domingo, 26 de julho de 2015

António Guerreiro http://imagens9.publico.pt/imagens.aspx/861519?tp=UH&db=IMAGENS&w=171&h=171&act=cropResize
24/07/2015 - 01:55 - Público
A lição grega
Recapitulemos as principais lições que até os mais distraídos tiveram obrigação de aprender com a crise grega: 1º) A relação credor–devedor está hoje no centro da vida económica, social e política. Ela veio substituir a relação capital–trabalho que pertence a uma fase anterior do capitalismo e introduziu uma nova técnica de poder e uma nova “governamentalidade”. Essa relação produz um novo sujeito universal que é o “homem endividado” tal como ele foi definido e analisado pelo sociólogo Maurizio Lazzarato. A principal actividade do homem endividado (tal como o seu análogo colectivo: o país endividado) é pagar. Nas antigas sociedades disciplinares, ele seria preso se não pagasse, mas as actuais sociedades não o querem encerrado porque isso seria remetê-lo para o exterior e é preciso que ele não saia do interior da esfera dos credores para continuar a pagar. 2º) A dívida é inesgotável, impagável e infinita. Foi com o capitalismo financeiro que a “divída finita e móvel” de antigamente se tornou “dívida infinita”, como a dívida do homem perante Deus. Esta dívida que não pode ser resgatada funciona segundo o modelo do pecado original: no reino dos homens, o devedor nunca acabará de pagar a sua dívida. Recordemos que, para a teologia cristã, existe uma única instituição legal que não conhece interrupção nem fim: o inferno. Mas há aqui umdouble bind: segundo a lógica do capital, um povo é tanto mais rico quanto mais se endivida. Se a dívida não fosse infinita e o devedor pudesse, num determinado momento, saldar as suas dívidas, deixava de haver capital, o capitalismo extinguia-se porque desaparecia a relação de forças entre devedores e credores e a dominação política e a assimetria que essa relação supõe. Lazzarato, mostrando que o capitalismo consiste em encadear dívidas umas nas outras, até elas se tornarem infinitas, estabelece uma analogia entre o funcionamento do crédito e a condição em que se vê Joseph K, a personagem de O Processo, de Kafka. 3º) Apesar de a dívida ser impagável e infinita, é necessário manter publicamente a aparência (uma crença que deve circular publicamente) de que ela é finita e pagável. A dívida da Grécia é tão infinita como a de muitos outros países. Mas o problema é que, por várias circunstâncias, ela entrou no campo de uma racionalidade que lhe retirou a máscara que protege muitas outras. Sem essa máscara, ela exibiu-se como monstruosa, isto é, algo que se mostra e, assim sendo, cresce sem controlo. O capitalismo financeiro não vive sem o motor da dívida, mas precisa que se mantenha a promessa de que ela será honrada. Honrá-la não é pagá-la, é manter a possibilidade da fuga em frente. A catástrofe dá-se quando essa fuga é interrompida. 4º) A moeda especificamente capitalista é a moeda de crédito, a moeda-dívida, e não a moeda-troca. O capitalismo financeiro não tem nada a ver com o doce comércio da moeda-troca. Aí estamos numa relação simétrica. A racionalidade do capital é a de uma relação assimétrica. Trata-se de uma “racionalidade irracional” cuja condição normal é o “estado terminal”. 5º) O discurso dos economistas pertence hoje, de direito, à mesma ordem do discurso dos padres e dos psicanalistas: esta é a conclusão a retirar do que foi dito no ponto anterior. 6º) O capitalismo sempre foi capitalismo de Estado. Deleuze e Guattari já o tinham dito em 1972, no Anti-Édipo, mas agora percebemos perfeitamente que o capitalismo nunca foi liberal. A crise grega mostrou-nos claramente até que ponto se deu a integração e a subordinação do Estado à lógica financeira: o Estado age por conta dos credores e das suas instituições supranacionais.

