segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Odiario
As movimentações de China e Rússia após a reforma do FMI: acelerar a desdolarização
Alberto Cruz
:: Outros autores :: 11.Jan.16
A correlação de forças no plano da economia mundial continua a alterar-se em desfavor dos EUA e da UE. Os EUA tudo têm feito para que essa alteração não se reflicta em instituições internacionais que têm funcionando como instrumentos da sua dominação, nomeadamente o FMI. Mas outras potências económicas estão a caminho de não apenas prescindir do FMI, mas de prescindir do dólar como moeda de intercâmbio comercial e de crédito.
Odiario
O exército iraquiano confisca armas israelitas em Al-Anbar
resumenlatinoamericano
:: Outros autores :: 09.Jan.16
É já absolutamente indesmentível o apoio do imperialismo e dos seus instrumentos regionais no Médio-Oriente aos grupos terroristas que aí actuam. E nem a denúncia internacional da extrema barbárie dos crimes cometidos por esses bandos poderia reverter essa situação. A barbárie faz parte da própria essência do imperialismo.
Odiario
“Almagro está a trabalhar com os EUA contra a Venezuela, ninguém sabe o que estão a planear, mas tentam criar uma conflagração violenta”
A análise de James Petras em CX36, 2ª feira 4 de Janeiro de 2016
CX36
:: Outros autores :: 08.Jan.16
Uma interessante análise que passa pela situação na Venezuela, Argentina e Médio-Oriente, e também pela situação interna dos EUA, onde a Polícia Federal persegue os imigrantes indocumentados com a violência e o arbítrio de uma polícia secreta.
Odiario
Argentina balança entre a crise de governabilidade e a ditadura mafiosa
Jorge Beinstein
:: Outros autores :: 07.Jan.16
«Encontramo-nos nos primeiros passos de uma aventura de trajectória incerta. Não se trata de um produto do acaso mas do resultado de um prolongado processo de maturação (degeneração) das elites dominantes da Argentina convertidas em matilhas predadoras coincidentes com o fenómeno global de financeirização e decadência.»
Odiario
Petardos de fim de ano
Manlio Dinucci
:: Outros autores :: 06.Jan.16
Não é acidental a publicação agora de uma lista de alvos a atingir com bombas nucleares elaborada pelo Pentágono em 1956, que previa a destruição de cidades e outras localidades na URSS, China e Europa. Os protagonistas não são os mesmos. Mas a criminosa e demencial vontade do imperialismo norte-americano de dominar o mundo, ainda que à custa de um apocalipse nuclear, mantém-se.
Odiario
Líder da Al Nusra: “Não existe uma oposição armada moderada na Síria”
resumenlatinoamericano
:: Outros autores :: 05.Jan.16
É um dos grupos terroristas que actuam na Síria, Al Nusra, quem desmente a propaganda “ocidental” sobre a “oposição moderada armada” nesse país. Os dirigentes imperialistas - como Cameron - sabem que estão a mentir quando afirmam a existência de tal ficção. Mas mentem para justificar o apoio financeiro, logístico, militar e político que dão a grupos terroristas.
Odiario
A contra utopia de Huxley e o seu pessimismo
Miguel Urbano Rodrigues
:: Colaboradores :: 04.Jan.16
“Admirável mundo novo” será talvez a mais conhecida obra de Aldous Huxley. Nela descreve uma sociedade contra-utópica, esvaziada de verdadeira humanidade. A burguesia tentou interpretá-la como uma expressão de anticomunismo, opinião que Huxley nunca confirmou. O seu pessimismo é de outra ordem. E é o imperialismo, nas suas diferentes formas de dominação actuais e na sua agressividade global, aquilo que a ficção huxleyana pareceu antecipar.
Odiario
Documento
Mensagem de fim de ano das FARC-EP
Em 2016 abriremos a porta à Nova Colômbia
Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP
:: Outros autores :: 02.Jan.16

