sábado, 11 de julho de 2015

Liberdade de imprensa e poder económico
A rádio, os jornais, a televisão não vos contam a verdade. Sobre qualquer informação faça a seguinte pergunta: "Quem beneficia com isto?". Procure pontos de vista diferentes, pense por si. Agora sim, Jornaisretome a notícia

Cofina
Televisão: Correio da Manhã TV (‘cmTV’).
Jornais e revistas: Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, Destak, Destak Brasil, Metro, Sábado, Máxima, TV Guia, Semana Informática, Flash!, Vogue, GQ.
– Paulo Fernandes.

Global Media Group
Jornais e revistas: Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, Diário de Notícias da Madeira, Açoriano Oriental, Jornal do Fundão, Volta ao Mundo, Evasões.
Rádio: TSF.
– Joaquim Oliveira, sendo que desde o ano passado o angolano António Mosquito detém a mesma percentagem de capital (27,5%).

Impala
Revistas: Maria, Nova Gente, VIP, TV 7 Dias, Ana, Nova Cozinha, Soluções, Segredos Cozinha, etc.
Uma das características deste grupo é a frequência com que encerra e cria publicações.
– Jacques Rodrigues.

Impresa
Televisão: SIC, SIC Notícias, SIC Radical, SIC Mulher, SIC K, SIC Internacional, SIC Caras.
Jornais e revistas: Expresso, Visão, Visão Júnior, Visão História, Jornal de Letras, Exame, Exame Informática, Courrier Internacional, Blitz, Activa, Caras, Caras Decoração, Telenovelas, TV Mais.
– Francisco Pinto Balsemão.

Media Capital
Televisão: TVI, TVI 24, TVI Internacional, TVI Ficção.
Rádio: Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Vodafone FM, Smooth, Cotonete.
 Rosa Cullel, representando o accionista maioritário, a Vertix, propriedade da multinacional espanhola Prisa (El País, As, Cadena Ser, etc.), com forte presença na América do Sul.
A rádio, os jornais, a televisão não vos contam a verdade. Sobre qualquer informação faça a seguinte pergunta: "Quem beneficia com isto?". Procure pontos de vista diferentes, pense por si. Agora sim, retome a notícia

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Nível de vida dos portugueses em 2013 regrediu para níveis de 1990

Nível de vida dos portugueses em 2013 regrediu para níveis de 1990
Em 2013, o nível de vida das famílias portuguesas estava 25 por cento abaixo da média europeia.

Após uma tímida aproximação aos parceiros europeus, o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25 por cento abaixo da média europeia, revela o estudo "Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspetivas".
O documento, coordenado pelo economista Augusto Mateus e encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, vai ser apresentado hoje e atualiza um estudo anterior ("25 anos de Portugal Europeu") com os anos de 2011 a 2013, os primeiros anos da 'troika' em Portugal, cobrindo todos os ciclos de programação de fundos comunitários desde a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE) (1989-1993, 1994-1999, 2000-2006 e 2007-2013).
Segundo o relatório, o "Portugal Europeu passou de uma rota de convergência, concentrada nos anos seguintes à adesão à CEE e na segunda metade da década de 90 e mais intensa em termos de consumo das famílias, para um processo de visível divergência".
No panorama europeu atual, Portugal é incluído num segundo patamar de convergência, composto por países com um nível de vida 20 a 30 por cento abaixo do padrão europeu, incluindo a Eslovénia, República Checa, Eslováquia, Lituânia, Grécia e Estónia, destaca o estudo, indicando que, desde 1999, Portugal apenas se aproximou da média europeia em 2005 e 2009.
Entre 2010 e 2013, o PIB 'per capita' português caiu 7 por cento face ao padrão europeu e o nível de vida das famílias regrediu mais de 20 anos, refletindo a crise económica, a aceleração do processo de globalização, o alargamento da União Europeia a Leste e a aplicação do programa de resgate.
A vida desde 1820
https://fbexternal-a.akamaihd.net/safe_image.php?d=AQCQUoDN25YxY1kj&w=487&h=255&url=http%3A%2F%2Fstatic.publico.pt%2Ffiles%2Findicadoresocde%2Fimg%2Fthumb_fb.jpg&cfs=1&upscale=1

Há 100 anos os portugueses viviam menos 23 anos do que os noruegueses... agora, a diferença é de apenas dois anos. Historiadores juntaram-se à OCDE para um projecto que faz estimativas sobre níveis de bem-estar no mundo.

