quinta-feira, 2 de julho de 2015



SOBRE O FENÓMENO DOS 'EMPREGOS DE MERDA' - uma análise crítica

Um texto interessante do antropólogo inglês David Graeber - considerado um dos 'pais' do movimento Occupy Wall Street.

Ver AQUI a análise de Graeber.

http://4.bp.blogspot.com/-mqFXiQhSTN4/VZRmmfkAyHI/AAAAAAAABLA/P0AcmEg_CnE/s320/EMPREGO%2BGRITO.jpgCOMENTÁRIO CRÍTICO DO TEXTO

O texto tem qualidades, ao alertar para a tremenda degradação do trabalho, mas acaba ele-mesmo por ser também um "texto de merda", para usar a expressão feliz do seu próprio título.

Não admira que grupos como o Colectivo Libertário (Évora) ou movimentos como o "Anonymous" ou o "Occupy Wall Street" ou equivalentes portugueses Plataformas 15 Outubro ou Que se Lixe a Troika acabassem por não dar em nada, após um ímpeto inicial.

Pese as boas intenções dos seus autores, são - tal como o espanholPodemos ou o grego Syriza . movimentos baseados em ideias inconsistentes, como algumas que o texto revela. 

Se o pensamento é inconsistente, a ação e a organização não podem deixar de o ser também.

Por ideias inconsistentes, vejamos.

Citação: 

"(...) a resposta não é económica, mas moral e política. A classe dirigente descobriu que uma população feliz e produtiva com abundante tempo livre nas suas mãos representa um perigo mortal

Portanto, David Graeber acha que os "trabalhos de merda" são consequência, não da evolução mais ou menos normal do capitalismo globalizado, mas duma decisão consciente das classes dirigentes.

Discordo. E não sou dos que pensam que tudo no sistema é espontâneo. 

As conspirações existem, sim. O planeamento maquiavélico de crises, golpes, pseudo-revoluções, existe. A política de austeridade na Europa é intencional, por exemplo.

Mas há fenómenos que são tão complexas que não são fruto de nenhuma "conspiração global".

A degradação do emprego (qualitativa e quantitativa) nos países do centro do sistema é um deles.

Os empregos "úteis" diminuiram e os "inúteis" aumentaram pela simples desindustrialização e deslocalização maciças do centro para a periferia do sistema.

Portanto, as causas são fundamentalmente económicas, ao contrário do que o autor pensa. 

Toda a gente sabe que a China passou a ser a “fábrica do mundo”, que grande parte do que se compra vem da China. Logo, deixou de ser produzido nos países centrais ao sistema.

E então porque se criam tantos empregos de telemarketing, caixa, solicitador litigioso, vendedor, etc., além dos Serviços diversos?

Simples, os setores que permanecem nas economias ditas ricas, do centro do sistema, são precisamente os setores comerciais, os financeiros, os da publicidade e dos Serviços em geral. Além dos empregos superiores, dos altos quadros, e dos intermédios - investigadores e criativos em geral (que o texto ignora)

Em esquema:

http://2.bp.blogspot.com/-PUCrIekFcBw/VZRvxn6wbrI/AAAAAAAABLQ/4LfeUJG4C5I/s640/Esquema%2Bdslocaliza%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg
A questão é essencialmente de custos. 

Tanto a deslocalização para a periferia dos "empregos de verdade", como a degradação (aumento do horário, diminuição do salário) dos "empregos de merda" no centro do sistema resultam da competição feroz entre os grandes conglomerados económicos pelo abaixamento dos custos.

Um outro factor é a financeirização da Economia.

Esta já é mais complexa. Foi a forma do sistema (aí sim, ,conspiração dos grandes bancos) sobreviver nos países do centro e de as respectivas economias não desmoronarem  (mas só em parte, já que a crise é um sintoma de desmoronamento).

E como? Mantendo o controle do sistema financeiro a nível mundial, quer através do mecanismo parasitário do dólar e duma rede de offshores opaca, quer pela atração de capitais especulativos e provenientes das economias paralela e subterrânea, em busca de refúgio ou de lavagem.

