca transformação
registada na China. A nova potência asiática não é apenas um parceiro comercial de
primeira ordem. Devido à sua importância económica e relevância internacional
tornou-se um importante aliado geopolítico para contrabalançar as agressões norteamericanas.
Mas, numa análise de esquerda, interessa questionar a China por uma
questão adicional: mantém o seu modelo atual matrizes socialistas?2
Duas diferentes etapas
A China ocupa hoje um lugar tão significativo como o alcançado pela URSS no
passado. Não é somente uma economia em crescimento. A sua expansão introduziu
nas últimas décadas mudanças significativas na ordem internacional.
O país já faz parte das economias centrais após multiplicar por 13 vezes o seu PIB
(1978-2010). Conseguiu prosperar no meio de três grandes convulsões

1
 Publica-se este artigo por considerarmos que fornece importantes elementos de reflexão sobre a
evolução do processo chinês, mas não acompanhamos na íntegra as teses do seu autor,
nomeadamente a expressa no final do texto. – [NE]
2 Este texto continua a análise abordada em: Katz (2014).
contemporâneas. Não foi afetado pelas décadas perdidas que arrasaram os países
subdesenvolvidos nos anos 80-90, manteve-se à margem do colapso sofrido pelo
bloco soviético e agiu como um salvador de bancos internacionais na recente crise de
2008 (Lo, Zhang, 2011).

O seu crescimento não começou do zero, uma vez que já tinha nos anos 80 um PIB
superior a muitos dos países emergentes actuais. Mas, posteriormente, atingiu um
patamar histórico que aproxima, equipara ou situa a China acima de várias potências.
É evidente a importância do acervo acumulado durante as prévias transformações
anticapitalistas. Sem a industrialização, a alfabetização, a superação da fome, a
modernização produtiva e a acumulação extensiva tinha sido impossível a expansão
extraordinária posterior. Basta comparar estas mutações com o subdesenvolvimento
continuado que, por exemplo, afectou a Índia (Amin, 2012).
Mas a incógnita reside no que aconteceu depois. Esta nova trajetória reforçou ou
abandonou o projeto socialista? A tese oficial enfatiza a continuidade. O Partido
Comunista continua a dirigir os destinos do país e os seus líderes declaram
oficialmente a preeminência de um modelo de “socialismo de mercado”, compatível
com os princípios do marxismo. Esta visão destaca a presença de elementos póscapitalistas,
juntamente com as regras de acumulação e lucro vigentes na economia.
A abordagem oficial ressalta que os princípios socialistas introduzidos nos anos 50-
70 foram posteriormente ajustados às necessidades de modernização. Considera que
essa evolução se adapta à tradição milenar de uma civilização que tem seguido
caminhos de desenvolvimento muito diferentes dos do padrão ocidental.

O diagnóstico oposto sublinha a vigência de um processo de restauração capitalista,
assente na exploração do trabalho, na polarização social e na corrupção das elites
(Hart-Landeberg, 2011). Outras abordagens intermédias caracterizam o processo
atual como uma etapa de acumulação primitiva transitória, o que pode levar à
estabilização capitalista ou à renovação do socialismo (Yi, 2009). Quem tem razão?
Para clarificar este complexo problema importa reconhecer a existência das duas
diferentes situações. Entre 1978 e 1992 reintroduziu-se de forma limitada o mercado
dentro de um sistema de propriedade pública. Procurava-se com isto fomentar o
desenvolvimento agrícola, a expansão do consumo e a gravitação da pequena
empresa, num quadro de preços parcialmente livres.
Nessa fase, registou-se um crescimento equilibrado impulsionado pelo mercado
interno e a flexibilização dos preços agrícolas. Esta mudança aumentou o poder de
compra no setor rural e originou uma descompressão no setor urbano. A taxa de
crescimento subiu rapidamente e o investimento foi incentivado mediante uma
rigorosa seleção estatal dos setores prioritários.
Este modelo incluía alguma diferenciação social e zonas francas para as
multinacionais, mas mantinha restrições compatíveis com uma construção socialista.
Porém, no início dos anos 90 foi implementada uma orientação diferente.
Começaram as privatizações em grande escala, a generalização dos padrões de gestão
capitalista e a formação de uma classe de grandes empresários com representantes
diretos nos organismos dirigentes.

Este novo regime começou com investimentos destinados ao mercado interno e
fortaleceu-se privilegiando as exportações. Na última década e num cenário de
crescente desigualdade e insegurança no emprego, a apropriação privada das grandes
empresas cresceu.
A principal transformação social gerada por essa reconversão foi o surgimento de
uma classe capitalista local, associada às empresas multinacionais e promotora de
uma ideologia neoliberal. A gravitação deste setor nas altas esferas do regime político
verifica-se no pragmatismo desta condução. A tradição maoísta da revolução cultural
é rejeitada e os empresários são bem-vindos no partido. O pensamento de Marx e
Confúcio são combinados, consoante as necessidades políticas do momento (Xie,
2009).
Nesta segunda etapa, várias características clássicas do capitalismo foram
incorporadas na economia chinesa. Há competição, lucro, exploração e acumulação.
A desigualdade aumenta a um ritmo mais rápido do que no resto da região e os níveis
de exploração ultrapassam os da Coreia, Taiwan ou Singapura.
O alcance da restauração
Os teóricos do “socialismo de mercado” reivindicam a acelerada industrialização e o
desenvolvimento tecnológico autónomo, o que permitiu à China ter, em primeiro
lugar, os resguardos defensivos necessários para enfrentar a pressão imperialista. O
país construiu primeiro uma bomba atómica (1964), depois outra de hidrogênio
(1970) e, finalmente, colocou um satélite no espaço (1970). Sobre estes pilares
negociou a abertura ao Ocidente, a partir da icónica viagem de Nixon (1972).
Também consideram que esse período de economia planificada se esgotou e foi
secundado por mecanismos de gestão mercantil que revitalizaram o socialismo,
dando azo ao grande desenvolvimento das últimas décadas (Yang, 2009).

Mas este argumento confunde a extensão da gestão mercantil com a introdução de
normas capitalistas. Desde os anos 90, não só se flexibilizou a mexida nos preços,
mas também se afirmou a nova propriedade dos capitalistas sobre um setor
importante da economia. Esta mudança de propriedade das empresas estratégicas é
incompatível com qualquer perspetiva do socialismo.
Uma transição rumo à sociedade igualitária pode incluir formas de gestão
centralizadas ou descentralizadas, com formatos mais ou menos flexíveis de
planificação. Contudo, a manutenção de classes proprietárias e de classes despojadas
dos meios de produção só augura a vigência do capitalismo.
Os teóricos das misturas entre os dois sistemas afirmam que esta combinação é, de
facto, consumada através de mudanças paralelas no capitalismo mundial, que teria
incorporado formas do estado de bem-estar e valores de igualdade (Yang, 2009)
Porém, omitem que a tendência contemporânea predominante deste sistema tem
sido diametralmente oposta. O neoliberalismo, nas últimas décadas, tem enterrado as
conquistas sociais do pós-guerra, garantindo, assim, os lucros dos grandes bancos e
empresas. Em vez de uma adaptação do capitalismo ao ímpeto socialista da China,
ocorre um processo inverso: aumenta a gravitação dos padrões de rentabilidade e de
exploração na economia asiática.
Esta incidência é inegável, mesmo para os defensores do processo em curso.
Reconhecem a magnitude das diferenças de salário e esperam que seja a própria
dinâmica do mercado a nivelar essas desigualdades (Yang, 2009).
Mas nunca explicam como é que esse mecanismo lograria corrigir o defeito que
inseriu. A sua expetativa é inconsistente e desconhece que as brechas sociais têm
origem na existência de uma nova classe capitalista interessada em manter essas
diferenças.