A vida desde 1820

Há 100 anos os portugueses viviam menos 23 anos do que os noruegueses...
...agora, a diferença é de apenas dois anos. Historiadores juntaram-se à OCDE para um projecto que faz estimativas sobre níveis de bem-estar no mundo.
De 1820 para cá.
·          
·          
·          
Nas primeiras décadas do século XIX a esperança de vida na Europa Ocidental rondava os 33 anos e quase chegou aos 80, em 2000. A população mundial ficou, em média, oito centímetros mais alta. E o planeta, que era habitado apenas por mil milhões de pessoas, viu esse número multiplicar-se por sete. A percentagem de pessoas alfabetizadas passou de 20% para 80%. Mas a riqueza, sendo muito maior, continua concentrada — o mundo, visto globalmente, não se tornou num sítio com menos desigualdade na distribuição de rendimentos. Aliás, na maior parte dos países as desigualdades têm vindo a crescer, desde os anos 80 do século XX. São conclusões de um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Como era a vida em 1820 e como é hoje? O estudo dá conta (em rigor, mede) o que se terá passado nos últimos quase 200 anos no que diz respeito ao bem-estar das populações. Chama-se “How was life? — Global Well-Being since 1820”.
·         Altura
·         Numeracia
·         Desigualdade de Rendimentos
·         Homicídios por mil habitantes
·         Dívida do governo central
·         Terra cultivada
·         Salários dos trabalhadores
·         Conflitos armados (domésticos)

Esperança de vida à nascença

Created with Highcharts 4.0.31820183018401850186018701880189019001910192019301940195019601970198019902000152025303540455055606570758085● Reino Unido 1990
Apresentado no início do mês, é descrito como o culminar de um trabalho com características inéditas de um grupo de especialistas em História da Economia, sobretudo holandeses e alemães. Editado por Jan Luiten van Zanden, Joerg Baten, Marco Mira d’Ercole, Auke Rijpma, Conal Smith e Marcel Timmer, concentra-se essencialmente em dez indicadores, calcula médias para oito regiões do mundo e para a economia mundial como um todo. E olha para quase dois séculos ao longo dos quais houve duas guerras mundiais, a Grande Depressão, ditaduras caíram, democracias consolidaram-se, países deixaram de existir, nasceram outros...
O “How was life” resulta da colaboração da OCDE com o projecto holandês Clio Infra — uma plataforma onde se pode obter informação sobre a evolução de dezenas de indicadores, para todos os países do mundo, ao longo dos últimos séculos. É aqui que é possível obter dados específicos para Portugal.
O país perdeu terreno na primeira metade do século XIX e na segunda metade do século XX “foi dos que mais cresceu, passando de ‘medianamente desenvolvido’ para ‘altamente desenvolvido’”, nas palavras de Nuno Valério, investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa.
Foi a Nuno Valério, ex-presidente da Associação Portuguesa de História Económica e Social, que pedimos que nos ajudasse a perceber que retrato se pode fazer do país, nesta imensidão de dados de que parte este projecto — e que vão dos salários pagos aos operários da construção civil, no Japão, à desigualdade de rendimentos na China. Já regressamos a Portugal...