terça-feira, 21 de julho de 2015


Acordo imposto à Grécia em Bruxelas
O infoGrécia traduziu a entrevista de Jürgen Habermas ao Guardian sobre o acordo imposto à Grécia em Bruxelas. O filósofo alemão diz que ele constitui “um ato de punição de um governo de esquerda” e que as medidas exigidas são uma “mistura tóxica de reformas” que irão “matar qualquer ímpeto de crescimento” na Grécia.
https://fbexternal-a.akamaihd.net/safe_image.php?d=AQBWD5fGPvyWk2Ba&w=487&h=255&url=http%3A%2F%2Fwww.infogrecia.net%2Fwp-content%2Fuploads%2F2015%2F07%2F14298470142_c32c585d0a_z.jpg&cfs=1&upscale=1

O infoGrécia traduziu a entrevista de Jürgen Habermas ao Guardian sobre o acordo imposto à Grécia em Bruxelas. O filósofo alemão diz que ele constitui “um ato de...  infogrecia.net

O infoGrécia traduziu a entrevista de Jürgen Habermas ao Guardian sobre o acordo imposto à Grécia em Bruxelas. O filósofo alemão diz que ele constitui “um ato de punição de um governo de esquerda” e que as medidas exigidas são uma “mistura tóxica de reformas” que irão “matar qualquer ímpeto de crescimento” na Grécia.
Qual o seu veredito sobre o acordo alcançado segunda-feira?
O acordo sobre a dívida grega alcançado segunda-feira é prejudicial, tanto no seu resultado como na forma como foi alcançado. Em primeiro lugar, o resultado das conversações é insensato. Mesmo que se considerem os termos estranguladores do acordo como o curso normal, ninguém espera que estas reformas possam ser postas em prática por um governo que, ele próprio, admite que não acredita nos termos desse acordo.
Em segundo lugar, o resultado não faz sentido em termos económicos, devido à mistura tóxica de reformas estruturais do Estado e da economia necessárias com novas imposições neoliberais que vão desencorajar completamente uma população grega exaurida e matar qualquer ímpeto de crescimento.
Em terceiro lugar, o resultado significa a assunção de um Conselho Europeu politicamente falido: relegar um Estado-membro para o estatuto de protetorado contradiz abertamente os princípios democráticos da União Europeia. Finalmente, o resultado é vergonhoso porque força o governo grego a concordar com um fundo de privatização economicamente questionável e predominantemente simbólico, que só pode ser entendido como um ato de punição de um governo de esquerda. É difícil ver como se poderia ter causado mais danos.
E, no entanto, o governo alemão fez exatamente isto quando o ministro das finanças Schäuble ameaçou a Grécia com a expulsão do euro, assumindo-se, desavergonhadamente, como o chefe disciplinador da Europa. O governo alemão fez, desta forma, pela primeira vez, a reivindicação manifesta da hegemonia alemã na Europa – esta é, de qualquer forma, a maneira como as coisas são percebidas no resto da Europa, e esta perceção define a realidade que conta. Temo que o governo alemão, incluindo os seus aliados social-democratas [do SPD], tenha deitado fora numa noite todo o capital político que uma Alemanha melhor tinha acumulado em meio século – e por «melhor» quero dizer uma Alemanha caracterizada por uma maior sensibilidade política e uma mentalidade pós-nacional.
Quando o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou o referendo no mês passado, muitos políticos europeus acusaram-no de traição. A chanceler alemã Angela Merkel, por sua vez, foi acusada de chantagear a Grécia. De que lado crê haver mais culpa pela deterioração da situação?