Odiario
O jornal Haaretz revela como o contribuinte estado-unidense financia os colonatos e o terrorismo israelense
jornal Haaretz
:: Outros autores :: 01.Jan.16
O imperialismo e o sionismo são unha com carne. A política da Casa Branca em relação aos colonatos israelitas em território palestino ocupado é de uma hipocrisia repugnante. Proclama que não apoia os estabelecimentos para além das “fronteiras de 1967”, e que “a administração Obama nunca defendeu nem apoiou nenhuma actividade relacionada com os colonatos. Não apoia nenhuma actividade destinada a legitimá-los”. Mas a realidade é que os EUA apoiam tacitamente, através das isenções fiscais, o crescimento dos colonatos judeus na Cisjordânia.
Odiario
Nos 90 anos de Carlos Paredes (1925-2015)*
Fausto Neves
:: Outros autores :: 31.Dez.15
Carlos Paredes abarca toda uma tradição guitarrística familiar e coimbrã, da qual se eleva e destaca no convívio lisboeta, no estudo organológico do seu instrumento, na sua cultura musical, na visão marxista do Mundo.
Odiario
Documento
Antigo Secretário da Defesa adverte que os EUA enveredam na direcção de um apocalipse nuclear
sputniknews
:: Outros autores :: 30.Dez.15
Odiario
Os EUA têm mais de 200 mil militares destacados em todo o mundo Uma informação que é útil refrescar com regularidade. Com a reserva de que se trata de uma notícia que tem como fonte dados do Departamento de Defesa dos EUA, dados que não serão decerto os mais fiáveis. Se o imperialismo norte-americano se encontra em estado de guerra não declarada com o mundo inteiro, porque haveria de prestar informações exactas sobre a localização e a dimensão dos seus efectivos?
Odiario
EUA são os maiores vendedores de armas*
Carlos Lopes Pereira
:: Colaboradores :: 28.Dez.15
Quando Eisenhower, no discurso de despedida da presidência dos EUA, utilizou a expressão “complexo militar-industrial” sabia bem do que estava a falar no seu país. O que provavelmente não sonharia é que, mais de cinquenta anos passados, o poder desse monstro estaria exponencialmente ampliado, acompanhando a escala global da agressão imperialista, permanente e em todo o lado.
Odiario
Eleições em Espanha: mais as vozes que as nozes
Marcos Roitman Rosenmann
:: Outros autores :: 27.Dez.15
Este artigo foi escrito logo a seguir às eleições espanholas de domingo passado. Não poderia constituir, assim, o balanço aprofundado desse processo eleitoral, e muito menos das incertas perspectivas abertas pelos seus resultados, que provavelmente tardarão bastante tempo ainda a clarificar. Mas identifica mistificações e manipulações que têm importante significado, como a promoção mediática de uma falso bipartidismo transformado em quadripartidismo, forma de gerar alternativas ilusórias e de assegurar a continuidade do sistema.
Odiario
Sykes-Picot no Século XXI*
Jorge Cadima
:: Outros autores :: 26.Dez.15
Há um século o imperialismo redesenhou as fronteiras do Médio-Oriente de acordo com os objectivos da sua dominação e as possibilidades então existentes. E hoje mantém a mesma intenção, destruindo Estados, sociedades, povos e culturas. Semeando o caos, com o mais implacável cinismo e a mais desavergonhada hipocrisia. A pretexto do combate ao terrorismo, ataca militarmente aqueles que no terreno efectivamente o combatem.
Odiario
Chomsky desnuda a “Guerra ao Terror”
C.J. Polychroniou, em Truthout
:: Outros autores :: 25.Dez.15
Como – mesmo após os atentados de Paris – Washington continua a alimentar grupos extremistas que simula combater. Qual o papel da Rússia. Por que importa a candidatura presidencial de Bernie Sanders
Odiario
Primárias do Partido Democrático: os “progressistas” como preservativos políticos
James Petras
:: Colaboradores :: 23.Dez.15
De cada vez que o movimento de massas e o eleitorado popular optaram pela acção social independente fora do Partido Democrático, sempre um político “dissidente” emergiu de dentro do partido papagueando muitas das críticas e exigências dos movimentos e do eleitorado crítico. De Jesse Jackson ao actual Bernie Sanders, passando pelo farsante-mor Barack Obama, estes “dissidentes” democratas organizam campanhas “de base” em locais populares, pedindo pequenas contribuições e fazendo promessas de acabarem com o domínio do “big money e big business” sobre o processo eleitoral. Passadas as eleições, traem os que neles depositaram esperança, desviados da sua acção anterior e entregues à desmobilização e ao desalento.
Odiario
Carta a Donald Trump
Michael Moore
:: Outros autores :: 21.Dez.15
«Tenho aqui uma estatística que lhe porá os cabelos em pé: 85 por cento do eleitorado que votará para presidente no próximo ano são mulheres, pessoas de cor ou jovens entre 18 e 35 anos. Por outras palavras, não são você. E também não são as pessoas que querem que o senhor governe o seu país.»
Odiario
A VALE da morte: Uma tragédia que poderá ficar impune!
João Pedro Stedile
:: Outros autores :: 20.Dez.15
Em 5 de Novembro de 2015 a ruptura de duas barragens no município de Mariana, no Brasil, provocou o maior desastre ambiental da história daquele país. Mais de cem mortos e desaparecidos. Terras, a água do Rio Doce em todo o seu trajecto até ao oceano, a orla costeira contaminadas pelo lixo tóxico que a empresa VALE depositara nessas barragens. Uma tragédia cuja dimensão, implicações e responsabilidades o governo federal, o parlamento e os media procuram ocultar.
Odiario
DOCUMENTO
Cuba: Obama continua a pôr condições para levantar o Bloqueio
Os Editores
:: Editores :: 19.Dez.15
Publicamos esta entrevista como DOCUMENTO. Para quem possa manter ilusões acerca do que pretendem os EUA com a normalização das suas relações com Cuba, Obama é inteiramente esclarecedor. O mais hipócrita e certamente um dos mais criminosos presidentes dos EUA pretende com a “normalização” atingir os objectivos que o bloqueio não conseguiu alcançar: destruir a revolução cubana, subordinar Cuba ao imperialismo, amarrar de novo o povo cubano à dependência e à exploração.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Expect in 2016?