Africanos mais baixos

Cabeças de gado por 1000 habitantes em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/gado.jpg
O salário real dos trabalhadores não qualificados, ajustado à inflação, cresceu, em média, oito vezes — 5,5 vezes em Portugal. Na verdade, o que os especialistas medem é quantos dias de subsistência básica assegura um dia de salário e diga-se: se na Europa Ocidental um dia de salário de um operário da construção civil chega, nos anos 2000, para cerca de 163 dias de subsistência básica, em Portugal paga pouco mais de 45.
O mundo rural mudou. A Argentina, com 30 cabeças de gado por cada mil habitantes era, em 1820, de longe, o país com mais gado por habitante do mundo. Em 2010, o topo do ranking pertencia ao Uruguai... com 3,5 cabeças por mil habitantes (o rácio português nem se aproxima, passou de 0,11 por cada 1000 habitantes para 0,13...)
A base de dados de que parte o estudo contém indicadores na área da saúde, educação, segurança, finanças, ambiente... Não foi sempre a crescer, longe disso. Literalmente. O relatório nota, por exemplo, como em certos estados africanos, caso da Somália ou de Moçambique, a população tem hoje, em média, uma estatura mais baixa do que no século XIX, ao arrepio da tendência registada no resto do mundo. A altura média da população é considerada no estudo um indicador da qualidade da nutrição, sobretudo na infância.


Altura em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/altura.jpg
Já agora, a título de curiosidade, registe-se que segundo o “How was life?”, em 1820 os mais baixos, entre 28 países para os quais são apresentados dados, eram os mexicanos, com uma altura média de 1,60 metros, e os mais altos os norte-americanos, com 1,72 metros.
Em Portugal, a estatura média era 1,66 metros, há quase 200 anos, tendo passado para 1,72, no início dos anos 1980. Não são apresentados dados posteriores a essa data.

 

 

 

O PIB não é tudo

O “How was life?” é um projecto que parte de um pressuposto que tem vindo a fazer escola: calcular o PIB e a sua evolução não diz tudo sobre se as populações vivem melhor ou pior e nem sempre há uma correlação estatística clara entre o aumento da riqueza e a melhoria daquilo que hoje consideramos elementos importantes para uma boa qualidade de vida.

Homicídios por mil habitantes em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/homicidios.jpg
Veja-se a segurança: “As taxas de homicídio nos Estados Unidos têm sido relativamente elevadas ao longo dos últimos 200 anos”, exemplifica o relatório. E, no entanto, os Estados Unidos estão entre os mais ricos.
O PIB per capita é, contudo, “o ponto de partida natural para qualquer investigação histórica do bem-estar”, reconhece-se. E assim sendo, mais números: a média mundial aumentou mais de dez vezes desde 1820 — Portugal manteve-se bem acima da média mundial, como já estava na altura, mas o que o gráfico que traça a evolução ao longo das décadas mostra é que se foi afastando da média da Europa Ocidental.
Este projecto vale-se de dados de agências nacionais e internacionais (como o FMI, ou o Banco Mundial), mas, sobretudo, de trabalho académico produzido em todo o mundo, estudos, papers, grandes projectos de investigação internacionais, em diferentes áreas, da saúde à antropologia. Os historiadores produziram aquilo que classificam como “reconstruções históricas, estimativas e conjecturas”. De resto, nem todos os dados têm a mesma “qualidade”, alerta-se. O que é realmente valorizado são as tendências, a imagem de conjunto. Quem trabalha na área costuma dizer que “um mau dado é melhor do que nenhum dado”.
Nuno Valério explica: “Este projecto é extremamente interessante. Porque nos ajuda a saber como é que outras sociedades e, particularmente, os antepassados destas sociedades [em que vivemos], eram, em relação a coisas que consideramos essenciais para viver bem nos dias de hoje. Mas também é uma coisa muito complicada.”
“Estas avaliações e estes dados têm de ser muito engenhosamente construídos, o que significa que são estimativas, espera-se que razoáveis, mas com grandes margens de erro”, prossegue o professor, co-autor de obras sobre a história da economia mundial contemporânea e a história económica de Portugal. “Quando temos de fazer uniformizações de padrões, de unidade de conta, em períodos tão longos, há sempre margens de incerteza. Mas é um método absolutamente aceite pela comunidade científica. É assim que trabalhamos.”
Feita a explicação não se estranhe, portanto, disparidades aqui e ali face aos números oficiais, mais recentes, do português Instituto Nacional de Estatística, por exemplo. Nem se estranhe que nem sempre haja dados para todos os anos e todos os países. No site do PÚBLICO poderá encontrar alguns gráficos interactivos.