Outras abordagens do mesmo tipo aceitam a existência de segmentos patronais mas
relativizam a sua influência. Apresentam a incorporação de empresários no Partido
Comunista como um sinal de patriotismo dos ricos e uma demonstração de
maturidade do serviço público (Ding, 2009).
Mas, de facto, os novos capitalistas consolidam a sua posição social ao ganhar
influência nas cúpulas do sistema político. Seja qual for o grau de veracidade das suas
intenções patrióticas, reforçam uma fratura de classes, o que contraria os enunciados
básicos do socialismo. Pode-se discutir qual o grau de intercâmbio mercantil que
deve prevalecer numa sociedade pós-capitalista avançada, mas seria insólito imaginar
que esse estádio incluísse a exploração, a mais-valia e altos níveis de desigualdade
social.

Essas incongruências foram destacadas por muitos críticos do atual rumo, que
apresentam contundentes indícios da rota da restauração. As mudanças no sistema
de fixação de preços planificados são disso um exemplo. O declínio nesses números
em benefício de cotações comerciais foi monumental.
O primeiro tipo de preços diminuiu de 97,8% (1978) para 2,6% (2003) para a
categoria de retalho e de 100% (1978) para 10% (2003), no sector industrial. Outra
evidência da mesma tendência verifica-se ao nível da perda da propriedade estatal na
indústria, que decresceu de 100% (1978) para 41,9% (2003). O Estado só mantém a
supremacia em cinco setores e perdeu peso nas 23 atividades mais dinâmicas (HartLandeberg,
2011).
Esta evolução pró-capitalista é confirmada com a erosão do tecido social gerada pelo
avanço da precarização e do declínio do emprego tradicional. Dos 30 milhões de
operários que foram demitidos entre 1998 e 2004, 21,8 milhões passaram a auferir o
salário mínimo.
Em muitas empresas praticam-se, aliás, horários de trabalho de 11 horas, durante
mais de 26 dias por mês. A superexploração afeta duramente 200 milhões de
trabalhadores rurais que migraram para as cidades nos últimos 25 anos, sem alcançar
autorização de residência (Hart-Landeberg, 2011).
A China colocou-se no topo dos índices de desigualdade medidos pelo coeficiente de
Gini. Na região – só é superada pelo Nepal e, logo após, os Estados Unidos – alberga
o maior número de bilionários do mundo. Por esta razão florescem os negócios de
luxo e os “Yacht clubs”. Toda a geração de afilhados da velha liderança comunista
gere as grandes empresas. É aí que a nova elite está concentrada. Basta notar que um
terço das 800 pessoas mais ricas do país são membros da PCC [Partido Comunista da
China – NT].
Estes dados económicos, sociais e políticos não deixam margem para dúvidas sobre a
tendência para a restauração do capitalismo que orienta a China. Os neoliberais
congratulam-se com esta mudança e os heterodoxos limitam-se a apresentá-lo
apenas como um momento necessário à acumulação.
Mas muitos teóricos do marxismo enfrentam este cenário com perplexidade. Alguns
recorrem a malabarismos para apresentar os dados da China como sinais de
modernização do socialismo. Além do desgastado argumento de sublinhar as
singularidades do país (“socialismo com características chinesas”), não conseguem
demonstrar como se conjuga esse sistema com a crescente hegemonia dos ricos.
A linguagem diplomática, as abstrações e a substituição do termo capitalismo por
mercado, não são suficientes para disfarçar uma rota evidente. O grau de
consolidação alcançado pela restauração capitalista é discutível, mas não a primazia
desta tendência (Weil, 2009).

As novas resistências
Ao caracterizar a existência de dois períodos distintos – introdução do mercado numa
economia planificada (1978-1992) e mudança pró-capitalista (1992-2014) – pode
entender-se a natureza da transformação em curso. A passagem do primeiro modelo
para o segundo marca uma rutura qualitativa, que bloqueou (ou enterrou) qualquer
transição socialista.
Esta mudança não implicou apenas uma outra política económica (de primazia do
consumo para o investimento) ou do entrelaçamento do setor financeiro com o
produtivo. Também não se resume a uma passagem das comunas rurais a unidades
agro-industriais ou à constituição de zonas francas no litoral para produzir bens
exportáveis através de investimento estrangeiro.
A modificação fulcral entre os dois períodos foi uma mudança nas regras de
propriedade, o que facilitou a conversão de funcionários de elite em donos de grandes
empresas. Esta mudança foi acompanhada pela concessão de mais poderes aos
gestores para reorganizar as unidades de produção. Embora o elevado crescimento
económico tenha reduzido a pobreza, o esquema de profunda desigualdade em vigor
impede as famílias operárias de suportar os gastos correntes de saúde e educação (Li,
Piovani, 2011).

A segunda fase económica da China foi marcada por um crescimento económico
explosivo e acompanhada por agudas manifestações de corrupção. Por esse meio, a
nova classe privilegiada apropria-se de uma fatia leonina do desenvolvimento atual.
Esses grupos da alta burocracia fizeram por tolerar – durante o longo período que
sucedeu à revolução – a supremacia de grandes conquistas populares, que obstruíam
o seu enriquecimento. Quando alcançaram poder bastante para arrebatar essas
conquistas, começou o assalto ao seu novo status capitalista. Atualmente detêm o seu
poder na gestão do Estado e contam com apoio social de uma uma classe média que
ascendeu socialmente, sonhando alcançar o modo de vida norte-americano (Li,
2009).
Entre os autores que destacam este nítido curso pró-capitalista muitos deixam em
aberto uma definição da maturidade desta regressão. Ter-se-á inteiramente
consumado a restauração, como aconteceu na Rússia ou nos países da Europa
Oriental?
O carácter irreversível desta mutação é posto em causa por aqueles que questionam a
solidez da nova classe capitalista. Alegam que o Estado mantém um grande poder de
intervenção e uma consequente capacidade para introduzir mudanças nas tendências
(Lin, 2009; Lo, Zhang, 2011).

Outros enfatizam a persistência do legado socialista na vida cotidiana e a
sensibilidade (ou medo) das autoridades perante qualquer expressão de
descontentamento popular. Apontam que a reacção destas elites é muito diferente do
comportamento das classes opressoras no Ocidente, que acumulam séculos de
experiência no exercício da sua dominação (Wang, 2009).
Finalmente, as novas resistências populares que brotaram nos últimos anos são vistas
como mais um sintoma de grandes reservas de oposição ao curso capitalista,
subjacentes à sociedade chinesa (Li, Li Xie, 2012).
Esta variedade de argumentos ilustra o quão complexo é definir o grau de
concretização da restauração capitalista. Este processo não envolve somente
transformações objetivas à escala da propriedade privada vigente, mas também
mudanças drásticas ao nível de aceitação subjetiva do capitalismo. A restauração
implica um processo dual de consolidação de ambos os componentes.
Na caracterização que fazemos destes processos estabelecemos cinco critérios para
medir esta restauração, destacando três aspetos económicos (preços livres,
planificação reduzida, crise por acumulação), um pilar político (modalidade
institucional) e um elemento social-subjetivo de resistência e defesa do ideal
socialista (Katz, 2006: 72-76).