Não tenho a certeza sobre as verdadeiras intenções de Alexis Tsipras, mas temos de reconhecer um facto simples: de modo a permitir que a Grécia se mantivesse de pé, a dívida que o FMI considera «altamente insustentável» precisa de ser reestruturada. Apesar disso, tanto Bruxelas como Berlim recusaram continuadamente ao primeiro-ministro grego a oportunidade de negociar a reestruturação da dívida grega desde o início. Para superar este muro de resistência entre os credores, o primeiro-ministro Tsipras tentou fortalecer a sua posição por meio de um referendo – e obteve mais apoio interno do que esperava. Essa legitimação renovada forçou o outro lado a procurar um compromisso ou a explorar a situação de emergência da Grécia e a agir, ainda mais do que antes, como disciplinador. Conhecemos o resultado.
A atual crise da Europa é um problema financeiro, um problema político ou um problema moral?
A crise atual pode ser explicada tanto por meio de causas económicas como por um fracasso político. A crise da dívida soberana que emergiu da crise bancária tem as suas raízes nas más condições da união monetária heterogeneamente composta. Sem uma política económica e financeira comum, as economias nacionais dos pseudo-soberanos Estados-membro continuarão a afastar-se em termos de produtividade. Nenhuma comunidade política aguenta esta tensão a longo prazo. Ao mesmo tempo, concentrado-se em evitar um conflito aberto, as instituições da União Europeia estão a impedir as iniciativas políticas necessárias para transformar a união monetária numa união política. Só os líderes dos governos europeus reunidos no Conselho da Europa estão em posição de agir, mas são precisamente eles que são incapazes de agir no interesse de uma comunidade europeia conjunta, porque pensam principalmente no seu eleitorado nacional. Estamos encurralados numa armadilha política.
Wolfgang Streeck alertou, no passado, que o ideal habermasiano de Europa é a raiz da crise atual e não o seu remédio: a Europa, avisou ele, não salvará a democracia, antes a abolirá. Uma parte da esquerda europeia sente que os desenvolvimentos atuais confirmam as críticas de Streeck ao projeto europeu. Qual a sua resposta para estas preocupações?
Tirando a sua previsão do fim do capitalismo, concordo, em larga medida, com a análise de Wolfgang Streeck. Ao longo da crise, o executivo europeu acumulou mais e mais autoridade. As decisões-chave são tomadas pelo Conselho, a Comissão e o Banco Central Europeu – por outras palavras, pelas instituições que têm não só pouca legitimidade para as tomarem como também falta de sustentação democrática. Streeck e eu partilhamos também a ideia de que este esvaziamento tecnocrata da democracia é o resultado de um padrão neoliberal de políticas de desregulamentação do mercado. O equilíbrio entre as políticas e os mercados deixou de estar em sintonia, às custas do Estado-providência. Onde nós divergimos é em termos das consequências a retirar desta situação. Eu não vejo como o retorno aos Estados-nação, que têm de ser encarados como grandes corporações num mercado global, pode contrariar a tendência de des-democratização e crescimento da desigualdade social – uma coisa que, a propósito, também vemos na Grã-Bretanha. Estas tendências só podem ser contrariadas se, no fim de contas, houver uma mudança de direção política, provocada pelas maiorias democráticas mais fortemente integradas no núcleo da Europa. A união monetária tem de ter capacidade de agir a um nível supranacional. Tendo em conta o processo político caótico desencadeado pela crise na Grécia, não podemos mais ignorar os limites do presente método de compromisso intergovernamental.