Portugueses viviam pouco

Esperança de vida à nascença em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/esperanca-media-de-vida.jpg
No impressionante retrato feito à evolução da esperança média de vida à nascença, por exemplo, verifica-se que em 1920 os australianos eram de longe os que mais tempo podiam aspirar a viver (61 anos de esperança média de vida à nascença), seguidos dos noruegueses (59).
Já os portugueses viviam menos 23 anos do que os noruegueses e menos 25 que os australianos, de acordo com as estimativas apresentadas no Clio Infra. Ou seja, a esperança média de vida em Portugal, em 1920 (o primeiro ano para o qual há dados para Portugal) seria de apenas 35,6 anos.
Os portugueses nascidos em 2000 já podem contar viver 76,87 anos, apenas um pouco abaixo da média da Europa Ocidental, que é de 79,7. E menos dois anos do que os noruegueses. É o último ano para o qual são disponibilizados números.
Outro indicador central neste estudo é o que mede a desigualdade da distribuição de rendimentos pela população. Em 1820, Portugal era, de acordo com os dados apresentados, um país particularmente desigual no que diz respeito à forma como estava distribuída a riqueza pela sua população — em 19 países da OCDE com informação, ocupava a 8.ª posição num ranking onde era a Bélgica o mais desigual de todos.

 

 

Desigualdade de rendimentos em quociente de Gini em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/desiguladade.jpg
Em 1910, Portugal estava em 10.º lugar em 22. A Suécia era, nesta altura, o país mais desigual do pelotão.
A partir dos anos 1980 “a maioria dos países experimentam um aumento nos seus níveis de desigualdade”, mas com várias excepções. A Suécia, por exemplo, fez um percurso inverso e em 1990 estava entre os que tinham menos desigualdade. Portugal permanecia mal colocado (em 8.º lugar em 26 países).
Nuno Valério diz que não gosta de fazer comparações só com a Europa. “Vivemos no mundo. Há 200 anos os índios da América do Norte ou os aborígenes australianos ainda estavam completamente isolados, hoje em dia ninguém está isolado.” E se há projecto que permite situar o país no mundo é este “How was life?”.
Uma conclusão da análise passível de ser feita: “A maior parte da Europa está melhor do que nós, portugueses, mas quando olhamos para o mundo, a maior parte está pior do que nós.”

O país, em 200 anos

O percurso de Portugal, prossegue Valério, pode resumir-se então deste modo: “Na primeira metade do século XIX, Portugal ainda não era uma economia mundial, mas era uma economia euroatlântica que assentava na existência de uma colónia no Brasil que desaparece. Num certo sentido, os portugueses andaram meio século a ver se encontravam outra maneira de viver. E, por isso, esse é um período em que Portugal perde terreno, quer em relação à Europa, sobretudo em relação aos países mais desenvolvidos da Europa, quer em relação ao mundo, em média.”
Na segunda metade do século XIX o país continuou a perder terreno face a outros que estavam a crescer muito nessa altura, como a Alemanha, “mas, em média, em comparação com a Europa e, em média, em comparação com o mundo, aguentou-se bem”. O problema foi o processo de endividamento que acabou por se revelar insustentável e que conduziu à bancarrota parcial em 1892.
Em 1950, no segundo pós-guerra, “Portugal não está, em termos relativos, e sobretudo em relação à Europa, particularmente melhor do que estava 100 anos antes”, prossegue o investigador.
Mas depois, veio a segunda metade do século XX. “Com algumas transformações ocorridas na primeira metade do século XX, Portugal tinha criado, apesar de tudo, algumas condições para o desenvolvimento: em termos estruturais, a educação, o esforço que a I República fez para acabar com o analfabetismo; e depois, em termos conjunturais, a sorte que tivemos com a II Guerra — o país não participou e entrou imenso dinheiro”, desde logo o que resultou da venda do volfrâmio.
“Na segunda metade do século XX, Portugal é dos países que mais cresce se olharmos para o conjunto dos 50 anos”, diz Nuno Valério. “O PIB passa para o dobro da média mundial, a esperança de vida e sobretudo a mortalidade passa para valores espectaculares mesmo entre os países desenvolvidos, a instrução também aumenta, embora seja o pior de tudo (e continuamos a ser dos piores em termos de média de anos de escolaridade dos adultos). Se houve 50 anos que transformaram Portugal foram de facto a segunda metade do século XX.”

Dívida do governo central
em % do PIB em Portugal

http://static.publico.pt/files/indicadoresocde/img/divida-governo.jpg
No mesmo período outros se destacaram: o Japão faz um percurso brilhante nessas cinco décadas. A China também começou “a subir, a subir” mas só a partir dos anos 80.
À entrada na União Europeia, Portugal respondeu, contudo, na opinião de Nuno Valério, com excesso de optimismo. “Como se, efectivamente, a capacidade de endividamento que a baixa das taxas de juro criou não tivesse limites.” Os dados dos “How was life” mostram como ao longo de décadas, Portugal se foi aproximando do grupo dos governos centrais mais endividados em percentagem do PIB. Em 2010, tinha a 5.ª maior dívida da OCDE (estavam pior a Itália, a Islândia, a Bélgica e os EUA).
A cronologia do projecto da OCDE termina em 2010. O que se seguiu é o nosso quotidiano.

segunda-feira, 6 de julho de 2015


Discurso de Alexis Tsipras: "Compatriotas,

Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.
O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.
Era um mandato com vista um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.
Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.
Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança.
Após cinco meses de duras negociações, os nossos parceiros, infelizmente, lançaram, na reunião do Eurogrupo de anteontem, um ultimato à democracia grega e ao povo grego.
Um ultimato que é contrário aos princípios e valores fundamentais da Europa, os valores do nosso projecto comum europeu.
Pediram ao governo grego que aceitasse uma proposta que representa um novo fardo insustentável para povo grego e boicota a recuperação da economia e da sociedade grega, uma proposta que, não só perpetua a instabilidade, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.
A proposta das instituições inclui: medidas conducentes a uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções adicionais aos salários do sector público e um aumento do IVA sobre os alimentos, a restauração e o turismo, enquanto elimina alguns benefícios fiscais das ilhas gregas.
Estas propostas violam directamente os direitos sociais e fundamentais europeus: elas são reveladoras de que, no que diz respeito ao trabalho, à igualdade e à dignidade, o objectivo de alguns dos parceiros e instituições não é um acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação do povo grego.
Estas propostas manifestam, sobretudo, a insistência do FMI na austeridade severa e punitiva e tornam mais oportuna do que nunca a necessidade de que as principais potências europeias aproveitem a oportunidade e tomem as iniciativas que permitirão o fim definitivo da crise da dívida soberana grega, uma crise que afecta outros países europeus e ameaça o futuro da integração europeia.
Compatriotas,
Pesa, agora, sobre os nossos ombros uma responsabilidade histórica face às lutas e sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional. A nossa responsabilidade para com o futuro do nosso país.
E essa responsabilidade obriga-nos a responder a um ultimato com base na vontade soberana do povo grego.
Há pouco, na reunião do Conselho de Ministros, sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego decida de forma soberana.
A sugestão foi aceita por unanimidade.
Amanhã, será convocada uma reunião de urgência no Parlamento para ratificar a proposta do Conselho de Ministros de um referendo a realizar no próximo domingo, 5 de Julho, sobre a aceitação ou rejeição das propostas das instituições.
Já informei desta minha decisão o presidente francês e a chanceler alemã, o presidente do BCE, e amanhã farei seguir, por carta, um pedido formal, aos líderes e às instituições da UE, para que prolonguem por alguns dias o programa actual, para que o povo grego possa decidir, livre de qualquer pressão e chantagem, como é exigido pela Constituição do nosso país e pela tradição democrática da Europa.
Compatriotas,
À chantagem do ultimato que nos pede para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de recuperação social e económica, peço-vos para responderem de forma soberana e orgulhosa, como a história do povo grego exige.
Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, calmamente e de forma decisiva.
A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.
Estou pessoalmente empenhado em respeitar o resultado da vossa escolha democrática, qualquer que ele seja.
E estou absolutamente confiante de que a vossa escolha honrará a história do nosso país e enviará uma mensagem de dignidade ao mundo.
Nestes momentos críticos, todos temos de ter em mente que a Europa é a casa comum dos povos. Na Europa, não há proprietários nem convidados.
A Grécia é e continuará a ser uma parte integrante da Europa e a Europa é uma parte integrante da Grécia. Mas, sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem rumo.
Convido-vos a demonstrar unidade nacional e calma para que sejam tomadas as decisões certas.

Por nós, pelas gerações futuras, pela história do povo grego.
Pela soberania e a dignidade de nosso povo.

Atenas, 27 de Junho, 1h00.

Alexis Tsipras

A tradução deste discurso foi feita por Isabel Atalaia a partir da tradução não oficial para inglês de Stathis Kouvelakis. Em ambos os casos, as traduções foram feitas com grande urgência, por se entender prioritário difundir um discurso de importância fundamental. Por esse motivo, este texto será actualizado caso se verifique a necessidade de fazer qualquer 
alteração que salvaguarde a sua fidelidade ao original.  27/06/2015
3 milhões de pobres em Portugal, segundo a Cáritas ... mas os cofres estão cheios !
https://fbexternal-a.akamaihd.net/safe_image.php?d=AQC0EnHV_KNuSKKO&w=487&h=255&url=http%3A%2F%2Fcdn.negocios.xl.pt%2F2014-05%2Fimg_708x350%242014_05_06_10_01_22_222275.jpg&cfs=1&upscale=1

Macro de grande, skopein de observar: observar o infinitamente grande e complexo. Tentar perceber por que razão a ave vive fascinada pela serpente que a paralisa e,...
Grécia: um país e um povo em luta pela sua dignidade e pelo seu futuro
https://fbexternal-a.akamaihd.net/safe_image.php?d=AQAsFAHlHEm3UcjS&w=158&h=158&url=http%3A%2F%2Fc3.quickcachr.fotos.sapo.pt%2Fi%2FG6807dcee%2F10187005_cG6zv.jpeg&cfs=1&upscale=1&sx=3&sy=0&sw=150&sh=150



Grécia: um país e um povo em luta pela sua dignidade e pelo seu futuro«O Expresso on-line de 28.6.2015 noticiava (é apenas um ex.): “Se a meio da semana as instituições (a “troika”) exigiam uma taxa de 23% para...
O Expresso on-line de 28.6.2015 noticiava (é apenas um ex.): “Se a meio da semana as instituições (a “troika”) exigiam uma taxa de 23% para todos os bens e serviços (com exceção de uma de 6% para medicamentos, livros e teatro), a gora a troika aceita uma taxa intermédia de 13% em alimentos básicos, energia, água e hotéis, mantendo os 23% para a restauração”.
A pergunta que naturalmente se coloca para reflexão é a seguinte:
Como é que foi possível chegar a este grau de interferência na vida interna de um país sem que isso provoque um protesto generalizado nos países da U.E.? Como tudo isto se tornou “normal” e “natural”? Como foi possível que os eurocratas da Comissão Europeia, do BCE, do FMI, etc., se arroguem no direito de interferir desta maneira na vida dos países? Como é possível, face à posição de resistência do governo grego, que a diretora do FMI tenha o desplante da acusar o governo grego de “falta de maturidade”? Que Durão Barroso, ex-presidente da CE, diga que “tem falta de experiencia”’. E que perante tudo isto, Cavaco Silva apenas considere a Grécia como um simples número, pois se sair do euro, o número de países passa de 19 para 18; que Passos Coelho e a sua ministra das Finanças só tenha para dizer que “Portugal tem uma almofada financeira para enfrentar a turbulência da saída da Grécia da zona do euro”. E que os media em Portugal e, nomeadamente, a maioria dos seus “comentadores” se unam numa santa aliança para desacreditar o governo grego, e para convencer a opinião pública que tudo isso é “normal” e “natural”, acusando o governo grego de “não ter juízo” ou de ter ”várias caras”. Chegando mesmo a escrever que Tsipras tem tido uma conduta errática porque a mulher o ameaçou com divórcio (o Expresso têm-se destacado nessa campanha). E por último a entrada na campanha pelo “sim” do presidente do Eurogrupo, da Holanda e do próprio BCE pela voz de Vitor Constâncio.
Para estes senhores tudo vale mesmo a interferência na vida interna de um país. Para estes senhores a soberania de um país e a dignidade de um povo são valores que já não existem (estão em desuso). Para eles a resistência do povo e do governo grego aos ditames de Bruxelas, é uma afronta porque lhes faz lembrar a indignidade da sua posição. Parafraseando a duquesa de Bragança, Luísa Gusmão, apetece dizer: “Melhor ser livre um dia, que andar de cócaras e ser submisso toda a vida”.
Contrariamente ao que afirmam o governo e o próprio presidente da República, não é verdade que Portugal não seria afetado com uma eventual saída da Grécia da Zona do euro. Apenas um ex. para provar isso. Como a experiência já mostrou as taxas de juro da divida pública disparariam. A banca e os seguros que tem cerca de 70.000 milhões € de títulos de divida, a maioria pública (Ativos para venda), sofreriam um forte “rombo”, porque a divida pública sofreria uma forte desvalorização, tornando ainda mais difícil a situação destes setores.»

