quarta-feira, 10 de junho de 2015
terça-feira, 9 de junho de 2015
Afinal, o que é o precariado?
Mais do que uma classe à parte, o precariado é uma parte da classe trabalhadora. Qual? A que está mais exposta às mutações do mundo do trabalho e à sua desregulação. Também por isso, está mais distante das formas clássicas de representação e organização, como os sindicatos e os partidos.
5 de Junho, 2015 - 16:46h
No final da década de 1990, o sociólogo francês Robert Castel utilizava pela primeira vez este conceito. Observando as mutações na produção, a multiplicação de estatutos entre emprego e não-emprego e a expansão de formas “atípicas” de trabalho, Castel constatava a emergência de uma “condição precária entendida como um registo próprio dentro dos trabalhadores assalariados”. Essa precariedade deixava de ser excecional ou provisória e surgia, para um grupo cada vez maior de pessoas, como um estado permanente. Castel chamou a esse estado de “precariado”. Uns anos mais tarde, um economista inglês, Guy Standing, escreveu um livro polémico (publicado no final do ano passado em Portugal), chamado “O Precariado: A Nova Classe Perigosa”. A sua tese é clara: estamos perante a emergência de uma nova classe, definida pela insegurança laboral, pela dependência do salário direto e pela ausência de uma “identidade baseada no trabalho”, que precisaria de encontrar a sua agenda política e formas próprias de representação.
No início dos anos 2000, primeiro em Milão e depois por toda a Europa, surgia um movimento que dava expressão autónoma a estes trabalhadores. Juntando precários e migrantes, o MayDay era uma manifestação peculiar, com uma estética visual pop que a aproximava mais das Love Parades do que dos tradicionais desfiles sindicais. Em apenas dois anos, a parada dos precários ultrapassava, em dimensão, os desfiles organizados pelas centrais sindicais italianas.
Nos últimos anos, muitos observadores olham para o precariado como o grande protagonista das mobilizações sociais que percorreram o planeta desde o final de 2010. Também por isso, têm chamado a esses protestos “a rebelião do precariado”. Nas recentes eleições espanholas, o terramoto provocado pelos indignados e a mobilização política e eleitoral do “precariado” são dois dos fatores que têm sido utilizados para explicar os resultados do Podemos e das alianças da esquerda alternativa.
Mas fará sentido falar em “precariado”? Será o seu crescimento uma tendência incontornável da economia? Trata-se de uma nova classe? E residirá no precariado a chave para as transformações políticas do futuro?
Mais do que uma classe à parte, o precariado é uma parte da classe trabalhadora. Qual? A que está mais exposta às mutações do mundo do trabalho e à sua desregulação. Também por isso, está mais distante das formas clássicas de representação e organização, como os sindicatos e os partidos. Com vínculos instáveis, empregos periféricos no sector informal da economia, trabalho não declarado, as atividades do precariado exercem-se à margem da proteção social e, muitas vezes, da própria cobertura legal. E a experiência subjetiva do precariado extravasa o domínio laboral. Constitui-se, para alguns, como um modo de vida marcado pela insegurança e pela imprevisibilidade relativamente ao futuro.
No precariado que se tem mobilizado encontram-se os vestígios de uma classe operária afetada pela subcontratação da mão-de-obra, pelo aumento do desemprego e pela precarização dos vínculos (em Portugal, se somarmos os trabalhadores da indústria e da construção, temos 20% da força de trabalho, segundo dados do Banco de Portugal de maio deste ano). Mas encontra-se também grande parte dos trabalhadores “imateriais” e do “conhecimento”, da chamada “classe média” (conceito problemático) vítima da precarização, da austeridade e do empobrecimento. E ainda o novo “proletariado dos serviços” – da caixa do supermercado ao call center –, que partilha os salários baixos, a instabilidade profissional, as tarefas rotineiras, os horários longos e instáveis. A esses, devem somar-se os 70 mil estagiários, os cerca de 50 mil contratos emprego inserção, os bolseiros e o falso voluntariado. Se lhes acrescentarmos os desempregados, temos bem mais de metade da classe trabalhadora do país.
O precariado tem tido voz? Alguma, mas menos do que a que devia. Por um lado porque a precariedade do trabalho inibe a própria organização. Segundo, porque uma parte dos seus segmentos mais ativos emigraram nos últimos anos. O precariado falará neste novo ciclo político? Veremos. Mas o que é certo é que não há nenhuma solução
segunda-feira, 8 de junho de 2015
LUCIANO DE SAMOTRÁCIA (c. 115-200 a.C.)
Uma história verdadeira; Lúcio, ou O asno;
Diálogo dos mortos; Ensaios
Quando falamos dos gregos antigos, pensamos logo em nobres filósofos,
dramaturgos trágicos e coros fúnebres e nas muitas imagens de estupro,
incesto, loucura, sacrifício e sangue. Não importa o que essa gente
séria se proponha fazer, nunca parece que o fazem apenas por diversão.
Aristófanes é a mais óbvia exceção a essa regra. Suas peças satirizam
a filosofia, o sexo, a guerra – qualquer coisa. Diógenes, o Cínico -
– que saíra em vão à procura de um homem honesto –, também tinha
um espírito jocoso e um humor seco. Quando viu um mendigo
bebendo com as próprias mãos, jogou fora sua taça; quando Alexandre,
o Grande, aproximou-se dele e lhe concedeu a realização de um
desejo, Diógenes – que estava se bronzeando – simplesmente pediu
ao senhor do mundo que não lhe fizesse sombra.
O mais divertido dos escritores gregos, no entanto, talvez seja o
que ficou conhecido como Luciano de Samotrácia. (Com efeito, pode
ter havido um Luciano e um Pseudo-Luciano, mas os estudiosos só
vieram a suspeitar disso faz pouco tempo.) Uma história verdadeira nos
leva numa jornada semelhante às viagens de Odisseu e de Jasão e os
Argonautas, uma espécie de aventura helênica do barão de Munchhausen.
Lúcio, ou O asno é um conto picaresco, por vezes obsceno,
sobre um jovem transformado em jumento. A narrativa atinge o clímax
quando uma matrona tarada começa a se perguntar como o animal
seria na cama; na manhã seguinte, o dono de Lúcio decide que
vai vender ingressos para um espetáculo itinerante."
in UOL Entretenimento
"Odio a los impostores, pícaros, embusteros y soberbios y a toda la raza de los malvados, que son innumerables, como sabes... Pero conozco también a la perfección el arte contrario a éste, o sea, el que tiene por móvil el amor: amo la belleza, la verdad, la sencillez y cuanto merece ser amado. Sin embargo, hacia muy pocos debo poner en práctica tal arte, mientras que debo ejercer para con muchos el opuesto. Corro así el riesgo de ir olvidando uno por falta de ejercicio y de ir conociendo demasiado bien el otro." El Pescador
Uma história verdadeira; Lúcio, ou O asno;
Diálogo dos mortos; Ensaios
Quando falamos dos gregos antigos, pensamos logo em nobres filósofos,
dramaturgos trágicos e coros fúnebres e nas muitas imagens de estupro,
incesto, loucura, sacrifício e sangue. Não importa o que essa gente
séria se proponha fazer, nunca parece que o fazem apenas por diversão.
Aristófanes é a mais óbvia exceção a essa regra. Suas peças satirizam
a filosofia, o sexo, a guerra – qualquer coisa. Diógenes, o Cínico -
– que saíra em vão à procura de um homem honesto –, também tinha
um espírito jocoso e um humor seco. Quando viu um mendigo
bebendo com as próprias mãos, jogou fora sua taça; quando Alexandre,
o Grande, aproximou-se dele e lhe concedeu a realização de um
desejo, Diógenes – que estava se bronzeando – simplesmente pediu
ao senhor do mundo que não lhe fizesse sombra.
O mais divertido dos escritores gregos, no entanto, talvez seja o
que ficou conhecido como Luciano de Samotrácia. (Com efeito, pode
ter havido um Luciano e um Pseudo-Luciano, mas os estudiosos só
vieram a suspeitar disso faz pouco tempo.) Uma história verdadeira nos
leva numa jornada semelhante às viagens de Odisseu e de Jasão e os
Argonautas, uma espécie de aventura helênica do barão de Munchhausen.
Lúcio, ou O asno é um conto picaresco, por vezes obsceno,
sobre um jovem transformado em jumento. A narrativa atinge o clímax
quando uma matrona tarada começa a se perguntar como o animal
seria na cama; na manhã seguinte, o dono de Lúcio decide que
vai vender ingressos para um espetáculo itinerante."
in UOL Entretenimento
"Odio a los impostores, pícaros, embusteros y soberbios y a toda la raza de los malvados, que son innumerables, como sabes... Pero conozco también a la perfección el arte contrario a éste, o sea, el que tiene por móvil el amor: amo la belleza, la verdad, la sencillez y cuanto merece ser amado. Sin embargo, hacia muy pocos debo poner en práctica tal arte, mientras que debo ejercer para con muchos el opuesto. Corro así el riesgo de ir olvidando uno por falta de ejercicio y de ir conociendo demasiado bien el otro." El Pescador
quinta-feira, 4 de junho de 2015
O SYRIZA SEM MÁSCARA
(por Miguel Urbano Rodrigues)
(por Miguel Urbano Rodrigues)
Manifestação do PAME, 1º Maio 2015. O governo presidido por Tsipras tem vindo aceleradamente a deixar cair as... suas promessas eleitorais. Tanto no plano interno como no plano internacional, a sua política é a do patronato, do grande capital, dos pólos europeu e norte-americano do imperialismo. O governo Syriza-Anel, que tem contado com o apoio transparente da burguesia, cria dificuldades à luta dos trabalhadores, mas não pode impedir a ascensão da luta de massas. Depois do êxito dos desfiles do 1º de Maio multiplicam-se em toda a Grécia as manifestações e as greves. Pode suceder que o Syriza, que tão útil foi ao capital na oposição, perca essa utilidade agora que está no poder.
Os dirigentes das principais potências da União Europeia e os media controlados pelo capital projectam no mundo uma imagem da Grécia grosseiramente deformada. Na caracterização da crise começam por esconder que os empréstimos concedidos à Grécia se destinaram a financiar o grande capital financeiro no âmbito da estratégia da União Europeia. Contrariamente ao que amplos sectores sociais admitiram, o governo Syriza-Anel foi recebido com agrado pelas organizações e representantes do mundo empresarial.
A coligação do Syriza com o Anel - partido nacionalista e xenófobo - formou-se em poucas horas porque existia um acordo prévio. É aliás significativo que a Federação Helénica de Empresas (SEV) e o director-geral de Business-Europe tenham felicitado Alexis Tsipras logo após a sua nomeação para primeiro-ministro.
As linhas gerais da política capituladora do novo governo foram traçadas com antecedência, mas Tsipras e o seu ministro Varoufakis esforçaram-se inicialmente nos seus discursos por transmitir ao mundo a imagem de um governo de esquerda, empenhado em realizar reformas progressistas de ruptura com a política da Nova Democracia e do PASOK, que respondessem às aspirações do povo. Confundir as massas foi objectivo prioritário.
Acompanhando uma chuva de promessas, o governo criou uma linguagem enganadora. O memorando passou a chamar-se "acordo-ponte", a troika "grupo de Bruxelas”, as privatizações "colaborações".
HIPOCRISIA E SUBMISSÃO OSTENSIVA
O êxito eleitoral do Syriza a 25 de Janeiro foi uma consequência do profundo descontentamento popular. O povo votou contra a política da Nova Democracia – PASOK que arruinara o país, empobrecera dramaticamente os trabalhadores em nome da competitividade e rentabilidade do capital.
Num contexto em que o desemprego atingira os 26,8%, o Syriza fez promessas que na prática não ultrapassavam políticas assistencialistas similares às aplicadas por outros governos burgueses, inclusive os do PASOK e da Nova Democracia, para gestão da pobreza extrema e da miséria absoluta. Não tinha, sublinhe-se, a intenção de as cumprir, como ficou demonstrado.
Prometeu, por exemplo, restabelecer o salário mínimo em 751 euros, mas manteve-o em 580 euros. Afirmou que reduziria drasticamente o IVA, mas engavetou rapidamente a promessa, e agora está negociando o seu aumento. A condenação frontal da "austeridade" cedeu lugar a uma "austeridade suavizada". Transcorridas poucas semanas, ficou ainda mais transparente que o governo Syriza-Anel se propunha a desenvolver uma política capitalista, totalmente alinhada com a estratégia e as políticas da União Europeia.
Afirma despudoradamente que a Grécia pagará integralmente a sua gigantesca dívida externa de 374 mil milhões de euros, pela qual não cabe ao povo grego nenhuma responsabilidade. A lentidão das negociações com Bruxelas não deve gerar ilusões. Acabaram por chegar a um acordo, como ambas as partes desejavam. Segundo declarou Varoufakis, será assinado antes do final de Junho. Registe-se, porém, que na última reunião do Comité Central do Syriza um sector minoritário desse partido criticou o acordo, manifestando-se contra a sua aprovação.
Para favorecer os grupos monopolistas e o patronato em geral, o governo precisa de realizar tímidas reformas nas áreas da política monetária e fiscal. As contradições existentes na União Europeia e no relacionamento desta com os EUA teriam de se reflectir no diálogo do governo com as potências imperialistas.Cabe lembrar que Washington disputa à Alemanha a hegemonia na Europa e tudo faz para sabotar as relações económicas do governo de Ângela Merkel com a Rússia.
O afastamento do ministro da Economia, Varoufakis, do papel de "negociador" foi tema de interpretações fantasistas. Na realidade, essa decisão não teve motivação ideológica, resultando da sua personalidade e estilo. É esclarecedor ele ter sido professor de uma universidade norte-americana e ser um keynesiano, defensor assumido do capitalismo e do aprofundamento das relações com os EUA. Declarou enfaticamente que está de acordo com 70% das medidas do memorando imposto pela troika.
O "Acordo de 20 de Fevereiro", negociado com o Euro-grupo, prolongou a validade do memorando. O governo Tsipras-Anel manteve todos os compromissos assumidos pelo governo de Samarás e os anteriores, e abre a porta a um pacote de novas medidas anti-populares: aumento de impostos, privatizações de infra-estruturas estratégicas, cortes em áreas sociais (saúde, educação, segurança social) e nos salários da função pública, benefícios fiscais para os grandes grupos económicos, etc. A privatização do porto do Pireu intensifica-se com o aumento do controlo privado para 51% – e perspectiva da venda de mais 16% num futuro próximo – bem como outras estruturas privadas e 14 aeroportos regionais.
Aliás, a Nova Democracia, o Pasok e o Potami apressaram-se a declarar que votarão a favor do Acordo de 20 de Fevereiro se ele for submetido ao Parlamento, e expressaram disponibilidade para aprovar qualquer acordo que mantenha a Grécia na zona euro.
MAIOR INTEGRAÇÃO NA NATO
O governo Syriza-Anel tem afirmado que pretende fortalecer as relações com os Estados Unidos e a NATO, instrumento militar da sua estratégia planetária de dominação imperialista. O ministro da Defesa, político de extrema-direita, defende um aprofundamento da cooperação com Israel. Ao visitar os EUA sugeriu a exploração conjunta dos recursos energéticos do Mar Egeu.
O governo coligado criou condições para a intensificação de manobras da NATO no país, alargando a cooperação com as bases militares da organização no território nacional. O ministro da Defesa propôs inclusive a instalação de mais uma base militar da NATO na ilha de Karpathos.
Não obstante a asfixia financeira, o governo de Tsipras aprovou uma verba de 500 milhões de dólares para modernização de aviões obsoletos Lockheed, destinados a missões de vigilância da NATO no sudeste do Mediterrâneo.
Numa exibição das suas contradições, discordou primeiro da imposição de um novo pacote de sanções à Rússia, mas depois aprovou-as. Aceitou também participar na escalada militar no Médio Oriente, invocando como pretexto "a protecção das populações cristãs" contra o chamado Estado Islâmico. Ampliam-se as relações com o estado terrorista de Israel, assumindo o perfil de uma aliança estratégica. Logo nos primeiros dias do actual governo, o ministro da Defesa sugeriu a criação de um espaço de defesa comum que inclua Chipre e Israel.
A Grécia acha-se cada vez mais envolvida nos projectos agressivos do imperialismo para a Região e, portanto, cada vez mais exposta aos perigos inseparáveis dessa política. É nesse contexto que o capital grego encara as suas relações com as outras potências capitalistas. A visita a Moscovo de Tsipras inseriu-se nesse quadro.
IRREDUTIVEL OPOSIÇÃO DO KKE
A direcção do KKE declarou desde o início da campanha eleitoral que não aceitaria em hipótese alguma participar em qualquer governo burguês.
O Partido Comunista está consciente das dificuldades da sua posição.
O facto de o Synapismos, núcleo do catual Syriza, ter sido formado por dissidentes do KKE contribuiu para que grandes media internacionais apresentassem o partido de Tsipras como força política radical e até revolucionária. O apoio do Partido da Esquerda Europeia (criado para desmobilizar a classe operária), de partidos comunistas reformistas como o PCF e o PCE ao governo Syriza-Anel, e da social-democracia europeia em geral também gerou alguma confusão.
O KKE desempenha um papel fundamental na organização da luta contra as medidas anti-populares do actual governo. A votação do projecto de lei que apresentou no Parlamento para abolição do memorando e das leis anti-populares tem sido adiada. Será certamente derrotado pela maioria.
O governo Syriza-Anel, que tem contado com o apoio transparente da burguesia, cria dificuldades à luta dos trabalhadores, mas não pode impedir a ascensão da luta de massas.
O Syriza com o seu populismo demagógico continua a confundir amplos sectores sociais. Mas a sua máscara apresenta-se cada vez mais esburacada. No momento em que escrevo multiplicam-se em toda a Grécia as manifestações e as greves. O êxito dos desfiles do 1º de Maio iluminou bem a atitude de milhares de trabalhadores perante uma política classista, favorável ao grande capital. Para os dias 11 e 23 de Junho foram convocadas pelo PAME – a frente de trabalhadores e organizações sindicais na qual o KKE desempenha um papel fundamental – grandes manifestações.
O capitalismo não tem soluções para a sua crise estrutural. Está condenado a desaparecer e a única alternativa é o Socialismo. O KKE não desconhece que no actual contexto europeu e mundial a agonia do monstruoso sistema de exploração do homem será provavelmente lenta. Mas como partido revolucionário marxista-leninista a estratégia do KKE não é elaborada em função de um calendário para a tomada do poder. Os comunistas gregos não excluem a possibilidade de uma agudização das contradições e antagonismos, situação essa que poderia desembocar numa guerra imperialista na Região.
De dirigentes seus ouvi repetidamente a afirmação de que [o Partido] está preparado para "todas as eventualidades".
Atenas, 30 de Maio de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
Como combater a propaganda ocidental
| |||
por Andre Vltchek
Primeiro eles fabricam mentiras monstruosas, depois dizem-nos que deveríamos ser objetivos!
Será o amor objetivo; será a paixão?
Serão os sonhos defensáveis logicamente e filosoficamente?
Quando uma casa é atacada por bandidos, quando uma aldeia é invadida por gangsters, quando fumo, fogo e gritos por ajuda estão a vir de cada esquina, deveríamos nós conceder-nos o luxo do tempo para calcular, analisar e definir objetivos com soluções completas, lógicas, holísticas e objetivas?
Acredito firmemente que não! Somos obrigados a combater aqueles que estão a incendiar nossos lares, atingir com toda a força aqueles que tentam violar nossas mulheres e enfrentar o fogo com o fogo quando seres inocentes estão a ser massacrados.
Quando a mais poderosa e mais destrutiva força sobre a terra emprega todo o seu poder persuasivo, utilizando tudo desde os media de referência a instrumentos educativos, a fim de justificar seus crimes, quando ela espalha sua propaganda venenosa e mentirosa a fim de oprimir o mundo e suprimir a esperança, devemos nós voltar atrás e começar um infindável e pormenorizado trabalho sobre narrativas precisas e objetivas? Ou devemos confrontar mentiras e propaganda com a nossa própria narrativa, apoiada pela nossa intuição, paixão e sonhos por um mundo melhor?
O Império mente continuamente. Mente pela manhã, durante o dia, à tarde, mesmo à noite, quando a maior parte das pessoas ressonam adormecidas. Ele fez isso durante décadas e séculos. Para grandes fraudes o Império confia em incontáveis propagandistas que posam como académicos, professores, jornalistas e "intelectuais públicos". A perfeição na arte da desinformação foi alcançada. A publicidade ocidental (tão admirada e usada pelos nazis alemães) tem algumas raízes comuns com a propaganda, embora a propaganda seja muito mais antiga e "completa".
Parece que agora mesmo alguns líderes da Europa acreditam na maior parte das suas falsificações – e a maior parte dos cidadãos certamente também. Do contrário, como poderiam dormir à noite?
Este aparelho de propaganda ocidental é enormemente eficiente e eficaz. É também brilhante para assegurar que suas invenções sejam canalizadas, distribuídas e aceites em todos os cantos do mundo. O sistema através do qual a desinformação se espalha é incrivelmente complexo. Os media locais e as academias servis em todos os continentes trabalham arduamente para garantir que apenas uma narrativa seja permitida penetrar nos cérebros de milhares de milhões de pessoas.
Os resultados são: covardia intelectual e ignorância, por todo o mundo, mas especialmente no ocidente e nos seus estados clientes.
O que nós, os que nos opomos ao regime, devemos fazer?
Em primeiro lugar, as coisas não estão tão desesperadoras como antes.
Isto já não é o mórbido mundo unipolar que experimentámos no princípio da década de 90. Agora a Venezuela, Rússia, China e Irão apoiam grandes redes de media que se opõem ao Império. Emergiram estações televisão poderosas: RT, Press TV, TeleSur e CCTV. Grandes revistas e sítios em inglês baseados na Internet nos EUA, Canadá e Rússia também estão a revelar as mentiras dos propagandistas oficiais do Ocidente: Dissident Voice, Information Clearing House, Global Research, Veterans News, Strategic Culture, New Eastern Outlook vêm rapidamente à mente. E há centenas de importantes sítios a fazerem o mesmo em castelhano, chinês, russo e francês.
O combate está em andamento: o combate por um mundo intelectualmente multi-polar. É um combate duro, mortal! É uma batalha crucial, simplesmente por causa das metástases que o cancro da propaganda ocidental espalhou por toda a parte, contaminando todos os continentes e mesmo alguns dos países e cérebros mais corajosos que combatem seriamente o imperialismo e fascismo ocidental! Ninguém está imune. Para ser franco, todos nós estamos contaminados.
A menos que ganhemos esta batalha, primeiro identificando claramente e demonstrando que a "sua narrativa" é fraudulenta e depois apresentando percepções humanistas e compassivas, não podemos sequer sonhar acerca da revolução, ou acerca de quaisquer mudanças significativas na organização do mundo.
Como alcançar a vitória? Como convencer as massas, aqueles milhares de milhões de pessoas? Como abrir seus olhos e fazê-las ver que o regime ocidental é desonesto, tóxico, venenoso e destrutivo? A maior parte da humanidade está enganchada na propaganda do Império. Esta propaganda é espalhada não só através dos media de referência como também pela pop music, novelas, media sociais, publicidade, consumismo, "tendências da moda" e por muitos outros meios encobertos, culturais, religiosos e os media lixo que levam aos estupor emocional e intelectual e são administrados como narcóticos altamente viciantes, de modo regular e persistente.
Será que contra-atacaremos as tácticas e estratégia do Império destrutivo e implacável com a nossa honestidade, com investigação, contando e escrevendo meticulosamente factos investigados?
O Império perverte os factos. Ele repete mentiras nos seus alto-falantes e TVs. Ele grita-lhes milhares e milhares de vezes, até que afundem no subconsciente das pessoas, penetre a pele, espalhem-se através dos seus cérebros.
Boa vontade, honestidade ingénua, "falar a verdade ao poder", poderia isto mudar o mundo e o próprio poder? Duvido muito.
O Império e seu poder são ilegítimos e criminosos. Haverá qualquer sentido em falar a verdade a um gangster? Dificilmente! A verdade deveria ser falada ao povo, às massas, não àqueles que estão a aterrorizar o mundo.
Ao conversar com vilões, ao implorar-lhe que parem de torturar os outros, estamos a legitimar seus crimes e a reconhecer seu poder. Ao tentar apaziguar gangsters, as pessoas colocam-se a si próprias à sua mercê.
Recuso absolutamente ficar em tal posição!
Para persuadir milhares de milhões de pessoas temos de inspirá-las, estimulá-las. Temos de ultrajá-las, abraçá-las, envergonhá-las, fazê-las rir e fazê-las chorar. Temos de assegurar que tenham arrepios quando vêm nossos filmes, lêem nossos livros e ensaios, ouvem nossos discursos.
Temos de desintoxicá-las, fazê-las sentir outra vez, reativar os instintos naturais dentro delas.
A simples verdade não funcionará como agente desintoxicante. O veneno dos nossos adversários penetrou demasiado profundamente. A maior parte das pessoas está demasiado letárgica e demasiado imune para verdades simples declaradas tranquilamente!
Já tentámos e outros também o fizeram. Meu conhecido (mas definitivamente não meu camarada) John Perkins, antigo quadro estado-unidense educado pelo Departamento de Estado, escreveu um relato pormenorizado dos seus horrendos feitos no Equador, na Indonésia e alhures – Confession of An Economic Hitman . É um relato meticuloso, pormenorizado de como o Ocidente desestabilizou países pobres, utilizando corrupção, dinheiro, álcool e sexo. O livro vendeu milhões de exemplares, por todo o mundo. E ainda assim, nada mudou! Ele não disparou uma revolução popular nos Estados Unidos. Não houve protestos, nem exigências de mudança de regime em Washington.
No passado recente, escrevi e publiquei dois livros académicos, ou pelo menos semi-academicos, repleto de grandes minúcias, citações e toneladas de notas de rodapé: um sobre a Indonésia, um país utilizado pelo Ocidente como cenário de horror modelo para o resto do mundo, após o golpe militar de 1965 patrocinado pelos EUA. O golpe matou 2 a 3 milhões de pessoas, assassinou todo o intelectualismo e lobotomizou o 4º mais populoso país da terra. O livro chama-se Indonesia – Archipelago of Fear . O segundo livro, único porque cobre uma enorme parte do mundo – Polinésia, Melanésia e Micronésia ( Oceania – Neocolonialism, Nukes and Bones ), mostrou como os EUA, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e França, literalmente dividiram e destruíram as grandes culturas insulares e povos do Pacífico Sul. Agora há cursos que utilizam meus livros, mas só um número muito limitado de pessoas é influenciado pelos factos neles expostos. As elites tanto na Indonésia como na Oceânia fazem com que os livros não sejam lidos por amplas camadas do povo.
Passei anos e anos a compilar factos, a pesquisar, a investigar. A eficácia revolucionária do meu trabalho académico é – tenho de admitir – aproximadamente zero.
É fácil ver o contraste: quando escrevo um ensaio, um ensaio poderoso e emocional, pedindo justiça, acusando o Império de assassínio e roubo, obtenho milhões de leitores em todos os continentes, bem como traduções em dúzias de línguas!
Por que escrevo isto; por que partilho isto com meus leitores? Porque deveríamos todos ser realistas. Temos de ver, entender, o que o povo quer – o que ele pede. Os povos estão infelizes e assustados. A maior parte deles não sabe porque. Eles odeiam o sistema, estão abandonados, frustrados, sabem que são sujeitos à mentira e explorados. Mas não podem definir essas mentiras. Livros académicos revelando as mentiras são demasiado complexos para que leiam uma vez que as massas não têm tempo de ler milhares de páginas indigestas ou a educação necessária que lhes permita entender o que estão a ler.
É nosso dever dirigirmo-nos a esse povo, à maioria, do contrário que espécie de revolucionários somos nós? Afinal de contas, devemos criar para nossos irmãos e irmãs, não para uns poucos investigadores nas universidades, especialmente quando percebemos que a maior parte das universidades está a servir o Império ao regurgitar a nomenclatura oficial e apoiar demagogos.
O Império fala, escreve e repete algumas mentiras ultrajantes, acerca da sua benevolência e da excepcionalidade do seu domínio, ou acerca dos "maus" da União Soviética, China, Irão, Venezuela, Coreia do Norte ou Cuba. Isto é feito diariamente. De facto é concebido de modo a que quase todo ser humano obtenha a sua dose de toxina pelo menos várias vezes por dia.
Sentimos que temos de reagir – começamos a gastar anos das nossas vidas a provar meticulosamente, passo a passo, que a propaganda do Império é ou uma grossa mentira, ou um exagero, ou ambos. Depois de alinharmos nossos argumentos, publicamos os resultados em alguma pequena editora, mais provavelmente na forma de um livro magro, mas quase ninguém lê devido à sua pequeníssima circulação e porque as descobertas são geralmente demasiado complexas, demasiado difíceis de digerir e simplesmente porque os factos já não chocam ninguém. Um milhão mais de pessoas inocentes foram assassinadas em algum lugar na África, no Médio Oriente, na Ásia, qual a novidade?
Ao investigar e tentar contar a verdade, plenamente e honestamente, sentimos que estamos a fazer grande trabalho científico e profissional. Enquanto isso os propagandistas do Império estão a morrer de rir a observar-nos! Nós representamos pouco perigo para eles. Eles estão a vencer facilmente!
Por que é assim? A verdade minuciosa já não importa?
Ela importa – do ponto de vista de princípios mais elevados ela importa. Eticamente ela importa. Moralmente ela importa. Filosoficamente ela importa.
Mas estrategicamente, quando alguém está empenhado numa guerra ideológica, ela não importa muito! A verdade sim, sempre; a verdade importa! Mas simplificada, a verdade digerível, apresentada energicamente e emocionalmente!
Quando a imoralidade está a devastar o mundo, quando ela está a agredir impiedosamente, quando milhões de inocentes estão a morrer, o que importa é travar a carnificina, primeiro identificando as forças assassinas, a seguir contendo-as.
A linguagem tem de ser forte, emoções primárias.
Quando enfrentando hordas assassinas, canções emocionalmente carregadas e odes patrióticas sempre foram mais eficazes do que profundos estudos académicos. E assim foram romances e filmes políticos, documentários apaixonadas, mesmos cartoons e posters explícitos.
Alguns perguntarão: "Só porque eles mentem, deveríamos nós mentir também?" Não! Deveríamos tentar ser tão verdadeiros quanto podemos. Mas a nossa mensagem deveria muitas vezes ser "abreviada", de modo a que milhares de milhões, não apenas aqueles poucos selectos, possam entendê-la.
Isso não significa que a qualidade do nosso trabalho deveria sofrer. A simplicidade é muitas vezes mais difícil de alcançar do que trabalhos enciclopédicos com milhares de notas de rodapé.
A Arte da Guerra , de Sun Tzu, é curto, apenas um panfleto, directo ao assunto. E assim é o Manifesto Comunista e o J'accuse!
Nosso trabalho revolucionário não tem necessariamente de ser breve, mas tem de ser apresentado de um modo que possa ser entendido por muitos. Estou constantemente a experimentar com a forma, se bem que nunca comprometendo na substância. Meu recente livro, Exposing Lies of the Empire , tem mais de 800 páginas, mas tenho a certeza de que está recheado de estórias fascinantes, com testemunhos de pessoas de todos os cantos do globo, com descrições vivas tanto das vítimas como dos tiranos. Não quero que os meus livros acumulem pó em bibliotecas universitárias. Quero que mobilizem o povo.
Acredito realmente que não há muito tempo para a "objectividade" em qualquer batalha, incluindo a ideológica, especialmente quando estas batalhas são para a sobrevivência da humanidade!
As mentiras do inimigo têm de ser confrontadas. Elas são tóxicas, mentiras monstruosas!
Uma vez travada a destruição, milhões de homens, mulheres e crianças inocentes deixarão de serem sacrificados e podemos retornar aos nossos complexos conceitos filosóficos, para pormenores e nuances.
Mas antes de vencermos nossas batalhas finais contra o imperialismo, niilismo, fascismo, excepcionalismo, egoísmo e cobiça, temos de utilizar plena e eficazmente nossas armas mais poderosas: nossas visões de um mundo melhor, nosso amor pela humanidade, nossa paixão pela justiça. Nossa determinação e nossas crenças têm de ser apresentadas de uma maneira audível, potente, mesmo "dogmática", nossa voz deveria ser criativa, artística, poderosa!
A casa está em chamas, camaradas! Toda a cidade está a transformar-se em cinzas. O planeta inteiro é pilhado, devastado, lobotomizado.
Não podemos confrontar fanáticos com ogivas e navios de guerra. Mas nossos talentos, nossas musas e nossos corações estão aqui, connosco, prontos para juntarem-se à batalha.
Deixem-nos sobrepujar nossos inimigos; deixem-nos assegurar que o mundo começa a rir-se deles! Viram aqueles patéticos perdedores, os bufões – os directores gerais? Ouviram aqueles primeiros-ministros e presidentes, aqueles servos do "mercado"? Deixem-nos convencer as massas que os seus tiranos – os imperialistas, o neocolonialistas e todos os seus pregadores dogmáticos – não são nada mais do que loucos lamentáveis, cobiçosos, venenosos! Deixem-nos desacreditá-los! Vamos ridicularizá-los.
Eles estão a roubar e assassinar milhões. Deixem-nos começar a pelo menos urinar sobre eles!
Deixem-nos combater a propaganda ocidental revelando primeiro aqueles que estão realmente por trás. Vamos ao pessoal.
Vamos transformar esta revolução em algo criativo, hilariante, realmente divertido!
Ver também:
As cinco dificuldades para escrever a verdade , Bertolt Brecht
[*] Romancista, realizador de filmes e jornalista investigador. Cobriu guerras e conflitos em dúzias de países. Seu livro mais recente é Exposing Lies of the Empire. Também escreveu, com Noam Chomsky, On Western Terrorism: From Hiroshima to Drone Warfare . Seu romance revolucionário Point of No Return foi reeditado e está disponível. Oceania é o seu livro sobre o imperialismo ocidental no Pacífico Sul. Seu livro provocador acerca da Indonésia pós Suharto e o fundamentalismo de mercado chama-se Indonesia: The Archipelago of Fear . Realizou o documentário Rwanda Gambit (2013) acerca da história de Rwanda e a pilhagem da República Democrática do Congo. Seu sítio web é andrevltchek.weebly.com
O original encontra-se em dissidentvoice.org/2015/05/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
|
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Syriza e Podemos em xeque
Por Boaventura de Sousa Santos
Escrevo de Atenas, onde me encontro a convite do Instituto Nicos Poulantzas para discutir os problemas e desafios que enfrentam os países do sul da Europa e as possíveis aprendizagens que se podem recolher de experiências inovadoras tanto na Europa como noutras regiões do mundo. Convergimos em que o que se vai passar nos próximos dias ou semanas nas negociações da Grécia com as instituições europeias e o FMI serão decisivas, não só para o povo grego, como para os povos do sul da Europa e para a Europa no seu conjunto.
O que está em causa? Defender a dignidade e o mínimo bem-estar de um povo vítima de uma enorme injustiça histórica e de políticas de austeridade (para além do mais, mal calibradas) que espalharam morte e devastação social (bem visíveis nas ruas e nas casas) sem sequer atingir nenhum dos objetivos com que se procuraram legitimar. Não admira que o primeiro ponto do programa de Salónica do Syriza seja o alívio imediato da grave crise humanitária. Com um envolvimento militante que há muito desapareceu dos cinzentos políticos europeus, a vice-ministra para a solidariedade social, Theano Fotiou, fala-me do modo como está a ser organizado o resgate dos que caíram em pobreza extrema (programas de alimentação, eletricidade e tratamento médico gratuitos), não deixando de salientar a cooperação, de algum modo surpreendente, que tem tido dos bancos gregos para gerir o sistema de pagamentos. Para além das políticas de emergência, o programa do Syriza, tal como o de Podemos na Espanha, é um programa social-democrático moderado. Esta é a grande ironia da Europa: os sociais-democratas de ontem são os liberais de hoje; os revolucionários de ontem são os sociais-democratas de hoje. As principais linhas vermelhas que Syriza não pode deixar cruzar referem-se à redução das pensões e ao fim da contratação coletiva. Trata-se dos dois pilares principais da social-democracia europeia. Ao defendê-los, o Syriza está a defender o que há de mais luminoso no patrimônio político, social e cultural da Europa do último meio século. É uma defesa corajosa no processo de negociação mais assimétrico e desigual da história europeia (e talvez mundial) recente. Uma defesa que só não será solitária se puder contar com a solidariedade ativa dos cidadãos europeus para quem o pântano da resignação não é opção.
O que vem aí? Costumo dizer que os sociólogos são bons em prever o passado. Mas não é difícil ver nos sinais disponíveis mais razões para pessimismo do que para otimismo. Surpreendentemente, um desses sinais mais perturbadores para os gregos é o programa econômico recentemente apresentado pelo PS português. A radicalidade conservadora de algumas propostas, sobretudo no domínio das relações laborais e das pensões (mais conservadoras do que as do partido socialista espanhol e muito semelhantes às do novo partido conservador espanhol, Ciudadanos), leva a considerar que ele foi elaborado com inside knowledge, isto é, com conhecimento prévio e privilegiado das decisões, por enquanto secretas, que os “grandes decisores” europeus já tomaram em relação à Grécia e aos países do sul da Europa. Tanto no domínio das pensões (erosão das condições de sustentabilidade para justificar futuras reduções) como no das relações laborais (erosão fatal da contratação coletiva), o PS propõe-se uma política que viola as duas linhas vermelhas principais do Syriza e, que, aplicada entre nós, porá fim à mitigada social-democracia que conquistamos nos últimos quarenta anos. Pré-anúncio de que o Syriza vai ser trucidado para servir da vacina contra o que pode ocorrer na Espanha, na Irlanda, em Portugal e mesmo na Itália? Não sabemos, mas é legítimo ter uma suspeita e uma certeza. A suspeita é que os “grandes decisores” visam atingir o coração do Syriza, fazendo com que parte dos seus apoiantes (sobretudo os que não dependem de ajuda humanitária) o abandonem, eventualmente com a promessa ardilosa de que sem o Syriza poderão obter mais benesses europeias do que com ele. A certeza é que, com a derrota do Syriza, os partidos socialistas que em tempos optaram pela terceira via saberão em breve que esta via é em verdade um beco sem saída.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Como roubam os Bancos (legendado )
Victoria Grant - Subtitulado Español [Cómo roban los bancos] 720p HD - Charkleons.com
Autores del video » http://www. publicbankinginstitute.org/ Subtítulos »http://www.charkleons.com/ Victoria Grant explica de una forma rápida y sencilla cómo...
youtube.com
Autores del video » http://www.
youtube.com
Subscrever:
Mensagens (Atom)