No plano económico, as regras do capitalismo estão muito avançadas na China, tanto
na forma que assume o ciclo e a gestão macroeconómica, como na gestão das
empresas. Este facto é reconhecido pelos próprios defensores do modelo actual, que
descrevem o comportamento de uma classe capitalista com influência preponderante
sobre todas as instituições e meios de comunicação. Mas as elites mais neoliberais
não dominam o aparelho do Estado na sua totalidade e os grandes desequilíbrios
regionais, sociais e agrários, causados pela acumulação, põem em causa a
consistência do capitalismo nascente.
O culminar deste processo é incerto, uma vez que, ao contrário do que aconteceu na
URSS, a classe operária tem vindo a ganhar protagonismo. Ocorrem grandes greves
que impõem concessões aos governantes. O número de protestos cresceu de 58.000
(2003) para 87.000 (2005) e 94.000 (2006). Desde 2009, o aumento destas
resistências determinou uma mutação no comportamento dos líderes, que optaram
por substituir a reação repressiva inicial por negociações e concessões (Yu, 2012).
Esta mudança dá-se em simultâneo com a multiplicação de correntes críticas e
tomadas de posição anticapitalistas de tendências de esquerda, que exigem medidas
de renacionalização e reversão das privatizações. Exigem o restauro da educação e
saúde grátis e entram em choque com os que enriqueceram. (Zhu, Kotz, 2011).
Estas franjas militantes são mais influentes do que o se supõe no Ocidente.
Costumam combinar reivindicações básicas com reivindicações de mudanças nos
impostos e nos padrões de crescimento. Muitos mesclam a defesa do igualitarismo
com propostas de democratização política. Todas as referências a um “modelo chinês
de socialismo” deveriam ser identificadas com estas vertentes de resistência das bases
à restauração (Choi, 2009).

A política internacional
Alguns analistas registam linhas de continuidade da China com o seu passado antiimperialista.
Consideram que o país resgata os princípios de soberania e de
cooperação impulsionados durante a emblemática reunião de 1955 com o Egito
(Nasser) e com a Índia (Nehru) (Revista Bandung, 2011).
Mas é muito difícil corroborar algum resquício desses projetos. A China encetou um
caminho radicalmente oposto, de expansão dos investimentos no estrangeiro e de
fortalecimento dos tratados de livre-comércio.
Outros autores estimam que o país está a construir as bases do novo modelo global,
que substituirá a hegemonia dos Estados Unidos em declínio. Supõem que edificará
um esquema de cooperação favorável à maioria dos países periféricos. Este ponto de
vista foi difundido por Arrighi, ao contrapor o belicismo ianque em declínio, com um
ascendente “Consenso de Pequim”, baseado no pacifismo da potência asiática
(Arrighi, 2007: cap 5-6).
Esta mesma abordagem é apresentada por aqueles que assumem que este país vai
orientar a economia mundial em direcção ao igualitarismo, encabeçando o novo
bloco contrahegemónico dos BRICS.
Contudo, não é sensato conceber um futuro pós-capitalista sob a direção de uma
potência que emerge em termos capitalistas e com tanto de rivalidade como de
associação com os Estados Unidos. Os próprios dirigentes chineses enfatizam este
perfil em todas as iniciativas à escala global nas quais participam. Têm por hábito
ostentar uma ideologia mais próxima da idolatria mercantil-liberal do que exibirem
qualquer vestígio de mensagens socialistas.
A significativa associação das elites chinesas aos principais bancos e empresas do
Ocidente contradiz a almejada formação de um bloco de economia cooperativa global.
Esse entrelaçamento com o capital estrangeiro verifica-se, dentro da China, na
incidência desse setor nas vendas industriais. Também se expressa na fanática
adoção de princípios do livre-comércio logo após a adesão à OMC. O país sobe ao
palco mundial como um parceiro das grandes corporações e é um natural guardião do
status quo em vigor.
Este importante vínculo com a produção e com o comércio e a finança globalizados
impede que a nova potência cumpra um papel progressista. Tornou-se num dos
pilares da globalização neoliberal e não pode atuar simultaneamente como gestor de
modelos pós-capitalistas.
As próprias tendências geradas pela crise de 2008 desmentem essa possibilidade. Se
a China decide reforçar a sua posição no cenário mundial – transformando em
propriedades os seus enormes créditos em dólares – consolidará a sua parceria com
grandes empresas capitalistas. Os ativos adquiridos ao seu rival seriam reciclados sob
o mesmo esquema da globalização neoliberal, afetando assim todos os perdedores da
reorganização capitalista3.
Mas não é necessário analisar estas hipóteses para verificar qual é o comportamento
predominante das elites chinesas no plano internacional. Os acordos com os
fornecedores de matérias-primas são regulados por rigorosos critérios de livrecomércio.

A associação dos capitalistas chineses com os seus homólogos ocidentais obstruiu,
aliás, a esperada dissociação internacional e a consequente mudança chinesa para o
crescimento interno. Os efeitos desta limitação pesam severamente sobre uma
economia que reduziu significativamente o seu ritmo de crescimento. Os laços
transnacionais interditam as margens de manobra autónoma da nova potência.
Na própria direcção chinesa, os partidários de estreitar relações com o Ocidente (elite
da Costa) colidem com os críticos dessa associação (elite do Interior). Todavia
nenhuma das duas promove as matrizes de rutura anti-imperialista necessárias para
dar azo a um modelo de cooperação internacional.
Neste âmbito verifica-se uma significativa diferença com a estratégia defendida pelos
líderes da antiga URSS. Também aqui todos os sectores da burocracia governante
tinham posto de lado qualquer perspetiva de estratégia socialista. Mas a coexistência
pacífica que mantinham com o imperialismo baseava-se num princípio de divisão
territorial (“áreas de influência”), que recriava os conflitos permanentes da Guerra
Fria. Os campos de ação económica estavam inteiramente separados e as ligações
comerciais, financeiras ou comerciais entre os dois contendores eram mínimas.