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Russia-US-China
2015 was marked by a series of crucial diplomatic and military developments in the world. The old world order established after the Cold War is rapidly changing. Russia, China, and Iran have become the main forces openly making steps to change the global system.
In turn, the US-led block is seeking to retain the old world order by any means. The clash of interests in crisis regions around the world is engendering a serious escalation. Even if 2015 was successful for Russian and Iranian diplomacy, the situation remains complicated on the ground. While neither of the main world crises have been resolved or is there any expectation that they will be resolved in the nearest future, it is possible to summarize provisional results of the year.
Draft Transcript of  Video
The situation in Libya, a center of tensions in the Mediterranean, is deteriorating with fail of the UN-led peace initiatives. Local ISIS branch is deeply entrenched in the war-torn country. It’s expected that flow of foreign militants into Libya from the Syrian and Iraqi directions will grow if Syria and Iraq continue successfully their anti-terrorist operations fueled by the Russian Air Forces’ presence in the Middle East region.
Separately, ISIS increased activity in the Sinai Peninsula destabilizing the domestic situation in Egypt which tries to exercise multi-vector foreign policy in the region which not satisfy its Western-backed neighbors. The local destructive forces are also attempting to destabilize Egypt, de facto, assisting the militants. In turn, Cairo is strengthening its security efforts.
In the Sahel region the humanitarian situation remains extremely fragile while the number of terrorist attacks is increasing. Boko Haram militants stated allegiance to ISIS remain the most dangerous terrorist threat there.
The European migration crisis is especial acute. Since 2013, a cruel competition has been going among migrants, European governments and local societies. Immigrants concentrated in the entry point states move to the countries of the Central Europe (Germany, France) and the North Europe (United Kingdom, Sweden, Norway), spread over the whole union. The European governments impacted by critical look of the public opinion and the economic crisis have been trying to stop this process using the more and more gray approaches based on the wide notion of nation security concepts and the disregarding of human rights. However, the para-military operations in the Mediterranean sea and the usage of unadapted camps only conducts an additional exacerbation of migrants often pushed from their homes by the circumstances of insuperable force. In turn, inability of governments to solve the ongoing crisis conducts the anger of European citizens and contributes to the growth of radical parties and movements.
Thus, the migration crisis has also triggered additional disputes between the national elites and European bureaucracy. European nations are faced with a dilemma: to surrender under the pressure of the main European powers and the eurocracy or try to defend what remains of their unique national sovereignty. The projects as the National Front Party, Marine Le Pen, aspires to renew its own national goals are strongly opposed by the mainstream European establishment.
Meanwhile, NATO is continuing military build-up in Europe stationing additional forces, exercising numerous drills and even attempting to move nuclear warheads to the Russian borders. In early December 2015, Poland’s government issued a number of statements concerning the country’s participation in the NATO Nuclear Sharing program, which allows NATO member countries to deliver US nuclear warheads in wartime, using their own means of delivery.
The smoldering conflict in Donbass, a corrupt government and unregulated paramilitary groups consisting of criminals and radicals make Ukraine a zone of instability in Europe. The situation is worsening due to the unavoidable economic collapse and the Kiev’s government inability to negotiate.
The whole Middle East is affected by the major crisis. Syria, Iraq, Yemen and the Israeli-Palestinian conflict are its core, but the destabilization has been spreading. Turkey is affected by terrorism, Kurdish insurgency and economical instability. Israel is involved into the conflict against Palestinian. Saudi Arabia is involved into a protracted war in Yemen and affected by Yemeni cross-border raids. – FPD Middle East Big Game
Separately, the Russian military operation in Syria marked a loss of the US’s monopoly on the recourse to force. Now, the US and its partners are lossing the leadership in the Middle East region. The success of the alternative anti-ISIS coalition will mean that the US could lose the leadership in a great part of the world, in Eurasia. For Western-backed states as Turkey and Saudi Arabia it means decrease of their influence in the region.
Turkey has been shaping its approach in the region. It includes an additional rapprochement with Saudi Arabia and Qatar which leads to a hard anti-Iranian policy amid the ongoing cooling in relations with Russia.
Meanwhile, the US has sent ground forces, including special operations units, into the region. And such countries as France, the UK and Germany has begun to operate more actively in the region. It seems that NATO powers have realized the strategy aimed at Assad’s ouster by a diverse range of militant groups including ISIS has failed.
In this case, the NATO allies urgently need a new plan to hold control at least of the northern oil corridor from Iraq and try to take advantage of this opportunity to involve Russia in a long expensive war, in other words, to accomplish that which they failed to do in Ukraine. If the NATO contingent tries to occupy crucial infrastructure including oilfields, it could easily lead to an open military conflict in the region.
The borders between the Central Asian states and Afghanistan have become increasingly active in terms of militant, diplomatic and security activity. Militant activity has increased in northern Afghanistan in recent months, punctuated by Taliban forces’ capture of the town of Kunduz in late September and ISIS militants have been gathering momentum and concentrating there. ISIS militants see this region as a foothold for further expansion into Central Asia. The important fact is they don’t fight foreign or Afghan government troops. They conserve and gather strength. The threat is also growing in the South. The number of ISIS militants has been growing at the borders of Tajikistan and Turkmenistan amid serious domestic problems of the Central Asian states.
In this case, the Central Asia is attracting attention of the key regional players: Russia, the US and China. While the all sides state that they are interested in the regional stability, the Washington administration is clearly seeking to expand in the Central Asian countries amid the failing Afghan projects.
The tensions in the South China Sea is a visible part of the ongoing US-China standoff in the Asia-Pacific region. The Obama’s “pivot to Asia” and the US newly released maritime strategy de facto mean that the Washington has taken a course on a long-standing countering of the China’s influence in the region. A core but often unstated component of U.S. national strategy is to maintain global superiority at sea. By controlling the seas, the United States is able to deploy military power and to control the movement goods worldwide. In the Indo-Asia-Pacific region the US has been rapidly building political, economic and military alliances to balance the raise of the China’s economic and military power. Beijing can’t ignore this fact. The China’s strategy maritime strategy aimed to defend its eastern coastal area and crucial maritime routes in the Indian Ocean challenges the American approach.
Another hot point in the region is the Korean Peninsula. 2015 was marked by a new standoff between the North and South along the Demilitarized Zone conducting a complicated environment. The situation is further challenged by an aggressive South Korean stance supported by the US. According to Korean military sources the US has been considering to dispatch B-52 or a B-2 Spirit stealth bomber and a nuclear-powered submarine currently stationed at Japan’s Yokosuka naval base. The US has previously dispatched its military assets to the peninsula to support Seoul in its stand-off with Pyongyang two years ago. In April 2013 it had flown B-2 stealth bombers. The tensions in the Korean Peninsula will be definitely used in the ongoing US-China dispute for the leadership in the Asia-Pacific.
Generally, 2015 was a year of crisis escalation and a fresh source of tension in international relations. The main directions of aggravation of the international situation have come into full force. However, last year was only the beginning when the system of international relations started to rebuild. Unfortunately, international practice revealed that global actors were not able to cooperate fruitfully to overcome mounting differences. The establishment took on the usual clannish spirit and protected the corporate interests of the crony elites, while the election race in the United States and the deepening economic recession fueled the flame. The entire year was steeped in the smell of gunpowder, but had not yet enveloped the world in the smoke of a global war.
In 2016, we should expect continued tension in international relations. The number of local conflicts will not be reduced. There are high chances that there will be a significant escalation of the conflict in the eastern Ukraine. In the spring of 2016 the situation in Central Asia is expected to be destabilized, and Afghanistan could once again turn into a full-scale civil war. The zone of conflict in the Arabian Peninsula will expand. Turkey is at high risk of civil war. In turn, the intensity of the fighting in Syria and Iraq will decline or remain at current levels.
2016 will be marked by the growing probability of  a wider global conflict. The turbulent climate in the South China Sea, the deployment of nuclear weapons in Europe, the colonial style of US foreign policy and its double standards are capable of bringing the world to the brink of nuclear catastrophe in the near future.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Edgar Silva

Ouvi e não gostei. A pergunta do jornalista era provocatória, descabida num debate sobre a Constituição da República e os poderes do presidente da República relativamente ao Parlamento e à União Europeia; uma pergunta que não fora feita a nenhum outro candidato, que foi repetida também para Marisa Matias mas que era dirigida exclusivamente ao candidato apoiado pelo PCP. Uma pergunta provocatória que tem sido dirigida a outras figuras públicas do PCP. Uma pergunta que lembra a pergunta que nos faziam antes do 25 de Abril "Que pensa sobre a União Soviética", lembro-me bem e que evitávamos  porque era uma provocação pidesca.
E a essa pergunta Edgar Silva atrapalhou-se, não se defendeu do penalti traiçoeiro e sofreu um golo desastroso. "O que pensa da Coreia do Norte? É uma democracia ou uma ditadura?".
O regime da Coreia do Norte fez ou fingiu que fez uma teste real com uma bomba de hidrogénio. O mundo todo condenou e bem.
Pode-se e deve-se repudiar o cerco sufocante que o imperialismo exerce há décadas sobre a Coreia do Norte. Pode-se e deve-se recordar a quem não sabe a sangrenta guerra da Coreia,a ameaça de MacArthur lançar uma bomba atómica. Pode-se contextualizar.
Porém, só há uma resposta: o regime que lá vigora viola absolutamente a democracia socialista. Viola as liberdades democráticas. Nada tem que ver com a nossa Constituição que Edgar Silva defende com firmeza e convicção.
Edgar Silva seguramente não se revê em tal regime unipessoal e dinástico.
Mas não o disse.
Foi lamentável.
Não é assim que se educa um povo.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Syria is the Middle East’s Stalingrad