Estas parecem-me as ideias certas sobre o fenómeno dos "empregos de merda". Lamento ter que desmistificar as ideias simplistas. 

Mas como dizia Agostinho da Silva: arrumar a cabeça para arrumar a vida - no caso, a vida como ação transformadora e de combate às injustiças, por um mundo melhor.
O colapso da economia portuguesa, europeia e mundial
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Primeiro capítulo da série documental "Aurora". Explica o paradigma económico do atual sistema monetário na sua essência demonstrando que as políticas monetá...




quinta-feira, julho 02, 2015

O princípio do fim da privacidade dos portugueses

Quando valores mais altos se levantam, o bloco central diz presente e coloca de lado as suas diferenças de fachada, à semelhança daquilo que aconteceu há uns meses quando se juntaram para tentar controlar o trabalho da comunicação social durante as campanhas eleitorais através de uma espécie de visto prévio estilo lápis azul. Como se o “ascendente” que têm sobre a imprensa não fosse já suficiente.
Foi ontem levada ao Parlamento uma proposta da maioria para reforçar o poder das secretas portuguesas cuja aprovação, segundo me foi possível apurar (não encontro informação que me esclareça para além da notícia do Expresso Diário de Terça-feira), terá contado com o apoio do PS. A proposta permitirá, entre outras coisas, que os espiões acedam às listas de chamadas de qualquer cidadão (Jorge Silva Carvalho, antigo chefe do SIED que trabalhou para a Ongoing mas que afirma nunca ter disponibilizado informações à empresa, começará a ser julgado dentro de dois meses por aceder ilegalmente à lista de chamadas do jornalista Nuno Simas), dados de comunicações online, informação bancária e dados fiscais, bastando para isso uma aprovação de uma comissão composta por três magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Contudo, a proposta do bloco central é vaga sobre os critérios subjacentes à tal aprovação, não implicando sequer a existência de indícios fortes do investigado ter cometido qualquer crime.
Sobre o último ponto, a Comissão Nacional de Protecção de Dados emitiu um parecer que critica violentamente a proposta, afirmando que representa “uma agressão grosseira aos direitos à privacidade e à protecção de dados pessoais e, em consequência, ao direito à liberdade“. Um Patriot Act ao virar da esquina. Sejam bem-vindos ao princípio do fim da vossa privacidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O que aqui se publica não exprime sempre a nossa concordância. O que importa é o conhecimento e o diálogo.