3 Esta possibilidade é analisada com outras conclusões por Dos Santos (2011). 
Durante as últimas décadas a burocracia chinesa seguiu um caminho diferente de
plena integração no mercado mundial. Por esta razão, o programa da Nova Ordem
Internacional (NOEI) – que a URSS impulsionava para associar o Segundo e Terceiro
Mundo – não tem continuidade na liderança chinesa.
Esta direção concebe todas as suas ações internacionais baseada no entrelaçamento
estabelecido com as empresas e bancos do Primeiro Mundo. Por isso desenvolve uma
política externa mais cautelosa que os soviéticos, de low profile, alto realismo e
convivência com a economia estado-unidense.
Alianças sem imitação
Na sua configuração actual a China pode ser vista como um parceiro dos processos
transformadores da América Latina, mas nunca como o modelo a seguir para a
construção do socialismo. O gigante asiático distanciou-se estruturalmente desse
objetivo.
Como a União Soviética no passado, a China é hoje muito importante para Cuba e a
América Latina. A região precisa de aliados para qualquer batalha contra o
imperialismo estado-unidense. O gigante do Norte continua a tratar as nações a sul
do Rio Grande como parte do seu quintal. Os EUA nunca abandonaram as suas
pretensões de anexação da América Central e de custodiar a América do Sul.
Enviaram marines, organizaram golpes de estado e projetaram todos os massacres
necessários para perpetuar sua dominação.
Os Estados Unidos responderam ao surgimento de projetos socialistas no hemisfério
com sabotagens, invasões e conspirações. Encabeçaram uma rigorosa monitorização
anticomunista e levaram a cabo ações de intervenção explícita contra o Chile e a
Nicarágua. As décadas de bloqueio que Cuba suporta ou as conspirações que a
Venezuela enfrenta atestam essa ingerência.
É totalmente falsa a crença de que os EUA se esqueceram da América Latina e que
renunciaram ao intervencionismo. Basta atentar no protagonismo ianque no golpe de
Estado nas Honduras, na implantação geral da IV Frota ou nas novas bases na
Colômbia para dissipar estas ilusões. Há mudanças na linguagem (do anticomunismo
ao antiterrorismo) e uma maior delegação de ações nos militares locais. Mas o
Pentágono persiste como a principal barreira para qualquer perspetiva não só de
socialismo, mas de independência efetiva.
O alívio observado nos últimos anos (declínio da OEA, aparecimento da CELAC, o
regresso de Cuba à diplomacia regional) é um resultado temporário do cenário criado
pelas rebeliões populares. Há governos mais autónomos, mas a obstrução imperial a
qualquer projeto de emancipação da América Latina não mudou.
Portanto, é essencial sustentar alianças internacionais que permitam proteger os
processos anti-imperialistas na região do esmagador poderio do Pentágono. Pelo seu
peso geopolítico à escala global, a China pode atuar como um contrapeso a essa
ameaça. 
A trajectória seguida por Cuba desde os anos 60 constitui um interessante
antecedente de como implementar uma política externa revolucionária, sem
subordinação aos mandatos dos grandes jogadores mundiais. Che colocou em prática
uma estratégia de expansão internacional do socialismo, em oposição ao status quo
permanente com o imperialismo que os líderes da antiga União Soviética praticavam.
No seu discurso na Argélia foi particularmente crítico em relação à escassa
solidariedade destes dirigentes para com os levantamentos no Terceiro Mundo.
Guevara exortou a que se forjassem “um, dois, três, muitos Vietnames”, em oposição
à passividade do Kremlin. Impulsionava estes levantamentos contra a utopia de
restringir a construção do socialismo a um único país ou região. No Congo deu o
corpo e na Bolívia deu a sua vida por estes ideais (Katz, 2008; Sánchez Vázquez,
2007).
Além do resultado dessas acções, a experiência cubana ilustrou como a aliança com
uma potência para contrabalançar o peso do imperialismo não implica uma
submissão ou imitação do parceiro. Esse modelo fornece um importante ponto de
partida para conceber as relações da China com os processos radicais atuais e futuros
da América Latina.
* Claudio Katz é economista, investigador do CONICET4, professor da UBA5,
membro do EDI6.
Referências:
- Amin, Samir, (2012), “El mundo visto desde el Sur”, ALAI, 30-3.
- Arrighi Giovanni, (2007), Adam Smith en Pekín, Akal, Madrid.
- Choi, Wai Kit, (2009), “Toward a Communist immnent critique”, Science and Society, vol 73, April.
- Ding, Xiaoqin, (2009), “The socialist market world economy, china and the world”, Science and
Society, vol 73, April.
- Dos Santos, Theotonio, (2011), “Algunos comentarios a la entrevista de Wallerstein”, ALAI, 18/8.
- Hart-Landeberg Martin, (2011), “The Chinese Reform experience: A critical assessment”, Review of
Radical Political Economics, vol 43, n 1.
- Katz Claudio (2014), “La epopeya de Cuba”, www.lahaine.org/katz.
- Katz Claudio, (2008), “El legado del Che”, 2008, www.lahaine.org/katz.
- Katz, Claudio, (2006), El porvenir del socialismo, Edición venezolana: Monte Ávila, Caracas, 2006
- Li, An; Li, Zhongjin; Xie, Fuaheng, (2012), “Guojinmintui: China new public-private debate”, Science
and Society, vol 76, n 3, july.
- Li, Minqi, (2009), “A harmony of capitalism and socialism?, Science and Society, vol 73, April.
- Li, Minqui; Piovani, Chiara, (2011), “One hundred millón jobs for the chinese workers”, Review of
Radical Political Economics, vol 43, n 1.
- Lin, Chun, (2009), “The socialist market economy, Step forward or backward”, Science and Society,
vol 73, April.
- Lo, Dic; Zhang, Yu, (2011), “Making sense of China´s economic transformation”, Review of Radical
Political Economics, vol 43, n 1.
- Revista Bandung, (2011), Vol 1, setembro 2011, Cedebras, Belo Horizonte.

4 CONICET – Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas: é o principal organismo
dedicado à promoção da ciência e da tecnologia na Argentina. – [NT]
5 UBA – Universidade Bicentenária de Aragua, na Venzuela. – [NT]
6 EDI – Intercâmbio Eletrónico de Dados. [NT] 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015



Leituras...que recomendo
 

A propósito de Paris
 
Eis um texto que o  Prof José Luís Cabaço (ex Ministro de Transportes de Moçambique) publicou no seu facebook sobre a questão de Paris...
 
Neste momento, o assassinato das doze pessoas e, em particular, dos jornalistas/artistas na sede do periódico satírico Charlie Hebdo, está-se perfilando como um novo, mini 11 de Setembro. Chovem de todo o lado mensagens de indignação, de condolências, de solidariedade, de condenação... Também eu estou indignado. Estou indignado por cada pessoas que morre no mundo da forma como morreram estes últimos. Sou solidário e feroz defensor da liberdade de expressão.
Triste porque alguns dos caricaturistas de Charlie Hebdo (particularmente Wolinski que conheci em Argel há “um século”) me apaixonavam e acompanharam com a sua feroz e dessacralizante sátira toda a minha adolescência e a minha vontade de então (e ainda de hoje) de mandar todo o mundo f.....-se.
Mas, por muito que me custe, não escreverei que sou Charlie Hebdo. Não meterei nenhuma bandeira negra no meu perfil no Facebook, nem quaisquer post com desenho de Charb nem sequer de Wolinski de quem tanto gosto... Se tiverem tempo de ler o meu longo raciocínio, explicarei porquê.

Charlie Hebdo nasce em 1992 mas a equipa que o funda vem de uma longa história de jornais de sátira libertária. Aquele que se pode considerar como o antepassado de Charlie é “Hara-kiri” onde trabalhavam já vários membros da atual redação.
Hara-kiri satirizava os poderosos, De Gaulle, o exército, a igreja e foi fechado por várias vezes para reabrir sob diferentes formas e títulos.
Era divertido, dessacralizante, por vezes feroz. Mas tinha aquele sabor de liberdade da época.

Hoje, Charlie Hebdo mudou. Ainda o compramos, de vez em quando, porque tem um nome. Mas o seu público já não é o operário ou o estudante sem dinheiro, mas a “esquerda-caviar” da Paris bem.
Nos últimos anos foi assumindo uma linha editorial abertamente islamofóbica. Não se trata de visar, de vez em quando, uma religião. Isso, fê-lo sempre mesmo com a igreja católica. O problema não é esse. Se satirizasse os muçulmanos, o islão, o profeta, deus ou qualquer outra personagem ou símbolo sagrado não veria nisso, pessoalmente, nada de errado.
Mas as numerosas campanhas de Carlie Hebdo contra os muçulmanos, o islão, os símbolos sagrados desta religião tinham um sabor de insistente.
Fazia parte de uma certa cultura muito difusa nos ambientes que no passado tinham sido de esquerda e que hoje são só cínicos.
Ambientes que decidiram definitivamente estar do lado dos fortes e que não têm mais nenhuma batalha verdadeira a levar a cabo.
Uma ex-esquerda que se rendeu, de mãos e pés atados, à lógica do mercado, ao domínio dos bancos e, ultimamente, também à retórica do conflito de civilizações. Uma ex-esquerda que considera que o integralismo islamico é o único e último perigo que ameaça a humanidade.
Uma ex-esquerda que já não tem sonhos nem projetos e que se contenta em olhar o mundo do alto da sua presumida superioridade cultural.
Mas não é por isso que não porei luto pelos mortos de Charlie Hebdo.

Não reconheço a quem quer que seja o direito de matar ninguém em nome de nada e ainda menos em nome de uma divergência de opiniões.
As minhas razões são outras.
O ataque à redação do jornal satírico ocorre num momento particular. Ainda há um ano não se falava de integralismo.