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Day and night, for years, an overwhelming force has been battering this quiet nation, one of the cradles of human civilization.
Hundreds of thousands have died, and millions have been forced to flee abroad or have been internally displaced. In many cities and villages, not one house is left intact.
But Syria is, against all odds, still standing.
During the last 3 years I worked in almost all of Syria’s perimeters, exposing the birth of ISIS in the NATO-run camps built in Turkey and Jordan. I worked in the occupied Golan Heights, and in Iraq. I also worked in Lebanon, a country now forced to host over 2 million (mostly Syrian) refugees.
The only reason why the West began its horrible destabilization campaign, was because it “could not tolerate” Syria’s disobedience and the socialist nature of its state. In short, the way the Syrian establishment was putting the welfare of its people above the interests of multi-national corporations.
*
More than two years ago, my former Indonesian film editor demanded an answer in a somewhat angry tone:
“So many people are dying in Syria! Is it really worth it? Wouldn’t it be easier and better for Syrians to just give up and let the US have what it is demanding?”
Chronically petrified, this young woman was always searching for easy solutions that would keep her safe, and safe with significant personal advantages. As so many others in this time and age, in order to survive and advance, she developed a complex system resting on betrayals, self-defenses and deceptions.
How to reply to such a question?
It was a legitimate one, after all.
Eduardo Galeano told me: “People know when it’s time to fight. We have no right to tell them … but when they decide, it is our obligation to support them, even to lead them if they approach us.”
In this case, the Syrian people decided. No government, no political force could move an entire nation to such tremendous heroism and sacrifice. Russians did it during World War Two, and the Syrians are doing it now.
Two years ago I replied like this: “I have witnessed the total collapse of the Middle East. There was nothing standing there anymore. Countries that opted for their own paths were literally leveled to the ground. Countries that succumbed to the dictates of the West lost their soul, culture and essence and were turned into some of the most miserable places on earth. And the Syrians knew it: were they to surrender, they would be converted into another Iraq, Yemen or Libya, even Afghanistan.”
And so Syria rose. It decided to fight, for itself and for its part of the world.
Again and again, it retained itself through the elections of its government. It leaned on its army. Whatever the West says, whatever the treasonous NGOs write, the simple logic just proves it all.
This modest nation does not have its own powerful media to share the extent of its courage and agony with the world. It is always the others who are commenting on its struggle, often in a totally malicious way.
But it is undeniable that whilst the Soviet forces stopped the advance of the German Nazis at Stalingrad, the Syrians have managed to stop the fascist forces of Western allies in its part of the world.
Of course Russia got directly involved. Of course China stood by, although often in the shadow. And Iran provided support. And Lebanon-based Hezbollah put up, what I often describe as, an epic fight on behalf of Damascus against the extremist monsters invented and armed by the West, Turkey and Saudi Arabia.
But the main credit has to go to the Syrian people.
Yes, now there is nothing left of the Middle East. Now there are more tears than raindrops descending on this ancient land.
But Syria is standing. Burned, wounded, but standing.
And as is being widely reported, after the Russian armed forces came to the rescue of the Syrian nation, more than 1 million Syrian people were able to return home … often to encounter only ashes and devastation, but home.
Like people returned to Stalingrad, some 70 years ago.
*
So what would my answer be to that question now: “whether it would be easier the other way”, to surrender to the Empire?
I guess something like this:
“Life has meaning, it is worth living, only if some basic conditions can be fulfilled. One does not betray great love, be it love for another person or love for one’s country, humanity or ideals. If one does, it would be better not to be born at all. Then I say: the survival of humankind is the most sacred goal. Not some short-time personal gain or ‘safety’, but the survival of all of us, of people, as well as the safety of all of us, humans.”
When life itself is threatened, people tend to rise and fight, instinctively. During such moments, some of the most monumental chapters in human history are written.
Unfortunately, during these moments, millions tend to die.
But the devastation is not because of those who are defending our human race.
It is because of the imperialist monsters and their servants.
Most of us are dreaming about a world without wars, without violence. We want true kindness to prevail on earth. Many of us are working relentlessly for such a society.
But until it is constructed, until all extreme selfishness, greed and brutality are defeated, we have to fight for something much more “modest” – for the survival of people and of humanism.
The price is often horrible. But the alternative is one enormous gaping void. It is simply nothing – the end, full stop!
In Stalingrad, millions died so we could live. Nothing was left of the city, except some melted steel, scattered bricks and an ocean of corpses. Nazism was stopped. Western expansionism began its retreat, that time towards Berlin.
Now Syria, quietly but stoically and heroically, stands against Western, Qatari, Saudi, Israeli and Turkish plans to finish the Middle East.
And the Syrian people have won. For how long, I don’t know. But it has proven that an Arab country can still defeat the mightiest murderous hordes.
Andre Vltchek is philosopher, novelist, filmmaker and investigative journalist, he’s a creator of Vltchek’s World an a dedicated Twitter user, especially for the online magazine “New Eastern Outlook”.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Michael Löwy: A crítica romântica de Charles Dickens ao capitalismo

charles dickens lowy finalPor Michael Löwy e Robert Sayre.*
Embora fosse completamente alheio às ideias socialistas, Charles Dickens era um dos autores favoritos de Marx. Seu romance Tempos difíceis, publicado em 1854, contém uma expressão excepcionalmente articulada da crítica romântica à sociedade industrial. Não faz uma homenagem tão explícita às formas pré-capitalistas, geralmente medievais, quanto a maioria dos românticos ingleses – como Burke, Coleridge, Cobbett, Walter Scott, Carlyle (a quem Tempos difíceis é dedicado), Ruskin e William Morris –, mas a referência aos valores morais do passado é um componente essencial da atmosfera criada por ele. Por um paradoxo que é apenas aparente, o refúgio desses valores aparece na forma de um circo, uma comunidade um tanto arcaica, mas autenticamente humana – na qual as pessoas ainda têm um “bom coração” e uma “atitude muito natural” – que se situa fora, e em franca oposição, à sociedade burguesa “normal”.
Em Tempos difíceis, o espírito frio e quantificador da era industrial é magnificamente personificado por um ideólogo utilitarista e membro do Parlamento, Mister Thomas Gradgrind (senhor “Triturador-sob-medida” é a tradução aproximada do nome…). Trata-se de um homem que tem “uma régua e uma balança, e a tabuada sempre no bolso” e está sempre “pronto para pesar e medir qualquer parcela da natureza humana, e dizer o resultado exato”. Para Gradgrind, tudo no universo é “mera questão de números, um caso de simples aritmética”, e ele administra com mão de ferro a educação das crianças, segundo o princípio salutar de que “aquilo que não se podia expressar em números, ou demonstrar que era comprável no mercado mais barato e vendável no mais caro, não existia, e não deveria existir”. A filosofia de Gradgrind – a amarga e dura doutrina da economia política, do utilitarismo estrito e do laisser-faire clássico – era que:
tudo devesse ser pago. Não se podia, em hipótese alguma, dar nada a ninguém, ou oferecer ajuda gratuita. A gratidão deveria ser abolida, e as virtudes que dela brotavam deveriam deixar de existir. Cada minuto da existência humana, do nascimento até a morte, deveria ser uma barganha diante de um guichê.1
A esse retrato poderoso e evocador – quase um tipo ideal weberiano – do éthos capitalista, cujo triste triunfo se concretizará quando “o romance for expulso” da alma humana, Dickens contrapõe sua fé na vitalidade das “sensibilidades, afeições e fraquezas” da alma humana, “desafiando todos os cálculos do homem, e tão desconhecida da sua aritmética como é o seu Criador”. Ele acredita, e toda a trama de Tempos difíceis é um arrazoado apaixonado em favor dessa crença, que existem no coração dos indivíduos “essências sutis da humanidade que escaparão até da maior habilidade algébrica, até o dia em que o som da última trombeta fizer em pedaços até mesmo a álgebra”. Recusando-se a ceder à máquina-de-triturar-sob-medida, ele abraça valores irredutíveis aos números2.
Here Was Louisa, On The Night Of The Same  Day, Watching The Fire As In Days Of Yore.
“Louisa estava observando o fogo como nos velhos tempos.” Esta ilustração de Harry French incluída na edição brasileira de Tempos difíceis capta como o distanciamento sentido pela filha de Thomas Gradgrind em relação aos valores frios e calculistas transmitidos pelo pai se traduz em uma condição de solidão e alienação que remete melancolicamente ao passado.
Mas Tempos difíceis não tratam apenas da trituração da alma: o romance ilustra também como a modernidade expulsou da vida material dos indivíduos qualidades como beleza, cor e imaginação, reduzindo-a a uma rotina fastidiosa, cansativa e uniforme. A cidade industrial moderna, “Coketown”, é descrita por Dickens como “uma cidade de máquinas e chaminés altas, pelas quais se arrastavam perenes e intermináveis serpentes de fumaça que nunca se desenrolavam de todo”. Suas ruas eram semelhantes umas às outras, “onde moravam pessoas também semelhantes umas às outras, que saíam e entravam nos mesmos horários, produzindo os mesmos sons nas mesmas calçadas, para fazer o mesmo trabalho, e para quem cada dia era o mesmo de ontem e de amanhã, e cada ano o equivalente do próximo e do anterior”3. O espaço e o tempo parecem ter perdido toda diversidade qualitativa e toda variedade cultural, tornando-se uma estrutura única, contínua, moldada pela atividade ininterrupta das máquinas.
Para a civilização industrial, as qualidades da natureza não existem: ela só leva em conta as quantidades de matéria-prima que pode extrair dela. Coketown é, em consequência, uma “feia cidadela, onde a Natureza era mantida firmemente do lado de fora pelas mesmas paredes de tijolos que mantinham os ares e os gases letais do lado de dentro”; suas altas chaminés, lançando “suas baforadas venenosas”, escondiam o céu e o sol, e este estava “eternamente em eclipse, através de uma barreira de vidro enfumaçado”. Os que ansiavam “tomar ar fresco” ou queriam ver uma paisagem verdejante, árvores, pássaros, um pouco de céu azul, tinham de percorrer alguns quilômetros pela ferrovia e caminhar pelos campos. Mas ainda assim não estavam em paz: poços abandonados, depois que todo o ferro ou todo o carvão haviam sido extraídos da terra, escondiam-se no mato, como armadilhas mortais.4
Dickens era um moderado favorável às reformas sociais, mas a crítica romântica da quantificação também pode assumir formas conservadoras e reacionárias: por exemplo, na defesa de Adam Müller e outras figuras do romantismo político da propriedade feudal tradicional, que supostamente representaria uma forma qualitativa de vida, contra a monetarização e a alienação mercantil da terra. Ou então no ódio antissemita contra o judeu identificado com o dinheiro, a usura e as finanças, e visto como considerado um fator de corrupção e subversão do Antigo Regime. O panfleto de Edmund Burke contra a Revolução Francesa é um exemplo clássico da utilização contrarrevolucionária do argumento romântico a respeito da quantificação moderna: denunciando a humilhação que os revolucionários de 1789 impuseram à rainha da França, ele exclama: “A idade do cavalheirismo passou – sucedeu-lhe a dos sofistas, dos economistas e dos calculadores; e a glória da Europa está extinta para sempre”5.
* Este artigo é um trecho do livro Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade, de Michael Löwy e Robert Sayre, que integra a coleção “Marxismo e literatura” coordenada por Michael Löwy na Boitempo.


NOTAS
1. Charles Dickens, Tempos difíceis (trad. José Baltazar Pereira Júnior, São Paulo, Boitempo, 2014), p. 15, 38 e 322-3. Mais tarde, eleito para o Parlamento, Thomas Gradgrind torna-se “um dos respeitados membros dos pesos e medidas, um dos representantes da tabuada, um dos honoráveis cavalheiros surdos, um dos honoráveis cavalheiros mudos, um dos honoráveis cavalheiros cegos, um dos honoráveis cavalheiros mancos, um dos honoráveis cavalheiros mortos, a qualquer outra consideração” (ibidem, p. 111).
2. Ibidem, p. 187, 244 e 119, respectivamente.
3. Ibidem, p. 37.
4. Ibidem, p. 81, 188 e 299. O herói do romance, o operário Stephen Blackpool, cai em um desses poços – o “velho Poço do Inferno” e morre.
5. Edmund Burke, Reflexões sobre a Revolução em França (trad. Renato de Assumpção Farias, Denis Fontes de Souza Pinto e Carmen Lídia Richter Ribeiro Moura, Brasília, UnB, 1997), p. 100.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Por Nicolau Santos
Diretor-Adjunto do jornal EXPRESSO
 
28 de Dezembro de 2015
 
Os Emídios Catuns que nos pregaram um calote de 6,3 mil milhões e andam à solta
 
Desculpem, mas não há peru, rabanadas e lampreias de ovos que me façam passar o engulho da fatura que neste final do ano veio parar outra vez aos bolsos dos contribuintes por mais um banco que entrega a alma ao criador, no caso o Banif, no caso mais 3 mil milhões. É de mais, é inaceitável, é uma ignomínia para todos os que estão desempregados ou caíram no limiar da pobreza por causa desta crise e mais uma violência brutal para os que continuam a pagar impostos (e que são apenas cerca de 50% de todos os contribuintes).

Todos nos lembramos do cortejo dos cinco maiores banqueiros portugueses (Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Faria de Oliveira e Carlos Santos Ferreira) a irem ao Ministério das Finanças e depois à TVI exigir ao então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para pedir ajuda internacional. Todos nos lembramos como o santo e a senha da altura era o da insustentável dívida pública portuguesa por erros de gestão do Governo de José Sócrates. Todos nos lembramos das sucessivas reafirmações de que a banca estava sólida por parte do Banco de Portugal e do governador Carlos Costa. Todos nos lembramos dos testes de stress aos bancos conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia – e como os bancos nacionais passaram sempre esses testes. E depois disso BPI, BCP, CGD e Banif tiveram de recorrer à linha de crédito de 12 mil milhões acordada com a troika. E depois disso o BES implodiu – e agora o Banif também. E depois disso só o BPI pagou até agora tudo o que lhe foi emprestado. E antes disso já o BPN e o BPP tinham implodido. E a Caixa vai ter de fazer um aumento de capital. E o Montepio é uma preocupação. É de mais! Chega! Basta!

No caso do Banif, é claro que o governador Carlos Costa tem enormes responsabilidades na forma como o problema acabou por ter de ser resolvido. No caso do BES foi ele também que seguiu a estratégia da resolução, da criação do Novo Banco e do falhanço total dessa estratégia – a venda rápida que não aconteceu, a venda sem despedimentos que também não vai acontecer, os 17 interessados que afinal eram só três, as propostas que não serviam, e o banco que era para ser vendido inteiro e agora vai ser vendido após uma severa cura de emagrecimento. É claro também que a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tem responsabilidades diretas no caso, por inação ou omissão. E é claro que o ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, geriu politicamente o dossiê.

Mas não confundamos os políticos e o polícia com os bandidos,
com os que levaram a banca portuguesa ao tapete. E para isso nada melhor do que ler o excelente texto que o Pedro Santos Guerreiro e a Isabel Vicente escreveram na revista do Expresso da semana passada com um título no limite mas que é um grito de alma: «O diabo que nos impariu» - ou como os bancos nacionais destruíram 40 mil milhões desde 2008. Aí se prova que houve seguramente muitos problemas, mas que a origem de tudo está no verdadeiro conúbio lunar que se viveu entre a banca e algumas empresas e alguns empresários do setor da construção. Perguntam os meus colegas: «Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas que entretanto faliram. Curiosamente, Catum estava também na lista dos maiores devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram». E como atuava Catum? «O padrão é o mesmo: empresas pedem crédito, não o pagam, vão à falência, têm administradores judiciais, não pagam nem têm mais ativos para pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o Estado». Simples, não é, caro leitor?

A pergunta que se segue é: e o tal de Catum está preso? Não, claro que não. E assim, de Catum em Catum, ficámos nós que pagamos impostos com uma enorme dívida para pagar que um dia destes vai levar o Governo a aumentar de novo os impostos ou a cortar salários ou a baixar prestações sociais. Mas se fosse só o Catum… Infelizmente, não. Até as empresas de Luís Filipe Vieira deixaram uma dívida de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e tinham ainda por pagar 600 milhões de crédito do BES. O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Duarte Lima, deixou perdas tanto no Novo Banco como no BPN. Arlindo Carvalho, ex-ministro cavaquista, também está acusado por ilícitos relacionados com crédito concedido pelo BPN para compra de terrenos. E um dos homens fortes do cavaquismo, Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas. Mas seis anos depois, o Ministério Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado.

Dos 50 maiores devedores do BES, que acumulavam um crédito total de dez mil milhões de euros, «o peso de construtores e promotores imobiliários é avassalador». No BPN, «mais de 500 clientes com dívidas iguais ou superiores a meio milhão de euros deixaram de pagar». E a fatura a vir parar sempre aos bolsos dos mesmos. Por isso, o artigo de Pedro Santos Guerreiro e Isabel Vicente é imperdível. Para ao menos sabermos que o que aconteceu não foi por acaso. Que muita gente não pagou o que devia ou meteu dinheiro ao bolso – e esperou calmamente que o Estado viesse socializar os prejuízos enquanto eles privatizaram os lucros.

Bento ESPINOSA



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Baruch de Espinosa
ברוך שפינוזה
Nascimento       24 de novembro de 1632
Amsterdã, Países Baixos
Morte   21 de fevereiro de 1677 (44 anos)
Haia, Países Baixos
Nacionalidade   neerlandesa
Ocupação           artesão, filósofo
Magnum opus Ética, "Tratado Teológico-Político"
Escola/tradição                Espinozismo (fundador), racionalismo, eudemonismo, cartesianismo
Principais interesses      Ética, metafísica, teoria do conhecimento, teologia, Lógica
Ideias notáveis                 conatus, interpretação histórica da Bíblia

Baruch de Espinoza[1] (24 de novembro de 1632, Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Chamado pelos pais de Bento, chamou-se "Baruch" enquanto que judeu nascido e vivendo em Amesterdã. Finalmente, utilizou Benedictus para assinar a sua Ethica depois do chérem em seu nome.[2] Também é conhecido como Benedito Espinoza.
Vida

A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Falava o português no seio da família. É muito provável que, por isso, pensasse em português! Foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como Maimónides, Ben Gherson, Ibn Ezra, Hasdai Crescas, Ibn Gabirol, Moisés de Córdoba e outros. Também se dedicou ao estudo de Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito, Epicuro, Lucrécio e também de Giordano Bruno. Ganhou fama pelas suas posições opostas à superstição (a sua frase Deus sive natura, "Deus, ou seja, a Natureza" é um conceito filosófico, e não religioso), e ainda devido ao fato de a sua Ética ter sido escrita sob a forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.
Chérem
O banimento, que foi escrito em português!

Em 27 de julho de 1656, a Sinagoga Portuguesa de Amsterdão puniu Espinosa com o chérem, o equivalente hebraico da excomunhão católica, pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza, e a Bíblia, uma obra metafórico-alegórica que não pede leitura racional e que não exprime a verdade sobre Deus.[2] Estas excomunhões foram banidas sob o governo republicano.
O banimento (texto original em português)
Cquote1.svg      Os Senhores do Mahamad [Conselho da Sinagoga] fazem saber a Vosmecês: como há dias que tendo notícia das más opiniões e obras de Baruch de Spinoza procuraram, por diferentes caminhos e promessas, retirá-lo de seus maus caminhos, e não podendo remediá-lo, antes pelo contrário, tendo cada dia maiores notícias das horrendas heresias que cometia e ensinava, e das monstruosas ações que praticava, tendo disto muitas testemunhas fidedignas que deporão e testemunharão tudo em presença do dito Spinoza, coisas de que ele ficou convencido, o qual tudo examinado em presença dos senhores Hahamim [conselheiros], deliberaram com seu parecer que o dito Spinoza seja heremizado [excluído] e afastado da nação de Israel como de fato o heremizaram com o Herem [anátema] seguinte:

"Com a sentença dos Anjos e dos Santos, com o consentimento do Deus Bendito e com o consentimento de toda esta Congregação, diante destes santos Livros, nós heremizamos, expulsamos, amaldiçoamos e esconjuramos Baruch de Spinoza [...] Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja em seu deitar, maldito seja em seu levantar, maldito seja em seu sair, e maldito seja em seu entrar [...] E que Adonai [Soberano Senhor] apague o seu nome de sob os céus, e que Adonai o afaste, para sua desgraça, de todas as tribos de Israel, com todas as maldições do firmamento escritas no Livro desta Lei. E vós, os dedicados a Adonai, que Deus vos conserve todos vivos. Advertindo que ninguém lhe pode falar pela boca nem por escrito nem conceder-lhe nenhum favor, nem debaixo do mesmo teto estar com ele, nem a uma distância de menos de quatro côvados, nem ler Papel algum feito ou escrito por ele."
A Filosofia de Espinosa
O problema fundamental: liberdade versus servidão: liberdade versus finalismo
Não determinismo / liberdade
Liberdade é a consciência da necessidade, força ativa que vence os constrangimentos.
A descoberta de uma outra subjetividade culmina na Democracia.
O homem servo das forças externas, os poderes que controlam a liberdade individual, a moral dominante que produz fatalismo, tristeza.
“Deus sive (ou seja) Natura”
Passagens da ÉTICA
O estilo geométrico como racionalidade pura sem contaminação da Ideologia (Preconceitos), da imaginação, dos afetos.
A Holanda – o seu “livre governo”, essa “Liberdade” exprimiria a essência do novo Estado. O espinosismo seria a correspondente consciência filosófica.
O espinosismo remete para três ordens de razões: o estatuto da liberdade; a relatividade dos sistemas de valores; as condições de possibilidade da ciência, o modelo matemático.
Dois textos principais: o apêndice à Parte I da ÉTICA ; o prefácio do Tratado teológico-político; acrescente-se o capítulo I do Tratado Político.
O método: funda a sua universalidade na homogeneidade do Ser ou Natureza, força infinitamente produtiva.
O que faz ressaltar o carácter ilusório de uma liberdade definida em termos de escolha incondicionada.
A Necessidade ( determinismo?) universal permitirá compreender o mecanismo das ilusões, os limites do poder humano, definido como duplo poder de agir e de sofrer.
O livre arbítrio é uma ilusão que resulta da ignorância das causas, dos constrangimentos, da ideia de que devo dominar as paixões e posso, tal como julgo dominar a natureza e as coisas.
A teoria política torna-se uma “ciência aplicada”que, equacionando poder e formas de governo, deduz a política democrática como a que detém o máximo de poder, ou seja, o grau máximo da perfeição do Ser.
Descartes reservava um estatuto privilegiado à união substancial da alma e do corpo, incompreensível à nossa razão, mas atestada por um sentimento insuspeito fundado na finalidade divina.
Espinosa recusa os sentimentos como explicação.
Ler no sentimento mais do que o mecanismo inerente aos sobressaltos da imaginação será deixar-se arrastar pelo preconceito antropomórfico.
O finalismo é o preconceito fundamental.
O princípio da finalidade é induzido a partir da indevida extrapolação da consciência de si à Natureza em geral. Este “olhar” é “delirante”.
“as causas finais não são mais do que ficções dos homens.”
Apoia-se na experiência (com reservas) e nas matemáticas (geometria de Euclides: definições, axiomas, teoremas, corolários) cujo modelo se ocupa “unicamente das essências e não dos fins”.
É essa a outra norma da verdade (galilaica). Traça uma tangente com Descartes. É a época do atomismo epicurista renascido e renovado.
Descartes não levou às últimas consequências o seu postulado, racionalismo que desprezava, e bem, as ideias confusas e obscuras. Porém, ele próprio as reintroduziu…
Excluindo uma finalidade heterogénea das leis universais da Natureza, a situação do homem muda de significado – ruptura e revolução -; todo o tipo de antropomorfismo desaparece.
Despojado de qualquer privilégio, o homem deixa de ser “um império num império”.
As noções de mal e de pecado tornam-se então ilusórias, o apelo à vontade de Deus “esse asilo da ignorância” permanece vão.
Para ser racional, a reflexão sobre a essência humana deverá ter em atenção o comportamento humano na sua totalidade, pelo mesmo motivo que o conjunto dos outros fenómenos naturais, como um processo que necessariamente se rege pelo “determinismo” universal.
Imaginação versus Razão
Quanto mais as condições de vida determinam o ser humano à passividade mais este ficará cativo da subjetividade e menos apto a agir e a conhecer.
“quanto mais coisas conhece o espírito melhor compreende as suas forças e a ordem da natureza.”
Subjetividade-subjetivismo é aqui sinónimo de ignorância das causas.
A distorção subjetiva consiste em inverter a ordem do verdadeiro encadeamento causal, em substituir a causa pelo efeito, ou vice-versa, e em apresentar desse modo uma perceção invertida da realidade.
É essa inversão que se exprime no pensamento finalista e que constitui a própria estrutura do preconceito.
O esquema finalista anima todo o pensamento comum:
“Todos os (preconceitos) que aqui assinalo dependem, na realidade, de um só, que é o de os homens suporem comummente que todas as coisas da natureza agem como eles em vista de um fim, chegando até a ter por certo que o próprio Deus tudo dirige para um determinado fim.”
Os reflexos condicionados, o “inconsciente”, as paixões naturais passarão a ter um peso predominante porque o ser humano terá necessariamente paixões que não são mais do que a expressão dos constrangimentos do todo sobre a parte.
Porque todo o ser humano é determinado pela sua constituição física a tender para o que lhe é útil, com o fim de persistir no seu ser (preservar o seu ser), Ele é desejo, e consciente disso na medida em que a mente é ideia do corpo.
A ordem de encadeamento das ideias é inteiramente determinada por condições externas.
É justamente na medida em que o pensamento é inteiramente determinado do exterior que lhe escapa toda a sua determinação e condicionamento, e projeta sobre o mundo um esquema ilusório.
O pensamento imaginativo projeta na Natureza o esquema do seu comportamento aparente e, ignorando as causas, imagina-se correlativamente pensamento livre (de livre arbítrio) de constrangimentos.
“Os homens pensam que são livres pela única razão de que são conscientes dos seus atos e ignorantes das causas que os determinam.”
O livre arbítrio é, portanto, um sonho, as noções de liberdade e de finalidade interligam-se: a finalidade da Natureza infere-se a partir da suposta liberdade do sujeito, projetando o sujeito essa liberdade num Ser que governa a Natureza à sua imagem. Rei e soberano absoluto. Destituído de Necessidade. Age à semelhança dos caprichos dos reis e dos homens.
Qual o fundamento?
A atividade humana serve-se da realidade como meio, por isso atribui à natureza um papel instrumental – não a pode conceber imediatamente de outro modo que não seja um meio para um fim.
“Com efeito, os homens, depois de terem considerado as coisas como meios, não puderam acreditar que as coisas se tenham feito a si próprias.”
A representação utilitária oriunda da prática é, pois, espontaneamente finalista.
O homem surge dotado de meios na proporção exata em que ele próprio é um meio ao serviço de um fim supremo e insondável.
Os valores
Todos os valores são relativos e não substanciais. O Bem não é nada em si mesmo, mas algo que traduz uma relação e se diz relativamente ( coisas com coisas, corpos com corpos, encontros com encontros).
“Não sendo o bem e o mal nada mais que relações …nunca se diz de uma coisa que é boa senão quando a relacionamos com outra, que não é tão boa, ou que nos não é tão útil.”
“nós não nos esforçamos, não queremos, não ambicionamos nem desejamos coisa alguma porque a julgamos boa; mas, ao invés, julgamos que uma coisa é boa porque nos esforçamos por a alcançar, porque a queremos, ambicionamos e desejamos.” ÉTICA, III, prop. 9, escólio)
O que é então o bem?
É a própria utilidade, o instrumento da conservação do ser, seu crescimento.
O que é a virtude? É somente a potência.
O sistema espinosista é um sistema de forças. Correlação de forças e de poderes (potências).
A precaridade da existência humana inclina o espírito a duas paixões contrárias e complementares: o medo e a esperança. O seu denominador comum é a inconstância (incerteza) face a um futuro que apenas se presume ou se imagina ou se quer ou se teme.
A alma é varrida por fluxos e refluxos ao impulso de paixões externas. Nisso consiste a nossa servidão.
Apelar para esses impulsos, consolidá-los, é antes de mais escravizar o ser humano, devolvê-lo a um universo passional, desarmá-lo. É esse o fim que perseguem instituições e doutrinas que manipulam as multidões, excitando-as na sua paixão.
Eis o motivo por que a religião, que se dirige ao coração despertando nele esperança de imortalidade pessoal e temor de castigo eterno, carece de moralidade autêntica. Ela não liberta o homem, não o torna ativo, antes o condiciona.
Assim procede o Estado quando governa pelo temor que inspira, ou se sobrepõe pelo terror, contrariando a verdadeira utilidade do contrato social, que é o libertar o homem do temor, proporcionando-lhe o máximo de segurança.
“Não é para manter o homem no receio e o fazer propriedade de um outro que se institui o Estado; pelo contrário, é para libertar o indivíduo, para que ele viva tanto quanto possível em segurança, ou seja, para que preserve, tanto quanto possa e sem prejuízo de terceiros, o seu direito natural de existir e de agir.” (Tractatus Theologico- Politicus, capítulo XX)
Monismo
O NÚCLEO DE CONCEITOS ESPINOSISTAS é o sistema da vontade.
Quer se trate de Deus, quer dos homens. E da finalidade.
Espinosa rompe com toda a filosofia passada e presente. Muda de campo (teórico). Para segui-lo precisamos de mudar o olhar. Olhar primeiramente para a Natureza, suas leis, sua ordem, sua necessidade, sua indiferença pelos valores humanos. Abandonar o antropocentrismo e o antropomorfismo.
Em Descartes a iluminação criadora do ato voluntário só toma todo o seu sentido ao destacar-se sobre o fundo de necessidade mecânica a que está submetido o mundo exterior. Este é que é o princípio do mecanicismo (moderno).
E do fato de se julgarem livres nasceram as noções seguintes: o louvor, e a censura, o erro e o mérito.
A virtude, então, será concebida como repressão e como tal condição preliminar da felicidade futura (salvação). Expetativa, apelo, ascese: toda a configuração de uma filosofia da morte.
O homem verdadeiramente livre não medita sobre a morte, a sua filosofia não é uma meditação sobre a morte, mas sobre a vida.
Liberto das paixões negativas  (sofrimento passivo), torna-se ativo, e vive a alegria. Esta é uma paixão mais forte que vence a mais fraca. Potência de acção. Para vencer um poder é necessário um poder mais forte. Para vencer um hábito negativo (para si próprio e para os outros) é preciso um hábito mais forte que o vença. Relação de forças na Natureza e na sociedade.
Deus é um ser absolutamente infinito, quer dizer, uma substância consistente numa infinidade de atributos, dos quais cada um exprime uma essência eterna e infinita (I, def. 6)
Desses atributos só conhecemos dois: a extensão e o pensamento. Unidos, porém, porque a Substância é só uma e una. Paralelismo mente-corpo.
Fora da Natureza não há nada, nem pode haver pela definição de Substância (aquilo que é em si mesmo e não necessita de mais nada para subsistir).
Deus é a Natureza naturante e Natureza naturada, ou seja, atributos e deles os modos que resultam. Deus, ou Natureza, é, portanto, atividade pura e eterna e infinita, e exprime-se de múltiplos, diversos e infinitos modos.






Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

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Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

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Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

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Grécia

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Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

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NOSTALGIA

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CLAUSTROFOBIA

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