Pelo Socialismo Questões político-ideológicas com atualidade http://www.pelosocialismo.net _____________________________________________ Publicado em 2015/06/29, em: http://inter.kke.gr/en/articles/The-referendum-on-the-5th-of-July-and-thestance-of-the-KKE/ Tradução do inglês de PAT
Colocado em linha em: 2015/07/01
O referendo de 5 de julho e a posição do KKE Partido Comunista da Grécia (KKE)
 Como é bem conhecido, o governo de “esquerda” – na essência, do partido socialdemocrata SYRIZA e do partido nacionalista de “direita” ANEL –, numa tentativa de gerir a completa bancarrota dos seus compromissos pré-eleitorais, anunciou um referendo para o dia 5 de julho de 2015, colocando unicamente a questão de saber se os cidadãos concordam ou não com o acordo que foi apresentado pela UE, FMI e BCE, respeitante à continuação das medidas antipopulares, para uma saída da crise capitalista, com a Grécia a permanecer no euro. Representantes do governo de coligação apelaram ao povo para dizer “não” e deixaram claro que este “não” no referendo será interpretado pelo governo grego como a aprovação do seu próprio acordo, proposto à UE, FMI e BCE, que, nas suas 47 + 8 páginas, também contém duras medidas antipopulares, com o objetivo de aumentar a rentabilidade do capital, 0 “crescimento” capitalista e a permanência do país no euro. Como o governo SYRIZA-ANEL admite, continuando a exaltar a UE, “nossa casa comum europeia”, a “façanha europeia”, a proposta deles é 90% idêntica à proposta da UE, FMI e BCE e tem muito pouco a ver com o que o SYRIZA havia prometido antes das eleições. O fascista Aurora Dourada, em conjunto com os partidos da coligação de governo (SYRIZA-ANEL), tomou uma posição a favor do “não” e também apoiou abertamente o regresso a uma moeda nacional. Por outro lado, a oposição de direita – ND, o social-democrata PASOK, que governou até Janeiro de 2015, assim como o POTAMI (formalmente um partido do centro e, em essência, um partido reaccionário) – tomou uma posição a favor de um “sim” às bárbaras medidas da Troika, que, afirmam, será interpretado como um consentimento para “ficar na UE a todo o custo”. Na realidade, as duas respostas conduzem a um sim à “UE” e à barbárie capitalista. Durante a sessão do parlamento, em 27/6, a maioria governamental do SYRIZAANEL rejeitou a proposta do KKE para que fossem antes colocadas as seguintes questões ao julgamento do povo grego, no referendo: 2 • Não às propostas do acordo da UE-BCE-FMI e do Governo grego • Saída da UE – Abolição dos memorandos e de todas as leis para a sua aplicação.
 Com a sua postura, o governo demonstrou que quer chantagear o povo, para aprovar a sua proposta à troika, que é o outro lado da mesma moeda. Ou seja, está a pedir ao povo grego para dar consentimento aos seus planos antipopulares e para os carregar com as suas novas escolhas antipopulares, seja através de um novo acordo alegadamente “melhorado” com as organizações imperialistas, seja através de uma saída do euro e um retorno a uma moeda nacional, algo que o povo será de novo chamado a pagar. Nestas condições, o KKE apela ao povo para utilizar o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição à UE e para fortalecer a luta pela única via realista de sair da barbárie capitalista de hoje. O conteúdo desta saída é: Rutura : saída da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder dos trabalhadores e do povo. O povo, através da sua actividade e da sua intervenção no referendo, deve responder ao engano da falsa questão colocada pelo governo e rejeitar a proposta da UE-FMIBCE e, também, a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas contêm bárbaras medidas antipopulares, que serão adicionadas aos memorandos e às leis para a sua aplicação dos anteriores governos ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas. O KKE realça que o povo, no referendo, não deve escolher entre Cila e Caríbdis, antes deve expressar, com todos os meios disponíveis e em todos os sentidos, a sua oposição à UE e aos seus permanentes memorandos. Deve “neutralizar” este dilema introduzindo na urna, como seu voto, a proposta do KKE. • Não à proposta da UE-FMI-BCE • Não à proposta do governo • Saída da EU, com o povo no poder.

APRENDAMOS A DANÇAR SEM MEDO
Foto de canal #moritz @Ptnet.

APRENDAMOS A DANÇAR SEM MEDO
109 mil soldados para uma população de 10 milhões de habitantes. 10 militares por mil habitantes. É o país com o rácio mais alto da... Europa (França tem 3,5, Espanha 2,5, Portugal 3,1). Nos últimos dez anos, 4% do PIB foi gasto na defesa, o dobro do que a NATO, sempre empenhada em pressionar aumentos orçamentais nesta área, recomenda. Dos países da NATO, somente os EUA gastam mais em percentagem do PIB. Neste mesmo tempo histórico, este país importou equipamento militar no valor de 12 mil milhões de euros. Entre 2005 e 2009 foi o quinto maior importador de armas do mundo. Nas suas fileiras conta com 1620 blindados, mais do que Alemanha, França e Itália juntas.
Este país é a Grécia e estes números foram revelados esta semana pelo “Público” espanhol. Mas há mais um dado particularmente relevante. Grande parte da despesa grega em armamento foi realizada com a Alemanha e França, 4 mil milhões e 3 mil milhões, respectivamente. Segundo o “Guardian”, em 2012, as vendas de armamento para a Grécia representavam 15% do total de exportações alemãs nestas áreas. Yorgos Papandréu, assessor do primeiro-ministro grego entre 2009 e 2011, declarou que ninguém lhes dizia para comprar armas, mas que a UE ficava sempre mais solícita se o fizessem.
O actual braço-de-ferro entre os donos disto tudo e a Grécia não é apenas decisivo para o povo grego. Se a Grécia claudica e aceita o acordo que a pretende vergar e castigar por ameaçar levantar a cabeça, perdemos todos. Se o povo grego rejeitar o acordo, abre-se uma frente que terá de ter correspondência, em Portugal, muito além dos ineficazes manifestos de militante solidariedade. Depois da Grécia, estamos na linha da frente deste plano de extorsão e empobrecimento. Passará por todos nós a decisão de continuar de cabeça baixa à espera dos novos cortes nas pensões/ordenados e aumentos do IVA, ou ganhar coragem e perder o medo.
Não há saídas fáceis. Todos os caminhos de fuga estão armadilhados, mas quanto mais nos deixarmos afundar neste buraco, mais dura será a saída.     Tiago Mota Saraiva, jornal i

Zizek, Wallerstein e o ex-arcebispo da Cantuária apelam ao ’Não’

Zizek e Tsipras. Foto matthew_tsimitak/Flickr

Leia aqui a carta publicada no Guardian por um conjunto de académicos a apelar à União Europeia que retome os princípios da democracia e ao povo grego que rejeite o ultimato dos credores.


Ao longo dos últimos cinco anos, a União Europeia e o FMI impuseram à Grécia uma austeridade sem precedentes. Ela fracassou totalmente. A economia encolheu 26%, o desemprego aumentou para 27%, o desemprego dos jovens para 60% e o rácio da dívida em relação ao PIB passou de 120% para 180%. A catástrofe económica conduziu a uma crise humanitária, com mais de 3 milhões de pessoas na ou abaixo da linha de pobreza.
Neste contexto, o povo grego elegeu, a 25 de janeiro, um governo liderado pelo Syriza, com um mandato claro para pôr fim à austeridade. Nas negociações que se seguiram, o governo deixou claro que o futuro da Grécia é na zona euro e na UE. Os credores, no entanto, insistiram na continuação da sua receita falhada, recusaram-se a discutir uma reestruturação da dívida – que o próprio FMI reconhece como sendo inviável – e, finalmente, a 26 de junho, emitiram um ultimato à Grécia através de um pacote inegociável que consolidaria a austeridade. Seguiu-se uma suspensão de liquidez aos bancos gregos e a imposição do controlo de capitais.
Nesta situação, o governo pediu ao povo grego que decidisse sobre o futuro do país num referendo a ser realizado no próximo domingo. Acreditamos que este ultimato à democracia e ao povo grego deve ser rejeitado. O referendo grego dá à União Europeia uma oportunidade de reafirmar o seu compromisso com os valores do Iluminismo – igualdade, justiça, solidariedade – e com os princípios da democracia sobre os quais assenta a sua legitimidade. O lugar onde nasceu a democracia dá à Europa a oportunidade de reassumir o compromisso com os seus ideais no século XXI.
Etienne Balibar
Costas Douzinas
Barbara Spinelli
Rowan Williams
Immanuel Wallerstein
Slavoj Zizek
Michael Mansfield
Judith Butler
Chantal Mouffe
Homi Bhabha
Wendy Brown
Eric Fassin
Tariq Ali

terça-feira, 30 de junho de 2015

"Com a sua postura o governo mostrou que quer chantagear o povo para que este aprove a sua proposta à Troika, que é a outra face da mesma moeda. Está a pedir ao povo que aceite os seus planos antipopulares e responsabilizá-lo pelas suas novas opções antipopulares, seja através de um acordo supostamente “melhorado” com os organismos imperialistas, ou por meio de uma saída do euro e o retorno à moeda nacional, que o povo será chamado a pagar de novo.
Nestas condições, o KKE está a apelar ao povo para que utilize o referendo como uma oportunidade para reforçar a oposição à UE, para que se reforce a luta pela única saída realista da actual barbárie capitalista, que tem apenas um conteúdo: Ruptura – Saída da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder operário e popular."

entrevista de Kostas Papadakis (KKE) a odiario.info


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

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