O tema tinha quase desaparecido das primeiras páginas.
E se se viam imagens de barbudos em armas nas estradas de Tripoli o de Aleppo, eles eram chamados “Revolucionários” .
E cantavam-se loas a estes bravos rapazes. Lia-se em toda a parte que os bravos rapazes recebiam ajuda de todas as partes.
Lia-se um pouco menos que os bravos rapazes tinham tomado o controle de várias unidades de extração de petróleo e que a Turquia, um estado membro da Nato, lhes comprava tranquilamente. Lia-se ainda menos que, para além das ajudas e dos milhares de jovens vindos de todo o mundo em apoio a estes bravos rapazes, estavam também conselheiros militares que ensinavam os bravos rapazes a combater...
Depois, de repente, tudo muda.

Voltam a chamar-lhe terrorismo, e a morte de membros das minorias até então silenciadas vêm à luz.
Os serviços secretos de todos os países da Nato (e seus numerosos aliados) fazem de contas que caem das nuvens descobrindo que milhares de jovens partiram de suas cidades para reforçar os “revolucionários”.
Aparentemente não sabiam de nada. E nós a escandalizarmo-nos juntamente com eles.
Já há décadas que este joguinho era jogado.

As redes que hoje se chamam Al Qaeda e depois Isis, Boko Haram e companhia foram organizados em plena guerra fria numa perspetiva anti-soviética.
Os países do Golfo Pérsico, em colaboração com a Nato, fizeram um trabalho de montagem financeira, propagandística e organizativa para favorecer o afluxo de combatentes de toda a parte.
Al Qaeda era o principal aliado da Nato e obviamente dos países do Golfo nos anos noventa. Depois, pouco a pouco, resvala para a área da ilegalidade.
A guerra fria estava terminando e Samuel P. Huntington préanunciava um novo conflito batizando-o de “conflito de civilizações”.
Entretanto chega a guerra da Argélia. Centenas de jovens regressados do Afganistão contribuem para formar o primeiros núcleos de Grupos que, com o exército argelino (que também ele não estava para brincadeiras) fazem passar o país por duas décadas infernais.
Simultaneamente, nas mesquitas de londrinas, mas também nas francesas, italianas, alemãs, indivíduos pouco recomendáveis predicavam a luta armada na Argélia e recolhiam dinheiro proporcionando negócios fabulosos à indústria de armamento.
A Argélia estava saindo de uma era socialista e necessitava de um pequeno empurrão para privatizar os seus enormes recursos energéticos.
E como por milagre, após cada concessão assinada com uma multinacional, encerrava-se uma rede de apoio ao integralismo armado.
Quando finalmente as multinacionais tomaram o controle do petróleo argelino, as redes tornaram-se terroristas e foram totalmente desmanteladas.
Pelo menos assim disse a imprensa livre de todo o mundo livre.
Em 2001 aconteceu o 11 de setembro e, com ele, uma verdadeira histeria. Quem não tinha terroristas islâmicos para prender, inventava-os.

Todos queriam ter a sua ameaça e os seus mini-ataques.
Nunca foi totalmente esclarecido por quem, por quê e como foram perpretados daquele dia, mas não faltavam justificações para as novas políticas de controle militar da área do médio oriente desejadas pelos Neo-cons, os neo-conservadores americanos.
Já lá vão 14 anos que decorre a sua war on terror que apenas produziu cada vez mais terror e cada vez mais novas wars.
Os Neo-cons vão-se e chega Obama, que diz querer retirar as tropas e vai ao Cairo onde faz um longo e forte discurso no qual diz que estende a sua mão para ajudar na criação de um “Novo Médio-oriente”. Pouco depois daquele discurso as praças árabes começam a agitar-se.

O mundo descobre que no mundo árabe não existem só militares bigodudos e rebeldes barbudos. No meio, há povos com muitas nuances que, ao fim e ao cabo, aspiram às mesmas coisas que todos os outros povos: dignidade, liberdade, bem estar...
Os islamistas estão ausentes das praças ou quase. De qualquer forma, não lhes pertence a iniciativa. Às vezes seguem o movimento.
Por vezes se retiram. O tom é dado pelos jovens laicos, cultos e amantes da liberdade e dos direitos humanos.
Isso não agrada a todos, ao que parece.

Já em maio de 2011, os serviços secretos russos (geralmente bem informados por aquilo que sei) alertavam sobre a iminente reconstrução de redes integralistas internacionais sob o comando do especialista saudita no assunto: o principe Bandar Assudairi Ben Saud, promotor de vários grupos e de várias guerrilhas islâmicas no mundo.
O objetivo era o de recolocar o islamismo político na liderança das revoltas.
Essa informação foi retomada apenas pela rede Voltaire, oficialmente classificada como subversiva, e todos fizeram de conta que nada existia.
Hoje, tudo o que foi previsto naquele alerta se verificou, e muito mais.
Na Libia, um comandante “ex” Al Qaeda liderando um exército armado pelo Qatar e Arábia Saudita e treinado pela CIA toma a cidade de Tripoli que as milícias tribais não conseguiam conquistar e o país torna-se uma espécie de território llibertado por grupos armados de todos os tipos.
No Iemen, a Arábia Saudita reinstala o velho regime, mas estranhamente grupos armadis despontam em toda a parte como cogumelos.
No Egito e na Tunisia os irmãos muçulmanos são levados ao poder num tapete de petrodolares. Da Siria nem falemos... O resto da história é bem conhecida.
Entretanto no ocidente as mesquitas (não todas felizmente, mas as mais extremistas e que seriam em teoria também as mais vigiadas pelos serviços secretos) voltam a ser locais de recolha de fundos e de recrutamento.

Se amanhã um juiz investiga com demasiado rigor o porquê, pode ocorrer um novo caso Abu Omar.
E agora, finalmente, de há menos de um ano para cá, todos a gritar o perigo. Que jogo é este? Alguém pode explicar?
Já há mais de 30 anos que os serviços secretos de todo o mundo brincam com o fogo com os grupos integralistas. São controlados, são infiltrados, são insuflados quando servem e esvaziados quando deixam de servir.

De resto, é o mesmo que se tem feito e continua a fazer com os grupos extremistas de direita e de esquerda desde a segunda guerra mundial.
Quem se recorda da sigla “Stay Behind” e dos falsos atentados (mas com mortos verdadeiros) por toda a Europa sabe do que estou falando.
Hoje é preciso fazer subir a aposta em jogo.

A crise pede guerra. As novas guerras pelo controle do Médio Oriente precisam de legitimidade.
A crise desacreditou toda a classe política europeia e só o crescimento dos extremismos de direita pode levar as gentes e voltar a votá-los.
Não gostas do Renzi mas como o perigo é Salvini (porque será que ele está sempre na TV?) então vais e votas Renzi.
Por outro lado, também as redes do integralismo armado precisam de fazer aumentar o nível da tensão.
Quem vive de violência e para a violência precisa da tensão como de oxigénio. Eles vivem na mesma lógica. 
E agora, cometido o delito, todos os fascistoides que gostariam de ter feito explodir a cabeça ao grupo Charlie Hebdo pelas suas velhas posições antifascistas ou pelas suas posições sobre a homossexualidade e outros temas do género, todos eles já publicaram mensagens de condolências e choram lágrimas de crocodilo sobre esta Europa que queriam livre, mas que é ameaçada pelos muçulmanos, pelos africanos, pelos asiáticos, portadores de valores antidemocráticos !!!!!!
E nos set televisivos já começaram a recolher os frutos deste verdadeiro maná político que lhes foi servido num prato de … chumbo.
É para não fazer parte deste gigantesco teatrinho das emoções encomendadas, das indignações seletivas, da solidariedade de fachada, das amnésias coletivas e da hipocrisia generalizada que me recuso a içar a bandeira negra, nem escreverei “Eu sou Charlie”.

Eu não sou Charlie. Fui Charlie quando era criança, quando também Charlie era Charlie. Hoje já não o somos, nem ele nem eu.
Hoje Charlie já não faz rir ninguém e a mim vem vontade de chorar, chorar só, isolado.

Tenho vontade de chorar, mas não só por Wolinski e pelos seus colegas.
Vem-me vontade de chorar por todos os mortos desta história sórdida.
Chorar pelas centenas de milhar de mortos durante a guerra suja na Argélia, pelos amigos que ali perdi.
Chorar elas vítimas do World Trade Center, pelo meio milhão de iraquianos, as centenas de milhar de afegãos, paquistaneses, pelas dezenas de milhar de líbios, de iemenitas, de palestinos, pelas centenas de milhar de pessoas mortas na Síria, tudo parte de uma trágica farsa chamada “conflito de civilizações”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Avelãs Nunes:

Os Blair do mundo são tão terroristas quanto os do Charlie

publicado em 14 de janeiro de 2015 às 22:41

Avelãs Nunes é Charlie mas é também Mona Chollet, jornalista do Charlie sumariamente despedida em 2000 por protestar contra um artigo do editor da revista (Phillipe Val) que chamava os palestinos de “não civilizados”
Da Redação
Patrick Mariano é advogado, leitor e colaborador frequente do Viomundo.
Atualmente está em Portugal, onde é doutorando em Direito, Justiça e Cidadania no século XXI na Universidade de Coimbra.
De  lá, Patrick nos envia o artigo do professor António José Avelãs Nunes:
“António José Avelãs Nunes é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Direito e ex-Vice Reitor da Universidade de Coimbra, Portugal. Autor de vasta obra tendo como eixo os temas do capitalismo, direito, globalização e neoliberalismo. Além disso, suas obras trazem uma intrínseca preocupação com o ser humano, a desigualdade, as injustiças sociais e os sistemas das forças produtivas no mundo.
Entre seus livros, podemos citar: Industrialização e Desenvolvimento – A Economia Política do modelo brasileiro de desenvolvimento, obra prefaciada, na edição brasileira (editora Quartier Latin), pelo professor, historiador e economista paraibano Celso Furtado; e Neoliberalismo, globalização e desenvolvimento econômico, (2001) e A Constituição Europeia – A constitucionalização do neoliberalismo, (2006).
O professor Avelãs Nunes é um dos grandes críticos do processo de integração europeia e um dos maiores juristas portugueses.
Nesse texto, faz uma abordagem crítica ao episódio de Charlie Hebdo através de uma perspetiva histórica profunda. O fato de ser solidário ao trágico acontecimento, não o impede de denunciar os vários terrorismos, muitos deles praticados por chefes de estado”.
António José Avelãs Nunes, de Portugal,  especial para o Viomundo
Tenho acompanhado as imagens e os comentários sobre o massacre na sede do Charlie Hebdo, em Paris. Também eu penso que se trata de um massacre, algo que a civilização não pode comportar. Mas também penso, como alguns (não sei se muitos) outros, que o essencial a discutir, para preservar a liberdade e a civilização, não é propriamente a história trágica dos assassinos e dos assassinados.
Creio que é necessário recordar que foi o terrorismo que, em 1948, expulsou milhões de palestinianos das suas casas e das suas terras. E lembrar que os crimes por terrorismo não prescrevem. E lembrar que um dos mais célebres terroristas desse tempo (Menahem Begin) foi anos depois Primeiro-Ministro de Israel e condecorado com o Prémio Nobel da Paz (como, entre outros, Kissinger, Obama e a UE).
É preciso não esquecer que, desde 1967, Israel ocupa ilegitimamente, território palestiniano e que ninguém, na dita ‘comunidade internacional’, se lembrou de invadir Israel e matar o ‘ditador’, como fizeram com o Iraque. É preciso recordar que esta situação (com a construção ilegal dos colonatos, a construção do ‘muro da vergonha’ e muitas outras vergonhas toleradas (estimuladas e pagas) pelo ‘mundo livre’) constitui uma humilhação para os palestinianos e para o mundo árabe. É preciso não esquecer que a Carta da ONU reconhece aos povos ocupados o direito de resistir à potência ocupante por todos os meios, incluindo a luta armada.
Ninguém (entre os democratas) condena as forças da Resistência pelos atos de ‘terrorismo’ praticados contra o ocupante nazi; os salazarentos chamavam terroristas aos combatentes dos movimentos de libertação que Paulo VI recebeu no Vaticano; o ‘mundo livre’ (vá lá…, uma boa parte dele) chamou terrorista a Nelson Mandela e achou muito bem que ele estivesse preso por não renunciar à luta armada, até chegar à conclusão de que, afinal, aquele ‘terrorista’ era uma referência moral do mundo inteiro.
Talvez o ato mais importante (oxalá decisivo) contra o terrorismo islamita fosse obrigar Israel a cumprir as múltiplas decisões da AG da ONU no sentido de entregar aos palestinianos o território que lhes pertence (e já se deixa de lado o território pilhado pelas ações terroristas de 1948 e antes). Após a constituição do estado da Palestina (com a capital em Jerusalém), então poderia exigir-se a este e ao povo palestiniano que respeitasse a soberania e a segurança do estado de Israel.
Parece-me uma enorme hipocrisia aceitar (como estão a dizer as televisões) que Netanyahu (que comete atos inaceitáveis de terrorismo de estado, muito mais grave do que o terrorismo dos ‘fanáticos’) desfile ao lado dos que protestam contra o terrorismo. Como classificar os bombardeamentos de Israel sobre territórios palestinianos, sacrificando milhares de inocentes? Como classificar os atos do estado de Israel que, recorrentemente, destrói as casas de família dos familiares dos palestinianos que cometem atos de terrorismo contra cidadãos israelitas? Em nenhuma civilização os crimes de uns podem incriminar outros, só porque são familiares do criminoso. E se avendetta é repugnante quando praticada pela máfia, é muito mais repugnante quando praticada por estados que se querem civilizados. Como seria bom que, depois da barbárie nazi de Guernica e de Oradour crimes destes não se repetissem…
Em consequência de bombardeamentos e outros ataques israelitas, morreram, em 2014, 600 crianças palestinianas da Faixa de Gaza. Terão sido mortas para defender a liberdade de imprensa? Esses mesmos bombardeamentos mataram 17 jornalistas em funções na Faixa de Gaza. Talvez estivessem a abusar da liberdade de expressão. Uma coisa é certa: não se trata de terrorismo, são meros “danos colaterais”…
O que eu penso é que este massacre dos jornalistas franceses é mais um episódio desgraçado de uma guerra global feita pelo e em nome dos interesses do famosocomplexo militar-industrial, que não deixou Eisenhower governar segundo a sua vontade, que impôs ao mundo a guerra fria e todas as guerras quentes que fizeram do século XX um inferno e que continuam a marcar o séc. XXI. Em nome desses interesses é que o ‘mundo civilizado’, defensor da liberdade de imprensa, da tolerância e de todas as virtudes republicanas, criou, doutrinou, treinou, armou e pagou (e paga) os bandos terroristas islamitas inventados para expulsar os soviéticos do Afeganistão e depois replicados em várias outras situações.
Foi em nome da tolerância laica e republicana que todas as franças do ‘mundo civilizado’ inventaram o Kosovo (um ‘país’ que dá cobertura a uma base americana, entregue a bandos de terroristas e traficantes de mulheres, de armas, de droga e de tudo o que dê DINHEIRO) e o entregaram a extremistas islamitas? Foi a defesa da liberdade de imprensa que justificou, aqui há anos (1999, salvo erro), o bombardeamento pela NATO do edifício da televisão sérvia, provocando dezenas de mortos?
Na altura, o porta-voz do Pentágono justificou o ataque invocando que a TV da Sérvia fazia parte integrante da máquina de guerra de Milosevic. Quem se admira que osfanáticos do Islão pensem que o Charlie Hebdo faz parte integrante da máquina de guerra do ‘ocidente’ contra o Islão?
Dos fanáticos não pode esperar-se racionalidade (para já não falar de decência e de humanidade), mas do Pentágono (e da NATO e da ‘Europa’ que apoiou os EUA) temos o direito de exigir racionalidade e respeito pelos valores do homem. Recordo de ouvir então o ‘não-terrorista’ Tony Blair declarar na TV (uma TV boa, com certeza) que a TV sérvia era um alvo militar legítimo. Certamente porque apoiava o Presidente Slobodan Milosevic (que os EUA tinham declarado inimigo) e difundia notícias (até podiam ser inverdades…) que não agradavam ao Sr. Blair e aos ‘civilizados’ dirigentes da NATO.
Como nega agora o Sr. Blair idêntico ‘direito’ aos que se sentem ofendidos com os textos e cartoons publicados pelo Charlie? A liberdade de imprensa da TV sérvia era e a liberdade de imprensa da Charlie é boa? Quem define, então, o que é bom e o que é mau? Cá por mim, concluo que o Sr. Blair e outros vários Blaires são tãoterroristas como os que agora assassinaram os jornalistas do Charlie. Com algumas diferenças: os Tony Blair que, mentindo aos seus povos e ao mundo, fizeram guerra ao Iraque (e depois à Líbia e agora à Síria) mataram centenas de milhar de inocentes; nenhum deles foi morto pela polícia francesa; nenhum deles irá responder no TPI por crimes contra a humanidade.
Pergunto: foi em nome de quaisquer valores dignos do Homem que os Blaires do mundo fizeram a guerra contra o Iraque, contra a Líbia e contra a Síria? Esta guerra não é terrorismo de estado? Os milhões de vítimas que viram as suas vidas destruídas e os seus países destruídos não são vítimas de nenhum terrorismo? Então são vítimas de quê? Ou morreram de morte natural?
Quem criou e armou o bando dos “Amigos da Síria”? Estes ‘amigos’ não serão agora os ‘amigos do “estado islâmico”? Como em tantas outras situações da vida, o feitiço parece voltar-se agora contra o feiticeiro… Dramaticamente, talvez os ‘terroristas islamitas’, criados, doutrinados e pagos pelo ‘império’ atuem, sem se dar conta disso, por conta desse mesmo ‘império’, em todos os ‘estados islâmicos’ do mundo, em todas os ataques contra todos os Charlies em qualquer parte do mundo (no Mali, na Nigéria, na República Centro-Africana…).
E o que se passa na Ucrânia, entregue a bandos fascistas e facínoras, depois de um processo de luta que não seria tolerado em nenhuma capital europeia, nem mesmo em Lisboa (quem se esquece do gravíssimo atentado à democracia cometido pelos polícias que subiram umas quantas escadas que dão acesso ao edifício da AR?). O massacre cometido na Casa dos Sindicatos de Odessa não foi um ato terrorista? Quantos milhões de pessoas se manifestaram contra ele? Os jornalistas assassinados merecem todo o respeito e toda a solidariedade do mundo. Mas os que foram chacinados na Casa dos Sindicatos de Odessa não merecem idêntico respeito e solidariedade?
Quero deixar claro que, a meu ver, um ato de terrorismo não legitima (não torna lícito moralmente) outro ato de terrorismo. O terrorismo não pode justificar-se à luz da civilização. Mas talvez ajude a compreendê-lo (o sono da razão gera monstros!). O que é certo é que nenhum dos ‘terroristas’ comprometidos com os massacres no Iraque, na Líbia e na Síria vão ser chamados ao TPI, criado para ‘julgar’ os que  são de antemão considerados os maus. E os crimes cometidos pelos que estão do lado dos bons não são crimes, são atos de heroísmo praticados em defesa da democracia.
Esta ‘Europa civilizada’, que nos brindou (a nós e aos espanhóis) com trinta anos suplementares de fascismo, deu cobertura às prisões clandestinas semeadas pelos EUA em território europeu, verdadeiros Guantanamos onde muitas pessoas (quantas?) estão presas e são torturadas, anos a fio, sem culpa formada, sem acesso a advogado, sem contacto com a família, só porque os serviços secretos americanos decidem que assim seja (para combater o ‘terrorismo internacional’, é claro). Estes são crimes que deveriam envergonhar todos os defensores da liberdade, incluindo da liberdade de imprensa, em nome da qual, penso eu, os grandes órgãos da comunicação social silenciam estes e outros atos de terrorismo, as políticas sistemáticas e continuadas de terrorismo levadas a cabo por todos os Bush, por todos os Obama, por todos os Hollande-Sarkozys do mundo.
Por alturas do ataque às torres gémeas, o jornalista Francisco Sarsfield Cabral escreveu (no Público, creio) uma nota em que concluía mais ou menos deste modo: dizem agora que o mundo vai dar combate ao terrorismo internacional; pois bem: eu fico à espera para ver o que vai acontecer aos paraísos fiscais, por onde passa todo o tráfico de armas, drogas, mulheres, etc., e por onde passam as operações de financiamento do terrorismo internacional; se nada lhes acontecer, terei de concluir que o mundo, afinal, não quer combater o terrorismo internacional. Pois bem. O que aconteceu aos paraísos fiscais? O negócio corre de vento em poupa, cada vez mais próspero.
Olhando para a nossa Europa. Queremos maior atentado contra a democracia, contra a inteligência e contra a decência do que o desgraçado slogan  tatcheriano NÃO HÁ ALTERNATIVA (TINA)? Querem maior obscurantismo do que isto? Isto não é uma nova Inquisição? Não é em nome deste dogma que se estigmatizam todos os que não concordam com ele e persistem em proclamar a sua fé na liberdade de pensamento dos homens? Não é em nome deste dogma que se vêm aplicando as políticas de austeridade salvadora, humilhando povos inteiros, num retrocesso civilizacional perigosíssimo? Não são estes dogmas que impõem os tratados orçamentais, com todas as suas ‘regras de  ouro’ e outras de metais menos nobres, que matam a soberania dos povos da Europa e reduzem os ‘povos do sul’ a um indisfarçável estatuto colonial? Não são estes dogmas que, matando a soberania nacional, estão a liquidar o único quadro dentro do qual pode lutar-se pela democracia, pela liberdade, pela civilização? Estas ‘políticas terroristas’ não justificarão muito mais a unidade de todas as franças da Europa e do mundo contra aqueles que friamente as aplicam todos os dias e não apenas no desgraçado dia do massacre dos cartunistas doCharlie Hebdo? Não são estes os dogmas que todos os dias amordaçam a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa? Se metermos bem a mão na consciência, teremos de responder que sim: estes são os dogmas do pensamento único.
Para não remar contra a maré, eu sou Charlie. Estou do lado dos que foram assassinados, não estou do lado dos assassinos.
Mas estou também do lado de Mona Chollet, a jornalista do Charlie Hebdo que foi sumariamente despedida em 2000 por protestar contra um artigo do editor da revista (Phillipe Val) que chamava “não civilizados” aos palestinianos: então, a ‘liberdade de imprensa’ foi invocada para despedir uma jornalista, tendo-se conservado no seu posto o editor, substituído apenas em 2009 por Stéphane Charbonier, agora assassinado.
E estou igualmente (que bom se estivéssemos todos…) do lado dos 34 estudantes que foram barbaramente sequestrados, torturados e assassinados pelas ‘autoridades’ mexicanas por quererem manifestar publicamente as suas opiniões. E estou do lado dos sindicalistas massacrados em Odessa. E estou do lado das vítimas do terrorismo praticado em todos os ‘civilizados’ guantanamos do mundo. E estou do lado de todas as vítimas do terrorismo, desde as vítimas do terrorismo de estado (“danos colaterais” de bombardeamentos ou vítimas de drones criminosos) às vítimas do fanatismo de todas as religiões e às vítimas do sectarismo classista das políticas praticadas em nome doargumento TINA, que vêm empobrecendo e humilhando povos inteiros nesta nossa europa do euro.
Uma coisa é certa, para mim: ao contrário do que disse o nosso primeiro ministro, em todas estas ‘guerras terroristas’ quem se lixa é mexilhão! Mexilhões de todo o mundo, uni-vos!
António Avelãs Nunes

11.1.2015

Opiniões

"Je Suis CIA"

Por Larry Chin 
Global Research, 17 janeiro de 2015

Desde 11/9, a cartilha imperial consistiu em uma tática favorita e testada pelo tempo: a operação de bandeira falsa.
Realizar ou facilitar uma atrocidade espetacular. A culpa é do inimigo de escolha. Emitir uma narrativa oficial infestado de mentira, e que têm a mídia corporativa repetir a mentira. Atiça multidões militantes ignorantes, atiçar o ódio, e planejadores de políticas imperiais e seus funcionários criminais belicista conseguir o que querem: a guerra com o selo público de aprovação.
Aqui estamos nós novamente.
O incidente Charlie Hebdo está sendo vendido como "a 9/11 francês". Certamente é, em todas as formas mais trágicas: França, como os Estados Unidos em 9/11, tem sido utilizado. As massas do mundo foram enganados, e marchar em sintonia a batida da OTAN novamente.
Todos os sinais levam da inteligência francesa de volta para Washington e Langley, Virginia-direta e indiretamente. Arenques e enganos vermelhas compõem a narrativa oficial.
A narrativa Al-Qaeda, o engano CIA clássico, recebe facelift fresco. O fato de que a Al-Qaeda está CIA-criado-inteligência militar anglo-americana é ignorado. A agenda por trás das ISIS guerra-a CIA falsa bandeira regional enorme e elaborada operação de registros até menos.
Os terroristas Charlie Hebdo têm laços com a inteligência anglo-americana e do Pentágono de que as massas não se preocupam em pensar. Eles também estão ligados ao (convenientemente morto) 11/09 conectada idealizador Al-Qaeda / CIA militar e de inteligência de ativos Anwar Al-Awlaki. Estas e outras conexões óbvias para Washington e da CIA não levantam os sinos de alarme entre os fervorosos agitando cartazes Je Suis Charlie (que "magicamente" apareceu, e parecem ter sido produzidos em massa com antecedência). 
Sinais de um trabalho interno e um ainda em desenvolvimento, cover-up são significativos, de imaculadas, passaportes não danificados foram encontrados na cena do suicídio conveniente de Helric Fredou, o comissário de polícia em Paris encarregado da investigação Hebdo.   
Os irmãos Kouachi e Amedy Coulibaly não foram apenas conhecido pelas autoridades francesas, a inteligência francesa e da CIA. Os Kouachis foram rastreados e monitorados-guiada por ao longo de muitos anos, preso várias vezes, mas foram autorizados a continuar treinando e plotagem com o colega Al-Qaeda no Iraque, Iêmen, Síria, etc. Estes são sinais de um militar guiada operação -intelligence. Uma célula de terror por demais evidente, conhecido das autoridades, "cai fora da vista", e, em seguida, solto no momento apropriado. E então executado.
Nenhuma destas coisas, que alarme observadores experientes, registra entre as massas emocionais; os lemingues que voluntariamente se recusam a enfrentar a sua verdadeira fonte: os arquitetos da política anglo-americana de guerra.
Só os benefícios agenda de guerra da OTAN de nada disso.
"9/11 de France" é mais precisão mais recente Operação Gladio da França. Como observado por Paul Craig Roberts, há uma razão pela qual os ataques Charlie Hebdo ocorreu quando o fez: 
França está a sofrer as sanções impostas Washington contra a Rússia. Estaleiros são impactados de ser incapaz de entregar as encomendas russos devido ao status de vassalagem da França de Washington, e outros aspectos da economia francesa estão sendo prejudicados pelas sanções que Washington forçados seus estados fantoches da NATO para aplicar a Rússia.
Esta semana, o presidente francês disse que as sanções contra a Rússia deve terminar (assim como o vice-chanceler alemão).
Isso é demais independência política externa por parte de França para Washington. Washington tem ressuscitado "Operação Gladio", que consistiu em bombardeios da CIA contra os europeus durante a era pós-Segunda Guerra Mundial que Washington culpa de comunistas e usado para destruir a influência comunista nas eleições europeias? Assim como o mundo foi levado a acreditar que os comunistas estavam por trás dos ataques terroristas de Operação Gladio, os muçulmanos são culpados pelos ataques contra a revista satírica francesa.
Agora a França está militarizado, assim como os EUA estavam na esteira de 9/11. E o direitista francês newfound cache.
A aquisição hostil da mente do público
Observe que as duas últimas operações clandestinas nos últimos meses, a falsa sinalização da Coreia do Norte sobre Sony eo filme The Interview, eo Charlie Hebdo decepção, tanto giram em torno das idéias de "liberdade de expressão" e "liberdade de expressão".
Esta é uma batalha fantasma, coreografado por aqueles que não poderia me importar menos para "liberdades". Na verdade, as massas estão sendo manipulados para a guerra apoiando e assassinato em massa, e agendas estado policial que reduzir especificamente liberdades.
Que maneira mais criativa para tirar as liberdades do que fazer as pessoas desistir deles voluntariamente?
As hordas de cidadãos americanos que apoiaram a "guerra ao terrorismo" para "defender a liberdade" tem o Patriot Act, o qual destruiu o que as liberdades que tinham; da Constituição e da Declaração de Direitos não será restaurada. Esse processo continua em todo o mundo. Pergunte a média cidadão francês desinformado hoje sofrem de estresse pós-traumático, e que de bom grado desistir de seus direitos, qualquer coisa para que "terroristas" estão parados.
Note como os poderes que têm levado a inserir suas mensagens pró-guerra ainda mais força quando o público ignorante passa a maior parte de seu tempo: no entretenimento popular. Em produtos de Hollywood, em suas charges, em suas revistas, em suas celebridades.
Deixe George Clooney, Seth Rogen e James Franco transmitir as mensagens de guerra para a CIA e do Pentágono.
Weaponize filmes estúpidas como a entrevista e revistas bruto como Charlie Hebdo, e assistir as pessoas se tornam sanguinário, vingativo, impensada e-guerra amorosa.
É missão permanente da CIA para plantar seus ativos e sua propaganda nos meios de comunicação e das artes, controlando a percepção da cultura, bem como enquadrar todos debate. Ele está fazendo um enorme impulso no momento, saboreando a rapidez ea eficácia da tecnologia e mídia social.
Centenas de milhares de vidas inocentes foram perdidas nesta guerra sem fim, brutal e criminoso. No entanto, seus arquitetos e funcionários permanecem intocados.
Je Suis Langley
Nenhuma guerra anglo-americana de conquista, não massacre Charlie Hebdo.
Sem CIA, não Islam Militant, não Al-Qaeda, não ISIS, nenhum massacre Charlie Hebdo.
No 11/09, no "guerra contra o terrorismo", sem dolo ISIS, nenhum massacre Charlie Hebdo.
Nenhuma guerra contra a Rússia, no massacre Charlie Hebdo.
Je Suis Charlie? Não.
Para os mais ingênuos que acreditam que as mentiras e marcha nas ruas que levam os sinais, você são as vítimas, os ingênuos, os ingênuos, os peões.
Tu es CIA.
Tu es NATO.
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Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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