Jürgen Habermas é professor emérito de filosofia na universidade Johann Wolfgang Goethe de Frankfurt.

domingo, 19 de julho de 2015

A crise Grega demonstra que a alternativa ao sistema capitalista passa pela Revolução    Miguel Urbano Rodrigues - Publicado em Segunda, 13 Julho 2015 12:34
A evolução da crise grega manifesta traços do poder do imperialismo que talvez em nenhuma situação anterior se evidenciassem de forma tão flagrante.O Syriza, força social-democrata, nada põe em causa do capitalismo. Mas a enorme distância entre as suas promessas eleitorais e as imposições da troika obrigaram-no a tentar obter alguma margem de negociação. Acontece que, nos dias de hoje é suficiente que um político no poder ouse contestar mesmo timidamente a ditadura do capital para ser encarado como inimigo do sistema. O imperialismo não negoceia, exige capitulação total. A alternativa dos povos só existe com a perspectiva do socialismo.A evolução da crise grega encerra lições muito importantes para as forças progressistas que em dezenas de países lutam em contextos muito diferentes contra o imperialismo.A principal delas confirmou a impossibilidade daquilo que sectores da social-democracia chamam «a reforma humanizada do capitalismo».A vitória do Syriza nas eleições gregas semeou ilusões. Os discursos de Tsipras durante a campanha, recheados de promessas, contribuíram para que os partidos social-democratas, na Europa e na América Latina, definissem o Syriza como um partido de «esquerda radical», vocacionado para introduzir grandes transformações na sociedade helénica. O governo Syriza-Anel recebeu inclusive o apoio de alguns partidos comunistas europeus.Mas logo após iniciar negociações com as instituições europeias (nova designação para a troika) ficou transparente que Tsipras concordava com a maioria das exigências de Bruxelas.Durante uma visita de duas semanas à Grécia apercebi-me de que o seu governo se propunha a dar continuidade à política de submissão ao imperialismo desenvolvida pela coligação da Nova Democracia com o Pasok, introduzindo-lhe apenas mudanças cosméticaAs suas continuas cedências às propostas dos parceiros de Bruxelas não impediram que estes adiassem sucessivamente o acordo que permitiria ao governo de Atenas receber 7200 mil milhões de euros (a ultima tranche do segundo plano de «ajuda»), evitando o default iminente.Dias antes do final do prazo para pagamento ao FMI de 1500 mil milhões de euros, Tsipras, numa pirueta, anunciou a convocação de um referendo. O povo tinha que responder se concordava ou rejeitava as ultima propostas apresentadas pelo Eurogrupo. E num discurso dramático no Parlamento pediu aos eleitores que votassem NÃO!O eleitorado atendeu ao seu apelo. O NAO obteve 61% dos votos emitidos. O governo interpretou-o como uma aprovação do Memorando do Syriza.O referendo, repudiado pelo Partido Comunista, foi uma manobra teatral de Tsipras. É significativo que no dia seguinte ao referendo o Syriza, o Pasok e o Potami publicaram um comunicado conjunto, num consenso expressivo da política de classe do governoAo retomar as negociações em Bruxelas, o primeiro-ministro grego traiu a confiança dos eleitores, pediu um novo resgate de 53 000 milhões de euros e apresentou ao Eurogrupo propostas piores do que as ultimas que havia recusado.Recusaram a austeridade, mas dias depois propuseram uma austeridade reforçada.Ao contrário do que muitos esperavam, a assinatura do Acordo esbarrou com a oposição tenaz da Alemanha, da Holanda, da Finlândia e outros países. Não é já o conteúdo das propostas de Atenas que está em causa. O governo de Tsipras capitulou totalmente, confirmando as previsões do KKE (ver odiario.info de 30.06.15).O impasse pantanoso das negociações de Bruxelas resulta das contradições que separam os membros do Eurogrupo, nomeadamente a Alemanha e a França. O governo de Merkel pretende excluir a Grécia do Euro.
CHILE,VENEZUELA, GRÉCIA
A consciência de que o capitalismo não encontra soluções para a crise estrutural que o atinge contribuiu para um aumento da agressividade imperialista (Gascão, odiario.3.7.15)
Essa opção é transparente na estratégia dos EUA, dispostos a recorrer à violência contra os povos cujos governos não se submetem incondicionalmente ao seu projeto de dominação planetária.
O bloqueio a Cuba, as guerras de agressão contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia, a ajuda militar e politica às organizações terroristas sírias, o apoio às agressões do estado fascista de Israel e as ameaças ao Irão expressam com muita clareza essa política.
Nunca a solidariedade das grandes potências imperialistas em defesa da Ordem do Capital foi tão transparente.