grecia_1
grecia_2
grecia_4

sábado, 4 de julho de 2015

Kant em Atenas
https://fbexternal-a.akamaihd.net/safe_image.php?d=AQAQzTatwnCwAZ9O&w=158&h=158&url=http%3A%2F%2Fwww.dn.pt%2Fcommon%2Fimages%2Fimg_opiniao%2Ffacebook%2Fviriato_soromenho_marques.jpg&cfs=1&upscale=1&sx=0&sy=0&sw=300&sh=300

Kant em Atenas - Opinião - DN   Primeiro, o FMI destruiu a base negocial de um frágil acordo com Atenas. Depois, o Eurogrupo deu um golpe político, talvez mortal, na integridade da Zona Euro. A alergia a um referendo sobre a austeridade, revela o verdadeiro rosto da atual eurocracia. As leis fundamentais da União Europeia e da Zona Euro (ZE) são hoje dois tratados intergovernamentais, entrados em vigor no dia 1 de Janeiro de 2013: o Tratado Orçamental, e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). A relação entre ambos faz da democracia uma paródia sinistra. Está escrito em letra de lei que no caso de um país rejeitar o Tratado Orçamental, este perderá direito a qualquer apoio do MEE. Os parlamentos de Lisboa, Dublin, Atenas e Nicósia votaram, celeremente, o Tratado Orçamental, que impõe uma austeridade perpétua, como alguém que assina uma confissão sob tortura. Quando o BCE interromper a liquidez de emergência (ELA) à banca grega, a crise transitará da política para a física. O controlo de Atenas sobre o seu sistema financeiro, e a introdução de uma nova moeda, não serão sinais de liberdade política, mas os inevitáveis recursos contra a total implosão do país. No próximo domingo, os gregos vão referendar não apenas as algemas que os prendem, mas também as regras em vigor no campo disciplinar em que a Europa se está a transformar. Se a Grécia acabar por ser expulsa da ZE, os que ficarem dentro do muro de uma "Europa alemã", com uma prosperidade cada vez mais aparente e efémera, talvez contemplem o espetáculo de desespero, sofrimento e grandeza de um povo que rejeitou a gamela para recuperar o direito à liberdade. Só Merkel poderá evitar que os gregos sigam o rigorismo de Kant até ao limite da crueldade: "Seja feita a justiça, mesmo que o mundo pereça" (fiat justitia, et pereat mundus).

sexta-feira, 3 de julho de 2015


Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA