terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



Assalto ao "Santa Maria" há 50 anos
por Miguel Urbano Rodrigues
Assalto ao "Santa Maria" há 50 anos 

por Miguel Urbano Rodrigues 
entrevistado por Alberto Lopes 
Faz agora meio século. A 22 de Janeiro de 1961, um grupo de antifascistas portugueses e espanhóis infiltrados entre os passageiros assaltou e tomou o paquete "Santa Maria" que navegava no Mar das Antilhas, próximo de Santa Lúcia. O navio, da Companhia Colonial de Navegação, com cerca de um milhar de passageiros e tripulantes a bordo, largara de Tenerife no dia 13, aportara em La Guayra (Venezuela) e em Curaçau e seguia para Miami (Estados Unidos). A Operação Dulcineia foi levada a cabo pelo denominado Directório Revolucionário de Libertação (DRIL) e comandada por Henrique Galvão, com ligações ao general Humberto Delgado, ambos opositores à ditadura salazarista. A aventura terminou a 1 de Fevereiro, quando o navio, rebaptizado "Santa Liberdade", entrou no Recife. As autoridades brasileiras deram refúgio a Galvão e companheiros e o barco foi devolvido a Portugal. 

Um dos protagonistas da aventura do "Santa Maria" foi Miguel Urbano Rodrigues, então exilado no Brasil. Era editorialista de O Estado de S. Paulo, estava ligado ao DRIL e foi o primeiro jornalista a subir ao navio, ainda em pleno mar, juntando-se ao comando da operação. Vivendo e trabalhando hoje entre o seu Alentejo (Serpa) e Vila Nova de Gaia, o jornalista e escritor concedeu ao Alentejo Popular uma entrevista sobre o assalto ao "Santa Maria". 

– O Miguel Urbano Rodrigues participou, em Janeiro de 1961, na aventura do "Santa Maria". Onde se encontrava a viver e a trabalhar nessa época e em que circunstâncias? 

– Antes de responder, digo-lhe que todos os anos, nas vésperas da passagem do aniversário do assalto ao "Santa Maria", sou convidado a falar ou escrever sobre o tema. Recuso sempre, porque nada tenho a acrescentar ao que escrevi em dois capítulos de um livro meu – "O Tempo e o Espaço em que vivi " [1] – e num depoimento ao jornal Público e do que disse há anos num programa de televisão. Não gosto de me repetir e sou avesso a exibicionismos. Abro uma excepção para o Alentejo Popular, pelo apreço que tenho pelo jornal, exemplo de dignidade e coerência ideológica no panorama desolador da imprensa portuguesa. 

Sobre o que me perguntou: na época eu vivia exilado, em São Paulo, no Brasil. Era editorialista do diário O Estado de S. Paulo. 

– Quando se desencadeia a denominada Operação Dulcineia, tinha já contactos com Henrique Galvão e conhecia previamente os planos de assalto ao "Santa Maria"? 

– Eu era membro do Directório Revolucionário de Libertação, mas não tinha conhecimento do plano. Mantinha contacto pelo correio com Henrique Galvão. Conheci-o no aeroporto de São Paulo quando ele passou por ali vindo de Portugal, rumo à Argentina, o seu primeiro pais de exílio, após a evasão. 

– Quando toma conhecimento da captura do navio, como é que encontra e entra no "Santa Maria", juntando-se a Galvão e companheiros? Creio que é o primeiro jornalista a entrar no navio capturado... 

– No livro referido explico que enviei de Recife um radiograma a Galvão. Ele informou que no dia seguinte estaria navegando entre os paralelos 8 e 9 a uma distância entre 30 e 50 milhas da costa. Aluguei um barco e após uma noite tempestuosa cheguei ao "Santa Maria". 

– Como é que decorrem esses dias a bordo do então rebaptizado "Santa Liberdade"? 

– A bordo deram-me um uniforme e umas estrelas. Fui informado de que era comandante assessor do DRIL. As relações com os passageiros, mais de 600, eram excelentes. O prestígio da Revolução Cubana contribuía para que vissem em nós piratas românticos. Quando os passageiros me tratavam por "comandante", sentia-me personagem de ficção. 

– Segundo li, foi o Miguel a receber a bordo o general Humberto Delgado... Como se recorda desses momentos? 

– Em nome do comando fui efectivamente eu quem recebeu o general Humberto Delgado. Gerou-se tensão porque ele chegava com um jornalista do Daily Telegraph que pagara o aluguer do barco e a entrada do repórter a bordo não foi autorizada. 

– Quais eram os objectivos iniciais de Henrique Galvão com o assalto ao "Santa Maria"? Esses planos concretizaram-se? 

– Existem versões contraditórias sobre o objectivo. A que Jorge Soutomaior apresenta é muito confusa e semeada de inverdades. Segundo José Velo Mosquera, o outro comandante galego, o plano previa chegar de surpresa a Santa Isabel, em Fernão do Pó, tomar ali duas canhoneiras espanholas e rumar a Luanda, na esperança de provocar ali um levantamento revolucionário. Recordo que a minha primeira decepção, ao chegar a bordo, foi o conhecimento desse projecto, quixotesco. Já o haviam abandonado quando a operação deixou de ser secreta, após o desembarque em Santa Lúcia do médico ferido. 

– Quem compunha o DRIL, que pessoas eram essas, que motivações tinham? 

– Eram 24 os membros do comando do DRIL que tomou o "Santa Maria". A maioria espanhóis, quase todos anarquistas. Alguns diziam ser marxistas, mas, com uma ou outra excepção, espanhóis e portugueses não tinham formação política. Eram antifascistas e a Revolução Cubana empolgava então a juventude na América Latina. Aproximadamente uma dezena de tripulantes aderiu; gente boa, mas também sem formação política. 

– Saiu recentemente em Portugal um livro, "Eu Roubei o Santa Maria", de Jorge Soutomaior, aliás José Fernández Vázquez, um activista galego que participou no assalto. O que pensa desta obra? 

– A resposta à pergunta será, desculpe, extensa. O editor desse livro, José António Barreiros, telefonou-me há dias. Insistiu pela minha participação num acto comemorativo da tomada do Santa Maria, na Livraria Barata, em Lisboa. Recusei e esclareci que a publicação do livro em questão fora, a meu ver, uma iniciativa lamentável. Quando conheci Jorge Soutomaior não me impressionou mal nas primeiras semanas. Entendi-me muito melhor com ele e José Velo Mosquera do que com Henrique Galvão. Os três formavam a troika do comando do DRIL. Precisamente por isso o livro que escreveu muitos anos depois me chocou. Identifiquei nele a obra de um mitómano. Soutomaior não se limita a deformar grosseiramente a história. Apresenta-se não apenas como o cérebro da chamada Operação Dulcineia, mas como herói de novo tipo, simultaneamente como o ideólogo, o estratego, o homem de acção que tudo decidia… Eu somente entrei no navio dias depois do assalto. Não posso portanto pronunciar-me sobre a versão que apresenta da fase conspirativa e da tomada do barco. Mas, a avaliar pelo que escreve sobre situações em que participei, deve ser também fantasista. Cito quatro exemplos. Quem parlamentou com a esquadra norte-americana e exigiu que tapassem os canhões fui eu – em nome do comando – e não ele. Na tentativa de motim da tripulação nem sequer apareceu durante a cena que descreve. Quem enfrentou a fúria dos amotinados fomos o Rojo e eu que, aliás, voando através da porta de vidro quebrada, sofri ferimentos ligeiros. O episódio rocambolesco que relata, dominando a situação de revólver em punho, é do domínio da ficção. O que afirma sobre a conferência com o almirante americano é também falso. A sua participação na conversa foi muito discreta. Nesse encontro, além dos três comandantes, somente participamos o Rojo e eu. Não foram tomadas quaisquer notas taquigráficas. A acta assinada foi redigida por mim a partir de apontamentos que tomei quando o gravador se avariou logo no início. O cônsul americano em Recife, co-responsável pela redacção, acabou por não tomar notas. A versão que Soutomaior apresenta da sua participação no Brasil em diferentes iniciativas não tem pés nem cabeça. Ele nunca manteve quaisquer contactos com o MPLA. Concordou, em reunião com José Velo e comigo, com a minha ida a África para conversações com os movimentos de libertação das colónias portuguesas, mas não teve a menor participação na elaboração do projecto – concebido pelo Velo e por mim, com desconhecimento do Henrique Galvão. A ideia era transferir os comandos do DRIL para a Guiné-Conakry para colaborarem na luta de libertação da Guiné-Bissau. 

Concluindo, o livro "Eu roubei o Santa Maria" é um trabalho de baixo nível, fantasista, recheado de mentiras, que nunca deveria ter sido publicado em Portugal. Julgo útil esclarecer que nem a bordo, nem no Brasil, Soutomaior, na minha presença, nunca hostilizou Galvão. Sei que via nele um colonialista e um reaccionário, mas nem sequer dele discordava com a veemência de Velo. 

– Hoje, à distância de meio século, como avalia Henrique Galvão e o general Humberto Delgado, figuras que conheceu e com quem conviveu no exílio brasileiro? 

– A imagem do Henrique Galvão revolucionário antifascista distorce a realidade. Foi desde a juventude um admirador de Salazar. Quadro de confiança do regime, foi comissário da Exposição Colonial, director da Emissora Nacional, governador da Huíla. Ambicioso, aspirava a ser governador-geral de Angola. Frustrado por não ter atingido essa meta, passou a conspirar contra a ditadura. Inicialmente impressionou-me. Era um espírito culto, tinha talento, escrevia bem, parecia íntegro e sincero. Mas, ao chegar ao "Santa Maria", a minha decepção foi grande. Percebi logo que Velo e Soutomaior eram os líderes reais do DRIL. Com a aprovação dos espanhóis, sugeri que transmitisse do barco uma proclamação ao povo português. Redigi um texto que lhe submeti: um documento impregnado de romantismo revolucionário infantil. Galvão propunha-se a destruir a ordem social e económica fascista, realizar a reforma agrária e a reforma urbana, liquidar a classe dominante, abrir ao "ultramar as portas da liberdade". A tomada do "Santa Maria" era apresentada como a primeira acção militar das forças sob o seu comando e o DRIL como o núcleo do "futuro exército de libertação de Portugal e Espanha". Eu sabia que ele não aceitaria a palavra independência na referência ao futuro das colónias. Mas a sua vaidade, ânsia de protagonismo e glória foi mais forte do que o seu sentimento conservador. Assinou a mensagem que foi transmitida através de O Estado de S. Paulo e divulgada em dezenas de países. Entretanto, dias depois de chegar ao Brasil, Galvão arrancou a máscara. O início da luta armada em Angola foi determinante para a sua mudança de atitude. Num encontro na União dos Estudantes, em São Paulo, manifestou-se contra a independência das colónias, assumindo posições racistas que chocaram a juventude brasileira. As divergências sobre a questão colonial foram aliás decisivas para o rompimento com Humberto Delgado, ocorrido semanas depois. Nos anos seguintes – morreu em 1970 – assumiu posições ostensivamente reaccionárias, marcadas por um anticomunismo anacrónico. 

Pergunta-me qual a minha "avaliação" de Humberto Delgado. Escrevi muito sobre ele e uma resposta breve é pouco esclarecedora. No general, as suas grandes qualidades – inteligência, sentido da honra, tenacidade na luta, lealdade, ausência de espírito rancoroso e uma coragem espartana – coincidiam com defeitos e insuficiências que muito o prejudicaram como dirigente político. Deixava transparecer uma ambição com facetas infantis, era vaidoso, exibicionista, autoritário, conflituoso e não tinha o senso do ridículo. Politicamente, era conservador sem disso tomar consciência. No Brasil, após um começo desastroso, deixou o país rumo a um fim trágico e envolvido pelo afecto e pela simpatia de quase todos os quadros responsáveis da oposição antifascista. É importante assinalar que defendeu sempre o direito dos povos das colónias à autodeterminação e à independência. 

– A aventura do "Santa Maria" está de algum modo ligada ao assalto às prisões de Luanda, a 4 de Fevereiro de 1961, início da luta armada em Angola. Pensa que a acção levada a cabo pelo DRIL contribuiu para a denúncia do fascismo português e para chamar a atenção para a situação nas colónias? 

– O assalto ao "Santa Maria" não foi o desfecho de um projecto revolucionário. Mas contribuiu decisivamente para chamar a atenção de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo para o fascismo e o colonialismo português. Esse o grande mérito da aventura do DRIL. Dirigentes do MPLA disseram-me em Conakry que a decisão de atacar as prisões de Luanda no 4 de Fevereiro foi inseparável da concentração de jornalistas estrangeiros em Angola no final de Janeiro. 

– O Miguel, finda a aventura do "Santa Maria", viaja do Brasil para Conakry e ali conhece Amílcar Cabral e outros dirigentes nacionalistas africanos. Qual era o objectivo dessa viagem e como se passaram ali as coisas? 

– A ideia era transferir para África o núcleo de comandos que participara na tomada do "Santa Maria". Em Conakry, após um encontro com Amílcar Cabral, mantive contactos com os embaixadores da Jugoslávia e da União Soviética com vista eventual obtenção de vedetas armadas que nos permitissem interceptar os transportes de tropas portugueses que seguiam para Angola. O plano era expressão daquilo a que Lenine chamou o esquerdismo, doença infantil do comunismo. Recordando a iniciativa, mais do que a minha irresponsabilidade, o que me surpreende hoje é o facto de esses diplomatas me terem recebido e escutado com atenção... O comando do DRIL tinha-se, aliás, desagregado quando semanas depois voltei ao Brasil. 

– Essa viagem a África e o encontro com revolucionários africanos foram importantes para si e para o seu posterior percurso como revolucionário? 

– O encontro com dirigentes do MPLA e do PAIGC ficou a assinalar um terramoto interior. As semanas de Conakry desencadearam em mim uma reflexão simultaneamente tempestuosa e serena. Ao regressar ao Brasil não era o mesmo jovem que concebera planos loucos a serem executados pelos companheiros do DRIL. No livro de memórias a que me referi evoco a viragem que me levou a contemplar o mundo e o comprometimento revolucionário sob outra perspectiva. Amílcar Cabral foi de todos os dirigentes africanos que então conheci o que mais me impressionou. Senti que me tratava como se fosse um velho camarada, não obstante eu ter esboçado um projecto irresponsável. Foi o início de uma relação de confiança, amistosa, reforçada pelo contacto que mantivemos através da troca de cartas. Numa homenagem à sua memória, em Lisboa, afirmei, parafraseando um discurso seu, que "flores vermelhas, como o sangue dos mártires africanos, e outras, com o verde terno da esperança, cresceram já sobre o seu túmulo". As suas ideias e o seu exemplo adquiriram a consistência do que é imortal. O legado de Amílcar Cabral tornou-se património da humanidade. 

Para terminar, permita que evoque um episódio. Pouco depois de regressar de África, procurei o representante do Partido Comunista Português no Brasil, que era então Álvaro Veiga de Oliveira, e disse-lhe o que me pareceu útil sobre a minha ruptura com o esquerdismo romântico. Eu lera em Conakry, no Avante! , o documento em que o PCP anunciava uma nova estratégia que deveria desembocar no levantamento nacional, numa desejada insurreição popular armada. Lembro-me das palavras finais que então pronunciei: "Vou lutar com os comunistas pelo tempo adiante. Podem contar comigo para sempre". Foi há quase 50 anos. 
27/Janeiro/2011 
[1] O Tempo e o Espaço em que Vivi - I Tomo , Campo das Letras, Porto, 2002, 264 pgs., ISBN: 9789726105343 
     O Tempo e o Espaço em Que Vivi - II Tomo , Campo das Letras, Porto, 2004, 328 pgs., ISBN: 9789726108160 

O original encontra-se em http://www.alentejopopular.pt/noticias.asp?id=6036 

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

http://resistir.info/mur/assalto_santa_maria.html

Assalto ao "Santa Maria" há 50 anos
por Miguel Urbano Rodrigues
entrevistado por Alberto Lopes
Faz agora meio século. A 22 de Janeiro de 1961, um grupo de an...tifascistas portugueses e espanhóis infiltrados entre os passageiros assaltou e tomou o paquete "Santa Maria" que navegava no Mar das Antilhas, próximo de Santa Lúcia. O navio, da Companhia Colonial de Navegação, com cerca de um milhar de passageiros e tripulantes a bordo, largara de Tenerife no dia 13, aportara em La Guayra (Venezuela) e em Curaçau e seguia para Miami (Estados Unidos). A Operação Dulcineia foi levada a cabo pelo denominado Directório Revolucionário de Libertação (DRIL) e comandada por Henrique Galvão, com ligações ao general Humberto Delgado, ambos opositores à ditadura salazarista. A aventura terminou a 1 de Fevereiro, quando o navio, rebaptizado "Santa Liberdade", entrou no Recife. As autoridades brasileiras deram refúgio a Galvão e companheiros e o barco foi devolvido a Portugal.
Um dos protagonistas da aventura do "Santa Maria" foi Miguel Urbano Rodrigues, então exilado no Brasil. Era editorialista de O Estado de S. Paulo, estava ligado ao DRIL e foi o primeiro jornalista a subir ao navio, ainda em pleno mar, juntando-se ao comando da operação. Vivendo e trabalhando hoje entre o seu Alentejo (Serpa) e Vila Nova de Gaia, o jornalista e escritor concedeu ao Alentejo Popular uma entrevista sobre o assalto ao "Santa Maria".
– O Miguel Urbano Rodrigues participou, em Janeiro de 1961, na aventura do "Santa Maria". Onde se encontrava a viver e a trabalhar nessa época e em que circunstâncias?
– Antes de responder, digo-lhe que todos os anos, nas vésperas da passagem do aniversário do assalto ao "Santa Maria", sou convidado a falar ou escrever sobre o tema. Recuso sempre, porque nada tenho a acrescentar ao que escrevi em dois capítulos de um livro meu – "O Tempo e o Espaço em que vivi " [1] – e num depoimento ao jornal Público e do que disse há anos num programa de televisão. Não gosto de me repetir e sou avesso a exibicionismos. Abro uma excepção para o Alentejo Popular, pelo apreço que tenho pelo jornal, exemplo de dignidade e coerência ideológica no panorama desolador da imprensa portuguesa.
Sobre o que me perguntou: na época eu vivia exilado, em São Paulo, no Brasil. Era editorialista do diário O Estado de S. Paulo.
– Quando se desencadeia a denominada Operação Dulcineia, tinha já contactos com Henrique Galvão e conhecia previamente os planos de assalto ao "Santa Maria"?
– Eu era membro do Directório Revolucionário de Libertação, mas não tinha conhecimento do plano. Mantinha contacto pelo correio com Henrique Galvão. Conheci-o no aeroporto de São Paulo quando ele passou por ali vindo de Portugal, rumo à Argentina, o seu primeiro pais de exílio, após a evasão.
– Quando toma conhecimento da captura do navio, como é que encontra e entra no "Santa Maria", juntando-se a Galvão e companheiros? Creio que é o primeiro jornalista a entrar no navio capturado...
– No livro referido explico que enviei de Recife um radiograma a Galvão. Ele informou que no dia seguinte estaria navegando entre os paralelos 8 e 9 a uma distância entre 30 e 50 milhas da costa. Aluguei um barco e após uma noite tempestuosa cheguei ao "Santa Maria".
– Como é que decorrem esses dias a bordo do então rebaptizado "Santa Liberdade"?
– A bordo deram-me um uniforme e umas estrelas. Fui informado de que era comandante assessor do DRIL. As relações com os passageiros, mais de 600, eram excelentes. O prestígio da Revolução Cubana contribuía para que vissem em nós piratas românticos. Quando os passageiros me tratavam por "comandante", sentia-me personagem de ficção.
– Segundo li, foi o Miguel a receber a bordo o general Humberto Delgado... Como se recorda desses momentos?
– Em nome do comando fui efectivamente eu quem recebeu o general Humberto Delgado. Gerou-se tensão porque ele chegava com um jornalista do Daily Telegraph que pagara o aluguer do barco e a entrada do repórter a bordo não foi autorizada.
– Quais eram os objectivos iniciais de Henrique Galvão com o assalto ao "Santa Maria"? Esses planos concretizaram-se?
– Existem versões contraditórias sobre o objectivo. A que Jorge Soutomaior apresenta é muito confusa e semeada de inverdades. Segundo José Velo Mosquera, o outro comandante galego, o plano previa chegar de surpresa a Santa Isabel, em Fernão do Pó, tomar ali duas canhoneiras espanholas e rumar a Luanda, na esperança de provocar ali um levantamento revolucionário. Recordo que a minha primeira decepção, ao chegar a bordo, foi o conhecimento desse projecto, quixotesco. Já o haviam abandonado quando a operação deixou de ser secreta, após o desembarque em Santa Lúcia do médico ferido.
– Quem compunha o DRIL, que pessoas eram essas, que motivações tinham?
– Eram 24 os membros do comando do DRIL que tomou o "Santa Maria". A maioria espanhóis, quase todos anarquistas. Alguns diziam ser marxistas, mas, com uma ou outra excepção, espanhóis e portugueses não tinham formação política. Eram antifascistas e a Revolução Cubana empolgava então a juventude na América Latina. Aproximadamente uma dezena de tripulantes aderiu; gente boa, mas também sem formação política.
– Saiu recentemente em Portugal um livro, "Eu Roubei o Santa Maria", de Jorge Soutomaior, aliás José Fernández Vázquez, um activista galego que participou no assalto. O que pensa desta obra?
– A resposta à pergunta será, desculpe, extensa. O editor desse livro, José António Barreiros, telefonou-me há dias. Insistiu pela minha participação num acto comemorativo da tomada do Santa Maria, na Livraria Barata, em Lisboa. Recusei e esclareci que a publicação do livro em questão fora, a meu ver, uma iniciativa lamentável. Quando conheci Jorge Soutomaior não me impressionou mal nas primeiras semanas. Entendi-me muito melhor com ele e José Velo Mosquera do que com Henrique Galvão. Os três formavam a troika do comando do DRIL. Precisamente por isso o livro que escreveu muitos anos depois me chocou. Identifiquei nele a obra de um mitómano. Soutomaior não se limita a deformar grosseiramente a história. Apresenta-se não apenas como o cérebro da chamada Operação Dulcineia, mas como herói de novo tipo, simultaneamente como o ideólogo, o estratego, o homem de acção que tudo decidia… Eu somente entrei no navio dias depois do assalto. Não posso portanto pronunciar-me sobre a versão que apresenta da fase conspirativa e da tomada do barco. Mas, a avaliar pelo que escreve sobre situações em que participei, deve ser também fantasista. Cito quatro exemplos. Quem parlamentou com a esquadra norte-americana e exigiu que tapassem os canhões fui eu – em nome do comando – e não ele. Na tentativa de motim da tripulação nem sequer apareceu durante a cena que descreve. Quem enfrentou a fúria dos amotinados fomos o Rojo e eu que, aliás, voando através da porta de vidro quebrada, sofri ferimentos ligeiros. O episódio rocambolesco que relata, dominando a situação de revólver em punho, é do domínio da ficção. O que afirma sobre a conferência com o almirante americano é também falso. A sua participação na conversa foi muito discreta. Nesse encontro, além dos três comandantes, somente participamos o Rojo e eu. Não foram tomadas quaisquer notas taquigráficas. A acta assinada foi redigida por mim a partir de apontamentos que tomei quando o gravador se avariou logo no início. O cônsul americano em Recife, co-responsável pela redacção, acabou por não tomar notas. A versão que Soutomaior apresenta da sua participação no Brasil em diferentes iniciativas não tem pés nem cabeça. Ele nunca manteve quaisquer contactos com o MPLA. Concordou, em reunião com José Velo e comigo, com a minha ida a África para conversações com os movimentos de libertação das colónias portuguesas, mas não teve a menor participação na elaboração do projecto – concebido pelo Velo e por mim, com desconhecimento do Henrique Galvão. A ideia era transferir os comandos do DRIL para a Guiné-Conakry para colaborarem na luta de libertação da Guiné-Bissau.
Concluindo, o livro "Eu roubei o Santa Maria" é um trabalho de baixo nível, fantasista, recheado de mentiras, que nunca deveria ter sido publicado em Portugal. Julgo útil esclarecer que nem a bordo, nem no Brasil, Soutomaior, na minha presença, nunca hostilizou Galvão. Sei que via nele um colonialista e um reaccionário, mas nem sequer dele discordava com a veemência de Velo.
– Hoje, à distância de meio século, como avalia Henrique Galvão e o general Humberto Delgado, figuras que conheceu e com quem conviveu no exílio brasileiro?
– A imagem do Henrique Galvão revolucionário antifascista distorce a realidade. Foi desde a juventude um admirador de Salazar. Quadro de confiança do regime, foi comissário da Exposição Colonial, director da Emissora Nacional, governador da Huíla. Ambicioso, aspirava a ser governador-geral de Angola. Frustrado por não ter atingido essa meta, passou a conspirar contra a ditadura. Inicialmente impressionou-me. Era um espírito culto, tinha talento, escrevia bem, parecia íntegro e sincero. Mas, ao chegar ao "Santa Maria", a minha decepção foi grande. Percebi logo que Velo e Soutomaior eram os líderes reais do DRIL. Com a aprovação dos espanhóis, sugeri que transmitisse do barco uma proclamação ao povo português. Redigi um texto que lhe submeti: um documento impregnado de romantismo revolucionário infantil. Galvão propunha-se a destruir a ordem social e económica fascista, realizar a reforma agrária e a reforma urbana, liquidar a classe dominante, abrir ao "ultramar as portas da liberdade". A tomada do "Santa Maria" era apresentada como a primeira acção militar das forças sob o seu comando e o DRIL como o núcleo do "futuro exército de libertação de Portugal e Espanha". Eu sabia que ele não aceitaria a palavra independência na referência ao futuro das colónias. Mas a sua vaidade, ânsia de protagonismo e glória foi mais forte do que o seu sentimento conservador. Assinou a mensagem que foi transmitida através de O Estado de S. Paulo e divulgada em dezenas de países. Entretanto, dias depois de chegar ao Brasil, Galvão arrancou a máscara. O início da luta armada em Angola foi determinante para a sua mudança de atitude. Num encontro na União dos Estudantes, em São Paulo, manifestou-se contra a independência das colónias, assumindo posições racistas que chocaram a juventude brasileira. As divergências sobre a questão colonial foram aliás decisivas para o rompimento com Humberto Delgado, ocorrido semanas depois. Nos anos seguintes – morreu em 1970 – assumiu posições ostensivamente reaccionárias, marcadas por um anticomunismo anacrónico.
Pergunta-me qual a minha "avaliação" de Humberto Delgado. Escrevi muito sobre ele e uma resposta breve é pouco esclarecedora. No general, as suas grandes qualidades – inteligência, sentido da honra, tenacidade na luta, lealdade, ausência de espírito rancoroso e uma coragem espartana – coincidiam com defeitos e insuficiências que muito o prejudicaram como dirigente político. Deixava transparecer uma ambição com facetas infantis, era vaidoso, exibicionista, autoritário, conflituoso e não tinha o senso do ridículo. Politicamente, era conservador sem disso tomar consciência. No Brasil, após um começo desastroso, deixou o país rumo a um fim trágico e envolvido pelo afecto e pela simpatia de quase todos os quadros responsáveis da oposição antifascista. É importante assinalar que defendeu sempre o direito dos povos das colónias à autodeterminação e à independência.
– A aventura do "Santa Maria" está de algum modo ligada ao assalto às prisões de Luanda, a 4 de Fevereiro de 1961, início da luta armada em Angola. Pensa que a acção levada a cabo pelo DRIL contribuiu para a denúncia do fascismo português e para chamar a atenção para a situação nas colónias?
– O assalto ao "Santa Maria" não foi o desfecho de um projecto revolucionário. Mas contribuiu decisivamente para chamar a atenção de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo para o fascismo e o colonialismo português. Esse o grande mérito da aventura do DRIL. Dirigentes do MPLA disseram-me em Conakry que a decisão de atacar as prisões de Luanda no 4 de Fevereiro foi inseparável da concentração de jornalistas estrangeiros em Angola no final de Janeiro.
– O Miguel, finda a aventura do "Santa Maria", viaja do Brasil para Conakry e ali conhece Amílcar Cabral e outros dirigentes nacionalistas africanos. Qual era o objectivo dessa viagem e como se passaram ali as coisas?
– A ideia era transferir para África o núcleo de comandos que participara na tomada do "Santa Maria". Em Conakry, após um encontro com Amílcar Cabral, mantive contactos com os embaixadores da Jugoslávia e da União Soviética com vista eventual obtenção de vedetas armadas que nos permitissem interceptar os transportes de tropas portugueses que seguiam para Angola. O plano era expressão daquilo a que Lenine chamou o esquerdismo, doença infantil do comunismo. Recordando a iniciativa, mais do que a minha irresponsabilidade, o que me surpreende hoje é o facto de esses diplomatas me terem recebido e escutado com atenção... O comando do DRIL tinha-se, aliás, desagregado quando semanas depois voltei ao Brasil.
– Essa viagem a África e o encontro com revolucionários africanos foram importantes para si e para o seu posterior percurso como revolucionário?
– O encontro com dirigentes do MPLA e do PAIGC ficou a assinalar um terramoto interior. As semanas de Conakry desencadearam em mim uma reflexão simultaneamente tempestuosa e serena. Ao regressar ao Brasil não era o mesmo jovem que concebera planos loucos a serem executados pelos companheiros do DRIL. No livro de memórias a que me referi evoco a viragem que me levou a contemplar o mundo e o comprometimento revolucionário sob outra perspectiva. Amílcar Cabral foi de todos os dirigentes africanos que então conheci o que mais me impressionou. Senti que me tratava como se fosse um velho camarada, não obstante eu ter esboçado um projecto irresponsável. Foi o início de uma relação de confiança, amistosa, reforçada pelo contacto que mantivemos através da troca de cartas. Numa homenagem à sua memória, em Lisboa, afirmei, parafraseando um discurso seu, que "flores vermelhas, como o sangue dos mártires africanos, e outras, com o verde terno da esperança, cresceram já sobre o seu túmulo". As suas ideias e o seu exemplo adquiriram a consistência do que é imortal. O legado de Amílcar Cabral tornou-se património da humanidade.
Para terminar, permita que evoque um episódio. Pouco depois de regressar de África, procurei o representante do Partido Comunista Português no Brasil, que era então Álvaro Veiga de Oliveira, e disse-lhe o que me pareceu útil sobre a minha ruptura com o esquerdismo romântico. Eu lera em Conakry, no Avante! , o documento em que o PCP anunciava uma nova estratégia que deveria desembocar no levantamento nacional, numa desejada insurreição popular armada. Lembro-me das palavras finais que então pronunciei: "Vou lutar com os comunistas pelo tempo adiante. Podem contar comigo para sempre". Foi há quase 50 anos.
27/Janeiro/2011
[1] O Tempo e o Espaço em que Vivi - I Tomo , Campo das Letras, Porto, 2002, 264 pgs., ISBN: 9789726105343
O Tempo e o Espaço em Que Vivi - II Tomo , Campo das Letras, Porto, 2004, 328 pgs., ISBN: 9789726108160
Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

«(...)Pelo que centrar a abordagem da crise nas finanças públicas, como tem sido feito, nunca poderia conduzir a uma boa solução, como se tem visto, pelo impacto negativo que essa abordagem tem tido no crescimento económico. E porque não é a situação das finanças públicas que tem entravado o crescimento, é a insuficiência de procura (em boa parte causada por um excesso de austeridade sistémica) que entrava o crescimento e dificulta o ajustamento das finanças públicas.»
Victor Bento, conselheiro de Estado

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Global Research


Terrorists or “Freedom Fighters”? Recruited by the CIA

Global Research, February 07, 2015

(...) A short summary is in order. First, to what extent are the US and its allies responsible for the creation of ISIS and its co-partner al-Qaeda as well as its various spin-off groups? At the very beginning, we must recall that it was the USA that created the mujahedeen and al-Qaeda in Afghanistan to fight the Soviets, and later got the blowback of 9/11. It was the US invasion of Iraq that created al-Qaeda as a resistance movement. It was the USA that fomented the uprising in Syria and when their Free Syrian Army was facing defeat, to the rescue came Iraqi al-Qaeda, with unlimited financial support and direction from the USA’s allies Saudi Arabia and Qatar, and tactical assistance from Turkey. And it’s this al-Qaeda that metastasized into ISIS. Also, the US has generated additional enemies through its drone campaign, especially in Yemen and Pakistan.
But is this all there is to this story? An offshoot from it is the recent attack in Paris on Charlie Hebdo magazine that left 12 people dead, including its editor and prominent cartoonists. It was apparently done by men connected to al-Qaeda who had been outraged by the magazine’s derogatory cartoons about the Prophet Muhammad. The attack sparked a massive outcry, with millions in France and across the world taking to the streets to support freedom of the press behind the rallying cry of “Je suis Charlie,” or “I am Charlie.”
It’s instructive to put this matter in historical context. In Nazi Germany, there was an anti-Semitic newspaper called Der Stürmer, noted for its morbid caricatures of Jews. Its editor, Julius Streicher, was put on trial at Nürnberg and hanged because of his stories and cartoons about Jews. In 1999 during its bombing campaign on Serbia, NATO deliberately bombed a Radio/TV station in Belgrade, killing 16 journalists. The US bombed the Al Jazeera headquarters in Kabul in 2001 and in 2003 Al Jazeera was bombed in Baghdad, killing journalists. In its attacks on Gaza, Israel has deliberately killed a large number of journalists.
The issue of “freedom of the press” was hardly raised in the above instances – certainly there were no mass street protests. In the case of Charlie Hebdo, this was not a model of freedom of speech. In reality, Charlie Hebdo’s political pornography of Muslims is hardly any different from the way Jews were portrayed in Der Stürmer.
The US and its various allies have launched wars, death and destruction in many Muslim countries – Afghanistan, Iraq, Libya, Gaza, Yemen, Syria. To add to this, Saudi Arabia has apparently spent more than $100 billion trying to propagate its fanatical Wahhabism, a relatively small sect that is despised in the Muslim world at large, but which has nevertheless tarnished the Muslim image. And because of this, for some people in the West it’s somehow become acceptable to degrade, demean, humiliate, mock and insult Muslims. It was in this spirit that the cartoonists chose to mock Mohammad, under the guise of freedom of expression. It’s noteworthy that Charlie Hebdo had once fired a journalist because of one line he had written that was criticized by a Zionist lobby, but when it comes to Muslims, it was open season on them. In a judgment issued by US Supreme Court Justice Oliver Wendell Holmes, freedom of speech does not give one the right to “falsely shout fire in a crowded theater.” Also there is a provision in the US constitution that prohibits publishing “fighting words” which could result in violence. All this was ignored by the editors and publishers of Charlie Hebdo. The penalty should not have been death but they bear considerable responsibility for what happened. Sadly, the West’s uncritical embrace of the Charlie Hebdo caricatures was because the drawings were directed at and ridiculed Muslims. There is no question that the “desperate and despised people” of today are Muslims.
When ISIS beheaded two American journalists, there was outrage and denunciation throughout the West, but when the same ISIS beheaded hundreds of Syrian soldiers, and meticulously filmed these war crime, this was hardly reported anywhere. In addition, almost from the very beginning of the Syrian tragedy, al-Qaeda groups have been killing and torturing not only soldiers but police, government workers and officials, journalists, Christian church people, aid workers, women and children, as well as suicide bombings in market places. All this was covered up in the mainstream media, and when the Syrian government correctly denounced this as terrorism, this was ignored or denounced as “Assad’s propaganda.”
So why weren’t these atrocities reported in the western media? If this was reported it would have run counter to Washington’s proclaimed agenda that “Assad has to go,” so the mainstream media followed the official line. There is nothing new in this. History shows that the media supported every Western-launched war, insurrection and coup – the wars on Vietnam, Afghanistan, Iraq, Libya, Syria, and coups such as those on Iran, Guatemala, Indonesia, Chile, and most recently in Ukraine.
And so when terrorist acts are carried out against “our enemies” they are often viewed as the actions of “freedom fighters”, but when the same types of acts are directed at “us” they are denounced as “terrorism.” So it all depends on whose ox is gored.
John Ryan, Ph.D., Retired Professor of Geography and Senior Scholar, University of Winnipeg. [email protected]
Notes:
  1. Fred Halliday, “Revolution in Afghanistan,” New Left Review, No. 112, pp. 3-44, 1978.
  2. I was in Afghanistan in November 1978 working on an agricultural research project while on sabbatical leave and all these reforms and government measures were explained to me at considerable length by the Dean of Agriculture and some of the professors during a lengthy session at Kabul University. Halliday (cited above) also reported on the land-redistribution program.
  3. Washington Post, December 23, 1979, p.A8. Soviet troops had started arriving in Afghanistan on December 8, to which the article states: “There was no charge [by the State Department] that the Soviets had invaded Afghanistan, since the troops apparently were invited.”
  4. “How Jimmy Carter and I Started the Mujahideen”: Interview of Zbigniew Brzezinski Le Nouvel Observateur(France), Jan 15-21, 1998, p. 76 http://www.counterpunch.org/brzezinski.html
  5. Washington Post, January 13, 1985.
  6. John Fullerton, The Soviet Occupation of Afghanistan, (London), 1984.
  7. Eqbal Ahmad, “Terrorism: Theirs and Ours,” (A Presentation at the University of Colorado, Boulder, October 12, 1993) http://www.sangam.org/ANALYSIS/Ahmad.htm; Cullen Murphy, “The Gold Standard: The quest for the Holy Grail of equivalence,” Atlantic Monthly, January 2002 http://www.theatlantic.com/doc/prem/200201/murphy
  8. “Taliban repeats call for negotiations,” CNN.com, October 2, 2001, includes comment: “Afghanistan’s ruling Taiban repeated its demand for evidence before it would hand over suspected terrorist leader Osama bin Ladin.”http://archives.cnn.com/2001/WORLD/asiapcf/central/10/02/ret.afghan.taliban/; Noam Chomsky, “The War on Afghanistan,” Znet, December 30, 2001 http://www.globalpolicy.org/wtc/targets/1230chomsky.htm
  9. “Bin Laden says he wasn’t behind attacks,” CNN.com, September 17, 2001. http://archives.cnn.com/2001/US/09/16/inv.binladen.denial/
  10. Ed Haas, “FBI says, it has ‘No hard evidence connecting Bin Laden to 9/11’,” Muckraker Report, June 6, 2006.http://www.teamliberty.net/id267.html
  11. Noam Chomsky, “The War on Afghanistan,” Znet, December 30, 2001 http://www.globalpolicy.org/wtc/targets/1230chomsky.htm; Barry Bearak, “Leaders of the Old Afghanistan Prepare for the New,” NYT,October 25, 2001; John Thornhill and Farhan Bokhari, “Traditional leaders call for peace jihad,” FT, October 25, 2001; “Afghan peace assembly call,” FT, October 26, 2001; John Burns, “Afghan Gathering in Pakistan Backs Future Role for King,” NYT, October 26, 2001; Indira Laskhmanan, “1,000 Afghan leaders discuss a new regime,BG, October 25, 26, 2001.
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E a grande fatia do empréstimo foi para os bancos, coitadinhos. A dívida pagamos-la nós.

sábado, 7 de fevereiro de 2015


O que é uma teoria da conspiração? O que é a verdade?

Global Research, 05 de fevereiro de 2015
orwell
Obama está em pé de guerra quente. A civilização ocidental está ameaçada pelo Estado islâmico.
A "Guerra Global contra o Terrorismo" é anunciada como um esforço humanitário.
Nós temos uma "responsabilidade de proteger". Guerra humanitária é a solução.
Pessoas más estão à espreita. "Leve-os para fora", disse George W. Bush.
A mídia ocidental está batendo os tambores da guerra. Agenda militar de Obama é apoiado por um vasto aparato de propaganda.
Um dos principais objectivos da propaganda de guerra é "fabricar um inimigo". Como a legitimidade política da administração Obama vacila, dúvidas quanto à existência deste "inimigo externo", ou seja, Al Qaeda e sua rede de (CIA patrocinou) filiais devem ser dissipadas.
O objetivo é fomentar tacitamente, por meio de relatórios de mídia repetidas ad nauseam, dentro da consciência interior das pessoas, a noção de que os muçulmanos constituem uma ameaça para a segurança do mundo ocidental.
Guerra humanitária é travada em várias frentes: a Rússia, a China e no Oriente Médio são atualmente os principais alvos.
Xenofobia e à Agenda Militar
A onda de xenofobia dirigida contra os muçulmanos que varreu a Europa Ocidental é amarrado em geopolítica. Ele faz parte de uma agenda militar. Consiste em demonizar o inimigo.
Os países muçulmanos possuem mais de 60 por cento do total das reservas de petróleo. Em contraste, os Estados Unidos da América tem apenas 2 por cento do total das reservas de petróleo. O Iraque tem cinco vezes mais óleo do que os Estados Unidos. (Ver Michel Chossudovsky, The "demonização" dos muçulmanos e do Battle for Oil, Global Research, Jannuary 4, 2007).

Uma grande parte do petróleo do mundo encontra-se em terras muçulmanas. O objetivo de os EUA levaram a guerra é para roubar e se apropriar dessas reservas de petróleo. E para alcançar este objectivo, estes países são direcionados: guerra, operações secretas, desestabilização econômica, mudança de regime.
A Inquisição americana
Um processo de construção de consenso para fazer a guerra é semelhante à inquisição espanhola. Ela exige subordinação social, o consenso político não pode ser questionada. Em sua versão contemporânea, a inquisição requer e exige submissão à noção de que a guerra é um meio para difundir os valores ocidentais e da democracia.
A dicotomia bem versus o mal prevalece. Temos que ir atrás dos bandidos.
A guerra é a paz.
O "grande mentira" tem agora torna-se a verdade ... e a verdade tornou-se uma 'teoria da conspiração'.
Aqueles que estão comprometidos com a verdade são categorizados como "terroristas".
De acordo com Paul Craig Roberts (2011) , o conceito de teoria da conspiração "sofreu redefinição orwelliana" ...
A "teoria da conspiração" já não significa um evento explicado por uma conspiração. Em vez disso, agora, qualquer explicação, ou mesmo um fato, que está fora de sintonia com a explicação do governo e de seus cafetões mídia ....
Em outras palavras, como a verdade se torna desconfortável para o governo e seu Ministério da Propaganda, a verdade é redefinido como teoria da conspiração, pelo que se entende uma explicação absurda e ridícula que devemos ignorar.
Fiction torna-se verdade.
O jornalismo investigativo foi desmantelada.
Análise factual das questões sociais, políticas e econômicas é uma teoria da conspiração porque desafia a um consenso que é baseado em uma mentira.
O que é a Verdade
A verdadeira ameaça à segurança global emana da aliança EUA-NATO-Israel, mas realidades em um ambiente inquisitorial são viradas de cabeça para baixo: os belicistas estão comprometidos com a paz, as vítimas da guerra são apresentados como os protagonistas da guerra.
A pátria está ameaçada.
Os meios de comunicação, intelectuais, cientistas e os políticos, em coro, ofuscam a verdade não dita, ou seja, de que os EUA-NATO levou a guerra destrói a humanidade.
Quando a mentira se torna a verdade não há como voltar para trás.
Quando a guerra é confirmado como um esforço humanitário, Justiça e todo o sistema jurídico internacional são viradas de cabeça para baixo: o pacifismo eo movimento contra a guerra são criminalizados. Opondo-se a guerra se torna um ato criminoso. Enquanto isso, os criminosos de guerra em altos cargos ter ordenado uma caça às bruxas contra aqueles que desafiam sua autoridade.
A Grande Mentira deve ser exposto para o que é eo que ele faz.
Sanciona a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças.
Ela destrói famílias e pessoas. Ela destrói o comprometimento das pessoas para com os demais seres humanos.
Ele impede as pessoas de expressar a sua solidariedade para com aqueles que sofrem. Ele defende a guerra eo estado policial como a única avenida.
Ela destrói tanto o nacionalismo e internacionalismo.
Quebrando a mentira significa romper um projeto criminoso de destruição global, em que a busca do lucro é a força primordial.
Este lucro impulsionado agenda militar destrói valores humanos e transforma as pessoas em zumbis inconscientes.
Vamos reverter a maré.
Desafie os criminosos de guerra em altos cargos e os poderosos lobbies corporativos que os apoiam.
Quebre a inquisição americana.
Minar a cruzada militar EUA-NATO-Israel.
Fechar as fábricas de armas e as bases militares.
Trazer para casa as tropas.
Os membros das forças armadas deve desobedecer ordens e se recusam a participar de um criminoso de guerra.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O vermelho e o tricolor | Alain Badiou sobre o Charlie Hebdo

Alain Badiou[Alain Badiou: contra os crimes terroristas, é preciso reativar a ideia comunista e não o totem da República francesa]
Por Alain Badiou.*
Para Alain Badiou, o respaldo do atentado ao semanário francês adquiriu ares de um teatro farsesco. Na batalha de identidades e contra-identidades, encenadas no contexto de um capitalismo predatório, a França recorre ao “totem” de sua République démocratique et laïque – auto-imagem fundada, lembra Badiou, nos massacres da Comuna de Paris de 1871. É nos vasos comunicantes entre o falatório pós-atentado da liberdade de expressão e a política de militarização da vida social francesa que Badiou identifica a atual figura desse perverso “pacto republicano”, do qual não poupa nem o humor do que chama dos “ex-esquerdistas” do Charlie Hebdo. O atentado de janeiro, por outro lado, aparece decifrado como um crime essencialmente fascista – ao que Badiou insiste: contra o antisemitismo e a lógica identitária não é o tricolor francês que se deve erguer, e sim a bandeira vermelha. Confira:
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Hoje o mundo está totalmente tomado pela figura do capitalismo global, submisso ao governo da oligarquia internacional e subjugado à abstração financeira como única figura reconhecidamente universal.
Neste contexto desesperador montou-se uma espécie de peça histórica farsesca. Sobre a trama geral do “Ocidente”, pátria civilizada do capitalismo dominante, contra o “Islamismo”, símbolo do terrorismo sanguinário. Aparentemente teríamos, de um lado, os grupos de assassinos e indivíduos fortemente armados, acenando para garantir o perdão de Deus; e do outro, em nome dos direitos humanos e da democracia, selvagens expedições militares internacionais que destroem Estados inteiros (Iugoslávia, Iraque, Líbia, Afeganistão, Sudão, Congo, Mali…), que fazem milhares de vítimas, que chegam para negociar com os bandidos mais corruptos em busca de poços, minas, recursos alimentares e enclaves onde as grandes empresas possam prosperar.
Esta é uma farsa que transforma as guerras e as atividades criminosas na principal contradição do mundo contemporâneo, a que alcança a essência da questão. Mas hoje, soldados e policiais da “guerra ao terror”, bandos armados que reivindicam um islã mortal e todos os Estados, sem exceção, pertencem ao mesmo mundo, o mundo do capitalismo predatório.
Várias identidades falsas, cada uma se considerando superior a outra, fixam ferozmente sua dominação local em pedaços deste mundo unificado. Elas dividem o mesmo mundo real, onde os interesses dos agentes são os mesmos em toda parte: a versão liberal do Ocidente, a versão autoritária e nacionalista da China ou da Rússia de Putin, a versão teocrática dos Emirados, a versão fascista dos grupos armados… As populações de todas as partes defendem, por unanimidade, a versão que sustenta o poder local.
Isto é tão certo que o verdadeiro universalismo – aquele que reconhece o destino da humanidade na própria humanidade e, portanto, a nova e decisiva encarnação histórico-político da ideia comunista – não será um poder em escala mundial sem anular a dominação dos Estados pelas oligarquias proprietárias e seus agentes, a abstração financeira e, finalmente, as identidades e contra-identidades que assolam as mentes e necessitam morrer.
A identidade francesa: a “República”
Nesta guerra de identidades, a França tenta se distinguir com a invenção de seu totem: a “república democrática e laica” ou o “pacto republicano”. Este totem valoriza a ordem estabelecida pelo parlamento francês – pelo menos, desde a sua fundação, a saber, o massacre em 1871 de 20.000 trabalhadores nas ruas de Paris, por Adolphe Thiers, Jules Ferry, Jules Favre e outras vedetes da esquerda “republicana”.
Este “pacto republicano” ao qual aderiram muitos ex-esquerdistas, até o Charlie Hebdo, sempre suspeitou da trama de coisas assustadoras nos subúrbios, nas fábricas da periferia e nos bares escuros do subúrbio. Com inúmeros pretextos, uma República sempre povoada de prisões, de perigosos jovens mal educados que lá vivem. Na República, ocorreu também a multiplicação de massacres e de novas formas de escravidão exigidos para a manutenção da ordem no império colonial. É este império sangrento que encontrou seu estatuto de fundação nas declarações do mesmo Jules Ferry – indubitavelmente, um ativista do pacto republicano – que exaltava a “missão civilizadora” da França.
Agora, veja você, os inúmeros jovens que povoam nossos subúrbios, além de atividades suspeitas e flagrante falta de educação (estranhamente, ao que parece, a famosa “escola republicana” não tem sido capaz de fazer nada e assumir que a culpa é sua e não dos alunos), são filhos de proletários de origem africana ou vieram por conta própria da África para sobreviver e, consequentemente, na maioria das vezes, são muçulmanos. Em suma, de uma só vez, proletários e colonizados. Duas razões para desconfiar e tomar sérias medidas repressivas.
Suponhamos que você é um jovem negro ou um jovem com aspectos árabes, ou ainda, uma jovem mulher que decidiu, no sentido da livre revolta, já que é proibido, cobrir a cabeça. Bem, assim você terá sete ou oito vezes mais chances de ser parado na rua por nossa polícia democrática e, muitas vezes ser retido em uma delegacia, o que indica que se você tiver a cara de um “francês”, simplesmente, não deve ter a cara de um proletário nem de um ex-colonizado. Nem de um muçulmano.
Charlie Hebdo, em certo sentido, protestava com esses meios e costumes policiais no estilo “divertido” de piadas com conotação sexual. Nada muito novo. Lembrem-se das obscenidades de Voltaire sobre Joana d’Arc: a donzela de Orleans é um poema digno de Charlie Hebdo. Por si só, este poema sujo dirigido contra uma heroína sublimemente cristã, autoriza a dizer que as verdades e as luzes do pensamento crítico não são ilustradas por esse Voltaire medíocre.
Ele ilumina a sabedoria de Robespierre quando ele condena todos os que fazem da violência antirreligiosa o coração da Revolução e obtendo somente a deserção popular e a guerra civil. Ele nos convida a considerar que o que divide a opinião democrática francesa é, conscientemente ou não, o lado constantemente progressista e realmente democrático de Rousseau, ou então, o lado das negociatas, dos ricos e especuladores céticos e sensuais, que como o gênio do mal alojado neste Voltaire também é capaz, por sua vez, de autênticos combates.
O crime de tipo fascista
E os três jovens franceses que a polícia rapidamente matou? Eu diria que eles cometeram o que deve ser chamado de crime de tipo fascista. Eu chamo de crime de tipo fascista um crime que tem três características.
Em primeiro lugar, ele é orientado, não de maneira cega, por suas motivações ideológicas, de caráter fascista, que são estritamente identitárias: nacional, racial, comunitária, consuetudinária, religiosa… Nestas circunstancias, os assassinatos são antissemitas. Muitas vezes, o crime fascista visa publicitários, jornalistas, intelectuais e escritores tais como os assassinos representantes do lado oposto. Nas circunstancias, o Charlie Hebdo
Em seguida, ele é de uma violência extrema, assumido, espetacularmente, dado que ele procura impor a ideia de uma determinação fria e absoluta que, no entanto, inclui de forma suicida a probabilidade de matar o assassino. Este aspecto de “viva la muerte!” de aparente niilismo, está em ação.
Em terceiro lugar, o crime visa, por sua grandiosidade, pelo seu efeito de surpresa, pelo seu lado fora da norma, criar um efeito de terror e estimular, por conseguinte, do lado do Estado e da opinião, reações descontroladas, completamente fechada em uma vingativa contra-identidade, as quais, aos olhos dos criminosos e dos seus patrões, justificarão após o fato, por simetria, o atentado sangrento. E foi isso o que aconteceu. Neste sentido, o crime fascista obteve uma espécie de vitória.
O Estado e a opinião
De fato, desde o inicio, o Estado estava envolvido na utilização desproporcional e extremamente perigosa de crime fascista, porque ele está inscrito no registro das identidades da Guerra Mundial. O “fanático muçulmano” se opõe descaradamente ao bom democrata francês.
A confusão estava no auge quando vimos o chamado do Estado, claramente autoritário, para a manifestação. Caso Manuel Valls não tivesse a intenção de capturar os fugitivos e não tivesse convocado as pessoas, uma vez que elas têm demonstrado uma obediência identitária sob a bandeira francesa, elas se esconderiam em suas casas ou vestiriam o uniforme de reservista sob o som da corneta na Síria.
Assim, no momento mais baixo de popularidade, nossos líderes têm tido a capacidade, através de três fascistas pervertidos que não poderiam imaginar tal triunfo, de aparecer diante de milhares de pessoas, também aterrorizadas pelos “muçulmanos” e alimentadas por vitaminas de democracia, o pacto republicano e a grandiosa soberba da França.
A liberdade de expressão, vamos falar sobre ela! Era praticamente impossível durante todos os primeiros dias deste caso, expressar o que estava acontecendo por outro ponto de vista que não aquele que consiste em se encantar por nossa liberdade, nossa República, em amaldiçoar a corrupção de nossa identidade por jovens muçulmanos proletários e suas filhas horrivelmente cobertas com véu, e em se preparar corajosamente para a guerra contra o terror. Ouvimos o seguinte grito dessa admirável liberdade de expressão: “Somos todos policiais”.
Na realidade é natural que o pensamento único e a submissão ao medo sejam regras em nosso país. A liberdade em geral, incluindo a de pensamento, de expressão, de ação, da própria vida, consiste, hoje em dia, em tornar-se unanimemente auxiliar da polícia para o rastreamento de dezenas de agrupamentos fascistas, para delação universal de suspeitos barbudos ou cobertos com véu, e criar uma exceção permanente nos escuros conjuntos habitacionais, herdeiros dos subúrbios onde já mataram os communards? Por outro lado, a tarefa central da emancipação, da liberdade pública, consiste em agir conjuntamente com a maioria desses jovens proletários dos subúrbios, a maioria das jovens, cobertas com véu ou não, pois isto não importa. Nos quadros de uma nova política, que não se refere a nenhuma identidade (“os proletários não tem pátria”) prepara-se uma figura igualitária de uma humanidade que finalmente se apropria do seu próprio destino? Uma política que considera de forma racional que nossos verdadeiros mestres impiedosos, os ricos governantes do nosso destino, devem ser finalmente demitidos?
Houve na França, há muito tempo, dois tipos de manifestações: as sob a bandeira vermelha e as sob a bandeira tricolor. Acredite em mim: no que concerne a reduzir a nada os pequenos grupos fascistas identitários e assassinos – aqueles que apelam para formas sectárias do Islã, a identidade nacional francesa ou a superioridade Ocidental –, não são as tricolores, controladas e utilizadas pelos poderosos, que são eficientes. Estas bandeiras são outras, as vermelhas, e que precisam voltar.
* Publicado em francês no Le monde de 27 de janeiro de 2015. A tradução é de Danilo Chaves Nakamura, para o Blog da Boitempo.

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

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Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

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Viagem à Sicília

Pupis

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Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

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Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

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Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

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Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

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Roma-Fonte Trévis

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Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Acrópole

Grécia

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Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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