A evolução da crise grega confere atualidade às lições do Chile. A resposta à opção socialista da Unidade Popular de Allende quando no poder participavam um partido socialista então marxista e o partido comunista foi um sanguinário golpe militar.
Transcorridos mais de 40 anos, desaparecida a URSS, o mundo, hegemonizado pelo capitalismo, é muito diferente.
Hoje é suficiente que um político no poder ouse contestar mesmo timidamente a ditadura do capital para ser encarado como inimigo do sistema.
Nas Honduras, Manuel Zelaya, o presidente constitucional, foi afastado por um golpe militar organizado na embaixada EUA. No Paraguai foi deposto um presidente que defendia tímidas reformas que desagradaram a Washington.
No Equador, Obama desejaria substituir Rafael Correa, um reformista neokeynesiano, por um oligarca neoliberal, submisso à Casa Branca. Os EUA aliás têm apoiado as tentativas golpistas contra o presidente Correa.
Na Venezuela, Bush e Obama montaram e financiaram, sem êxito, sucessivas conspirações para derrubar Hugo Chávez não obstante as estruturas do capitalismo permanecerem no país quase intactas. Falecido Chávez, uma campanha mediática massacrante satanizou o inofensivo «Socialismo do SeculoXXI» e o presidente Obama afirmou identificar no governo de Maduro uma intolerável «ameaça à segurança dos EUA».
E na Bolívia, os tímidos matizes socializantes do Governo de Evo Morales incomodaram tanto Washington que o embaixador norte-americano organizou uma conspiração falhada cujo desfecho foi a sua expulsão de La Paz.
A ALTERNATIVA É A REVOLUÇÃO.
Na confusão ideológica atual, estimulada por um sistema mediático manipulador, a submissão total da Grécia aos sacerdotes do capital veio confirmar insisto – a impossibilidade da transformação profunda de sociedades capitalistas no âmbito do sistema, isto é, pela via institucional.
Mas, porventura se dissiparam as ilusões semeadas pelo Syriza e os demagogos populistas Tsipras e Varoufakis?
Não. Na Europa, forças políticas progressistas e alguns partidos comunistas, nomeadamente os do Partido da Esquerda Europeia, não obstante fixarem o socialismo como objetivo final, atuam no sistema como se algum dia fosse possível chegarem ao governo pela via eleitoral.
Obviamente no atual contexto europeu a conquista do poder através de uma revolução é uma impossibilidade a curto prazo. Existem em alguns países da União Europeia condições objetivas para ruturas revolucionárias. Mas faltam condições subjetivas.
Nem por isso são realistas os programas, por vezes muito ambiciosos, concebidos para uma transição no quadro de uma revolução democrática e nacional.
Em condições muito mais favoráveis do que as hoje vigentes, a revolução democrática e nacional portuguesa, inspirada nos valores de Abril, foi brutalmente interrompida por um golpe militar promovido pela burguesia com o apoio do imperialismo.
Alias, hoje, desaparecida União Soviética, as grandes potências da União Europeia recorreriam à violência se necessário, contra qualquer país membro que ousasse por em causa a ordem capitalista, no âmbito de uma revolução democrática e nacional.
Que fazer então?
As revoluções não são pré-datadas.
Ocorreram quase sempre em situações inesperadas, contra a própria lógica da História. Isso aconteceu com a Francesa de l789,com as Russas de l917, com a Chinesa, com a Cubana.
O Partido Comunista Grego oferece-nos o exemplo de uma organização revolucionaria que embora consciente de que não vai em tempo previsível tomar o poder no seu país, aliado a outras forças progressistas, luta com firmeza e coragem pela destruição do sistema capitalista no seu país. Pode discordar- se pontualmente de facetas da sua estratégia e do seu discurso, mas a sua coerência e tenacidade no combate inspiram em todo o mundo respeito e admiração aos comunistas.
As revoluções – repito - não têm data no calendário.
É minha convicção inabalável de que o capitalismo não tem soluções para a sua crise estrutural. Entrou numa lenta agonia que pode durar muitos anos.
O polo hegemónico do sistema, os EUA, mantem com os seus aliados, uma enorme capacidade de desencadear guerras imperialistas. São manifestações de desespero. São guerras monstruosas que esbarram com uma resistência crescente dos povos vítimas desse terrorismo de estado.
A simultaneidade e a convergência dessas lutas e da luta de massas em muitos países podem ser decisivas para a desagregação do sistema, minado por contradições internas, podem provocar a sua derrota final. Nesse combate vejo como insubstituível a participação dos partidos comunistas revolucionários.
A alternativa será a construção do socialismo apos uma fase de transição dolorosa, prolongada, diferente em cada país.
Uma certeza: a via institucional para o socialismo é uma impossibilidade histórica.
Gerês, 12 de Julho de 2015                               Fonte: O Diário

sexta-feira, 17 de julho de 2015



De: Nikolas Theodorakis [mailto:theodorakisnikolas@gmail.com]
Enviada: quarta-feira, 15 de Julho de 2015 22:32
Para: undisclosed-recipients:
Assunto: Enormous Demonstration of PAME Against the New Memorandum of SYRIZA

Today's Demonstration of PAME in Athens was enormous
Massive demonstrations held also in other cities
You will have press release of PAME tomorrow

*the demonstration of PAME was attacked by provocateurs and riot police but did not break, of course the media will speak only of clashes and will not say about the tens of thousands of demonstrators

I hope the photos will help
We will have more tomorrow


--
Nikolas Theodorakis

quinta-feira, 16 de julho de 2015



Onde foi parar todo o dinheiro emprestado à Grécia?

http://www.okeanews.fr/wp-content/uploads/2015/01/wheredidmoneygo-french.jpg

Afinal, o que toda a gente questiona é: onde foram parar os mais de 225 mil milhões de euros recebidos pela Grécia desde maio 2010 até hoje, mais do PIB anual grego?

A ideia alimentada pelos média é que serviu para pagar os funcionários do Estado e manter esquemas de corrupção no seio do governo. Nada disto é verdade.

A Grécia, durante esse período conseguiu reduzir as despesas do Estado, ao ponto de ter um excedente primário positivo em 2013.

Mas vejamos então onde foi gasta essa soma fabulosa:
- Os gasto com a gestão do Estado grego representara, apenas, 11% desse valor (deficit primário + outras necessidades de tesouraria do governo)
- Pagamento das dívidas ao BCE: 32%
- Pagamento das taxas de juros ao BCE: 16%
- Reembolso ao FMI: 3%
- Pagamento do PSI (participações de iniciativa do sector privado): 14%. Esta parcela refere-se ao facto de após uma relativa estabilidade da Grécia, os principais bancos da zona euro terem transferido o problema para o sector privado. 
- Recapitalização do sector bancário: 19%
- Compra de dívida: 4%
Resumindo, o Estado grego só beneficiou de todo este dinheiro para relançar a sua economia em cerca de 11%, todo o resto foi para dívida, juros de dívida e recapitalização bancária.

Em contrapartida foi obrigada a cortes na saúde e educação, e outros sectores, e a vender grande parte das suas empresas públicas a preço de saldo.
Grécia: contribuição da GS num afundamento planeado.

O caso grego é paradigmático da actuação da GS ao ajudar este país a esconder a sua dívida para depois tirar benefícios do seu "investimento".
Entre 2001 e 2004, a Grécia vendia a sua dívida soberana no mercado emitindo obrigações em euros ou outra moeda aconselhada pela GS. Em 2009 perante uma dívida cada vez maior, aconselhada por Gary Cohn, o número dois da GS, a Grécia vai ser "ajudada" a sair da crise.

No fim de 2009, numa operação concertada, a agência de notação Fitch baixa o rating da Grécia. Pouco depois, no dia 27 de Janeiro de 2010, a Goldman Sachs faz correr o a informação falsa de que a China tinha recusado comprar 25 mil milhões de euros de emissão de dívida à Grécia. Apesar do desmentido grego oficial, foi o suficiente para aumentar a taxa de juro do dinheiro pedido. Goldman Sachs tinha um interesse particular nesta operação: ganhar mais-valias.

Pouco depois, a Grécia, pressionada pela União Europeia teve de substituir o seu responsável pela dívida pública Spyros Papanicolau por Petros Christodoulou. O que se esquecem de dizer é que, antes deste posto, Petros Christodoulou trabalhava para ... a Goldman Sachs.




Este excelente livro de Marc Roche (apenas em francês), revela um pouco deste banco ultrasecreto, um dos mais poderosos do mundo, infiltrado em todos os negócios fianceiros, de grande promiscuidade com a classe politica e interlocultor priviligiado das grandes organizações internacioanis e do FMI.







Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA