quarta-feira, 30 de março de 2016

SEMANA CONTRA O RACISMO

 

O homem na jaula
- Uma estória contra a discriminação racial

António Santos*
30.Mar.16 :: Outros autores
«Os EUA eram então o epicentro mundial das teorias eugénicas sobre a «superioridade branca» que mais tarde inspirariam Hitler e a Expo de 1904 arrogava, orgulhosa, o «Império Americano» exibindo em jaulas dezenas de homens e mulheres de diferentes povos.»

No Verão de 1906, o número de visitantes do Jardim Zoológico do Bronx triplicou. Segundo os registos oficiais do Zoo nova-iorquino, durante o mês de Setembro, eram mais de 40 mil os curiosos que, diariamente, pagavam bilhete para ver a jaula com os próprios olhos. Numa placa junto às grades, podia ler-se: «O Pigmeu Africano Ota Benga. Idade, 23 anos. Altura, 1,25m. Trazido do rio Kasai, Estado Livre do Congo, pelo Dr. Samuel P. Verner».
Quando a história de Ota Benga começa, a escravatura já tinha sido abolida nos EUA há 40 anos, mas o grande capital tinha herdeiros promissores. Foi William John McGee, presidente da prestigiada Associação Antropológica Americana, que solicitou à comunidade científica «a captura de africanos pigmeus» para exibição na Exposição Mundial de St. Louis de 1904. Os EUA eram então o epicentro mundial das teorias eugénicas sobre a «superioridade branca» que mais tarde inspirariam Hitler e a Expo de 1904 arrogava, orgulhosa, o «Império Americano» exibindo em jaulas dezenas de homens e mulheres de diferentes povos. Ota Benga era um deles.
Segundo o relato do autoproclamado «explorador e etnólogo» Paul Verner, o jovem Ota Benga fora «salvo de uma tribo de canibais e ficou muito feliz por se poder juntar a nós». Mais tarde, Verner admitiria que o jovem fora comprado como escravo, por cinco dólares, ao governo belga. O Rei Leopoldo II, genocida responsável por mais de 10 milhões de mortos e amigo pessoal de Verner, confessou-se «tão entusiasmado com a caçada» que quis participar pessoalmente. Mas não foi necessário caçar: o governo belga conduziu Verner ao mercado de escravos de Bassongo e, entre centenas de prisioneiros mutilados, uns sem mãos, outros sem orelhas, o «etnólogo» escolheu e comprou nove jovens da tribo mbuti, o mais novo com apenas 12 anos. Ota Benga é, dos nove, o único cujo destino nos é conhecido.
A manchete do St. Louis Pot-Dispatch de 26 de Junho era «Africanos Pigmeus na Expo» e, no interior, podia ler-se «Pigmeus requerem dieta de macaco». Preso dentro de uma jaula, Ota Benga era o centro das atenções do «mundo civilizado»: os homens picavam-no com bengalas para forçá-lo a mexer-se, as crianças gritavam-lhe e atiram-lhe pedras, as senhoras riam. Mais tarde, no Jardim Zoológico do Bronx, onde a tortura continuou, vários visitantes descrevem como Ota Benga, fechado numa cela com um orangotango, se tornara apático e indiferente às provocações das multidões.
Foi então que James Gordon, um religioso afro-americano, declarou guerra ao espectáculo degradante. «A nossa raça já está deprimida o suficiente sem que nos exibam junto de símios. Somos dignos de sermos considerados seres humanos», escreveu o reverendo numa carta ao New York Times. O editor do jornal respondeu que «os pigmeus são muito inferiores na escala humana» acrescentando que «a sugestão de que Benga devia estar numa escola em vez de numa jaula ignora a alta probabilidade de que uma escola seria para ele um lugar de tortura. A ideia de que todos os homens são iguais em tudo excepto nas oportunidades é uma ideia extremamente anacrónica».
Mas à pressão exercida pelos afro-americanos somou-se a resistência de Ota Benga, que tinha aprendido inglês sozinho e usava a nova língua para denunciar a sua situação aos visitantes do jardim zoológico. A gota de água chegou, em 1906, quando Benga, usando uma faca roubada, se defendeu de um grupo de agressores. Finalmente, no dia 28 de Setembro de 1906, Ota Benga foi libertado e acolhido num orfanato para negros, onde teve acesso à educação básica. Depois, trabalhou numa fábrica de tabaco em Lynchburg, na Virgínia. Segundo os que o conheceram pessoalmente, era um homem bom que gostava de andar descalço e tinha nas crianças os melhores companheiros e amigos. Ensinava os rapazes a caçar e contava-lhes histórias sobre a vida no Congo. As crianças costumavam observá-lo a acender uma fogueira para cantar na sua língua e dançar conforme a sua cultura. Estava, contava aos vizinhos, a planear a viagem de regresso para África.
A I Guerra Mundial veio paralisar as viagens transatlânticas e travar os planos de Ota Benga. Dizem os relatos coevos que, lentamente, tornou-se taciturno e deixou de brincar com as crianças. Então, na noite de 20 de Março de 1916, há precisamente 100 anos, as crianças de Lynchburg viram-no acender uma fogueira cerimonial. Terá dançado e cantado toda a noite. Mas dessa vez, antes da manhã romper, suicidou-se com um tiro no coração.
Na semana em que se assinala o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, devemos lembrar-nos, que os captores de Ota Benga eram «civilizados», «democráticos», «desenvolvidos» e «cosmopolitas». E também que, «anacronicamente», poucos meses depois da morte de Benga, na Rússia czarista, uma das regiões mais atrasadas do mundo, começava a construção mais avançada da humanidade. E o princípio do fim do racismo.
Este texto foi publicado no Avante nº 2.208 de 24 de Março de 2016.

in O DIÁRIO info, com a devida vénia

31 de março, Mobilização Internacional pela democracia Brasileira


Há mais de 200 anos da independência, os povos Latinoamericanos, divididos por ditaduras militares e económicas, se reuniram para reviver um velho, e sempre novo, sonho de integração e soberania. Pessoas estranhas começaram a ocupar posições nas instituições públicas. Pessoas estranhas de um continente desconhecido, esquecido e desterrado da sua própria identidade. Trabalhadores, mulheres, camponeses, indígenas, negros, começaram a integrar os espaços mais importantes das decisões coletivas. Avanços sociais sem precedentes aconteceram na ultima década, e a integração regional avançou mais rápido do que a própria articulação da União Europeia. Mas, sem embargo, muitos erros tem sido feito e uma década não foi suficiente para transformar contradições históricas de dependência e desigualdade.
A democracia é o maior património social, e é o único caminho para estruturar garantias sólidas de justiçai, emancipação e igualdade.
O golpe contra a democracia brasileira, é o golpe contra a integração da América Latina, contra o nosso direito de sonhar, contra nosso direito de integrar, de construir juntos a possibilidade do impossível.
31 de março, Mobilização Internacional pela democracia Brasileira
Golpe Nunca Mais.
Vem para a Democracia.
Conexões em Luta.

A saída pela esquerda é a formação de um bloco anticapitalista

– Ver abaixo "Orientações políticas"

por PCB [*]
O PCB defende as liberdades democráticas, entendidas como espaços conquistados pela luta dos trabalhadores, contra a ofensiva da ordem burguesa que visa retirar direitos econômicos e sociais da classe trabalhadora e restringir as liberdades de organização e expressão, impondo um clima fascistizante de intolerância no debate político.

O PCB, coerente com sua tradição de 94 anos de luta, é contra este processo que visa o impedimento da Presidente, por compreender a natureza dos interesses de classe que o move. Desde o início, declaramos que, em qualquer hipótese, o resultado desse processo será contra os trabalhadores: ou a Presidente fica, cedendo mais ainda às exigências do capital, ou este impõe um novo governo, sem mediação, para aplicar mais rápida e profundamente as medidas contra os trabalhadores, para salvar o capital de mais uma de suas crises.

As diferentes frações da burguesia, que antes se dividiam entre o apoio ao governo do PT ou a sua derrubada, agora confluem para interromper o mandato presidencial.

Estamos diante de um processo marcado por casuísmos, contradições e oportunismos de todo tipo, orquestrado pela combinação de ofensivas jurídicas, legislativas e midiáticas que mal escondem os claros vínculos com as camadas mais poderosas e conservadoras que querem manter e aprofundar seus privilégios.

Os governos petistas e sua política de conciliação de classes facilitaram o caminho daqueles que agora querem derrubá-lo: mantiveram e criaram instrumentos para garantir a ordem burguesa (a manutenção da Lei de Segurança Nacional, a Portaria Normativa da Lei e da Ordem, de dezembro de 2013, e a Lei Antiterrorismo, recentemente iniciada e sancionada pela Presidente).

Além disso, promoveram ataques diretos aos trabalhadores, por meio de sua política econômica herdada dos governos FHC, da imposição dos chamados ajustes, dos cortes no orçamento, da prioridade dos superávits primários, da reforma da previdência, da opção pelo agronegócio contra a reforma agrária, do sucateamento da saúde e da educação públicas, da entrega da exploração de petróleo às multinacionais, da aprovação do código florestal e de mineração, do ataque aos povos indígenas, do favorecimento de grandes grupos econômicos, bancos, mineradoras, empreiteiras, indústria automobilística e vários setores do grande capital, em detrimento das demandas mais importantes da maioria da população e, principalmente, da classe trabalhadora.

Por isso, para o PCB, defender as liberdades democráticas implica enfrentar as ofensivas do capital, mantendo-se na oposição ao governo petista. Não há saída para a atual crise política pela via do aprofundamento da lógica da conciliação de classes. A saída é pela esquerda, com a formação de um bloco de lutas de caráter anticapitalista, com unidade de ação, sem hegemonismos, em torno de uma pauta mínima que possa expressar as necessidades da classe trabalhadora por emprego, terra, teto, direitos e liberdades.

Às ruas, para defender as liberdades democráticas contra as ofensivas do capital mas, principalmente, às fábricas, ao campo, às universidades, aos bairros pobres, às periferias e favelas, aos movimentos populares, para organizar os trabalhadores para nos defendermos agora e criarmos as condições para assumirmos o protagonismo de mudanças políticas profundas rumo à construção do Poder Popular, no caminho ao Socialismo.

Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central (28 de março de 2016)



Orientações políticas diante da conjuntura:

Diante deste quadro, o CC do PCB orienta seus militantes, amigos e simpatizantes e dialoga com seus aliados e organizações com as quais tem identidade estratégica, nos seguintes termos:

– o PCB não participará das manifestações convocadas para o dia 1º de abril com palavras de ordem onde se incluem Fora Dilma, Fora Todos e Eleições Gerais Já. Apesar de desejarmos unidade de ação com forças políticas e sociais que a convocam, consideramos que essas bandeiras objetivamente ajudam os planos do capital e alimentam ilusões de classe;

– o PCB só participará das manifestações convocadas para o dia 31 de março nos locais onde for possível nos articularmos com forças políticas e sociais que coloquem como centro a defesa dos interesses dos trabalhadores frente aos ataques do capital e não a defesa do governo petista de conciliação de classe;

– o PCB conclama todas as organizações da esquerda anticapitalista a iniciarmos um processo de aproximação, com vistas à unidade de ação em torno de lutas comuns, e a considerarmos como prioridade a realização de um PRIMEIRO DE MAIO UNITÁRIO desse campo político, como passo importante para a construção de um BLOCO DE LUTAS.

(Comitê Central do PCB)


O original encontra-se em http://pcb.org.br/portal2/10712

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 29 de março de 2016

sexta-feira, 25 de março de 2016

SICKO SOS Saude Michael Moore saude Cuba legendado1]

ANIVERSÁRIO


PCdoB, 94 anos: Ontem, hoje, na luta pela democracia, contra o golpe

14
Neste 25 de março de 2016, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comemora 94 anos de sua fundação conclamando todas as correntes democráticas e progressistas a combaterem o golpe em curso no Brasil. Em um ambiente político adverso, a legenda comunista reafirma a defesa das causas democráticas, patrióticas e populares. Assim afirma a presidenta nacional do Partido, deputada Luciana Santos, em mensagem aos comunistas.
Leia a íntegra da mensagem abaixo:

PCdoB, 94 anos: Ontem, hoje, na luta pela democracia, contra o golpe!

A defesa das liberdades democráticas e dos direitos do povo é uma das principais marcas do Partido Comunista do Brasil. Ao completar 94 anos de existência, neste dia 25 de março de 2016, o PCdoB encontra-se, mais uma vez, na linha de frente da resistência e do combate a um golpe que ameaça alvejar a democracia brasileira.
O Brasil vive hoje dias que valem por anos, décadas. O país se encontra polarizado, crivado por uma acirrada luta política. As forças reacionárias da sociedade e do Estado e a grande mídia tentam aprovar na Câmara dos Deputados um impeachment fraudulento, sem nenhum fundamento jurídico, contra a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita.
Um golpe contra o povo e a democracia está em marcha. É preciso enfrentá-lo, e de batalha em batalha derrotá-lo. Apesar da adversidade, o PCdoB tem a convicção de que a união e a luta de amplos setores democráticos, a mobilização do povo, que crescem e se elevam, poderão sim vencer o golpismo e preservar a democracia conquistada à custa de muitas lutas e vidas.
A história de nossa República é toda ela marcada por esse confronto que hoje se trava no país: Democracia versus ditadura, Estado Democrático de Direito versus Estado de Exceção, respeito à soberania do povo versus imposição da vontade e dos interesses das elites.
O PCdoB, ontem e hoje, sempre esteve até as últimas consequências comprometido com a democracia, base para a soberania nacional e para a garantia dos direitos do povo e dos trabalhadores.
PCdoB sempre do lado da democracia

Nos primeiros anos de existência do Partido, durante a República Oligárquica, os comunistas advogaram a anistia e o voto secreto, extensivo às mulheres e aos analfabetos. Lembramos que naquele momento a grande maioria do nosso povo estava excluída do direito democrático de eleger os seus governantes.
Nos anos 1930 foram pioneiros em alertar a nação sobre os perigos representados pelo crescimento do fascismo. Por isso, participaram com destaque da constituição da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente antifascista que foi perseguida e banida pelo governo do presidente Getúlio Vargas.
Em novembro de 1937, um golpe de Estado instaurou a ditadura do Estado Novo. Os partidos políticos foram proibidos, o parlamento fechado e a imprensa censurada. Mesmo na clandestinidade, os comunistas continuaram lutando contra a fascistização do país. Foram força destacada no processo de mobilização popular que levou o Brasil a romper relações diplomáticas e declarar guerra às potências do Eixo nazi-fascista em 1942. Centenas de jovens comunistas se alistaram na Força Expedicionária (FEB) para combater nos campos da Itália.
A derrota da Alemanha hitlerista e de seus aliados – para a qual o Brasil deu sua contribuição – ajudou a acelerar o fim do Estado Novo. Os comunistas, as forças democráticas e patrióticas conquistaram a anistia e a convocação da Assembleia Constituinte que, acreditavam, conduziria o país no caminho da democracia.
O papel positivo desempenhado pelos comunistas nos sombrios anos do Estado Novo foi reconhecido por amplas parcelas do povo, especialmente os trabalhadores. O PC do Brasil obteve 10% dos votos para presidente da República na eleição de 1945, elegendo um senador e 14 deputados federais. Essa façanha foi obtida com apenas poucos dias de campanha.
Na Constituinte, foi a bancada que mais se empenhou em ampliar a democracia e defendeu com vigor a liberdade sindical e de greve. Novamente defendeu o voto dos analfabetos, que representava a maioria da população. Apresentou a emenda que garantia a liberdade religiosa, que beneficiou especialmente os cultos afro-brasileiros.
O início da Guerra Fria desencadeada pelo imperialismo acarretou mudanças na situação política. Aumentou a ofensiva conservadora contra o movimento democrático e popular. Começaram as provocações das forças reacionárias para isolar e golpear os comunistas. As manifestações públicas e greves eram reprimidas com violência insana. Sedes do partido eram invadidas e militantes presos.
Neste clima de caça às bruxas, em maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral, por 3 votos contra 2, decidiu pela cassação do registro do PCB. Imediatamente suas sedes foram fechadas pela polícia. Alguns meses depois, em janeiro de 1948, o projeto de cassação dos mandatos foi aprovado na Câmara dos Deputados. A jovem democracia brasileira recebia os seus primeiros golpes.
Novamente na clandestinidade – tendo seus principais dirigentes ameaçados por mandados de prisão –, os comunistas mantiveram alto as bandeiras da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo, ameaçadas pelo governo autoritário e entreguista do general Dutra.
As correntes direitistas continuaram atuantes, constituindo-se um dos principais fatores de instabilidade política no Brasil. Inúmeras vezes, através de golpes de mão, elas buscaram interromper o processo democrático. Lembremos apenas da sórdida campanha que levou ao suicídio o presidente Getúlio Vargas (1954); as tentativas de impedir a posse e de derrubar o presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1957); ou de impedir a posse de João Goulart e a imposição do parlamentarismo (1961). Por fim, o golpe militar de 31 de março de 1964 que implantou uma nefasta ditadura de 21 anos.
O regime militar perseguiu, exilou, prendeu, torturou e assassinou seus opositores. O arbítrio enfrentou obstinada resistência na qual o PC do Brasil jogou importante papel.
O Partido participou de todas as frentes de luta contra a ditadura militar: do parlamento, da mobilização do povo à luta armada na região do Araguaia. Esteve presente ao lado dos estudantes, dos operários e da intelectualidade progressista nas grandes campanhas pela liberdade. Levantou bem alto as bandeiras da anistia, da Constituinte e pelo fim das leis de exceção. Foi um ativo participante da Campanha pelas Diretas Já!, e contribuiu com todas as suas forças para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, o que permitiu colocar um fim à ditadura e reconquistar a democracia que temos. Processo, em grande parte, concluído com a promulgação da Constituição cidadã de 1988.
Nos anos de obscurantismo ditatorial o PCdoB foi a organização política que mais heróis e mártires deu à causa da liberdade. Ainda hoje os corpos de mais de 60 militantes assassinados continuam desaparecidos.
Derrotar o golpe, preservar a democracia

Contudo, desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em outubro de 2014, o país vive grave crise política que agora chega ao seu estado crítico. A direita neoliberal não aceitou o resultado das urnas e desencadeou uma escalada reacionária e golpista para derrubar um governo legitimamente eleito.
O movimento golpista age em conluio com a grande mídia e setores do aparato jurídico-policial – a serviço da oposição conservadora e de interesses do imperialismo. Não se intimidam em colocar o país diante do perigo de grave conturbação social. Disseminam o ódio, a intolerância entre o povo e incentivam a violência sectária contra a esquerda. Sedes do PT e do PCdoB são alvos de atos criminosos de vandalismo. Movimentos sociais e entidades históricas como a União Nacional dos Estudantes (UNE), também, são agredidos.
A força motriz do atual golpismo é a “Operação Lava Jato”, comandada pelo juiz Sérgio Moro. São processos típicos de Estado de exceção, como os vazamentos seletivos de informações, desvirtuamento dos procedimentos da prisão provisória e da delação premiada. Chegou-se ao absurdo da ilegal condução coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento e das escutas ilegais evolvendo a atual presidenta Dilma e seu antecessor, tudo encoberto pelo falso manto do combate à corrupção.
Ainda que seja plenamente favorável a todas as iniciativas de combate aos desvios de dinheiro público, os comunistas do Brasil reafirmam que não se faz justiça afrontando o Estado Democrático de Direito, conquistado a duras penas pelo povo brasileiro. Tampouco solapando a soberania nacional e destruindo empresas essenciais ao projeto de desenvolvimento.
Que não haja dúvidas: além de mutilar a democracia, o golpe tem por objetivo acabar com as conquistas que o povo e a Nação obtiveram nos últimos 13 anos. A agenda política e econômica dos golpistas é um neoliberalismo selvagem de agressão aos direitos dos trabalhadores e à soberania do país.
Por isso, o PCdoB comemora mais um aniversário conclamando sua militância e todas as correntes democráticas e progressistas, mesmo aquelas que têm divergência com o governo, a combaterem decididamente o golpe em curso e a defenderem a democracia ameaçada.
Não vai ter golpe! Viva a democracia.

Recife, 24 de março de 2016
Deputada Federal Luciana Santos
Presidenta do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

 

elcomunista.net

quinta-feira, 24 de março de 2016

“O Estado Islâmico sempre existiu, é a Arábia Saudita” por SOFIA LORENA

ENTREVISTA COM o britânico ZIAUDDIN SARDAR   Nasceu em 1951 no Paquistão, mas vive em Londres desde os nove anos. Estudioso da sua religião, mas também de Ciência Foto de João Fróis.Política ou Literatura, é autor de mais de 45 livros e de vários programas sobre o islão para a BBC ou o Channel 4. Hoje, o britânico Ziauddin Sardar é presidente do Muslim Institute, organização que promove o conhecimento e o debate, e editor do Critical Muslim, uma revista trimestral sobre ideias e pensamento islâmico contemporâneo. Diz que faz falta uma rede de reformistas no islão. “Estamos muito sozinhos no nosso trabalho”. A conversa aconteceu em Lisboa, na Fundação Champalimaud, onde participou na conferência “O Desconhecido: Daqui a 100 Anos”.
PÚBLICO: Há um centro que está a desenvolver uma aplicação para os estudantes de origem árabe conhecerem a herança muçulmana na Andaluzia. Por que é que sabemos tão pouco do contributo dos cientistas ou arquitetos muçulmanos?
Ziauddin Sardar: Parece que ninguém sabe nada dessa herança, é verdade. Isso acontece por duas razões. Por um lado, a tradição intelectual e racional do islão foi marginalizada nas sociedades muçulmanas por volta do século XIV, XV. Por exemplo, toda a ideia de teologia racional, que o dogma devia relacionar-se com a razão, que devemos justificar através do pensamento racional aquilo em que acreditamos, estas ideias foram mais ou menos abandonadas por uma técnica a que chamamos ‘fechar as portas da itjihad' [raciocínio independente]. Estas ‘portas’ não foram fechadas do dia para a noite, aconteceu ao longo de um par de séculos. Para além disso, houve muitos califas que não gostavam do pensamento racional, os estudiosos de então questionavam a autoridade, eram o que hoje chamamos dissidentes. Um califa muito conhecido, Al-Qhadir, do império Abássida, criou o “credo Qhadir’, que proibia que se colocassem perguntas racionais. Saber se o Corão foi criado, por exemplo, era muito debatido. Esta era uma pergunta muito racional, se foi criado, foi criado na História, e então tem um contexto histórico e precisa de ser interpretado à luz da História. Mas se não foi criado, tem de ser lido literalmente. Isto aconteceu mais ou menos quando a sharia, a lei islâmica, estava a ser formulado, certo? Exactamente. A maioria dos muçulmanos pensa que a sharia é divina, mas na verdade é uma construção humana na História. É uma lei construída no século IX, quase 250 anos depois da morte do Profeta. O que é interessante é que até aí havia racionalismo na cultura muçulmana, não havia sharia, não havia hadiths [conjunto de ditos de Maomé], eles estavam a reuni-los nessa altura. E nesse período clássico inicial, a sociedade islâmica fervilhava de ideias, pensamento e aprendizagem. Quando a sharia foi formulada, os teólogos inventaram uma espécie de truque para aumentar a confiança nestas regras, sugerindo que a sharia era divina. Mas a maior parte da sharia vem dos ditos do Profeta, que são fabricados. Aquilo que chama os hadiths manufaturados? Sim, são uma espécie de dogma manufaturado. Isso pode ser demonstrado muito claramente. Por exemplo, a sharia diz que um apóstata [alguém que abandona a religião] deve ser morto, mas o Corão diz que não há pertença compulsiva ao islão. A sharia diz que a mulher tem um estatuto inferior e deve cobrir-se, mas o Corão diz que homem e mulher são iguais. Há muitos aspetos da sharia que estão em completa contradição com o Corão. Afirmar que a sharia é divina é totalmente ridículo e grande parte do fundamentalismo vem de aceitar a sharia como lei divina.
Estas são as razões internas ao islão. Mas há razões externas? Sim, é a segunda razão. Quando os poderes coloniais chegaram também marginalizaram essa parte da História. Se olharmos para a História da Ciência, parece que começa com a Grécia e depois é como se não tivesse acontecido nada até ao Iluminismo. Mas o próprio Iluminismo nunca teria acontecido sem a Filosofia e o pensamento muçulmanos. Muitos dos componentes básicos do Iluminismo vêm do que chamamos literatura adab, a literatura da ética e do humanismo, que criou universidades, instituições académicas, professores, condutas para ser um bom ser humano, condutas de boa governação. O Iluminismo adaptou todas as partes da literatura adab, que se tornou na sua base. Por exemplo, na literatura adab era obrigatório aprender tudo na língua clássica, o árabe, o Iluminismo não tinha nenhuma e foi buscar o latim. Passou a ser preciso aprender latim para ser um bom estudioso. O colonialismo relegou toda a cultura anterior para as margens, renegando o conhecimento do islão. Para mim, a História da Europa é tanto islâmica como qualquer outra coisa, não haveria Europa sem islão. Os jovens crescem sem saberem nada desta História e acreditam no que os fundamentalistas dizem sobre o islão.
Continuamos a aprender versões diferentes da História, em Portugal, por exemplo, não aprendemos a História comum que temos com os muçulmanos, só as cruzadas, a Reconquista. Sim, e mesmo isso muitas vezes é ensinado com interpretações muito particulares. Dizem que os navios partiram daqui para descobrir o mundo novo, no Brasil e em África. Não dizem o que é que lhe fizeram quando o descobriram… Temos de ensinar essa História. Na Europa, ainda há uma versão romantizada do colonialismo, a verdade do colonialismo não é ensinada nas escolas e nas universidades, a sua brutalidade. É como se pensássemos que fizemos bem, que civilizámos esses países. Mas muito do sofrimento que ainda existe nalguns destes países é um produto do que os europeus lá fizeram. Os portugueses foram brutais em África, horrendos. Criando estes mitos e perpetuando-os só contribuímos para perpetuar a opressão e a injustiça. Temos de ensinar essa História para podermos ter um mundo mais harmonioso.
O fundamentalismo atual então não tem nada a ver com o início do islão nem com a sua herança racional. Não, vem de uma área muito específica, vem da Arábia Saudita e da ideologia wahhabita. Até 1925, 1930, havia diferentes tradições do islão e pessoas que concordavam com umas e com outras. Havia jihads, mas tinham princípios éticos, eram lutas contra o colonialismo e o imperialismo, com regras claras, era proibido atacar civis, matar mulheres e crianças, matar prisioneiros. Jihad [guerra santa] não significa declarar guerra a toda a gente. Mas quando a Arábia Saudita se tornou numa petro-monarquia e começou a exportar a sua ideologia, tudo mudou. Os sauditas foram muito espertos, foram a todo o mundo construir mesquitas e madrassas [escolas corânicas] e depois enviaram os seus imãs [quem lidera as orações], professores e livros. E incentivavam toda a gente a ir estudar em Meca e Medina. Conseguiram exportar o wahhabismo para todo o mundo muçulmano. Até aos anos 1920, os wahhabitas eram uma seita muito minoritária e as pessoas gozavam com eles, eram considerados fanáticos iletrados sem relevância. Mas esta seita tornou-se na ortodoxia muçulmana. E hoje, há duas questões fundamentais aqui. Por um lado, os muçulmanos aceitam esta ideologia porque reverenciam a Arábia Saudita de forma acrítica. Por ser lá que estão Meca e Medina, assume-se que como o Profeta nasceu em Meca estas pessoas teriam o melhor conhecimento do islão, quando têm o pior. Por outro, as potências ocidentais, a América, o Reino Unido, a França, a Alemanha, apoiaram a Arábia Saudita e os estados do Golfo por motivos económicos e militares, eles compram as armas que estes países produzem. Ao apoiar a Arábia Saudita, ignorando o seu fanatismo, dão-lhes liberdade de ação.
Wahhabismo e salafismo, a doutrina que se diz estar na base da ideologia da maioria dos grupos terroristas como a Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico, são quase iguais, certo? Sim, essencialmente ambos defendem a interpretação literal do Corão e a aceitação da sharia como divina. Há salafistas e outros, mas no fundo são diferentes tipos de wahhabismo.
Defende que a própria organização de grupos como o Estado Islâmico se inspira no modelo saudita. Sim, a ideia de um líder que não pode ser questionado e que é reverenciado. As pessoas perguntam-me muitas vezes ‘de onde vem o ISIS’ [Estado Islâmico do Iraque e de al-Shams, como o Estado Islâmico se chamava a si próprio antes de declarar um califado, no Verão de 2014] e ‘como é o que o ISIS apareceu assim, tão depressa’. A resposta às duas perguntas é muito simples. O ISIS não apareceu do nada, sempre existiu, o ISIS é a Arábia Saudita. Se olharmos para as leis que o ISIS pratica são exactamente as mesmas em vigor na Arábia Saudita [onde as mulheres têm de ter um guardião masculino e andar cobertas, e crimes como a blasfémia são sentenciados como chicotadas ou alguém que tenha cometido adultério pode ser condenado à morte]. Só há uma diferença entre o ISIS e a Arábia Saudita, a Arábia Saudita comete as suas atrocidades atrás de uma cortina enquanto o ISIS transforma as suas atrocidades em vídeos do YouTube. O ano passado, na verdade, mais pessoas foram executadas na Arábia Saudita [oficialmente, 151] do que pelo ISIS. Mas quando o rei [Abdullah] saudita morreu [em Janeiro], o primeiro-ministro britânico foi à Arábia Saudita e bandeira britânica foi colocada a meia haste.
Há pelo menos 15 anos que se discute a influência saudita e até o financiamento a movimentos extremistas. Por que é que continua tudo igual nas relações entre as potências ocidentais e Riad? O que sei é que dizer que se vai fazer alguma coisa para combater a radicalização e o fanatismo e o terrorismo e depois continuar a apoiar a Arábia Saudita não faz sentido. Se atacarmos e destruirmos o ISIS, vai aparecer outro ainda pior no seu lugar. Atacámos e quase destruímos a Al-Qaeda, que agora está a regressar, mas isso não foi o fim do fundamentalismo violento, o ISIS ocupou o seu lugar. Temos de atacar a Arábia Saudita. No filme Aliens, a protagonista, Ripley, vê o monstro extraterrestre que está a pôr ovos e estes tornam-se nos extraterrestres que vimos no primeiro filme. Os ovos são a Al-Qaeda e o ISIS, mas o monstro é a Arábia Saudita e o wahhabismo saudita. Para fazer alguma coisa, é preciso destruir o monstro, não os ovos.
Em vez disso, os países estão-se a organizar para bombardear cada vez mais o ISIS. Sim, bombardeiam-se estes países e, pelo meio, matam-se civis e perpetua-se este processo. Contribui-se para a radicalização. Alguns dos sírios que estão a ser bombardeados vão acabar por se juntar a grupos terroristas e aumentar o seu poder.
Falou dos imãs e das mesquitas construídas com dinheiro saudita. Até há alguns anos, a mesquita era o lugar de radicalização. Mas agora esse espaço foi ocupado pela Internet e por televisões. Sim, há 20 anos os pregadores extremistas só podiam chegar aos muçulmanos numa mesquita. Agora, as pessoas vão até eles, podem aceder a centenas de milhares de pessoas por canais de YouTube ou de televisão. No Reino Unido temos 56 canais digitais que são basicamente canais de oração com doidos fundamentalistas a pregar lixo. Depois ainda há o Facebook e o Twitter. Basicamente, os extremistas têm o mundo todo aberto. A radicalização acontece nos velhos e nos novos media. Mas a maioria desta pregadores ou são sauditas ou qataris ou foram educados pela Arábia Saudita, e quando não são, os sauditas encontram forma de os enquadrar, convidam-nos, premeia-nos, e financiam estes canais.
Por que é a Internet não é bombardeada com mensagens contrárias às dos fundamentalistas, de reformistas? Da minha experiência, os bons tendem a ser passivos, enquanto os maus são agressivos. Os bons não fazem nada que possa contribuir para o conflito, pensam, enquanto os maus tendem a levar as suas ideias à prática. Em parte, é a natureza humana. Nos últimos 20 anos, no Reino Unido, dizemos muito que os moderados não se notam nos media. Isso é precisamente por serem moderados, não denunciam pessoas, não fazem declarações bombásticas, têm reações tranquilas.
Acredita que o wahhabismo se tornou mainstream e dominante?
Tornou-se na ortodoxia muçulmana. Ser um muçulmano ortodoxo passou a significar ser um wahbabi, antes queria dizer ser um seguidor de uma escola particular, podia ser-se místico, por exemplo. Agora, ser ortodoxo é ser wahhabita

Templo dórico, Viagem à Sicília, Agosto 2009

Templo grego clássico da Concórdia

Templo grego clássico da Concórdia
Viagem à Sicília

Teatro greco-romano

Teatro greco-romano
Viagem à Sicília

Pupis

Pupis
Viagem à Sicília Agosto 2009

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz: nele pereceram 4 milhôes de judeus. Depois dos nazis os genocídios continuaram por outras formas.

Viagem à Polónia

Viagem à Polónia
Auschwitz, Campo de extermínio. Memória do Mal Absoluto.

Forum Romano

Forum Romano
Viagem a Roma, 2009

Roma - Castelo de S. Ângelo

Roma - Castelo de S. Ângelo
Viagem a Roma,2009

Roma-Vaticano

Roma-Vaticano

Roma-Fonte Trévis

Roma-Fonte Trévis
Viagem a Roma,2009

Coliseu de Roma

Coliseu de Roma
Viagem a Roma, Maio 2009

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Vaticano-Igreja de S.Pedro

Grécia

Grécia
Acrópole

Grécia

Grécia
Acrópole

Viagem à Grécia

Viagem à Grécia

NOSTALGIA

NOSTALGIA

CLAUSTROFOBIA

CLAUSTROFOBIA